quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Minha Vida em Versão Comédia - Notícias Minhas Parte XIV





Ele amedrontava, sob vários aspectos. Bronco e feio.
Ao sair da garagem , deu marcha à ré e bateu na lateral direita do carro da arquiteta (ou seria design de interiores?!).
Enquanto discutíamos para que o senhor ao menos admitisse a "navalhada", alguém tentou um agrado: pegou a manga solta de sua camisa e auxiliou-o para se recompor...  Que o braço fosse colocado na manga da camisa. E para nossa surpresa o braço não existia. Ex-combatente. De que guerra, era a pergunta.
Um motivo para sermos complacentes? Ou menos um pouco compreensivos? Afinal a marcha à ré sem o braço esquerdo poderia ser um dificultador...  Manter o diálogo civilizado a fim de convencê-lo (e nos poupar de uma surra ou ataque violento) a ressarcir o prejuízo, ratificando o ditado: "quem grita perde a razão".  Confesso que a sensação era de medo, mas do que de justiça.
Independente do desfecho do incidente, me senti obrigada a me mudar. Mudar de apartamento, de endereço. A convivência com meu vizinho (o ex-combatente) tornou-se insustentável. E sabe o que mais me apavorou? Abrir mão dos recém adquiridos móveis. Sim, as estantes novas, planejadas, projetadas e elaboradas pela arquiteta  (a mesma do carro batido).

Muitas vezes digo: "Nem Freud explica!"
Exato. Como explicar a lógica deste pesadelo? Foi, gente, só um pesadelo. Tudo o que contei acima.
Creio que o personagem Cormoran Strike(*), o perfeccionismo para planejar a estante mais funcional, o receio com os gastos e a tensão natural de uma pessoa ansiosa foram o fermento para o pesadelo.
Tudo bem. Cormoran lutou no exército inglês e perdeu uma perna. As estantes são um sonho antigo, pra lá de adiado. A batida pode ser reflexo da minha famosa garagem - estreita. 
E o vizinho com mudança de endereço? 
Uauu! Será que se misturar tudo é fácil me entender? Entender porque ando sumida, introspectiva e mal-humorada?!

(*) O Chamado do Cuco, de Robert Galbraith

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