segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Novo romance de Francisco Azevedo - Doce Gabito


Todos os temas abordados em Doce Gabito estão ligados a algo maior que, para mim, é o que realmente importa: a família. Família lato e stricto sensu. Os vínculos afetivos que unem as pessoas, dentro e fora de seus lares. Os conflitos e rivalidades que surgem daí. As relações de parentesco e de amizade. O esforço que fazemos para nos comunicar e chegar ao outro, para entendê-lo, sempre influenciados por nossos interesses, afinidades ou antipatias. Essa luta que travamos o tempo todo em nossos diferentes grupos familiares é o que me interessa de fato. Luta que pode estar presente na cidade ou na roça, no morro ou no asfalto, na mesa de acadêmicos ilustres ou na mesa de homens simples em algum bar da periferia. Em qualquer nível social, em qualquer cultura ou canto do planeta, o que me inspira é essa tentativa de nos superarmos e nos aprimorarmos pelo diálogo em família: seja com conhecidos, colegas de trabalho ou amigos. Seja com parentes ou com quem dividimos a cama. Como já disse em O arroz de Palma, família somos todos.
Para mim, García Márquez é inspiração e referência. Inspiração, por seu estilo único de criar, pela forma poética com que combina o mágico e o real. É referência por suas ideias, por sua humanidade. Portanto, decidi homenageá-lo. O curioso, entretanto, é que foi a partir de um poema de Ferreira Gullar, “O duplo”, que encontrei os meios para trazer a figura de García Márquez para o romance. Nesse poema, Gullar nos diz que foi se formando a seu lado um outro que se apossou de tudo o que ele viu e fez e “que pelo país flutua livre da morte e do morto”. O poema, que inseri na íntegra como uma das epígrafes do livro, é a chave para o entendimento da relação que se estabelece entre Gabriela, narradora da história, e seu amigo Gabito.
Palavras do autor Francisco Azevedo 

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