domingo, 31 de agosto de 2014

Mês de setembro tem orquídeas

A natureza é sábia... Todo início de setembro tenho a mais linda vista da minha janela: orquídeas. Exatamente como nos anos anteriores.







sábado, 30 de agosto de 2014

Linguagem coloquial - Eu e Você

Mais um trecho do livro O Arroz de Palma:
Palavras de Antônio:

Tu e você embolados é mistura que muito me agrada. No passado, me incomodava, admito. Mesmo falando sozinho, estranhava a combinação informal. Puro preconceito, reconheço. Fazer o que? Sou do tempo em que teu era teu e seu era seu, tu era tu e você era você. Os dois juntos, nem pensar. Na gramática e na sociedade valia a mesma lei: pessoas diferentes não se misturavam. Era erro de tratamento que dava reprovação, o lápis vermelho não perdoava. Hoje, felizmente, acabou isso, acredito. O tu e o você, pessoas singulares e tão distintas, estão mais ligadas do que nunca, com todo o direito de viverem felizes para sempre.
Pag 331

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Um conto de Drummond

Presépio
Carlos Drummond de Andrade

Dasdores (assim se chamavam as moças daquele tempo) sentia-se dividida entre a Missa do Galo e o presépio. Se fosse à igreja, o presépio não ficaria armado antes de meia-noite e, se se dedicasse ao segundo, não veria o namorado.

É difícil ver namorado na rua, pois moça não deve sair de casa, salvo para rezar ou visitar parentes. Festas são raras. O cinema ainda não foi inventado, ou, se o foi, não chegou a esta nossa cidade, que é antes uma fazenda crescida. Cabras passeiam nas ruas, um cincerro tilinta: é a tropa. E viúvas espiam de janelas, que se diriam jaulas.

Dasdores e suas numerosas obrigações: cuidar dos irmãos, velar pelos doces de calda, pelas conservas, manejar agulha e bilro, escrever as cartas de todos. Os pais exigem-lhe o máximo, não porque a casa seja pobre, mas porque o primeiro mandamento da educação feminina é: trabalharás dia e noite. Se não trabalhar sempre, se não ocupar todos os minutos, quem sabe de que será capaz a mulher? Quem pode vigiar sonhos de moça? Eles são confusos e perigosos. Portanto, é impedir que se formem. A total ocupação varre o espírito. Dasdores nunca tem tempo para nada. Seu nome, alegre à força de repetido, ressoa pela casa toda. "Dasdores, as dálias já foram regadas hoje?" "Você viu, Dasdores, quem deixou o diabo desse gato furtar a carne?" "Ah, Dasdores, meu bem, prega esse botão para sua mãezinha”. Dasdores multiplica-se, corre, delibera e providencia mil coisas. Mas é um engano supor que se deixou aprisionar por obrigações enfadonhas. Em seu coração ela voa para o sobrado da outra rua, em que, fumando ou alisando o cabelo com brilhantina, está Abelardo.

Das mil maneiras de amar, ó pais, a secreta é a mais ardilosa, e eis a que ocorre na espécie. Dasdores sente-se livre em meio às tarefas, e até mesmo extrai delas algum prazer. (Dir-se-ia que as mulheres foram feitas para o trabalho... Alguma coisa mais do que resignação sustenta as donas-de-casa.) Dasdores sabe combinar o movimento dos braços com a atividade interior — é uma conspiradora — e sempre acha folga para pensar em Abelardo. Esta véspera de Natal, porém, veio encontrá-la completamente desprevenida. O presépio está por armar, a noite caminha, lenta como costuma fazê-lo no interior, mas Dasdores é íntima do relógio grande da sala de jantar, que não perdoa, e mesmo no mais calmo povoado o tempo dá um salto repentino, desafia o incauto: "Agarra-me!" Sucede que ninguém mais, salvo esta moça, pode dispor o presépio, arte comunicada por uma tia já morta. E só Dasdores conhece o lugar de cada peça, determinado há quase dois mil anos, porque cada bicho, cada musgo tem seu papel no nascimento do Menino, e ai do presépio que cede a novidades.

As caixas estão depositadas no chão ou sobre a mesa, e desembrulhá-las é a primeira satisfação entre as que estão infusas na prática ritual da armação do presépio. Todos os irmãos querem colaborar, mas antes atrapalham, e Dasdores prefere ver-se morta a ceder-lhes a responsabilidade plena da direção. Jamais lhes será dado tocar, por exemplo, no Menino Jesus, na Virgem e em São José. Nos pastores, sim, e nas grutas subsidiárias. O melhor seria que não amolassem, e Dasdores passaria o dia inteiro compondo sozinha a paisagem de água e pedras, relva, cães e pinheiros, que há de circundar a manjedoura. Nem todos os animais estão perfeitos; este carneirinho tem uma perna quebrada, que se poderia consertar, mas parece a Dasdores que, assim mutilado e dolorido, o Menino deve querer-lhe mais. Os camelos, bastante miúdos, não guardam proporção com os cameleiros que os tangem; mas são presente da tia morta, e participam da natureza dos animais domésticos, a qual por sua vez participa obscuramente da natureza da família. Através de um sentimento nebuloso, afigura-se-lhe que tudo é uma coisa só, e não há limites para o humano. Dasdores passa os dedos, com ternura, pelos camelinhos; sente neles a macieza da mão de Abelardo.

