domingo, 30 de setembro de 2012

Discriminar aquele que não gosta de ler

Concordo com Jaime Bulhosa do site Pó dos Livros!
Leia que interessante a comparação entre o livro (para quem não gosta de ler) e o placebo...

"Quando me fazem uma das perguntas mais frequentes numa livraria: «queria um livro para alguém que não gosta de ler», imediatamente penso que é o equivalente a pedirem-me uma cerveja sem álcool, um café sem cafeína ou um cigarro electrónico sem nicotina, isto é, um livro sem enredo, sem personagens, sem sentimentos, sem emoções, sem ideias. O pior é que se abre uma multiplicidade de hipóteses das quais não posso fugir, os livros editados para pessoas que não gostam de ler são, paradoxalmente, a maior fatia da oferta que existe no mercado. Basta passear um pouco por uma grande superfície e verificar a grande quantidade de livros iguais no seu aspecto estético e temático, para perceber que essa é a lei que impera. Não quero parecer elitista ao criticar a opção de se ler esse tipo de livros, é legitimo fazê-lo. Mas sejam quais forem os prazeres de desfrutar de um livro, enquanto objecto que nos permite levitar para outro mundo, esta não pode ser a única abordagem da leitura. Um livro pode, de facto, mudar a nossa vida. Não é o trabalho de um escritor uma espécie de instrumento óptico que é oferecido ao leitor para lhe possibilitar encontrar aquilo que, sem a ajuda do livro, nunca teria conseguido sentir sozinho? Não será um livro a descoberta do eu através dos outros? Já Marcel Proust dizia que é sempre mais interessante citar os outros do que nos citarmos a nós próprios. Para Orhan Pamuk um livro, para além do seu enredo e das personagens, tem que ter uma ideia central, aquilo a que Pamuk chama o centro do livro ou desígnio do livro. A função de um livro não é apenas a de nos dar prazer, ou seja, um analgésico, de efeito efémero, que ajuda a minimizar a solidão ou a passar o tempo enquanto viajamos de autocarro ou de comboio; pode, pelo contrário, criar-nos angústia, medo e dúvida, mas também nos pode dar respostas. Porém, parece que a maioria das pessoas quer apenas um sucedâneo, um placebo, algo que simplesmente as distraia e seja inócuo. É uma opção."
Jaime Bulhosa

Uma opção que não pode sofrer discriminação!

sábado, 29 de setembro de 2012

O Mestre das Iluminuras II

O Mestre das Iluminuras conta sobre uma tentativa de popularizar a Palavra, traduzindo do Livro de São João para o inglês clandestinamente, ou melhor, perigosamente.

Na Inglaterra do século XIV, apenas o latim era tido como o idioma oficial - aos clérigos cabia a exclusividade de liberação do acesso ao Paraíso com a tradução e divulgação de dogmas, além da venda de indulgências.

Pág. 255/256 - transcrição do diálogo entre o bispo Henry Despenser e a mística Julian de Norwich:"- Fique sabendo, anacoreta, que uma tradução tão vulgar profana a Sagrada Escritura. Ademais, os leigos não possuem nem a inteligência nem a sabedoria necessárias para interpretar as Escrituras. Só as usariam para discutir com os mais instruídos, em detrimento de suas almas.
Seria uma repreensão, uma advertência dirigida a ela ou apenas uma observação? Fosse o que fosse, a declaração era incorreta. Muitos clérigos de quem as massas adquiriam orientação religiosa não eram nada instruídos; mal sabiam ler e escrever além de uma poucas frases decoradas da Vulgata. Mas ela achou melhor não replicar e preferiu dizer:
- O inglês é amplamente usado em Londres. Não é apenas a linguagem do povo, é a língua falada na corte.
- Na corte, pois sim. Sei de alguém na corte, John de Graunt, o regente do rei, que concordaria com a senhora. Mas o duque não se conta entre os amigos da Santa Igreja. Apóia John Wycliffe, que envia seus pregadores lollardos resmungões para o interior do país com seus panfletos ingleses para arengar contra os bispos e padres e fazer falsas acusações de corrupção e apostasia. - Ele pontuava suas palavras com socos na escrivaninha. - Agitando a ralé com doutrinas mentirosas, ideias falsas de igualdade. - A sobrancelha acima do olho esquerdo desenvolvera um tique. - ele também escreve em inglês. Anacoreta, espero que não tenha sido influenciada por ele. O que ele prega são heresias. E os heréticos não serão tolerados!" 

