domingo, 28 de fevereiro de 2016

Oscar 2016

Dia da apresentação do Oscar 2016. Assisti a dois dos filmes somente hoje.

Creed: Nascido Para Lutar

A Garota Dinamarquesa
Cinebiografia de Lili Elbe (Eddie Redmayne), que nasceu Einar Mogens Wegener e foi a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de gênero. Em foco o relacionamento amoroso do pintor dinamarquês com Gerda (Alicia Vikander) e sua descoberta como mulher.
 

Sharia - Sudão

Sabemos que as guerras tem origens nas divergências religiosas e disputas por riquezas e poder.
Para compreender a guerra civil no Sudão (O que é o Quê) é preciso conhecer o pouco das crenças dos habitantes de lá, dos nativos (dincas e árabes).

Para os dincas (habitantes do sul do Sudão) os pastos, durante a seca, eram cedidos (ou negociados) com os árabes porque outrora, os árabes, seres inferiores aos monyjang, haviam questionado um presente de Deus: a vaca.
Conta a lenda que os monyjang agradeceram a Deus pelo presente porque sabiam que o gado lhes traria leite, carne e todo tipo de prosperidade.
Deus ofereceu uma alternativa: o gado ou o Quê.
Desconhecendo o que seria o Quê não trocaram o gado pelo desconhecido. O mesmo não fizeram os árabes...
Então, o fato dos árabes estarem no norte onde a seca castigava e os solos férteis no sul, davam aos dincas a interpretação religiosa do castigo e compensação.
Ao obediente, tudo.
Ao questionador, o castigo.

A guerra civil no Sudão começou com a imposição da sharia ao sul ou da provocação dos habitantes das boas pastagens aos "desobedientes"?

A definição abaixo foi extraída do site InfoEscola.
Sharia é um termo árabe que significa "caminho", mas, que historicamente, dentro da religião islâmica, tem sido continuamente empregado para se referir ao conjunto de leis da fé, compreendida pelo Alcorão, a Suna (obra que narra a vida do profeta Maomé), além de sistemas de direito árabe mais antigos, tradições paralelas, e trabalho de estudiosos muçulmanos ao longo dos primeiros séculos do Islã. Em outras palavras, a Sharia é um sistema detalhado de leis religiosas desenvolvido por estudiosos muçulmanos e ainda em vigor entre os fundamentalistas hoje.
Numa visão bem estrita do islamismo, a Sharia, como lei revelada de Deus, perfeito e eterno, é obrigatória para os indivíduos, da sociedade e do estado em todos os seus detalhes. Assim, qualquer crítica a esta é heresia. Os muçulmanos que negam sua validade são rotulados como infiéis ou apóstatas (aqueles que se convertem a outra religião) por tradicionalistas islâmicos. Como tal, eles enfrentam a ameaça de serem processados por apostasia, um crime que de acordo com a própria Sharia acarreta pena de morte.
A Sharia procura descrever em detalhes todos os possíveis atos humanos, dividindo-os em "permitido" (halal) e "proibido" (haram). Em seguida, os mesmos atos humanos são classificados ainda em vários graus de bom ou mau, como obrigatório, recomendável, neutro, censurável ou proibido. Essa vasta coleção de regras regula todas as questões da vida devocional, adoração, pureza ritual, casamento e herança, infrações penais, comércio e conduta pessoal.
Além disso, ela é responsável por regular os atos do governante de determinado estado islâmico e suas relações com os não-muçulmanos no interior do estado, bem como para os inimigos fora deste. A Sharia, mesmo que seguida apenas pelos mais fervorosos adeptos da religião, acaba por influenciar o comportamento e visão de mundo da maioria dos muçulmanos, mesmo em estados seculares onde ela não faz parte do conjunto de leis oficiais.
Apesar disso, muitas partes da Sharia possuem pouca ou nenhuma importância na maioria das sociedades muçulmanas modernas, exceto naqueles que passaram por uma fase de islamização (caso de Sudão, Irã, Arábia Saudita). A Sharia permanece, porém, como lei pertinente em questões judiciais particulares, como o casamento, família e herança.
As mudanças ocorridas no século XX, como o colapso do Império Otomano, e com ele, o último califado (autoridade religiosa islâmica), foram responsáveis por sérias reflexões sobre as tradicionais leis islâmicas. Além disso, os estados modernos que surgiram da fragmentação do império (a exemplo de Jordânia, Síria, Líbano e Iraque) ou a colonização por países europeus de cultura europeia e secular (Líbia, Argélia e Marrocos) foram decisivos para a ascensão de líderes e sociedades preocupadas em operar mudanças modernizadores em todo o mundo islâmico. Assim, o movimento modernista no islã começou a se opor à visão tradicional da Sharia, afirmando que a lei não pode ser alterada pelo homem, insistindo que ela deve ser aplicada à situação atual e novas idéias, entendendo que novas interpretações são permitidas.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