Alguém bate palmas na escada; ô de casa! amigas que vêm combinar a hora de ir para a igreja. Entram e acham o presépio desarranjado, na sala em desordem. Esta visita come mais tempo, matéria preciosa ("Agarra-me! Agarra-me!"). Quando alguém dispõe apenas de uns poucos minutos para fazer algo de muito importante e que exige não somente largo espaço de tempo mas também uma calma dominadora — algo de muito importante e que não pode absolutamente ser adiado - se esse alguém é nervoso, sua vontade se concentra, numa excitação aguda, e o trabalho começa a surgir, perfeito, de circunstâncias adversas. Dasdores não pertence a essa raça torturada e criadora; figura no ramo também delicado, mas impotente, dos fantasistas. Vão-se as amigas, para voltar duas horas depois, e Dasdores, interrogando o relógio, nele vê apenas o rosto de Abelardo, como também percebe esse rosto de bigode, e a cabeleira lustrosa, e os olhos acesos, dissimulados nas ramagens do papel da parede, e um pouco por toda parte.

A mão continua tocando maquinalmente nas figuras do presépio dispondo-as onde convém. Nada fará com que erre; do passado a tia repete sua lição profunda. Entretanto, o prazer de distribuir as figuras, de fixar a estrela, de espalhar no lago de vidro os patinhos de celulóide, está alterado, ou subtraí-se. Dasdores não o saboreia por inteiro. Ou nele se insinuou o prazer da missa? Ou o medo de que o primeiro, prolongando-se, viesse a impedir o segundo? Ou um sentimento de culpa, ao misturar o sagrado ao profano, dando, talvez, preferência a este último, pois no fundo da caminha de palha suas mãos acariciavam o Menino, mas o que a pele queria sentir sentia, Deus me perdoe — era um calor humano, já sabeis de quem.

Aqui desejaria, porque o mundo é cruel e as histórias também costumam sê-lo, acelerar o ritmo da narrativa, prover Dasdores com os muitos braços de que ela carece para cumprir com sua obrigação, vestir-se violentamente, sair com as amigas — depressa, depressa, ir correndo ladeira acima, encontrar a igreja vazia, o adro já quase deserto, e nenhum Abelardo. Mas seria preciso atribuir-lhe, não braços e pernas suplementares, e sim outra natureza, diferente da que lhe coube, e é pura placidez. Correi, sôfregos, correi ladeira acima, e chegai sempre ou muito tarde ou muito cedo, mas continuai a correr, a matar-vos, sem perspectiva de paz ou conciliação. Não assim os serenos, aqueles que, mesmo sensuais, se policiam. O dono desta noite, depois do Menino, é o relógio, e este vai mastigando seus minutos, seus cinco minutos, seus quinze minutos. Se nos esquecermos dele, talvez pule meia hora, como um prestidigitador furta um ovo, mas, se nos pusermos a contemplá-lo, os números gelam, o ponteiro imobiliza-se, a vida parou rigorosamente. Saber que a vida parou seria reconfortante para Dasdores, que assim lograria folga para localizar condignamente os três reis na estrada, levantar os muros de Belém. Começa a fazê-lo, e o tempo dispara de novo. "Agarra-me! Agarra-me!" Nas cabeças que espiam pela porta entreaberta, no estouvamento dos irmãos, que querem se debruçar sobre o caminho de areia antes que essa esteja espalhada, na muda interrogação da mãe, no sentimento de que a vida é variada demais para caber em instantes tão curtos, no calor que começa a fazer apesar das janelas escancaradas — há uma previsão de malogro iminente. Pronto, este ano não haverá Natal. Nem namorado. E a noite se fundirá num largo pranto sobre o travesseiro.

Mas Dasdores continua, calma e preocupada, cismarenta e repartida, juntando na imaginação os dois deuses, colocando os pastores na posição devida e peculiar à adoração, decifrando os olhos de Abelardo, as mãos de Abelardo, o mistério prestigioso do ser de Abelardo, a auréola que os caminhantes descobriram em torno dos cabelos macios de Abelardo, a pele morena de Jesus, e aquele cigarro — quem botou! — ardendo na areia do presépio, e que Abelardo fumava na outra rua.

O texto acima, considerado um dos cem melhores contos brasileiros do século por Ítalo Moriconi, foi extraído do livro "Contos de Aprendiz", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1963, pág. 51.
Conheça o autor e sua obra visitando "Biografias".

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Criança 44



Tom Rob Smith leva o leitor à opressora Rússia de Stalin. Quando o corpo de um menino é encontrado sobre os trilhos de uma ferrovia, o agente Liev Demidov se surpreende ao saber que a família do garoto está convencida de que se trata de assassinato. Os superiores do oficial lhe dão ordens de ignorar o assunto, mas ele está determinado a encontrar a verdade por trás do terrível crime.

Adoreeeeeei! Vale a dica!   ;) 
 
Resenha escrita por Fran Kótipelto em maio 2011

Recentemente eu havia me deparado com aquele que talvez seja um dos principais problemas enfrentados pelas pessoas que são viciadas em livros e que encontram os mesmos em promoções assombrosas em diversos sites pela internet, "quais livros comprar?" Esse era meu problema, minha dúvida, e dramaticamente falando, minha angústia. Depois de passar aproximadamente uma hora procurando que livro comprar para completar o carrinho e finalmente finalizar a compra, depois de quase desistir, eis que encontro por acaso um certo livro chamado "Criança 44", imediatamente cliquei na obra, afim de ler a sinopse e ver melhor a capa que achei muito linda. Fiquei absolutamente encantada pelo enredo, pela capa, pelo preço e não hesitei, mandei o livro pro carrinho imediatamente e considero essa ação uma das melhores escolhas que fiz na vida, não é exagero, nem um pouco, é a pura realidade.