Outra resenha:
O Mestre das Iluminuras se desenrola na Inglaterra feudal, num momento conturbado e de decisivas mudanças. Assolada pela peste e pelas guerras, a população se sentia oprimida pelos crescentes impostos do rei e pelos dízimos da Igreja. E, para piorar, não tinha sequer acesso direto à palavra de Deus, pois a tradução da Bíblia para o inglês era considerada uma heresia.
Caros e raros, os livros eram escritos somente em latim ou francês normando, esmeradamente copiados à mão e decorados com requintadas iluminuras – e portanto disponíveis apenas para a nobreza e o clero. Até que o teólogo e professor da Universidade de Oxford, John Wycliffe, resolve se insurgir contra essa situação e começa a traduzir as Escrituras para a língua inglesa.
A partir desses fatos históricos, Brenda Rickman Vantrease constrói um romance que prende o leitor da primeira à última página. Com grande talento, ela pinta seus personagens ficcionais – como Finn, o mestre iluminador encarregado de adornar a Bíblia em inglês – com cores tão vívidas que os faz parecerem reais.
Artesão de renome, Finn defende idéias consideradas revolucionárias para a época, saindo em defesa dos pobres e contrariando os interesses de homens poderosos como Henry Despenser, o Bispo Guerreiro. Pai dedicado, homem de grandes paixões e de um passado misterioso, ele acaba se envolvendo com Lady Kathryn – uma bela viúva que o hospeda em sua casa – e expondo ao perigo sua vida e a das pessoas que mais ama.
Entrelaçando o destino de seus personagens com o de figuras históricas como Wycliffe, o Bispo Despenser e a mística Julian de Norwich, a autora cria uma incrível trama de amor, traição, assassinato, arte e religião que revela as conseqüências da opressão política e espiritual e ilumina o poder do amor e da palavra escrita como formas de salvação.
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Fonte: Editora Sextante

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Monte Manaslu - Himalaia

Notícia site terra: Nove alpinistas, incluindo europeus, morreram em uma avalanche no domingo no monte Manaslu, a oitava maior montanha do mundo, na cordilheira do Himalaia no Nepal. A expedição, que era formada por 25 alpinistas, havia praticamente alcançado o cume do monte Manaslu (8.156 metros) quando aconteceu a avalanche na manhã de domingo.
"A maioria das pessoas mortas são francesas", disse o sherpa Ang Tshering, vice-presidente da Associação de Alpinistas do Nepal, após uma conversa por telefone por satélite com membros da expedição. As condições meteorológicas prejudicavam os voos de helicópteros e muitos feridos permaneceram no acampamento base.
Um dos sobreviventes da tragédia, o italiano Silvio Mondanelli, afirmou à imprensa de seu país que pelo menos 13 pessoas morreram na avalanche. Mondanelli explicou que a avalanche sepultou o acampamento base nº 3 do Manaslu, a 7 mil metros de altura.
A avalanche teria acontecido às 5h, de acordo com testemunhas. No momento, todos os alpinistas estavam dormindo em suas barracas e foram atingidos em cheio pela grande massa de neve e gelo.
O Nepal tem oito das 14 maiores montanhas do mundo, todas acima de 8.000 metros de altura, incluindo o Monte Everest, o maior do planeta e que atrai milhares de alpinistas a cada ano. A Manaslu é a oitava montanha na lista das maiores do mundo e é considerada a mais perigosa.
24/set/2012

sábado, 22 de setembro de 2012

Histórias para crianças

365 Historias - Uma para Cada Dia do Ano

Autor: Todolivro
Editora: Todolivro
Categoria: Literatura Infanto-Juvenil / Literatura Crianças 3-5 Anos
Este livro traz uma coletânea de belos contos de fadas e historias divertidas, cheias de imaginação. Você terá um texto diferente para ler a cada dia do ano

