segunda-feira, 30 de abril de 2012

sábado, 28 de abril de 2012

Georgiana, duquesa de Devonshire

Finalmente a tradução que eu esperava...

O livro que deu origem ao filme "A Duquesa"

"Georgiana Devonshire foi a mulher mais fascinante de sua época, e Foreman escreveu uma biografia à sua altura." - London Review of Books

"Esta é uma bem realizada e bem escrita biografia, notavelmente madura para uma primeira tentativa; diligentemente pesquisada e interessantemente apresentada. Amanda Foreman é uma escritora para ficar de olho e de quem se deve esperar bastante." - Daily Telegraph

Livro vencedor do Prêmio Whitbread de Melhor Biografia e best-seller na Inglaterra, Georgiana, de Amanda Foreman, oferece um retrato da aristocracia britânica do final do século XVIII por meio da história de uma mulher que foi sua líder incontestável.

Lady Georgiana Spencer tornou-se duquesa de Devonshire, em 1774, ao se casar com William Cavendish, um dos mais ricos e respeitados aristocratas da Inglaterra. Lançada em um mundo de riqueza e poder aos 17 anos, ela conquistou prestígio imediato e reinou na alta sociedade. Georgiana pertencia à mesma família de Diana, princesa de Gales, e em seu tempo foi quase tão famosa quanto ela.

Não satisfeita apenas com a riqueza e o papel de anfitriã, mostrou-se muito influente e participativa na política. Conquistou multidões graças a suas proezas e obras sociais. No entanto, seu sucesso público mascarava um casamento infeliz, o vício em jogos, as bebedeiras, o uso de drogas e os casos amorosos.

A biografia da duquesa, cuja conturbada história está envolta em um contexto político intenso - no qual ocorreram as Revoluções Americana e Francesa, além da ascensão de Napoleão -, serviu como base para a realização do filme "A Duquesa" (2008), com Keira Knightley e Ralph Fiennes.

Amanda Foreman descreve com detalhes a vida de uma mulher extraordinária que, pela beleza e determinação em ter um papel nas relações sociais e políticas, se transformou em uma figura vibrante e contemporânea, com uma história pessoal de sofrimento e conflitos pessoais.
Editora Objetiva
Tradução: Cristina Paixão Lopes
Biografia e Memórias e História
Lançamento: 06/02/2012
528 páginas

O Perdão

A ARTE DE VIVER - UMA LENDA ARABE - PERDÃO.

"Diz uma lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto e, em um determinado ponto da viagem, discutiram e um deu uma bofetada no outro. O outro, ofendido, sem nada poder fazer, escreveu na areia:
HOJE MEU MELHOR AMIGO ME DEU UMA BOFETADA NO ROSTO.
Seguiram adiante e chegaram a um oásis onde resolveram banhar-se.
O que havia sido esbofeteado e magoado começou a afogar-se, sendo salvo pelo amigo. Ao recuperar-se, pegou um canivete e escreveu em uma pedra:
HOJE MEU MELHOR AMIGO SALVOU MINHA VIDA.
Intrigado, o amigo perguntou:
POR QUE, DEPOIS QUE TE MAGOEI, ESCREVESTE NA AREIA E AGORA, ESCREVES NA PEDRA?
Sorrindo, o outro amigo respondeu:
QUANDO UM GRANDE AMIGO NOS OFENDE, DEVEMOS ESCREVER ONDE O VENTO DO ESQUECIMENTO E O PERDÃO SE ENCARREGUEM DE BORRAR E APAGAR A LEMBRANÇA. POR OUTRO LADO, QUANDO NOS ACONTECE ALGO DE GRANDIOSO, DEVEMOS GRAVAR ISSO NA PEDRA DA MEMÓRIA E DO CORAÇÃO ONDE VENTO NENHUM EM TODO O MUNDO PODERÁ SEQUER BORRÁ-LO."
Texto de dominio público.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A Casa dos Budas Ditosos II

Depois de Coração de Tinta, voltei à coleção Plenos Pecados.
O pecado escolhido desta vez foi a luxúria...
João Ubaldo Ribeiro é autor de A Casa dos Budas Ditosos.

"Escrito na primeira pessoa, como se fosse uma mulher libertina de 68 anos a narrar suas memórias, deparei-me com um livro em que praticamente todos os tipos de fetiches e perversões são aqui citados.
A narradora por vezes chegou a irritar-me devido ao facto de considerar que as suas opiniões, excessivamente fincadas e que ora chocavam-me ora faziam-me sorrir, são verdades absolutas.
A linguagem do romance é despudoradamente crua, mordaz, corrosiva, mas pautada por um apurado sentido de humor. Neste sentido, gostei particularmente de alguns laivos de requinte cultural, quando a personagem perdia-se em divagações paralelas às suas múltiplas peripécias sexuais.
É uma obra direccionada não para quem possua convicções religiosas e/ou morais extremamente rígidas, mas sim para quem seja capaz de tolerar narrativas que 'fogem' de determinados padrões tidos como minimamente aceitáveis."

Na resenha de Maria Ngan achei algo mais interessante, rs
Ela diz " 14º livro lido em 2009... 3913 páginas lidas".
Como estou me saindo? Voltei à leitura "voraz" logo após terminar o artigo científico da pós graduação em 16/01: Quantas páginas já li neste ano?

A Ilha sob o Mar 
A Vida de Pi                                   
O Bobo da Rainha                         
1808                                                  
O Gosto da Guerra                      
O Clube dos Anjos                      
Vida Assistida                              

A Invenção de Hugo Cabret    
Coração de Tinta                          
A Casa dos Budas Ditosos         

Total    3.299 páginas lidas..... nada mal...
O que o ego da gente não faz, né?! Quem lê mais?

Literatura Ibero-Americana

NAS BANCAS!!
São 25 volumes com obras memoráveis de grandes escritores como Borges, Vargas Llosa, Sabato e Saramago. Você vai ver que a cultura de países como Brasil, Portugal, Espanha, Argentina e Chile, entre outros, tem mais semelhanças do que você imaginava.
Lançamento da Folha.

Estrela Distante
Roberto Bolaño
George Steiner, crítico que Roberto Bolaño admirava, propôs como emblema da imbricação entre cultura e barbárie a imagem do funcionário nazista que, durante o dia, trabalha num campo de extermínio e, à noite, recolhe-se aos seus aposentos para ler Goethe ou escutar Bach. Bolaño, que sabia que o nazismo, embora derrotado em 1945, talvez jamais desaparecesse do mundo, publicou em 1996 um livro no qual transpunha da Europa a seu continente natal a constatação de Steiner: A literatura nazista na América era o seu título.
No último capítulo, resumia, em poucas páginas, a história do infame Ramírez Hoffman, poeta de vanguarda e torturador a serviço do governo de Pinochet. Na novela Estrela distante, do mesmo ano, retomou, com fôlego mais amplo, a figura de Hoffman, que então se chama Carlos Wieder – em alemão, "outra vez": modo de nomear a persistência do nazismo como eterno retorno ou compulsão à repetição, "mal absoluto" (isto é, recorrente, perpétuo, infernal) sempre a nos ameaçar.
Eduardo Sterzi
Colaborador da Folha

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Livros, sempre livros

"Meggie o puxava com tanta impaciência que ele deu uma topada com o dedão do pé numa pilha de livros. E no que mais poderia ser? Havia livros espalhados por toda a casa. Eles não ficavam apenas nas estantes, como na casa das outras pessoas. Não, ali eles se empilhavam debaixo das mesas, em cima das cadeiras, nos cantos dos quartos. Havia livros na cozinha e no banheiro, em cima da televisão e dentro do guarda-roupa, pilhas pequenas, pilhas altas, livros grossos e finos, velhos e novos... livros. Eles acolhiam Meggie de páginas abertas na mesa do café da manhã, espantavam o tédio nos dias cinzentos - e de vez em quando alguém tropeçava neles."
Coração de Tinta, Cornelia Funke, Cia das Letras

terça-feira, 24 de abril de 2012

Foto

No grupo Loucos por Barbacena no facebook.
Que foto liiinda!


