quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Por que este nome?

Letras em pedaços... Porque gosto de escrever, gosto de ler e vou me desnudando aos poucos... como uma cebola?
E como explicar tantas postagens de política, esporte, vendas, empreendedorismo?
Seria a hora de ponderar a troca de nome? Não... são devaneios e sempre o serão.
Fotos, viagens, algo que me marcou na época... afinal já se vão 6 anos...
E o objetivo ainda é o mesmo: dominar a escrita!
;)
 

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Jaime Bulhosa

Depois de citar Jaime Bulhosa no post de 28 de agosto, resolvi visitar mais uma vez o seu blog Pó dos Livros e achei algo interessantíssimo sobre leituras impossíveis:

Há livros que são mais difíceis de ler do que outros. E se pensarmos um bocadinho, isso depende, na maior parte das vezes, mais dos leitores do que dos próprios livros.
No entanto, quantas vezes não deixamos de lado certos livros, mesmo aqueles que o nosso círculo de amigos ou os críticos literários insistem em afirmar que se tratam de obras-primas e de leitura obrigatória, fazendo-nos sentir estúpidos ou, no mínimo, imbecis por não conseguirmos lê-los. Eu confesso: há livros dos quais não passei das primeiras páginas, por me parecerem demasiado densos, ocultos, eruditos ou apenas vazios de ideias. Mas a verdade é que os não consigo ler. Mesmo após várias tentativas.
Sejamos honestos, muita gente anda a escrever para si próprio ou para uma plateia restrita e minoritária. Como curiosidade, dou-vos dois exemplos: James Joyce confessou que levou um quarto do tempo da sua vida a escrever Finnegans Wake e acrescentou que levaríamos uma vida inteira para o ler (há inclusive quem diga que nem Matusalém, figura bíblica que terá vivido 969 anos, conseguiria cumprir o feito); também Robert Browning, poeta e dramaturgo inglês do século XIX, confessou que o seu livro Sordello apenas seria entendido por si próprio e por Deus. Vinte anos depois, admitiria que só mesmo por Deus.

Jaime Bulhosa

Assim, posso abandonar mais um livro, e mais outro... sem pesar minha consciência...

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

E a história se repete...

Sim. Constatei.
O autor Pat Conroy repete não apenas o cenário (Carolina do Sul, onde viveu).
Repete dramas (vergonha, ódio, tristeza, perdão), personagens (filhos menosprezados, solitários, violentados; pais traumatizados, severos), e psicoses (demência, esquizofrenia, depressão, alcoolismo).
Porém, ele atingiu o objetivo para mim importante neste momento: foi meu remédio, meu placebo.
Jaime Bulhosa definiu bem como pode ser a leitura para cada um: pode mudar sua vida ou simplesmente ser uma distração...

Trechos do livro O Príncipe das Marés:

Neste primeiro trecho me identifiquei como "boa cidadã, pagadora de impostos e omissa em causas grandiosas e humanitárias, ou mesmo em conscientização política".

- (...) Invejei nele a liberdade de se deixar levar pela fúria de suas crenças, armado com uma emoção que jamais vou conhecer ou sentir. Tenho inveja do fato de Luke alarmar todo o país com o frio arrebatamento que coloca em sua maldita fé. O motivo  pelo qual preciso detê-lo, Savannah, é porque, no mais profundo do meu ser, acredito na integridade de sua guerra particular contra o mundo. Por acreditar tão profundamente nela, o compromisso dele é um constante lembrete de tudo o que já cedi. Fui domado por hipotecas, prestações de automóveis, planos de aulas, crianças e uma esposa com sonhos muito mais ambiciosos que os meus. Estou vivendo numa comunidade, assistindo ao noticiário das sete e fazendo as palavras cruzadas do jornal, enquanto meu irmão come peixe cru e trava uma guerra contra um exército de ocupação que roubou o único lar que  tivemos. Não sou um fanático ou um sabotador, sou um bom cidadão. É isso que digo a mim mesmo. Tenho deveres e responsabilidades. Mas Luke me provou alguma coisa. Mostrou que não sou um homem de princípios, de fé ou mesmo de ação. Tenho a alma de um colaborador.  Tornei-me exatamente o tipo que mais odeio no mundo. Tenho um belo gramado e nunca recebi uma multa por excesso de velocidade.

Neste segundo trecho, me identifiquei com a depressão, com o isolamento preferido por aqueles ditos, de alguma forma, psicóticos. 

