terça-feira, 30 de abril de 2013

Fascismo no Mundo

Ken Follett tem me apresentado questões que, em teoria, eu deveria ter conhecido há anos, na escola.
Se a gente não assimila a História em função da obrigação / da imposição por notas lamento não ter tido professores apaixonados que me fizessem compreeender as conexões passado/presente/futuro. Afinal, acredito, a História se repete!
Tenho tempo: antes tarde do que  nunca.

Hoje, são os romances históricos meu incentivo.

Lloyd, personagem da obra Inverno do Mundo, é filho bastardo de um lorde inglês. Este luta contra a democracia acreditando não ser o sistema mais adequado para a Inglaterra na década de 30. Aquele, contra o totalitarismo e perseguição injusta aos judeus. Vai, inclusive, lutar ao lado dos espanhóis contra o avanço do fascismo sob o comando da Falange Espanhola.

No site Linearismo temos a inumeração dos movimentos fascistas no mundo, não apenas o alemão e o italiano nas décadas 1920-40:
Na Itália, o Fascismo comandado por Benito Mussolini, camisas-negras.
Na Alemanha, o Nacional-Socialismo, ou Nazismo, tendo como Comandante o ex-Cabo do Exército Alemão Adolf Hitler, usavam camisas-pardas.
No Afeganistão, as Ligas Nacionalistas Afegãs.
Na África do Sul, os Camisas Cinzentas.
Na Argélia, os Camisas-Verdes.
Na Argentina, a Legião Cívica comandada pelo General Argentino Fasola Castano. Também o grupo Revulsion e o Acionalismo Corporativo.
Na Áustria, o Nacional Socialismo Austríaco.
Na Bélgica, os Capacetes de Aço e os Rexistas comandados por Leon Degrelle.
Na Letônia os Peskonkrusts anti-soviéticos.
Na Finlândia, os Guardas Brancas.
Na Bulgária, os Nacionalistas de Muchakov.
No Canadá os filiados ao Partido Nacional Social Cristão comandados pelos srs. Adrien Arcand e Joseph Menard.
Na Checoeslováquia, os Fasistické Listy, camisas negras.
No Chile, a Milícia Nacional Chilena.
Na Espanha, a Falange Espanhola de José Antônio Primo de Rivera.
Nos Estados Unidos, os Camisa-Káki na Filadélfia, comandados pelo Deputado Mac Fodder e o General Smedley. Também os White-Shirts ou “ Cruzados da Liberdade”, comandados por George Christians. E ainda os Silver-Shirts, ou Camisas-Prateadas, de Oklahoma, Utah, Carolina do Norte, comandados por Wiliam Dudley Pelley, violente anti-semita norte-americano. E por fim, os Guardas-Nacionais de Nova York e Chicago.
Na França, a Action Française, comandada por Charles Maurras e Jean Moreas. Existia ainda a Croix de Feu, ou Cruz de Fogo, comandados pelo Coronel De La Roque. Também a participação decisiva do Grande Escritor Leon de Poncins, autor da Obra de Referência Universal: “ As Forças Secretas da Revolução”, que desmascara a Revolução Russa e o patrocínio dos Banqueiros Internacionalistas aos Movimentos Comunistas.
Na Holanda, o Partido Nacional Socialista Holandês, com sede em Utrecht.
Na Hungria, o Movimento Fascista Húngaro do Almirante Horthy, que ajudou a depor o carniceiro judeu Bela-Kun que matou mais de 150.000 húngaros até 1929.