União Soviética. 1953. A mão de ferro de Stalin nunca esteve tão impiedosa, reforçada pela Segurança do Estado – polícia secreta cuja brutalidade não é segredo para ninguém. Em seu governo, o líder soviético faz o povo acreditar que o país está livre de crimes.
Mas quando o corpo de um menino é encontrado nos trilhos de uma ferrovia, Liev Demidov – herói de guerra e agente do Estado – se surpreende ao saber que a família da vítima está convencida de que a criança fora assassinada. Os superiores do oficial ordenam que ignore a suspeita, e ele é obrigado a obedecer. Mas o agente desconfia de que há algo muito estranho por trás do caso.
De uma hora para outra, Liev coloca em dúvida sua confiança nas ações e políticas do Partido. E agora, arriscando tudo, o agente se vê na obrigação de ir atrás do terrível assassino – mesmo sabendo que está prestes a se tornar um inimigo do Estado.

"Criança 44" é um livro brutal, que narra magníficamente a sociedade soviética oprimida por Stalin. A violência,o terror,o desespero a que eram submetidos os cidadãos é vergonhosamente assustador e isso torna impossível que haja alguma tentativa de considerar irrelevante atos tão abomináveis. Um grande exemplo disso é narrado logo no primeiro capítulo da obra, onde Tom Rob Smith narra a fome pavorosa que o governo submeteu aos moradores das fazendas coletivas.

Liev é aquele que pode ser considerado o perfeito soldado soviético, é um idealista que acredita no Estado, no regime e na revolução;e que sempre esteve disposto a cumprir sem questionar todas as ordens que lhe fossem dadas, não se importava em perseguir,prender,torturar e matar,era preciso ser duro com esses párias afinal todas as suas vítimas eram inimigos do sistema e da revolução que ele tanto acreditava,e indubitavelmente eram ameaças à integridade e credibilidade do Estado soviético.

E é movido pela fé inabalável nesse Estado que Liev se descobre "convencendo" um subordinado de que a morte de seu pequeno filho fora um acidente, não um delito. Convencendo-o de que pouco importavam os rumores em torno do acontecido - dando conta, por exemplo, de que o menino fora encontrado nu e com o abdôme dilacerado - pois a palavra do Estado era a lei: em uma sociedade igualitária e fraterna como a soviética, não poderiam existir crimes bárbaros como aquele.

As certezas de Liev, porém, começam a desaparecer sua própria vida se torna alvo do aparelho de repressão soviético, uma máquina muito eficiente quando se tratava de causar terror, dor e morte. Os questionamentos do "cidadão" Liev só aumentam quando o "investigador" Liev é confrontado com outros dois corpos de crianças encontrados nas mesmas condições daquele do filho de seu subordinado. Haveria, então, um assassino à solta? Na União Soviética? Onde todos eram "iguais"? Mas e se tal igualdade, na verdade, não passasse de ilusão?

Tom Rob Smith nos absorve para sua trama com uma habilidade impressionante, e é simplesmente impossível não sentir-se um soviético oprimido e sedento por respostas e justiça, justiça essa que até hoje buscamos,mesmo não estando na União Soviética,mesmo não estando em 1953.E um livro que desperta grandes reflexões, que abre nossos olhos para algo que foi e é real, não deve ser deixado de lado e colocado como opção final de compra em um carrinho de uma livraria online,não deve ser lido por poucos,e nem desacreditado. Ele deve estar sem dúvida alguma na sua estante de favoritos,em suas conversas sobre literatura, política, história, e acima de tudo, em suas conversas sobre a vida.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O Plano Perfeito - um filme e um livro

Quatro pessoas vestidas com uniformes de pintor entram no movimentado banco Manhattan Trust. Em poucos minutos elas controlam o local, para a realização de um assalto planejado em detalhes. Após a notícia do assalto ser divulgada chegam ao local os detetives Keith Frazier (Denzel Washington) e Bill Mitchell (Chiwetel Ejiofor), que têm a missão de fazer contato com o líder dos bandidos, Dalton Russell (Clive Owen). Os detetives trabalham com o auxílio do capitão John Darius (Willem Dafoe) e esperam que a situação seja resolvida rapidamente. Porém eles não contavam com a frieza e inteligência de Russell, que parece estar sempre um passo à frente das ações da polícia. Quando a capacidade de Frazier começa a ser posta em dúvida surge Madeline White (Jodie Foster), uma poderosa jogadora que solicita um encontro particular com Russell.






Para Oliver Russell, não existe prazer que se compare à sensação de poder. Mas quando chegar à Presidência dos Estados Unidos, saberá que poucas coisas podem ser mais devastadoras para as suas ambições políticas que o desejo de vingança de uma mulher traída. O plano perfeito narra a história de paixão, poder, traição e desforra envolvendo a publicitária Leslie Stewart e Russel, que abandonara para se casar às escondidas com a filha de um senador influente do Kentucky, estado pelo qual se candidatou ao governo.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

