segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Minhas Férias na Espanha Relato V ou II a

Por que II a ?
Porque, na verdade, o chamado "outro lado do Caminho"  começou antes de eu conhecer Alex, Tia Ana e Andrea.
Tudo se confunde porque eu ainda não compreendia o que dizem sobre "o Caminho é de cada um".
 
Nos primeiros dias eu seguia um script.
Seguia um guia e os conselhos da amiga Maria Nenen: parar em pontos intermediários, nem no ponto de partida, nem do ponto de chegada da Etapa do Guia; a afim de evitar albergues lotados.
Era o máximo de flexibilidade que me permitia. 

Mas, a "magia", concluí, é outra. É ainda mais flexibilidade. É curtir seu Caminho, suas férias como seu espírito pedir ou quiser.



Em Estella, a 9 km antes de Villamayor, revi Marcelo, por acaso, num café.
Isso! O Marcelo, brasileiro, de Sampa, que conheci em Puente La Reina, lembra?!
Ele tinha um mapa da minúscula cidade em mãos e dizia para eu conhecer uma igreja, lá no alto! Basílica de La Virgen del Puy (año 1954)
Na sua opinião, era linda e merecia visitação. Porém, conforme instruções turísticas que ele cuidadosamente procurou ao chegar, faltavam pouquíssimos minutos para que as portas da igreja se fechassem e eu perdesse a oportunidade única.

Até ali, tudo parecia ÚNICO!
A oportunidade, então, sempre ÚNICA!
Pois, a gente seguia sempre adiante.
Para mim ainda não existia a possibilidade de parar, ficar mais um dia, mudar de rota.
Ou você agarrava a oportunidade, ou a perdia.
E neste dia, em especial, dia 02/05, eu estava sem mochila e deveria pernoitar em Villamayor.
Então, se faltavam 9km até Villamayor...
Se ainda eram 13h; sem o sol se punha somente às 21h; se minha reserva estava garantida... poderia me dar ao luxo de aproveitar a oportunidade ÚNICA para conhecer aquela igreja linda.
Subi, subi...
Cheguei, e entrei.
Linda?! Interessante. Sim, interessante.
Porém, péssima luminosidade.
As fotos ficariam horríveis e o registro (do que jeito que gosto) não seria publicável.
Eu e minhas fotos... meu perfeccionismo...
Então, fiquei na praça dessa igreja e tirei fotos minhas, autorretratos. Muitos! *na foto eu estou com os óculos escuros e os óculos de grau, ao mesmo tempo... tentando dominar todo meu equipamento, sem deletar os registros, kk

Com o celular, com o pau de selfie, com a câmera, com tripé e sem tripé.
E descobri que wifi tinha também... aberto e público.
E sorria! Sorria...
Mesmo só!
Mesmo desacompanhada!

Marcelo era o primeiro peregrino que revia/que reencontrava.
Ele me passou mais uma dica: procurar informações turísticas ao chegar ou passar por algum pueblo. A primeira dica foi sobre o transporte de mochilas.
Ele ia e eu ficava. Poderíamos nos reencontrar? Não sei, nem pensava...  pois meu script (ainda) era: siga em frente!
                                                       
Chegando em Villamayor, parado no meio do nada, na sombra, estava Höskuldur.
Aquele da Islândia. Então, o segundo peregrino que eu reencontrava.
E eu discuti com ele... pode?!
Dizia em meu português cheio de gírias: - Como pode estar de bermuda, com essa brancura toda a se queimar neste sol?
Ele me compreendou porque eu gesticulava, como num jogo de Imagem e Ação.
E ele brincou comigo: molhou o dedo na língua, tocou sua perna e fez: sssssssssssss
Como o barulho de manteiga derretendo uma frigideira.
Senso de humor...

Vou sentir saudades dele...
Como lamento não falar inglês.
Ele não reservou a pousada e teve de continuar caminhando.
 
E eu conheci Patrícia, mesmo não trocado mais que duas palavras.
 
Claudinha
escrito em 3/08/2016, revisto em 08/08.

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