sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A Biografia da Imperatriz Cixi

Autora de Cisnes Selvagens resgata história da imperatriz que modernizou a China e Mao e Taiwan esconderam

A pesquisadora Jung Chang lança livro que conta a história de Cixi, a concubina que assumiu o poder e abriu a China para o Ocidente. A ideologia comunista e Taiwan a transformaram numa “renegada”

A chinesa Jung Chang é autora de duas obras-primas: o belíssimo “Cisnes Selvagens” (Companhia das Letras, 648 páginas, tradução de Marcos Santarrita) e o assustador “Mao — A História Desconhecida” (Companhia das Letras, 816 páginas, tradução de Pedro Maia Soares), este junto com Jon Halliday (ao contrário que publica o jornal “El Mundo”, não é John). São livros essenciais para compreender a China e muito bem escritos e imaginados. Jung Chang volta às livrarias (não nas brasileiras) com uma obra sobre a imperatriz chinesa Cixi. O título na edição espanhola é “Cixí, a Imperatriz — A Concubina Que Criou a China Moderna” (Taurus, 622 páginas) e o título da edição portuguesa é “A Imperatriz Viúva — Cixi, a Concubina Que Mudou a China” (Quetzal, 520 páginas). Não li o livro, mas a história me parece fascinante. Para comentá-la, tomo emprestado uma resenha da repórter Leticia Blanco, do diário “El Mundo” (http://mun.do/1nRjhBr), da Espanha.
Curiosamente, Jung Chang não se importa com a pirataria de seus livros, notadamente na China, onde é persona non grata, mas, mesmo monitorada (o serviço secreto do país é um dos mais eficientes do mundo), é autorizada a visitar a mãe. “Me encanta que pirateiem meus livros”, exulta. “Cisnes Selvagens” vendeu, em todo o mundo, mais de 10 milhões de exemplares — o que, para um livro de alta qualidade, é um fenômeno editorial e comercial. Neste livro, a autora conta a história de sua avó, uma concubina, e a queda de seu pai, um importante integrante do Partido Comunista Chinês. Jung Chang foi um entusiástica defensora da Revolução Cultural, a principal aposta de Mao Tsé-tung, mas recuou quando lhe obrigaram a atacar seus professores.
Com a vitória dos comunistas de Mao Tsé-tung, a história da imperatriz Cixi (1835-1908) foi organizada e metodicamente esquecida. Jung Chang, pesquisando para a biografia de Mao — até agora, a mais ampla e qualificada —, encontrou documentos sobre Cixi. A versão oficial, apresentada pelos comunistas, havia distorcido sua história.
Cixi “governou a China de meados do século 19 até sua morte em 1908, guiando o país em uma lenta (e sangrenta) transição de um império medieval, fechado ao exterior e supersticioso, a uma potência moderna aberta aos avanços proporcionados por ingleses e norte-americanos”.
Jung Chang descobriu que, quando menino e adolescente, Mao desfrutou de “oportunidades e liberdades extraordinárias”. O governo concedeu-lhe bolsa de estudos e o futuro comunista pôde viajar para o exterior. “Me surpreendeu que Cixi, que havia tornado isto possível, tivesse tão má imagem. Não era compatível”, frisa a historiadora e escritora. A ideologia comunista cristalizou a imagem de uma estadista do mal e o nacionalismo de Taiwan a renega. “Eles veem a si mesmos como os pais fundadores da pátria e por isso depreciam Cixi e seu legado. Na realidade, trata-se da grande transformadora que levou a China à era moderna”, destaca a primeira chinesa a obter um doutorado na Inglaterra.
Cixi foi levada para a corte de Pequim, como concubina, aos 16 anos. Logo aliou-se à mulher do imperador. Quando este morreu, orquestrou um complô e assumiu o controle do poder, governando com mão de ferro. “Primeiro, como regente. Mais tarde, assumindo sozinha o poder imperial”, destaca a resenha.
Segundo Jung Chang, “Cixi abriu a ‘porta’ da China, que estava fechada há mais de 100 anos”. O governo de Cixi “decretou que as mulheres deveriam receber educação escolar” e não precisavam mais “enfaixar” os pés para atrofiá-los. A pesquisadora sustenta que a imperatriz “foi uma ‘campeã do feminismo’”, mas exigia que fosse tratada igual a um homem. “Quando adotou seu sobrinho, ela pediu que lhe chamasse de ‘pai’. Com ela começou o feminismo na China. Não chegou mais longe por comportar-se como um homem, porque as mulheres podem ser tão cruéis e inteligentes como eles”, anota Jung Chang.
Se era uma agente da modernização, Cixi era também uma política de seu tempo, e produto da sociedade chinesa. “Ao fim e ao cabo, era um produto medieval: cometeu assassinatos e governou sem piedade. Mas o que pretendi contar no meu livro é que foi uma pessoa mais complexa do que diz a propaganda” (do governo comunista), assinala Jung Chang. A autora, que escreve como uma inglesa, com clareza e precisão, está preparando a tradução do livro para o chinês. Mas não sabe se a obra será publicada em Taiwan.
Leiam um trecho do livro no site da Editora.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

