segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Eliane Brum - Ser ateu

 

 

 

 

 

A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico

A parábola do taxista e a intolerância. Reflexão a partir de uma conversa no trânsito de São Paulo. A expansão da fé evangélica está mudando “o homem cordial”?

 

 

 

Eliane Brum

 
O diálogo aconteceu entre uma jornalista e um taxista na última sexta-feira. Ela entrou no táxi do ponto do Shopping Villa Lobos, em São Paulo, por volta das 19h30. Como estava escuro demais para ler o jornal, como ela sempre faz, puxou conversa com o motorista de táxi, como ela nunca faz. Falaram do trânsito (inevitável em São Paulo) que, naquela sexta-feira chuvosa e às vésperas de um feriadão, contra todos os prognósticos, estava bom. Depois, outro taxista emparelhou o carro na Pedroso de Moraes para pedir um “Bom Ar” emprestado ao colega, porque tinha carregado um passageiro “com cheiro de jaula”. Continuaram, e ela comentou que trabalharia no feriado. Ele perguntou o que ela fazia. “Sou jornalista”, ela disse. E ele: “Eu quero muito melhorar o meu português. Estudei, mas escrevo tudo errado”. Ele era jovem, menos de 30 anos. “O melhor jeito de melhorar o português é lendo”, ela sugeriu. “Eu estou lendo mais agora, já li quatro livros neste ano. Para quem não lia nada...”, ele contou. “O importante é ler o que você gosta”, ela estimulou. “O que eu quero agora é ler a Bíblia”. Foi neste ponto que o diálogo conquistou o direito a seguir com travessões.
 - Você é evangélico? – ela perguntou.
 - Sou! – ele respondeu, animado.
 - De que igreja?
 - Tenho ido na Novidade de Vida. Mas já fui na Bola de Neve.
- Da Novidade de Vida eu nunca tinha ouvido falar, mas já li matérias sobre a Bola de Neve. É bacana a Novidade de Vida?
- Tou gostando muito. A Bola de Neve também é bem legal. De vez em quando eu vou lá.
- Legal.
- De que religião você é?
- Eu não tenho religião. Sou ateia.
- Deus me livre! Vai lá na Bola de Neve.
- Não, eu não sou religiosa. Sou ateia.
- Deus me livre!
- Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, mas você não respeita a minha.
- (riso nervoso).
- Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?
- Por que as boas ações não salvam.
- Não?
- Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, não será salva.
- Mas eu não quero ser salva.
- Deus me livre!
- Eu não acredito em salvação. Acredito em viver cada dia da melhor forma possível.
- Acho que você é espírita.
- Não, já disse a você. Sou ateia.
- É que Jesus não te pegou ainda. Mas ele vai pegar.
- Olha, sinceramente, acho difícil que Jesus vá me pegar. Mas sabe o que eu acho curioso? Que eu não queira tirar a sua fé, mas você queira tirar a minha não fé. Eu não acho que você seja pior do que eu por ser evangélico, mas você parece achar que é melhor do que eu porque é evangélico. Não era Jesus que pregava a tolerância?
- É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto...
O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem. Era tranquila, doce e divertida. Mas ele fora doutrinado para acreditar que um ateu é uma espécie de Satanás. Como resolver esse impasse? (Talvez ele tenha lembrado, naquele momento, que o pastor avisara que o diabo assumia formas muito sedutoras para roubar a alma dos crentes. Mas, como não dá para ler pensamentos, só é possível afirmar que o taxista parecia viver um embate interno: ele não conseguia se convencer de que a mulher que agora falava sobre o cartão do banco que tinha perdido era a personificação do mal.)
Chegaram ao destino depois de mais algumas conversas corriqueiras. Ao se despedir, ela agradeceu a corrida e desejou a ele um bom fim de semana e uma boa noite. Ele retribuiu. E então, não conseguiu conter-se:
- Veja se aparece lá na igreja! – gritou, quando ela abria a porta.
- Veja se vira ateu! – ela retribuiu, bem humorada, antes de fechá-la.
Ainda deu tempo de ouvir uma risada nervosa.  
A parábola do taxista me faz pensar em como a vida dos ateus poderá ser dura num Brasil cada vez mais evangélico – ou cada vez mais neopentecostal, já que é esta a característica das igrejas evangélicas que mais crescem. O catolicismo – no mundo contemporâneo, bem sublinhado – mantém uma relação de tolerância com o ateísmo. Por várias razões. Entre elas, a de que é possível ser católico – e não praticante. O fato de você não frequentar a igreja nem pagar o dízimo não chama maior atenção no Brasil católico nem condena ninguém ao inferno. Outra razão importante é que o catolicismo está disseminado na cultura, entrelaçado a uma forma de ver o mundo que influencia inclusive os ateus. Ser ateu num país de maioria católica nunca ameaçou a convivência entre os vizinhos. Ou entre taxistas e passageiros.
Já com os evangélicos neopentecostais, caso das inúmeras igrejas que se multiplicam com nomes cada vez mais imaginativos pelas esquinas das grandes e das pequenas cidades, pelos sertões e pela floresta amazônica, o caso é diferente. E não faço aqui nenhum juízo de valor sobre a fé católica ou a dos neopentecostais. Cada um tem o direito de professar a fé que quiser – assim como a sua não fé. Meu interesse é tentar compreender como essa porção cada vez mais numerosa do país está mudando o modo de ver o mundo e o modo de se relacionar com a cultura. Está mudando a forma de ser brasileiro.
