terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Maurice e Rossete - A ilha sob o mar

O romance contado na obra A Ilha sob o Mar de Isabel Allende nos traz Maurice e Rosette, irmãos por parte do pai Toulouse Valmorain.
Zarité, escrava vendida ainda menina ao pai de Maurice, teve o privilégio de ver a segunda criança nascida de seu ventre crescer como "irmã" do seu dono, apesar das forças da escravidão.
Quando o mundo cobrou a diferença e ofereceu à mestiça o plaçage como única saída, Maurice enfrentou o pai para casar-se com Rosette:

- Incesto, monsieur? O senhor me obrigava a engolir sabão quando chamava Rosette de irmã - argumentou Maurice.
- Sabe muito bem ao que estou me referindo!
- Vou me casar com Rosette, mesmo que você seja o pai dela - disse Maurice, procurando manter o tom respeitoso.
- Mas como vai se casar com uma mulata?! - rugiu Valmorain.
- Pelo visto, monsieur, o senho se incomoda mais com a cor de Rosette do que com o nosso parentesco. Mas se o senhor engendrou uma filha com uma mulher de cor não deveria se surpreender que eu ame outra.
[...]
- O incesto é muito greve, Maurice.
- Muito mais grave é a escravidão.
- O que tem uma coisa a ver com a outra?
- Muito, monsieur. Sem a escravidão, que permitiu que o senhor abusasse de sua escrava, Rosette não seria minha irmã - explicou Maurice.
- Como se atreve a falar assim com seu pai?
- Perdoe-me, monsieur - respondeu Maurice com ironia. - Na realidade, os erros que o senhor cometeu não podem servir de desculpa para os meus.
- O que você tem é tesão, filho - disse Valmorain com um suspiro teatral. - Nada mais compreensível. Deve fazer o que todos fazemos nesses casos.
- O quê, monsieur?
- Imagino que não preciso explicar, Maurice. Deite com a moça de uma vez por todas e depois se esqueça dela. É assim que se faz. Que outra coisa há para se fazer com uma negra?
- É isso que deseja para sua filha? - perguntou Maurice, pálido, com os dentes apertados. Gotas de suor lhe corriam pelo rosto, e tinha a camisa molhada.
- Ela é filha de uma escrava! Os meus filhos são brancos! - exclamou Valmorain.

O sistema plaçage surgiu de uma falta de acesso às mulheres brancas. Os homens franceses e espanhóis enviados às colônias nas Américas precisavam de esposas.
Segundo Allende, a escravidão ainda existe hoje, porém está oculta.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Os Descendentes

Em seu romance de estreia, a americana Kaui Hart Hemmings usa o Havaí como pano de fundo para a história de uma família incomum que acaba de ganhar as telas de cinema. Com George Clooney no papel principal, o filme baseado em Os Descendentes tem estreia prevista no Brasil para janeiro de 2012.
Matthew King já foi considerado um dos homens mais afortunados do Havaí. Um de seus ancestrais, um missionário, casou-se com uma princesa havaiana, o que faz de Matt um descendente real e um dos maiores proprietários de terra da região.
Mas agora sua sorte mudou. Suas duas filhas estão crescendo, e ele sente que perdeu o controle sobre elas. Scottie, de 10 anos, gosta de descobrir as coisas por conta própria e é ávida por atenção. Alex, de 17, é uma ex-modelo que atravessou um período turbulento de uso de drogas. E sua mulher, a bela Joanie, acabou de sofrer um acidente de lancha que a faz ficar em coma no hospital.
Completamente desnorteado sem a esposa ao seu lado, Matt se vê obrigado a enfrentar seus próprios fantasmas. A família, a partir de agora, será de sua responsabilidade, e ele precisa aprender a conhecer melhor suas duas filhas. Com tudo isso, os primos de Matt ainda querem persuadi-lo a vender suas terras, fazendo com que ele perca o único legado de sua ancestralidade privilegiada.
Em Os Descendentes, Hemmings constrói uma história sobre família e superação em cima dos dilemas do protagonista de meia-idade, que tem de aprender a construir seu próprio legado e descobrir a si mesmo no processo.
O filme homônimo tem George Clooney no papel principal e direção de Alexander Payne, e estreou nos Estados Unidos em novembro de 2011. No Brasil e em diversos outros países, a previsão de estreia é para janeiro de 2012.
Tradução: Cassio de Arantes Leite

Ficção
Lançamento: 09/01/2012
304 páginas
Alfagrara

domingo, 29 de janeiro de 2012

sábado, 28 de janeiro de 2012

Ministro Joaquim Barbosa

Escrito por Myrianna Albuquerque, 18 jan 2012, coluna Espaço Aberto, site SINTEST-RN:

Por Arthurius Maximus

O ministro Joaquim Barbosa é bem conhecido dos brasileiros. Elevado ao grau de celebridade ao humilhar publicamente o então presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, em uma das mais polêmicas audiências do tribunal. Sem papas na língua, Joaquim Barbosa disse a Mendes o que muitos brasileiros queriam dizer a respeito da arrogância e da magnânima atuação de Gilmar Mendes (sempre para o lado dos poderosos) envolvendo casos de corrupção.
Agora, o ministro volta às manchetes jogando mais uma vez no ventilador ao desmascarar o descarado complô que é ensaiado pelos ministros do STF (a maioria indicada pelo PT) para causar a prescrição dos crimes do Mensalão; transformando em uma enorme pizza mal cheirosa o processo que poderia ser um marco na moralização da política nacional e destruiria boa parte da cúpula petista, ao colocá-la atrás das grades.
Tudo começou com uma entrevista "em banho-maria" do Ricardo Lewandowski, revisor do caso. Nessa entrevista, Lewandowski deixou escapar que o processo caminhava para a prescrição porque não haveria tempo hábil para julgá-lo. Afinal de contas, o ministro Joaquim Barbosa havia tido uma série de problemas de saúde e atrasara a entrega do seu relatório sobre o caso.
Com a celeuma levantada pela imprensa, o presidente do STF, ministro Cezar Peluso, quis fazer "uma média" com a opinião pública e dar um ar de legitimidade ao complô que se anunciava. Mandou redigir um ofício instando Joaquim Barbosa a acelerar o processo e enviar os autos para análise dos seus colegas o mais rápido possível.
Malandro... Cem anos de Lapa... E frequentador do Bar Luiz... O ministro Joaquim Barbosa sentiu que era preparado um cenário para culpá-lo pela prescrição do processo e tornar palatável para a opinião pública o desastre da impunidade dos canalhas mensaleiros. Como homem que honra seu posto e de coragem de sobra, Joaquim Barbosa pegou a "perna de anão" que lhe entregaram “embrulhada para presente“ jogou-a para o alto e acertou em cheio o ventilador só STF.
Com uma declaração bombástica, desmascarou todo o esquema armado para levar o processo à prescrição e inocentar a corja que se apoderou do país. Disse: "Os autos, há mais de quatro anos, estão integralmente digitalizados e disponíveis eletronicamente na base de dados do Supremo Tribunal Federal, cuja senha de acesso é fornecida diretamente pelo secretário de Tecnologia da Informação, autoridade subordinada ao presidente da Corte, mediante simples requerimento".
Ou seja, mostrou com todas as palavras que os ministros ignoraram o processo até agora simplesmente por preguiça ou por pura vontade de deixá-lo prescrever, garantindo a absolvição do pessoal. Joaquim Barbosa ainda critica "na lata" a falácia de que está "atrasado" com o processo: "Com efeito, cuidava-se inicialmente de 40 acusados de alta qualificação sob os prismas social/econômico/político, defendidos pelos mais importantes criminalistas do país, alguns deles ostentando em seus currículos a condição de ex-ocupantes de cargos de altíssimo relevo na estrutura do Estado brasileiro, e com amplo acesso à alta direção dos meios de comunicação". Continua: "Estamos diante de uma ação de natureza penal de dimensões inéditas na História desta Corte".
Não satisfeito em desmascarar o claro acerto que há para que o processo prescreva Barbosa ainda mostrou que "atrasados são os outros". O processo do Mensalão tem 40 acusados, defendidos pelos mais caros advogados do país, todos ocupantes de cargos de grande poder no Estado Brasileiro. O processo tem mais de 49 mil páginas; 233 volumes e 495 apensos. Os réus indicaram mais de 650 testemunhas de todo Brasil e até de outros países. Mesmo diante de todo esse trabalho, o ministro Joaquim Barbosa manteve o trâmite normal de trabalho no STF e ainda julgou inúmeras causas nesse período. Enquanto isso, seus colegas, com ações envolvendo dois ou três acusados e que foram iniciadas na mesma época; ainda sequer foram concluídas.(*)
Mais uma vez, "matou a cobra e mostrou o pau". Sem pudores e sem medo, Joaquim Barbosa expõe claramente quem está comprometido com os interesses dos corruptos e busca desculpas para justificar o injustificável.
Diante de tudo isso, pelo menos para mim, fica a ideia da quase certeza em relação à prescrição do caso. Nem é preciso lembrar que um dos ministros indicados por Lula, o ministro Dias Tófolli, foi colocado ali "sob medida" para esse processo. Pois, para quem não se lembra, ele foi advogado de defesa de José Dirceu.
Pelo menos, se tudo der errado, teremos visto a coragem e o desprendimento do ministro Joaquim Barbosa dar um tapa na cara dos que tentavam imputar-lhe a culpa pela prescrição. Se o processo acabar por prescrever e não condenar ninguém; o desfecho terá sido por vontade dos ministros, sendo necessário que eles arrumem outra desculpa esfarrapada para justificar a cara-de-pau.
É como minha velha mãe dizia: "Mentira tem perna curta".

