terça-feira, 19 de setembro de 2017

Fome


O principal personagem dos romances de Knust Hamsun é o próprio autor refletido em várias projeções de si mesmo. De seu sofrimento - e como conheceu ele todas as gamas e cores do infortúnio! - extraiu o sentido e a filosofia, bem como o enredo e a história dos livros que escreveu. Em 'Fome' se encontra especialmente o escritor confundido com o seu personagem. Tudo quanto ele define aquele intelectual - suas aspirações e amores, seus sonhos e descrenças, suas alegrias e choques - aparece nesse romance de fato sedutor, na verdade único, em que o 'pobre diabo' se apresenta aos nossos olhos não como uma ciratura caída em abjeção, em dissolvência moral, mas como alguém de quem se deve compadecer e lastimar e ao mesmo tempo admirar ou até mesmo invejar. Foi o exercício da vagabundagem - no caso um fecundo lab

Knut Hamsun relata, neste livro, sua própria alma, emprestando ao personagem suas experiências, como faz sempre. A história conduz o leitor ao mundo desgraçado de um escritor sem reconhecimento que passa fome, literalmente, buscando sua essência e seu valor como artista.

""Fome", com a magistral tradução de Carlos Drummond de Andrade, é um dos maiores romances da literatura oratório em que o romancista colheu as suas experiências dos homens e do mundo para definir a sua própria personalidade.

domingo, 17 de setembro de 2017

Ficção histórica ou romance histórico

De onde tiro tantos títulos???
Na definição de ficção histórica da Wikipédia...

A ficção prosa histórica tem uma longa tradição na literatura mundial. Três dos quatro clássicos da literatura chinesa foram colocados no passado distante: A margem da água do século XI de Shi Nai'an diz respeito aos bandidos do século 12; O romance dos Três Reinos do século XIV de Luo Guanzhong diz respeito às guerras do século III que acabaram com a Dinastia Han ; A jornada para o Oeste do século XVI de Wu Cheng'en para o Ocidente diz respeito ao peregrino budista xuanzang do século 7. 
(...)
Guerra e a Paz de Tolstói oferece um exemplo de ficção histórica do século XIX usada para criticar a história contemporânea. Tolstoi leu as histórias padrão disponíveis em russo e francês sobre as guerras napoleônicas e usou a novela para desafiar essas abordagens históricas. No início do terceiro volume da novela, ele descreve seu trabalho como desfocando a linha entre ficção e história, para se aproximar da verdade.  O romance está definido 60 anos antes de ser composto, e ao lado de pesquisar a guerra através de fontes primárias e secundárias, ele falou com pessoas que viveram a guerra durante a invasão francesa da Rússia em 1812; assim, o livro também é, em parte, ficção ficção étnica .
(...)
Robert Graves da Grã-Bretanha escreveu várias novelas históricas populares, incluindo eu, Claudius , o rei jesus , o velo dourado e o conde Belisarius . Outros novelistas britânicos importantes incluem Georgette Heyer , Naomi Mitchison e Mary Renault . Heyer estabeleceu essencialmente o gênero de romance histórico e seu romance Subgenre Regency , que foi inspirado por Jane Austen . Para garantir a precisão, Heyer recolheu trabalhos de referência e manteve notas detalhadas sobre todos os aspectos da vida da Regência.Enquanto alguns críticos achavam que as novelas eram muito detalhadas, outros consideravam que o nível de detalhe era o maior ativo de Heyer; Heyer até recriou a passagem de William the Conqueror para a Inglaterra pelo romance The Conqueror . A melhor novela de Naomi Mitchison, The Corn King e The Spring Queen (1931) é considerada por alguns como a melhor novela histórica do século XX. Mary Renault é mais conhecida por seus romances históricos estabelecidos na Grécia Antiga . Além de retratos imaginários vívidos de Teseu , Sócrates , Platão e Alexandre o Grande , ela escreveu uma biografia não-ficção de Alexandre. O cerco de Krishnapur (1973) de JG Farrell foi descrito como uma "novela notável". [34] Inspirado por eventos como o cerco de Cawnpore e Lucknow , o livro detalha o cerco de uma cidade indiana de ficção, Krishnapur, durante a Rebelião indiana de 1857, na perspectiva dos residentes britânicos . Os personagens principais encontram-se sujeitos às restrições crescentes e à privação do cerco, que inverte a estrutura "normal" da vida, onde os europeus governam temas asiáticos. O absurdo do sistema de classe em uma cidade que ninguém pode deixar se torna uma fonte de invenção cômica, embora o texto seja serio na intenção e no tom.