Por que os ateus são uma ameaça às novas denominações evangélicas? Porque as neopentecostais – e não falo aqui nenhuma novidade – são constituídas no modo capitalista. Regidas, portanto, pelas leis de mercado. Por isso, nessas novas igrejas, não há como ser um evangélico não praticante. É possível, como o taxista exemplifica muito bem, pular de uma para outra, como um consumidor diante de vitrines que tentam seduzi-lo a entrar na loja pelo brilho de suas ofertas. Essa dificuldade de “fidelizar um fiel”, ao gerir a igreja como um modelo de negócio, obriga as neopentecostais a uma disputa de mercado cada vez mais agressiva e também a buscar fatias ainda inexploradas. É preciso que os fiéis estejam dentro das igrejas – e elas estão sempre de portas abertas – para consumir um dos muitos produtos milagrosos ou para serem consumidos por doações em dinheiro ou em espécie. O templo é um shopping da fé, com as vantagens e as desvantagens que isso implica.
É também por essa razão que a Igreja Católica, que em períodos de sua longa história atraiu fiéis com ossos de santos e passes para o céu, vive hoje o dilema de ser ameaçada pela vulgaridade das relações capitalistas numa fé de mercado. Dilema que procura resolver de uma maneira bastante inteligente, ao manter a salvo a tradição que tem lhe garantido poder e influência há dois mil anos, mas ao mesmo tempo estimular sua versão de mercado, encarnada pelos carismáticos. Como uma espécie de vanguarda, que contém o avanço das tropas “inimigas” lá na frente sem comprometer a integridade do exército que se mantém mais atrás, padres pop star como Marcelo Rossi e movimentos como a Canção Nova têm sido estratégicos para reduzir a sangria de fiéis para as neopentecostais. Não fosse esse tipo de abordagem mais agressiva e possivelmente já existiria uma porção ainda maior de evangélicos no país.
Tudo indica que a parábola do taxista se tornará cada vez mais frequente nas ruas do Brasil – em novas e ferozes versões. Afinal, não há nada mais ameaçador para o mercado do que quem está fora do mercado por convicção. E quem está fora do mercado da fé? Os ateus. É possível convencer um católico, um espírita ou um umbandista a mudar de religião. Mas é bem mais difícil – quando não impossível – converter um ateu. Para quem não acredita na existência de Deus, qualquer produto religioso, seja ele material, como um travesseiro que cura doenças, ou subjetivo, como o conforto da vida eterna, não tem qualquer apelo. Seria como vender gelo para um esquimó.
Tenho muitos amigos ateus. E eles me contam que têm evitado se apresentar dessa maneira porque a reação é cada vez mais hostil. Por enquanto, a reação é como a do taxista: “Deus me livre!”. Mas percebem que o cerco se aperta e, a qualquer momento, temem que alguém possa empunhar um punhado de dentes de alho diante deles ou iniciar um exorcismo ali mesmo, no sinal fechado ou na padaria da esquina. Acuados, têm preferido declarar-se “agnósticos”. Com sorte, parte dos crentes pode ficar em dúvida e pensar que é alguma igreja nova.
Já conhecia a “Bola de Neve” (ou “Bola de Neve Church, para os íntimos”, como diz o seu site), mas nunca tinha ouvido falar da “Novidade de Vida”. Busquei o site da igreja na internet. Na página de abertura, me deparei com uma preleção intitulada: “O perigo da tolerância”. O texto fala sobre as famílias, afirma que Deus não é tolerante e incita os fiéis a não tolerar o que não venha de Deus. Tolerar “coisas erradas” é o mesmo que “criar demônios de estimação”. Entre as muitas frases exemplares, uma se destaca: “Hoje em dia, o mal da sociedade tem sido a Tolerância (em negrito e em maiúscula)”. Deus me livre!, um ateu talvez tenha vontade de dizer. Mas nem esse conforto lhe resta.
Ainda que o crescimento evangélico no Brasil venha sendo investigado tanto pela academia como pelo jornalismo, é pouco para a profundidade das mudanças que tem trazido à vida cotidiana do país. As transformações no modo de ser brasileiro talvez sejam maiores do que possa parecer à primeira vista. Talvez estejam alterando o “homem cordial” – não no sentido estrito conferido por Sérgio Buarque de Holanda, mas no sentido atribuído pelo senso comum.
Me arriscaria a dizer que a liberdade de credo – e, portanto, também de não credo – determinada pela Constituição está sendo solapada na prática do dia a dia. Não deixa de ser curioso que, no século XXI, ser ateu volte a ter um conteúdo revolucionário. Mas, depois que Sarah Sheeva, uma das filhas de Pepeu Gomes e Baby do Brasil, passou a pastorear mulheres virgens – ou com vontade de voltar a ser – em busca de príncipes encantados, na “Igreja Celular Internacional”, nada mais me surpreende.
Se Deus existe, que nos livre de sermos obrigados a acreditar nele.