sábado, 11 de outubro de 2014

História Romanceada ou Romance Histórico?

No artigo do Estadão consta que Javier Moro cometeu erros históricos em sua obra O Império é Você.
Entretanto não dá pra tirar o mérito destes três anos de pesquisa. O livro é fantástico e contém uma linguagem fácil. 
Dá para se inteirar de anos e anos da época imperial de uma forma leve, tranquila, encorajadora e fascinante.
Estou "degustando" desta vez. E não "devorando" as 492 páginas do livro.

Sinopse - O Império é Você - A fascinante saga do homem que mudou a história do Brasil - Javier Moro

Transformado em Imperador do Brasil aos 23 anos, Dom Pedro I marcou a história de dois continentes. Desmedido e contraditório, as mulheres foram a sua salvação e perdição: enquanto sua esposa, a virtuosa Leopoldina, o levou ao ápice, sua amante, a ardente Domitila, o arrastou para a decadência. Quando o imenso Brasil se fez pequeno e o poder deixou de interessar-lhe, colocou a vida em jogo por aquilo que acreditava ser justo. E alcançou a glória. Com a beleza exuberante dos trópicos como tela de fundo, Javier Moro narra com paixão a epopeia do nascimento do maior país da América do Sul.

O Império é Você - A fascinante saga do homem que mudou a história do Brasil - Javier Moro

Erika  nos conta no site SKOOB:

Belíssimo livro!
Confesso que os romances históricos me despertam um duplo sentimento: aversão x atração. O primeiro porque, para os amantes da História, como eu, chega a ser sacrílego criar em cima de fatos reais. O segundo porque é muito tentador imaginar outros desdobramentos para aquilo que estudamos e outros destinos para aquelas personalidades, muitas das quais são interessantíssimas.

Quando soube do lançamento de O Império é Você os dois sentimentos novamente me bateram à porta e me colocaram no velho dilema: ler ou não ler? Como sou uma apaixonada pela vida dos monarcas que reinaram no Brasil e suas famílias, acabei ficando com a primeira opção. 

Ao folhear o livro, já tomei um susto, pois são quase 500 páginas preenchidas com letra miúda. Pensei no trabalhão que daria aquela leitura. Mas, ledo engano. Já nas primeiras linhas me deparei com uma narrativa extremamente fluente e agradável. E, para facilitar ainda mais, os capítulos são curtos, o que dá mais ritmo ao texto e gera aquela sensação de que se está lendo rápido. 

Quanto ao conteúdo, somente posso tecer elogios. Conforme Javier Moro explica no final de sua obra, os eventos narrados de fato ocorreram. Ele apenas dramatizou cenas e recriou diálogos, a fim de mostrar como tudo teria acontecido de dentro. O autor imaginou o que, diante daqueles acontecimentos já conhecidos, teriam as personagens pensado, falado, sentido. Contudo, posso garantir que a maior parte do livro representa a realidade. Mesmo algumas ações que eu desconhecia verifiquei, depois de pesquisar, serem verdadeiras.

Soube que a obra recebeu severas críticas por essa sua característica. Entretanto, o próprio Javier sempre deixou claro que o livro não é 100% fiel à História e tampouco se propõe a tanto. Por isso, quem ler já está, de antemão, ciente dessa circunstância. Mas, ela não desmerece nem um pouco o livro, que é ótima fonte de entretenimento e conhecimento. 

