sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Geração Editorial e a tática Black Bloc

Gostei desta editora...

Mascarados: A verdadeira história dos adeptos da tática Black Bloc
Autores: Esther Solano,  Bruno Paes Manso e Willian Novaes
Gênero: Jornalismo Acabamento: Brochura Formato:  16x23cm Págs: 336 Peso: 505g ISBN:  978-85-8130-279-9 Preço: 34,90 R$


Sinopse:
A verdadeira história de como e porque os black blocs invadiram as ruas e o que isso significa para o Brasil. Uma invasão inusitada surpreendeu São Paulo em junho de 2013:  misturados aos ingênuos manifestantes que reclamavam de tarifas de transportes,  mascarados quebravam portas de bancos e enfrentavam com violência  a própria polícia. Quem eram eles? Mascarados — a verdadeira história dos adeptos da tática Black Bloc leva o leitor para dentro das manifestações que tiraram o sono das autoridades do Brasil. Além disso, desmistifica os (pre) conceitos que surgiram desde as primeiras cenas de violência. Preconceitos reforçados pelo noticiário quase sempre  parcial e focado na espetacularização da notícia. Com entrevistas de ativistas, realizadas no calor das manifestações, a pesquisadora, socióloga e professora da Unifesp Esther Solano Gallego entrou no mundo, na cabeça e no cotidiano dos jovens protagonistas das cenas de selvageria que assustaram a cidade. Desse contato  merge a visão que os adeptos do Black Bloc têm de nosso país, da sociedade, das autoridades e de si mesmos. A pesquisa é reforçada pela narrativa do jornalista Bruno Paes Manso, que relata como passou a entender o raciocínio desse grupo ao longo da cobertura jornalística feita  para o jornal O Estado de S. Paulo. Na terceira e quarta partes, por meio de diferentes relatos dados ao jornalista Willian Novaes, o livro dá a palavra a adeptos da tática que mostram as origens distintas dos membros do Black Bloc e, também, o discurso convergente contra o sistema político-social vigente no país e a versão do coronel da PM que foi agredido pelos mascarados.
——————————————————————————–

Mascarados revela quem são, o que pensam e o que queriam os
Black Blocs

Baderneiros, desocupados, filhinhos de papai, bandidos — estes e outros adjetivos menos elegantes estiveram na ponta da língua de muita gente para definir os adeptos da tática Black Bloc, que, a partir de junho de 2013, invadiram as ruas com suas manifestações violentas e, para alguns, selvagens. Assim foram rotulados os jovens mascarados e vestidos de preto que estilhaçaram as fachadas de vidro de agências bancárias, depredaram e incendiaram lixeiras, destruíram pontos de ônibus e enfrentaram a Polícia Militar com pedradas e até garrafas incendiárias.
Mascarados – a verdadeira história dos adeptos da tática Black Bloc,  (336 páginas, R$ 34,90) – publicado pela Geração Editorial é do 12º livro-reportagem da coleção História Agora, a mais polêmica do mercado editorial brasileiro, com obras como A Privataria Tucana, A Outra História do Mensalão, Segredos do Conclave e O Príncipe da Privataria -revela outra realidade, bem mais complexa. Pela visão da pesquisadora, socióloga e professora da Universidade Federal de São Paulo — Unifesp, Esther Solano Gallego, e pelos relatos do jornalista Bruno Paes Manso e dos próprios Black Blocs, e de um coronel da PM agredido pelos mascarados, entrevistados pelo jornalista Willian Novaes, lança-se uma nova luz sobre o assunto.
A verdade é um poliedro, diz a introdução do livro, para definir as diversas maneiras como podem ser vistos os jovens que levaram as autoridades a perder o sono desde o início das manifestações. A professora mostra que por trás da selvageria há uma mensagem — a voz do povo cansado da opressão a que é submetido no dia a dia. Para eles, revela Esther Solano Gallego, a violência do quebra-quebra é apenas jogo de cena se comparado às milhares de mortes, muitas delas tendo policiais como autores, que acontecem todo ano no Brasil — violência estatal que vitima principalmente os jovens das regiões mais afastadas, onde o Poder Público chega somente, ou principalmente, como repressor e nunca, ou raramente, como provedor de bem-estar e desenvolvimento.
Para chegar ao fundo da alma Black Bloc, Esther acompanhou os protestos protagonizados pelo grupo in loco, correndo o risco de ser atingida por bombas ou pedradas. Muitas vezes eram mais de seis horas acompanhando as manifestações. E ali mesmo ela entrevistava os ativistas, procurando entender a mente daqueles jovens e a nova realidade que se apresentava nas ruas de São Paulo e do Brasil.
O aprendizado de Esther foi o mesmo vivido pelo jornalista Bruno Paes Manso, um dos escalados pelo jornal O Estado de S. Paulo para cobrir a onda de protestos violentos. Bruno, enquanto descreve o que viu, revela também o que aprendeu com o Black Bloc. Iniciou a cobertura jornalística com uma visão do movimento e saiu com outra. Se não aprova a tática, pelo menos não a classifica como coisa de vândalo ou desocupado. A narrativa do jornalista mostra como, a cada protesto, sua visão sobre os jovens mascarados foi mudando e como ganharam o seu respeito.
Por fim, uma entrevista com Reynaldo Simões Rossi, coronel da PM, ferido em uma manifestação, e a visão dos próprios Black Blocs, contadas pelo jornalista Willian Novaes, por meio da história dos personagens que protagonizaram um ano de cenas de violência com o único objetivo de serem enxergados pela sociedade e, muito mais que isso, de transmitirem — talvez de uma maneira torta e equivocada — suas reivindicações de maior justiça social e fim das perseguições aos integrantes das camadas mais baixas da sociedade.
Fotógrafos na linha de frente
Como um dos mascarados disse que eles não fazem violência mas sim teatro, a obra é ilustrada com dezenas de imagens espetaculares de vários fotógrafos que estiveram na linha de frente, sem medos e correndo riscos de serem feridos, com a proposta de registrar o momento histórico. Entre eles estão André Guilherme, Eli Simioni, Filipe Mota, Mídia NINJA, Tarek Mahammed / Fotógrafos Ati vistas, Wesley Barba e Wesley Passos. Todos cederam os direitos das imagens para a publicação.
Histórias reais — assim se faz o bom jornalismo — mostram o jovem que já se acostumara a enfrentar policiais militares e é retirado de um acampamento pela mãe, como se fosse um menino travesso. Ou de outro, herdeiro de família quatrocentona e empresário bem-sucedido, que acabou aderindo ao movimento quando foi dar uma lição de moral em um dos jovens e ouviu verdades que o comoveram. A carioca que vive pela causa e por isso é perseguida pela Polícia Militar e também pela milícia e que recebeu elogios do cantor Caetano Veloso em artigo publicado no jornal O Globo. Também tem o garoto homossexual da periferia de São Paulo que coordena as redes sociais do grupo, ou o adolescente apelidado de Mini Punk entre os seus pares.  Histórias de jovens que dificilmente vão mudar o Brasil com o que chamam de “ação direta”, mas que afinal conseguiram dar um recado às autoridades e trazer para a realidade do cotidiano da classe média a violência de que são vítimas.
“Os jovens que estão nas ruas merecem o respeito de serem tratados como atores políticos consequentes — e nossa indignação precisa estar orientada para a verdadeira violência, aquela que agride  manifestantes pacíficos e faz desaparecer Amarildos. Afinal, vidas devem valer muito mais do que vidraças”, afirma Pablo Ortellado, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, no posfácio do livro.
Assista o booktrailer – aqui
Sobre os autores:
Bruno Paes Manso, formado em economia (USP) e jornalismo (PUC-SP), trabalhou por dez anos como repórter no jornal O Estado de S. Paulo. Também atuou na Revista Veja, Folha da Tarde e Folha de S. Paulo. Esther Solano, doutora em Ciências Sociais pela Universidade Complutense de Madri, é professora de Relações Internacionais da Unifesp. Willian Novaes, jornalista, trabalhou nas redações de IstoÉ, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC. Atualmente é diretor da Geração Editorial.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Cartas da Humanidade


