terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Atlântico, a história de um oceano

Organizado pelos historiadores Francisco Carlos Teixeira da Silva, Francisco Eduardo Alves de Almeida - professores e pesquisadores da Escola de Guerra Naval - e Karl Schurster - professor da Universidade de Pernambuco - , este livro é uma compilação de estudos que, da Antiguidade Clássica até o século XXI, abordam de forma pormenorizada aspectos históricos, políticos e militares do oceano Atlântico. E por que o Atlântico? O oceano, com seus 106.400.000 quilômetros, deveria, conforme os manuais de geografia, “separar” a Europa das Américas e estas da África. Contudo, desde a Antiguidade, os nautas sabem que oceanos não separam; na verdade, unem terras e gentes. Com o Atlântico não é diferente. Após a longa hegemonia do Mar Mediterrâneo, o Atlântico tornou-se, por quase mil anos, a rota dos povos. Desde a conquista árabe, os jovens estados da Europa Ocidental e seus mercadores e missionários entenderam que o oceano era a única via livre de navegação.

Prêmio Jabuti 2014

Ciências Humanas
1º Lugar - Título: O Mapa que Inventou o Brasil – Autor: Júnia Ferreira Furtado – Editora: Versal Editores
2º Lugar - Título: Atlântico: A História de um Oceano Autor: Francisco Eduardo Alves de Almeida, Francisco Carlos Teixeira da Silva e Karl Schurster de Sousa Leão – Editora: Editora Civilização Brasileira
3º Lugar - Título: Compêndio de Ciência da Religião – Autor: Frank Usarski e João Décio Passos – Editora: Editora Paulinas


ENTREVISTA COM O PROFESSOR KARL SCHUSTER
O que fez do seu livro ser um dos finalistas do prêmio?
A obra foi pensada num momento em que nossa parcela do Atlântico está sendo muito discutida no âmbito internacional pelo peso das descobertas e exploração do pré-sal. A própria Marinha Brasileira cunhou um termo metafórico para chamar a parte Atlântica onde estão as riquezas do pré-sal: Amazônia Azul. Mesmo sendo um livro que mistura autores civis e militares, conseguimos fazer uma obra que não fosse técnica ou meramente acadêmica, mas um livro para todos que se interessam por história.
Diante da força que a tecnologia tem exercido na vida das pessoas, principalmente dos jovens, que inclusive é o público com o qual você trabalha, ter o livro premiado num concurso nacional empolga a produção de outros novos livros? Tem livro novo vindo por aí? 
Ver o livro impresso empolgando as pessoas e tendo seu mercado ainda em crescimento é uma alegria enorme para nós autores. Sabemos da importância de dialogar com o formato digital (eu mesmo tenho obras nele). Mas todo escritor é um pouco conservador nesse aspecto – quer ir a livraria e poder tê-lo de alguma forma. Ir a livraria é ter a possibilidade de se surpreender com o novo, o que você não espera, mas está lá esperando um olhar atento. Estamos terminando novos projetos. Acabamos de entregar um livro novo que logo estará nas livrarias (acreditamos que em dezembro) chamado “O Cinema vai a Guerra”. É um trabalho dos que mais gostei de fazer, um livro profundo e denso sobre a relação de duas artes: o cinema e a guerra. Temporalmente vai do imperialismo até a luta contrato terrorismo, passando pelas guerras mundiais, pela onda pacifista do pós-guerra, pelas guerras de descolonização, pela distopia, as guerras entre mundos e a Guerra Fria. Enfim, é um livro para todos que gostam de cinema e também da história dos conflitos internacionais. Também já estamos com outros livros no prelo sobre a Venezuela no tempo presente, chamado “Extremismos: um estudo político sobre o ódio no tempo presente” e nesse momento estamos escrevendo um livro da maior coleção da atualidade: Para Leigos. Nosso volume será “Guerras e Revoluções Para Leigos”, uma grande oportunidade de chegar ao grande público e atingir o mercado internacional, tendo em vista que essa coleção circula em mais de 15 países.
Fale um pouco do livro: da história dele e como ele foi produzido.
O livro foi planejado depois de uma reunião de trabalho. Por meio das nossas discussões sobre segurança, defesa e o papel da Marinha nestas ações acreditamos que ainda faltava no Brasil um livro que fizesse um histórico da nossa relação com o Atlântico. Traçamos o perfil do livro, os capítulos, o formato e o mais difícil que foi escolher o nome dos especialistas que poderiam nos ajudar nessa empreitada. Entre eles, os professores do curso de História da UPE José Maria Neto, com seus textos clássicos sobre as interpretações do oceano, e de Rômulo Xavier que colaborou com a ideia moderna de mar aberto e mar fechado.

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