quarta-feira, 15 de maio de 2013

terça-feira, 14 de maio de 2013

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Rubem Alves - Alegria e Tristeza

A gente está alegre, não alegre. Porque esse sentimento não se mantém para sempre. Surge, colore o mundo e some feito bola de sabão. Quando está triste, bom saber, acontece igualzinho.



Freud disse que são duas as fomes que moram no corpo. A primeira fome é a fome de conhecer o mundo em que vivemos. Queremos conhecer o mundo para sobreviver. Se não tivéssemos conhecimento do mundo à nossa volta, saltaríamos pelas janelas dos edifícios, ignorando a força da gravidade, e poríamos a mão no fogo, por não saber que o fogo queima.


A segunda fome é a fome do prazer. Tudo o que vive busca o prazer. O melhor exemplo dessa fome é o desejo do prazer sexual. Temos fome de sexo porque é gostoso. Se não fosse gostoso, ninguém o procuraria e, como conseqüência, a raça humana acabaria. O desejo do prazer seduz.

Gostaria de poder ter tido uma conversinha com ele sobre as fomes, porque eu acredito que há uma terceira: a fome de alegria.

Antigamente eu pensava que prazer e alegria eram a mesma coisa. Não são. É possível ter um prazer triste. A amante de Tomás, da A Insustentável Leveza do Ser, se lamentava: “Não quero prazer, quero alegria!”

As diferenças. Para haver prazer é preciso primeiro que haja um objeto que dê prazer: um caqui, uma taça de vinho, uma pessoa a quem beijar. Mas a fome de prazer logo se satisfaz. Quantos caquis conseguimos comer? Quantas taças de vinho conseguimos beber? Quantos beijos conseguimos suportar? Chega um momento em que se diz: “Não quero mais. Não tenho mais fome de prazer...”

A fome de alegria é diferente. Primeiro, ela não precisa de um objeto. Por vezes, basta uma memória. Fico alegre só de pensar num momento de felicidade que já passou. E, em segundo lugar, a fome de alegria jamais diz: “Chega de alegria. Não quero mais...” A fome de alegria é insaciável.

Bernardo Soares disse que não vemos o que vemos, vemos o que somos. Se estamos alegres, nossa alegria se projeta sobre o mundo e ele fica alegre, brincalhão. Acho que Alberto Caeiro estava alegre ao escrever este poema: "As bolas de sabão que esta criança se entretém a largar de uma palhinha são translucidamente uma filosofia toda. Claras, inúteis, passageiras, amigas dos olhos, são aquilo que são... Algumas mal se vêem no ar lúcido. São como a brisa que passa...E que só sabemos que passa porque qualquer cousa se aligeira em nós...”

A alegria não é um estado constante – bolas de sabão. Ela acontece, subitamente. Guimarães Rosa disse que a alegria só acontece em raros momentos de distração. Não se sabe o que fazer para produzi-la. Mas basta que ela brilhe de vez em quando para que o mundo fique leve e luminoso. Quando se tem a alegria, a gente diz: “Por esse momento de alegria valeu a pena o Universo ter sido criado”.

Fui terapeuta por vários anos. Ouvi os sofrimentos de muitas pessoas, cada um de um jeito. Mas por detrás de todas as queixas havia um único desejo: alegria. Quem tem alegria está em paz com o Universo, sente que a vida faz sentido.

Norman Brown observou que perdemos a alegria por haver perdido a simplicidade de viver que há nos animais. Minha cadela Lola está sempre alegre por quase nada. Sei disso porque ela sorri à toa. Sorri com o rabo.

Mas, de vez em quando, por razões que não se entende bem, a luz da alegria se apaga. O mundo inteiro fica sombrio e pesado. Vem a tristeza. As linhas do rosto ficam verticais, dominadas pelas forças do peso que fazem afundar. Os sentidos se tornam indiferentes a tudo. O mundo se torna uma pasta pegajosa e escura. É a depressão. O que o deprimido deseja é perder a consciência de tudo para parar de sofrer. E vem o desejo do grande sono sem retorno.