Cartas da Humanidade
Tradução e compilação:
Márcio Borges
Gênero: História Acabamento: Flexível Formato:  17x24cm Págs: 468 Peso: 630g ISBN: 978-85-8130-215-7 Preço: R$ 59,90



Sinopse: 
DE ZARATUSTRA A BARACK OBAMA, CARTAS ESSENCIAIS PARA A COMPREENSÃO DA HUMANIDADE
Em caracteres cuneiformes, pergaminhos, papéis diversos, e-mails, dos mais remotos desertos antigos às mais povoadas metrópoles contemporâneas, a humanidade vem trocando cartas e deixando suas mensagens, sem saber se durarão ou não, com os recursos disponíveis. CARTAS DA HUMANIDADE é uma compilação impressionante desses documentos. Passando por religiões, artes, ciências, romances célebres, declarações de grandes reis, estadistas e presidentes, conflitos, intrigas palacianas, prenúncios de golpes de estado e guerras, frases preconceituosas e outras tantas curiosidades, o livro vai de Zaratustra, em documento do livro sagrado do Zoroatrismo de 6000 A.C, até uma Carta Aberta ao Povo de Illinois, escrita por Barack Obama em 2008, passando por documentos de grandes nomes como Einstein, Orson Welles, Marilyn Monroe, Che Guevara, Lenin, Fernando Pessoa, Getúlio Vargas, Jânio Quadros e Juscelino Kubitschek, entre muitos outros. Um livro precioso para quem ama guardar documentos que sempre terão ressonância no interior de cada um de nós.
—————————————————————————
UM COMPÊNDIO DAS CONTRADIÇÕES HUMANAS EM DECLARAÇÕES QUE VÃO DA RELIGIÃO À INTRIGA
O ser humano, mais que qualquer outro animal, é marcado por uma grande necessidade de comunicação. Por isso sempre produziu, desde suas primeiras pegadas na Terra, documentos de declaração a outras pessoas, em circunstâncias históricas diferentes e sob as mais diferentes pressões. Essas declarações, ainda que nascessem de uma necessidade circunstancial e provisória, devido à passagem do tempo passaram a ter importância histórica; e não só para arqueólogos, mas também para estudiosos do comportamento humano, das artes, da política, da psicologia e da sociologia. Somos movidos por essa necessidade de comunicação, que nos faz emitir sentenças duvidosas ou grandiosas, conforme o giro da história e a avaliação da posteridade – mas esta ressonância futura não podemos prever, humanos e passageiros como somos.
Cartas da humanidade, em tradução e compilação de Márcio Borges (494 páginas, Geração Editorial), com base em documentação extraída de jornais, revistas, livros e Internet, começa com um documento importante sobre o Bem e o Mal segundo a visão de Zaratustra, sábio do Zoroatrismo, uma das primeiras religiões da humanidade, em 6000 a.C. Todos sabem quem foi o Zaratustra de Nietzsche, mas poucos conhecem o sábio real que havia por trás dessa criação do filósofo genial. O livro termina com Barack Obama, e a sua “Carta aberta ao povo de Illinois”, falando de esperança e mudança, em 2008.
Essas cartas vão desfilando reis antigos e suas guerras, disputas, rivalidades, inimizades e preconceitos; envolvendo figuras que estiveram próximas a intrigas palacianas que mudaram a história, e figuras que contam muito para a história da arte. Uma das inúmeras curiosidades que este livro traz é a mulher considerada a primeira autora em primeira pessoa da história da Literatura, a alta sacerdotisa do deus Nanna, En-Hedu-Ana, de Ur (antigo Iraque). Nos provérbios de Ki-en-Gir, da Suméria, 2600 a.C., no mais antigo idioma escrito, os caracteres cuneiformes sumerianos, pode ser encontrada uma pérola poética como esta: “Os pobres são o silêncio da terra”.
As cartas, no entanto, decolam de antigas civilizações e modos de vida que hoje nos parecem muito estranhos por seus costumes e preconceitos, para séculos mais avançados, sempre trazendo episódios de valor histórico inegável, ou de interesse estético, como as cartas do infeliz casal de amantes sacrificados pela religião, o padre Abelardo e a freira Heloísa. Ainda no tópico religião, há desde os cantos aos deuses misteriosos do antigo Egito, celebrando funerais de faraós, à epístola de São Tiago, única carta atribuída a este apóstolo, no século I, e ao testamento de São Francisco. As religiões podem ser as mais diferentes, do Cristianismo puro ao Islamismo, mas a essência poética do louvor aos deuses e a constatação da precariedade dos mortais são sempre iguais.
Estas cartas também passam por muitos nomes célebres da filosofia e da ciência, como Locke, Copérnico, Spinoza e Galileu. E passam igualmente pelo mundo das artes. Vamos encontrar, neste tópico, o trágico amor de Oscar Wilde pelo jovem Alfred Douglas, que o levou aos tribunais e o baniu da Inglaterra, expresso numa carta; uma carta atormentada do grande poeta Fernando Pessoa a seu amigo, também poeta, Mário de Sá-Carneiro, que se suicidou; uma carta do escritor negro americano James Baldwin atacando o racismo norte-americano; uma carta de William Faulkner pedindo desculpas a Hemingway por uma grosseria que cometeu; uma longa carta de William Burroughs falando de suas experiências com todo tipo de drogas perigosas; uma carta do dramaturgo Henry Miller para sua mulher, a lendária Marilyn Monroe; uma mensagem de Marlon Brando, enviada na pessoa de uma índia, não indo pessoalmente buscar seu Oscar por “O poderoso chefão”, preferindo mandá-la para atacar o genocídio dos indígenas norte-americanos; cartas do cineasta Pasolini a Godard e de homenagem de Jeanne Moreau a Orson Welles e muitas outras.
O Brasil não está fora desta longa compilação, com as cartas célebres de Anchieta e Pero Vaz de Caminha, e dois documentos da maior importância, que todo leitor sonha ter: a carta ao povo brasileiro, de Getúlio Vargas, antes de seu suicídio; e a declaração de renúncia do presidente Jânio Quadros à Presidência da República em 1961, e ainda cartas de Juscelino Kubitschek.
O drama humano está sempre presente nestes documentos, seja em forma de pressão de altos poderes junto a dignitários que carregam responsabilidades tremendas diante da humanidade, seja em forma de histórias de amor impossível, ou de preferências sexuais condenadas (ver sobre isso a curiosidade de um julgamento de um travesti na Inglaterra medieval e as declarações horrivelmente preconceituosas do nazista Heinrich Himmler sobre os homossexuais). O drama humano e a necessidade desesperada de deixar um recado para o mundo, em forma de louvor ou de repúdio, marcam este livro que precisa ser conhecido por todos que se interessam pelo ser humano e por sua trajetória ao longo da História.
Sobre o autor:
MÁRCIO BORGES foi parceiro inicial de Milton Nascimento e um dos fundadores do célebre Clube da Esquina, cuja história contou em Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina, também lançado pela Geração Editorial. Ele também publicou, pela Geração, a novela juvenil Os sete falcões, narrando uma aventura mitológica. Compondo e escrevendo, ele vive em Visconde de Mauá, estado do Rio. Geração Editorial