Legenda: Igreja e flores

Reflexo da Capela da Escola Baronesa Maria Rosa na janela lateral da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade. De Wagner Rocha de Oliveira

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O livro ou o filme? Quem vem primeiro?

Muitos de nós só lê o livro após assistir ao filme.
Foi o que ocorreu com O Senhor dos Anéis.
Segundo Helio Greca quem faz esta opção perde muito; afinal é difícil colocar na telena tantos (ricos) detalhes.
Ele nos conta 10 coisas sobre A Guerra dos Tronos que você deve saber (ou deveria, pois, muitas de suas críticas já foram comprovadamente derrubadas):


1. A série se passa em uma terra fictícia chamada Westeros:
Em certos aspectos ela pode lembrar a Inglaterra medieval das lendas Arturianas, onde a maioria das histórias conhecidas com "cavaleiros, castelos e princesas" se passam. Na verdade, até mesmo Porto Real - a sede principal do poder em Westeros, está localizada ao sudeste, assim como Londres.
Mas, existem algumas diferenças fundamentais. Em Westeros, o norte é uma terra sempre muito (mas muito mesmo) fria no inverno. Nos seus limites ao norte existe uma parede que se estende por toda a largura do território e mede mais de 200 metros de altura. Esta barreira é controlada por uma irmandade de proscritos cuja missão é proteger o sul do que quer que esteja além do muro.
Westeros também corre o risco de uma invasão vinda de uma terra além do mar estreito, onde vive um povo nômade de cultura eqüestre (muitíssimo diferente dos Rohirrim).
2. Gerra dos tronos é uma história de fantasia, mas não é Tolkien
Definitivamente ela não é o que muitos chamam de fantasia tradicional. Você não vai encontrar orcs, anões e elfos, mas sim pessoas comuns. Os elementos de fantasia que aparecem, servem apenas de pano de fundo para a história principal.
3. As estações do ano de Westeros são um pouco diferentes das nossas
As estações são imprevisíveis e podem passar rapidamente ou durar um longo período de tempo. No início da história, tem sido verão em Westeros por anos. Alguns dos personagens só conhecem esta época de clima agradável e não conhecem o sofrimento trazido pelo inverno. Mas, como dizem em Winterfell, o inverno está chegando ... e pode durar uma vida.
4. Personagens complexos e independentes
Todo personagem tem dezenas de camadas em a Guerra dos Tronos. Eles trabalham em ângulos, são falsos, esfaqueiam os companheiros pelas costas e conspiram. Os diálogos que você ouvirá na série freqüentemente terão mais do que um significado, e todas as ações provavelmente trarão conseqüências.
5. HBO vai cobrir grande parte do primeiro livro, A Guerra dos Tronos
Atualmente, existem três outros livros na série, com um quarto a caminho ainda este ano. Os outros livros são A Clash of Kings, A Storm of Swords , A Feast for Crows e o próximo A Dance with Dragons .
6. O autor sugeriu que a série terá sete livros
Mas muitos dos fãs de Martin estão céticos quanto ao final da série. O próximo livro, A Dance with Dragons, levou quase seis anos para ser escrito. Faça as contas de quanto tempo levaríamos para ter os sete livros (não esquecendo de que Martin tem 63 anos).
7. O reino foi reunido e dilacerado muitas vezes
A história de Westeros remonta a milhares de anos, com muitas casas desempenhando papéis importantes ao longo do tempo. Em Porto Real, o rei está sentado sobre o Trono de Ferro, que foi forjado a partir das espadas dos inimigos vencidos. É um lugar propositalmente difícil para se sentar e deve lembrar seus ocupantes que estar sobre ele não é confortável.
8. Lobos Gigantes são criaturas míticas
Ele são versões gigantes e inteligente dos lobos. Nos livros, estão associados e protetores da casa Stark. Na série de televisão, eles serão interpretados por Inuits do Norte , quase tão grandes quanto os lobos descritos por Martin nos livros.
Os Lobos Gigantes (Dire Wolvs) são baseados em um animal de verdade - foram recuperados restos mortais de milhares de lobos dos poços de piche de La Brea. Estes animais, semelhantes ao lobo cinzento possuíam cinco metros de comprimento e pesavam cerca de 250 quilos.
9. Não é uma história para as crianças
Não espere algo como as Crônicas de Narnia (ou até mesmo Senhor dos Anéis). Haverão inúmeros temas adultos, com nudez, violência e muito sangue. Em nome do politicamente correto, alguns detalhes e cenas do livro foram alterados (por exemplo, no livro, uma personagem feminina se casa aos 13 anos. Na TV, ela será mais velha), mas mesmo com estas censuras, definitivamente, não é uma história para crianças .
10. A série de 10 horas será muito resumida
A primeira temporada será composta por 10 episódios de aproximadamente uma hora. E sim, com apenas 10 horas, muito da história será perdido.
Se você gostar da série, como eu imagino que gostará, leia A Guerra dos Tronos e a A Fúria dos Reis, os dois livros da série disponíveis em português.
Se você tiver dificuldades para identificar os personagens (e eles são muitos), as casas e os locais, confira aqui uma descrição das principais famílias, casas e clãs de Westeros, visite a wiki da série (livre de spoilers até que o assunto tenha sido revelado na TV), uma wiki mais aprofundada (inclui spoilers) e o ótimo Westeros.org, que destaca pessoas e lugares.

sábado, 21 de abril de 2012

Baú de Ossos

Biografia de Pedro Nava
Companhia das Letras
Pletórico e envolvente na melhor tradição dos grandes ciclos romanescos, Baú de ossos reconstitui a genealogia dos antepassados e os primeiros anos da infância do autor. Amigo de escritores, políticos e intelectuais eminentes como Carlos Drummond de Andrade, Juscelino Kubitschek e Afonso Arinos de Melo Franco, descendente de famílias ilustres de Minas Gerais e do Ceará, testemunha privilegiada da história do Brasil no século XX, médico respeitado no país e no exterior, o juiz-forano Pedro Nava deu início à redação de suas memórias em 1968, aos 65 anos. Até então um “poeta bissexto” - na célebre designação de Manuel Bandeira -, quase desconhecido fora dos restritos círculos modernistas, Nava assombrou o país em 1972 com a publicação da primeira parte da saga, Baú de ossos. O livro, ao qual se seguiriam outros cinco extensos títulos e um volume póstumo, impressionou público e crítica pela maestria de sua escrita, que em muitos momentos se aproxima da melhor ficção, e pela precisão da reconstituição dos detalhes do passado mais remoto.

Muito além de uma mera crônica autobiográfica, Nava realiza um vasto panorama da sociedade e da cultura brasileiras no século XIX e no início do século XX. Baú de ossos se inicia com a descrição dos antecedentes genealógicos da família do autor, divididos entre Minas, o Nordeste e os burgos e castelos europeus onde viveram seus antepassados aristocráticos. Em seguida, sempre entremeando fatos históricos, observações pitorescas e anedotas familiares com suas primeiras lembranças, o autor narra acontecimentos vividos até seus oito anos de idade, marcados pela traumática morte de seu pai.
520 páginas de História.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A Casa dos Budas Ditosos

RECOMENDO!
BOA DICA DE PRESENTE!
Coleção Plenos Pecados
Editora Objetiva
Luxúria
Autor: Ribeiro, Joao Ubaldo
Categoria: Literatura Nacional / Romance

A obra descreve a vida de uma devassa senhora, a qual narra o conto. Um relato pouco comum, chocante, irônico e interessante, alcança dimensões de um retrato sociológico de toda uma cultura e geração, envolvendo um dos pecados mais indomáveis e capitais, a luxúria.