(...)  Seu espírito fora alienado para fora da carne. Havia uma imobilidade mineral em sua calma, uma qualidade imaculada no conjunto tenebroso de sua catatonia. O catatônico sempre me pareceu o mais santo dos psicóticos. Há integridade em seu voto de silêncio e algo de sagrado em sua renúncia aos movimentos. É o drama mais silencioso de uma alma inacabada, o próprio ensaio geral para a morte. Eu já vira minha irmã não se mexer anteriormente e a encarei desta vez como um veterano de sua incurável quietude. Na primeira vez, eu me desfiz e escondi o rosto entre as mãos. Agora, recordava algo que ela me dissera: que, bem lá no fundo de sua imobilidade e solidão, seu espírito estava cicatrizando-se nos lugares mais inatingíveis, minerando as riquezas e os minérios escondidos nas galerias mais inacessíveis de sua mente.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Javier Moro

Das muitas obras de Javier Moro, já li (e me deliciei):
O Sári Vermelho
Paixão Índia
O Império é Você
O Pé de Jaipur

Agora, minha tia adquiriu Flor da Pele...

Estamos no início do século XIX, e a varíola, também conhecida como “flor negra” pelas marcas que deixa na pele daqueles que são infectados, é a doença mais temida do mundo. Não há rico ou pobre, criança ou velho, que esteja a salvo. Ao menos até pesquisadores começarem a testar um método ousado, porém eficaz, que consiste em provocar infecções atenuadas em pessoas saudáveis, tornando seus organismos resistentes ao mal. É nesse momento que uma jovem mãe solteira, Isabel Zendal, torna-se a primeira enfermeira da história numa missão internacional. Acompanhada por vinte e duas crianças com idades entre três e nove anos, ela parte rumo aos territórios espanhóis no além-mar para levar a recém-descoberta vacina da varíola à populações pobres. A expedição é liderada pelo médico Francisco Xavier Balmis e por seu ajudante, Josep Salvany, que enfrentarão a oposição do clero e a corrupção de autoridades locais – e também disputarão o amor de Isabel. A história real de amor e coragem de Isabel Zendal, à qual o best-seller Javier Moro teve acesso após ampla pesquisa, é retratada neste romance com a mesma riqueza de detalhes e delicadeza de outros sucessos do autor, como Paixão índia e O sári vermelho.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Editora Alfaguara

“Um livro tanto para o leitor novo quanto para o que já conhece sua obra. (...) ele revela uma outra faceta de Murakami.” — Patti Smith, The New York Times

“Melódico e cativante.” — Newsweek

Haruki Murakami é um fenômeno. Com mais de 1 milhão de exemplares vendidos no Japão na semana em que foi lançado, e atingindo o primeiro lugar das listas de mais vendidos ao redor do mundo, seu novo livro o coloca entre os grandes autores da atualidade.

Tsukuru Tazaki é um homem solitário, perseguido pelo passado. Na época da escola, morava com a família em Nagoya e tinha quatro amigos inseparáveis. Agora, vive em Tóquio, onde trabalha no projeto e na construção de estações de trem e namora uma mulher dois anos mais velha. Mas não se esquece de um trauma sofrido dezesseis anos antes: inexplicavelmente, foi expulso do grupo de amigos, e nunca mais os viu. Agora, ele decide revisitar o passado e reencontrá-los, para saber um pouco mais de cada um — e de si mesmo. Sua jornada o levará a locais distantes, numa transformação espiritual na busca pela verdade.

O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação é um livro emocionante sobre a busca de identidade. É uma história sobre pessoas perdidas, que lutam para lidar com o desconhecido e aceitá-lo de algum modo. Como cada um de nós.

sábado, 20 de agosto de 2016

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Trilogia e outros...

Se você pode ler uma trilogia "devorando-a" pode também ler três obras do mesmo autor uma após a outra, "sem respirar".
Depois de A Mansão do Rio, li O Príncipe das Marés e agora leio Canção do Mar.
Pat Conroy me conquistou!
Seus personagens são (repito) envolventes e marcantes.
 