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

As Memórias de Cleópatra






No site da Folha temos o aviso do editor: os três livros podem ser lidos separadamente. 

Escritas na primeira pessoa, "As Memórias de Cleópatra" começam com as suas recordações de infância e vão até ao seu glorioso reinado, quando o Egito se torna num dos mais deslumbrantes reinos da Antiguidade. "As Memórias de Cleópatra" são uma saga fascinante sobre ambição, traição e poder, mas também são uma história de paixão. Depois de ser exilada, a jovem Cleópatra procura a ajuda de Júlio César, o homem mais poderoso do mundo. E mesmo depois do assassinato daquele que se tornou o seu marido, e da morte do segundo homem que amou, Marco António, Cleópatra continua a lutar, preferindo matar-se a deixar que a humilhem numa parada pelas ruas de Roma. Na riqueza e autenticidade das personagens, cenários e ação, "As Memórias de Cleópatra" são um triunfo da ficção. Misturando História, lenda e a sua prodigiosa imaginação, Margaret George dá-nos a conhecer uma vida e uma heroína tão magníficas que viverão para sempre. 
«Os leitores nunca irão duvidar que é a própria Cleópatra quem lhes está a falar. Se procura uma viagem para outro tempo e lugar encontra aqui o tapete mágico ideal.»
«Para uma personagem cujo fim todos conhecemos tão bem, é inacreditável como Margaret George consegue manter o leitor expectante... e sempre desejoso que a cobra nunca chegue a fazer a sua aparição.»
«A pesquisa exaustiva da autora traz à vida uma civilização há muito desaparecida, e os seus retratos de Cleópatra, César e Marco António são maravilhosos. Um livro mágico.»
«Uma verdadeira máquina do tempo. É como se lá estivéssemos e assistíssemos à vida turbulenta da rainha do Egipto.»
«Completamente arrebatador, como se os frescos egípcios ganhassem vida.»

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Êxodo: Deuses e Reis Trailer Oficial Legendado (2014) HD


Apesar do personagem bíblico ser citado na série escrita por Christian Jacq, Moisés viveu cerca de 1592 a.C. - 1472 a.C enquanto Ramsés reinou entre 1279 a.C. e 1213 a.C., portanto Ramsés não viveu na época de Moisés; além do mais o faraó citado no livro Êxodo pereceu no mar e jamais foi encontrado, enquanto a múmia de Ramsés foi encontrada em 1881 no Vale dos Reis.

Com Christian Bale como Moisés, filme sobre Êxodo promete impressionar, segundo o ator (Alexandre Correia)

Em um recente material de divulgação, foi revelada uma imagem do ator Christian Bale ostentando uma barba escura e aparência rústica para seu papel como a figura de Moisés, no filme Exodus: Gods and Kings (Êxodo: Deuses e Reis, em tradução não oficial), do diretor Ridley Scott.
O longa-metragem conta a história do livro bíblico do Êxodo, quando Moisés, profeta que confrontou o Faraó Ramsés, ajudou a libertar mais de 600 mil hebreus escravos, ao liderá-los pelo deserto para deixar o Egito.
Ao comentar sobre o papel, Bale conta que: “O relato bíblico de Moisés é extraordinário, e existe bastante campo para irmos a lugares onde o filme ‘Os Dez Mandamentos’ (de 1956) sequer sonhou em ir”, afirmou o ator, com a citação do filme da década de 50 em que o ator Charlton Heston interpreta Moisés.
Exodus também conta com a interpretação dos atores Joel Edgerton, Sigourney Weaver, Ben Kingsley, John Turturro e Aaron Paul, conforme publicado pelo site Christian Headlines.
“Quando se é Ridley Scott, você pega o telefone e as pessoas vem”, disse Edgerton ao Entertainment Weekly. “Eu tive que enfrentar meus sentimentos de insegurança para sentir que fazia parte dessa turma”.
“O que eu pensava saber sobre Moisés, descobri que não sabia”, disse Scott. “Ou eu não estava prestando a atenção na escola dominical ou eu já tinha me esquecido. Eu fui impactado por quem ele foi e o básico da história - foi uma das maiores aventuras e experiências espirituais como jamais houve”.
Em uma entrevista a um site de entretenimento, Bale deu a entender que o filme terá cenas fortes. “É um texto intrigante, pois poucas pessoas que eu já conheci leram de verdade a Torá, O Pentateuco, os cinco livros de Moisés, inteiro”. E completou “A maioria das pessoas só lê algumas passagens, se você ler inteiro, [vai ver que] é muito severo. É o ’Velho Testamento’ mesmo. A violência é extrema. Ele [Moisés] não era um homem de meios-termos em qualquer sentido”. E finalizou, “ver isso em um filme vai chocar”.
Para recriar o Antigo Oriente, o diretor se utilizou locações na Espanha, Marrocos e Inglaterra.
Não se sabe ainda qual o grau de fidelidade que esse filme terá com relação ao relato na Escritura, afinal o diretor já deu declarações de tom cético em uma entrevista de 2012 ao Christian Post, onde, entre outras coisas disse: “A religião é a maior fonte de maldade que existe”.
Exodus tem previsão de chegar aos cinemas de todo o mundo em dezembro de 2014. A estreia nos EUA e Inglaterra está marcada para 12 de dezembro, enquanto ainda não há data de lançamento definida para o Brasil.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Champollion - quem foi?



