quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Personagens marcantes de Pat Conroy

Depois de ler A Mansão do Rio, leio O Príncipe das Marés.
A intenção de ler duas obras seguidas do mesmo autor é para descobrir se os personagens só mudam de cenário e nome. Se são idênticos, sem originalidade.
Ainda não consigo responder, pois as histórias são envolventes.
O contexto e o drama me hipnotizam.
Confesso, então, que não sou um especialista, uma crítica literária e recomendo, pois, as duas obras. ;)
*foto do escritor americano, Pat Conroy, falecido em 04/03/16
 
“Esses são os momentos de surpresa e preservação que me prendem para sempre às recordações que trago da vida sulista. Tenho medo do vazio da vida, da vacuidade, do enfado e da falta de esperança de uma vida pobre de acontecimentos. É a morte em vida da classe média, que envia calafrios primitivos através dos nervos e dos poros abertos da minha alma. Se pesco um peixe antes de o sol nascer, eu me associo ao murmúrio do planeta vivo. Se ligo a televisão porque não suporto uma noite a sós com a família ou comigo mesmo, estou admitindo minha ligação com os mortos-vivos. A parte sulista de alguém é a mis requintadamente viva nessa pessoa. Há recordações profundamente sulistas que cercam a estrela-guia da autenticidade de qualquer coisa que eu mostre. Por causa de nossa autenticidade, pertenci a uma família com fatal atração pelo gesto extraordinário. Sempre havia um caráter excessivo em nossa reação a pequenos acontecimentos. A rutilância e o exagero eram a plumagem que se pavoneava sempre que um Wingo se encontrava ofuscado à luz de um mundo hostil. Como família, éramos instintivos, não previdentes. Nunca éramos mais espertos que os adversários, mas podíamos surpreendê-los com a imaginação usada em nossas reações. Funcionávamos melhor como grandes conhecedores do risco e do perito. Não ficávamos verdadeiramente felizes, a não ser que estivéssemos engajados em nossa guerra particular com o restante do mundo. Até nos poemas de minha irmã sentíamos a tensão do risco que se aproximava. Eles soavam como se fossem feitos de gelo fino e rochas que caíam. Tinham movimento, peso, deslumbramento e arte. E se moviam pelas correntes do tempo, selvagens e violentas, como um velho entrando nas águas limítrofes no rio Savannah, planejando esquiar por 65 quilômetros para provar que ainda era um homem.”
Pág 569/570 Edições BestBolso, 2008; tradução de Elizabeth Larrabure Costa Correa.
 
Os personagens de Pat Conroy são marcantes.
O avô, Amos, durante anos carregou uma cruz de madeira de 35kg nas Sextas-feiras Santas.
Aos 64 anos, introduziu uma roda à cruz alegando que Jesus tinha apenas 33 quando subiu a colina.
Sempre religioso, consultava (ou discutia com) o Senhor em todas as situações, até mesmo quando o departamento de trânsito pediu a ele que devolvesse voluntariamente sua carta de motorista. “Após uma longa discussão sobre o assunto, para o assombro de todos, Jesus permitiu que meu avô mantivesse a carta de motorista, com a condição de que usasse óculos. Para Amos, o Senhor era tudo: controlador de tráfego, mediador e oculista.”

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