                                                  Piazza Farnese - local onde morou Jack McCall
 
"Eu sussurrava a Leah que o sentido do olfato era melhor que um anuário para imprimir na memória o delicado grafite do tempo. E compreendi que a menina tinha desenvolvido extraordinariamente o seu quando, na metade de nosso segundo ano na Itália, ao passarmos pelo alimentari dos irmãos Ruggeri, ela me deteve e disse 'as trufas chegaram, papai, estão aqui', e eu senti aquele cheiro inconfundível de terra." (...) pág 12 da obra Canção do Mar, de Pat Conroy, Círculo do Livro.
 
Olfato para imprimir na memória o delicado grafite do tempo...
Fico a imaginar se, algum dia, meu vocabulário conseguirá dizer tanto com tão poucas palavras.
As letras me encantam, assim como o céu...
E o céu me encanta, não somente pelo esplender de um pôr do sol, mas pelos desenhos das nuvens em função da temperatura e do vento.
Posso dizer, então, que o vento quente (ou frio) desenha o céu com lápis branco?!
São palavras reclamando palavras...
 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Personagens marcantes de Pat Conroy

Depois de ler A Mansão do Rio, leio O Príncipe das Marés.
A intenção de ler duas obras seguidas do mesmo autor é para descobrir se os personagens só mudam de cenário e nome. Se são idênticos, sem originalidade.
Ainda não consigo responder, pois as histórias são envolventes.
O contexto e o drama me hipnotizam.
Confesso, então, que não sou um especialista, uma crítica literária e recomendo, pois, as duas obras. ;)
*foto do escritor americano, Pat Conroy, falecido em 04/03/16
 
“Esses são os momentos de surpresa e preservação que me prendem para sempre às recordações que trago da vida sulista. Tenho medo do vazio da vida, da vacuidade, do enfado e da falta de esperança de uma vida pobre de acontecimentos. É a morte em vida da classe média, que envia calafrios primitivos através dos nervos e dos poros abertos da minha alma. Se pesco um peixe antes de o sol nascer, eu me associo ao murmúrio do planeta vivo. Se ligo a televisão porque não suporto uma noite a sós com a família ou comigo mesmo, estou admitindo minha ligação com os mortos-vivos. A parte sulista de alguém é a mis requintadamente viva nessa pessoa. Há recordações profundamente sulistas que cercam a estrela-guia da autenticidade de qualquer coisa que eu mostre. Por causa de nossa autenticidade, pertenci a uma família com fatal atração pelo gesto extraordinário. Sempre havia um caráter excessivo em nossa reação a pequenos acontecimentos. A rutilância e o exagero eram a plumagem que se pavoneava sempre que um Wingo se encontrava ofuscado à luz de um mundo hostil. Como família, éramos instintivos, não previdentes. Nunca éramos mais espertos que os adversários, mas podíamos surpreendê-los com a imaginação usada em nossas reações. Funcionávamos melhor como grandes conhecedores do risco e do perito. Não ficávamos verdadeiramente felizes, a não ser que estivéssemos engajados em nossa guerra particular com o restante do mundo. Até nos poemas de minha irmã sentíamos a tensão do risco que se aproximava. Eles soavam como se fossem feitos de gelo fino e rochas que caíam. Tinham movimento, peso, deslumbramento e arte. E se moviam pelas correntes do tempo, selvagens e violentas, como um velho entrando nas águas limítrofes no rio Savannah, planejando esquiar por 65 quilômetros para provar que ainda era um homem.”
Pág 569/570 Edições BestBolso, 2008; tradução de Elizabeth Larrabure Costa Correa.
 
Os personagens de Pat Conroy são marcantes.
O avô, Amos, durante anos carregou uma cruz de madeira de 35kg nas Sextas-feiras Santas.
Aos 64 anos, introduziu uma roda à cruz alegando que Jesus tinha apenas 33 quando subiu a colina.
Sempre religioso, consultava (ou discutia com) o Senhor em todas as situações, até mesmo quando o departamento de trânsito pediu a ele que devolvesse voluntariamente sua carta de motorista. “Após uma longa discussão sobre o assunto, para o assombro de todos, Jesus permitiu que meu avô mantivesse a carta de motorista, com a condição de que usasse óculos. Para Amos, o Senhor era tudo: controlador de tráfego, mediador e oculista.”