Diante do grande e antigo Templo de Dendera, no Alto Egito, aqueles quinze homens sentiram-se petrificados. O luar brilhava através do pórtico, iluminando as centenas de hieróglifos e figuras entalhadas nas superfícies de arenito duro do templo. O chefe da expedição, Jean-François Champollion, mantinha um ar de calma, mas estava intimamente admirado. Desde menino ele havia sonhado com o Egito Antigo. Depois de ter estudado todos os livros sobre o Egito que conseguira, ele passara a conhecer esse país tão bem que vivia nele em seus sonhos e imaginações. Agora, em 1828, esse francês, curador do museu e professor de História, com 38 anos de idade, pisava o solo de uma terra que, embora antes distante, era como um lar para ele. Para os outros homens da expedição, Champollion, com sua pele escura e usando veste e turbante, parecia um habitante daquela antiga região. Eles o chamavam de "o egípcio".

Quando Champollion contemplou os belos e solenes hieróglifos inscritos nas colunas e paredes de Dendera, começou a fazer uma leitura deles... a primeira pessoa a fazer isso num período de quase dois mil anos. A misteriosa história daquela terra antiga começou a jorrar diante de seus próprios olhos. As lendas de poderosos reis, sacerdotes e deuses, foram contadas novamente. A terra dos mortos tornava-se viva!

Mas esse conhecimento concedido a Champollion não viera facilmente. Muitos outros haviam tentado adquirir os segredos do Egito. E por vezes tinham quase desvendado os mistérios, mas obstáculos imprevistos tinham-nos levado a desistir, desanimados. O que tornava Champollion diferente era sua genialidade lingüística e sua compulsiva e persistente paixão de conhecer o Egito. Ele conhecia mais de doze línguas, muitas delas do Oriente Próximo. Era uma das poucas pessoas, no começo do século dezenove, que conheciam o copta, língua que sucedeu ao egípcio antigo. Mas o que Champollion tinha acima de tudo era a disposição de seguir sua própria intuição, de abandonar a tradição quando ela era restritiva ou errônea. Ele teve de rejeitar conceitos que datavam de 2000 anos, à época de Heródoto, segundo os quais os hieróglifos seriam uma escrita puramente simbólica e pictórica. A revolução de Champollion consistiu em reconhecer a qualidade alfabética daqueles sinais.

A chave dessa revolução encontra-se agora no Museu Britânico, em Londres. Trata-se de uma pedra de basalto negro, muito desgastada e quebrada, entalhada com três formas de escrita: hieroglífica egípcia, demótica egípcia, e grega. Essa pedra foi descoberta perto da cidade de Rosetta (ou Rashid) — daí seu nome — durante a desastrada campanha de Napoleão no Egito, em 1799. Embora tenha sido um fracasso militar, essa expedição foi um sucesso arqueológico, já que os 150 eruditos e artistas que acompanhavam o exército de Napoleão catalogaram e desenharam os remanescentes do glorioso passado do Egito. E tropeçaram em um mundo desconhecido; mas os eruditos perceberam que, assim que fossem decifrados os hieróglifos da Pedra de Roseta, eles poderiam então conhecer alguma coisa daquela antiga civilização. Claramente, os dois textos egípcios eram traduções do grego. Seguramente, eles pensaram, seria simples decifrá-los. Mas não seria assim. Mais de vinte anos de infrutíferas sondagens e conjecturas passariam antes que o erudito francês, Jean-François Champollion pudesse anunciar ao mundo, em 1822, que resolvera o enigma.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Dicas de Finanças -

Benjamin Franklin  foi um cientista, jornalista, inventor, abolicionista e diplomata americano. Ele viveu durante o século XVIII nos Estados Unidos e seu trabalho é reconhecido até hoje, principalmente, pela descoberta da energia elétrica. Porém, Franklin também pode ensinar várias dicas de finanças pessoais. Confira:

1 – Saiba o verdadeiro valor das coisas

Quando criança, Benjamin Franklin viu um garoto brincando com um apito. Ele ficou tão maravilhado que falou para o menino que pagaria todo o dinheiro que estivesse em seu bolso em troca pelo apito. O garoto aceito e o pequeno Benjamin voltou para casa com o apito. Porém, quando contou isso para a sua família, sua mãe disse que ele havia pagado o triplo do valor real do apito. No texto que Benjamin conta essa experiência, ele diz que isso o marcou tanto que, quando ele já estava adulto, ele se perguntava todas as vezes de comprar alguma coisa se o preço realmente estava justo. É importante que você sempre pare e pensa antes de adquirir algum produto, pois, nem sempre, aquilo realmente vale tudo isso.

2 – Seja autossuficiente

Em diversos textos, Benjamin Franklin diz que seu pai, desde sua infância, sempre ensinou o filho a ser autossuficiente. O jovem aprendeu a cozinhar, arrumas coisas, costurar, construir, consertar, etc. E, por conta disso, Benjamin Franklin acredita que ele teve uma vida muito mais livre e feliz. Aja como ele e aprenda a fazer as coisas por si mesmo: ao invés de pedir uma pizza na sexta a noite, passe no mercado e se aventure na cozinha.