Quando vários jornais anunciaram que João Ubaldo Ribeiro estava escrevendo um romance sobre a luxúria, para a coleção Plenos Pecados, da Editora Objetiva, o escritor foi surpreendido com um misterioso pacote em sua portaria. Eram os originais de A Casa dos Budas Ditosos.

Depois da gula (Luis Fernando Verissimo), da ira (por José Roberto Torero) e da inveja (por Zuenir Ventura), chega agora a vez de João Ubaldo escrever sobre a luxúria na coleção Plenos Pecados. O livro traz a história de CLB, uma mulher de 68 anos, nascida na Bahia e residente no Rio de Janeiro, que jamais se furtou a viver - com todo o prazer e sem respingos de culpa - as infinitas possibilidades do sexo. Seriam as memórias desta senhora devassa e libertina um relato verídico? Ou tudo não passa de uma brincadeira do autor? Nunca saberemos. Importa é que ninguém conseguirá ficar indiferente à franqueza rara deste relato e a seu humor corrosivo.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Mia Couto, lançamento

Companhia das Letras
ESTÓRIAS ABENÇOADAS
Depois de quase trinta anos de guerra, Moçambique vive agora um período de paz. Nestas Estórias abensonhadas, o premiado escritor Mia Couto capta um país em transição. Numa prosa poética e carregada das tradições orais africanas, o autor tece pequenas fábulas e registros que, sem irromper em grandes acontecimentos, capturam os movimentos íntimos dessa passagem.

Aqui, fantasia e realidade se entrelaçam e se impõem uma à outra, como num reflexo do próprio continente africano. O rio que atravessa essas veredas é a prosa de Mia Couto. Frequentemente comparada à de Guimarães Rosa e Gabriel Garcia Márquez, sua escrita transforma o falar das ruas em poesia, e carrega de magia a dura realidade de seu país. As palavras se combinam em inúmeros significados, e no menor dos enredos cabe tanto o lirismo quanto a guerra.
Mas, se em Terra sonâmbula, um dos romances mais célebres do autor, o cenário era o da devastação do conflito que se seguiu à independência, aqui vemos breves instantes do renascer do país.
Na Moçambique recriada literariamente por Mia Couto, cada porta entreaberta revela outra faceta de um mundo novo e vibrante, mas repleto de tradição e história.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Prêmio Hans Christian Anderson

Isabel Allende ganha o prêmio Andersen de literatura
28/03/12 - Folha.com
A escritora chilena Isabel Allende recebeu nesta quarta-feira o prêmio Hans Christian Andersen de Literatura "por sua qualidade como narradora mágica e seu talento para enfeitiçar o público".

O prêmio, criado por uma fundação privada em colaboração com a Prefeitura de Odense (Dinamarca), é de 500 mil coroas dinamarquesas (US$ 90 mil; cerca de R$ 164.500), além de uma escultura em bronze e de um diploma.
A cerimônia de entrega ocorrerá em 30 de setembro no Koncerthus de Odense, cidade natal do célebre escritor dinamarquês.
Isabel é autora de 19 obras em espanhol traduzidas para 35 idiomas e editadas em 57 milhões de exemplares. Ela é a terceira pessoa a receber o prêmio literário, depois do brasileiro Paulo Coelho e da britânica J.K. Rowling.

terça-feira, 17 de abril de 2012

George Méliès

O filme (e também o livro infanto-juvenil) A invenção de Hugo Cabret é um homenagem à George Méliès, grande cineastra nascido em 1861. Anteriormente fora um ilusionista de sucesso.
"Viagem à Lua" (Le voyage dans la lune) está na lista dos "1001 Filmes para Ver Antes de Morrer".
Estou hipnotizada com o livro e os desenhos do próprio Brian Selznick (autor do livro). Também fotos dos filmes de Méliès. Das 534 páginas apenas 182 são texto. Imagine um livro adulto contendo a mesma história?! Seria uma viagem detalhada à virada do século XX. A vida e obra de um dos precursores do cinema, considerado o "pai dos efeitos especiais". Mais um delírio meu: aprendeu outros idiomas e desbravar o mundo das letras; afinal, temos muitas obras não traduzidas para nosso idioma.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Mistério dos Escavadores

O Mistério dos Escavadores ou Trabalhos Forçados (Holes)

Este novo trabalho do diretor Andrew Davis (O Fugitivo; Efeito Colateral) é o seu primeiro com censura livre. Trata-se de uma inusitada e surpreendente mistura de comédia, aventura, drama e misticismo, que mostra como atos no passado, em vidas anteriores ou na de ancestrais, têm reflexos até os dias de hoje, podendo, portanto, serem corrigidos por descendentes diretos. O roteiro de Louis Sachar, que adaptou um romance de sua própria autoria, oferece revelações constantes, que prendem a atenção do espectador. Sachar, aliás, faz uma ponta ao lado da esposa e da filha numa cena em flashback. O adolescente Stanley Yelnats IV (Shia LaBeouf) é injustamente acusado de roubar os tênis de um jogador profissional de basquete, doados para caridade. Como punição, ele deve escolher entre ir à prisão ou ir ao acampamento de Green Lake (Lago Verde). Ele escolhe o acampamento, mas, ao chegar lá, descobre que o lago secou há muitas décadas e que, agora, o lugar é deserto. No acampamento, estão confinados jovens condenados por diferentes delitos, e sua punição corretiva é passar todos os dias, sob sol escaldante, cavando inúmeros buracos na areia, por motivos desconhecidos. Eles são controlados de perto pelo esquisito sr. Sir (Jon Voight, de Missão: Impossível) e pelo assistente dr. Pendanski (Tim Blake Nelson, de E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?). Ambos obedecem diretamente ao misterioso diretor do estabelecimento (Sigourney Weaver, da quadrilogia Alien). Stanley acredita que foi vítima de uma maldição que assola sua família há cinco gerações, mas uma série de flashbacks revelará aos poucos o mistério por trás do acampamento e as artimanhas do destino para solucionar antigas dívidas. O mundo, afinal, dá voltas! O nome do herói, Stanley Yelnats, é um palíndromo. Ainda no elenco, Patricia Arquette (Ed Wood; Stigmata) e Eartha Kitt, uma das Mulher-Gato da série original de TV Batman.

domingo, 15 de abril de 2012

Etiqueta x gafe na internet

Época, 19 março de 2012
Gafes, Vexames & Micos - 50 Dicas para evitá-los
Flávia Yuri e Daniella Cornachione

Não é assim que se escreve
Você troca mensagens de texto por celular com um amigo e ele comete um erro gramatical. No lugar de corrigi-lo, use a resposta para escrever a palavra de forma correta.

Não deixe a mensagem sem resposta
Quando alguém lhe pede uma informação, por e-mail ou por redes sociais,não deixe esperando. Diga que está procurando a resposta e que responderá depois.