 

 
 


 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

domingo, 20 de setembro de 2015

Sete ervas que atraem bons fluidos

Na página da UOL temos as ervas que podem harmonizar nosso ambiente.
Um vaso contendo manjericão, alecrim, espada-de-são-jorge, arruda, guiné, pimenta e comigo-ninguém-pode será minha nova aquisição.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Trechos de obras, boas obras

A História Secreta, de Donna Tartt:

"A organização cronológica da memória é algo interessante. No período anterior ao meu primeiro final de semana na casa de campo, as recordações daquele outono se apresentam distantes e imprecisas. Daquele dia em diante, entram em foco, nítidas, perfeitas. Os manequins rígidos com quem travei conhecimento inicial espreguiçaram-se, bocejaram e ganharam a vida. Foram necessários meses até a remoção completa do véu de mistério e novidade, obstáculo para que eu os visse objetivamente. (...)"  pág 83

" 'Sabe', Francis disse, ao sairmos, 'certa vez cometi o erro de perguntar a Bunny se ele pensava no pecado.'
'E o que ele disse? ', Camila perguntou.
Francis riu. 'Ele disse: Claro que não. Eu não sou católico.' " pág 510.

Era normal, portanto, que sentissem sua falta, até que o pranteassem - é penoso quando alguém morre numa escola como Hampden, onde estávamos tão isolados, tão forçados a conviver. Surpreendeu-me, todavia, a demonstração generalizada de pesar que ocorreu quando seu falecimento tornou-se oficial. Pareceu-me não apenas gratuito, mas até vergonhoso, dadas as circunstâncias. Ninguém se importara muito com o desaparecimento, nem mesmo no final da busca, quando já se esperava que as notícias, quando surgissem, seriam ruins. Para o público, a busca não passou de uma inconveniência descomunal. Mas, com a divulgação da notícia de sua morte, as pessoas se comportaram de modo frenético. Todo mundo, de repente, o conhecera; todos ficaram arrasados de dor; todos iam tentar superar aquilo e levar a vida adiante, que jeito. "Ele teria desejado que fosse assim." Ouvi a frase a semana inteiro, na boca de gente que não tinha a menor ideia do que Bunny desejava. Funcionários da universidade, carpideiras anônimas, estranho que se amontoavam e choravam na porta dos salões de jantar. A Junta Diretora, num comunicado, disse que "em harmonia com o espírito incomparável de Bunny Corcoran, bem como em consonância com os ideais humanistas e progressivas de Hampden College", uma doação generosa seria feita, em nome dele, ao Movimento pelas Liberdades Civis Americanas - uma organização que Bunny abominaria, caso soubesse da sua existência.  pág 353, 354