A Melhor História está por vir

Blanca Perez, a protagonista da história, é uma professora espanhola, recém divorciada, deixada pelo marido por uma mulher mais jovem. Afogada em mágoas, desesperada por uma mudança de ares, ela aceita uma oferta de emprego na Califórnia, sem saber muito bem o que a espera em seu trabalho, aparentemente burocrático, de organizar o legado de um falecido professor espanhol.
Dotada de competência e uma certa indiferença, ela começa a organizar os papéis, ao mesmo tempo em que conhece e faz amizade com algumas novas personalidades locais, como o charmoso Daniel Carter, ex-pupilo do falecido, e figura de extremo prestígio intelectual. Cada vez mais afogada em seu trabalho, porém, começa a descobrir o homem por trás da figura emblemática do professor esquecido e percebe que talvez exista um significado muito mais importante naquilo que está fazendo.
Três vidas notáveis se entrelaçam ao longo do livro com capítulos alternados em primeira e terceira pessoa. Passado, presente, Estados Unidos e terras distantes da Espanha pós guerra, são visitados constantemente, apresentando aos leitores um mix de personagens distintos que tiveram as suas vidas interligadas através da implacável força furtiva, cruel e conciliadora do destino. O talento da autora é perceptível, de outra forma o enredo de Missão Olvido (título original e mais apropriado, na minha opinião), careceria de força suficiente para entreter o leitor, apenas possível pelo background e mãos firmes de uma habilidosa contadora de histórias.
No ano passado li seu primeiro romance O Tempo entre Costuras. Fantáástico!!
Autora: María Dueñas
Editora: Planeta

sábado, 23 de agosto de 2014

O que procuro numa livraria?


Observo em todas, simplesmente todas as livraria que frequento, a escolha dos livros que estão expostos. Vejo se são os mesmos que todas as livrarias destacam ou se se se trata de uma escolha diferente. A disposição de forma "inteligente" pode me convencer a comprar, rs
O

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Posfácio obra de Conn Iggulden

"A maior alegria que um homem pode ter é conquistar seus inimigos e persegui-los. Montar seus cavalos e tomar suas posses, ver o rosto de seus entes queridos cobertos de lágrimas e apertar nos braços suas mulheres e filhas" Gêngis Khan