Recomendo!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Harlan Coben

Harlan Coben é autor de Refúgio e Uma questão de segundos, da série de Mickey Bolitar, Fique comigo, Confie em mim, Não conte a ninguém, Desaparecido para sempre e Cilada e dos livros protagonizados por Myron BolitarQuebra de confiança, Jogada mortal, Sem deixar rastros, O preço da vitória, Quando ela se foi e Alta tensão (Arqueiro) –, além de A promessa, Silêncio na floresta, Não há segunda chance e O inocente (Arx). Esses dois últimos serão relançados pela Arqueiro. Vencedor de diversos prêmios, é o único escritor a ter recebido a trinca de ases da literatura policial americana: o Anthony, o Shamus e o Edgar Allan Poe, todos por livros da série de Myron Bolitar. Suas obras já foram traduzidas para 41 idiomas. Aclamado na França, Coben é conhecido como “o mestre das noites em claro”. Seu livro Não conte a ninguém foi transformado no premiado filme homônimo estrelado por Kristin Scott Thomas e François Cluzet, disponível no Brasil em DVD. Harlan nasceu em Newark, Nova Jersey. Depois de se formar em ciência política, trabalhou no setor de turismo. Hoje mora em Nova Jersey com os quatro filhos e a esposa.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

A Carne e o Sangue

Sinopse
Dividido entre uma princesa pura, leal e sofredora e uma mulher independente, forte e fogosa, Dom Pedro I viveu, paralelamente às convulsões que tornariam o Brasil independente de Portugal, uma via pessoal igualmente complicada.

Assista ao vídeo gravado pela autora do livro O Carne e o Sangue, Mary Del Priore. "... a história deixou de ser monopólio da universidade... qualquer pessoa munida de uma boa bibliografia pode contar histórias."


Guia do Estudante traz uma sinopse mais completa:

A Carne e o Sangue: livro conta a história do triângulo amoroso de Dom Pedro 1º

A Carne e o Sangue entrelaça as histórias de Pedro 1º, de Leopoldina e da marquesa de Santos para revelar os bastidores do triângulo amoroso mais famoso do país

Claudia de Castro Lima | 16/04/2012 16h22
Sentada em uma cadeira desconfortável, uma gorda e descuidada senhora de olhos muito azuis sofreu durante 5 horas as dores do parto. Era a 7ª vez que Leopoldina passava por situação semelhante – das quais haviam vingado somente 4 mulheres. Pedro, porém, veio ao mundo saudável, com 47 cm, às 2 e meia da manhã do dia 2 de dezembro de 1825. O pai, o imperador do Brasil, conseguiu chegar a tempo de assistir ao parto. Para presenciar o nascimento de seu primeiro varão, Pedro I saíra correndo da casa da amante, Domitila, onde fora encontrado consolando a moça que sentia suas primeiras dores da contração. Cinco dias após apresentar o futuro Pedro 2º àcorte, o imperador voltou à casa da favorita para conhecer seu outro rebento, que acabara de nascer. E que levou o nome de Pedro de Alcântara Brasileiro. O famoso triângulo amoroso formado pelo imperador Pedro I, a imperatriz Leopoldina e a marquesa de Santos é o tema de A Carne e o Sangue, da historiadora Mary del Priore, colunista de AVENTURAS NA HISTÓRIA. Ela fez algo inédito, como pode ser notado na descrição acima: cruzou a correspondência de Leopoldina, Pedro e Domitila com informações e manuscritos das pessoas que cercavam a família real e assistiam ao drama todo. E, com isso, entrelaçou as histórias e penetrou nos mais profundos sentimentos dos envolvidos. Saem daí informações preciosas sobre a personalidade dos 3 principais personagens – e, claro, sobre a história do país durante o Primeiro Reinado. Numa viagem à Bahia para sufocar um princípio de rebelião, por exemplo, o imperador embarcou com as duas. Seu caso era tão notório, que o embarque virou piada pronta: “Levava a mulher para disfarçar a amante”.
A princesa infeliz
Às 17h do dia 5 de novembro de 1817, a corte do Rio de Janeiro assistiu a uma festa como poucas, com duas horas de foguetório e multidões se acotovelando. Era a recepção para a arquiduquesa Maria Leopoldina da Áustria, filha do soberano do Sacro-Império Romano-Germânico e imperador da Áustria Francisco I, que chegava ao país. Vinha consolidar seu casamento com o príncipe herdeiro Pedro, feito por procuração em sua terra natal. 
Era uma moça gorducha de 20 anos, mãos rechonchudas, nem feia nem bonita. “Na qualidade de princesa de uma das maiores casas reais da Europa, era, sobretudo, um peão no jogo das alianças entre potências”, diz Mary. Desde 1806, o sonho de dom João 6º, rei de Portugal e 
do Brasil, era unir seu filho à Casa de Habsburgo, “campeã na luta contra a França revolucionária e napoleônica, senhora de 39 estados”, segundo a historiadora. “Leopoldina casara-se com dom Pedro imbuída de seu papel real. Para ela, felicidade era ‘o cumprimento estrito’ de suas obrigações, fazendo tudo o que seu esposo desejasse”, afirma Mary. “Mas, no fundo, embalava-a o que seus contemporâneos chamavam de modernismo: o sentimento romântico que levava seus adeptos a acreditar que ‘o coração sempre vencia’. Esse foi seu mal.”