(...) Naquele dia, discutia-se a perda do ego, as quatro loucuras divinas de Platão, a loucura em suas diversas manifestações; ele começou a falar sobre o fardo do ego, como o chamava, e o motivo primordial que levava as pessoas a desejar a perda do ego.
"Por que uma vozinha obstinada, dentro de nossas cabeças, nos atormenta tanto?", disse, olhando em torno da mesa. "Quem sabe por nos lembrar de que estamos vivos, de que somos mortais e possuímos uma alma individual - que nos amedronta tanto entregar e, no entanto, nos leva ao desespero, mais do que qualquer outra coisa? Não é dor, porém, que nos dá consciência do ego? É terrível descobrir, na infância, que o indivíduo vive isolado do mundo inteiro, que ninguém e mais nada pode sofrer a dor da sua língua queimada ou joelho ralado, que os sofrimentos e pesares pertencem apenas a cada um. Mais terrível ainda, quando crescemos, é aprender que nenhuma pessoa, por mais que nos ame, pode nos compreender verdadeiramente. Nossos egos nos tornam muito infelizes, e por isso sentimos tanta ansiedade para perdê-lo, não concordam? Lembram-se das Erínias?"
"As Fúrias?", Bunny disse, os olhos faiscantes, perdidos atrás da franja caída. 
"Exatamente. E como levavam as pessoas à loucura? Aumentavam o volume do monólogo interior, ampliavam características já existentes ao exagero, faziam que as pessoas fosse elas mesmas até o nível insuportável. " pág. 43

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Doce vício...

É, admito... 
Viciei na cafeína... cafeína com requinte!




quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Estação Carandiru

Da editora Companhia das Letras.


O médico Drauzio Varella relata dez anos de atendimento voluntário na Casa de Detenção de São Paulo, o maior presídio do Brasil, e mostra como um código penal não-escrito organizava o comportamento da população carcerária.
Em 1989, o médico Drauzio Varella iniciou na Detenção um trabalho voluntário de prevenção à AIDS. Entre os mais de 7200 presos, conheceu pessoas como Mário Cachorro, Roberto Carlos, Sem-Chance, seu Jeremias, Alfinete, Filósofo, Loreta e seu Luís. Não importava a pena a que tinham sido condenados, todos seguiam um rígido código penal não escrito, criado pela própria população carcerária. Contrariá-lo poderia equivaler à morte.
O relato de Drauzio Varella neste livro tem as tonalidades da experiência pessoal: não busca denunciar um sistema prisional antiquado e desumano; expressa uma disposição para tratar com as pessoas caso a caso, mesmo em condições nada propícias à manifestação da individualidade. 
Lançado em 1999 e transformado em filme em 2003, por Hector Babenco, Estação Carandiru recebeu o Prêmio Jabuti 2000 de livro do ano e, desde então, já vendeu centenas de milhares de exemplares.



                                
Adorei reler esta obra. 
Trechos que podem não fazer sentido para vocês, leitores do meu blog, porém me remetem a muitas reflexões:
- Doutor, nesse tempo, o senhor já perdeu a conta de quantos colegas nossos foram aguentados em ponta de faca. Não tem humilhação pior para um pai de família. Só quem passou por isso pode contar. Alguma vez o senhor viu chegar alguém dos direitos humanos ou esses padres da Pastoral para dar apoio ao funcionário? pág 106
- No silêncio da noite, a mente trabalha solitária porque a decisão final é minha e dela depende a sorte de um ser humano. Sou o juiz do pavilhão. Só que o juiz da rua trabalha aquelas horinhas dele e vai para casa com o motorista; eu, é 24 por 48. Ele, só tem que julgar se o acusado vai preso; no máximo, dar uma pena mais longa. Eu, assino pena de morte. pág 104
Essa aura de respeito sincero em torno da figura do médico que lhes trazia uma pequena ajuda exaltou em mim o senso de responsabilidade em relação a eles. Com mais de vinte anos de clínica, foi no meio daqueles que a sociedade considera como escória que percebi com mais clareza o impacto da presença do médico no imaginário humano, um dos mistérios da minha profissão. pág 75

Sobre os agentes penitenciários:
A vida que levam é dura. Para sobreviver dignamente, o salário não dá. Os que teimam na honestidade, fazem bico como segurança em bando, supermercado, loja, boate ou casa de tolerância.
Boa parte desse trabalho é a serviço de empresas clandestinas, sem direitos trabalhistas. Nem armamento recebem, utilizam o revólver pessoal, geralmente não legalizado, uma vez que a categoria não tem direito a porte de arma. Num assalto, se forem feridos ou matarem o assaltante, a empresa pode se eximir da responsabilidade. Não existe vínculo empregatício. Se morrerem, a família que se arranje com a pensão do Estado.
 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Outro fragmento de amor

Como na postagem anterior...
Belos desenhos...