Mantenha o nível
A comunicação à distância tem uma hierarquia. Do mais pessoal para o mais genérico: telefonema, e-mail, SMS e, por fim, recado em redes sociais. Você pode manter ou elevar o nível. Baixar, nunca. Se receber um e-mail, tudo bem responder à mensagem ou telefonar. Mas, se receber uma ligação e responder por e-mail, pode parecer que está fugindo do interlocutor.

sábado, 14 de abril de 2012

O Príncipe do Deserto



O PRÍNCIPE DO DESERTO

(Black Gold), Drama: França/ Itália/ Catar, 2012, 2h10.
Direção: Jean-Jacques Annaud
Elenco: Antonio Banderas, Tahar Rahim, Mark Strong, Freida Pinto, Riz Ahmed, Jamal Awar, Lotfi Dziri, Eriq Ebouaney, Mostafa Gaafar

Sob o impiedoso céu do deserto, dois líderes guerreiros se enfrentam. Os corpos de seus soldados estão espalhados pelo campo de batalha. O vitorioso Nesib, Emir de Hobeika, dita seus termos de paz para o rival Ammar, Sultão de Salmaah. Os dois homens concordam que nenhum deles poderá reclamar a terra chamada de Faixa Amarela. Em troca, e de acordo com os costumes tribais da época, Nesib irá ?adotar? - ou tomar como reféns - os dois filhos de Ammar, Saleeh e Auda, como garantia de que nenhum deles possa invadir o território do outro. Anos depois, Saleeh e Auda cresceram e se tornaram jovens homens. Saleeh, o guerreiro, quer escapar de sua prisão dourada e retornar à terra de seu pai. Auda só se importa com livros e a busca pelo conhecimento. Um dia, Nesib é visitado por um americano, homem da indústria petrolífera do Texas, que diz a Emir que sua terra é abençoada com petróleo e lhe promete riquezas além da imaginação. Só há um problema. O precioso petróleo fica na Faixa Amarela. O palco está montado para uma disputa épica pelo controle da Faixa Amarela, pelo controle dos dois reinos - pelo controle do futuro.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Etc.

Etc. é abreviação da locução latina et cetera, que etimologicamente quer dizer "e outras coisas", pronuncia-se ed cetera. Se antes da conjunção e só se emprega vírgula quando o e não está a ligar os dois termos imediatamente contíguos ("Ele disse isso, e outras coisas poderia ter dito"), não cabe tampouco o emprego de vírgula nem de e antes de etc. Não há sentido em "... peras, maçãs e etc." nem em "peras, maçãs, etc."
Além de "outras coisas", pode etc. significar "e outros da mesma espécie", "e o resto", "e assim por diante", ou seja, pode indicar que outras coisas (extensiva e abusivamente outras pessoas) que podiam ser mencionadas devem ser subentendidas: "Você poderá encontrar cobras, lagartos, aranhas etc.".
Napoleão Mendes de Almeida
Dicionário de Questões Vernáculas
Editora Ática

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Prêmio Jabuti 2010 - Depressão

Categoria Educação, Psicologia e Psicanálise

O TEMPO E O CÃO
BOITEMPO EDITORIAL / MARIA RITA KEHL

A psicanalista e escritora Maria Rita Kehl parte da suposição de que a depressão é um sintoma social contemporâneo para desenvolver os três ensaios que compõem seu novo livro: O tempo e o cão, a atualidade das depressões.
Escrito a partir de experiências e reflexões sobre o contato com pacientes depressivos, o livro aborda um tema que, apesar de muito comentado, é pouco compreendido e menos ainda aceito atualmente.
Para abordá-lo, Maria Rita faz um apanhado do lugar simbólico ocupado pela melancolia, desde a Antigüidade clássica até meados do século XX, quando Freud trouxe esse significante do campo das representações estéticas para o da clínica psicanalítica. Para ela: "Freud privatizou o conceito de melancolia; seu antigo lugar de sintoma social retornou sob o nome de depressão."
O livro toca também na relação subjetiva dos depressivos com o tempo, chamado pela autora de temporalidade. Para a construção deste pensamento, são utilizados conceitos dos filósofos Henry Bergson e Walter Benjamin, ambos dedicados à reflexão sobre essa questão.
A clínica das depressões do ponto de vista da psicanálise está presente no terceiro ensaio, a começar pelo estabelecimento das distinções fundamentais entre a depressão e a melancolia. Aqui, a autora busca estabelecer as diferenças entre a posição subjetiva dos depressivos e as circunstâncias que determinam episódios pontuais de depressão nos obsessivos e nos histéricos.
Reconhecida pela longa e compromissada trajetória profissional, Maria Rita Kehl lança seu segundo livro, ao mesmo tempo acessível e profundo. O tempo e o cão desperta o interesse não somente daqueles que têm relação direta com a psicanálise, mas também de quem deseja compreender a fundo a ação dos mecanismos sociais sobre a subjetividade humana.
Leia um trecho.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Tess Gerritsen

As palavras de Hérida sobre a autora Tess Gerritsen me convenceram, de verdade:
Tess Gerritsen abriu mão da medicina para se dedicar à literatura e criar os filhos, e rapidamente conquistou a crítica e o público com seu livro de estréia, Harvest. Ela também é autora dos Best Sellers O cirurgião, O pecador, O dominador e Dublê de corpo.

Sinopse de Vida Assistida:
A médica Toby Harper trabalha no tranquilo turno noturno da emergência do Hospital Springer. Mas sua sossegada rotina está com os dias contados, pois um de seus pacientes, um idoso com suspeita de infecção viral no cérebro, foge do hospital sem deixar pistas. Antes que Toby consiga localizá-lo, um segundo caso ocorre, revelando um fato terrível: o vírus só pode ser transmitido pela troca direta de tecidos. Seguindo uma misteriosa trilha que vai de uma jovem prostituta grávida de 16 anos até a sua própria casa, Toby descobre o impensável: a epidemia não aconteceu espontaneamente, alguém a deflagrou.

Caso Hérida tenha convencida você também, poste aqui o seu comentário sobre as obras de Tess Gerritsen.
Grata
Claudinha

terça-feira, 10 de abril de 2012

Este blog

Quando comecei com este blog, minha intenção foi escrever como Yuri, assim, descompromissada, solta, praticando e aprimorando a escrita. Reconheço que meu objetivo está longe - não tenho feito progressos. Continuo a transcrever o que leio, raramente usando minhas próprias palavras. Mas, eu acredito em mim!
Ainda chegarei lá, rs

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O Gosto da Guerra

A Editora Objetiva merece créditos pelo relaçamento da obra O Gosto da guerra – terceiro livro da coleção Jornalismo de Guerra – é uma obra rara, capaz de aliar a narrativa direta com abordagem psicológica. Neste livro, o leitor acompanha tudo que Hamilton Ribeiro viveu e sentiu no Vietnã. É o dia a dia da guerra, o drama do acidente, e por fim, um relato inédito e emocionado sobre a sua volta ao Vietnã 30 anos depois.
Hamilton deveria ficar 40 dias no Vietnã, mas por causa de uma foto, mergulhou no inferno. No dia 20 de março, o fotógrafo japonês Shimamoto pediu para que Hamilton o acompanhasse numa batida dos soldados americanos no norte do Vietnã, numa das regiões mais perigosas da guerra. Embora o trabalho estivesse encerrado – eles iriam para Saigon no dia seguinte - Shimamoto não tinha achado ainda a sua foto de capa. Andar naquela região era como estar numa roleta russa. Terreno minado, morte certa. Ao descer do helicópetro, Hamilton já se deparou com o horror. Três soldados feridos numa mina. Vinte quilômetros depois, nova explosão. O soldado Henry que os acompanhava disse: "Feridos! Vamos correr para você poder fotografar". Hamilton correu e Shimamoto ganhou a sua foto de capa. Acabou fotografando o próprio Hamilton ferido, depois do acidente.
O Gosto da Guerra foi publicado em 1969 e encontrava-se esgotado há mais de 20 anos. Para este volume, Hamilton reviu o diário feito logo depois do acidente e acrescentou um longo relato sobre a sua volta ao Vietnã, três décadas depois. Uma reflexão profunda sobre o papel da sua profissão. Um resgate afetivo, um mergulho na intimidade de um homem que sempre preferiu contar histórias sobre outros, e nunca sobre si mesmo.