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Indicados para o Oscar 2012

Melhor filme
"Cavalo de guerra"
"O artista"
"O homem que mudou o jogo"
"Os descendentes" (trailer ao lado)
"A árvore da vida"
"Meia-noite em Paris"
"Histórias cruzadas"
"A invenção de Hugo Cabret"
"Tão forte e tão perto"

Melhor ator
Demián Bichir - "A better life"
George Clooney - "Os descendentes"
Jean Dujardin - "O artista"
Gary Oldman - "O espião que sabia demais"
Brad Pitt - "O homem que mudou o jogo"

Ator coadjuvante
Kenneth Branagh - "Sete dias com Marilyn" (trailer ao lado)
Jonah Hill - "O homem que mudou o jogo"
Nick Nolte - "Warrior"
Max Von Sydow - "Tão forte e tão perto"
Christopher Plummer - "Beginners"

Melhor animação
"A Cat in Paris"
"Chico & Rita"
"Kung Fu Panda 2"
"Gato de Botas"
"Rango"

Melhor atriz
Glenn Close - "Albert Nobbs"
Viola Davis - "Histórias cruzadas"
Rooney Mara - "Os homens que não amavam as mulheres"
Meryl Streep - "A dama de ferro"
Michelle Williams -"Sete dias com Marilyn

Melhor atriz coadjuvante
Octavia Spencer - "Histórias cruzadas"
Bérénice Bejo - "O artista"
Jessica Chastain - "Histórias cruzadas"
Janet McTeer - "Albert Nobbs"
Melissa McCarthy - "Missão madrinha de casamento"

Melhor roteiro original
"O artista"
"Missão madrinha de casamento"
"Margin Call"
"Meia-noite em Paris"
"A separação"

Trilha sonora original
"As aventura de Tintim" - John Williams
"O Artista" - Ludovic Bource
"A invenção de Hugo Cabret" - Howard Shore
"O espião que sabia demais" - Alberto Iglesias
"Cavalo de guerra" - John Williams

Canção original
"Man or Muppet", de "Os Muppets", música e letra de Bret McKenzie
"Real in Rio", de "Rio", música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown, letra de Siedah Garrett

Maquiagem
"Albert Nobbs"
"Harry Potter"
"A dama de ferro"

Direção de arte
"O artista"
"Harry Potter"
"A invenção de Hugo Cabret"
"Meia-noite em Paris
"Cavalo de guerra"

Fotografia
"O artista"
"Os homens que não amavam as mulheres"
"A invenção de Hugo Cabret"
"A árvore da vida"
"Cavalo de guerra"

Figurino
"Anonymous"
"O artista"
"A invenção de Hugo Cabret"
"Jane Eyre"
"W.E."

Diretor
Michel Hazanavicius - "O artista"
Alexander Payne - "Os descendentes"
Martin Scorsese - "A invenção de Hugo Cabret"
Woody Allen - "Meia-noite em Paris"
Terrence Malick - "A árvore da vida"

Documentário (longa-metragem)
"Hell and Back Again"
"If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front"
"Paradise Lost 3: Purgatory"
"Pina"
"Undefeated"

Documentário (curta-metragem)
"The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement"
"God Is the Bigger Elvis"
"Incident in New Baghdad"
"Saving Face"
"The Tsunami and the Cherry Blossom"

Edição
"O artista"
"Os descendentes"
"Os homens que não amavam as mulheres"
"A invenção de Hugo Cabret"
"O homem que mudou o jogo"

Melhor filme em língua estrangeira
"Bullhead" - Bélgica
"Footnote" - Israel
"In Darkness" - Polônia
"Monsieur Lazhar" - Canadá
"Separação" - Irã

Curta-metragem de animação
"Dimanche"
"The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore"
"La Luna"
"A Morning Stroll"
"Wild Life"

Curta-metragem
"Pentecost"
"Raju"
"The Shore"
"Time Freak"
"Tuba Atlantic"

Edição de som
"Drive"
"Os homens que não amavam as mulheres"
"A invenção de Hugo Cabret"
"Transformers: o lado oculto da lua"
"Cavalo de guerra"

Mixagem de som
"Os homens que não amavam as mulheres"
"A invenção de Hugo Cabret"
"O homem que mudou o jogo"
"Transformers: o lado oculto da lua"
"Cavalo de guerra"

Efeitos visuais
"Harry Potter"
"A invenção de Hugo Cabret"
"Gigantes de aço"
"Planeta do macacos"
"Transformers: o lado oculto da lua"

Roteiro adaptado
"Os descendentes"
"A invenção de Hugo Cabret"
"Tudo pelo poder"
"O homem que mudou o jogo"
"O espião que sabia demais"

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

E a coleguinha voltou, a Insônia...

Escolhas, sempre as escolhas.
Tomei uma decisão "difícil" ontem (creio que sempre serão difíceis, todas, todas).
Resolvi "dar um basta" naquilo que me faz andar em círculos...
Para cada decisão, ônus e bônus!!!
Aí, a coleguinha Insônia está aqui a me encher de ponderações.... Blá, blá, blá...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Onde os homens conquistam a glória

Pat Tillman era um astro do futebol americano na época dos ataques terroristas ao World Trade Center. O evento despertou nele a obrigação moral de se juntar às forças armadas do então presidente George W. Bush em sua cruzada contra o terror. Às vésperas da temporada 2002 da Liga Nacional, Tillman renunciou a um contrato de quase 4 milhões de dólares para passar os três anos seguintes como soldado de infantaria. Enviado ao Iraque e ao Afeganistão, Tillman foi morto. A reação oficial foi um cínico encobrimento da verdade aprovado pelos mais altos escalões do governo e uma série de investigações que resultariam ineptas não fosse a determinação de Dannie Tillman em descobrir o que acontecera com seu filho. Em uma pesquisa, o autor reconstrói a trajetória de Pat Tillman e revolve a campanha de desinformação do governo americano para que a verdadeira causa de sua morte jamais viesse à tona. (sinopse da livraria Cultura)
Autor: Jon Krakauer
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Assunto: BIOGRAFIAS - ESPORTES

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Cicloviagem pela Estrada Real

De 15 a 23 de julho de 2006, 26 ciclistas do grupo MOUNTAIN BIKEBH percorerram 603 km, de Ouro Preto (MG) a Paraty (RJ).


Eu estava lá... realmente, um marco na minha vida!
Contando os dias para reinciar minhas travessuras...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Brado Retumbante

Ainda temos 4 episódios da minissérie da Rede Globo, O Brado Retumbante, uma obra escrita por Euclydes Marinho com a colaboração de Nelson Motta, Guilherme Fiuza e Denise Bandeira. A direção de núcleo é de Ricardo Waddington e a direção geral é de Gustavo Fernandez.

Assim como “Dercy de Verdade” tinha como objetivo humanizar a comediante conhecida por seu estereótipo, a minissérie “O Brado Retumbante” pretende mostrar o lado humano do Presidente da República.

Na história, um Senador (Luiz Carlos Miele) e seu ‘séquito’ articulam para que o deputado Paulo Ventura (Domingos Montagner) assuma a presidência da Câmara dos Deputados. O objetivo é retirá-lo da oposição que ele vinha fazendo ao governo. Mas, quando um acidente aéreo mata o presidente da República e seu vice, Ventura se vê obrigado a assumir o comando do país, por um período de 15 meses.
Decidido a acabar com a corrupção, ele passa a concentrar sua atenção no desmantelamento do que ele chama de ”Estado paralelo” , a soma dos diversos esquemas montados para sangrar os cofres públicos através de superfaturamento, desvios de verbas, licitações fraudulentas e outros tipos de roubos. Assim, enfrentando uma sucessão de escândalos e o esfacelamento das instituições do país, Ventura começa a colecionar inimigos.
Mas este não é seu único problema. Casado há 20 anos com Antonia (Maria Fernanda Cândido), Ventura vive uma crise conjugal. Professora de história, Antonia assume a posição da esposa que apoia o marido, fingindo acreditar nas promessas do marido enquanto mantém uma postura discreta em relação às suas sucessivas escapadas amorosas.