Sugestão de leitura: para entender melhor a China


Por Ed Döer
Como China é um tema significativo no momento histórico atual e provavelmente será mais ainda no futuro, vou deixar minha dica também:
Comecei a ler nos últimos dias o livro "Romance dos Três Reinos" (Romance of the Three Kingdoms, versão em inglês, pois não existe tradução para português), escrito por Luo Guanzhong (no século XIV), que é um romance histórico chinês que cobre mais de 100 anos de história da região, indo de 169 até 280, pegando os anos finais da dinastia Han, mais todo período histórico conhecido como Três Reinos e terminando com a reunificação do território.
O livro (parte histórico, parte lenda e parte mito) romantiza e dramatiza as vidas dos lordes feudais e seus seguidores que tentavam substituir ou restaurar a, já em decadência, dinastia Han. E embora a história cubra algumas centenas de personagens, na sua grande maioria, reais, pode-se dizer que o foco principal é nos 3 blocos de poder regionais que eventualmente formam os Estados de Cao Wei, Shu Han e Sun Wu. Até porque, em 111 anos de história seria pouco provável algum sobrevivente do início até o fim da obra. Então, seja devido aos fatores idade e saúde, como as intrigas e batalhas da época, personagens vão morrendo, mas vão abrindo espaço para as novas gerações deixarem sua marca na História do que hoje é a China. Alguns, inclusive, foram elevados ao status de divindade ao longo dos séculos por gerações posteriores.
A obra não só é reconhecida como um dos 4 grandes clássicos da literatura chinesa, como também seria popular e influente em outros países do leste asiático (Japão, Coreia, Vietnã, etc). E existem diversas adaptações para outras mídias e formatos, ópera, teatro, cinema, TV, games, etc.
Recentemente terminei de assistir uma adaptação (série com 95 episódios) para a TV chinesa de 2010, que embora pegue só o "miolo" (+/- uns 50 anos centrais) do livro, vale a pena pela qualidade da produção e da história, uma das melhores coisas que já vi em termos de série, e para ter algum contato com o que a China anda produzindo na TV. Na época eu consegui via torrents, mas aparentemente tem a série toda (legendada em inglês) no Youtube. Pra facilitar, deixo o link para o primeiro episódio caso alguém tenha curiosidade dar uma olhada, já que o livro é mais difícil de obter, além de ter mais de 2 mil páginas.

sábado, 16 de setembro de 2017

Ficção Histórica

Ficção histórica

Da Wikipédia, a enciclopédia livre
A ficção histórica é um gênero literário em que a trama ocorre em um cenário localizado no passado. ficção histórica pode ser um termo guarda-chuva; embora comumente usado como sinônimo para descrever o romance histórico ; O termo pode ser aplicado em outros formatos narrativos, como os que atuam nas artes plenas e visuais, como teatro , ópera , cinema e televisão , além de videogames e novelas gráficas .
Um elemento essencial da ficção histórica é que está definido no passado e presta atenção aos costumes, condições sociais e outros detalhes do período representado. [1] Osautores também freqüentemente escolhem explorar figuras históricas notáveis ​​nessas configurações, permitindo que os leitores entendam melhor como esses indivíduos poderiam ter respondido aos seus ambientes. Alguns subgêneros, como a história alternativa e a fantasia histórica, inserem elementos especulativos ou ahistóricos em uma novela.
As obras de ficção histórica às vezes são criticadas por falta de autenticidade devido às expectativas lúdicas ou de gênero para detalhes precisos do período. Essa tensão entre a autenticidade histórica , a historicidade e a ficção freqüentemente se torna um ponto de observação para leitores e críticos populares, enquanto as críticas acadêmicasfreqüentemente ultrapassam esse comentário, investigando o gênero por seus outros interesses temáticos e críticos.
A ficção histórica, como um gênero literário ocidental contemporâneo, tem seus fundamentos nas obras do início do século XIX de Sir Walter Scott e seus contemporâneos em outras literaturas nacionais , como o francês Honoré de Balzac , o americano James Fenimore Cooper e o russo Tolstoi . No entanto, a fusão de "histórico" e "ficção" em obras individuais de literatura tem uma longa tradição na maioria das culturas; As tradições ocidentais (bem como a literatura grega e romana antiga ) e oriental, na forma de tradições orais e folclóricas (ver mitologia e folclore ), que produziram épicos , romances, peças e outras obras de ficção que descrevem a história do público contemporâneo.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Nota da autora

Nota da autora Lucinda Riley, em A Irmã da Sombra:
(...) Eu queria celebrar as conquistas das mulheres, sobretudo no passado, onde tantas vezes a sua contribuição para tornar nosso mundo o lugar que é hoje foi ofuscada pelas conquistas documentadas dos homens.
(...)