Os acontecimentos da juventude que criaram Gêngis Khan são uma leitura extraordinária. Pouquíssimos relatos contemporâneos sobreviveram, e até o mais famoso deles, "A história secreta dos mongóis", quase foi perdido. O original encomendado por Gêngis, em sua língua, não sobreviveu aos séculos. Felizmente foi feita uma versão fonética em chinês, e é a partir desse escrito que temos a maior parte do que sabemos sobre Temujin dos borjigin - os lobos azuis. Uma tradução para o inglês, feita por Arthur Waley, tornou-se minha principal fonte para O Lobo das planícies.
Ainda que o significado exato do nome seja questionado, Temujin-Uge foi um tártaro morto por Yesugsei, que então deu ao filho o nome do guerreira derrotado. O nome tem semelhanças com a palavra mongólica para ferro, e este é o significado geralmente aceito, mas pode ser apenas coincidência. Temujin nasceu segurando um coágulo de sangue, o que teria amedrontado as pessoas que procuravam esse tipo de presságio. 
Temujin era alto para um mongol, como "olhos de gato". Mesmo em meio a um povo rijo, ele era conhecido pela capacidade de suportar o calor e o frio, e era indiferente aos ferimentos. Tinha domínio completo do próprio corpo em termos de resitência. Como povo, os mongóis têm dentes e visão excelentes, cabelo preto e pele avermelhada e se acreditam parentes das tribos nativas americanas que atravessaram os estreio de Bering enquanto  este estava congelado, e assim entraram no Alascas há cerca de 15 mil anos. As semelhanças enres esses povos são espantosas.
Na Mongólia atual, a maioria da população ainda caça com arco ou fuzil, cria ovelhas e cabras e revencia os pôneis. Pratica o xamanismo e qualquer local elevado é marcado com pedaçoes de pano azul para homenagear o pai céu. O enterro no céu - isto é , colocar os corpos para serem despedaçados por pássaros selvagens em lugares altos - é como eu o descrevi.
O jovem Temujin foi levado à antiga tribo de sua mãe, os olkunt'ut, para arranjar uma esposa, mas usa mãe, Hoelun, foi tomada do outro mdo de arranjar uma mulher. Yesugei e seus irmãos a sequestraram do marido. Yesugei quase  com certeza foi envenenado por inimigos tártaros, mas os detalhes extatos são escassos. 
Com seu pai morto, a tribo escolheu um novo cã e abandonou Hoeleum e sete filhos, até mesmo Temulun, um bebê. Não inclui um meio-irmão, Begutei, nesta história, já que ele não representou um papel importante e que o original era longo demais ou complexo demais. Eelk é muito mais simples do que "Tarkhurtia-kiriltudh). O mongol não é uma língua fácil de se pronunciar, mas vale mencionar que les não têm o som de "k", de modo que Khan seria dito como "Raan". Kublai Kahn, o neto de Gêngis seria pronunciado como "Rup-Lai Raan". É verdade que Gêngis talvez fosse mais bem grafado como "Tchinggis", mas "Gêngis"é como aprendemos e o que soa bem para mim. 
Não se esperaria que Hoelun e seus filhos sobrevivessem, e é graças a essa mulher extraordinária o fato de mos nenhum deles ter morrido no inverno que se seguiu. Não sabemos exatamente como sobreviveram à fome e à temperaturas que chegavam a vinte graus negativos, mas a morte de Bekter mostra como chegaram ao limite naquele período. Dito isso, meu guia na Mongólia dormia com seu dil, em temperaturas muito baixas, de modo que o cabelo estava grudado no chão congelado, ao acordar. É um povo duro, e até hoje pratica três esportes: luta, arco e montaria, excluindo todo o resto.
Temujin matou Bekter mais ou menos como descrevi, mas foi Khasar, e não Kachiun, que disparou a segunda flecha. Depois de Bekter roubar comida, os dois garotos o emboscaram com arcos. Para entendermos esse ato, acho que primeiro deve ser necessário ver nossa família passar fome. A Mongólia é uma terra que não perdoa. O menino Temujin nunca foi cruel, e não há qualquer registro de ele jamais sentir prazer na destruição dos inimigos, mas era capaz de ser absolutamente implacável.
Quando a tribo mandou homens de volta para ver o que acontecera com a família abandonada, estes encontraram resistência feroz e flechas disparadas pelos irmãos. Depois de uma perseguição, Temujin se escondeu no fundo de um matagal durante nove dias sem comida, antes que a fome acabasse obrigando-o a sair. Foi capturado, mas escapou e se escondeu num rio. A margem de gelo azul que descrevi não está em A história secreta, mas vi uma coisa assim nas minhas viagens pela Mongólia. Mudei o nome do homem que viu na água e não o entregou - de Sorkhansira para Basan. Foi Sorkahnsira que escondeu Temujim em sua iurta. Quando a busca fracassou, Sorkhansira lhe deu uma égua cor de alcaçuz com boca barnca, comida, leite e um arco com duas flechas, antes de mandá-lo de volta à sua família. 
A esposa de Temujin, Borte, foi roubada pela tribo merkit, e não pelos tártaros, como descrevi. Ele foi ferido durante o ataque. Ela ficou desaparecida por alguns meses, e não dias. Em resultado, a paternidade do primeiro filho, Jochi, jamais foi totalmente garantida E Temujin nunca aceitou completamente o garoto. Na verdade, foi porque seu segundo filho, Chagatal, recusou-se a aceitar Jochi como sucessor do pai, que mais tarde Gêngis nomeou o terceiro filho, Ogedal, como herdeiro.
O canibalismo, no sentido de comer o coração de um inimigo, era raro, mas não totalmente desconhecido entre as tribos da Mongólia. De fato, a melhor parte da marmota, o ombro, era conhecida como "carne humana". Neste sentido, também, há um elo com as práticas e crenças de tribos nativas americanas.
Togrul dos Keraites de fato recebeu a promessa de um reino no norte da China. Ainda que a princípio ele tenha sido mentor do jovem guerreiros, passou a temer a súbita ascensão de Temujin ao poder e fracassou numa tentativa de mandar mata-lo, rompendo a regra básica das tribos, de que um cã deve ser bem-sucedido. Togrul foi forçado ao banimento e morto pelos naimanes, aparentemente antes de o reconhecerem.
O fato de ser traído por aqueles em quem confiava parece ter incendiado um fagulha de vingança em Temujin, um desejo de poder que nunca o abandonou. Suas experiências de infância criaram o homem que ele se tornaria, que não se debraria nem permitiria o medo ou que fraqueza de qualquer forma. Não se importava com posses ou riquezas, só com o queda de seus inimigos.
O arco mongol de curva dupl e como eu descrevi, com um força de retesamento maior do que o arco longo inglês, que foi tão bem-sucedido dois séculos depois contra armaduras. A chave para a força é a forma laminada, com camadas de chifre fervido e tendões sobre a madeira. A camada de chifre fica na face interna, já que o chifre resiste à compressão. A camada de tendões fica na face externa, já que o chifre resiste à expansão. Essas camadas, grossas como um dedo, acrescentam força à arma até o ponto em que retesá-la é equivalente a levantar dois homens no ar pois dois dedos - a pleno galope. As flechas são feitas de bétula. 
O uso do arco foi o que deu a Gêngis Khan seu império - isso e sua incrível capacidade de manobra. Seus cavaleiros moviam-se muito mais rápido que as colunas blindadas modernas e por longos períodos; podiam sobreviver com um mistura de sangue e leite de égua, sem precisar de linhas de suprimentos. 
Cada guerreiro levava dois arcos, com trinta a sessenta flechas em duas aljvas; uma espada, se tivesse; um machado e um lima de ferro para afiar as pontas das flechas - presa à aljava. Além de armas, levava um laço de crina, uma corda, uma sovela para fazer buracos em couro, agulha e linha, uma panela de ferro, dois odres de couro para água, quatro quilos e mio de coalhada dura, para comer cerca de duzentos gramas por dia. Cada unidade de dez homens tinha uma iurta sobre uma montaria de reserva, de modo que era totalmente auto-suficiente. Se tivessem carne de carneiro seca, tornavam-na comestível amanciando-a sob a sela de madeira durante dias sem fim. É signficativo que a palavra em mongol para "pobre" seja formada pelo verbo "andar" ou "caminhar". 
Uma história que não usei é a de sua mãe, Hoelun, ter mostrado aos filhos como uma flecha podia ser partida, ao passo que um feixe delas se tornava resistente - a clássica metáfora para a força da união.
A aliança de Temujin com Togrul dos keraites lhe permiteiu transformar seus seguidores num grupo de ataque bem-sucedido sob a proteção de um cã poderoso. Se ele não tivesse passado a ver os jin como controladores de seu povo por mil anos, poderia ter permanecido como um fenômeno local. Mas, como aconteceu, teve a visão de uma nação que abalaria o mundo. As incríveis habilidades marciais das tribos mongóis sempre foram desperdiçadas umas contra as outras. A partir do nada, rodeado de inimigos, Temujim ascendeu para unir todas elas. 
O que viria em seguida sacudiria o mundo.
Conn Iggulden  

Autora sueca Kristina Ohlsson

Sinopse - Indesejadas - Fredrika Bergman & Alex Recht - Livro 01 - Kristina Ohlsson