Na Inglaterra, o Fascismo Inglês comandado por Sir Oswald Mosley (foto) Camisas Pretas.
Na Irlanda, os Camisas Azuis, comandados pelo General O’Duffy.
Na Iugoslávia, a Orjuna, ou Movimento Fascista Iugoslavo.
No Japão, O Integralismo Japonês comandados pelo Deputado Matsuoka.
No México, os Camisas-Douradas. Existiu também a Ação Revolucionária Mexicana, comandados pelo Presidente Rodriguez e o General Aaron Saez.
No Peru, o Aprismo, ou Movimento Cultural Peruano, comandados pelo escritor Haya de La Torre.
Na Polônia, os Camisas-cor-de-Cereja, ou Partido Nacional Socialista Polonês, N.S.P.R.
Em Portugal, o Integralismo Lusitano, fundado pelo escritor Antônio Sardinha.
Na Romênia, o Partido Nacional Cristão e a Guarda de Ferro, comandadas por Corneliu Codreanu.
Na Rússia os Neo-Fascistas, ou Isvestia, que lutavam contra os Sovietes e o Politburo.
Na Suécia, os chamados Nazis-Brancos anti-semitas.
Na Suíça, os Frontistas, que lançaram o Manifesto de Lugano de 1935, sob o comando de Leonhardt
Na Turquia, o Partido Fascista Turco de Mustafá Kemal
No Uruguai, o Nacionalismo Celeste de Ernesto Bauzá e Teodomiro Varela.
No Iraque, as Frentes Fascistas dos militares Selim Hesun Bey e Abdul-Gafur Chaldji.
Na Austrália os Colonos Nacionalistas de Gustav Benn. E a New Guard sobre o Comando de Eric Campbell, com sede em Winnipeg.
E por fim, o Integralismo no Brasil, o maior Movimento de Massas da História brasileira, que reuniu mais de 1 milhão de adeptos, sob o Comando do escritor Plínio Salgado, e tendo milhares de figuras de projeção da Sociedade Brasileira. O Integralismo era um Movimento essencialmente espiritualista, o que o diferenciou de outros Movimentos ditos “ Fascistas”. A base doutrinária do Integralismo Brasileiro apresenta uma inegável superioridade aos outros Movimentos ditos fascistas. A proposta do Estado Integral contemplava um Estado Forte, porém democrático; uma participação popular efetiva; uma formação moral e espiritual do cidadão e uma Estrutura Corporativa de Governo, mais avançada do que a proposta Fascista na Itália.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Células-tronco e doação de cordão umbilical


Popularmente a célula-tronco poderia ser conhecida como "Maria vai com as outras".  Significa que uma vez implantada ela toma a forma e função de suas companheiras. Pode corrigir, por exemplo, uma imperfeição no coração.
As células-tronco embrionárias são as únicas com potencial de se transformar em qualquer tecido do corpo, de músculo a neurônio.

E a doação destas células é pouco divulgada e compreendida.
Você doa sangue?
Já se cadastrou para doação de medula óssea?
Eu respondo a sim a essas duas perguntas.
Mas desconhecia até o momento a possibilidade de doar o cordão umbilical. Mesmo que pessoalmente eu não o faça (não sou uma futura mamãe), posso influenciar amigos e amigas ao meu redor. E também os leitores deste blog.
Perdemos 7.000 cordões diariamente de onde poderíamos extrair células-tronco, isto porque é necessária autorização e acompanhamento das mães. Uma vez doado o cordão umbilical de seu filho para um banco público, meses depois a mãe deve ser reavalida para o caso de uma doença transmissível; em caso positivo, o cordão doado seria descartado.
Você que concorda e compreende a importância da doação de sangue, o que acha de iniciar a divulgação da doação de cordão umbilical?!
Li uma entrevista com Vanessa Rockenbach no blog Diário dos papais. Leia você também. Pesquise, informe-se!
(Vanessa Rockenbach é Administradora e responsável pelo Escritório Regional do BCU Brasil em Florianópolis e as respostas foram divulgadas com autorização da responsável técnica do BCU Brasil, a Dra. Adriana Ribeiro Homem, CRM/SP 95224).

Pó dos Livros

Que blog gostoso! Parabéns, Jaime Bulhosa!!
Transcrevo aqui uma postagem pra lá de interessante:

Um dia ainda editamos um livro, com a chancela Pó dos livros, só com as cartas que encontramos dentro dos livros usados. Esta é outra de muitas pérolas que vamos aos poucos juntando. A carta datada do ano de 1963 demonstra bem o servilismo do «operariado» que «era», no mínimo, vexatório. Se não acreditam leiam:

Caro e muito respeitado Mestre;

O meu filho da idade de nove anos, e que é também seu assíduo e obediente aluno, Pedro, não poderá ir à escola hoje, visto que é obrigado a substituir seu pai, que é, como sabe, porteiro da fábrica do senhor X.

Na última lição, o senhor fez o favor de dar como exercício ao nosso Pedro o seguinte problema: quanto tempo levará um homem a dar duas voltas e meia em redor dum campo que tem quatro quilómetros de comprimento e três de largura, dado que esse homem faz exactamente três quartos de quilómetro por hora?