Antigamente, sem saber o que fazer, os médicos prescreviam viagens, achando que cenários novos seriam uma boa distração da tristeza. Eles não sabiam que é inútil viajar para outros lugares se não conseguimos desembarcar de nós mesmos. Os tolos tentam consolar. Argumentam apontando para as razões para se estar alegre: o mundo é tão bonito... Isso só contribui para aumentar a tristeza. As músicas doem. Os poemas fazem chorar. A TV irrita. Mas o mais insuportável de tudo são os risos alegres dos outros que mostram que o deprimido está num purgatório do qual não vê saída. Nada vale a pena.

E uma sensação física estranha faz morada no peito, como se um polvo o apertasse. Ou esse aperto seria produzido por um vácuo interior? É Thanatos fazendo o seu trabalho. Por que quando a alegria se vai ela entra...

Os médicos dizem que a alegria e a depressão são as formas sensíveis que tomam os equilíbrios e os desequilíbrios da química que controla o corpo. Que coisa mais curiosa: que a alegria e a tristeza sejam máscaras da química! O corpo é muito misterioso...

Aí, de repente, sem se anunciar, ao acordar de manhã, percebe-se que o mundo está de novo colorido e cheio de bolhas translúcidas de sabão... A alegria voltou!
Rubem Alves nasceu no interior de Minas Ge­rais e é escritor, pedagogo, teólogo e psicanalista.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Lançameto Editora Alfaguara

Liana é uma talentosa jornalista que trabalha na sucursal de uma revista brasileira em Londres. Além dos percalços da profissão, tem de lidar com as mesquinharias do mundo corporativo, repleto de trapaças e disputas. Porém, a vida na capital inglesa e o namoro com o fotógrafo Tito são o respiro para que a personagem possa narrar a história de suas raízes.

A protagonista recupera lembranças de família dos séculos que atravessam um refúgio no litoral capixaba, desde o encontro entre os índios e os primeiros portugueses, até a especulação imobiliária do século XX. Ao mesmo tempo, o romance conta a história da própria protagonista, mulher independente, dividida entre os novos rumos que o presente lhe oferece e a fidelidade ao passado, que fez dela o que ela é.

Em Londres, Liana conta a história de Manguezal dos Reis Magos, paradisíaco trecho da costa capixaba onde havia passado a infância, e terra onde sua família havia estabelecido raízes desde os bisavôs. Sua escrita, construída a partir de lembranças e narrativas que passaram de geração a geração, atravessa cinco séculos de história do Brasil, resumindo naquele cenário a complexa trajetória do país ao longo de quinhentos anos.
Quando seus irmãos decidem vender a propriedade do bisavô, Liana se vê diante de uma questão decisiva: transformar em dinheiro o cenário de sua infância, radicando-se em Londres, ou permanecer fiel àquele passado, aberta a uma nova história de amor, como tantas outras que se fizeram à beira daquele mar?
As duas narrativas avançam em paralelo, até que o passado toque o presente. Índios, brancos e negros, invasores, jesuítas e colonos, escravos fugidos, imigrantes europeus e até uma criança que surge na praia, sem nenhuma explicação, mesclam-se e povoam o paradisíaco Manguezal. E é essa cidade que exigirá que Liana decida se está pronta para fixar-se em Londres e no amor, ou se é preciso manter as possibilidades em aberto.Ana Maria Machado

O MAR NUNCA TRANSBORDA
Ficção
ISBN: 9788579622113
Lançamento: 01/04/2013
Formato: 15 x 23
240 páginas
Preço: R$ 42,90
Leia um trecho no site da Editora.

terça-feira, 7 de maio de 2013

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Julia Quinn

Julia Quinn começou a trabalhar em seu primeiro romance um mês depois de terminar a faculdade e nunca mais parou de escrever. Seus livros já atingiram a marca de 8 milhões de exemplares vendidos, sendo 3,5 milhões da série Os Bridgertons.

