quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Morte por fogo amigo

"Desde que o Homo sapiens se aglutinou em tribos, a guerra faz parte da condição humana. Inevitavelmente, as sociedades guerreiras retratam suas campanhas como lutas virtuosas, e apresentam seus guerreiros tombados como heróis que fizeram o supremo sacrifício por uma causa nobre. Mas a morte pelo chamado fogo amigo, um aspecto inevitável do conflito armado na era moderna, não se enquadra nessa narrativa mítica. Ela remove o verniz heroico da guerra para revelar o que jaz por baixo. Trata-se de um lembrete perturbador de que o barbarismo, a violência insensata e as mortes aleatórias constituem lugares-comuns mesmo na mais "justa" e "honrosa" das guerras. Por conseguinte, e de forma previsível, quando soldados matam acidentalmente um colega, há uma tremanda relutância em confrontar a verdade dentro das fileiras das forças armadas. Há uma inclinação irresistível a manter os detalhes impalatáveis ocultos da visão pública, a fingir que a calamidade nunca ocorreu. Sempre foi assim, e provavelmente sempre será. Como Ésquilo, o sublime autor grego de tragédias, observou no século V a.C.: "Na guerra, a primeira vítima é a verdade." (pág.25, Companhia das Letras, 2011)

Pois temos agora a oportunidade de visualizar mentalmente alguns destes detalhes impalatáveis na narração de Jon Krakauer em Onde os homens conquistam a glória, a odisséis de um soldado americano no Iraque e no Afeganistão.
Krakauer nos conta sobre a morte de Patt Tillman no seu último livro publicado pela Companhia das Letras.
ONDE OS HOMENS CONQUISTAM A GLÓRIA (2011)
NO AR RAREFEITO (EDIÇÃO DE BOLSO) (2006)
PELA BANDEIRA DO PARAÍSO (2003)
SOBRE HOMENS E MONTANHAS (1999)
NA NATUREZA SELVAGEM (1998)
NO AR RAREFEITO (1997)

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