Ora, respeitado senhor e mestre, nem o pobre Pedro, nem seu pai, que é porteiro do senhor X, nem eu própria, que sou uma sua humilde criada, não conseguimos resolver o problema.

Como, no entanto, estamos dispostos a dar uma educação e uma instrução perfeitas ao nosso filho único, depois de reunido o conselho de família encarámos a solução seguinte, para a qual pedimos e esperamos a sua alta aprovação.

O Pedro vai substituir hoje seu pai, nas funções de porteiro da fábrica. Seu pai, meu esposo, irá logo de manhã a um campo vizinho, para lhe medir, em primeiro lugar, o comprimento e a largura. Em seguida, com o seu relógio na mão – que é um relógio comprado no melhor relojoeiro da cidade e garantido por dois anos –, fará exactamente três quartos de quilómetro por hora em volta desse maldito campo, até que tenha feito duas vezes e meia a volta completa, para comunicar ao nosso querido filho Pedro o tempo que gastou.

Visto sermos simples operários e que cada minuto é precioso para nós, venho rogar-lhe, caro e muito respeitado Mestre, a sua benevolência no sentido de dar, de futuro, ao nosso querido filho único Pedro, só problemas que ele possa resolver sentado à sua banca de trabalho e sem ser necessário que ele ou seu pai dêem tantas passadas.

Sua criada, humilde e devotada,

Maria X

domingo, 28 de abril de 2013

Língua Portuguesa

Resolvi retomar os estudos e qual foi a matéria que escolhi?
Poderia ser espanhol, disciplinas do Direito, informática. Mas, escolhi o Português, de novo, : )
É fascinante, sem dúvida.
Pontos

No início era um ponto. Ponto de partida. O ponto onde a gente toca a circunferência, e faz-se a vida. Ponto pacífico.
O círculo é a timidez do ponto. A linha é o ponto desvairado. O travessão é o ponto-ante-ponto, a primeira exploração embevecida, a infância. Ligando as palavras.
Nasceu “Um ponto qualquer do mapa”. Sua mãe levou pontos depois do parto. A linha reta é o caminho mais chato entre o parto e o ponto final, preferiu o Ziguezague.
Teve uma vida pontilhada, os pontos que caíam nos exames, os pontos que subiam na Bolsa, os pontos de macumba, os pontapés. Mas sempre foi pontual.
O ponto é uma vírgula sem rabo.
A vírgula não é como o ponto e vírgula. A vírgula qualquer um usa, mas o ponto e vírgula requer prática e discernimento, vírgula modéstia à parte, ponto.
Nova linha. Fez ponto em frente à casa da namorada, uma circunferência com vários pontos positivos, apontada acima. Não dormiu no ponto, acabou convidado para entrar quando estava a ponto de desistir, pontificou sobre vários pontos, não demora já era apontado como íntimo da casa, jogava cartas (pontinho) com a família, parecia um pontífice, não desapontou. Casaram. Tinham muitos pontos em comum.
O sexo! Ponto de exclamação. Querida, estou a ponto de... não! Cuidado. Ponto fraco. A tangente toca a circunferência. Outro ponto no mapa. Parto. Pontos.
Tiveram muitos pontos em comum. Os outros caçoavam: que pontaria. Discordavam num ponto: a pílula.
Zig-zag-zig-zag. Os ponteiros andando. Um dia no futebol – jogava na ponta – sentiu umas pontadas. Coração. O ponto-chave.
O médico insistiu num ponto: pára.
Mas como? Chegara a um ponto que não podia parar, era um ponto projetado no espaço, a vida é um ponto com raiva, parar como? A que ponto? Saiu encurvado.
Como um ponto de interrogação.
Só uma solução, dois pontos: os treze pontos da loteria. Senão era um ponto morto. A linha era no eletro, outro ponto pacífico, o ponto no infinito, onde as paralelas, a distância mais curta entre, cheguei a um ponto em que, meu Deus... três pontinhos.
Jogou o que tinha num ponto de bicho e o que não tinha num ponto lotérico.
Não deu ponto.
Em casa a circunsferência e os sete pontinhos. Resolveu pingar os pontos nos "is". Melhor deixar uma viúva no ponto.
De um ponto de ônibus mergulhou, de ponta-cabeça, na ponta de um táxi, ou de um ponto de táxi na ponta de um ônibus, é um ponto discutível. Entregou os pontos.