Este volume integra a coleção Jornalismo de Guerra e está sendo lançado simultaneamente com O Inverno da Guerra, de Joel Silveira. O primeiro volume da coleção foi A Queda de Bagdá, de Jon Lee Anderson. São obras que buscam oferecer ao leitor relatos impressionantes feitos por jornalistas nacionais e estrangeiros que cobriram os principais conflitos dos séculos XX e XXI. Textos comoventes, que acabaram criando uma tradição jornalística, um gênero, onde o relato do front captura e comove o leitor.
Os próximos livros a serem lançados são A Face da Guerra, de Martha Gellhorn, que cobriu a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã, além de outros conflitos ao longo do século 20 e Despachos, de Michael Herr, sobre a Guerra do Vietnã. A coleção tem a curadoria dos jornalistas Sergio Dávila e Leão Serva.
José Hamilton Ribeiro, 67 anos, é paulista de Santa Rosa do Viterbo e repórter por vocação. Com 40 anos de profissão, Zé Hamilton, como é mais conhecido, ainda mantém a mesma obstinação e o prazer pela busca da notícia. Ao longo de sua carreira esteve à frente da criação da revista Realidade, que se tornou um paradigma do jornalismo brasileiro e da Quatro Rodas. Trabalhou na Folha de S. Paulo, Globo Repórter, Fantástico e Globo Rural, onde há vinte anos exerce as funções de repórter e editor. Considerado um dos maiores jornalistas deste país, Zé Hamilton já ganhou inúmeros prêmios – apenas de Prêmio Esso, foram sete. Em 2004, a revista Ícaro o escolheu como o rosto do jornalismo brasileiro.
O Gosto da Guerra, de José Hamilton Ribeiro

domingo, 8 de abril de 2012

As Cruzadas - Ricardo Coração de Leão

Comentários sobre o filme Robin Hood (2010) em comparação à edição de 1991 é bem interessante.
Falemos, pois, das Cruzadas.
Na versão de 2010, o rei Ricardo Coração pergunta à Robin sobre seu desempenho nas Cruzadas:
- Deus vai ficar contente com o meu sacrifício?
- Não, não ficará.
- Por que diz isto?
- O massacre em Acre, Senhor. [...] no momento em que nós, ingleses, matamos os mulçumanos, com crueldade, perdemos Deus. Somos dignos de pena.

Terceira Cruzada: Ricardo I ou Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra entre 1189 e 1199, terceiro filho de Henrique II. Descontente com a falta de autoridade do rei, uniu-se a seus irmão contra ele e, mais tarde, lutou também contra seus irmãos.

Após a morte de Henrique II, Ricardo foi coroado rei e logo após sua coroação, iniciou a Terceira Cruzada. Com Filipe II da França, tomou o Acre. Retornando à França, Filipe começou a conspirar contra o rei da Inglaterra. Após concluir o tratado com Saladino, permitindo que os cristãos retornassem a Jerusalém, Ricardo voltou para a Inglaterra.
No entanto, foi capturado por Leopoldo V da Áustria, com quem Ricardo tinha lutado durante a Cruzada, e foi feito prisioneiro no Castelo de Dürnstein. Leopoldo entregou Ricardo ao Imperador Romano Henrique VI, que o libertou após o pagamento de um alto resgate. Foi novamente coroado rei da Inglaterra, mas ficou pouco tempo no país. Ricardo I morreu em 1199 em conflito contra os franceses.

A Terceira Cruzada (1189-1192), pregada pelo Papa Gregório VIII após a tomada de Jerusalém por Saladino em 1187, foi denominada Cruzada dos Reis. É assim denominada pela participação dos três principais soberanos europeus da época: Filipe Augusto (França), Frederico Barbaruiva (Sacro Império Romano Germânico) e Ricardo Coração de Leão (Inglaterra), constituindo a maior força cruzada já agrupada desde 1095. A novidade dessa cruzada foi a participação dos Cavaleiros Teutônicos.

sábado, 7 de abril de 2012

Papillon

Indicaram-me o livro Papillon como excelente, marcante e inesquecível.
Segue a dica de filme e livro.
A questão da farsa incita a nossa curiosidade. Quais os pontos foram baseados em fatos reais e quais são pura ficção? Sinceramente, o que vale é a emoção que as palavras nos provocam!

Reportagem em 17 agosto de 2005 na IstoÉ independente:
A verdadeira história de Papillon
Laudo da Polícia Federal confirma que o famoso prisioneiro francês que fugiu da Ilha do Diabo viveu seus últimos anos no Brasil e teve sua obra roubada pelo escritor Henri Charrière Eduardo Hollanda / Boa Vista (RR)

Ele se tornou famoso mundialmente em 1969, ao publicar o livro Papillon, no qual contava a sua fuga espetacular, ocorrida em 1935, da Ilha do Diabo, o sinistro complexo de presídios que a França mantinha na Guiana Francesa. O sucesso foi ainda maior quando a história do prisioneiro Henri Charrière, o Papillon, chegou às telas dos cinemas em 1971 em uma superprodução de Hollywood, com Steve McQueen no papel principal. Mas Charrière, um homem de poucos estudos, era uma gigantesca farsa. O verdadeiro autor de Papillon foi outro fugitivo, René Belbenoît, um intelectual que falava quatro línguas e liderou um grupo de presos (entre eles Charrière), façanha relatada em seu livro A Ilha do Diabo (Dry guillotine no original, Prêmio Pullitzer de 1938). O sucesso do livro na época fez com que a França terminasse por desativar o presídio por onde passaram (e morreram, em boa parte) milhares de prisioneiros. Depois de fugir para a então Guiana Inglesa, René Belbenoît, o verdadeiro Papillon, radicou-se com seus parceiros em Roraima desde 1940, morrendo em 1978, aos 73 anos, e sendo sepultado na Vila Surumú, no norte do Estado, hoje parte da Terra Indígena São Marcos.

