quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Criança 44



Tom Rob Smith leva o leitor à opressora Rússia de Stalin. Quando o corpo de um menino é encontrado sobre os trilhos de uma ferrovia, o agente Liev Demidov se surpreende ao saber que a família do garoto está convencida de que se trata de assassinato. Os superiores do oficial lhe dão ordens de ignorar o assunto, mas ele está determinado a encontrar a verdade por trás do terrível crime.

Adoreeeeeei! Vale a dica!   ;) 
 
Resenha escrita por Fran Kótipelto em maio 2011

Recentemente eu havia me deparado com aquele que talvez seja um dos principais problemas enfrentados pelas pessoas que são viciadas em livros e que encontram os mesmos em promoções assombrosas em diversos sites pela internet, "quais livros comprar?" Esse era meu problema, minha dúvida, e dramaticamente falando, minha angústia. Depois de passar aproximadamente uma hora procurando que livro comprar para completar o carrinho e finalmente finalizar a compra, depois de quase desistir, eis que encontro por acaso um certo livro chamado "Criança 44", imediatamente cliquei na obra, afim de ler a sinopse e ver melhor a capa que achei muito linda. Fiquei absolutamente encantada pelo enredo, pela capa, pelo preço e não hesitei, mandei o livro pro carrinho imediatamente e considero essa ação uma das melhores escolhas que fiz na vida, não é exagero, nem um pouco, é a pura realidade.

União Soviética. 1953. A mão de ferro de Stalin nunca esteve tão impiedosa, reforçada pela Segurança do Estado – polícia secreta cuja brutalidade não é segredo para ninguém. Em seu governo, o líder soviético faz o povo acreditar que o país está livre de crimes.
Mas quando o corpo de um menino é encontrado nos trilhos de uma ferrovia, Liev Demidov – herói de guerra e agente do Estado – se surpreende ao saber que a família da vítima está convencida de que a criança fora assassinada. Os superiores do oficial ordenam que ignore a suspeita, e ele é obrigado a obedecer. Mas o agente desconfia de que há algo muito estranho por trás do caso.
De uma hora para outra, Liev coloca em dúvida sua confiança nas ações e políticas do Partido. E agora, arriscando tudo, o agente se vê na obrigação de ir atrás do terrível assassino – mesmo sabendo que está prestes a se tornar um inimigo do Estado.

"Criança 44" é um livro brutal, que narra magníficamente a sociedade soviética oprimida por Stalin. A violência,o terror,o desespero a que eram submetidos os cidadãos é vergonhosamente assustador e isso torna impossível que haja alguma tentativa de considerar irrelevante atos tão abomináveis. Um grande exemplo disso é narrado logo no primeiro capítulo da obra, onde Tom Rob Smith narra a fome pavorosa que o governo submeteu aos moradores das fazendas coletivas.

Liev é aquele que pode ser considerado o perfeito soldado soviético, é um idealista que acredita no Estado, no regime e na revolução;e que sempre esteve disposto a cumprir sem questionar todas as ordens que lhe fossem dadas, não se importava em perseguir,prender,torturar e matar,era preciso ser duro com esses párias afinal todas as suas vítimas eram inimigos do sistema e da revolução que ele tanto acreditava,e indubitavelmente eram ameaças à integridade e credibilidade do Estado soviético.

E é movido pela fé inabalável nesse Estado que Liev se descobre "convencendo" um subordinado de que a morte de seu pequeno filho fora um acidente, não um delito. Convencendo-o de que pouco importavam os rumores em torno do acontecido - dando conta, por exemplo, de que o menino fora encontrado nu e com o abdôme dilacerado - pois a palavra do Estado era a lei: em uma sociedade igualitária e fraterna como a soviética, não poderiam existir crimes bárbaros como aquele.

As certezas de Liev, porém, começam a desaparecer sua própria vida se torna alvo do aparelho de repressão soviético, uma máquina muito eficiente quando se tratava de causar terror, dor e morte. Os questionamentos do "cidadão" Liev só aumentam quando o "investigador" Liev é confrontado com outros dois corpos de crianças encontrados nas mesmas condições daquele do filho de seu subordinado. Haveria, então, um assassino à solta? Na União Soviética? Onde todos eram "iguais"? Mas e se tal igualdade, na verdade, não passasse de ilusão?

Tom Rob Smith nos absorve para sua trama com uma habilidade impressionante, e é simplesmente impossível não sentir-se um soviético oprimido e sedento por respostas e justiça, justiça essa que até hoje buscamos,mesmo não estando na União Soviética,mesmo não estando em 1953.E um livro que desperta grandes reflexões, que abre nossos olhos para algo que foi e é real, não deve ser deixado de lado e colocado como opção final de compra em um carrinho de uma livraria online,não deve ser lido por poucos,e nem desacreditado. Ele deve estar sem dúvida alguma na sua estante de favoritos,em suas conversas sobre literatura, política, história, e acima de tudo, em suas conversas sobre a vida.

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