O príncipe garanhão
Quando casou-se, dom Pedro tinha 19 anos. E um já vasto histórico de vagabundagens amorosas, todas amplamente comentadas pela população. “O assédio que fazia às mulheres era assunto corrente”, escreve Mary no livro. “Andava pelas ruas à cata de presas. Não poucas vezes, apeara do cavalo para levantar a cortina de uma cadeirinha que passava carregada no ombro de escravos. Ele não conhecia limites nem diante da família nem diante do marido da mulher desejada.” Na ocasião da chegada da futura esposa, ele andava enrabichado com uma dançarina francesa, que engravidara. A corte inquietou-se, pois o contrato de casamento já estava assinado. O casamento, portanto, não começou bem – e, com o tempo, só piorou. Os casos extraconjugais de Pedro aconteciam um após o outro, assim como os filhos bastardos. E, apesar disso, ele não dava folga a Leopoldina – que, sempre grávida (teve 9 gestações em 9 anos de casamento), vivia recolhida e em repouso. Sobre seus modos, um funcionário que acompanhou a austríaca ao Brasil, o barão de Eschwege, anotou: “Por falar no príncipe herdeiro, posto que não seja destituído de inteligência natural, é falho de educação formal. 
Foi criado entre cavalos, e a princesa cedo ou tarde perceberá que ele não é capaz de coexistir em harmonia”. 

A amante sedutora
A paulista Domitila de Castro Canto e Melo entra na história por ocasião da viagem de dom Pedro a São Paulo, em 14 de agosto de 1822. Pedro já rompera com Portugal ao anunciar que ficaria no Brasil. Tropas portuguesas começaram revoltas em algumas províncias. Dom Pedro, ainda sem o título de imperador, que conquistaria em 12 de outubro, viajou para São Paulo para dar jeito em um racha na junta que governava a província. Enquanto apaziguava os ânimos, encontrou tempo para a morena forte de 25 anos. Domitila era encantadora. Sedutora, inteligente, independente como as mulheres não costumavam ser à época – separada de seu primeiro marido, de quem levara uma facada e com o qual tivera dois filhos. Conheceu Pedro quando fez parte de uma comitiva à corte, antes de sua ida a São Paulo. Em sua vasta correspondência com ele, nunca fez menção à imperatriz, de quem se tornou dama de honra, num episódio que escandalizou a corte no Rio, para onde se mudou e levou a família. Ela recebia dinheiro para dar pitacos no governo e era bastante influente.