É formada pelas universidades Harvard e Radcliffe. Seus livros já entraram na lista de mais vendidos do The New York Times e foram traduzidos para 26 idiomas. Foi a autora mais jovem a entrar para o Romance Writers of America’s Hall of Fame, a Galeria da Fama dos Escritores Românticos dos Estados Unidos, e atualmente mora com a família no Noroeste Pacífico.

“Julia Quinn é nossa Jane Austen contemporânea.” – Jill Barnett Editora Arqueiro



sábado, 4 de maio de 2013

O Duque e Eu

Será que posso enquadar a autora Julia Quinn na minha lista de romances históricos?

Simon Basset, o irresistível duque de Hastings, acaba de retornar a Londres depois de seis anos viajando pelo mundo. Rico, bonito e solteiro, ele é um prato cheio para as mães da alta sociedade, que só pensam em arrumar um bom partido para suas filhas.

Simon, porém, tem o firme propósito de nunca se casar. Assim, para se livrar das garras dessas mulheres, precisa de um plano infalível.
É quando entra em cena Daphne Bridgerton, a irmã mais nova de seu melhor amigo. Apesar de espirituosa e dona de uma personalidade marcante, todos os homens que se interessam por ela são velhos demais, pouco inteligentes ou destituídos de qualquer tipo de charme. E os que têm potencial para ser bons maridos só a veem como uma boa amiga.
A ideia de Simon é fingir que a corteja. Dessa forma, de uma tacada só, ele conseguirá afastar as jovens obcecadas por um marido e atrairá vários pretendentes para Daphne. Afinal, se um duque está interessado nela, a jovem deve ter mais atrativos do que aparenta.
Mas, à medida que a farsa dos dois se desenrola, o sorriso malicioso e os olhos cheios de desejo de Simon tornam cada vez mais difícil para Daphne lembrar que tudo não passa de fingimento. Agora ela precisa fazer o impossível para não se apaixonar por esse conquistador inveterado que tem aversão a tudo o que ela mais quer na vida.
Primeiro dos oito livros da série Os Bridgertons, O duque e eu é uma bela história sobre o poder do amor, contada com o senso de humor afiado e a sensibilidade que são marcas registradas de Julia Quinn, autora com 8 milhões de exemplares vendidos.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Feliz Natal - 1914

O filme mostra como o exército da França, da Alemanha e da Escócia fizeram uma trégua em meio à Primeira Guerra Mundial, no ano de 1914 para confraternizar com o inimigo no dia 25 de dezembro - fato que acaba mudando a vida de vários personagens. O filme divide opiniões pelo seu tom água com açúcar diante de um aspecto tão delicado como a guerra e a morte de inocentes, mas não deixa de ser interessante conhecer melhor esse acontecimento histórico inusitado. No elenco estão Daniel Brühl e Diane Kruger.




  Carlos Maia exibe uma excelente resenha em Estudando o século XX:   Feliz Natal
Resenha do filme Feliz Natal (JOYEUX NOËL), um drama de 2005 de Christian Carion.
Resenhista: Carlo Maia

O filme nos traz os acontecimentos de uma noite de Natal, durante a Primeira Grande Guerra, em que alguns militares alemães, franceses e escoceses encontram-se em trincheiras. No campo de batalha, uma situação extraordinária acontece no momento em que escoceses começam a cantar canções festivas. No instante em que Nikolas Sprink, um tenor germânico, canta Noite Feliz, uma das canções mais populares do Natal, sua melodia é harmonizada por um flautista do lado inimigo. Um momento emocionante e único atinge esses combatentes que estabelecem uma trégua não oficial, para comemorarem juntos o Natal, concordando em um cessar-fogo para aquela noite.