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Leonardo da Vinci

Wikipédia Leonardo nasceu em 15 de abril de 1452, "na terceira hora da noite", de um sábado, no vilarejo de Anchiano, na comuna italiana de Vinci, na Toscana, situada no vale do rio Arno, dentro do território dominado à época por Florença. Era filho ilegítimo de Messer Piero Fruosino di Antonio da Vinci, um notário florentino, e Caterina, uma camponesa que pode ter sido uma escrava oriunda do Oriente Médio. Leonardo não tinha um sobrenome no sentido atual; "da Vinci" significa simplesmente "de Vinci": seu nome completo de batismo era "Leonardo di ser Piero da Vinci", que significava "Leonardo, (filho) de (Mes)ser, Piero de Vinci". O próprio Leonardo da Vinci assinava seus trabalhos simplesmente como Leonardo ou Io Leonardo ("Eu, Leonardo"); presume-se que ele não usou o nome do pai por causa do estado ilegítimo.

Se e destacou como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico.

Se destacou em 11 áreas distintas... 
Atualmente, século XXI ,  nos contentamos em termos apenas uma
"vocação", desenvolvermos apenas uma habilidade  - ou bancário, ou médico, ou advogado... ou dona de casa, ou administrador, ou atleta... apenas uma profissão em cada encarnação.



Estou encantada com o livro de ficção Senhora da Vinci, da editora Caravelas.  Florença do século XV é simplesmente apaixonante... 

Médici, Botticelli, Ficino, Pulci, Pollaiuolo, Poliziano, Bracciolini, Verrocchio, Ghirlandaio, Michelangelo. 

Platão!

Heresia, filosofia, confrarias,  segredos, alquimia, sodomia...
Renascimento.

 
 

domingo, 13 de setembro de 2015

sábado, 12 de setembro de 2015

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Uma Obsessão Indecente e Pássaros Feridos

Também da Editora Bertrand:

A Segunda Guerra Mundial chegou ao fim e a Irmã Honour Langtree, uma enfermeira dedicada e empenhada, tem ao seu cuidado um conjunto impressionante de cinco soldados arrasados pela guerra, que estão a ser tratados na unidade de cuidados psiquiátricos do hospital. Para estes homens, a Irmã Honour é preciosa, e são-lhe tão dedicados como ela a eles. 
Entretanto, mais um homem chega à unidade. Michael Wilson é um herói condecorado, mas é também um homem cheio de segredos e de um sofrimento mudo. Honour sente-se atraída por ele e descobre um amor que acabará por desencadear emoções violentas e perturbar toda a harmonia frágil conquistada com o seu trabalho.
Leria este livro por ser da autora Colleen McCullough 
Colleen McCullough nasceu na Austrália em 1937. Começou a sua carreira literária com a publicação de Tim, seguido de Pássaros Feridos, um best-seller internacional que bateu todos os recordes. Ambos foram adaptados ao cinema.
Além dos romances individuais que foi escrevendo, a autora publicou duas séries. O Primeiro Homem de Romaretrata em seis volumes e de forma excepcional a história da Roma Antiga. A série foi elogiada por muitos historiadores e políticos, incluindo Kissinger. Carmine Delmonico» é uma série policial com cinco títulos publicados. A autora morreu em janeiro de 2015, aos 77 anos, na Ilha Norfolk, no Pacífico, onde vivia com o marido.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Mulheres à frente do seu tempo

Sinopse da Editora:

Robin Maxwell cresceu em Nova Jersey. Graduou-se em Terapia Ocupacional na Tufts University, dedicando-se a esta área por muitos anos, até mudar-se para Hollywood, onde trabalhou como adestradora de papagaios, diretora de elenco e, finalmente, roteirista. Trabalhou para os maiores estúdios de cinema, escrevendo roteiros de comédia, drama e até mesmo animações para a Disney. Seus livros já foram publicados nos mais diversos cantos do mundo: Inglaterra, Irlanda, França, Alemanha, Itália, Grécia, Turquia, Indonésia, Hungria, Portugal, República Tcheca, Ucrânia, Japão, vários países hispânicos e, finalmente, Brasil.