3 – Invista em si mesmo

Benjamin Franklin foi um ávido leitor – ele diz, em um texto, que quando começou a trabalhar, boa parte do seu salário era gasto em livros e mensalidade da biblioteca. Durante algumas horas do dia, Benjamin ficava lendo livros sobre diversos assuntos, e isso o transformou em uma pessoa muito inteligente e culta. Se você deseja ter dinheiro e tempo a longo prazo, é importante que você invista sua disposição e seu dinheiro agora. Faça cursos, leia livros e nunca pare de aprender – esse é o maior investimento que você pode fazer em si mesmo.

4 – Sempre preserve a integridade

Em um dos seus textos, Benjamin Franklin conta que ao longo de sua vida, ele viu muitos homens serem corrompidos pela ambição. Uma vez, quando ele quase aceitou fazer um trabalho não ético em troca de dinheiro, ele decidiu que não permitiria que isso acontecesse com ele. Ele foi até o mercado, comprou somente o que necessitava para viver, adquiriu uma cama mais simples e deixou de se vestir com roupas caríssimas. Aos poucos, ele foi percebendo como a vida poderia ser bem vivida, mesmo sem muito luxo e poder.

5 – Seja paciente

Como muitas pessoas não sabem, Benjamin Franklin demorou muitos anos para atingir o sucesso financeiro. Em seus textos, ele diz que só atingiu o sucesso porque teve muita paciência e dedicação. O sucesso não virá do nada – é necessário que você disponha de muito tempo e esforço até conseguir atingir os seus objetivos. Seja paciente.

6 – Tempo é dinheiro

A famosa frase "tempo é dinheiro" foi primeiramente dita por Benjamin Franklin. Na loja de revistas e jornais de Benjamin, um homem perguntou quanto custava um livro. Franklin respondeu que estava 1 dólar, e o homem não aceitou esse preço, e perguntou qual era o valor real. Benjamin, então, falou que o preço era U$ 1,50, já que o cliente estava fazendo ele perder o tempo em que poderia estar trabalhando. Com essa frase, ele queria dizer que o tempo em que você passa trabalhando é precioso e não deve ser desperdiçado com coisas pequenas, ou então situações irrelevantes.

7 – Poupe

Se você deseja atingir os seus sonhos e se tornar uma pessoa rica, é essencial que você poupe. Acima de poupar, você deve ter certeza que esse dinheiro tem um destino certo e útil. De nada adianta juntar dinheiro desenfreadamente, se você não possui um plano.

domingo, 16 de novembro de 2014

Ultraman


Notícia velha... ok! Tudo bem!
 17 de dezembro de 2008
 
Agora, falar de conquistas esportistas, falar de dedicação, determinação é sempre atual! Revigorante!


Pele em cima de osso, duro como lava congelada do Havaí, onde se coroou campeão, o carioca Alexandre Ribeiro, 43 anos, é praticamente um super-homem. Com 1,80 metro de altura, 70 quilos e 9% de gordura corporal (em pessoas normais, o desejável é 20%), ele confirmou seus poderes quase sobre-humanos em 30 de novembro, ao ganhar o campeonato de triatlo mais insano do planeta, o Ultraman. Em três dias, com jornadas que começavam às 6 e iam até as 14 horas, percorreu 10 quilômetros de natação em mar aberto (em três horas e doze minutos), 421 quilômetros de bicicleta (em doze horas e 24 minutos) e 84 quilômetros de corrida (em seis horas e quinze minutos). Cansou só de ler? Pois esta é a quarta vez que Ribeiro compete e a terceira que vence a prova – na única que não ganhou, chegou em segundo. "Coisa de psicopata", como ele próprio define, com o sorriso de felicidade dos verdadeiramente obcecados. Ribeiro adora o que faz – com menos do que isso, os sacrifícios não compensariam. "O Ultraman é o apogeu da minha carreira, a perfeição de todo o meu trabalho", diz. Sendo assim, conquistar três primeiros lugares já está de bom tamanho? "Não. Ainda quero bater o recorde da prova, que são oito minutos a menos do que consegui. Vou tentar de novo, talvez já no ano que vem", antecipa.
Além das provas extenuantes, o Ultraman, realizado na Ilha de Kailua-Kona, tem outras características que o transformam em um campeonato para loucos e poucos (apenas 35 atletas). Primeiro, não dá prêmio algum – os esportistas competem pelo prazer de se superar. As provas são realizadas em temperaturas que batem nos 42 graus. Na natação, os atletas deparam com correnteza forte, águas-vivas (neste ano, três sofreram queimaduras no rosto) e golfinhos, que monitores em caiaques vão tirando do caminho – sim, muita gente sonha em nadar com golfinhos, mas definitivamente não quando está no Ultraman. No ciclismo, mais de 70% do percurso é de subidas íngremes em direção ao Parque Nacional dos Vulcões. A paisagem deslumbrante mal é registrada, em especial na posição de Alexandre: "Enquanto a maioria dos atletas sobe rampa em pé nos pedais da bicicleta, eu subo sentado. É bem menos confortável, mas desse jeito eu não sofro tanto com a barreira do vento e os músculos das coxas se desgastam muito menos". A dupla maratona é a última prova e justamente a mais exaustiva; os competidores precisam comer e tomar líquidos o tempo todo, sem parar de correr. Além de água e isotônico, como todo mundo, Alexandre toma muito café e Coca-Cola. "A cafeína dá uma injeção de ânimo", garante. O amigo corredor José Carlos Ponciano, que o acompanhou e ajudou na competição, fez a conta: nos 84 quilômetros, Ribeiro bebeu e se refrescou com 130 litros de água e consumiu dezoito latas de refrigerante, 1 litro de café quente, doze laranjas, 24 bananas e vinte pacotinhos de proteína. "Tem de ser louco para fazer o Ultraman, e o Alexandre é mais doido que os outros competidores", avalia. O segundo integrante da equipe do triatleta é seu filho mais velho, Kaillani, 11 anos, encarregado de abastecer o pai com a incrível quantidade de comida e bebida. "Cada vez que ouvia ‘Vai, papai’, eu ganhava fôlego novo", conta Alexandre. Num truque menos ortodoxo, na noite anterior à corrida, tomou três cervejas. "O álcool dá uma soltada na musculatura", explica.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Cleópatra - uma biografia

