segunda-feira, 15 de julho de 2013

Um ateliê

Um ateliê
Preciso de um ateliê para melhor escrever a história da minha vida.
Minha privacidade é invadida na sala de visitas, na entrada do meu ap.
É na mesa que arremesso o que tenho à mão, qualquer coisa. É onde coloco as contas a pagar, ao lado do notebook. Também as correspondências, folhetos de hipermercados.
Na entrada do meu quarto, no final do corredor, é onde abandono os sapatos e troco por um par de hawaianas. Ou deveria ser assim. Pois, acontece de largar os sapatos assim logo na entrada como se fosse um grito de libertação.
Imagine meu ateliê com boa iluminação, uma estante lotada de livros, uma cadeira confortável além de um sofá para leitura. Até aquela luminária com preço de uma bicicleta nova eu compraria.
Martha Medeiros me contou o que Marguerite Duras contou a ela: os cômodos da casa da gente influenciam nossa obra, nossa história de vida.
Deixe-me traduzir: Martha cita Marguerite em sua crônica “Trancados por Fora” parte da obra “Trem-Bala” publicada em 1999. Marguerite escreveu um livro chamado “Writers’Houses", não lançado no Brasil. É na casa do escritor que “ele organiza suas memórias, acalma seus medos, estimula suas ideias e cria a solidão necessária para escrever.”
Então, como escrever nos caos?
Pois é, meu sonho, o maior deles, é escrever. Escrever a “história de minha vida em versão comédia”. Contar aos leitores minhas superações, frustrações e sucessos de maneira despojada e resolvida. Onde será que está meu engano? Pensar que sou uma pessoa resolvida ou achar que tenho talento?
Quem sabe se eu for vomitando tudo o que me vem à cabeça, eu consigo ordenar a bagunça, perder o caráter de urgência e, aos poucos, ir contando minha vida aos pedaços (como cebola, lembra?!). Desnudando, descascando, e ordenando meus devaneios.
Priorizar. Creio ser esta a chave. O que deletar, delegar, esquecer para iniciar o processo de concentração?
Neste momento, quero assistir às aulas de português do curso on-line que comprei, quero estourar uma bacia enorme de pipocas, desligar a TV, ler os e-mails, trocar de roupa e sair com Miguel (não esqueça que Miguel veio depois do Gabriel, que veio depois do Rafael - todos VW).
Sei que deveria ter marcado consultas médicas, feito o recurso para me eximir de pagar a multa por excesso de velocidade, ligar para a consultora da Natura, estudar o material para os cursos a Universidade Caixa, preparar minha mochila pra voltar a pé para casa amanhã e ir direto para a aula de spinning. Também escolher o próprio livro que vai me acompanhar no ônibus no caminho para o trabalho, caso esteja chovendo. Também postar no meu blog.
Sabe, um dia, constatei que tenho de parar de fabricar lista de tarefas inatingíveis para não me sentir incompetente e imobilizada. E olhe só: quanta coisa já disse que quero fazer AGORA! Melhor dormir...
04/04/2012

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