O triângulo amoroso
Pedro e Domitila viveram uma louca paixão. “O affair extravasou a alcova e refletiu-se na vida política e familiar do príncipe, bem como na imagem que dele se fazia dentro e fora do país”, afirma Mary. Ele a chamava de Titília. E assinava as cartas como “o Demonão” ou “Fogo Foguinho”. Conteúdo erótico não era incomum – Pedro desenhava pênis eretos e ejaculando. Frequentava os saraus e jantares na casa da amante, que por sua vez tinha acesso irrestrito ao Paço. Além disso, Pedro reconheceu sua filha Isabel com Domitila como oficial e colocou a bastarda para viver ao lado de seus rebentos. Leopoldina, humilhada, só deixava a mágoa transparecer nas correspondências. A um amigo desabafou: “Mulheres indignas fazendo de Pompadour e Maintenon!! E pior ainda, porque não têm nenhuma educação... e os outros têm que silenciar”. “A comédia era encenada em público”, diz Mary. “A única coisa não visível, silenciada, sufocada, era o sofrimento da imperatriz.” Leopoldina enfim demonstrou seus sentimentos após a morte do pai da rival. Pedro não saiu do lado de Domitila e pagou as despesas do funeral. Ela fez as malas do imperador e disse-lhe que fosse viver com a favorita. Os biógrafos divergem sobre uma agressão na frente do cozinheiro, com um chute que poderia tê-la matado. “Há registros de que ele teria se destemperado”, diz Mary.

O final trágico
A imperatriz Leopoldina também rebelou-se momentos antes de morrer. Amargurada e grávida mais uma vez, viu o marido viajar para o sul em novembro de 1826. Lá, o exército brasileiro brigava com Buenos Aires pela posse da Cisplatina, atual Uruguai. A mulher estava com a saúde fragilizada – em poucos dias, abortou e morreu. Não sem antes despejar sobre Domitila toda sua raiva e rancor. “Delirava, amaldiçoando a amante do marido. Atribuía-lhe poderes de feitiçaria. Reagia com gritos ao vê-la. Os sentimentos da submissa imperatriz, contidos por tanto tempo, explodiam”, diz Mary. Depois da morte, a imperatriz foi transformada pela população em uma espécie de heroína. Era louvada nos jornais. Houve um beija-mão da morta já quase em estado de decomposição. As razões de sua tristeza e de seu mal eram conhecidas. Domitila transformou-se na vilã número 1 do país. Sua casa foi apedrejada, e ela, difamada. Pior: se ela não abandonasse Pedro, ele não conseguiria nunca mais um bom casamento, que reforçaria a monarquia. O imperador amava Titília, mas amava ainda mais sua posição. 

Nem tão liberal assim
Leopoldina costuma ser tratada como fundamental para a Independência do Brasil. A Carne e o Sangue revela que não foi bem assim. “Leopoldina mostra-se aferrada ao Antigo Regime e apavorada diante de uma revolução sangrenta que lhe cortasse a cabeça”, diz a autora.
“Ela não esconde esse temor nas cartas ao pai.” Numa delas, Leopoldina chama a população de “maldita canalha”. Ela só começou a mudar seu comportamento no fim de 1821. “Minha impressão é que ela não quis arriscar a herança ou a coroa dos filhos voltando para a Europa”, diz Mary. “São os fatos que a levam a se posicionar em favor da Independência. Leopoldina temia uma guerra civil e reage em função disso.” Em uma de suas cartas ao marido, escreve: “O Brasil será em vossas mãos um grande país, o Brasil vos quer para seu monarca”. No entanto, segundo Mary, enquanto dom Pedro declarava o Brasil independente, a austríaca escrevia para o pai assinando “sua filha e vassala mais fiel”, acusando o marido de aderir “às novidades” e lamentando o futuro “negro”. “Se houve outras cartas em que ela se mostre uma estrategista ou executiva do movimento independentista, 
eu desconheço”, diz a autora.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Luis Fernando Verissimo - Diálogos Impossíveis

Sinopse
Drácula e Batman discutem no asilo. Robespierre tenta subornar o carrasco. Goya e Picasso conversam sob o sol da Côte d’Azur. Juvenal planeja matar a mulher, Marinei, que o despreza. A recém-casada Heleninha pede conselhos ao urso de pelúcia.
Qual um existencialista dotado de senso de humor, Verissimo persegue em suas crônicas o absurdo que marca a existência humana – salvo engano, a única que se preocupa com o seu propósito, o seu término e se alguém está falando demais na hora do pôquer. Em nenhum momento essa maldição se torna mais evidente do que na hora em que o homem abre a boca. Então, o que era para comunicar acaba é “estrumbicando”. Nas crônicas reunidas neste volume, Luis Fernando Verissimo escreve sobre impossibilidade, incomunicabilidade e mal-entendidos. Escreve, enfim, sobre a vida.