O casal tem dois filhos: Marta (Juliana Schalch), uma menina mimada e explosiva, e Julio (Murilo Armacollo), que depois de anos afastado da família, reaparece como a transexual Julie.
A família de Ventura também é composta por sua mãe, Julieta (Maria do Carmo Soares), uma mulher mentalmente atormentada que tem prazer de infernizar a vida dos que a rodeiam, e Beijo (Otávio Augusto), seu tio trambiqueiro, que tenta aproveitar ao máximo das vantagens de ser parente de um homem poderoso.
No elenco da minissérie também estão José Wilker, como Floriano Pedreira, Ministro da Justiça; Alinne Rosa, como a amante de Paulo e esposa de Alarico Ferrão (Gerônimo Santana), um senador baiano; Leopoldo Pacheco como Tony, genro de Paulo; Paulo Ivo, como Barata, o porta-voz da presidência; Cristina Nicollotti, como Lúcia Wolf, jornalista política; Mariana Lima, como Fernanda, Deputada responsável pela comunicação entre presidência e Congresso; Marina Elai, como Fátima, intérprete de um político árabe; Cacá Amaral, como Saldanha, chefe de gabinete de Paulo; Valter Santos, como Werneck, Coronel do exército e chefe da Inteligência do Governo; Francisco Gaspar, como Oscar, garçon que trabalha na ala presidencial do palácio; Ramona Zanon, como Cláudia, secretária pessoal de Paulo; Lolô Souza Pinto, como Laurinha Leão, governanta do palácio presidencial; Jui Huang, como Otacílio Júnior, analista de sistema e subsecretário de Inteligência; Cecília Homem de Melo, como Isabel Pessanha, secretária da presidência; Chico Expedito, como Josivan, Deputado que se envolve em um esquema contra a Presidência; Carlo Briani, como Helmut, como o Ministro da Agricultura; Ida Celina, como Regina, terapeuta de Antonia; Hugo Carvana, como Mourão, um ex-presidente; Daniel Kuzniecka, como Martín, um argentino que se envolve com Antonia; Sandra Corveloni, como Neide, uma professora que se envolve em um escândalo; Cristine Peron, como Thelma, médica que se envolve com Paulo; Chami Yunes, como Emir, chefe de estado dos Emirados Árabes; Ricardo Corte Real, como Alaor, candidato à sucessão de Paulo; Leonardo Machado, como Guilherme, professor amigo de Antonia; Edgardo Roman, como Navarro, Presidente da Bolívia do Sul; Fábio Espósito, como Pachequinho, e Francisco Carvalho, como Bodelér Sampaio, deputados; e Waldeck, como Jonas, e Zeca Carvalho, como Djalma, seguranças.
Veja, Fernanda Furquim, 17/01/2012.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Revolução Cultural

Em Cisnes Selvagens li, pela primeira vez, sobre a Revolução Cultural. Sobre o Grande Salto para a Frente.
Assistir ao filme O Último Dançarino de Mao foi emocionante - chorei muuito, rs
Foi um excelente roteiro adaptado para quem leu a biografia de Li Cunxin: Adeus, China, o último bailarino de Mao.
No blog .C de Cinema temos outras boas indicações sobre a China:

"Coincidentemente em cartaz, dois filmes que levam às lágrimas o público de Salvador. Os melodramas O Último Dançarino de Mao, baseado no best-seller autobiográfico de Li Cunxin, dirigido pelo australiano Bruce Beresford, e A Árvore do Amor, do prestigiado cineasta chinês Zhang Yimou, o diretor de Lanternas Vermelhas e O Clã das Adagas Voadoras.
Ambos têm ação deflagrada no início dos anos 1970, quando a Grande Revolução Cultural Proletária de Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China, em 1949, ainda mostrava as garras e assim permaneceria até a sua morte (que deu início a outro processo histórico, comandado por Deng Xiaoping), em 1976, embora fosse oficialmente encerrada em 1969.
A Revolução Cultural foi empreendida pelo “grande timoneiro” chinês, a partir de 1966, para alavancar sua força política em baixa desde o fracasso completo do plano econômico O Grande Salto Adiante, de 1958 a 1960, que levou à morte, por causa da fome, milhões de camponeses.
Na época celebrada por intelectuais do porte de Jean-Paul Sartre, a revolução teve o Livro Vermelho como um dos instrumentos de mobilização das massas em um processo de desenvolvimento de culto à personalidade de Mao Tsé-Tung.
Tempo de varredura, de perseguição empreendida pela Guarda Vermelha, formada por jovens recrutados dos mais diversos setores do país para resguardar o governo, implacavelmente, de todos aqueles, sejam intelectuais ou não, que, um pouco mais próximos do Ocidente e da União Soviética, não se alinhavam ao regime e ao pensamento de Mao.
O Último Dançarino de Mao e A Árvore do Amor revelam pequenas facetas de períodos conturbados vividos pela China, no século XX, tema que também entra como pano de fundo de grandes filmes, como O Último Imperador, em que Bertolucci acompanha a trajetória de Pu Yi, coroado imperador da china em 1908, e Adeus, Minha Concubina, de Chen Kaige, a história de dois garotos apanhados nas ruas nos anos 1920 e forjados protagonistas da grande Ópera de Pequim. Ambos com desdobramentos históricos que culminam, respectivamente, antes e no período imediatamente posterior à Revolução de Mao."

sábado, 21 de janeiro de 2012

Minhas Tardes com Margueritte

Gosto das resenhas de Leonardo Freitas que, ao descrever um filme, remete-nos a vários outros títulos com estilos semelhantes...
Segue, pois, boas indicações para leitura e/ou filmes.

A história de dois personagens completamente diferentes que se conhecem e atingem uma maturidade por conta de uma amizade já foi tema de diversos filmes. Do oscarizado Conduzindo Miss Daisy (1989) ao clássico E.T – O Extraterrestre (1982), passando pelo melancólico Tomates Verdes Fritos (1991) até o brazuca Cinema, Aspirinas e Urubus (2005) e, sem esquecer de Mary e Max – Uma Amizade Diferente (2009) e o italiano Cinema Paradiso (1988).

Todos exploraram o tema de forma sincera e emocionante, cada um com sua peculiaridade. E é pegando carona nessa premissa que o francês Minhas Tardes com Margueritte (La Tête en Friche, França, 2010) garante seu lugar na estante de uma-amizade-que-tinha-tudo-para-dar-errado mas que, inesperadamente – ou justamente por conta disso – dá certo. E como dá certo.
Dirigido e com roteiro adaptado pelo veterano Jean Becker (O Olhar da Inocência, Estranhos Jardins, Conversas com Meu Jardineiro), o longa baseia-se na obra homônima da escritora conterrânea Marie-Sabine Roger, publicada em 2009 e conta a história da amizade entre Germain (Gérard Depardieu) e Margueritte (Gisèle Casadesus).

Ele, em seus cinquenta anos e cem quilos, é um grandalhão semi-analfabeto de bom coração. Ela, em seus cinquenta quilos e quase cem anos, é uma senhora letrada, doce e solitária. Quando ambos se conhecem ao observar os pombos em um parque, nasce uma relação tão profunda e generosa que, pra quem está do lado de cá da tela, é impossível não sentir inveja boa.
Germain, que vive em um presente atormentado pela figura da mãe eternamente hostil e já senil Jacqueline (interpretada por Claire Maurier), divide suas tardes entre os papos de bar com os amigos nada sensíveis e sua relação amorosa com a doce e jovem Annette (Sophie Guillemin). Porém, quando ele e Margueritte se aproximam, ela vai fazer com que ele descubra o prazer da leitura, apresentando-lhe um mundo que fará com que sua imaginação alce voos sem limites.

O diretor e roteirista Jean Becker mostra que seus 73 anos só lhe trazem carga e força dramáticade extrair de seus atores o máximo de suas performances. E os méritos não param por aí. Depardieu, despido do que lhe restava de vaidade, traz no doce grandalhão Germain a dose certa de sensibilidade que, aliado a Casadesus que, em seus impressionantes 97 anos, nos entrega de bandeja uma personagem fascinante em seu mistério e doçura. Finalmente, a mãe que Germain procurou durante toda a vida e não teve.
E com diálogos inteligentes e sensíveis, permeados pela literatura, olhamos encantados a afinidade que ambos encontram em um amor que tardou, mas não falhou. E o filme, que não tarda (são apenas 1h17min), ficamos aqui, compassivos de uma sutileza tão latente, passeando pelo vai e vem de seu passado e por visitas rápidas à sua imaginação, mostrando que a “la tête en friche” do título original (algo como “cabeça ociosa”) de Germain tem maior potencial do que nós – e ele – imaginamos.

E em Minhas Tardes com Margueritte, observamos, assim, essa senhora tão terna e indefesa, abrindo um novo mundo a Germain, o grandalhão de coração doce em que nem as mazelas da vida lhe tiraram a capacidade de se emocionar, sonhar e amar. Entre poucas palavras que dizem muito e uma naturalidade impressionante, somos capazes de rir de Dépardieu, que criou naquele doce grandalhão um dos personagens mais singelos e adoráveis do cinema francês, enquanto Casadesus, em seus 97 anos – sendo 77 de carreira – vigora em um filme poético por si só.
De confrontos inevitáveis a situações que emocionam sem apelar para o melodramático, Minhas Tardes com Margueritte é mais uma prova do cinema francês acertando de novo em sua delicadeza. Redondo e simples, prova que o menos, conforme dita o clichê, pode ser mais. Muito mais.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

British Academy Film Awards (Bafta)

Bafta é considerado o "Oscar britânico". Premiação marcada para 12 de fevereiro tem nomes que não figuraram no Globo de Ouro.
Em azul, aqueles poucos que assistimos. Sinal que teremos muuuuuuuuuuitos ainda para apreciar...