Esse aparente fim obscuro de Belbenoît concluiu uma trajetória de vida cheia de intrigas, 13 anos de desterro (1922-1935) na Ilha do Diabo por assalto, livros de sucesso, identidades falsas, um assalto milionário e muitos negócios com garimpos de ouro, diamantes e metais preciosos. Além, é claro, da história de como os manuscritos dos livros Papillon e Banco, escritos por René Belbenoît na Vila Surumú, acabaram nas mãos de Charrière. Os dois primeiros livros de Belbenoît , Hell on trial e Dry guillotine, foram publicados nos EUA graças à amizade que ele construiu durante anos de correspondência, ainda na prisão, com a escritora americana Blair Niles. Os dois acertaram ainda que um dos fugitivos, de nome desconhecido, deveria seguir para os EUA e assumir a identidade de René Belbenoît, como medida de segurança para o grupo que ficou na América do Sul.
Esse falso René, que morreu em 1959 na Califórnia e teve o corpo cremado, acabou sendo vital para que a verdadeira identidade de Papillon fosse comprovada este ano no Brasil. Foi comparando fotos dos dois com a identidade de Belbenoît, tirada em 1973, que os peritos da Polícia Federal Paulo Quintiliano e Marcelo Ruback, depois de seis meses de trabalho em computador, chegaram à conclusão de que o verdadeiro René, o Papillon (apelido que ganhou na prisão ainda na década de 1920), é o que morreu e está enterrado no Brasil. “Usamos um programa de computador que desenvolvi em minha tese de doutorado e que permite a identificação precisa de pessoas através de imagens faciais”, diz o perito Paulo Quintiliano. “Isso mostra que eu tinha razão ao garantir que Papillon tinha vivido décadas e morrido em Roraima”, comemora o fotógrafo e escritor Platão Arantes, autor de dois livros sobre o caso.
Medo dos alemães – René e seus parceiros, que estavam sendo bem-sucedidos no garimpo de diamantes e de ouro na Guiana Inglesa, decidiram vir para o Brasil em 1940, depois que as tropas de Hitler invadiram a França, deixando o Reino Unido na mira dos nazistas. Preocupado com o domínio alemão, ele convenceu os outros a fugir para o Brasil. O grupo subiu de barco o rio Demerara e depois fez uma caminhada de 23 dias pela mata e pela savana, até chegar às margens do rio Maú. “Eu estava na frente de nossa casa, uma fazenda à beira do rio, quando ouvimos os chamados de um grupo de homens no outro lado. A fazenda de papai era o ponto de passagem no rio Maú e meu pai me mandou pegar a canoa e trazer o pessoal”, conta Rui Meneses, o seu Bebé, 77 anos. Na época, ele tinha 12 anos e ficou admirado com o chefe do grupo, que falava perfeitamente o português, apesar do forte sotaque. Além de René, integravam o grupo Maurice Habert, Joseph Guillermin Marcel, Charrière e Roger.
Em uma região que era um enorme e desértico município do Amazonas, os fugitivos
sentiram-se seguros. Maurice casou-se com uma nativa, teve três filhos e implantou o cultivo do tomate na região. Sua influência foi tão grande que conseguiu que a Vila do Maú se tornasse a Vila Normandia, em homenagem à sua região natal na França. Belbenoît, que tinha recebido um bom dinheiro, fruto do sucesso de seus livros nos EUA, investiu no garimpo de diamantes e ouro, além de colaborar com os americanos, interessados na pesquisa mineral da região. Mas não ficou apenas nos negócios. Fiel ao seu passado bandido, em 1942 René comandou o bem-sucedido assalto à filial da empresa JG Araújo, em Boavista. A empresa era um entreposto que fornecia víveres e todo tipo de equipamento para a região que é hoje o Estado de Roraima, e ainda negociava com ouro, diamantes e servia como um banco informal. Platão Arantes ouviu testemunhas que suspeitam de conluio entre os donos da empresa, os devedores e até as autoridades da época. O assalto serviu de tema, anos depois, para o livro Banco, de Belbenoît, que também lhe foi roubado por Charrière.
Ascensão e queda – Quando Roraima virou território em 1943, as investigações, que eram comandadas de Manaus, foram encerradas. “Conheci o René em 1943 e fui seu sócio durante mais de dez anos em garimpos no rio Maú e em outros lugares da região. Só em 1961 tive certeza de que ele tinha sido o chefe do assalto”, conta Alfredo Ferreira Nunes, o professor Parazinho, 84 anos. Ele garante que o amigo era muito inteligente e ganhou muito dinheiro. “Quando não estava escrevendo, o René estava fazendo bons negócios. Ganhou muito dinheiro, mas, no fim da vida, perdeu tudo de maneira muito estranha. Mas quem se aproveitou dele ficou sem nada. Até as terras passaram para os índios”, comenta Parazinho. Ele não tem dúvida de que Charrière traiu seu amigo. “Ele fez sacanagem, colocando seu nome nos escritos do René. Todas as histórias do livro e do filme são do René. Ele me contava”, garante.
Maria do Socorro da Cunha Camilo, 58 anos, também se lembra bastante de René. Ela conheceu o verdadeiro Papillon quando pequena, no Surumú, onde seu pai tinha uma fazenda. René, que tinha um armazém e bar que abastecia a região, gostava de contar histórias para crianças e adultos, lembrando de suas aventuras. Maria do Socorro só percebeu a dimensão das histórias em 1981, quando o filme Papillon estava sendo exibido na tevê. “Eu não estava prestando muita atenção até que vi a cena do teste com a jangada de cocos. Virei para meu filho menor e disse: ‘Essa é a história do padrinho da Ana, sua irmã.’ Ele perguntou como eu sabia e respondi que durante anos, desde garota, ouvi o velho René contar como ele e uns companheiros fugiram da Ilha do Diabo”, recorda.
Os destinos de René Belbenoît e Henri Charrière, que haviam se separado em 1943, quando o falso Papillon foi para a Venezuela, voltaram a se cruzar em 1955. René tinha recebido um pedido de um diretor de cinema americano, amigo do casal Niles, para que transformasse o livro Dry guillotine em uma espécie de roteiro para o cinema. Mas que contasse a fuga de apenas um prisioneiro. René escreveu um calhamaço e considerou que a forma mais fácil de mandar o material para os EUA era via Venezuela. E contatou Charrière, que trabalhava no porto. O falso Papillon guardou os manuscritos, que estavam em inglês, durante anos. Quando soube da morte do falso René nos EUA, contratou um jornalista francês que morava na Venezuela e lhe devia dinheiro para fazer uma adaptação em francês, acrescentando mais um fugitivo. E, em 1969, depois de ter mandado tatuar no peito uma borboleta, lançou como seu o livro Papillon.
Em 1971, Charrière mandou emissários à Vila Surumú para pegar os originais do livro Banco. René estava quase cego, com catarata e uma doença no nariz – há dúvidas se era câncer ou leishmaniose – e cedeu às pressões. As divergências entre os dois livros ajudaram a expor Charrière como um farsante. Ele gastou praticamente todo o dinheiro ganho com o livro e o filme Papillon na produção de outro filme que foi um fracasso total. E morreu pobre, destruído pela bebida, em 1973. Em Roraima, já existe um movimento para transformar a Vila Surumú em um museu vivo do verdadeiro Papillon. E trocar a cruz branca sem identificação por uma tumba à altura do novo ídolo do Estado.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O Clube dos Anjos

Luis Fernando Verissimo é fantástico na narração do pecado da gula. Devoro suas palavras, me delicio com a história e os integrantes do Clube do Picadinho.
Coleção da Editora Objetiva - Plenos Pecados.

Nenhum deles pôde resistir à tentação

"A arte de fazer uma radiografia bem-humorada da alma do brasileiro transformou Luis Fernando Verissimo num campeão da literatura." - Revista Veja.
Não é todo dia que se quer ouvir uma crocante fuga de Bach mas todos os dias se quer comer. A fome é o único desejo reincidente, pois a visão acaba, a audição acaba, o sexo acaba, o poder acaba - mas a fome continua.
Sentar-se à mesa com os amigos, saborear o seu prato preferido e se entregar ao prazer de comer, louca e apaixonadamente. Depois? Depois a morte. Mas isso só parecia acentuar a delícia de sabores irrecusáveis, o paladar em estado de exaltação, a bênção de um destino escolhido.
O Clube dos Anjos, de Luis Fernando Verissimo, é uma insólita e bem-humorada celebração da gula. O livro conta a história de dez homens que se entregaram a esta afinidade animal, a fome em bando - sem temer a morte. Na verdade, a perspectiva de morrer só aumentaria, para eles, o prazer na comida, e o desafio filosófico da gastronomia: a apreciação que exige a destruição do apreciado.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Tráfico de escravos no Brasil - genocídio.

Transcrevo aqui mais um trecho da obra de Laurentino Gomes: 1808:
Pág 242 edição 2008, Editora Planeta do Brasil Ltda.