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Um outro ponto de vista

Trecho da obra Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, de Leandro Narloch:

(...) "Ninguém, no entanto, culpa os índios por um hábito tão trágico quanto o álcool: fumar tabaco. Até os navegadores descobrirem a América, não havia cigarros na Europa nem o costume de tragar fumaça. (...)
É provável que a primeira plantação de tabaco para exportação do mundo tenha sido uma roça paulista de 1548. (...) Séculos depois, com a industrialização do cigarro, o hábito de fumar tabaco resultaria numa catástrofe com milhões de mortes. A Organização Mundial de Saúde estima que o fumo vai matar 1 bilhão de pessoas no século 21. Culpa dos índios? Claro que não. Os índios e seus descendentes não têm nenhuma responsabilidade sobre um hábito que copiamos deles. Na verdade, temos é que agradecer a eles por terem nos iniciado nesse costume maravilhoso, que é fumar tabaco e outras ervas deliciosas. Da mesma forma, quem hoje se considera índio poderia deixar de culpar os outros por seus problemas."

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Ken Follett

Depois de ler Mundo Sem Fim em 6 dias (tá certo que foi durante as férias; mas, foram 940 páginas), estou convencida que a nova trilogia do século XX estará em breve na minha estante. Ele é booooom mesmo! Não há como negar!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O Mestre das Iluminuras

Autora: Vantrease, Brenda Rickman
Editora: Sextante
Categoria: Literatura Estrangeira / Romance
424 pp - 2006
A partir desses fatos históricos, Brenda R. Vantrease constrói um romance que prende o leitor da primeira à última página. "O Mestre de Iluminuras" se desenrola na Inglaterra feudal, num momento conturbado e de decisivas mudanças. Assolada pela peste e pelas guerras, a população se sentia oprimida pelos crescentes impostos do rei e pelos dízimos da Igreja.

