domingo, 31 de julho de 2016

Minhas férias na Espanha Relato I

Ei, amigos queridos!
Há semanas tenho ensaiado escrever estas linhas, porém "algo aconteceu"...
Ainda não consegui traduzir se foi o fato de ter experimentado a liberdade, o fato de ter realizado um sonho, se caminhei demais (e o cansaço da idade pesou), se por falta de novas perspectivas ou pura preguiça.
Sei que voltei "diferente", mais lenta!
Ou mais esquisita, rs
 
Aquela que acordava a mil, fazia atividade física, administrava a sindicância, a venda de Natura e queijos, o trabalho de 9h/dia, os vários papéis de mãe, vó, colega, filha, amante, mulher, amiga, irmã, empresária SUMIU...
Que horror!

Falemos da viagem...
Quando programei a viagem no ano passado, ficaria 3 semanas.
Não fui...
Neste ano, aumentei para 4 semanas e perdi o voo de ida, no dia 24/04. Nada que uma multa para remarcar para o dia seguinte não resolvesse.
Cheguei em Lisboa numa terça bem cedo e uma amiga me acolheu por 3 dias.
Adaptação com o fuso horário, importante. Lu, minha anfitriã, me levou para conhecer Cascais e dormi dentro do carro... que indelicadeza!
 
Visitei o Museu Nacional dos Coches, Castelo de São Jorge, Mosteiro dos Jerônimos e Pastel de Belém. Também passeei pelas margens do Rio Tejo, na parte histórica.
 
Não fui à Sintra nem entrei na Torre de Belém.
 


Dia 28 cheguei em Madri, com Hostal Patria previamente reservado, bem no centro, próximo à Praça Maior (depois vim a descobrir que todas as cidades espanholas têm uma Plaza Mayor e uma Calle Mayor)

Dia 29 cheguei em Pamplona. O primeiro erro foi a hora que cheguei - à noite.
E não consegui lugar para me hospedar. Conheci (e me assustei) o que chamam de Albergue Público. Um quartão para 50 pessoas onde as mochilas ficavam impecavelmente arrumadas ao lado de cada cama. Imaginei minha primeira dificuldade: ser organizada o suficiente para espalhar meus pertences; ai... ai...
Sugeriram uma pensão (Pensão Eslava, meu primeiro selo/carimbo). E apesar da aparência assustadora das escadas mal construídas, em caracol (lembravam as hospedarias de piratas ou bandidos assassinos dos filmes de Sessão das Tarde), o quarto era limpo e reformado. O banho quente e reconfortante. E individual. Pude espalhar meus pertences e já começar a me questionar o que ficaria onde - o mais necessário em lugar mais acessível.
E espalhei pelos bolsos da calça o tripé, a câmera, o passaporte, o batom e algum euro.
Neste ponto eu já tinha perdido dois óculos de grau. Um no táxi para o aeroporto, outro no avião ao desembarcar em Lisboa.
Minha querida amiga Luciana já tinha cedido os seus e eu adquiria outros de emergência numa farmácia (e estão comigo até a presente data).

O Caminho de Santiago é "desenhado/planejado" por etapas. 
A etapa de Pamplona a Puente La Reina seria a Etapa 4 (já que o caminho francês começa na França, em Saint Jean Pied de Port, passando pela cordilheira que separa a França da Espanha, os Pirineus).
Esta etapa 4 são de 23,5km e foi a minha etapa mais desgastante. Pois foi quando constatei o meu mal planejamento. A dica mais importante (associe-se a AACS, Associação Brasileira dos Amigos do Caminho de Santiago para adquirir sua Credencial) é que a mochila tenha, no máximo, 10% do seu peso e a minha estava a quase 18%.
Tudo o que queria estava guardado de modo não planejado (difícil acesso). Tirava e recolocava a mochila por diversas vezes. Cadê isso? Cadê aquilo? Tô com frio. Cadê meu agasalho? Luvas? Precisa? Foi aqui onde guardei... então perdi, snif... onde? achei! O que estou fazendo aqui? O que deixarei para trás? Neste ponto abandonei um pau de selfie com bluetooth e outra tomada que não funcionava.
E as setas amarelas estavam super presentes.
Vinha então o consolo: realmente  posso caminhar sozinha - só seguir as setas amarelas!
Logo depois do Morro do Perdão, encontrei com uma brasileira (e não acho o nome dela, snif) e nos fizemos companhia até Uterga.
Primeira dica: Casa Baztán, em Uterga.
Ela ficou e eu continuei até Puente la Reina (mais 7 km) para me hospedar num Albergue de uma brasileira, Natalia - Albergue Estrella Guía.
 
Primeiro dia  - 30/04  - PAMPLONA a PUENTE LA REINA
Em Zizur Menor (4,7km de Pamplona) comprei meu primeiro lanche. Tipo reserva, uma sacola a mais para carregar (para se pendurar em mim). Cadê meus talheres de acampamento? cadê a faca para passar patê? onde levar a água? tô parecendo mais uma arara de roupas do que um simples tripé.
dizem que é importante mãos livres para caminhar.... sua louca, pra que carregar tanta coisa? tá levando sua casa pra passear?

Conheci o menu do peregrino  ¢10 (euros) e descobri que existiriam menus e menus. Teria um, dois e três pratos bons ou algum deles bem ruim.
Em Zuriquiegui comi meu primeiro menu, mal planejado (pouca fome, achando que era única oportunidade, tipo última chance pelo horário). Um bom caldo (sopa), uma coxa de frango cru e bem engordurada e um pudim maravilhoso.
Lição do dia:
                      é possível "não morrer de fome ou sede" - restaurantes, vendas, albergues ou mesmo máquinas de café a cada 2km;
                      as setas amarelas existem por cada centímetro do Caminho;
                      você pode encontrar e permanecer acompanhada por quanto tempo quiser;
                      tem wifi em cada canto;
                      bandana esportiva é um achado;
                      acalme-se: você ainda será uma peregrina!


30/07/2016
Claudinha
E enquanto isso, meu irmão terminava sua corrida em Portugal - Peneda Geres Trail Adventure

 
e o WhatsApp do grupo família bombava!

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