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Influência dos livros na minha vida

Será que quando a gente enumera obras lidas e diz que elas nos influenciaram, nos inspiraram será mesmo verdade?
Pergunto se a gente se lembra daqueles detalhes que nos empolgaram na época da leitura.
Se a gente se lembra até mesmo dos nomes dos personagens, da história.
Lembro de ter amado, devorado obras diferentes de diversos autores.
Lembro de ter caminhado ao lado dos personagens pelas ruas, vivendo suas travessuras, tragédias ou vidas.
Lembro da sensação de saudade.
Lembro de finalizar a obra e degustar por dias o "gosto de quero mais".
E confesso que ainda não revi estas obras ditas mais marcantes.
Só para verificar se agora o fascínio seria o mesmo, ou se seria diferente.


Recomendo ainda, repetidamente, algumas obras:
Tuareg; A. V. Figueroa
Terra Virgem; Philippa Gregory
Os Pilares da Terra; Ken Follett
No País das Sombras Longas; Hans Ruesch
Dez Mulheres; Marcela Serrano
Cem Anos de Solidão; Gabriel García Márquez
Grandes Esperanças; Charles Dickens
La Botega; Noah Gordon
Juízo Final; Sidney Sheldon
Os Sete Minutos: Irwing Wallace
Infiel – a história de uma mulher que desafiou o Islã; Ayaan Hirsi Ali
Os Fios da Fortuna; Anita Amirrezvani
O Tempo Entre Costuras; María Dueñas
Ramsés, Christian Jacq
Casa Rossa, Francesca Marciano

Conseguiria eu, hoje, contar sobre o que li? Falar, ao menos, sobre o detalhe que me fez rir ou chorar, ou me chocar?
Sim. quando falo de Henrique VIII e suas mulheres...
Sim, quando falo de Mao Tsé-Tung e o Grande Salto para a Frente...
Sim, quando falo da crença dos tuaregues...
Sim, quando falo dos costumes do esquimós...
Sim, quando descreve a sensação de ficar sem fôlego ao ler Os Sete Minutos...
Sim, quando conto que fechei os olhos de pavor ao ler O Escaravelho do Diabo...
Sim, quando falo da hipocrisia das religiões...
Sim, quando conto de Amir Kling e sua coragem em admitir suas fraquezas e seu fascínio pelo mar.
Sim, quando me lembro da fome e da inocência infantil em As Cinzas de Ângela...
Sim, quando eu falo do "escândalo" que fiz ao "presenciar" o Bem vendendo o Mal em O Advogado de Deus...

É... os livros influenciam, ainda, e muito, a minha vida!
Eles fizeram (fazem e farão) a diferença, foram (são e serão) meu incentivo, meu alicerce em alguns momentos da minha vida. 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Minhas Férias na Espanha Relato VI ou III a

III a ?
O que significa isso?
Vai e volta?!
Enrolação?!
 
É gente, esqueci outro detalhe... que vou contar agora.
Logo que saí de Villamayor de Monjardin, em 03/05, vi um peregrino, no mínimo, surpreendente.
Tinha fotos de criança, de santos, amuletos e várias parafernalhas penduradas em sua mochila.
Posso dizer, sinceramente, que eu ganhou de mim, kk
E foi em El Rincón, lá onde o café foi aquecido no micro-ondas, que após fotografar um grupo de espanhóis (não a pedido deles, e sim a oferecimento meu), constatei ser um deles aquele da mochila "enfeitada".
Religiosidade, pagamento de promessas, conquistas, família, fé, saudades...
?!
 
Retomando o caminho, eu sozinha, ouvindo o som do meu silêncio, parei de questionar o porquê e o para quê de todos aqueles enfeites.
 
Ao me deparar com uma imagem espetacular, senti necessidade de figurantes para registrar aqueles flores, aquela curva, aquela ponte.
E quem chegou?
Antônio! O da mochila "enfeitada"!
Poucos dentes na boca, mas uma alegria contagiante.
 
 
Trocamos nº celulares/WhatsApp para que eu lhe enviasse a foto que tiramos abraçados.
E me convidou para tomarmos vinho em Logroño com seus companheiros.
Ou uma dança típica espanhola em Burgos.
Alegria é uma das magias do Caminho.
As pessoas se cumprimentam, trocam convites e promessas de reencontro.
 
 
Porém, nossos passos não coincidiram mais.
E só trocamos mais alguns fotos pelo WhastApp.
E um convite para conhecer Tarragona, perto de Barcelona.
Conheci, pois, um catalão.
 
Claudinha
escrito em 09/08

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Minhas Férias na Espanha Relato V ou II a

Por que II a ?
Porque, na verdade, o chamado "outro lado do Caminho"  começou antes de eu conhecer Alex, Tia Ana e Andrea.
Tudo se confunde porque eu ainda não compreendia o que dizem sobre "o Caminho é de cada um".
 