Resenha do site InfoEscola :
“O Mestre das Iluminuras“, romance de estréia da americana Brenda Rickman Vantrease, se desenrola na Inglaterra do século XIV, época de dupla opressão sobre as camadas sociais, de um lado por parte do Rei, do outro pela Igreja, com impostos, dízimos e ameaças diversas pairando sobre suas cabeças. A trama, que se desdobra em torno de Finn, o Mestre de Iluminuras, revela um mundo regido pelo masculino, completamente enraizado no patriarcalismo, no qual as mulheres não têm voz nem vez, seja qual for sua posição social. Ironicamente, porém, as páginas deste livro são povoadas por personagens femininas marcantes, como a Senhora de Blackingham, Kathryn – viúva que se encontra em sérias dificuldades financeiras e hospeda em sua casa o iluminador e sua filha Rose, em troca de um alívio nas finanças, – e Julian de Norwich – mística reclusa.
Neste momento conturbado da História, o clero tem o monopólio da salvação das almas e responde por Deus perante os homens. Os textos sagrados são propriedades exclusivas da Igreja, escritos apenas em latim ou francês normando, língua dos nobres, e tão somente interpretados pela hierarquia clerical. Os livros são raros e copiados à mão pelos monges, decorados com luxo e requinte por iluminadores, refletindo assim o poder e a vaidade de padres, bispos e arcebispos. Estes mergulham cada vez mais na riqueza material, na ganância, na vida indisciplinada, regada a fartos banquetes e orgias.
O Bispo Despenser, mais conhecido como o Bispo Guerreiro, pela forma violenta como debelou a Revolta dos Camponeses de 1381, jovem, imaturo e mimado, é a figura que condensa toda a extravagância e a tirania do clero neste período. Em uma passagem brilhante e crua, a descrição da comemoração da Noite de Reis, a autora se supera ao retratar como, durante a exibição de uma farsa, os artistas recriam, diante da nobreza e do clero, uma imitação irônica do comportamento de seus membros, impregnada de ódio e desprezo. Nesta Festa da Epifania, o profano e o sagrado se mesclam, o mundo vira de cabeça para baixo, e por uma noite invertem-se posições e hierarquias sociais. As camadas inferiores vão à forra, mas o público presente parece não se importar com essa transgressão, e se inebria de prazer ao ver diante de si o espelho de suas ações, como predadores que se deleitam diante de suas presas, da exibição de suas conquistas.
A narrativa mistura ficção e história. Ao lado dos personagens criados pela imaginação da autora desfilam figuras históricas, como Julian de Norwich, o Bispo Henry Despenser, John Ball, julgado e enforcado por conta da sua defesa ardente de uma sociedade sem classes, e John Wycliffe, teólogo e professor da Universidade de Oxford. Em 1379, o mestre desencadeia forças que conduzem mais adiante à Reforma Protestante, movimento contestador dos abusos cometidos pela Igreja. Ao escrever em inglês, a linguagem da plebe, Wycliffe torna as Escrituras acessíveis para qualquer um, e prega que todos podem chegar a Deus sem a intervenção da Igreja, ou seja, cada homem pode ser seu próprio padre.
Julian nasce em 1342 e morre em Norwich, Inglaterra, em 1423. Beneditina e reclusa nesta cidade inglesa, ela experimenta dezesseis revelações. Seu livro, “Revelações do Amor Divino”, no qual ela retrata suas visões, a transforma em uma das mais importantes escritoras da Inglaterra. Ela é responsável por algumas das passagens mais belas e poéticas, ao descrever suas visões do Mestre. A autora vai além da imagem tradicional de uma santa, mergulha em sua alma e revela suas angústias, inquietações e dúvidas.
È neste cenário da Inglaterra feudal, no qual valores e conceitos tradicionais são subitamente contestados, antigas noções de honra e fidelidade são desafiadas, que se desenrola esta trama de amor, traição, arte e religião. Finn é um personagem enigmático e ambíguo, mais complexo do que parece. Aparentemente um cavaleiro à moda antiga, ele traz em si uma face sombria, misteriosa, e logo se percebe que o Mestre de Iluminuras vive uma vida dupla, que pode custar sua própria vida, colocar em risco sua filha Rose, e os que se envolvem com ele, como Kathryn, seus filhos, Julian, a anacoreta reclusa na Igreja de Saint Julian, e seu melhor amigo, o anão Meio-Tom. Em um universo saturado de preconceitos e discriminações, o segredo de Finn pode detonar uma explosão em cadeia à sua volta.
Lady Kathryn também tem seus próprios temores e mistérios, e em nome do bem-estar dos filhos é capaz de sacrificar sua própria felicidade. Ao lado de Finn, é uma das personagens mais marcantes desta narrativa. Proprietária de Blackingham, ela é pressionada de um lado pela Igreja, que ambiciona seus bens, e de outro pelo xerife, Sir Guy de Fontaigne, típico representante do poder local, de olho em suas terras. Além disso, tem que lidar com a ganância de seu capataz e com seus próprios sentimentos, ao mesmo tempo em que luta para manter sua família unida e os antigos laços de fidelidade de seus servos. Neste retrato de uma época, Brenda Vantrease também aborda os poderes femininos, como o de Agnes na cozinha e o de Magda na leitura das almas, o de Rose nas artes e o de Julian em suas visões. A escritora realiza uma pesquisa histórica minuciosa, e traduz esse conhecimento em uma narrativa vibrante, eletrizante, que prende do princípio ao fim do livro, mesmo nas esferas mais descritivas da trama.
Brenda Rickman Vantrease é ex-professora de inglês e bibliotecária aposentada. Doutorada em Inglês pela Middle Tennessee State University, a escritora estréia no mundo da ficção com esta trama que aborda justamente a Escrita. Ela mergulha fundo na História, revelando como ela pode se tornar um instrumento de opressão e submissão dos que a ela não têm acesso. E expõe até que ponto a Escrita é capaz de se tornar um instrumento de poder, mas também o quanto ela pode ser libertadora, transformando-se muitas vezes no único caminho para a salvação, no encantamento que dissipa as sombras e produz a luz. “E o Verbo fez-se luz…”

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Intocáveis

Fantáááástico! Divertido, sensível, interessante, uma lição de vida!
Exato! O milionário Philippe Pozzo di Borgo* não queria compaixão!!! E encontrou um amigo de verdade!
Recomandado!