VERÍSSIMO, Luis Fernando. O popular. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973, p.97-98.

sábado, 27 de abril de 2013

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Pijama de Flanela

A temperatura está amena – 23 graus, caindo junto com a noite que chega. O tempo está seco, legítimo dia de outono. Que mais posso dizer para justificar que, ao chegar em casa, coloquei, quase que imediatamente, o meu pijama de flanela?

Se tivesse sopa, tomaria feliz! Dizem que é mais elegante falar em caldo, não sopa...

O que quero compartilhar é esta vontade de dizer tanto, contar sobre o livro que leio, atualizar vocês sobre meus anseios e devaneios.

Ken Follett é o autor que me ampara ultimamente. No trabalho, no sufoco, no meio da ansiedade por desconhecer algumas tarefas e aprendê-las em tempo hábil, é nos seus personagens de Inverno do Mundo que “viajo” e torno todo o resto digestível/traduzível.

Conversei com Ingrid sobre ele, o Ken, ainda ontem. Que inveja sentimos de pessoas que têm essa facilidade para escrever, de transportar-nos a outros tempos, outros lugares como se estivéssemos lá, com eles...

Neste exato momento, exatamente na página 69, sinto a tensão dos alemães sócio-democratas diante da votação da lei que poria fim à democracia, em 1933. Os números pareciam claros: os nazistas eram minoria e não teria como a Lei Plenipotenciária, que permitia impor leis sem aprovação prévia do Parlamento, ser aprovada – necessário que dois terços dos representantes estivessem presentes para esta votação. Hitler, já eleito chefe de governo, foi mudando as regras devagar... Desde que o motivo da ausência fosse prisão (verídica, arbitrária ou forjada), a contagem dos dois terços excluiria esses ausentes. Os parlamentares do Partido do Centro (os católicos) com o intuito de apenas proteger a Igreja na Alemanha, acreditando nas promessas dos nazistas de que a Igreja Católica seria independente do Estado, as escolas católicas funcionariam sem entraves e não haveria discriminação contra católicos no funcionalismo público, apostaram na ineficácia da democracia (e iniciou-se a ditadura).

Interessante é ler um artigo no Google – sucinto – e vivenciar por meio dos personagens de Ken Follett exatamente como se deu a intimidação dos deputados no dia da votação da Lei: “Os social-democratas estavam pessimistas. Wels, líder do partido, precisava discursar no plenário, mas o que poderia dizer? Vários deputados afirmaram que , se ele criticasse Hitler, talvez não saísse vivo do prédio (aliás, todo cercado/vigiado por uniformes dos camisas-pardas). Também temiam por suas vidas.”
Voltarei logo com mais detalhes...

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O tempo entre costuras

Um lançamento, um título incomum, uma autora desconhecida...
Foram os elogios de blog em blog que chamaram a atenção dos leitores e a obra foi lançada em mais de 20 países, 12 outros idiomas.
A espionagem vista por um prisma essencialmente feminimo, domiciliar. Com o prestígio de personagens verídicos e cenários reaiis durante a Guerra Civil Espanhola e Segunda Guerra Mundial.
Consegue imaginar código morse como prepontos em moldes de uma costureira?!



Simplesmente adooorei o livro O Tempo Entre Costuras - vale a indicação!!




Autor: Dueñas, María
Editora: Planeta do Brasil
Categoria: Literatura Estrangeira / Romance
A escritora María Dueñas é um verdadeiro fenômeno. Quando ela lançou este maravilhoso O tempo entre costuras, em 2009, não esperava a repercussão que alcançou. Hoje, disputada pelas maiores editoras do mundo, María Dueñas é comparada a Carlos Ruiz Zafón por sua prosa hipnotizadora e a forma cheia de imaginação e delicadeza com que combina fatos e personagens reais com ficcionais. A verdade é que depois que se conhece Sira Quiroga, a encantadora costureira que protagoniza esta aventura, é impossível esquecê--la. O cuidado de María Dueñas com as palavras faz o leitor ouvir a respiração daquela frágil e pobre trabalhadora que um dia se apaixona loucamente, parte de Madri para o romântico Marrocos, meses antes da Guerra Civil Espanhola (1936- 1939), para ter sua inocência triturada pelos caminhos da vida. Até que se transforma uma vez mais para mergulhar, durante a Segunda Guerra Mundial, em um novo mundo, agora repleto de espiões, impostores e fugitivos.