Editora Objetiva 

Ganhador do Prêmio Jabuti 2013 de Melhor Livro do Ano de Ficção

Qual um existencialista dotado de senso de humor, Verissimo persegue em suas crônicas o absurdo que marca a existência humana – salvo engano, a única que se preocupa com o seu propósito, o seu término e se alguém está falando demais na hora do pôquer. Em nenhum momento essa maldição se torna mais evidente do que na hora em que o homem abre a boca. Então, o que era para comunicar acaba é “estrumbicando”.
Tais constatações podem ser verificadas em seu novo livro, Diálogos impossíveis, seja no diálogo imaginário de Don Juan tentando seduzir a própria Morte ou na conversa cotidiana de um casal que se desentende na hora de dormir. Tanto faz. O homem – e, sejamos igualitários, a mulher – parece falar o que não deve e calar no fundamental. Para sorte do leitor, Verissimo está sempre por perto, registrando os hilariantes momentos em que o ser humano exerce sua vocação para a confusão:
– Não somos muito diferentes – diz Drácula.
– Somos completamente diferentes! – rebate Batman. – Eu sou o Bem, você é o Mal. Eu salvava as pessoas, você chupava o seu sangue e as transformava em vampiros como você. Somos opostos.
– E no entanto – volta Drácula com um sorriso, mostrando os caninos de fantasia – somos, os dois, homens-morcegos...
Batman come o resto do seu iogurte sob o olhar cobiçoso do conde.
– A diferença é que eu escolhi o morcego como modelo. Foi uma decisão artística, estética, autônoma.
– E estranha – diz Drácula. – Por que morcego? Eu tenho a desculpa de que não foi uma escolha, foi uma danação genética. Mas você?
Nas crônicas reunidas neste volume, Luis Fernando Verissimo escreve sobre impossibilidade, incomunicabilidade e mal-entendidos. Escreve, enfim, sobre a vida.

domingo, 5 de outubro de 2014

Boda de Urna

Poder
domingo, 5 de outubro de 2014
Antonio Prata

Boda de urna

Você tem até as 17h pra decidir se continua casado com a atual, se reata com a ex ou se foge com a amante
Você tem até as cinco da tarde deste domingo pra decidir se continua casado com a atual, se reata com a ex, se foge com a amante ou começa uma nova relação. Complicado, hein, Brasil?
O casamento não tá lá essas coisas, mas vai que é só uma fase? Vai que é possível reacender a velha chama e voltar à época em que, todo dia, era ripa na chulipa e PIB na gorduchinha? Hoje, com o pibinho entre as pernas, você se agarra às memórias. Não são poucas: nestes 12 anos, muita coisa aconteceu. Você conseguiu financiar sua casa (sua vida), seu carro, sua TV de tela plana.
Você está gordo e, no entanto, se sente vazio. Será que as suas expectativas é que eram muito altas? Drummond, janelas sem grades e ressonância magnética ao alcance de todos era uma viagem de LSD? O que você sabe é que esperava bem mais deste longo matrimônio do que a popularização do LCD.
Outro fator que vem minando a convivência é a família da moça. Dos mais próximos você gosta, mas tem uns primos e uns cunhados que são casca-grossa. Quando aparecem prum churrasco ou pro Natal, sempre some cinzeiro, ímã de geladeira, até gasolina do seu carro já levaram.
Eis então que no meio da crise ressurge, repaginada e murmurante, a sua ex: "Volta pra mim, Brasuquinho! Foi aqui que tudo começou! Eu te encontrei na sarjeta, com a poupança ralada, virado no overnight, enchendo a cara de Old Eight com default. Se não fosse eu te tirar do delírio e te trazer pro Real, não tinha casa, carro, tela plana e o escambau!".
De fato, você foi feliz com a ex, no início. Quando a vida estabilizou, houve alguma euforia: comeram frango com iogurte, cantaram axé no videokê. Mas então, em vez de decolar, você estagnou. Faltou um tchan, sei lá. Sem falar que os primos e cunhados da ex tampouco eram flor que se cheire -há rumores de que você só ficou com ela por oito anos porque os aparentados subornaram a ala da família que defendia a alternância do cônjuge, a cada quatro anos.
Por essas e outras, ultimamente, você andava aflito, dilacerado entre o bege do presente e o cinza do passado -e foi aí que apareceu, verde fosforescente, uma amante! Em poucos dias, ela arrebatou seu coração. Prometeu vida nova e um relacionamento sustentável. Vocês poderiam escolher, juntos, os primos e cunhados de quem iriam se aproximar -primos ou cunhados desmatadores ou da indústria armamentista, jamais!
"Que mulher moderna! Que bom que você surgiu!", você comemorou. "Foi a providência divina que me pôs no teu caminho!", ela respondeu -e você estranhou. Então, descobriu que ela ouvia salmos no iPod, era contra a descriminalização do aborto e não apoiaria o casamento gay. Você perguntou se isso era verdade e ela disse que não, era o contrário -depois disse que era o oposto do contrário e, depois, o avesso do oposto do contrário. O verde que, de longe, parecia ser de frescor de perto recendia a mirra. Não era essa, exatamente, a boa nova que você procurava.
Agora você tá aí, indo encontrar as três, juntas, pra escolher uma delas ou apostar numa quarta. Pior é que não pode nem tomar uma cervejinha antes, porque o TSE não quer que você decida, bêbado, com quem vai passar os próximos quatro anos da sua vida.
 Complicado, hein, Brasil?