* Leia a entrevista abaixo:
Um dos filmes mais falados do ano, o francês Intocáveis estreou na última sexta-feira no Brasil com um enredo nada convencional e um sucesso estrondoso: o longa se tornou um fenômeno de bilheteria mundial, arrecadando 360 milhões de dólares e passando a ser o segundo título mais visto da história do cinema francês, além de receber nove indicações ao César, o Oscar francês.


Comédia sobre o valor da amizade, Intocáveis é baseado na história real de amizade entre um milionário francês tetraplégico, Philippe Pozzo di Borgo, e um imigrante algeriano que ele contrata como seu enfermeiro, Abdel Selou (que no longa virou o personagem Driss), e que acaba fazendo com que ele volte a ver graça na vida, mesmo com todas as dificuldades de ser deficiente físico e após a morte de sua mulher, Beatrice. Hoje em dia, Borgo continua morando na França, mas com sua nova mulher. Já Selou se casou, teve filhos e se mudou para o Marrocos.

Antes de virar filme, a história já havia sido um bem-sucedido documentário de 2004 (À La Vie, À la Mort) e se transformado em dois livros que se tornaram best-sellers na França, um escrito por Borgo e outro por Selou - o primeiro saiu no Brasil neste mês pela editora Intrínseca com o título O Segundo Suspiro. Em entrevista ao site de VEJA, Borgo falou sobre sua vida após o acidente que o deixou tetraplégico e sobre as lições de vida que tirou de sua relação com Selou.
Por que o senhor acha que o filme fez tanto sucesso?
Vivemos em uma época de ansiedade muito grande, por causa da situação econômica e política mundial. Então, acho que as pessoas ficaram felizes de ver que dois caras em péssimas condições ainda podiam aproveitar muito bem a vida e ajudar um ao outro. Há uma grande necessidade de reconciliação, de aceitação das diferenças e das fraquezas, de aproveitar o momento. Isso, somado ao grande talento dos diretores, atores e produtores envolvidos, foi o responsável pelo sucesso do filme.
Por que decidiu contar sua história em um livro?
Depois da morte da minha mulher, eu passei por uma depressão terrível, que eu não tinha vivido apos o acidente que me deixou paraplégico, ocorrido três anos antes. Quando Beatrice morreu, suas ultimas palavras foram: 'Você tem que seguir em frente, e expressar sua dor em palavras vai te ajudar'. Dois anos depois, eu estava deitado há meses, com dor, e comecei a gravar frases em um gravador portátil. Pouco a pouco, pelos próximos dois anos, eu revivi minhas memórias, a maioria delas no silêncio da noite, e comecei a me reconstruir. Então comecei a gostar das palavras, e passei a trabalhar no livro.
Qual foi a parte mais difícil de se tornar deficiente físico?
Não conseguir pegar minha mulher e meus filhos no colo.
O que mudou na forma como o senhor vê a vida?
Muitas coisas. Primeiro de tudo, ver o mundo de uma cama ou de uma cadeira de rodas não é o mesmo que vê-lo em pé. Eu descobri que eu era frágil, não era eterno, e que o tempo contava. Mas, especialmente, que a dor me deixa desconfortável e que, portanto, cada momento que eu me sinto bem tem que ser completamente aproveitado. Eu não gasto meu tempo em coisas desnecessárias. Ser totalmente dependente dos outros requer que você seja agradável com eles, do contrário, eles me esquecerão. Antes do acidente, eu costumava usar muito a minha influência para conseguir o que eu queria. Não é a melhor maneira e a sociedade seria muito mais agradável se nós pedíssemos as coisas gentilmente. Eu aprendi a ser paciente, especialmente durante as noites longas de insônia, e a conviver com o silêncio.
Qual foi a primeira coisa que passou pela sua cabeça quando conheceu Abdel? E por que decidiu contratá-lo?
Pensei: 'Esse é exatamente o cara que eu preciso, ele é inteligente, relaxado, rápido, forte, vai conseguir me ajudar a cuidar da minha mulher e da minha condição física'.
Como está Abdel? Qual é a relação de vocês hoje?
Ele está casado há 8 anos, tem 3 filhos dos quais ele se orgulha muito. Ele está um pouco fora de forma e por isso prefere ser gentil a entrar em uma briga. Esses dias ele me disse: 'Se eu cruzasse com o antigo Abdel, perderia.' Nós nos vemos constantemente, ou na França ou no Marrocos, e às vezes nos encontramos em eventos para a imprensa. Os filhos dele me chamam de “tio” e minhas filhas o tratam da mesma maneira.
Muitos diretores procuraram o senhor e Abdel antes de Olivier e Eric. Por que deixaram que eles fizessem o filme?
Eu gostei muito da generosidade e da inteligência com que eles levaram o filme. Eu já fui procurado por grandes nomes, mas nunca tinha consentido porque faltava senso de humor. Embora eles tenham adaptado a história, minha mulher e eu ficamos com a impressão de que os detalhes ainda estão lá. Ao mesmo tempo, nossos amigos estavam rindo e chorando ao mesmo tempo, então sentimos que alguma coisa havia acontecido. Na première em Paris, as pessoas bateram palmas por vários minutos em pé. Os diretores merecem esse sucesso, pois acertaram o tom. Uma semana depois, eles mostraram o filme no hospital para deficientes físicos no qual eu passei algum tempo nos últimos 20 anos, e somente as pessoas mais debilitadas podiam entrar. Você devia ver as risadas deles.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Os Homens que não amavam as mulheres - filme