Veja os indicados ao Bafta 2012

Melhor filme
O artista
Os descendentes
Drive
Histórias cruzadas
O espião que sabia demais

Filme em língua não inglesa
Incêndios
Pina
Potiche - A esposa troféu
A separação
A pele que habito

Melhor filme britânico
Sete dias com Marilyn
Senna
Shame
O espião que sabia demais
Precisamos falar sobre o Kevin

Diretor
O artista - Michel Hazanavicius
Drive - Nicolas Winding Refn
A invenção de Hugo Cabret - Martin Scorsese
O espião que sabia demais - Tomas Alfredson
Precisamos falar sobre o Kevin - Lynne Ramsay

Roteiro original
O artista
Missão madrinha de casamento
O guarda
A Dama de Ferro
Meia-noite em Paris

Roteiro adaptado
Os descendentes
Histórias cruzadas
Tudo pelo poder
O homem que mudou o jogo
O espião que sabia demais

Fotografia
O artista
O homem que não amava as mulheres
A invenção de Hugo Cabret
O espião que sabia demais
Cavalo de guerra

Montagem
O artista
Drive
A invenção de Hugo Cabret
Senna
O espião que sabia demais

Design de produção
O artista
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
A invenção de Hugo Cabret
O espião que sabia demais
Cavalo de guerra

Maquiagem
O artista
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
A invenção de Hugo Cabret
A Dama de Ferro
Sete dias com Marilyn

Figurino
O artista
A invenção de Hugo Cabret
Jane Eyre
Sete dias com Marilyn
O espião que sabia demais

Efeitos especiais
As aventuras de Tintin: O segredo do Licorne
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
A invenção de Hugo Cabret
O Planeta dos Macacos: A origem
X-Men: Primeira classe

Documentário
George Harrison: Living in the Material World
Project Nim
Senna

Som
O artista
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
A invenção de Hugo Cabret
O espião que sabia demais
Cavalo de guerra

Trilha sonora original
O artista
O homem que não amava as mulheres
A invenção de Hugo Cabret
O espião que sabia demais

Filme de animação
As aventuras Tintin: O segredo do Licorne
Operação presente
Rango

Ator
Brad Pitt (Billy Beane) – O homem que mudou o jogo
Gary Oldman (George Smiley) - O espião que sabia demais
George Clooney (Matt King) – Os descendentes
Jean Dujardin (George Valentin) – O artista
Michael Fassbender (Brandon) – Shame

Atriz
Bérénice Bejo (Peppy Miller) – O artista
Meryl Streep (Margaret Thatcher) – A Dama de Ferro
Michelle Williams (Marilyn Monroe) – Sete dias com Marilyn
Tilda Swinton (Eva) – Precisamos falar sobre o Kevin
Viola Davis (Aibileen Clark) – Histórias cruzadas

Ator coadjuvante
Christopher Plummer (Hal) – Assim é o amor
Jim Broadbent (Denis Thatcher) – A Dama de Ferro
Jonah Hill (Peter Brand) – O homem que mudou o jogo
Kenneth Branagh (Sir Laurence Olivier) – Sete dias com Marilyn
Philip Seymour Hoffman (Paul Zara) – Tudo pelo poder

Atriz coadjuvante
Carey Mulligan (Irene) – Drive
Jessica Chastain (Celia Foote) – Histórias cruzadas
Judi Dench (Dame Sybil Thorndike) – Sete dias com Marilyn
Melissa McCarthy (Megan) – Missão madrinha de casamento
Octavia Spencer (Minny Jackson) – Histórias cruzadas

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

John le Carré

O espião que sabia demais: longa de espionagem rende boas atuações
Baseado em romance do escritor John Le Carré, filme traz Gary Oldman em trama ambientada nos anos 70 sobre traição e assassinatos em pleno Serviço Secreto de Inteligência Britânico.

Comentário de Léo Freitas:

Durante boa parte dos filmes de ação e espionagem que imperaram nos anos da Guerra Fria (1947 – 1991), os soviéticos foram os grandes vilões da Sétima Arte. O cinema, especialmente hollywoodiano, se limitava a culpar a URSS em grande parte de suas películas, alimentando o imaginário do público que assistia de camarote a uma guerra (aparentemente) silenciosa. O medo generalizado diante de uma Alemanha dividida e do conflito armado de mísseis na tríplice União Soviética, EUA e Cuba incomodaram uma sociedade que se dividia entre render-se ao Capitalismo, abraçar com riscos a bandeira vermelha do Comunismo ou, mais seguro e majoritário, abster-se e assistir em silêncio a uma provável Terceira Guerra Mundial.
Em “O Espião que Sabia Demais”, longa baseado em romance homônimo do escritor britânico John Le Carré e dirigido pelo cineasta sueco Tomas Alfredson (do terror “Deixe Ela Entrar”) acompanhamos, em meados dos anos 70, um grupo de agentes do Serviço Secreto de Inteligência Britânico que se envolve em uma trama de gato e rato quando emergem suspeitas de um agente duplo entre eles, que estaria fornecendo informações sigilosas tanto aos britânicos como aos soviéticos.
Quem enfrenta os riscos de descobrir a verdade é um experiente membro da equipe, conhecido como Control (John Hurt) que, após enviar um dos seus colegas a uma mal sucedida operação na Hungria, tem de contar com o colega aposentado George Smiley (Gary Oldman) para investigar a sujeira debaixo do tapete da renomada instituição. Se confirmada, a infiltração poderia mudar os rumos da Grã Bretanha no conflito.
Nesta busca pela “maçã podre da cesta”, Smiley entrará em um confronto, inicialmente velado, com a grande cúpula do Serviço de Inteligência, formado por Bill Haydon (Colin Firth), Percy Alleline (Toby Jones), Roy Bland (Ciarán Hinds) e Toby Esterhase (David Dencik). Todos ali são suspeitos de cooperar com a operação Witchcraft, grande jogada do oponente que envolve assassinatos, política e, claro, dinheiro.
Com a ajuda de Peter Guillam (Benedict Cumberbatch) e das pistas deixadas por Control, Smiley vai ligando os pouquíssimos rastros que o levam a Ricki Tarr (Tom Hardy), um elemento importante – e mais humano – que se envolve com Irina (Svetlana Khodchenkova), soviética intimamente ligada ao chefe do Serviço de Inteligência de Moscou, tornando-o mais um suspeito da traição. Neste emaranhado de personagens, o quebra-cabeça vai se formando a conta-gotas, onde nada é entregue de bandeja ao público até os momentos finais em um filme sério, adulto e intrigante.
Com uma cadência lenta que, paradoxalmente, não perde o ritmo, Alfredson cria um filme bem acabado e roteirizado, que mantém a tensão constante ao fornecer pistas que não somente instigam o espectador, mas também embaralham as suspeitas. Trocando em miúdos, é como tentar uma criança diante de um doce que ela terá de esperar para saborear. E diante de tal suspense, todos em “O Espião que Sabia Demais” são inimigos e suspeitos em potencial, com acesso a informações sigilosas do inimigo, ligações telefônicas em russo dos agentes britânicos, segredos pessoais que podem pôr tudo a perder e aí por diante.
A direção firme e as atuações críveis dos atores (em especial do trio Oldman, Hurt e Hardy) fazem com que a película não se perca em seu labirinto de eventos, especialmente pelo vai e vem cronológico, um caminho que, quando não bem trabalhado, pode ser fatal. Créditos para a edição, visto que o filme não deixa a desejar também com relação à direção de arte e fotografia, carregada de tons de cinza e detalhes esfumaçados, onde até mesmo os momentos de maior descontração transpiram mistério, tensão e desconfiança.
O resultado deve agradar aos fãs do gênero, em um filme que, por conta da frieza dos personagens, pode não criar empatia com o público, acostumado a torcer – contra ou a favor – por seus personagens. Assim, o sentimento de indiferença é capaz de permear as pouco mais de duas horas de projeção. Isso, claro, não tira todos os créditos de “O Espião que Sabia Demais”, porém a distância recíproca personagens/espectador não evolui, como se todo seu enredo tenha sido criado para contemplar e não emocionar.
O resultado deve agradar aos fãs do gênero, em um filme que, por conta da frieza dos personagens, pode não criar empatia com o público, acostumado a torcer – contra ou a favor – por seus personagens. Assim, o sentimento de indiferença é capaz de permear as pouco mais de duas horas de projeção. Isso, claro, não tira todos os créditos de “O Espião que Sabia Demais”, porém a distância recíproca personagens/espectador não evolua, como se todo seu enredo tenha sido criado para contemplar e não emocionar.
John Le Carré, que co-assina a produção executiva e faz uma ponta no longa como convidado em uma festa de Natal, é autor de outras obras já adaptadas para a telona, como “O Alfaiate do Panamá”, “A Casa da Rússia” e “O Jardineiro Fiel”. Em “O Espião que Sabia Demais”, cujo título original “Tinker Tailor Soldier Spy” vem do trocadilho da rima britânica Tinker, Tailor / Soldier, Sailor, o autor retorna com seu personagem mais famoso, George Smiley, uma versão mais plausível de agente do MI6, área do Serviço Secreto responsável pelas investigações externas. E que é, diga-se de passagem, bem diferente do “colega de trabalho” James Bond, cujo histórico em enfrentar soviéticos com muitas explosões nada lembra o discreto Smiley, que leva nas costas um filme de espionagem discreto e sem grandiloquências, bem ao estilo britânico.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

As pessoas gostam de ser enganadas

O psicólogo e escritor americano Michael Shermer diz que é mais fácil acreditar em esquisitices – como mediunidade, horóscopo e discos voadores – que pensar e questionar
PETER MOON
Época, 13/01/12

A diferença entre um mágico e um médium é que o mágico confessa fazer truques, enquanto o paranormal afirma ter poderes que o habilitam a ler pensamentos, prever o futuro ou falar com os mortos. “Basta ao médium dizer que tem poderes para as pessoas crerem. Faz parte da natureza humana”, afirma o psicólogo e escritor americano Michael Shermer, de 57 anos, diretor da Sociedade Cética e da revista Skeptic.“Não evoluímos para duvidar ou ter visão crítica. Isso exige educação e reflexão. Crer é mais fácil.” Nesta entrevista, ele fala sobre os temas de seu livro Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas (JSN, 384 páginas, R$ 65, publicado agora no Brasil), e ataca a farsa por trás da crença em discos voadores, bruxas, quiromancia e mediunidade.

