quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O enigma do oito


Leia, comigo, este pequeno trecho da obra de Katherine Neville:

"- Não, nada muito importante - asseverou com voz suave, o tom que usava par largar suas bombas. - Percebi que as impressoras serão mais críticas para nosso cliente do que as unidades de disco. Só quero que você mude os critérios de seleção de acordo com isso.
Um bom exemplo do que era chamado, no jargão do ramo, de "pequena arrumaçãozinha". Ilegal, naturalmente. Seis fornecedores de equipamentos tinham submetidos orçamentos selados, confidenciais, ao cliente, mais de um mês antes. Essas propostas haviam se baseado em critérios de seleção que nós, auditores imparciais, estabelecemos. E o que havíamos especificado era que o cliente precisava de unidades de disco de grande capacidade. Um dos proponentes apresentara o melhor orçamento. Se resolvêssemos, naquele instante, depois da entrega das propostas, que a prioridade passava para as impressoras, o vencedor da concorrência seria outro. E eu era perfeitamente capaz de adivinhar quem: o fornecedor que convidara Jock para almoçar naquele mesmo dia.
Claro que algo valioso lhe fora passado por baixo da mesa, durante o almoço, talvez a promessa de um futuro negócio vantajoso para nossa empresa, ou um iate ou um carro esporte para Jock. Fosse o que fosse, eu não estava disposta a fazer parte do arranjo.
- Sinto muito, senhor, mas é tarde demais para mudar o critério sem a aprovação do cliente. Podemos lhe telefonar e dizer que gostaríamos de solicitar um orçamento suplementar de cada fornecedor. Só que isso atrasaria todo o negócio, e nosso cliente quer uma definição antes do Ano-Novo.
- Não, nada disso será necessário, Velis. Não foi por acaso, nem por deixar de levar em conta minhas intuições, que me tornei um dos sócios da empresa. Já agi muitas vezes em favor dos clientes sem que eles ao menos ficassem sabendo, e já economizei milhões para eles em um piscar de olhos. É aquele instinto de sobrevivência primitivo, que a gente sente na barriga, e que  já foi responsável pela colocação de nossa empresa na lista das Oito Grandes, tantas e tantas vezes.
Lançou em minha direção um sorriso cheio de covinhas na bochecha e no queixo. As probabilidades de que Jock Uphan tivesse algum dia feito qualquer coisa em proveito de um cliente sem apregoar seus méritos e assumir totalmente o crédito de tal ação eram tantas quanto as do proverbial camelo passar pelo buraco de uma agulha.
- No entanto, Senhor Uphan, temos, perante o cliente, a responsabilidade moral de avaliar e julgar com justiça as propostas seladas. Afinal, somos uma firma de auditoria.
As covinha do Jock desapareceram como se ele as tivesse engolido.
- Você não está querendo dizer que se recusa a seguir minha sugestão, está?
- Se é apenas uma sugestão, e não uma ordem, prefiro não segui-la.
- E se eu dissesse que é uma ordem? - Jock fez um trejeito meio canalha. - Como sócio da empresa, eu...
- Se fosse uma ordem, eu desistiria do projeto e lhe pediria que o passasse para outro empregado qualquer, senhor Uphan. E guardaria cópias de meus trabalhos, para o caso de, no futuro, haver alguma investigação." pág 31 e 32

YEEEES !
A sensação de justiça, de que o bem vence o mal. De que a trapaça perde... de "Davi vencendo Golias", respostas de impacto...
Essa sensação eletrizante... o modo como a autora descreve situações reais, personagens fortes é o que me faz "gritar" no meio da leitura - seja onde eu estiver.
E neste trecho eu estava no ônibus, no caminho para o trabalho. E consegui me conter: - Yes! bem baixinho, rs
E sorri!

E temos ainda outras 600 páginas pela frente...
Voltarei aqui pra contar mais a respeito...  ;)



Nenhum comentário:

Postar um comentário