sábado, 4 de outubro de 2014

PATHWORK

O Pathwork® é um caminho para a autotransformação pessoal e autorrealização espiritual, direcionado às pessoas que buscam um relacionamento mais verdadeiro consigo próprias e com a vida.  Inclui uma compreensão profunda da negatividade pessoal para dissolver velhas crenças, condicionamentos e imagens errôneas. A proposta incentiva a parar de tentar fingir que somos uma imagem idealizada de nós mesmos, a pessoa que pensamos que deveríamos ser. Trata-se de um modo prático, honesto e racional de passarmos de onde estamos para onde queremos estar. Está fundamentado no estudo e na vivência do conjunto de 258 temas sistematizados pela austríaca Eva Pierrakos durante mais de 20 anos de trabalho.

 A primeira fase do trabalho é a abordagem psicológica que lida com as confusões, defesas alienantes, emoções negativas e sentimentos bloqueados. Já o segundo estágio é ativar a consciência maior que habita em cada alma humana. Trata-se de um método psicológico para acessar o Deus Interior por meio do autoconhecimento e da autorresponsabilidade. Para o Pathwork®, espiritualidade é autoconhecimento. 



O conteúdo deste livro foi obtido mediante canais. Seu verdadeiro autor é um ser desencarnado que não atribuiu nenhum nome a si mesmo,e por isso passou a ser conhecido como Guia. Por intermédio de Eva Pierrakos, que pronunciou 258 palestras sobre a natureza da realidade psicológica e espiritual e sobre o processo do desenvolvimento espiritual pessoal.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Amo o que faço?!


Artigo muito interessante.


8 Sinais não tão óbvios de que você realmente ama o que faz
Quando você encontra um trabalho pelo qual se apaixona, existem muitos sinais de que você realmente o ama. Mas encontrar um trabalho que amamos muitas vezes não é fácil. E quando o escolhido começa e nos desafiar, ou quando obstáculos são criados (toda profissão terá) não é fácil saber se realmente estamos fazendo o que gostaríamos.
Encontrar um trabalho pelo qual você é apaixonado é basicamente como se apaixonar por alguém. Você se torna louco por ele, animado e pode sentir que está mudando para melhor. Mas o que acontece quando se torna apenas uma rotina? O novo agora é familiar, e a paixão não está mais brilhando como costumava. Em relacionamentos de longa duração (com uma pessoa ou carreira), em algumas situações, se torna difícil dizer se você quer se manter vinculado a ele em longo prazo. Aqui estão alguns sinais 