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Eduardo Galeano

Em G1:
Recebeu o prêmio Casa de Las Américas em 1975 e 1978, e o prêmio Aloa, promovido pelas casas editoras dinamarquesas, em 1993. A trilogia "Memória do fogo" foi premiada pelo Ministério da Cultura do Uruguai e recebeu o American Book Award (Washington University, EUA) em 1989.
Ainda em solo espanhol, Galeano iniciou “Memória do fogo”, uma trilogia sobre a História das Américas. Passando pelos povos pré-colombianos até o recuo das ditaduras militares na região, Galeano leva para as páginas personagens como generais, artistas e revolucionários. A história americana é contatada por meio de pequenos textos sobre ações que mudaram o modo de encarar a vida no continente.
Em 1999, Galeano foi o primeiro autor homenageado com o prêmio à Liberdade Cultural, da Lannan Foundation (Novo México). É autor de "De pernas pro ar", "Dias e noites de amor e de guerra", "Futebol ao sol e à sombra", "O livro dos abraços", "Memória do fogo" (que engloba "Os nascimentos", "As caras e as máscaras" e "O século do vento"), "Mulheres", "As palavras andantes", "Vagamundo", "As veias abertas da América Latina" e "Os filhos dos dias".

Rafael Reinehr nos conta um pouco sobre Galeano:

Caminhar é um perigo e respirar é uma façanha nas grandes cidades do mundo ao avesso. Quem não é prisioneiro da necessidade é prisioneiro do medo: uns não dormem por causa da ânsia de ter o que não têm, outros não dormem por causa do pânico de perder o que têm. O mundo ao avesso nos adestra para ver o próximo como uma ameaça e não como uma promessa, nos reduz à solidão e nos consola com drogas químicas e amigos cibernéticos. Estamos condenados a morrer de fome, morrer de medo ou a morrer de tédio, isso se uma bala perdida não vier abreviar nossa existência.”
 O mundo ao avesso nos ensina a padecer a realidade ao invés de transformá-la, a esquecer o passado ao invés de escutá-lo e a aceitar o futuro ao invés de imaginá-lo: assim pratica o crime, assim o recomenda. Em sua escola, escola do crime, são obrigatórias as aulas de impotência, amnésia e resignação. Mas está visto que não há desgraça sem graça, nem cara que não tenha sua coroa, nem desalento que não busque seu alento. Nem tampouco há escola que não encontre sua contra-escola.”
Contradições do mundo moderno
“A publicidade manda consumir e a economia proíbe. As ordens de consumo, iguais para todos, mas impossíveis para a maioria, são convites ao delito.”
“A igualação, que nos uniformiza e nos apalerma, não pode ser medida. Não há computador capaz de registrar os crimes cotidianos que a indústria da cultura de massas comete contra o arco-íris humano e o humano direito à identidade. O tempo vai-se esvaziando de história e o espaço já não reconhece a assombrosa diversidade de suas partes. Através dos meios massivos de comunicação, os donos do mundo nos comunicam a obrigação que temos todos de nos contemplar num único espelho, que reflete os valores da cultura de consumo. “A televisão (…) não só ensina a confundir qualidade de vida com quantidade de coisas…”
O PROBLEMA: A economia mundial exige mercados de consumo em constante expansão para dar saída à sua produção crescente e para que não despenquem suas taxas de lucro, mas, ao mesmo tempo, exige braços e matéria-prima a preços irrisórios para baratear os custos da produção. O mesmo sistema que precisa vender cada vez mais, precisa também pagar cada vez menos. E como quem recebe menos pode comprar mais?
Segundo Galeano, o valor dos produtos para animais de estimação  que, a cada ano, são vendidos nos Estados Unidos, é quatro vezes maior do que toda a produção da Etiópia. As vendas da General Motors e da Ford superam largamente a produção de toda a África negra. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, “dez pessoas, os dez mais ricos do planeta, têm uma riqueza equivalente ao valor da produção total de cinqüenta países, e quatrocentos e quarenta e sete milionários somam uma fortuna maior do que ganha anualmente a metade da humanidade”
“Num mundo que prefere a segurança à justiça, há cada vez mais gente que aplaude o sacrifício da justiça no altar da segurança. Nas ruas das cidades são celebradas as cerimônias. Cada vez que um delinqüente cai varado de balas, a sociedade sente um alívio na doença que a atormenta. A morte de cada malvivente surte efeitos farmacêuticos sobre os bem-viventes. A palavra farmácia vem de phármakos, o nome que os gregos davam às vítimas humanas nos sacrifícios oferecidos aos deuses nos tempos de crise.”
Uma dos achados fantásticos deste livro foi a citação de uma série de frases encontradas em muros e cidades do mundo. Eis algumas delas:
“Combata a fome e a pobreza! Coma um pobre!” (de um muro em Buenos Aires)
 “Bem-vinda classe média!” (dizer na entrada de um dos bairros mais miseráveis de Buenos Aires)
         “Deixemos o pessimismo para tempos melhores”(de um muro em Bogotá)
 “Basta de fatos! Queremos promessas!”
                        “Existe um país diferente, em algum lugar”
 “Quando tínhamos todas as respostas, mudaram as perguntas” (de um muro em Quito)
          Estas citações me deram a ideia de criar uma seção do site para receber fotos de frases de cunho político ou de humor encontradas nos muros e locais públicos pelo mundo. Como não tenho viajado muito nem tenho muitos contatos, não sei se a ideia vai vingar, mas um dia começo a pô-la em prática.
          Antes do capítulo final, “O direito ao deliro”, Galeano filosofa e filosofa bem: “A natureza se realiza em movimento e também nós, seus filhos, que somos o que somos e ao mesmo tempo somos o que fazemos para mudar o que somos. Como dizia Paulo Freire, o educador que morreu aprendendo: “Somos andando”. A verdade está na viagem, não no porto. Não há mais verdade do que a busca da verdade. Estamos condenados ao crime? Bem sabemos que os bichos humanos andamos muito dedicados a devorar o próximo e a devastar o planeta, mas também sabemos que não estaríamos aqui se nossos remotos avós do paleolítico não tivessem sabido adaptar-se à natureza, da qual faziam parte, e não tivessem sido capazes de compartilhar o que colhiam e caçavam. Viva onde viva, viva como viva, viva quando viva, cada pessoa contém muitas pessoas possíveis e é o sistema de poder, que nada tem de eterno, que a cada dia convida para entrar em cena nossos habitantes mais safados, enquanto impede que os outros cresçam e os proíbe de aparecer. Embora estejamos malfeitos, ainda não estamos terminados; e é a aventura de mudar e de mudarmos que faz com que valha a pena esta piscadela que somos na história do universo, este fugaz calorzinho entre dois gelos”.


         De Pernas Pro Ar – A Escola do Mundo ao Avesso é leitura obrigatória para quem quer se localizar no mundo e perceber a importância de ter um lugar e, principalmente, ensinar isso ao seu vizinho.


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Compulsão por ter livros

Solução em Farmácia Literária:
invista em um e-reader e/ou crie uma prateleira de leituras atuais

Nós conhecemos o seu tipo. Você gosta tanto da aparência e do toque dos livros que fica louco para possuí-los. Só de entrar em uma livraria, já fica excitado. Seu maior prazer na vida é trazer livros novos para casa e colocá-los nas prateleiras imaculadas. Você se afasta um pouco para admirá-los, imagina como será quando os tiver lido - depois sai e vai fazer outra coisa.
Invista em um e-reader. Ao reduzir um livro a palavras - em capa elegante, sem um nome de autor da moda ou esotérico, para que os outros notem -, você logo descobrirá se realmente quer ler o livro ou somente tê-lo. Se ele passar no teste, espere até estar de fato pronto para começar a leitura antes de clicar em "baixar" (mantenha-o em uma lista de desejos enquanto isso). SE, e apenas se, você o amar ao ler em se e-reader, pode então se permitir a aquisição de um belo exemplar impresso para manter em sua estante, ler e reler, amar, tocar e babar, mostrar para os amigos e simplesmente ter.
Se você não se entusiasmar com a ideia de um e-reader, crie uma prateleira em casa designada "leituras atuais". Deve ficar perto da cama ou de onde você mais gosta de ler, e conter a meia dúzia de livros que serão sua próxima leitura. Cuide de de manter ativa a rotatividade nessa prateleira. Porque a regra número um é que você só pode comprar um livro novo quando um dos títulos na prateleira "leituras atuais" tiver sido lido e devolvido à estante. A regra número dois é que você tem de ler os livros dessa prateleira mais ou menos na ordem em que chegarem ali. E a regra número três é que, se algum dos livros for pulado mais de uma vez, ou ficar na prateleira por mais de quatro meses, deve ir para um amito ou para doação.
Nada de trapacear! Você estará curado de seu hábito no prazo de um ano.
pág 216.