Crimes brutais marcam um verão sueco. Suécia, meados de um verão chuvoso. O inspetor Alex Recht e sua equipe, auxiliada pela analista criminal Fredrika Bergman, começam a investigar o que parece ser um caso clássico de disputa familiar pela guarda de uma criança. No entanto, quando a menina é encontrada morta no extremo norte da Suécia, com a palavra “indesejada” escrita na testa, o caso se transforma rapidamente no pior pesadelo da equipe de investigadores. 
“Ohlsson sem dúvida vai se juntar a Jo Nesbø na maioria das listas de leitura obrigatória da literatura policial escandinava.” Booklist (EUA) 
“De escrita elegante e com um grupo de detetives extremamente humanos, a trama de Indesejadas entra no nosso inconsciente do jeito que só os bons thrillers são capazes.” Daily Mail (Reino Unido) 
“Prosa, trama e caracterização impressionantes… Os leitores vão ficar ansiosos para continuar na companhia da intrigante protagonista Fredrika Bergman.” Publishers Weekly (EUA)

Indesejadas é o primeiro livro da série Fredrika Bergman & Alex Recht.

Opinião de Dani Kaulitz no site Skoob:
 
Indesejadas - Tensão, Suspense e tudo mais que é necessário para um bom policial.
Sempre fui muito fã de estórias policiais. Adoro acompanhar investigações, tentar descobrir as soluções de crimes junto com os personagens. Por isso, não hesitei em escolher Indesejadas. 
Em Indesejadas, O verão de Estocolmo sempre será marcado por algo terrível: Durante uma simples viagem de trem, uma criança, Lilian Sebastiansson desapareceu. 
Não há pistas, não há nenhum vestígio de quem a sequestrou e porquê. Então, cabe á equipe de Alex Recht desvendar este mistério e descobrir quem é o criminoso por trás.
Primeiro, gostaria de ressaltar que a sinopse contém um Spoiler. Como todos podem ler, é dito que "(...) No entanto, quando a menina é encontrada morta no extremo norte da Suécia, com a palavra “indesejada” escrita na testa, o caso se transforma rapidamente no pior pesadelo da equipe de investigadores."
Ok, por causa desta frase, você pode imaginar que este fato, de a menina ser encontrada morta com a palavra Indesejada escrita em sua testa, é um fato inicial, que desencadeia a estória. No entanto, não é. Vou explicar melhor: Acontece que esta simples frase entrega que a criança não será encontrada pelos policias com vida. Então, é um spoiler, visto que, no livro, somente na página 143 ou 144 que os policiais descobrem a criança morta. Então, quem está lendo o livro sem ter lido a sinopse (o que acho bem difícil de acontecer), vai descobrindo junto com os policiais que, então eles estavam desesperados procurando Lilian ela já está morta. Assim, quem leu a sinopse, como eu, recebeu spoiler. Sinceramente, eu imaginava, durante a leitura, que a equipe de Alex iria encontrá-la de alguma forma com vida, mas depois caí na real e me lembrei de que a sinopse contava claramente que ela seria encontrada morta. Então, achei uma falha muito grave incluir essa revelação na sinopse.
Porém, isso não fez com que eu diminuísse sequer uma estrela da leitura, pois o livro soube me prender e surpreender como um bom romance policial deve. Mas não falarei mais sobre o enredo, pois os próximos acontecimentos você deve descobrir durante a leitura.
Acompanhar a leitura foi o máximo, pois eu me pegava querendo desvendar cada pista junto aos personagens. Vários momentos de tensão acompanharam a trama, que se desenvolveu não só no desaparecimento de Lilian como em outros crimes brutais. A leitura soube me prender até a última linha.
Outra coisa que achei bem diferente, no entanto, positiva, foi o fato de a autora construir para cada policial encarregado de investigar os crimes uma personalidade única. Algumas vezes, foi "cortado" o momento de tensão e suspense para se iniciar, no novo capítulo, um pouco sobre a vida do outro investigador, deixando o leitor curioso. Pode parecer, sabendo disso, que a leitura acaba "escorregando" pelo caminho errado, mas, ao contrário! Essa descrição da personalidade de cada um criou o efeito de personagens realmente reais - com problemas, medos, inseguranças - que, pelo meu visto, me cativou e fez com que eu passasse a torcer e distinguir cada um. Essa distinção de personalidades, também, me fez refletir um pouco sobre o trabalho dos policiais e o quanto deve ser difícil, com tanta pressão.
Finalizo com a opinião de que a leitura foi ótima, soube prender e manter a curiosidade o tempo todo. Não retiraria uma única palavra dos textos, o livro todo ficou ótimo e com informações ótimas, bem escritas. Uma leitura pesada? Sim, mas que os adoradores de policiais irão amar. Favoritei, um dos melhores policiais que já li.
 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Minha Vida em Versão Comédia - Notícias Minhas Parte XIV





Ele amedrontava, sob vários aspectos. Bronco e feio.
Ao sair da garagem , deu marcha à ré e bateu na lateral direita do carro da arquiteta (ou seria design de interiores?!).
Enquanto discutíamos para que o senhor ao menos admitisse a "navalhada", alguém tentou um agrado: pegou a manga solta de sua camisa e auxiliou-o para se recompor...  Que o braço fosse colocado na manga da camisa. E para nossa surpresa o braço não existia. Ex-combatente. De que guerra, era a pergunta.
Um motivo para sermos complacentes? Ou menos um pouco compreensivos? Afinal a marcha à ré sem o braço esquerdo poderia ser um dificultador...  Manter o diálogo civilizado a fim de convencê-lo (e nos poupar de uma surra ou ataque violento) a ressarcir o prejuízo, ratificando o ditado: "quem grita perde a razão".  Confesso que a sensação era de medo, mas do que de justiça.
Independente do desfecho do incidente, me senti obrigada a me mudar. Mudar de apartamento, de endereço. A convivência com meu vizinho (o ex-combatente) tornou-se insustentável. E sabe o que mais me apavorou? Abrir mão dos recém adquiridos móveis. Sim, as estantes novas, planejadas, projetadas e elaboradas pela arquiteta  (a mesma do carro batido).