Nos primeiros dias eu seguia um script.
Seguia um guia e os conselhos da amiga Maria Nenen: parar em pontos intermediários, nem no ponto de partida, nem do ponto de chegada da Etapa do Guia; a afim de evitar albergues lotados.
Era o máximo de flexibilidade que me permitia. 

Mas, a "magia", concluí, é outra. É ainda mais flexibilidade. É curtir seu Caminho, suas férias como seu espírito pedir ou quiser.



Em Estella, a 9 km antes de Villamayor, revi Marcelo, por acaso, num café.
Isso! O Marcelo, brasileiro, de Sampa, que conheci em Puente La Reina, lembra?!
Ele tinha um mapa da minúscula cidade em mãos e dizia para eu conhecer uma igreja, lá no alto! Basílica de La Virgen del Puy (año 1954)
Na sua opinião, era linda e merecia visitação. Porém, conforme instruções turísticas que ele cuidadosamente procurou ao chegar, faltavam pouquíssimos minutos para que as portas da igreja se fechassem e eu perdesse a oportunidade única.

Até ali, tudo parecia ÚNICO!
A oportunidade, então, sempre ÚNICA!
Pois, a gente seguia sempre adiante.
Para mim ainda não existia a possibilidade de parar, ficar mais um dia, mudar de rota.
Ou você agarrava a oportunidade, ou a perdia.
E neste dia, em especial, dia 02/05, eu estava sem mochila e deveria pernoitar em Villamayor.
Então, se faltavam 9km até Villamayor...
Se ainda eram 13h; sem o sol se punha somente às 21h; se minha reserva estava garantida... poderia me dar ao luxo de aproveitar a oportunidade ÚNICA para conhecer aquela igreja linda.
Subi, subi...
Cheguei, e entrei.
Linda?! Interessante. Sim, interessante.
Porém, péssima luminosidade.
As fotos ficariam horríveis e o registro (do que jeito que gosto) não seria publicável.
Eu e minhas fotos... meu perfeccionismo...
Então, fiquei na praça dessa igreja e tirei fotos minhas, autorretratos. Muitos! *na foto eu estou com os óculos escuros e os óculos de grau, ao mesmo tempo... tentando dominar todo meu equipamento, sem deletar os registros, kk

Com o celular, com o pau de selfie, com a câmera, com tripé e sem tripé.
E descobri que wifi tinha também... aberto e público.
E sorria! Sorria...
Mesmo só!
Mesmo desacompanhada!

Marcelo era o primeiro peregrino que revia/que reencontrava.
Ele me passou mais uma dica: procurar informações turísticas ao chegar ou passar por algum pueblo. A primeira dica foi sobre o transporte de mochilas.
Ele ia e eu ficava. Poderíamos nos reencontrar? Não sei, nem pensava...  pois meu script (ainda) era: siga em frente!
                                                       
Chegando em Villamayor, parado no meio do nada, na sombra, estava Höskuldur.
Aquele da Islândia. Então, o segundo peregrino que eu reencontrava.
E eu discuti com ele... pode?!
Dizia em meu português cheio de gírias: - Como pode estar de bermuda, com essa brancura toda a se queimar neste sol?
Ele me compreendou porque eu gesticulava, como num jogo de Imagem e Ação.
E ele brincou comigo: molhou o dedo na língua, tocou sua perna e fez: sssssssssssss
Como o barulho de manteiga derretendo uma frigideira.
Senso de humor...

Vou sentir saudades dele...
Como lamento não falar inglês.
Ele não reservou a pousada e teve de continuar caminhando.
 
E eu conheci Patrícia, mesmo não trocado mais que duas palavras.
 
Claudinha
escrito em 3/08/2016, revisto em 08/08.

Fotos incríveis

                                          Foto Flavia Saraiva

As imagens que vejo na TV são tão emocionantes que sinto necessidade de CONGELÁ-LAS e eternizar em fotos.
Procuro as fotos na internet e não as encontro. Não exatamente como "vi" e escolhi o momento de registrar para sempre.






 

sábado, 6 de agosto de 2016

Arthur Zanetti faz bela apresentação e leva o ouro nas argolas GINÁSTICA...