domingo, 10 de setembro de 2017

Ofício de Escrever

Leitor obstinado e escritor prolífico, Frei Betto chega ao seu sexagésimo livro. Não à toa ele se dedica, nesta obra que marca um feito tão notável, justamente ao ato de escrever, para ele uma verdadeira missão. Em Ofício de escrever, Frei Betto discorre sobre seus hábitos, técnicas e os pequenos macetes que adquiriu com a experiência, oferecendo dicas preciosas para estudantes, professores e aspirantes a escritor. Mas sua análise não se restringe à sua própria obra. Ele também examina os processos criativos e a técnica de autores diversos, como William Shakespeare, Miguel de Cervantes, Tomasi di Lamepdusa, Antoine de Saint-Exupéry, T.S. Eliot e os mineiros Bartolomeu Campos de Queirós e Adélia Prado, entre outros, prestando uma verdadeira homenagem a seus escritores favoritos e à literatura.

Ana Luiza Ferreira nos conta:  

Ofício de Escrever é dividido em 4 partes. Na primeira delas, “Do ofício de escrever”, o autor começa nos contando porque ele escreve e argumenta como, para um verdadeiro escritor, colocar as palavras no papel é mais do que um hobby, é uma missão de vida, é parte da sua personalidade. Essa foi a minha parte favorita do livro, pois me identifiquei muito com o autor quando ele defende que escrever é um modo de ser feliz, mas também de se libertar de certas ideias e sentimentos. Ainda falando “Do ofício de escrever”, Frei Betto responde a questionamentos como o que faz um bom autor e um bom texto, e como encarar a escrita como profissão. 

Na segunda parte de Ofício de Escrever, o tema é “Literatura e Espiritualidade”. Por não ser religiosa, essa parte não me chamou muita atenção. Contudo, foi interessante lê-la e entender um pouco das ideias do autor sobre o assunto, que defende como a literatura, seja ela nos textos sagrados ou em poemas que abordam o tema, pode ser um dos instrumentos para entrar em contato, sintonia, com Deus. A terceira parte é intitulada “Literatura e Política” e nos faz refletir como os livros podem ser causadores de mudanças sociais ou registros dessas. Frei Betto também discute a importância de uma literatura engajada, mas também um pouco de como fazê-la. Essa foi a minha segunda parte favorita de Ofício de Escrever, já que gosto bastante desse ideal da literatura como coisa viva, como parte da sociedade e da história. 

E por fim, a quarta parte, “Aprender a ler”, encerra o livro. Aqui, Frei Betto discute a importância dos textos escritos como formas de repassar o conhecimento. Ele reflete sobre a relação da escrita e da mídia, mas também da relação entre a literatura e as pessoas, sobre como o hábito de ler está crescendo no Brasil, mas ainda está longe de ser o ideal para poder se dizer que somos uma nação de leitores. Essa última parte ainda traz uma crônica rápida bem interessante, uma narrativa simples sobre como, para apreciar a literatura, é preciso aprender a ler além das palavras, aprender a construir sentidos e analisar metáforas.

CONCLUSÕES FINAIS

Ofício de Escrever é uma obra curta, mas que deve ser lida devagar. Durante uma semana, fui lendo o livro aos poucos e me entregando aos questionamentos e reflexões propostas pelo autor. Apesar de discordar da visão conservadora de Frei Betto, que concebe a literatura como uma arte intocável, muito política e fiel aos clássicos (enquanto eu acredito e defendo livros que só divertem, que fogem completamente às regras, e gêneros, como a fantasia, que não se apegam muito a realidade), eu me identifiquei com muitas das ideias defendidas pelo escritor. Como ele, acredito que a literatura é um meio poderoso de comunicação, que muda a vida de uma pessoa e que escrever é mais do que uma paixão e sim um meio de sobrevivência, de ser feliz.