Muitas vezes digo: "Nem Freud explica!"
Exato. Como explicar a lógica deste pesadelo? Foi, gente, só um pesadelo. Tudo o que contei acima.
Creio que o personagem Cormoran Strike(*), o perfeccionismo para planejar a estante mais funcional, o receio com os gastos e a tensão natural de uma pessoa ansiosa foram o fermento para o pesadelo.
Tudo bem. Cormoran lutou no exército inglês e perdeu uma perna. As estantes são um sonho antigo, pra lá de adiado. A batida pode ser reflexo da minha famosa garagem - estreita. 
E o vizinho com mudança de endereço? 
Uauu! Será que se misturar tudo é fácil me entender? Entender porque ando sumida, introspectiva e mal-humorada?!

(*) O Chamado do Cuco, de Robert Galbraith

Leitura de emocionar

Trecho do livro O Arroz de Palma:
Antônio e Isabel estão no Central Park em NY sentados admirando os transeuntes. Vieram visitar seus filhos Nuno e Rosário.
Quem eu crescer quero escrever como Francisco Azevedo... Reescrever, acrescentar nos entrelinhas!

(...) De repente, surgido assim do nada, um negro alto, envergando impecável paletó de antílope, passa pelos jovens e continua devagar em nossa direção. Traz com ele dois ou três livros. Professor, talvez. Agora, de onde está, noto que tem carisma, presença e feições de guerreiro bíblico. Com naturalidade, mantém o olhar - olhar franco, direto, que inspira confiança. Isabel vira a página da revista, muda espontaneamente a atenção para o que está em volta. Dá com ele já bem próximo. Gesto gratuito, de lá e de cá, não sei por que cargas d'água, nos cumprimentamos com amáveis sorrisos. Não sorrisos rotineiros, como se nos conhecêssemos, não. Sorrisos surpresos, sim, dos que, de algum modo, se reconhecem. Afinidade de almas. Sinto vontade de convidá-lo a ser sentar conosco. Por pudores antigos, não ouso. Se fôssemos crianças... 
(...)
Rosário está apaixonadíssima. O quê?! Rosário apaixonadíssima?! Custo a crer.
- Sério! Um brasileiro, dez anos mais novo que ela. Muito legal, ele. Mas não diz que te contei. Ela vai ficar uma arara se souber que eu estraguei a novidade.
- Alguma semelhança como brucutu?
- Não!!! Pelo amor de Deus! Nada a ver! O Damião é um gentleman.
- Damião? Belo  nome.
- É, Damião. Está fazendo pós-graduação em Administração de Empresas. Em Yale, tá bem?
- Minha filha, 39 anos, apaixonada... E por um homem bem mais jovem... Damião...Ora veja só!
- Confesso que também me espantei. Mas fico feliz por ela, sabe? Rosário estava precisando de um novo amor. E lhe digo, meu pai, esse veio para valer. 
Não me esqueço do arremate nem do entonação do Nuno. Bruxo. Quando mexe o caldeirão desata a ver coisas do arco da velha. 'E lhe digo, meu pai, esse veio para valer". E veio. Como veio! Agora, aqui nesta cozinha, tantos anos depois, ainda sinto na pele o susto que Isabel e eu levamos quando Rosário nos apresentou o falado Damião.Não sei se susto. Talvez, mais emoção que susto. Uma emoção boa, um não entender admirado e confortável, um sentimento de gratidão à vida, tudo perfeitamente misturado pelo Deus do azul ou seja lá Quem, assim maiúsculo. Antes do aperto de mão, o aperto no coração pelo encontro, ou melhor, pelo reencontro. Pelo mistério que ali, naquele instante se tornava maior.
- Pai, mãe, esse é o Damião.
- Nós já nos conhecemos, minha filha.
- Como assim?!
- É verdade, Rosário. Seus pais e eu já nos conhecemos. 
Um nós na garganta me vem. Teatral, exagero. 
- Estivemos juntos há alguns dias. No Central Park!
Isabel, curiosa, riso materno, é mais precisa.
- Juntos, não digo. Mas bem próximos, pelo menos. Nos cumprimentamos até.
Isabel toma a iniciativa de lhe beijar o rosto, feito filho. Eu, totalmente envolvido pelo mistério, aperto-lhe a mão com força de um engate de vagões de trem. Ele corresponde. O encaixa convicto das mãos nos mata saudades ancestrais e desconhecidas. Com sisos de nervosismo sincero e infantil, ficamos os dois a balançar demoradamente os braços, mãos perfeitamente conectadas, amigas de longa data. Será?

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Trilogia Millennium – Stieg Larsson


 
Noomi Rapace é uma atriz sueca. Ela é mais conhecida por sua interpretação de Lisbeth Salander nas adaptações dos filmes sueco-dinamarquês da série Millennium: Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, A Menina Que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar. Em 2011 interpretou Madame Simza Heronin em Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras; e em 2012 protagonizou Prometheus, filme de ficção-científica do diretor Ridley Scott, como Elizabeth Shaw.