"O tráfico de escravos era um negócio gigantesco, que movimentava centenas de navios e milhares de pessoas dos dois lados do Atlântico. Incluía agentes na costa da África, exportadores, armadores, transportadores, seguradores, importadores, atacadistas que revendiam no Rio para centenas de pequenos traficantes regionais, que, por sua vez, se encarregavam de redistribuir as mercadorias para as cidades, fazendas, minas do interior do país. Esses pequenos traficantes varejistas eram conhecidos como comboieiros. Em 1812, metade dos trinta maiores comerciantes do Rio de Janeiro se constituía de traficantes de escravos. Os lucros do negócio eram astronômicos. Em 1810, um escravo comprado em Luanda por 70.000 réis, era revendido no Distrito Diamantino, em Minas Gerais, por até 240.000 réis, ou três vezes e meio o preço pago por ele na África. O comprador ideal tinha outro escravo, que servia de garantia no caso de não pagamento da dívida. Só em impostos, o Estado recolhia cerca de 80.000 libras esterlinas por ano com o tráfico negreiro. Seria hoje o equivalente a 18 milhões de reais.
Apesar de muito lucrativo, tratava-se de um negócio que envolvia grandes riscos. Oitenta por cento dos cativos vinham do Congo, de Angola ou Moçambique. A taxa de mortalidade no percurso até o Brasil era altíssima. Na África, o escravo chegava primeiro à mãos dos mercadores nativos, geralmente como prisioneiro de guerra ou oferecido como pagamento de tribulo a um chefe tribal. Cabia a esse mercador levá-lo até o litoral, onde seria comprado pelos agentes dos traficantes portugueses. Até o início do século XVIII, essas compras eram feitas com barras de ouro contrabandeadas. Em 1703, a Coroa expediu alvará que proibia o uso de metal precioso nas transações e punia os transgressores com o confisco dos bens e degredo de seis anos em São Tomé. A partir daí, a compra de escravos passou a ser paga com produtos da colônia, em especial tecidos, tabaco, açúcar e cachaça, além de pólvora e armas de fogo.
Na África, cerca de 40% dos negros escravizados morriam no percurso entre as zonas de captura e o litoral. Outros 15% morreriam na travessia do Atlântico, devido às péssimas condições sanitárias nos porões dos navios negreiros. As perdas eram maiores nas cargas que vinham de Moçambique e outras regiões da África oriental. Da costa atlântica, uma viagem até o Brasil durava de 33 a 43 dias. De Moçambique, no Oceano Índico, até 76 dias. Por fim, ao chegar ao Rio de Janeiro, entre 10% e 12% dos desembarcados pereciam em depósito, como os do Mercado do Valongo, antes de serem vendidos. Em resumo, de cada cem negros capturados na África, só 45 chegavam ao destino final. Significa que, de dez milhões de escravos vendidos nas Américas, quase outro tanto teria morrido no percurso, num dos maiores genocídios da história da humanidade."

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Mulher de um homem só

Martha Medeiros
Trem-bala
L&PM Pocket
Mulher de um homem só

Ela é como o urso panda, está quase extinta do planeta. Quando alguém a ouve dizendo "sou mulher de um homem só", corre para o celular mais próximo e chama a imprensa para documentar. Quem é, afinal, essa mulher tão rara?
A mulher de um homem só casou virgem com um escritor que detesta badalação. A última festa em que ele compareceu foi a do seu próprio casamento, a contragosto. Ele só gosta de música barroca, uísque e poesia. Não quis ter filhos. É um homem terrivelmente só que se casou apenas para que alguém cozinhasse para ele, pois odeia restaurantes.
A mulher do homem só tenta animá-lo. Convida-o para subir a serra e comer um fondue. O homem faz que não com a cabeça. A mulher convida para ir a uma feira de antigüidades. Ele dá um sorriso sarcástico. Ela
convida para ir na CasaCor. Ele tem espasmos. Ela convida para um teatro. Ele pega no sono antes que ela diga o nome da peça.
O homem só gosta de ficar em casa. Não vai ao cinema, nem a parques, nem a bares. Não visita ninguém. Não votou na última eleição. Não comparece às reuniões de condomínio. Tem alergia a gente.
A mulher do homem só tentou festejar os 50 anos dele. Convidou os poucos conhecidos do marido: um irmão, o editor e a mulher deste. Comprou cerveja, colocou o CD do Paulinho da Viola e flores nos vasos. Os convidados chegaram e se foram sem ouvir a voz do homem só. Ele apenas resmungou um obrigado quando recebeu um livro do editor e disse qualquer coisa inaudível ao ganhar meias do irmão. Passou calado a noite inteira. Quando pediu licença para ir ao banheiro, não voltou mais.
A primeira vez que a mulher do homem só disse "sou mulher de um homem só" foi para um motorista de táxi, que ficou muito impressionado. Ela era jovem, bonita, mas tinha uma tristeza comovente no olhar. Era a
última corrida dele e, impulsivamente, convidou-a para uma caipirinha. Ela aceitou e, pela primeira vez em muitos anos, teve uma noite animada. A segunda vez que ela disse "sou mulher de um homem só" foi para o
vizinho do sexto andar. Estavam sozinhos no elevador e ele fingiu não ouvir. Nunca haviam trocado nem um bom-dia, quanto mais uma confidência. Mas ela repetiu: "sou mulher de um homem só". Dessa vez falou de um jeito tão carente que ele se viu obrigado a tomar uma providência. O sexto andar acabou malfalado no prédio.
A mulher do homem só, então, passou a ter a agenda cheia: o professor de computação, o gerente do banco, o dono do posto de gasolina. Vivia para cima e para baixo com seus novos amigos: cinema, shopping, vernissages. Não corria o risco de encontrar o marido em nenhum desses lugares. Começou a usar decotes, maquiagem e ria alto. Nunca se sentira tão feliz. Surgia cada dia com um parceiro diferente nas festas, nas inaugurações de lojas, nos passeios pelo mercado público. Ganhou má fama. E quanto mais o povo falava, mais ela desdenhava. Niguém fazia a mínima idéia do que era ser mulher de um homem só.
Agosto de 1997

terça-feira, 3 de abril de 2012

Gafes na internet - evite!

Não curta

No Facebook, é possível curtir comentários, links e fotos de amigos. Curtir denota um sentido positivo, sugere que você gostou do comentário. Não é um aviso de que você o leu. Se alguém diz “meu cachorro morreu” ou “fui demitido”, não curta.
Época, 19 março de 2012
Gafes, Vexames & Micos - 50 Dicas para evitá-los
Flávia Yuri e Daniella Cornachione

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A invenção de Hugo Cabret

O coração ingênuo de Martin Scorsese
Em "A invenção de Hugo Cabret", seu primeiro filme para crianças, o diretor americano se rende ao 3D e homenageia a história do cinema
DANILO VENTICINQUE

Para quem conhece a obra de Martin Scorsese, o nome do diretor nos créditos de um filme costuma ser o suficiente para tirar as crianças da frente da televisão – e evitar que elas entrem nas salas de cinema. De Taxi driver (1976) a Ilha do medo (2010), passando por Touro indomável (1980) e Os bons companheiros (1990), Scorsese sempre foi um dos mais entusiasmados defensores da estética do crime e da violência, em filmes repletos de personagens sombrios. Entre seus colegas de geração, como Steven Spielberg ou George Lucas, ele seria sem dúvida a escolha menos provável para adaptar um best-seller da literatura infantil. Para a alegria das crianças, Scorsese mudou de time. A invenção de Hugo Cabret, que estreia nesta semana, é uma das produções infantis mais deslumbrantes dos últimos anos. Além de 11 indicações ao Oscar, rendeu um Globo de Ouro de Melhor Diretor e foi elogiada por revelar um aspecto oculto do talento do cineasta. O mestre da violência sabe ser delicado.
“Minha mulher me disse: ‘Por que você não faz um filme que sua filha pode ver, para variar um pouco?’”, disse Scorsese, sob aplausos, no palco do Globo de Ouro. Pai de três meninas, ele foi apresentado ao livro A invenção de Hugo Cabret pela mais nova, de 12 anos. Publicado em 2007, em uma edição ricamente ilustrada, a obra do americano Brian Selznick narra a história de um órfão que encontra o cineasta falido George Méliès numa pequena loja de uma estação de trem nos anos 1930. A amizade com o garoto faz com que Méliès reviva sua paixão pelo cinema e redescubra o valor de sua obra, esquecida após a Primeira Guerra Mundial.
A história comoveu Scorsese. Um conhecido admirador da história do cinema, ele dirige desde os anos 1990 uma fundação que restaura e conserva filmes antigos. George Méliès (1861-1938), um dos maiores mestres do cinema mudo, é um de seus ídolos. Ex-ilusionista, ele usou sua experiência com truques de mágica para se tornar um pioneiro no uso de efeitos especiais: usando instrumentos rudimentares, como cola e tesoura, para manipular os rolos de filme, fazia personagens desaparecer diante dos olhos dos espectadores, como num espetáculo de magia. Após a guerra, a fantasia perdeu espaço para o drama, e seu estúdio de cinema foi à falência. Méliès viveu no ostracismo, chegou a trabalhar numa loja de brinquedos e só voltou aos holofotes nos anos 1930, quando sua obra foi redescoberta pelos críticos.
Unindo a atmosfera de fantasia do livro a sua admiração pelo personagem retratado, Scorsese fez de A invenção de Hugo Cabret uma comovente homenagem à história do cinema. Se os percalços do menino órfão em busca de trabalho e suas recordações do pai são envolventes para as crianças, as cenas da redenção de um dos mais influentes cineastas da história são capazes de emocionar os adultos fãs de cinema.