Assisti às duas versões cinematográficas: a sueca  (2009) e a americana (2011).
A última é mais fiel à obra literária de Stieg Larsson, ao menos, nos detalhes...
Somente o autor da obra poderia nos confirmar qual a verdadeira Lisbeth Salander: a autômata/distante sueca ou aquela mais humana da versão americana.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Outro formato...

Orquídea branca...
Desta vez não é do vizinho...

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Orquídeas do vizinho

Em janeiro, foi uma amarela...
Em março, cor-de-rosa...



Agora, temos as brancas, que são a maioria!!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

Crítica à regravação feita pelo cineastra David Fincher:
O jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig), após passar por um perrengue judicial, é contratado pelo rico e influente Henrik Vanger (Christopher Plummer) para solucionar o desaparecimento da sobrinha deste, Harriet, que ocorreu há mais de quatro décadas. Enquanto isso, conhecemos a hacker Lisbeth Salander (Rooney Mara) que, a despeito de seu brilhantismo, se mostra incapaz de interagir em sociedade da maneira habitual, trazendo consigo um passado trágico e um quê auto-destrutivo fascinante. As vidas de Blomkvist e Salander se cruzam de maneira explosiva, revelando vários esqueletos que a problemática família Vanger deseja ver enterrados.
Os momentos cruciais em tramas de mistério são aqueles em que acompanhamos os protagonistas solucionando seus desafios e compreendemos o raciocínio lógico por trás de suas descobertas. A definição sobre a inteligência do texto e dos personagens acontece ali, sendo tais sequências capazes de diferenciar bons filmes de meros engodos. O texto de Steve Zaillian e o preciosismo gráfico de Fincher nos permitem entrar na cabeça de Blomkvist e Salander enquanto trabalham, tornando a investigação mais tensa e real, mesmo quando as habilidades de Lisbeth com os computadores tornam tais investidas um pouco menos verossímeis, algo que o próprio filme brinca ao mostrar o desconforto de Mikael com tais ações digitais.
Nesse sentido, a trilha sonora da dupla Trent Reznor e Atticus Ross e a montagem criam um clima de urgência tão presentes que tornam os “mergulhos” nas mentes de Mikael e Lisbeth sufocantemente ágeis, nos ajudando a navegar em meio aos fluxos constantes de flashbacks. Dessa forma, o público jamais se sente perdido ou entediado em tais momentos, mas sim posto em um estado de tensão constante.
Outro grande acerto da produção foi manter a história na Suécia. Transferir a trama para algum lugar dos EUA acabaria por extirpar boa parte da atração visual do filme, considerando o uso magnífico das paisagens marcadas por uma opressiva onipresença do branco por Fincher e seu diretor de fotografia, Jeff Cronenweth, merecidamente indicado ao Oscar por seu trabalho aqui. Até mesmo a percepção de frieza que o mundo tem dos suecos acaba contribuindo para o clima imposto no decorrer da narrativa. Tal decisão também cobra seu preço, sendo impossível não sentir certa estranheza ao ver pessoas na Suécia falando quase exclusivamente inglês no universo realista proposto pelo diretor.