ÉPOCA – Por que as pessoas acreditam em esquisitices?
Michael Shermer – A razão básica está em nosso cérebro, programado pela evolução para enxergar o mundo e procurar razões sobrenaturais para explicar eventos da natureza.
ÉPOCA – Dê um exemplo, por favor.
Shermer – Nas sociedades tribais, o pajé até hoje é aquele que detém os conhecimentos que podem salvar os membros da tribo em momentos decisivos. São os pajés que sabem quais são as plantas e raízes com poderes curativos. São eles que decretam que tal região virou tabu, tornando-a um local proibido e dando chance à fauna para se recompor. Anos depois, num momento de escassez, é o pajé quem tem o poder para liberar a volta dos caçadores ao local, salvando a tribo da fome. Esse tipo de poder sempre foi exclusivo dos magos, dos pajés e dos sacerdotes. Logo, acreditar em seus emissários significava a própria salvação. Quando o pajé dizia que enxergava o futuro, que os membros da tribo deveriam caçar ou buscar água em tal região, e que a salvação de todos estaria em fazer o que ele dizia, tudo não passava de uma profecia autorrealizável. Só isso.
ÉPOCA – Há os que afirmam ver coisas sobrenaturais e outros que dizem ouvir o canto dos anjos ou o lamento dos mortos.
Shermer – Somos animais sociais, e o cérebro foi programado para reconhecer rostos e fisionomias. Por isso, temos a tendência de enxergar faces escondidas no desenho das nuvens, nas manchas de um sudário ou nas rochas da superfície de Marte. Pela mesma razão, basta olhar as nuvens para reconhecer nelas as formas de diversos animais. Essa também é uma herança evolutiva, já que por milênios reconhecer a existência de um animal escondido na paisagem poderia significar a diferença entre a vida e a morte. Qualquer pessoa também pode dizer que fala com os mortos. Não tem nada de mais. Difícil é conseguir fazer os mortos responderem. Todas as alegações como essas que foram investigadas a sério acabaram revelando a existência de microfones escondidos na mobília, nas paredes ou no forro. Nenhuma fotografia pretensamente tirada de um disco voador sobreviveu a um exame detalhado. São todas alegações falsas, montagens feitas para iludir. Embora seja possível que algumas alegações de eventos paranormais, mediúnicos ou ufológicos possam ser verdadeiras, a verdade é que a maior parte delas é falsa, e o mais provável é que todas não passem de pura farsa.
ÉPOCA – Por que as mulheres parecem acreditar mais em esquisitices que os homens?
Shermer – Não é verdade. Homens e mulheres, indistintamente, têm a mesma tendência para acreditar nessas coisas. O que muda é o tipo de esquisitice. Mulheres acreditam mais em mediunidade, espiritismo, cartomantes, bruxaria, amuletos, terapias alternativas, curandeiros e simpatias. Os homens preferem acreditar em paranormalidade, pseudociência, criacionismo e objetos voadores não identificados.
ÉPOCA – Por que as pessoas diferenciam um mágico profissional que faz truques de um médium que diz ser paranormal?
Shermer – É porque o mágico confessa que faz um truque, mas não revela seu segredo. Isso tem razões históricas. A magia é tão antiga quanto as artes adivinhatórias. Há vários séculos, no tempo da Inquisição, os mágicos que ganhavam a vida seguindo as feiras regionais na Europa medieval foram sensatos em confessar que não eram bruxos. Eles confessaram que faziam truques para não acabar na fogueira. Sua confissão retirou dos mágicos profissionais a aura sobrenatural, a qual, embora tentem até hoje, nunca conseguiram resgatar.
ÉPOCA – E as cartomantes e os adivinhos?
Shermer – A maioria acabou na fogueira. As cartomantes e os adivinhos, os médiuns atuais, foram perseguidos porque alegavam deter poderes sobrenaturais. Eles afirmavam que conseguiam prever o futuro e influenciar o destino das pessoas. Ora, esses eram atributos exclusivos da Igreja Católica. Os mesmos inquisidores que se mostraram brandos com os mágicos não pouparam de sua ira persecutória cartomantes e adivinhos, todos eles rotulados de bruxos seguidores da magia negra. Os médiuns e charlatões da atualidade não correm esse risco. Por isso podem afirmar sem medo que têm visões, que falam com os mortos, enxergam o passado, o presente e o futuro. Ou alegar que leem a sorte e influenciam o destino de uma pessoa olhando as cartas do tarô, as linhas da palma da mão, o alinhamento dos planetas de um mapa astral, os reflexos de uma bola de cristal ou a borra de uma xícara de café.
ÉPOCA – Por que as pessoas insistem em acreditar que essas alegações são verdadeiras?
Shermer – Porque os médiuns afirmam que são verdadeiras. Basta aos médiuns, curandeiros e pais de santo dizer que têm visões e preveem o futuro para que as pessoas acreditem. Faz parte da natureza humana. Não evoluímos para duvidar ou questionar. Desenvolver um senso crítico e uma visão própria de mundo exige educação, reflexão e tempo. Crer é muito mais fácil. As pessoas preferem ser enganadas.
ÉPOCA – Quem pede remuneração para fornecer um bem ou serviço que não existe pode ser processado. Por que isso não se aplica ao “trabalho profissional” de cartomantes e médiuns?
Shermer – Porque adivinhos e paranormais se protegem atrás dos direitos universais da liberdade de opinião, de expressão, de reunião e de religião. É muito difícil ou quase impossível provar que um sujeito não escuta vozes interiores ou fala com os anjos se ele assim o afirma. Os religiosos e os crentes das religiões ditas oficiais poderiam ser investigados e processados exatamente pelas mesmas alegações, pois suas religiões aceitam doações em dinheiro como as cartomantes. Seus membros também alegam ter um canal direto de comunicação com o sobrenatural, assim como as cartomantes.
ÉPOCA – Por que gente inteligente crê em esquisitices?
Shermer – Foi para dar título ao livro que escolhi chamar o conjunto de crendices e enganações reivindicadas por médiuns e paranormais de “coisas estranhas”. Palavras mais corretas seriam farsa ou enganação. São atos na maioria das vezes criados para iludir e enganar. Em certas circunstâncias, podem ser classificados como delírios, quando seus devotos acreditam que viveram ou vivem uma experiência extraordinária, inexplicável, extrassensorial. Ainda assim, há explicação para tudo. Quem tem uma boa formação cultural e crê nessas fantasias o faz em duas possibilidades. Ou se trata de um indivíduo conivente com a farsa ou é alguém que sofreu de um surto psicótico, é esquizofrênico e, portanto, doente, ou teve uma alucinação. O estado alterado de consciência pode ser fruto da ingestão de alucinógenos como a ayahuasca, o mescal ou o LSD. Episódios psicóticos também podem ser causados pela privação de sono e pelo cansaço extremo. Para tudo há uma explicação. Se ela convence o crente, o doente ou o usuário, é outra questão.
ÉPOCA – O que acha da religiosidade e do sincretismo humanos?
Shermer – Sou ateu e sou otimista. Até a Idade Média, éramos uma espécie controlada pela fé e dominada por suas crendices e seus medos. Hoje, dezenas de milhões de pessoas nos países ricos se declaram ateias. A religiosidade, pelo menos na Europa e nos Estados Unidos, recua ano a ano.
ÉPOCA – Não é assim no Brasil nem nos países em desenvolvimento.
Shermer – À medida que o padrão de vida subir, a elevação da escolaridade e da educação científica reduzirá o porcentual de religiosos na população. É um caminho sem volta. Basta os governos investirem em educação de qualidade.
ÉPOCA – Um argumento dos religiosos para desqualificar os ateus é que eles escolheram não crer num deus e que essa é sua crença.
Shermer – Se os religiosos querem acreditar num deus bondoso, num paraíso com 100 mil virgens ou seja lá o que for, não dou a mínima. Os religiosos não me interessam. O que me interessa são as centenas de milhões de pessoas que não seguem religião nenhuma e nunca vão à igreja.
ÉPOCA – Quer dizer que, para o senhor, a religião é inofensiva?
Shermer – O problema começa quando seus seguidores usam a religião para lançar aviões contra arranha-céus, jogar bombas em clínicas de aborto (nos Estados Unidos), mutilar mulheres, restringir os direitos individuais e alterar a legislação para proibir o ensino da evolução. Eles querem obrigar as crianças a aprender o criacionismo, uma doutrina religiosa travestida de verdade científica.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

"Tempos de Paz" - Trailer

Novas diretrizes em tempos de paz não está em cartaz na 38ª Campanha de Popularização de Teatro & Dança.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

domingo, 15 de janeiro de 2012

O último bailarino de Mao - Belas Artes em BH

O livro foi emocionante... dizem que o filme é ainda mais espetacular...
Preciso acreditar que ainda está em cartaz...