Em determinado momento de sua vida, os séculos XV e XVI e as mulheres “à frente de seu tempo” se tornaram verdadeiras obsessões para Robin.

Diante desta afirmativa imaginei que encontraria outras obra de Robin Maxwell traduzidas para o nosso idioma.


Mesmo que seja apenas A Senhora da Vinci, o livro  é muito bom...  fácil de devorar.  ;)


“Eu tinha quinze anos quando dei à luz um filho bastardo, na pequena vila de Vinci. Seu nome era Leonardo, e estava destinado a mudar o mundo para sempre. Como mãe solteira, tive de suportar as mais diversas formas de crueldade, e não havia nada que pudesse fazer quando tiraram meu filho querido de meus braços. Como mulher, não tinha direitos, perspectiva ou futuro. Todos acreditavam que eu estava arruinada. Porém, ninguém sabia os segredos escondidos em minha infância, e nem sequer imaginava os perigosos e heréticos planos que colocaria em ação para proteger e olhar por meu filho, enquanto este se tornava o homem formidável que viria a ser. Alguns me chamam de mentirosa, já que minha história pode parecer impossível a uma mulher de meu tempo. Me chamam Caterina. Esta é minha história, e estou pronta para revelá-la.” Neste romance, escrito por meio de muitas pesquisas, Robin Maxwell mergulha na vida de Caterina; mulher à frente de seu tempo, aventureira, alquimista e mãe de Leonardo da Vinci. Senhora da Vinci é o primeiro livro lançado pelo selo Caravelas, idealizado pela Editora Novo Século.



Ana Carolina Requião, em seu blog, conta de forma ainda mais "devorante" a obra em questão.
E questiona, tanto quanto eu, porque não temos as outras obras da autoras traduzidas e publicadas no Brasil.


Um livro que te faz chorar e ao mesmo tempo rir, sentir a felicidade, saudade, tristeza e esperança. Nunca havia lido coisa qualquer que chegasse perto desse romance. Há situações que se encontram no livro as quais algumas pessoas pensariam ser inimagináveis naquela época. Todo o enredo se desenrola da renascença, e conta a história da mãe de Leonardo Da Vinci, Caterina, desde a sua adolescência até a velhice. É interessante porque, se ao iniciar a leitura o leitor não sabe que é tudo (ou ao menos uns 70% da história) criação da escritora, chega realmente a pensar que é tudo verídico, apesar de ser uma narrativa tão... exótica. ...bem:.  Um livro totalmente autêntico, que envolve pessoas de classes sociais totalmente distintas, o sofrimento de uma mulher que deu a luz à seu filho sozinha, no meio de muita tragédia, apenas com apoio do pai, enfrentando todo o preconceito que a sociedade da época tinha contra uma mulher nessas situações. E assim como há pessoas boas demais, há pessoas extremamente arrogantes, que querem Leonardo longe da pobre mãe, como o próprio pai de Leonardo. Juro que fiquei emocionada com a trajetória de vida, a coragem, a determinação, a garra de Caterina, admiro-a por ter feito tudo que ela fez pelo seu filho, apesar de não haver quaisquer certezas de que ela realmente existiu. O livro gira em torno da história desde ela, numa cidadezinha pequena da Itália decidir por se passar por homem (que boa parte da história ela o é) na cidade grande, para poder ficar próxima do filho, que na adolescência se tornou aprendiz nas oficinas de arte, até surpreender, seu amor e todos seus amigos, - depois de demonstrar toda a educação brilhante aos mesmos, agora estavam convencidos de que ela era ele - , que ela possuía, coisa que era incomum para uma mulher. Quando ela se revelou, já era uma das pessoas mais importantes e renomadas da época. "Mas, por fim, o dia abençoado chegou. Saudável e madura como um pêssego no verão, fui levada para a cama. Meu pai caminhava nervosamente de um lado para o outro em seu quarto, enquanto Magdalena trabalhava entre minhas coxas abertas para trazer à luz uma criança aos berros - não Leonora, mas um menino, Leonardo. Minha tia disse que, em todo os seus anos de parteira, nunca tinha visto um bebê sair mais entusiasmado do ventre da mãe que meu garoto. Segundo ela, ele pareceu ter saltado para os seus braços, como se já estivesse cansado da escuridão e do silêncio, ansiado pelo mundo exterior." E assim se inicia, o belo romance de Robin Maxwell, Senhora Da Vinci. lançamento