MESTRE E DISCÍPULO
Na foto maior, o órfão Hugo (Asa Butterfield) com o cineasta falido George Méliès
(Ben Kingsley). No detalhe, o diretor Martin Scorsese. Sua admiração por Méliès
faz do filme uma bela homenagem (Foto: Jaap Buitendijk e Chris Pizzello/AP)

O filme também marca a adesão de Scorsese ao 3D, num momento em que a tecnologia começa a ser adotada por diretores como Spielberg, Wim Wenders e Werner Herzog. Contrariando os críticos e cineastas independentes, que veem o 3D como mera pirotecnia, Scorsese se empolgou com as novas possibilidades. “A cada cena é preciso repensar o modo de fazer cinema”, disse o diretor ao jornal The Guardian. “Se somos 3D e enxergamos em 3D, por que não filmar assim?” Com um orçamento de US$ 150 milhões, A invenção de Hugo Cabret usa a tecnologia com maestria. Em vez de apelar para recursos fáceis, como atirar objetos na direção do público, ele usa a profundidade para envolver o espectador em cada um dos ambientes da história. Um truque digno de George Méliès.

domingo, 1 de abril de 2012

O vôo da palavra

Que belo título para um blog! Gostei!
Também gostei das palavras do criador Walter Galvani:

O TEXTO OU A VIDA, A ESCOLHA DE MOACYR SCLIAR

Este dia 27 de fevereiro de 2011, começou com a notícia do falecimento do escritor Moacyr Scliar, amigo e companheiro de tantos anos de vida e combate
Walter Galvani

Ontem à noite, 26 para 27 de fevereiro, remexi em minha desordenada biblioteca e encontrei um livro de Moacyr Scliar, que escreveu mais de setenta, justamente o que tem este título, e como linha de apoio, “Uma trajetória literária”. “O texto, ou: a vida”. Entendi aquele achado como uma mensagem, li a dedicatória carinhosa que ele me fez e à minha esposa Carla Irigaray que com ele trabalhou na Secretaria da Saúde, pois além de escritor tão produtivo e famoso no Brasil e no exterior, Moacyr foi também médico sanitarista de grande importância no Rio Grande do Sul, e que eu devia ler o que Moacyr que então estaria entrando em sua última madrugada de vida escreveu sobre si e sua carreira de escritor num livro em que propunha a sua própria escolha.
Pelo estado de saúde a que ficou reduzido depois da operação do dia 15 de janeiro, pelas informações que nos chegavam, sabia-se que, infelizmente, Moacyr estava fazendo a “escolha final”: já que não poderia voltar aos seus textos, estava deixando a vida.
“A vela – escreveu ele – que, na infância, arde no bolo de aniversário é a mesma que enfeita o caixão. A vida passa; escrevendo, ou fazendo medicina, ou formando uma família, ou militando politicamente, ou trabalhando, ou bebendo – a vida passa. Chega um momento em que tudo que esperamos das velinhas é que elas iluminem com sua tênue luz, o nosso passado e nos permitam extrair alguma conclusão de nossas trajetórias. O que pretendemos com o ato de escrever? Cumprir uma missão? Obter algum tipo de conforto? Ganhar a vida, simplesmente? Conquistar a glória?”
Este é um dos significativos trechos de sua “vertiginosa autobiografia”, como foi qualificado pela editora Bertrand Brasil em 2006 o livro que agora eu tinha em mãos.
E em qualquer página que o pequeno volume de 272 páginas fosse aberto, saltaria uma lição de Moacyr.
Deparando com a notícia do seu falecimento neste amanhecer de 27 de fevereiro, ao acaso comecei a mergulhar na releitura de trechos do seu trabalho em que, responde à própria pergunta:
“O que foi que aprendi?
Aprendi, em primeiro lugar, que escritores escrevem. Escrever não significa necessariamente pegar uma caneta e rabiscar no papel ou digitar no computador, há uma fase de elaboração mental em que o texto começa a tomar forma em nossa cabeça. Mas em algum momento ele deve se tornar visível ou legível. (…) Da página o texto nos fala. Até mesmo a mancha gráfica na página sugere coisas.”
A modéstia do Moacyr está em muitos pontos, mas, está bem claramente situada na página 257:
“Escrevemos para o leitor.” E segue adiante:
“Temos limitações. Nem todos podemos ser Shakespeare (1564-1616) ou Fernando Pessoa (1888-1935) ou Drummond. Mas podemos melhorar, podemos aprender. E o processo de aprendizado, em literatura, envolve ler outros escritores e até imitá-los.”
Mas, segue Moacyr Scliar (1937-2011), “voltando à pergunta básica (“Isto que escrevi está escrito da melhor forma que eu poderia escrever?”). Não é apenas um questionamento, é uma exigência. Escrever é reescrever. Vou escrever isto de novo: escrever é reescrever. E mais uma vez, para não ficarem dúvidas, escrever é reescrever.”
Não se pense que o consagrado escritor, membro da Academia Brasileira de Letras, navegou sempre num oceano tranquilo. E mais uma vez me valho do seu precioso documento que mexeu comigo e que mexerá com todos os que relembrarem, lendo-o:
“… me fez sentir o que é ser esmagado pela opressão. Médico recém-formado, fui fazer um concurso público. Já estava sentado no grande salão em que se realizaria a prova, junto com centenas de colegas, quando entrou um homem com um papelzinho na mão. Leu, em voz alta, o meu nome e o nome de outro médico, e pediu que o acompanhássemos. No corredor, disse que não poderíamos fazer o concurso. Temerariamente resolvi perguntar a razão daquilo. E a resposta dele, até hoje, quarenta anos passados, ressoa em meus ouvidos:
- Eu não sei e se fosse tu não perguntava.”
Assim foram aqueles tempos e Scliar bem os descreve e recorda que foi o período em que nasceu e cresceu na América Latina o movimento do “Realismo Mágico”, já que não se conseguia derrubar as ditaduras que se enfileiravam no Brasil, no Uruguai, na Argentina, no Chile, no Paraguai.
O autor de “O centauro no jardim”, “O exército de um homem só”, de tantos livros que ultrapassam as sete dezenas, contos, crônicas e ações de boa vontade e ajuda aos outros, deixou de existir sobre a Terra.
Mas, como bem diz ele sobre a luta com as palavras, no final do seu depoimento:
“Para isso servem as palavras, para estabelecer laços entre as pessoas – e para criar beleza. Pelo que a elas devemos ser eternamente gratos.”