No site da Revista Veja

Trecho de Cleópatra: Uma Biografia, de Stacy Schiff

O modo como vivemos hoje

"O traço mais valioso de um homem é o senso crítico sobre aquilo em que não acreditar."  Eurípides


Uma das mulheres mais famosas que já existiram, Cleópatra VII governou o Egito durante 22 anos. Perdeu o reino uma vez, reconquistou-o, quase perdeu de novo, construiu um império, perdeu tudo. Deusa em criança, rainha aos dezoito anos, celebridade logo depois, foi objeto de especulação e veneração, de intriga e lenda, mesmo em nosso tempo. No auge do poder, controlava praticamente toda a costa oriental do Mediterrâneo, o último grande reino de qualquer soberano egípcio. Durante um breve instante, deteve o destino do mundo ocidental nas mãos. Teve um filho com um homem casado, três com outro. Morreu aos 39 anos, uma geração antes do nascimento de Cristo. A catástrofe é um cimento firme para uma reputação, e o fim de Cleópatra foi súbito e sensacional. Ela se instalou em nossa imaginação desde então. Muita gente falou dela, inclusive o maior de todos os dramaturgos e poetas; há 2 mil anos colocamos palavras em sua boca. Em uma das pós-vidas mais movimentadas da história, já virou nome de asteroide, videogame, um estereótipo, marca de cigarro, caça-níqueis, clube de striptease, sinônimo de Elizabeth Taylor. Shakespeare afirmou que a multiplicidade de Cleópatra era infinita. Ele nem imaginava até que ponto.

O nome pode ser indelével, mas a imagem é vaga. Cleópatra pode ser uma das figuras mais identificáveis da história, mas não fazemos muita ideia de sua aparência. Apenas o retrato em moedas cunhadas em sua vida, que deve ter sido aprovado por ela, pode ser aceito como autêntico. Lembramos dela também pelas razões erradas. Soberana capaz, esclarecida, soube construir uma frota, eliminar uma insurreição, controlar uma economia, aliviar a fome. Um eminente general romano confiava em sua visão de assuntos militares. Mesmo numa época em que mulheres governantes não eram raridade, ela se destacou, única mulher do mundo antigo a governar sozinha e a desempenhar um papel nos negócios ocidentais. Era incomparavelmente mais rica do que qualquer outra pessoa no mundo mediterrâneo. E tinha mais prestígio que qualquer outra mulher de sua época, conforme um rei exaltado se deu conta ao mandar que fosse assassinada, durante a estada dela em seu reino (por causa de sua importância, foi impossível fazê-lo). Cleópatra vinha de uma longa linhagem de assassinos e manteve fielmente a tradição familiar, mas era, em seu tempo e seu espaço, notavelmente bem-comportada. Mesmo assim, ainda é considerada uma tentadora ardilosa, e não é a primeira vez que uma mulher genuinamente poderosa é transformada numa mulher desavergonhadamente sedutora.

Como todas as vidas que se prestam à poesia, a de Cleópatra foi uma vida de deslocamentos e decepções. Ela cresceu em meio a um luxo incomparável e herdou um reino em declínio. Durante dez gerações sua família havia gerado faraós. Os Ptolomeus eram, na verdade, gregos macedônios, o que faz de Cleópatra quase tão egípcia quanto Elizabeth Taylor. Aos dezoito anos, Cleópatra e seu irmão de dez anos assumiram o controle de um país com um passado de peso e um futuro vacilante. Mil e trezentos anos separam Cleópatra de Nefertiti. As pirâmides, que Cleópatra quase com certeza apresentou a Júlio César, já estavam cheias de pichações. A Esfinge passara por uma importante restauração mil anos antes. E a glória do Império Ptolomaico, que um dia fora grande, estava se apagando. Cleópatra tornou-se adulta num mundo à sombra de Roma, que durante sua infância havia estendido seus domínios até as fronteiras do Egito. Quando Cleópatra tinha onze anos, César lembrou a seus oficiais que, se não fizessem guerra, se não conseguissem riquezas e dominassem os outros, não seriam romanos. Um soberano oriental que travou uma batalha épica contra Roma articulou o que viria a ser, de maneira diferente, o problema de Cleópatra: os romanos tinham temperamento de lobo. Odiavam os grandes reis. Tudo o que os romanos possuíam era fruto de saques. Pretendiam tomar tudo, e eram capazes de "destruir tudo ou morrer tentando". As implicações disso para o último país rico que restava na esfera de influência de Roma eram muito claras. O Egito havia se distinguido por sua sagacidade nos negócios; em grande parte, mantinha sua autonomia. Inclusive, já havia se envolvido nos negócios romanos.

Em troca de uma inacreditável soma em dinheiro, o pai de Cleópatra havia assegurado a designação de "amigo e aliado do povo romano". Sua filha iria descobrir que não bastava ser amiga daquele povo e daquele Senado; era essencial fazer amizade com o romano mais poderoso de seu tempo. Isso exigia uma tarefa desconcertante na República tardia, assolada por guerras civis. Elas eclodiram regularmente ao longo de toda a vida de Cleópatra, lançando uma sequência de comandantes romanos da época uns contra os outros no que era, em essência, uma disputa temperamental de ambições pessoais, duas vezes decidida em solo egípcio. Cada convulsão estremecia o mundo mediterrâneo, que lutava para corrigir suas lealdades e redirigir seus tributos. Cleópatra tinha empenhado tudo com Pompeu, o Grande, o brilhante general romano sobre o qual a boa estrela parecia brilhar eternamente. Ele se tornou o patrono da família. E também entrou em guerra civil contra Júlio César, justamente quando, do outro lado do Mediterrâneo, Cleópatra subia ao trono; Júlio César o fez sofrer uma derrota esmagadora na Grécia central: no verão de 48 a.C. Pompeu fugiu para o Egito, onde foi apunhalado e decapitado numa praia. Cleópatra tinha 21 anos. Não havia escolha senão tentar cair nas graças do novo senhor do mundo romano. Ela o fez de um jeito diferente da maioria dos outros reis, cujos nomes, não por acaso, hoje estão esquecidos. Durante os anos seguintes, ela se empenhou em virar a implacável maré romana para seu lado, mudando de patrono outra vez depois do assassinato de César, e acabando por ficar com seu protegido, Marco Antônio. À distância no tempo, seu reino resume-se a uma moratória. Sua história estava essencialmente terminada antes de começar, embora ela, claro, não devesse pensar assim. Com a morte de Cleópatra, o Egito se transformou numa província romana. Não conseguiu recuperar sua autonomia até o século XX. 