Programação de 06 a 12 janeiro
O Último Dançarino de Mao

Sinopse: Jean-Aos 11 anos, Li Cunxin foi tirado de uma pobre aldeia chinesa para estudar balé na escola de dança de Madame Mao, em Pequim. Em 1979, ele consegue entrar para a Companhia Houston Ballet durante um intercâmbio cultural no Texas, onde começa uma vida nova e livre. Os oficiais chineses tentam levá-lo de volta à China, mas manobras legais e o casamento com uma bailarina americana conseguem mantê-lo nos EUA. Para lutar pelos seus sonhos, porém, ele terá de abandonar para sempre sua família. Baseado na autobiografia do bailarino chinês Li Cunxin.
País: Austrália
Direção: Bruce Beresford
Classificação: 10 anos
Duração: 117 min
USIMINAS BELAS ARTES CINEMA 3
14:30 16:50 19:10

Cine Vejinha: O drama inspirado na autobiografia do bailarino Li Cunxin tem início em 1980. Em Houston, Texas, o diretor de uma companhia de balé (Bruce Greenwood) hospeda em casa um rapaz vindo de Pequim. Li Cunxin (Chi Cao) vai fazer um estágio de três meses nos Estados Unidos. A história, então, retrocede para mostrar sua ascensão. Nascido numa aldeia chinesa, o frágil Li (Wen Bin Huang) foi tirado da família ainda menino por agentes de Mao Tsé-tung. O objetivo: ser treinado numa escola de dança da capital. Li cresceu sob os preceitos comunistas e sempre baixou a cabeça para os desígnios de seu povo. Em sua estada americana, no entanto, vê-se tentado a mudar o destino. Diretor de “Conduzindo Miss Daisy” (1990), o australiano Bruce Beresford segue uma cartilha própria para abordar o comunismo e o capitalismo, concentrando-se sobretudo nos dilemas de seu protagonista, interpretado por um fraco ator, mas ótimo dançarino.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O trajeto de casa para o trabalho e vice-versa

Prejuízo no trânsito

INSS quer reaver gasto de acidentes de trajeto
Por Alessandro Steffanuto e Fernando Maciel
Consultor Jurídico

Ir ao trabalho e voltar com segurança para sua família deveria ser uma regra no dia a dia do trabalhador brasileiro. Mas, infelizmente, a realidade que vemos no Brasil é outra. Por ano, quase 100 mil trabalhadores são vítimas acidentes de trajeto, ou seja, sofrem danos no caminho do trabalho para casa ou vice-versa.
Estatísticas comprovam essa preocupante e triste tese. Em 2010, dos cerca de 250 mil acidentes de trânsito, mais de um terço (94.789) foram computados pela Previdência Social como acidentes de trajeto, número esse que cresceu em relação ao ano anterior, quando foram registradas 90.180 ocorrências.
O número crescente de acidentes de trajeto acompanha a preocupante realidade brasileira no que tange o trânsito: cem brasileiros morrem a cada 24 horas! Por ano, esses acidentes causam 38 mil mortes, número que representa a perda de uma vida a cada 15 minutos, entre elas, as de milhares de trabalhadores. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 40 mil brasileiros morrem em decorrência de acidentes de trânsito todos os anos. Metade desse contingente é formada por pedestres, ciclistas e motociclistas. E, em se tratando de benefícios previdenciários, estamos falando de um custo de mais de R$ 8 bilhões aos cofres da Previdência Social anualmente.
Atenta aos alarmantes números de acidentes de trânsito, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), representado pela Procuradoria-Geral Federal, iniciou no ano passado o ajuizamento de ações regressivas de trânsito em todo o Brasil, sendo a primeira delas no Distrito Federal, em um acidente ocorrido em 2008 na Rodovia DF 001 – que liga Taguatinga a Brazlândia - e ocasionou a morte de cinco pessoas e deixou três com graves lesões. A expectativa do INSS na ação, que foi movida na Justiça Federal do Distrito Federal no dia 3 de novembro de 2011, é de um ressarcimento superior a R$ 1 milhão.
O objetivo do INSS é que o ajuizamento das ações regressivas de trânsito seja repetido em todo o país a partir deste ano, responsabilizando financeiramente os motoristas que, por incorrerem em gravíssimas infrações de trânsito, fazem de seus automóveis verdadeiras armas letais. Para tanto, diversos convênios serão firmados com os Ministérios Públicos Estaduais, as Polícias Civis dos estados, consórcios de seguro obrigatório (DPVAT) e a Polícia Rodoviária Federal. A expectativa do INSS é fazer um levantamento de casos pontuais causados por graves infrações à legislação de trânsito.
Tal iniciativa inspirou-se nos bons resultados que o INSS vem alcançando com as ações regressivas acidentárias, por meio das quais se busca o ressarcimento das despesas com as prestações sociais acidentárias implementadas em face dos acidentes do trabalho que ocorrem por culpa dos empregadores que descumprem as normas de saúde e segurança do trabalho. A expectativa de ressarcimento aos cofres da Previdência com as ações regressivas acidentárias é de cerca de R$ 200 milhões até os dias atuais, o que reflete, especialmente, na efetiva redução do número de acidentes. Em 2010, registramos 701.496 acidentes de trabalho, número significantemente menor que os 733.365 registros do ano anterior. Em 2012, estima-se que R$ 84 milhões possam voltar aos cofres da Previdência Social com as ações regressivas acidentárias, o que significará redução ainda maior dos acidentes de trabalho, fatais ou não.
O INSS, por intermédio da Procuradoria-Geral Federal, quer continuar oferecendo a sua parcela de contribuição. Trata-se de uma mudança paradigmática de atuação institucional, que vai além do efetivo reconhecimento dos direitos de seus segurados, atingindo, principalmente, a proteção da integridade física desses com uma postura didático-educativa de prevenção no ambiente de trabalho e no trânsito.
No ano 2012 esperamos ter mais motivos para comemorar, contribuindo para que a sociedade brasileira possa viver com paz no trânsito e direitos sociais respeitados. Que o trabalhador brasileiro possa ir e voltar ao trabalho com segurança e que não fique à mercê dos negligentes que desrespeitam as leis e a própria vida.
Alessandro Steffanuto é procurador-chefe da Procuradoria Federal Especializada do Instituto Nacional do Seguro Social (PFE-INSS).
Fernando Maciel é coordenador-geral de matéria de benefícios da PFE-INSS.
Revista Consultor Jurídico, 11 de janeiro de 2012

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Minha irmã, meu amor

O novo romance da americana Joyce Carol Oates joga luz sobre a realidade de um garoto que cresce numa família disfuncional. Afetado pela morte precoce da irmã, aos 6 anos de idade, o adolescente tenta sobreviver à falta de atenção e afeto dos pais, que se mostram interessados apenas em manter seu status social. Para isso, ele dá sua versão sobre a tragédia que abalou sua família, inspirada num assassinato sem solução ocorrido nos Estados Unidos em 1996. (Tradução de Vera Ribeiro, Alfaguara, 624 páginas, 67,90 reais)

Leia o comentário de Éder Fogaça.



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sustentabilidade com estilo

Exatamente! Presenteei sacolas ecológicas no último natal.
Estarei sempre a aplaudir campanhas publicitárias inteligentes.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

400 contra 1: Uma História do Comando Vermelho

A história da gênese do Comando Vermelho nos anos 70 em um presídio no Rio mostra a força do coletivo carcerário

Estadão, 07 de agosto de 2010
Caco Souza


Minha incursão no tema do filme 400 contra 1 se deu há oito anos, quando li 400 contra1: Uma História do Comando Vermelho, de William da Silva Lima, livro em que ele discorre sobre sua trajetória no mundo do crime. Achei instigante acompanhar o relato de um detento que teve sua primeira prisão, por furto, aos 17 anos e, entre fugas e recapturas, passou mais de três décadas encarcerado por assalto a banco. Somado a isso William, o "Professor", integrava um grupo de detentos que conviveu com presos políticos no Instituto Penal Cândido Mendes (Ilha Grande - RJ) nos anos 70.
Foi nessa época que ele liderou o movimento que instaurou um sistema de organização dentro da prisão, na época conhecido como "Falange Vermelha". Segundo as palavras de William "era uma forma de comportamento" face a um brutal sistema carcerário e impunha certas regras de convivência entre os detentos: não aos assaltos, não aos estupros e uma busca incessante pela liberdade.
O tema era polêmico, assim como o que William afirmava no livro: a controversa convivência entre os presos políticos e os presos "proletários" durante a ditadura brasileira.
Meu primeiro contato com William foi no presídio Bangu III. Anos depois, fruto do aprofundamento de minha pesquisa sobre as origens do Comando Vermelho, realizei dois documentários: Senhora Liberdade (2004) e Resistir (2006). Minha intenção era dar "voz" à sua versão dos fatos. Foi instigante acompanhar uma perspectiva que ia na contracorrente daquilo comumente divulgado sobre o Comando Vermelho e de sua suposta origem como fruto do "aprendizado" das técnicas de guerrilha dos presos políticos.
A pesquisa para esses documentários (com a colaboração da historiadora Ana Carolina Maciel) englobou documentos em arquivos, reportagens e obras de autores como Carlos Amorim e Júlio Ludemir. Confrontei esse material com o depoimento de William, que se impunha como a visão de alguém atrás dos muros.
Inspirado pela perspectiva de abordar os primórdios do Comando Vermelho e tendo como mote o relato de William iniciei o projeto do longa ficcional 400 contra 1. Sem a pretensão de esgotar um tema tabu, concentrei a trama nos anos 70, quando a noção de um coletivo carcerário, tão difundida no discurso de William, tomou forma dentro das muralhas do presídio Cândido Mendes.
Minha intenção não foi "contar" de forma asséptica e linear a origem do Comando Vermelho. Meu filme é uma trama ficcional (baseada em fatos reais) sobre o surgimento do CV. Procurei retratar esse episódio sem heroísmos e maniqueísmos. Nos dias atuais, o crime organizado desencadeia os mais diversos sentimentos na sociedade. Não falar sobre esse assunto não significa que ele deixe de existir. Abordar não significa fazer sua apologia ou glamourização.
O grande tema que perpassa o filme é o de um grupo de criminosos que percebeu a força do coletivo carcerário, se organizou e semeou o que ficou conhecido como o crime organizado brasileiro. William da Silva Lima tinha uma história para contar e eu quis contar. Tanto a versão de William quanto a minha implicam escolhas. Meu filme é uma ficção e como tal não intenta trazer um relato isento, até porque não há isenção possível em nenhuma forma de manifestação artística. Numa batalha sem vencedores o meu protagonista é um anti-herói.