Uma missa é celebrada pelo padre escocês, e no outro dia, enterram seus mortos além de jogarem uma partida de futebol. Durante um bombardeio de artilharia, ambos os lados entrincheirados se refugiam juntos para evitar mais mortes. Depois disso, o sacerdote é enviado de volta e repreendido pelo bispo (*), mesmo alegando seu ato ser de humanidade na condução de um ritual religioso. Os alemães envolvidos são levados para outro front e Audebert, um tenente da infantaria francesa, é enviado para Verdun sendo advertido por sua ação que poderia ter representado traição num tempo de guerra.

O exército tem importância vital para a manutenção de governos e expressão dos nacionalismos. Esse exacerbado patriotismo foi visualizado num conflito ao qual 20 milhões de pessoas foram mortas ou gravemente feridas. O grande trauma da Primeira Guerra Mundial é ligado às batalhas. E nesse contexto, o autor nos apresenta uma história fantástica no horror da guerra em que o espírito natalino se tornou a temática dos acontecimentos. Dessa maneira, o filme enfatiza a demonstração de humanidade protagonizada pelos indivíduos, numa atitude de bondade e confiança no inimigo.

Assim, a obra nos familiariza com o cenário europeu da Grande Guerra. Uma catástrofe de 4 anos paralizados em trincheiras em que 2/3 da juventude européia perdeu suas vidas. O evento que prenuncia uma crise total e muda a face do século que ora se inicia. E nos evidencia o instinto humano em sair das trincheiras, cessando a hostilidade e se cumprimentarem, naquele ato singular e sem amparo do comando.

Bibliografia:
HOBSBAWN, Eric. Da paz à Guerra, in A Era dos Impérios. Rio de janeiro. Paz e Terra, 1988.
Feliz Natal de Chistian Carion.
(*) em outro post contarei a vocês sobre essa missa e o discurso do novo padre diante dos novos recrutas.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Personagens Históricos - o limite entre a história e ficção

Transcrevo aqui as ponderações de Ken Follet ao final de sua obra Queda de Gigantes:
"Este livro possui vários personagens históricos, e os leitores às vezes me perguntam como eu estabeleço o limite entre história e ficção. É uma pergunta pertinente, e aqui está a resposta.
Em alguns casos, como, por exemplo, no discurso de Sir Edward Grey diante da Câmara dos Comuns, meus personagens fictícios estão presenciando um fato que realmente ocorreu. O que Sir Edward diz neste romance corresponde às atas do Parlamento, com a ressalva de que eu resumi o pronunciamento sem, assim espero, ter omitido nada importante.
Às vezes, um personagem histórico vai a um lugar fictício, como quando Winston Churchill visita Ty Gwyn. Nesse caso, eu verifiquei que Churchill tinha de fato o hábito de visitar casas de campo e que poderia tê-lo feito por volta da data em questão.
Nos momentos em que figuras históricas têm conversas com meus personagens fictícios, em geral estão dizendo coisas que realmente disseram em algum momento. Quando Lloyd George explica para Fitz por que prefere não deportar Lev Kamenev, o texto se baseia em um memorando escrito por Lloyd George, citado na biografia de Peter Rowland.
Minha regra é: ou a cena de fato aconteceu, ou poderia ter acontecido: ou as palavras foram de fato usadas, ou poderiam ter sido. E, caso eu encontre algum motivo que impossibilite a cena de ter acontecido na vida real, ou as palavras de terem sido ditas - como, por exemplo, se o personagem estivesse em outro país na ocasião -, deixo a passagem de fora."

Fui uma das leitoras que questionou Ken Follett: - Isso realmente aconteceu como ele conta aqui nesta obra?
Foi quando li sobre o Natal de 1914 nos arredores de Paris. As tropas inimigas se cumprimentaram e comemoraram o Natal, assim como uma trégua óbvia. Óbvia porque ninguém concordava com aquela guerra. Em breve eles poderiam visitar os novos amigos (com quem trocaram cartas e endereços) em seus países de origem - a insensatez daquela rivalidade não iria durar muito.
Soube por intermédio do Google que um filme francês relatava o episódio: Feliz Natal.