O que é o Quê

Há quase dez anos escolhi este livro para Mari. E esperei seu comentário...
Mari é como eu: compradora compulsiva de livros e, sinceramente, no meio de tantos outros títulos, ela ainda não tinha lido. E pedi emprestado, ;)

Resenha extraída do site da Editora Companhia das Letras:

Nascido em Marial Bai, no sudoeste do Sudão, Valentino Achak Deng teve uma infância tranqüila. Mas, em 1983, seu país foi dividido ao meio por disputas petrolíferas e pelo empenho do governo em impor o rigoroso conjunto de leis religiosas islâmicas. De maioria católica, as aldeias do sul foram arrasadas pelas milícias árabes do norte, dando início à guerra civil.
Sobrevivente do ataque que dizimou sua família e seus amigos, Valentino tem sete anos quando se lança numa fuga desesperada rumo à Etiópia. Logo encontra um grupo de meninos perdidos, com quem percorre mais de mil quilômetros a pé, em geral à noite, para escapar dos bombardeios e do ataque das milícias. A escuridão, porém, não os protege de leões, crocodilos e das doenças que os fazem enterrar vários de seus companheiros.
Valentino sobrevive. Depois de três anos num campo de refugiados etíope e dez num campo queniano, emigra em 2001 para os Estados Unidos. Ali conhece Dave Eggers, que transforma sua história em livro. Verdadeiro épico de privações e provações inacreditáveis, O que é o Quê narra essa tragédia pessoal e coletiva com pitadas de lirismo e leveza dignas da melhor literatura.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Madame Bovary

O romance Madame Bovary (1857) é a sua obra-prima. Baseado em fatos da vida real, o livro, que Flaubert levou cinco anos para escrever, causou forte impacto, a ponto de gerar o processo no qual o autor escapou de ser condenado à prisão, graças à habilidade da defesa, que transformou a acusação de imoralidade na proclamação das intenções morais e religiosas do autor.

O enredo gira em torno de Emma Bovary, casada com o médico Charles. Emma vive imersa na leitura de romances românticos e, por viver um casamento enfadonho*, procura no adultério a libertação de seus problemas. A trama possui um desfecho trágico, e da criação de Flaubert partem grandes linhas de força do romance moderno e sua repercussão no contexto literário francês e mundial é intensa e permanente.

Excelentes trechos no vídeo que conta sobre a obra de Gustave Flaubert:
* tédio da sociedade burguesa francesa da época...
amargura dos desejos não realizados... o futuro era um túnel escuro e no final uma porta fechada.
- choque matrimonial é assim chamado quando a mulher perde sua identidade...
- só as mulheres são livres...
- casei com uma pessoa ótima, porém não tinha com quem conversar...

sábado, 13 de fevereiro de 2016

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Anna Karienina


Livraria Cultura
Estruturado em paralelismos, o livro se articula por meio de contrastes - a cidade e o campo; as 'duas capitais' da Rússia (Moscou e São Petersburgo); a alta sociedade e a vida dos mujiques; o intelectual e o homem prático etc. Os dois principais personagens, Liévin, um rico proprietário de terras, e Anna, uma aristocrata casada, só se encontram uma vez, em toda a longa narrativa. Mas nem por isso estão menos ligados, pois a situação de um permanece constantemente referida a situação do outro. Nesta tradução, a frequente repetição das palavras e as frases longas foram mantidas em sua integridade. Além das notas de rodapé, elaboradas pelo tradutor, este volume conta com uma árvore genealógica dos principais núcleos familiares e uma lista completa de personagens, que facilitarão a leitura da obra.

Catarina, a Grande, quis modernizar os campos (esvaziar com construção de fábricas) durante seu reinado de 1762 a 1796.   Em 1773 a Rússia foi sacudida por revoltas - a intenção da imperatriz de industrializar a nação encontrou uma violenta resistência entre os camponeses.
No romance Anna Karienina e na biografia de Catarina teremos bons relatos sobre a época.
 