Zaillian e Fincher também compreendem que a investigação, por mais interessante que seja, funciona mais como uma desculpa para que conheçamos mais sobre os personagens principais, tanto que o filme prossegue mesmo após a resolução desta. As personalidades e os conflitos de Mikael e Lisbeth são realmente o que tornam a fita tão instigante, principalmente no caso da hacker. Não é à toa que, no primeiro ato da projeção, a garota possui uma trama paralela ao mistério de Harriet, revelando mais e mais sobre sua existência tortuosa e como sua natureza agressiva pode ser terrível ao ser provocada.
O background de Salander e suas tendências para a autoflagelação complementam as tentativas de Mikael de se livrar de alguns de seus problemas e vícios. O relacionamento do jornalista com Erika (Robin Wright), sua bela e casada colega na revista Millennium, cria um interessante contraponto para a relação dos dois protagonistas.
Enquanto Daniel Craig explora de maneira admirável o orgulho e a angústia de Mikael com a situação delicada na qual se encontra, bem como seu desejo em resolver certos aspectos da sua vida, é inegável que o filme pertence a Rooney Mara, que compõe de maneira fabulosa sua Lisbeth, ficando claros os motivos que levaram David Fincher a apostar na garota mesmo quando nomes mais famosos mostraram claro interesse pelo papel.

Se entregando sem medo a uma personagem difícil, repleta de nuances e jamais usando o visual punk como muleta, Mara convence não só nos momentos mais chocantes de Lisbeth, mas também naqueles mais introspectivos, como em um simples jogo de xadrez com seu ex-tutor, mostrando ali uma ânsia em expressar um sentimento com o qual ela é pouco familiar.
O clã Vanger também está muito bem representado com performances marcantes por parte de Christopher Plummer e Stellan Skarsgård, cujos trabalhos revelam pistas sutis sobre a verdadeira natureza dos mistérios envolvendo aquela família, descrita pelo seu líder como um bando de degenerados miseráveis e ladrões.
Inteligente, arrebatador e repleto de personagens interessantes e atuações idem, “Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres” é uma adaptação mais do que digna do sucesso que os livros de Larsson, deixando o público salivando por mais na saída do cinema. Recomendado.
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Thiago Siqueira é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.



domingo, 2 de setembro de 2012

Arte em BH

Palácio das Artes

Noite Branca
14 a 15 de setembro
No dia 14 de setembro, durante uma noite, das 18h as 6h, o Parque Municipal Américo Renné Giannetti e o Palácio das Artes serão palco de um evento inédito no Brasil. Trata-se do Noite Branca, que irá oferecer ao público 12 horas de imersão na arte contemporânea. Realizado pelo Governo de Minas, por meio da Fundação Clóvis Salgado, esta edição oferece uma vasta programação cultural com exposições, instalações artísticas, mostras de vídeos, feira de publicações, apresentações cênicas e musicais.
Para conferir mais informações sobre a Noite Branca fique atento ao site oficial do evento e às redes sociais.
Serviço
Noite Branca
Local: Palácio das Artes / Parque Municipal
Data: 14 a 15 de setembro
Horário: 18h às 06h
Entrada: Gratuita

sábado, 1 de setembro de 2012

Daniel Dias


Daniel Dias, campeão de medalhas em uma mesma edição Paralímpica, bate novo recorde mundial nos 50 metros e ganha a primeira medalha dourada para o Brasil na Paralimpíada de Londres.