quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Um mês sem postar... porém, não foi um mês sem leituras agradáveis.
Romance cativante é o que melhor traduz SOMBRAS MARCADAS.

Tradução: Débora Landsberg
Ficção

Lançamento: 02/06/2011
400 páginas
Resenha da editora Objetiva: “Kamila Shamsie é uma escritora de força e ambição imensas. Sombras marcadas é um romance cativante que pede do leitor uma vigorosa reação intelectual e emocional.” - Salman Rushdie
“Sombras marcadas é um dos romances mais impressionantes que li nos últimos anos.” — Joyce Carol Oates
Sombras marcadas é uma saga que entrelaça a história de duas famílias e atravessa alguns dos eventos mais dramáticos do século XX: do uso das bombas atômicas contra o Japão, em 1945, à queda das Torres Gêmeas, em 2001.
A história começa em Nagasaki, no ano de 1945. A jovem Hiroko está na varanda de sua casa quando, em uma fração de segundo, "o mundo embranquece". A explosão nuclear leva sua família e seu noivo, Konrad. Ela escapa por pouco; mas levará consigo - tanto no corpo quanto na memória - as marcas da catástrofe. Em busca de um recomeço, Hiroko viaja à Índia, onde passa a viver com Elizabeth, meia-irmã de Konrad. Em meio aos conflitos políticos de um país prestes a ser dividido, ela redescobre o amor ao conhecer Sajjad, um dos empregados da família. Hiroko e Sajjad mudam-se para o recém-formado Paquistão. Seu destino volta a se cruzar com a família de Konrad ao receberem a visita de Harry, filho de Elizabeth, um cidadão americano que trabalha para a CIA. Na esteira dos atentados de 11 de setembro, no entanto, a relação de amor e confiança entre eles, até então sólida, se verá no limite da ruptura.
Autora de quatro romances, Shamsie, 38 anos, conta que a decisão de escrever um épico e desenvolver a narrativa em quatro países tão distintos (Japão, Índia, Paquistão e Estados Unidos) não era sua intenção quando começou a escrever Sombras marcadas. "Minha ideia inicial era escrever sobre um personagem paquistanês, cuja avó havia sido vítima da bomba atômica de Nagasaki, vivendo anos depois na época em que Índia e Paquistão testavam suas bombas nucleares e se dividiam. Mas, quando percebi, estava escrevendo a história daquela avó japonesa. E decidi segui-la para ver aonde ia dar.", conta a
autora.
Segundo Shamsie, escrever sobre Nagasaki foi um grande desafio: "Eu comecei sem a menor certeza de que seria capaz de imaginar de forma vívida o suficiente aquele tempo e lugar a ponto de convencer a mim mesma." Para descrição do ambiente de guerra e do dia da bomba, ela considera terem sido fundamentais leituras como Hiroshima, de John Hersey, e filmes como a animação O túmulo dos pirilampos, de 1988. "Essas obras me ajudaram a visualizar detalhes como roupas, interiores, enfim, detalhes do modo de viver nos tempos de guerra. Também mergulhei na internet, interessada em imagens pré-bomba que pudessem me ajudar a pintar o quadro do mundo no qual meus personagens viveriam.", conta ela.
Shamshie, que ambienta a parte final do livro na época do 11 de Setembro, se aborrece com a ideia de que pegou carona na onda de publicações pós-atentado. "Quando contei a um amigo escritor que estava escrevendo sobre Nagasaki, ele fez essa insinuação e fiquei chateada.". A escritora conta que, ao chegar à metade do livro, percebeu que não podia ser encerrá-lo em 1988, com a questão nuclear entre Índia e Paquistão, mas continuar como uma narrativa de ‘guerra ao terror'.
"Existem milhares de livros sobre o 11 de Setembro e os efeitos dele
na vida dos nova-iorquinos. O que me interessava mostrar é o alto custo dos atos de barbárie humana cometidos por governos legitimados pelo povo, como a bomba de Nagasaki, as ações dos Estados Unidos, Rússia e Paquistão no Afeganistão dos anos 80 e a própria ‘guerra ao terror'.", reflete a autora, ela mesma nascida no Paquistão e radicada na Inglaterra.
Para a autora, a grande diferença desses atos para o atentado de 2001 é que eles foram provocados por governos legitimados em nome da autodefesa. "E não me espantaria saber que muita gente ainda acha que foram decisões corretas", conclui Shamsie, que também vê várias semelhanças entre os cenários pós-Nagasaki e o da Nova York pós-atentado. "Os pontos de ônibus e estações de trem cobertos com cartazes de famílias procurando seus desaparecidos é uma delas. O cheiro de fumaça que se prolongou através do tempo também", compara.

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