Pode-se dizer algo de bom sobre uma mulher que foi para a cama com dois dos homens mais poderosos de seu tempo? Possivelmente sim, mas não numa época em que Roma controlava a narrativa. Cleópatra se viu em um dos cruzamentos mais perigosos da história: o cruzamento entre mulheres e poder. Centenas de anos antes, Eurípides alertara que mulheres inteligentes eram perigosas. Um historiador romano ficou plenamente satisfeito ao descrever uma rainha judia como mera figura decorativa e, seis páginas depois, condená-la por sua desmedida ambição e seu amor indecente pela autoridade. Um poder mais desconcertante também se fazia sentir. Em um contrato de casamento do século I a.C., uma noiva prometia ser fiel e afetuosa. E, então, jurava não colocar poções amorosas na comida ou na bebida do marido. Não se sabe se Cleópatra amava Antônio ou César, mas sabemos que conseguiu que os dois fizessem o que ela queria. Do ponto de vista romano, ela "escravizou" ambos. De saída, era um jogo empatado em zero a zero: a autoridade da mulher significava enganar o homem. Quando perguntaram à esposa de Augusto, o primeiro imperador romano, como havia conseguido influenciar o marido, ela parece ter respondido que o fizera "sendo escrupulosamente casta, fazendo alegremente tudo o que o agradava, sem interferir em seus negócios e, particularmente, fingindo não ouvir nem notar as favoritas que eram objeto das paixões dele". Não há razão para se aceitar essa fórmula literalmente. Já Cleópatra era feita de matéria bem diferente. No decorrer de uma agradável excursão de pesca, debaixo do lânguido sol da Alexandria, ela não viu problema algum em lembrar ao mais famoso general romano da época quais eram suas responsabilidades.

Para um romano, licenciosidade e ausência de lei eram propriedades gregas. Cleópatra era duplamente suspeita, primeiro por vir de uma cultura conhecida por seu "talento natural para a dissimulação", e depois por seu endereço alexandrino. Um romano não conseguia separar o exótico do erótico; Cleópatra era um ícone do Oriente oculto, alquímico, de sua terra sinuosa, sensual, tão perversa e original quanto aquele rio inacreditável. Os homens que entravam em contato com ela pareciam perder a cabeça, ou, pelo menos, repensar suas prioridades. Ela perturba até a biografia que Plutarco escreveu de Marco Antônio. E exerce o mesmo efeito num historiador do século XIX que a descreve, ao encontrar César, como "uma garota muito solta de dezesseis anos". (Na verdade, ela era uma mulher de 21 anos, intensamente focada.) O canto da sereia do Oriente existia muito antes de Cleópatra, mas isso não importa: ela vinha da embriagadora terra do sexo e do excesso. Não é difícil entender por que César virou história e Cleópatra virou lenda.

Nossa visão fica ainda mais turva pelo fato de os romanos que contaram a história de Cleópatra conhecerem muito bem sua própria história antiga, que contamina repetidamente seus relatos. Assim como Mark Twain no Vaticano opressivo e rebuscado, nós às vezes preferimos as cópias ao original. Os autores clássicos também eram assim. Eles fundiam relatos, reformavam velhas histórias. Atrelaram Cleópatra a vícios de outros devassos. A história existia para ser recontada, com mais verve, mas não necessariamente mais precisão. Nos textos antigos, os vilões sempre vestem uma roupa púrpura especialmente vulgar, comem pavão assado demais, se lambuzam com raros unguentos, derretem pérolas. Fosse uma transgressora rainha egípcia com fome de poder ou um impiedoso pirata, ambos eram conhecidos pelas "odiosas extravagâncias" de seus associados. Iniquidade e opulência andavam de mãos dadas; o mundo deles se incendiava em púrpura e ouro. Outro empecilho é o fato de a história vazar para a mitologia, o humano para o divino. O mundo de Cleópatra era um mundo no qual se podiam visitar as relíquias da lira de Orfeu ou ver o ovo que a mãe de Zeus havia chocado. (Ficava em Esparta.)

A história é escrita não apenas pela posteridade, mas também para a posteridade. Nossas fontes mais abrangentes nunca conheceram Cleópatra. Plutarco nasceu 76 anos depois de sua morte. (Ele escreveu ao mesmo tempo que Mateus, Marcos, Lucas e João.) Apiano escreveu com um intervalo de mais de um século; Dio com mais de dois. A história de Cleópatra é diferente da história da maioria das mulheres, na medida em que os homens que a narraram, por razões que lhes eram próprias, acabaram por ampliar em vez de apagar o papel dela. A relação com Marco Antônio foi a mais longa de sua vida, mas o relacionamento com seu rival, Augusto, foi o mais duradouro. Ele iria derrotar Antônio e Cleópatra. Para enfatizar a glória, ele enviou a Roma uma versão sensacionalista de uma rainha egípcia insaciável, traiçoeira, com sede de sangue, louca pelo poder. Ele ampliou Cleópatra a proporções hiperbólicas, de forma a fazer o mesmo com sua vitória — e também a remover do quadro seu real inimigo, o ex-cunhado. O resultado é como uma vida de Napoleão escrita por britânicos no século XIX ou uma história dos Estados Unidos escrita no século XX por Mao Tsé-tung.

Ao time de historiadores excepcionalmente tendenciosos, acrescentem- se registros muito irregulares. Não sobreviveu nenhum papiro de Alexandria. Quase nada das cidades antigas permanece acima do chão. Temos, talvez e no máximo, uma palavra escrita por Cleópatra. (Em 33 a.C., ela ou um escriba assinou um decreto real com a palavra grega ginesthoi, que significa "cumpra-se".) Os autores clássicos não davam importância a estatísticas e de vez em quando nem à lógica: seus relatos contradizem uns aos outros e a eles mesmos. Apiano descuida dos detalhes, Josefo é inútil com a cronologia. Dio prefere a retórica à exatidão. As lacunas são tão regulares que parecem deliberadas; existe algo que chega muito próximo de uma conspiração de silêncios. Como é possível que não se tenha nem um busto autêntico de Cleópatra, numa época de retratistas realistas e talentosos? As cartas de Cícero, dos primeiros meses de 44 a.C., quando César e Cleópatra estavam juntos em Roma, nunca foram publicadas. A história grega mais longa dessa época passa superficialmente pelo tumultuoso período em questão. É difícil dizer o que faz mais falta. Apiano promete mais sobre César e Cleópatra em seus quatro livros sobre a história egípcia, que não sobreviveram. O relato de Tito Lívio termina um século antes de Cleópatra. Conhecemos em detalhes o trabalho de seu médico pessoal apenas por meio das referências de Plutarco. Mesmo Lucano interrompe seu poema épico de maneira abrupta e irritante, deixando César preso no palácio de Cleópatra, no começo da Guerra Alexandrina. E, na ausência de fatos, instala-se o mito, a praga da história.

