domingo, 31 de janeiro de 2016

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sábado, 23 de janeiro de 2016

O pé de Jaipur



Resenha: Em 1983 o jovem Christophe sofre um acidente grave e se torna tetraplégico. Aos vinte anos de idade todas as suas bases de vida desaparecem. Apesar de sua situação parecer irremediável e de todos os diagnósticos dos médicos, Christophe se transforma em um exemplo de superação e força. O jovem não desiste de transformar cada dia em um pequeno milagre, e ao conhecer Song, um sobrevivente do Khmer Vermelho em uma clínica francesa, os amigos tecem uma história de conquistas.
Editora Planeta, 1995, 2008
Tradução Rodrigo Leite

Trechos da obra - comoventes:

"Sabe, mamãe, a gente se acostuma a não sentir o corpo". Falava de seu corpo como se não fosse o seu. Havia-se habituado a que o levantassem, mudassem sua postura, o empurrassem e o flexionassem, e precisamente para sobreviver a tanta manipulação Christophe teve de distanciar-se emocionalmente do seu corpo. Referia-se à sua perna como "a" perna, ou seu braço como "o" braço. Logo sua mãe passou a utilizar os mesmos termos: "Segure o braço enquanto eu sustento as pernas". Despersonalizar o corpo ajudava a compensar a violação constante da dignidade física. pág. 55

Mais comoventes são os relatos da Guerra Civil do Camboja:

"Quando fazia poucos dias que eu estava na aldeia, os homens do Khmer Vermelho foram me buscar, como às demais crianças: 'Antes vocês pertenciam as suas famílias. Agora pertencem ao Angkar. Viverão, trabalharão e morrerão por ele. Viva a Revolução!' Minhas mãe me preparou uma trouxa e se pôs a chorar. Meu pai me abraçou. 'Seja valente', me disse ao ouvido. 'Nunca mencione que sabe ler e escrever, ou que seu pai tem um ofício que não é manual'. (...)"
"Passei mais de um ano em uma 'fazenda', com duas mil crianças, trabalhando todos como escravos dos oito da manhã às sete da noite. Depois tínhamos de confessar nossa falhas sob o grande tamarindo em reuniões que duravam seis horas, e os que dormiam eram açoitados. Aprendi frases estúpidas: 'Amo o Angkar e irei  querê-lo bem sempre. Decidi deixar meus pais para vir viver aqui a fim de reconstruir o país...' Praticamente não nos davam de comer. Dominavam-nos pelos terror: às vezes, o chefe, que não era mais velho que eu, furioso, apontava para uma pessoa do grupo e lhe disparava um tiro à queima-roupa, na cabeça, diante de todo mundo. Nós nos púnhamos a tremer. Mas ninguém podia fazer nada: o país inteiro era uma imenso campo de concentração. (...)" pág 105/106.