sábado, 29 de setembro de 2012

O Mestre das Iluminuras II

O Mestre das Iluminuras conta sobre uma tentativa de popularizar a Palavra, traduzindo do Livro de São João para o inglês clandestinamente, ou melhor, perigosamente.

Na Inglaterra do século XIV, apenas o latim era tido como o idioma oficial - aos clérigos cabia a exclusividade de liberação do acesso ao Paraíso com a tradução e divulgação de dogmas, além da venda de indulgências.

Pág. 255/256 - transcrição do diálogo entre o bispo Henry Despenser e a mística Julian de Norwich:"- Fique sabendo, anacoreta, que uma tradução tão vulgar profana a Sagrada Escritura. Ademais, os leigos não possuem nem a inteligência nem a sabedoria necessárias para interpretar as Escrituras. Só as usariam para discutir com os mais instruídos, em detrimento de suas almas.
Seria uma repreensão, uma advertência dirigida a ela ou apenas uma observação? Fosse o que fosse, a declaração era incorreta. Muitos clérigos de quem as massas adquiriam orientação religiosa não eram nada instruídos; mal sabiam ler e escrever além de uma poucas frases decoradas da Vulgata. Mas ela achou melhor não replicar e preferiu dizer:
- O inglês é amplamente usado em Londres. Não é apenas a linguagem do povo, é a língua falada na corte.
- Na corte, pois sim. Sei de alguém na corte, John de Graunt, o regente do rei, que concordaria com a senhora. Mas o duque não se conta entre os amigos da Santa Igreja. Apóia John Wycliffe, que envia seus pregadores lollardos resmungões para o interior do país com seus panfletos ingleses para arengar contra os bispos e padres e fazer falsas acusações de corrupção e apostasia. - Ele pontuava suas palavras com socos na escrivaninha. - Agitando a ralé com doutrinas mentirosas, ideias falsas de igualdade. - A sobrancelha acima do olho esquerdo desenvolvera um tique. - ele também escreve em inglês. Anacoreta, espero que não tenha sido influenciada por ele. O que ele prega são heresias. E os heréticos não serão tolerados!" 

Outra resenha:
O Mestre das Iluminuras se desenrola na Inglaterra feudal, num momento conturbado e de decisivas mudanças. Assolada pela peste e pelas guerras, a população se sentia oprimida pelos crescentes impostos do rei e pelos dízimos da Igreja. E, para piorar, não tinha sequer acesso direto à palavra de Deus, pois a tradução da Bíblia para o inglês era considerada uma heresia.
Caros e raros, os livros eram escritos somente em latim ou francês normando, esmeradamente copiados à mão e decorados com requintadas iluminuras – e portanto disponíveis apenas para a nobreza e o clero. Até que o teólogo e professor da Universidade de Oxford, John Wycliffe, resolve se insurgir contra essa situação e começa a traduzir as Escrituras para a língua inglesa.
A partir desses fatos históricos, Brenda Rickman Vantrease constrói um romance que prende o leitor da primeira à última página. Com grande talento, ela pinta seus personagens ficcionais – como Finn, o mestre iluminador encarregado de adornar a Bíblia em inglês – com cores tão vívidas que os faz parecerem reais.
Artesão de renome, Finn defende idéias consideradas revolucionárias para a época, saindo em defesa dos pobres e contrariando os interesses de homens poderosos como Henry Despenser, o Bispo Guerreiro. Pai dedicado, homem de grandes paixões e de um passado misterioso, ele acaba se envolvendo com Lady Kathryn – uma bela viúva que o hospeda em sua casa – e expondo ao perigo sua vida e a das pessoas que mais ama.
Entrelaçando o destino de seus personagens com o de figuras históricas como Wycliffe, o Bispo Despenser e a mística Julian de Norwich, a autora cria uma incrível trama de amor, traição, assassinato, arte e religião que revela as conseqüências da opressão política e espiritual e ilumina o poder do amor e da palavra escrita como formas de salvação.
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Fonte: Editora Sextante

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