Os lapsos nos registros representam um problema, o que nós construímos em torno deles, outro. Os negócios de Estado caíram por terra, deixando-nos com os assuntos do coração. Uma mulher exigente versada em política, diplomacia e governo, fluente em nove idiomas; articulada e carismática, Cleópatra parece, mesmo assim, uma criação conjunta de propagandistas romanos e diretores de Hollywood. Ela é usada para pôr um rótulo de antiguidade em uma coisa que sempre soubemos que existia: sexualidade feminina potente. E seu timing foi péssimo. Não só sua história foi escrita pelos inimigos, como ela teve a infelicidade de estar na cabeça de todo mundo bem no momento em que a poesia latina tomou forma própria. Ela sobrevive literariamente numa língua que lhe é hostil. As ficções apenas proliferaram. George Bernard Shaw enumera entre suas várias fontes para César e Cleópatra sua própria imaginação. Muitos historiadores beberam em Shakespeare, o que é compreensível, mas é um pouco como tomar as palavras de George C. Scott pelas de Patton.

Restaurar Cleópatra significa resgatar uns poucos fatos e também remover o mito incrustado e a propaganda envelhecida. Ela era uma mulher grega cuja história ficou a cargo de homens cujo futuro estava em Roma, a maior parte deles funcionários do império. Seus métodos históricos são pouco claros para nós. Eles raramente mencionam suas fontes. Confiavam em grande parte na memória. Para padrões modernos são polemistas, apologistas, moralistas, fabulistas, recicladores, fazem cortar-colar, são hackers. Apesar de toda a sua erudição, o Egito não produziu nenhum bom historiador. Só é possível ler desse jeito. As fontes podem ser falhas, mas são as únicas que temos. Não existe concordância universal na maior parte dos detalhes básicos da vida de Cleópatra, nenhum consenso sobre quem era sua mãe, quanto tempo Cleópatra viveu em Roma, quantas vezes ficou grávida, se ela e Antônio se casaram, o que transpirou na batalha que selou seu destino, como ela morreu.* Tentei não perder de vista quem era um ex-bibliotecário e quem era uma celebridade, quem tinha efetivamente visitado o Egito, quem desprezava o lugar e quem nasceu lá, quem tinha problemas com mulheres, quem escreveu com o zelo de um romano convertido, quem queria acertar contas, agradar seu imperador, aperfeiçoar seus hexâmetros. (Confiei pouco em Lucano. Ele esteve na cena prematuramente, antes de Plutarco, de Apiano e de Dio. Mas era também um poeta e um sensacionalista.) Mesmo quando não são nem tendenciosos, nem confusos, os relatos são quase sempre exagerados. Como já se apontou, na Antiguidade não havia história simples, sem ornamentos. O que interessava era assombrar. Não tentei preencher as lacunas, embora às vezes tenha encarado essa possibilidade. O que parece meramente provável continua aqui meramente provável — embora as opiniões variem radicalmente mesmo quanto às probabilidades. O incompatível continua incompatível. De uma forma geral, restaurei o contexto. Cleópatra efetivamente matou seus irmãos, mas Herodes matou seus filhos. (Ele depois lamentou ser "o mais infeliz dos pais".) E, como nos lembra Plutarco, esse comportamento era axiomático entre soberanos. Cleópatra não era necessariamente bonita, mas sua riqueza — assim como seu palácio — deixava Roma de boca aberta. As coisas eram lidas de modos muitos diferentes de um lado e do outro do Mediterrâneo. As últimas décadas de pesquisas sobre mulheres da Antiguidade e do Egito helênico iluminam substancialmente esse quadro. Tentei arrancar o véu do melodrama das cenas finais de sua vida, que reduz até mesmo crônicas sóbrias a novelas românticas. Mas, às vezes, a alta dramaticidade prevalece sobre a razão. A época de Cleópatra era de personalidades desmedidas, intrigantes. Ao final, os maiores atores do período fazem uma saída abrupta. Depois deles, um mundo começa a desmoronar.

A maioria dos nomes de lugares mudou desde a Antiguidade. Segui a orientação sensata de Lionel Casson ao optar por familiaridade mais que por coerência. Por isso, Beritus aqui é Beirute, enquanto Pelúsio — que não existe mais, mas que hoje estaria a leste de Port Said, na entrada do Canal de Suez — permanece Pelúsio. Da mesma forma, optei sempre pela grafia inglesa em vez da transliteração.** O rival de César aparece como Pompeu, e não como Gnaeus Pompeius Magnus; o representante de César como Marco Antônio, e não como Marcus Antonius. Sob muitos aspectos, a geografia mudou, litorais afundaram, pântanos secaram, montanhas desmoronaram. Alexandria é mais plana hoje do que no tempo de Cleópatra. A cidade já não se lembra de seu antigo projeto de ruas; nem rebrilha branca. O Nilo está quase três quilômetros mais a leste. A poeira, o ar marinho abafado, os crepúsculos que se derretem em púrpura não mudaram. A natureza humana continua incrivelmente coerente, a física da história imutável. Relatos em primeira mão continuam divergindo incrivelmente.*** Durante bem mais de 2 mil anos, um mito foi capaz de superar e sobreviver ao fato. A não ser onde indicado, todas as datas são a.C.

* Nem os escritores de ficção conseguem concordar sobre o amor de César por Cleópatra. Bem a quer (Handel); mal a quer (Shaw); bem a quer (Thornton Wilder).

** Aqui traduzidas para a grafia em português. (N.T.)

*** Como sempre, desde tempos imemoriais. "E o esforço para verificar esses fatos foi uma tarefa laboriosa, porque aqueles que foram testemunhas oculares de vários eventos não fazem as mesmas descrições das mesmas coisas, mas os relatos variam de acordo com o pendor para um lado ou outro, ou de acordo com a lembrança de cada um", resmungou Tucídides, cerca de quatrocentos anos antes de Cleópatra. (History of the Peloponnesian War, I, XXII.4-XXIII.3.)