domingo, 15 de março de 2015

Donna Tartt

Donna Tratt nasceu em 1963, em Greenwood, no estado norte-americano de Mississippi. Seu primeiro romance, A História Secreta, foi publicado quando ela ainda estava na faculdade e tornou-se um fenômeno em mais de vinte países. O seguinte, O amigo de infância, venceu o WH Smith Literary Award. Por O pintassilgo, Donna Tartt ganhou o prêmio Pulitzer de literatura. Em 2014, ela foi eleita pela revista Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo. Todos os seus livros foram publicados no Brasil pela Companhia das Letras.

Uauu! Com este currículo... preciso conhecer seus livros. E estou gostando do terceiro citado acima.


RIO. “O pintassilgo” é um romance de números grandiloquentes. Levou dez anos para ser escrito, tem 720 páginas, já vendeu 1 milhão e 500 mil exemplares nos Estados Unidos desde o lançamento, em outubro de 2013, e está há 40 semanas na lista de best-sellers do “New York Times”. Vencedor do prêmio Pulitzer de ficção em abril, o livro já teve os direitos comprados pela Warner Bros: vai virar longa-metragem.
A autora, no entanto, é tão lacônica quanto o acuado passarinho preso a um poleiro da obra de arte que norteia a trama, o quadro “O pintassilgo”, de 1654. A americana Donna Tartt, 50 anos, é o que um bom eufemismo chamaria de reservada; um mau, de excêntrica. Avessa a entrevistas desde o sucesso do seu primeiro livro, “The secret”, de 1992 (publicado no Brasil como “A história secreta”), a escritora é muito erudita, meio dândi, não frequenta eventos ou badalações literárias, preferindo as carteiras das bibliotecas públicas de Nova York, onde está sempre metida com seus ternos sóbrios. O estilo Donna Tartt é marcante — ela já foi chamada de “uma mistura de Anna Wintour com Oscar Wilde”. Não seria exagero acrescentar à miscelânea a placidez de uma Isabella Rossellini.
Questionada sobre o sucesso do seu catatau de mais de 700 páginas em tempos de narrativas de 140 caracteres e mensagens instantâneas, Donna Tartt foi Donna Tartt:
— Eu não sou a melhor pessoa para responder a essas questões. É trabalho do escritor escrever o livro, não analisar a recepção pública dele — disse, por e-mail. — Não estou no Twitter e não sei o que é WhatsApp, mas, no mundo todo, quem ama romances ainda está lendo romances. Talvez nestes tempos é que se ame ainda mais a literatura justamente pelas coisas que só a literatura pode dar.
“O pintassilgo” pousa no Brasil nesta semana, trazido pela Companhia das Letras. O livro conta a história de um jovem de 13 anos, Theo, que perde a mãe numa explosão terrorista no Metropolitan Museum of Art, enquanto os dois visitavam uma exposição. Theo leva anos até superar a perda da referência materna e decidir o que finalmente fazer com o outro sobrevivente daquele dia fatídico: o famoso quadro holandês pintado por Carel Frabitius, discípulo de Rembrandt e professor de Vermeer, roubado por Theo em meio aos escombros (o quadro é real e está exposto na Royal Picture Gallery, na Holanda).
OBRA MISTURA SUSPENSE, DRAMA, REPORTAGEM E POLICIAL
Depois da sequência eletrizante de abertura que descreve a explosão — e passa por verdadeiras aulas de história da arte, enquanto o narrador circula pelas obras da exibição de mãos dadas com a mãe —, o romance decanta o ritmo da narrativa sobre o crescimento do jovem, passando por seu envolvimento com drogas e com o submundo do mercado das artes plásticas. É impossível definir o gênero do livro: ele é ora suspense, ora reportagem, ora um drama psicológico, ora um policial.
— Não vejo o gênero como uma forma fixa, nesse termo absolutista que muitos críticos veem. A escritora Karen Russell disse recentemente que a palavra “gênero” a deixa muito desconfortável, como se alguém estivesse sempre tentando encaixá-la numa fôrma muito apertada. E eu concordo.
Outra característica do romance é um reflexo da erudição de Donna. Não há passagem que não faça referência a nomes tão distintos quanto São Tomás de Aquino, Orson Welles, Platão ou Thom Yorke. Ela vai de Dante Alighieri a Ian Curtis com a naturalidade de quem troca de ala num museu. Ao falar de suas referências, ou das que foram mais pungentes durante a escrita do livro, a autora vai, digamos, amaciando:
— Não são exatamente referências, mas há escritores e autores que eu amo tanto que é como se a personalidade deles já fizesse parte de mim: Dostoiévski, Nabokov, Robert Louis Stevenson, Antoine de St. Exupéry, Andre Gide, e claro, Dickens (todas as resenhas sobre “O pintassilgo” fazem alusão ao consagrado autor inglês Charles Dickens — enumera Donna, que salta das referências às preferências para listar seu único contato com a literatura brasileira, e a imagem que tem do Brasil, país que nunca visitou.
— Sou uma grande fã de Clarice Lispector. Eu também amo Elizabeth Bishop, que, apesar de não ser brasileira, mas americana, viveu no Brasil e escreveu poemas e cartas sobre o país. Particularmente eu amo “Questões de viagem”, um poema sobre o Brasil que coloriu lindamente minhas percepções a respeito do país (o texto está em “Poemas escolhidos: Elizabeth Bishop, da Companhia das Letras, com tradução de Paulo Henriques Brito): “Mas certamente seria uma pena/ não ter visto as árvores à beira dessa estrada,/ de uma beleza realmente exagerada/ não tê-las visto gesticular/ como nobres mímicos de vestes róseas”. Como nunca estive no Brasil, quando penso no país, penso em “nobres mímicos de vestes róseas”.

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