O Príncipe das Marés



A personagem Susan Lowenstein criada por Pat Conroy na obra O Príncipe dos Marés escolheu a psiquiatria como profissão porque "chegara à conclusão de que aquela infância abandonada e negligenciada a ajudaria a entender os pacientes que chegassem até ela com suas próprias infâncias infelizes reluzindo nos olhos. Pensava poder levar a dádiva da compaixão àquelas almas exaustas que não haviam recebido a porção justa das pessoas que as tinham criado. Se a compaixão e a terapia não adiantassem, restava-lhe enviar os pacientes à farmácia local para comprar remédios que os ajudassem. Como psiquiatra, sentia-se como um pai todo-poderoso, mas capaz de perdoar a filha pelo crime de se tornar mulher. Era o poder da psiquiatra o que a assustava e a atraía: a seriedade irresistível da ligação com os pacientes, a delicadeza de cada relação e a responsabilidade de penetrar naquelas tênues relações familiares com humildade e boa-fé."

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Minhas Férias na Espanha Relato IV

 
Ei, preciso de um parênteses pra contar sobre as gominhas de cabelo smile cor de rosa.
Minha neta tem o mesmo espírito comerciante/vendedor da avó dela (no caso, euzinha).
Então, elogia os cabelos da manicure, da veterinária, da funcionária da loja do pet shop, da dentista para início de conversa. Daí, pergunta se elas usam rabo de cavalo e, em seguida, oferece gominhas infantis.
E vende!
Eu a questionei:
- Você não acha que já passei da idade para usar este tipo de gominha?
- Não sei... assim, interrogativa. - Quantos anos você tem?
- 49.
- hum.... e olha pra cima, pensativa (mas, no fundo, no fundo, já sabendo o que pretendia). - Não, não, ainda dá tempo...
E eu compro mais 4 pares.

Voltemos à Espanha.
Saindo de Viana, desta vez, com mochila, conheci Alex.
Ele reconheceu meu agasalho como sendo de uma brasileira (corrida em Floripa).
Lembro da satisfação e alegria em poder conversar na língua materna.
Ele falava com saudades da Tia Ana e sua sobrinha Andrea.
Capixabas. Conversadeiras. E peregrinas.
Interessante é uma preocupação de cada um de nós peregrinos em dosar o quanto falar, o quanto respeitar a privacidade do colega peregrino. Se deixa-lo (a) a sós, se somente caminhar lado a lado ou falar, falar...
Ele falava das colegas peregrinas com um carinho especial.
E... foi então que conheci o outro lado do Caminho...

 
04/05 VIANA e NAVARRETE - 22,4km
Escrito em 01/08

Minhas Férias na Espanha Relato III

Ainda em Villamayor, falemos de Patricia. Uma americana de Seattle que parecia ser a "voz" do grupo de italianos, americanos e ingleses, unidos pelo acaso e afinidade. Patrícia parecia a conciliadora, a conselheira, a organizadora... Eu me apresentei como uma brasileira que fala mal mal o espanhol e nada de inglês. Com gestos nos fizemos entender e nos abraçamos, eu e Paty.
Clauuudía... é a pronúncia do meu nome.
Nesta noite do melhor menu do "mundo", fotografei o primeiro pôr do sol, por volta das 21h.
Acordei cedo, bem depois do grupo da Patrícia e ainda usufruí da boa luminosidade para fotos incríveis.
Mais um dia caminhando sozinha...
Sem mochila, então, a proposta é um percurso mais longo. Vamos que vamos!
Aí o guia (que descobri mais tarde super desatualizado) diz que não tem nada nos próximos 12,5km e eu me esqueci da água (da torneira mesmo!).
E surge no meio do nada um trailer com boa música e café aquecido no micro-ondas.
E o vento é gelado e cortante.
Bandana balacrava da corrida da Adidas é perfeita.
Eu de trancinhas com a gominha (Smile cor de rosa) feita por minha neta, Islândia.
 

E vamos a caminho de Viana, Albergue Izar.
 
Desta vez a sugestão não foi boa: sinal do wifi no albergue horrível, menu bem pobre, desjejum também "a desejar".
 
Uma água com batatas, ervilhas refogadas na manteiga (?) com ovos cozidos (minto, um ovo partido em 4).
Nesta hora é fácil compreender o que a fome é capaz de fazer: achar até saboroso essa gororoba!
 
 
A gente se acostuma fácil com o "carinho" de uma boa comida.

 
 
 
03/05/16 VILLAMAYOR a VIANA - 31km
31/07