Maria Carolina Maia entrevista Caco Souza (VEJA.com):
Como a história do filme se relaciona com a violência atual do Rio de Janeiro?

O filme mostra como a Falange Jacaré, que teoricamente é a origem do atual Terceiro Comando, foi derrotada pelo Comando Vermelho, que surgia na mesma época [anos 1970], no presídio da Ilha Grande [RJ]. A Falange Jacaré era um grupo mais ligado a pequenos furtos, pequeno tráfico dentro da cadeia, venda de proteção. O filme trata do momento anterior ao confronto entre os dois grupos, desde a formação da Falange da Lei de Segurança Nacional [nome original do Comando Vermelho], sua ida para as ruas e o retorno aos assaltos a banco - quando o grupo passa a ser a quadrilha mais temida do Rio de Janeiro. O longa mostra ainda como, sistematicamente, os primeiros líderes do Comando Vermelho foram mortos pela polícia, exceto William. Com isso, saíram de circulação pessoas com as quais ainda se podia ter algum tipo de diálogo. Elas foram substituídas por outras, mais jovens e mais violentas. Quando você vê uma ação como essa agora, no Rio, você vê muita molecada, que não tem nada a perder, que não tem uma história, que não entende o mundo com outra visão que não a da violência pela violência. Acho que mudou o perfil do crime organizado não só pela chegada do tráfico de drogas, mas também porque mudou o perfil da liderança desse crime.
É uma dessas perseguições à liderança inicial do Comando Vermelho que dá título ao livro e ao filme?
Isso. O filme se chama 400 Contra 1 porque um desses líderes, o Zé Bigode, que no filme se chama Cavanha (o ator Fabrício Bolivera), se vê em uma situação diante de 400 policiais. Ele estava entocado em um apartamento na Ilha do Governador, de onde trocou tiros com a polícia por uma tarde e uma noite inteiras. Só na manhã seguinte conseguiram tirá-lo de lá, morto.
O filme Quase Dois Irmãos, da Lucia Murat, também enfoca esse momento de formação do Comando Vermelho. Como fazer algo diferente?
A diferença é que a gente conta a história pelo olhar do preso comum. Os presos políticos [com que os presos comuns conviveram e que serviram de ângulo para Lucia Murat] hoje são o poder, eles têm todo o poder de se colocar, de contar suas histórias, sejam elas verdadeiras ou não, estão aí gozando do prestígio desse passado não muito gostoso, mas que os acaba credenciando para determinados cargos. Os comuns, não. Eles foram morrendo ao longo dos anos, esquecidos e largados. E deu no que deu. No Rio de Janeiro, hoje, você tem de pedir permissão para entrar em alguns lugares, como em São Paulo.
Você já havia filmado um documentário de curta-metragem com William, o Senhora Liberdade, disponível no Youtube. Por que resolveu fazer um filme ao estilo ficcional em vez de um documentário de maior fôlego?
Na verdade, desde que eu li o livro, em 2002, a ideia era fazer ficção. O documentário surgiu como um modo de registrar as conversas que tive com o William ao longo dos anos de pesquisa. Mas o filme vai ter muito de realidade. Acho que 70% do filme será baseado na vida do William, que narrará a história em off.
Além do Fabrício Bolivera, que você citou, o elenco conta com o Daniel de Oliveira, como William, e a Daniela Escobar, namorada de William. É verdade que Teresa é uma psicopata?
A Teresa tem esse perfil de querer se dar bem e não medir esforços para isso. Mas essa parte é ficcional. A Teresa não existiu. Ou melhor, existiram algumas Teresas. Ela representa os casos amorosos do William nessa fase.
O Daniel de Oliveira passou por alguma preparação para viver William?
Todo mundo se preparou. A gente rodou as cenas internas de prisão no presídio do Ahú, em Curitiba, e conseguiu autorização do governo paranaense para a participação de uma colônia penal local nas filmagens, por um mês. Os presos fariam figuração, mas alguns acabaram fazendo cenas mais importantes que as previstas. A preparação dos atores foi feita dentro dessa colônia. Eles passavam o dia com os presos, faziam exercícios junto com eles - eram todos atores se preparando para o filme. Como parte da preparação, o elenco recebeu o roteiro sem diálogos, eu só entregava as falas na noite anterior à filmagem da cena. A minha ideia era que cada um soubesse o que ia acontecer, mas que não soubesse o que ia dizer, para que pudesse improvisar. Era para a gente ter um frescor, para não ter o cacoete da coisa decorada. Foi muito legal.
Seu próximo filme será uma cinebiografia da prostituta Gabriela Leite, criadora da grife Daspu. Histórias com um pé na realidade o atraem mais?
Eu acho que sim. A gente tem excelentes histórias para contar e às vezes fica correndo atrás de uma história original que não tem tanto significado. A história da Gabriela Leite é sensacional.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Realidades do nosso Brasil

Tropa de Elite, 400 Contra 1, Carandiru, Era uma vez... e Salve Geral.
Cinco filmes nacionais que falam da dificuldade (utopia) de sobreviver sob a Lei do Crime Organizado.
Ângulos diferentes de um (mesmo) triste fim.



sábado, 7 de janeiro de 2012

Orquídea na janela

Novidade!
Em 6 anos nunca tivemos uma orquídea amarela...
Ei-la!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O arroz de Palma

Da Editora Record uma grande obra!

Francisco Azevedo narra em O arroz de Palma, seu primeiro romance, um século da saga de uma família portuguesa imigrante. O tema da travessia e adaptação é recorrente na literatura brasileira, mas ao investigar especificamente a chegada de portugueses, não o colono, mas o que vem para trabalhar, Azevedo investe numa temática inédita. "Este meu romance de estréia fala da saga de uma humilde família portuguesa que chegou ao Brasil cheia de sonhos e projetos e que, transplantada neste solo, aprofundou raízes, cresceu e deu frutos. Fala de minhas próprias raízes. Fala, portanto, de mim e dos meus", disse Azevedo. O romance é marcado por uma escrita lírica, delicada, em que os momentos de reflexão do narrador, um senhor de 88 anos que prepara um grande almoço para toda a família, são entremeados por recordações deste século de família no Brasil. Embora as mudanças sociais e culturais do país possam ser percebidas no romance, é dentro da família que o autor maneja as transformações para amplificá-las: "O livro fala de família. A transformação do país na imagem dos descendentes é a transformação da própria família. Considerada falida nos anos 1960 e condenada ao desaparecimento, a família situa-se, agora, neste início do século XXI, como a mais sólida das instituições. Surpreendente? Nem tanto." Por meio das memórias do narrador, o octagenário Antonio, Francisco Azevedo maneja com esmero os diálogos, marca registrada em suas aclamadas peças teatrais como Unha e carne e Coração na boca, entre outras. Antes de O arroz de Palma, Azevedo publicou dois livros de poesia e prosa poética, Contra os moinhos de vento, 1978, e A casa dos arcos, de 1984. Posteriormente o autor se dedicou aos roteiros cinematográficos, de ficção e documentários, e peças teatrais.


A imigração é um tema que vem ganhando espaço na literatura brasileira. Como entende essa recorrência recente? Seria a necessidade de olhar para trás, para as raízes? Qual foi o seu caso?
A recorrência não acontece por acaso. Nós, seres humanos — os artistas principalmente —, estamos sempre antenados. Na literatura ou nas outras artes, as tendências coletivas resultam, justamente, dessa sintonia que está no ar e que tem muito a ver com o momento e a vivência desta ou daquela geração. No que diz respeito ao tema da imigração, acredito, sim, nessa necessidade de olhar para trás, para as raízes. Hoje, quando tudo é questionado e se torna relativo, precisamos de pontos de referência, modelos que nos transmitam um mínimo de certeza. Ir às raízes, mais que olhar para trás, é olhar para o fundo, para o que não está na superfície. É olhar simbolicamente para o que nos alimenta. É, enfim, tentar entender o que se passa conosco com base também na experiência ancestral, tão rica e tão vasta. Fico alegremente surpreso com as gerações mais novas que se interessam cada vez mais pela ancestralidade. Querem saber nomes de antepassados, a ascendência, a origem do sobrenome, o sangue (se português, italiano, alemão, espanhol, holandês...). Na internet, já há sites que criam e desenvolvem gigantescas árvores genealógicas! E entendo isso como uma busca afetiva — o que se quer é a informação caseira sobre o parentesco e não a descoberta de possíveis origens nobres.

Em O arroz de Palma, escrevo sobre nossas raízes lusitanas. Não falo do colonizador, mas do imigrante. Da gente simples, honesta e trabalhadora que veio em busca de dias melhores em terras brasileiras. Sempre confundimos a figura do colonizador com a do imigrante. Talvez, por isto, haja tantas histórias, filmes e seriados sobre italianos, alemães, japoneses, árabes e outros povos que imigraram para cá e nada ou quase nada sobre portugueses. Este meu romance de estréia fala da saga de uma humilde família portuguesa que chegou ao Brasil cheia de sonhos e projetos e que, transplantada neste solo, aprofundou raízes, cresceu e deu frutos. Fala de minhas próprias raízes. Fala, portanto, de mim e dos meus.