 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Catarina, a grande

Sinopse:
Nesta biografia romantizada, Catherine, uma inexperiente princesa alemã, se torna a noiva do filho do czar Pedro, o louco e abusivo filho e herdeiro da czarina Elisabeth da Rússia, com quem aprende a arte do cinismo para conseguir o poder imperial absoluto a qualquer custo, incluindo o sacrifício de seu amante, o jovem oficial Saltikov, que lhe dá um herdeiro que Peter não consegue, devido à sua impotência.
Após a morte de Elisabeth, ela rapidamente se organiza para tomar o poder com o apoio dos militares e da Corte, e trabalha para a ampliação e modernização do império, colocando à frente do Estado o seu amante, um gênio militar que combate os turcos otomanos e governa os territórios conquistados para ela. O filme traça a forma como essa grandiosa líder conseguiu habilmente manipular tanto as instituições sociais de seu tempo, quanto os homens poderosos que a rodeavam, a fim de ganhar controle sobre toda a Rússia.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O enigma do oito


Leia, comigo, este pequeno trecho da obra de Katherine Neville:

"- Não, nada muito importante - asseverou com voz suave, o tom que usava par largar suas bombas. - Percebi que as impressoras serão mais críticas para nosso cliente do que as unidades de disco. Só quero que você mude os critérios de seleção de acordo com isso.
Um bom exemplo do que era chamado, no jargão do ramo, de "pequena arrumaçãozinha". Ilegal, naturalmente. Seis fornecedores de equipamentos tinham submetidos orçamentos selados, confidenciais, ao cliente, mais de um mês antes. Essas propostas haviam se baseado em critérios de seleção que nós, auditores imparciais, estabelecemos. E o que havíamos especificado era que o cliente precisava de unidades de disco de grande capacidade. Um dos proponentes apresentara o melhor orçamento. Se resolvêssemos, naquele instante, depois da entrega das propostas, que a prioridade passava para as impressoras, o vencedor da concorrência seria outro. E eu era perfeitamente capaz de adivinhar quem: o fornecedor que convidara Jock para almoçar naquele mesmo dia.
Claro que algo valioso lhe fora passado por baixo da mesa, durante o almoço, talvez a promessa de um futuro negócio vantajoso para nossa empresa, ou um iate ou um carro esporte para Jock. Fosse o que fosse, eu não estava disposta a fazer parte do arranjo.
- Sinto muito, senhor, mas é tarde demais para mudar o critério sem a aprovação do cliente. Podemos lhe telefonar e dizer que gostaríamos de solicitar um orçamento suplementar de cada fornecedor. Só que isso atrasaria todo o negócio, e nosso cliente quer uma definição antes do Ano-Novo.
- Não, nada disso será necessário, Velis. Não foi por acaso, nem por deixar de levar em conta minhas intuições, que me tornei um dos sócios da empresa. Já agi muitas vezes em favor dos clientes sem que eles ao menos ficassem sabendo, e já economizei milhões para eles em um piscar de olhos. É aquele instinto de sobrevivência primitivo, que a gente sente na barriga, e que  já foi responsável pela colocação de nossa empresa na lista das Oito Grandes, tantas e tantas vezes.
Lançou em minha direção um sorriso cheio de covinhas na bochecha e no queixo. As probabilidades de que Jock Uphan tivesse algum dia feito qualquer coisa em proveito de um cliente sem apregoar seus méritos e assumir totalmente o crédito de tal ação eram tantas quanto as do proverbial camelo passar pelo buraco de uma agulha.
- No entanto, Senhor Uphan, temos, perante o cliente, a responsabilidade moral de avaliar e julgar com justiça as propostas seladas. Afinal, somos uma firma de auditoria.
As covinha do Jock desapareceram como se ele as tivesse engolido.
- Você não está querendo dizer que se recusa a seguir minha sugestão, está?
- Se é apenas uma sugestão, e não uma ordem, prefiro não segui-la.
- E se eu dissesse que é uma ordem? - Jock fez um trejeito meio canalha. - Como sócio da empresa, eu...
- Se fosse uma ordem, eu desistiria do projeto e lhe pediria que o passasse para outro empregado qualquer, senhor Uphan. E guardaria cópias de meus trabalhos, para o caso de, no futuro, haver alguma investigação." pág 31 e 32

YEEEES !
A sensação de justiça, de que o bem vence o mal. De que a trapaça perde... de "Davi vencendo Golias", respostas de impacto...
Essa sensação eletrizante... o modo como a autora descreve situações reais, personagens fortes é o que me faz "gritar" no meio da leitura - seja onde eu estiver.
E neste trecho eu estava no ônibus, no caminho para o trabalho. E consegui me conter: - Yes! bem baixinho, rs
E sorri!

E temos ainda outras 600 páginas pela frente...
Voltarei aqui pra contar mais a respeito...  ;)