 

 

1º Livro da Série Trilogia Millennium – Stieg Larssom

Livro 1 - Os Homens que Não Amavam as Mulheres - Stieg LarssomTítulo Nacional: Os Homens que não Amavam as Mulheres Ano de Lançamento: 2008 Número de Páginas: 528 páginas Editora: Companhia das Letras Tradutor: Paulo Neves
Título Original: Män som hatar kvinnor (Suécia) Ano de Lançamento: 2005 (Suécia) Número de Páginas: 567 páginas (Suécia) Editora: Norstedts (Suécia)

Sinopse: Primeiro volume de trilogia cult de mistério que se tornou fenômeno mundial de vendas, Os homens que não amavam as mulheres traz uma dupla irresistível de protagonistas-detetives: o jornalista Mikael Blomkvist e a genial e perturbada hacker Lisbeth Salander. Juntos eles desvelam uma trama verdadeiramente escabrosa envolvendo a elite sueca.

2º Livro da Série Trilogia Millennium – Stieg Larssom

Livro 2 - A Menina que Brincava com Fogo - Stieg LarssomTítulo Nacional: A Menina que Brincava com Fogo Ano de Lançamento: 2009 Número de Páginas: 608 páginas Editora: Companhia das Letras Tradutor: Dorothée de Bruchard
Título Original: Flickan som lekte med elden (Suécia) Ano de Lançamento: 2006 (Suécia) Número de Páginas: 631 páginas (Suécia) Editora: Norstedts Förlag (Suécia)

Sinopse: Lisbeth Salander é acusada de triplo assassinato, e a polícia está em seu encalço. A jovem hacker é esquiva, egoísta e pode ser muito violenta quando provocada. Mikael Blomkvist, editor-chefe da revista Millennium, sabe muito bem disso. Mas, ao contrário do restante da imprensa, que não se acanha em crucificá-la, ele acredita na inicência da moça. Para ele, os homicídios relacionam-se a uma série de reportagens que a Millennium pretendia publicar sobre o tráfico de mulheres provenientes do Leste Europeu. Um esquema de corrupção cujos tentáculos alcançam promotores, juízes, policiais e jornalistas. Lisbeth livrou Mikael da morte dois anos antes. Agora ele tem como retribuir.

3º Livro da Série Trilogia Millennium – Stieg Larssom

Livro 3 - A Rainha do Castelo de Ar - Stieg LarssomTítulo Nacional: A Rainha do Castelo de Ar Ano de Lançamento: 2009 Número de Páginas: 688 páginas Editora: Companhia das Letras Tradutor: Dorothée de Bruchard
Título Original: Luftslottet som sprängdes (Suécia) Ano de Lançamento: 2007 (Suécia) Número de Páginas: 703 páginas (Suécia) Editora: Norstedts Förlag (Suécia)

Sinopse: Neste terceiro e último volume da série, grande parte dos segredos é desvendada, e Lisbeth Salander agora conta com excelentes aliados. O principal é Mikael Blomkvist, jornalista investigativo que já desbaratou esquemas fraudulentos e solucionou crimes escabrosos. No mesmo front estão ainda Annika Giannini, irmã de Mikael, advogada especializada em defender mulheres vítimas de violência, e o inspetor Jan Bublanski, que segue sua própria linha investigativa, na contramão da promotoria.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Thiago Soares bailarino brasileiro


Thiago Soares e Marianela Nuñez em "Diamonds", de George Balanchine, em 2011. - See more at: http://br.blouinartinfo.com/news/story/936779/bailarinos-thiago-soares-e-marianela-nunez-estrelam#sthash.DWOxH12z.dpuf

                               Thiago Soares e Marianela Nuñez em "Diamonds", de George Balanchine, em 2011
Thiago Soares e Marianela Nuñez em "Diamonds", de George Balanchine, em 2011. - See more at: http://br.blouinartinfo.com/news/story/936779/bailarinos-thiago-soares-e-marianela-nunez-estrelam#sthash.DWOxH12z.dpuf
Thiago Soares e Marianela Nuñez em "Diamonds", de George Balanchine, em 2011. - See more at: http://br.blouinartinfo.com/news/story/936779/bailarinos-thiago-soares-e-marianela-nunez-estrelam#sthash.DWOxH12z.dpuf

Thiago Soares, um talento brasileiro que quebrou barreiras, geográficas e culturais, para conquistar o cobiçado posto de primeiro bailarino do Royal Ballet de Londres, a tradicionalíssima companhia de dança londrina. Lá, Thiago interpreta os principais papéis masculinos de produções clássicas, como Sigfrid em “O Lago dos Cisnes”, Romeu em “Romeu e Julieta” e Conde Albrecht em “Gisele”. 
Nascido em uma família de classe média baixa de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Thiago conta que passou por problemas financeiros na infância e precisou morar com uma tia em um bairro da zona norte da cidade. Influenciado pelo irmão, o menino decidiu se juntar a um grupo de Hip Hop. Quando recebeu uma proposta para dançar balé, viu sua vida mudar. “A dança era a minha salvação, sempre foi”, lembra Thiago.
Thiago revela o momento em que precisou tomar a decisão mais importante de sua carreira: trocar a posição de principal bailarino do Theatro Municipal do Rio de Janeiro por uma oportunidade no tradicional Royal Ballet em Londres. Mesmo tendo que recomeçar a carreira pelo corpo de baile, o bailarino não se intimidou: fez as malas e passou quatro anos interpretando papéis secundários até conseguir ser o grande destaque da companhia londrina. "No Brasil, eu era sempre o príncipe, o rei, estava na frente. Lá, fui obrigado a ver o balé por outro ângulo. Fui para o fim da fila. Tirei a mochila da estrela e recomecei", conta.
Entrevistado por Roberto D'Avila em 08 de agosto.