A transformação do país, na imagem dos descendentes, é figura que sai do pano de fundo para ser tratado como quase um dos personagens. Quis abarcar essas mudanças sociais, políticas e culturais com o romance?
O livro fala de família. A transformação do país na imagem dos descendentes é a transformação da própria família. Considerada falida nos anos 1960 e condenada ao desaparecimento, a família situa-se, agora, neste início do século XXI, como a mais sólida das instituições. Surpreendente? Nem tanto. Embora sacudida por radicais transformações de comportamento, ao longo das últimas quatro décadas, a família tem sabido superar suas deficiências, passar por testes dificílimos e, com base em diálogo mais franco, obter um maior entendimento entre seus membros: a aceitação do sexo antes do casamento e da homossexualidade, a união entre pessoas de religiões, raças e níveis sociais diferentes, o melhor entendimento entre casais que se separam e a natural convivência entre filhos de casamentos diferentes são apenas alguns exemplos de como essa instituição tem sabido evoluir e responder a novos desafios. Embora ainda com resistências e intolerâncias aqui e ali, e apesar de aparentes sinais de fragilidade, a família apresenta-se hoje como a instituição mais credenciada para reger de forma responsável as mudanças que a sociedade vem exigindo. Em O arroz de Palma estas mudanças estão presentes, é claro. E Antonio, o narrador da história, é naturalmente envolvido por elas. O romance pretende mostrar que, apesar de todos os seus erros e tropeços cotidianos, a família busca se aprimorar. Ao se empenhar pelo acerto, essa milenar instituição parece querer provar que nós, seres humanos, pelo próprio instinto de sobrevivência, estamos fadados ao entendimento. Por isso, simbolicamente, o livro também se refere a esta nossa atribulada família planetária e a ela é dedicado: "Aos que já partiram, aos que aqui estamos e aos que ainda chegarão. Família somos todos."

O livro começa no “presente”, mas rapidamente o narrador recua para um século atrás e vem contando a história dessa família quase linearmente, mas em pequenas historietas, fragmentos. Por que escolher contar deste modo, ao mesmo tempo clássico e moderno?
A história de O arroz de Palma começa em 11 de julho de 1908 e termina exatamente em 11 de julho de 2008, quando Antonio, o narrador, já está com 88 anos e prepara um grande almoço em família. Acontece que o enredo ocorre ao personagem em forma de lembranças isoladas e em um tempo qualquer mais adiante, quando (não quero aqui revelar a razão) ele compreende o “mistério da terreníssima trindade” e se dá conta de que é passado, presente e futuro: três pessoas reunidas numa só. Neste momento principal, em que a toda a história de O arroz de Palma lhe vem à mente feito cinema, apenas o leitor lhe faz companhia. Os fatos, mesmo os mais remotos, estão tão vivos em sua memória, que são narrados no "presente colorido do indicativo". O modo de contar, ao mesmo tempo clássico e moderno, veio naturalmente, uma vez que, a meu ver, era o que melhor convinha à narrativa, que contém diálogos que vão do início do século passado aos dias de hoje, com conversas virtuais tecladas no msn. Mesmo em se tratando de um romance, há também uma forte influência de minha linguagem poética neste modo de contar. Acredito que a poesia esteja presente em quase todo o livro.

O milagroso arroz de Palma é o fio condutor de um século de trama. Mas, esquecendo a parte fantástica, o romance se debruça sobre vidas normais, sem grandes aventuras ou reviravoltas. Essa literatura do ínfimo, da delicadeza, é a que te agrada?
Sem dúvida. Mas não se espante se eu disser que essa "literatura do ínfimo e da delicadeza" tanto pode estar na poesia de Manoel de Barros, "que pensa renovar o homem usando borboletas", como nos contos de Sérgio Sant’Anna. Em O arroz de Palma, eu me debruço sobre vidas normais. São problemas comuns de uma família comum. O próprio arroz, que serve de fio condutor, é mais simbólico que milagroso. A história começa, em Viana do Castelo, Norte de Portugal, no casamento de José Custódio e Maria Romana. Terminada a cerimônia, o arroz que desaba sobre os noivos é torrencial, chuva branca que não pára. O cortejo segue em festa pelo vilarejo, mas a romântica Palma permanece ali, feliz com todo aquele arroz espalhado pelo adro da igreja. Muito pobre, decide com entusiasmo que aquele é o seu presente de casamento para o irmão e a cunhada. No cartão, escreve: "Este arroz — plantado na terra, caído do céu como o maná do deserto e colhido da pedra — é símbolo de fertilidade e eterno amor. Esta é a minha benção. Palma". Infelizmente, o arroz, dado com tanto amor, resulta na primeira briga do casal. A partir daí, todos os conflitos, os dramas e as alegrias da família giram em torno do arroz.

Esse é seu primeiro romance e no tratamento com a língua percebemos um esmero literário bem diferente do que o normalmente utilizado em peças de teatro ou roteiros, seus trabalhos anteriores. O arroz de Palma, por isso, já nasceu como livro ou pensou em utilizar como outra forma artística?
O arroz de Palma nasceu como idéia para uma peça de teatro. Mas, com o desenvolver da trama, percebi que a história tinha fôlego. O romance, é lógico, me permitiu dar asas à imaginação e contar a saga dessa família sem estar preso às limitações naturais de uma produção teatral.

Minha formação é literária e poética. Em meus roteiros e, principalmente, em minhas peças de teatro esta formação está presente, inclusive, no trato que dou aos diálogos. Posso citar vários exemplos: Unha e carne, com Denise Del Vecchio e Lilia Cabral, continha falas reflexivas que me permitiam usar naturalmente a linguagem poética; Casa de Anais Nin, com Dora Pellegrino e depois com Lucélia Santos, é um texto essencialmente poético e a peça foi selecionada pela revista Bravo! como uma das melhores em cartaz em São Paulo. Coração na boca, encenada no Brasil e no exterior e cujos direitos para cinema foram adquiridos recentemente pela Total Filmes, também é exemplo dessa influência poética e literária em meu texto de teatro. Fui homenageado e convidado pela Yale University, como conferencista, para falar sobre a peça, traduzida para o inglês com o título Three of Hearts.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Paulo Schiller

Paulo Schiller nasceu em São Paulo em 1952, é pediatra e psicanalista. O legado de Eszter, que traduziu do húngaro para a editora Companhia das Letras, recebeu o prêmio APCA de tradução em 2001. Com O companheiro de viagem, de Gyula Krúdy, (Cosac Naify), foi finalista do prêmio Jabuti em 2002. Para a Companhia das Letras, traduziu, do húngaro, diversos livros de Sándor Márai e de Imre Kertész. Traduziu também livros do húngaro e do francês para outras editoras. Escreve resenhas literárias para O Estado de S. Paulo e a Folha de S.Paulo.

O legado de Eszter
Eszter e a velha criada Nunu já se acomodaram a uma existência de aldeia, quase solitária, pacata, acreditando-se livres das memórias de uma época em que a energia e o encanto de Lajos aturdiam a todos na casa. Naquele tempo, enfeitiçados por suas promessas, os pais e os irmãos de Eszter entregaram-lhe quase tudo o que tinham.

Entretanto, Eszter e Nunu recebem um dia um telegrama: Lajos anuncia que voltará, depois de uma ausência de vinte anos. As duas se debatem entre a esperança de que virá para saldar suas dívidas e o pressentimento do perigo - talvez venha em busca de algum resto da herança miúda deixada pelo pai de Eszter.
Atordoada por um turbilhão de sentimentos contraditórios, ela se prepara para a chegada. Lajos - que entre juras de amor por ela, Eszter, desposou sua irmã Vilma -, o falsificador de promissórias, o descrente, o fugitivo, o indigno de confiança, o que mente com lágrimas de verdade, foi o único homem que Eszter amou.
Assistimos, incrédulos, aos passos sedutores de Lajos, ensaiados, e à entrega angustiada mas inevitável de Eszter. Um fim paradoxal revela a lei ausente dos manuais de ética: o que um dia se iniciou tem de ser encerrado. Descobrimos que "as decisões solenes e definitivas, que traçam o relevante na linha do destino de nossas vidas, são bem menos conscientes do que acreditamos mais tarde, nos momentos de rememoração e lembrança". Na prosa límpida e precisa de Márai, ao emergirem das páginas, Eszter e Lajos se alinham aos personagens inesquecíveis da literatura universal. (Companhia das Letras)

domingo, 1 de janeiro de 2012

Os Redentores

O livro "Os Redentores: Ideia e Poder na América Latina" faz críticas a personalidades históricas e heróis latino-americanos.
Sem os fogos de artifício dos famosos "politicamente incorretos", o volume é uma coletânea de ensaios biográficos e intelectuais de 12 personalidades cujos pensamentos e ações moldaram a identidade latino-americana. Uma obra para quem quer entender questões da América Latina que vão além da conversa de bar.
Com mais de 600 páginas, o exemplar apresenta um panorama de ideias políticas e culturais que avançam desde o século 19, de José Martí a Hugo Chávez.
Krauze, que participou da Flip deste ano, é jornalista, ensaísta e historiador. Editou a revista literária "Vuelta", atualmente dirige "Letras Libres", no México e na Espanha, colabora com "El País" e "The New York Times", além de lecionar como professor convidado na Universidade de Oxford.