Tradução: Júlia Linck Moroni, Medicina Veterinária
1.      Nunca há tempo suficiente para realizar tudo que pretende
Há sempre um fluxo de trabalho chegando, mas você não deixa que isso o paralise.  Há tantas coisas a serem feitas justamente porque você consegue deixar tudo em dia. Você faz o trabalho fluir.  Hemingway sempre parou de escrever quando tinha mais para falar. Era melhor do que escrever até “a chuva secar”, o que significa retomar no próximo dia sem nada pronto para escrever. Esse é você no seu trabalho. Há sempre uma lista do que fazer no dia seguinte.
2.      Você frequentemente foca nos resultados
Sempre haverá tarefas mundanas que precisam ser finalizadas- mesmo quando não queremos ser aquele encarregado por isso. Além disso, é fácil se perder quando não buscamos a conclusão de um trabalho. E mais fácil ainda é estagnar ao perceber o quanto um pequeno projeto pode ser difícil e demorado. Mas quando você ama o que faz você sempre encontra uma maneira de ver o lado bom de cada situação e se lembra de quais são seus objetivos.
3.      Sua frustração nasce de algo que para você não é bom o suficiente
Quando nos importamos com um trabalho que fazemos e algo não atingiu as expectativas, pode ser muito desapontador. Essa frustração surge por querer algo melhor do que temos no presente momento. Aqui está a jogada, você frequentemente tira mais tempo e esforço para alcançar seus objetivos e expectativas, isso porque você está fazendo um trabalho que realmente importa para você. Mesmo que você sinta frustrações, trabalhar buscando o resultado final que você almeja lhe dará uma sensação ainda maior de recompensa quando você chegar lá.
4.      Você fala sobre o seu trabalho durante o café da manhã e jantar
Você não consegue parar de falar sobre os projetos nos quais você está engajado, mesmo que eles possam algumas vezes o frustrar.  Entretanto, queixar-se sobre o seu trabalho não se enquadra nesta categoria. Sempre haverá dias ou mesmo semanas que tudo parecerá estar indo contra você, mas continue falando de seu trabalho em todas estas fases. O trabalho não termina quando você sai pela porta e o dia termina.
5.      Você sente que o dia apenas começou quando de repente é o horário do almoço
Isso já lhe aconteceu? Você realizou algumas tarefas, respondeu alguns emails rápidos, resolveu algumas pendências do dia anterior, e está pronto para seguir trabalhando quando olha no relógio e vê que já é 11:47 da manhã? Como passou tão rápido? Se for fácil para você entrar manter um fluxo de trabalho, significa que você está trabalhando em algo que é perfeito para você.
6.      Você se inspira constantemente com as pessoas a sua volta
As realizações de seus colegas o surpreendem. Você admira tenacidade com que exercem suas funções o e você quer ajudá-los de qualquer maneira. E desta forma, você admira o trabalho que estão exercendo em conjunto. Normalmente, quando estamos nos sentindo bem, podemos ver o bem nos outros. Então, admirar o trabalho dos demais, se origina principalmente, em admirar o seu próprio trabalho também.
7.      Você não se importa ao pensar em trabalho fora do escritório
Você não se culpa por estar pensando no trabalho quando não está lá. Você gosta do que faz, então você também gosta de pensar sobre isso fora do horário de expediente. A partir dessa atitude, encontra a resolução de problemas, debate ideias, e pensa em termos de como algo em sua vida se relaciona com algo referente ao seu trabalho. Como Newton e a maçã, por vezes, suas maiores ideias podem aparecer quando você está longe do escritório.
8.      Você não teme domingo a noite
Para as pessoas que não gostam de seus empregos, cada dia da semana tem certa qualidade. Quarta-feira é meio caminho andado e sexta-feira é o dia mais doce da semana. Muitos sábados são ocupados por uma ressaca, e domingo, bem, mesmo que seja um dia de folga, ele pode parecer um dos mais terríveis, porque mais uma semana de trabalho está chegando. Mas quando você gosta do trabalho, o domingo é um ótimo dia! Assim como a maioria dos outros dias. É sempre tão bom ter tempo para cuidar de nossas casas, passar tempo de qualidade com a família e amigos, ou apenas sair e explorar. Mas quando o domingo finalmente chegou, é quase emocionante poder voltar ao trabalho depois de um fim de semana refrescante.
Adaptado de 8 Not-so-obvious signs you’re actually doing work you love, Renee Masur, Lifehack