sábado, 31 de dezembro de 2011

Livro x Filme e Filme x Livro

Livro publicado pela Editora Record inspira filme homônimo (site da Editora)

O filme "A Pesca do salmão no Iêmen", baseado no livro homônimo, de Paul Torday, publicado no Brasil pela Editora Record, já tem trailer oficial. Em setembro deste ano, o filme foi exibido no Festival Internacional de cinema de Toronto, no Canadá. Protagonizado por Ewan McGregor e Emily Blunt, o longa estreará nos EUA em fevereiro de 2012 (ainda sem previsão para chegar ao Brasil).

“Pesca do salmão no Iêmen” conta a história do dedicado cientista Alfred Jones, que trabalha no Centro Nacional de Excelência da Pesca em Londres. Certo dia, um xeique misterioso lhe oferece um trabalho relacionado ao esporte da pescaria de salmão no Iêmen, que inicialmente é recusado, mas acaba sendo realizado por questões políticas. A obra impressa alcançou o sucesso em 23 países e foi vencedora do Prêmio Bollinger Everyman Wodehouse 2007.
Data: 20/12/2011


A PESCA DO SALMÃO NO IÊMEN é uma deliciosa sátira que mistura maquinações políticas, sonhos, fé e peixe. O resultado dessa estranha combinação é um livro de sucesso, que vendeu 250 mil exemplares na Inglaterra, teve seus direitos vendidos para 23 países e ganhou o Prêmio Bollinger Everyman Wodehouse 2007.
No romance, Paul Torday conta a história do dedicado cientista Alfred Jones, do Centro Nacional para a Excelência da Pesca, que recebe um documento que o deixa espantado. Um abastado xeique iemenita desejava introduzir a cultura do salmão no pequeno país da Península Arábica. O Dr. Jones teria plenos poderes para implementar a iniciativa, sem qualquer contingência de recursos.
Sob a ótica científica, o projeto parece impossível, porém revela-se de alto valor político para os governantes britânicos, que pressionam o Dr. Jones a gerenciar o projeto. É o início de uma longa troca de memorandos, e-mails e cartas, que compõem essa deliciosa sátira sobre os absurdos burocráticos e sobre as relações Ocidente-Oriente Médio.
Segundo o autor, a inspiração para escrever seu livro de estréia veio dos 15 anos que ele dedicou à pesca e os 10 anos que passou viajando pelo Oriente Médio a trabalho e por prazer. No romance, a pescaria serve como ponte entre duas culturas distinas, e para lembrar do que realmente importa na vida. "Pescar é um ato de fé", observa.
"Um romance espetacular - um grito por humanidade em nosso mundo desintegrado e obcecado por metas." Marina Lewycka, autora de A Short History of Tractors in Ukrainian
"Adorei o livro!" Bill Nighy, ator.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Os verbos auxiliares do Coração

Assista à entrevista de Paulo Schiller sobre sua tradução de outra obra húngara de Péter Esterházy.

Veja: Considerado um dos autores europeus mais importantes da atualidade, o húngaro Péter Esterházy vem ao Brasil participar da Flip e lançar Os Verbos Auxiliares do Coração, pela Cosac Naify, mesma editora que publicou, dele, o aclamado romance Uma Mulher. Em entrevista a VEJA Meus Livros, direto de Paraty, ele fala de literatura, política e feijoada. Para Esterházy, o escritor deve ser político mesmo quando não pode falar de política.



Depois do elogiado Uma Mulher, onde você descreve em 97 capítulos as relações entre um homem e uma mulher, sai no Brasil Os Verbos Auxiliares do Coração, sobre a morte de uma mãe, a relação com o luto e a perda. Ambos percorrem o mundo do afeto. Gostaria que você falasse do peso dos sentimentos na sua obra.
Dos sentimentos, não consigo falar. Na língua húngara, não existem verbos auxiliares, então, no título eu me referi a algo que não existe, porque é algo de que não se fala. Por mais que se fale da perda, do luto, nada irá melhorar essa dor. Nada, nem se esse livro tiver sucesso. Quando se obtém sucesso, a vontade primeira é contar para a mãe. Como a mãe não está viva, isso perde o valor. No meu último romance (Nenhuma Arte, de 2008), eu nego o que fiz nesse. Escrevo sobre a relação com uma mãe que está viva e com noventa anos.
O senhor nasceu na década de 1950, viveu sob o regime socialista e participou do declínio dessa forma de governo, que culminou na dissolução do Pacto de Varsóvia. Qual a relação da política com a sua obra?
Numa ditadura, tudo é político. As relações humanas são muito politizadas, o amor é politizado. Feijoada também é política. Numa sociedade totalitária, o poder está presente o tempo todo, em todas as relações. Nem a literatura consegue falar da falta de liberdade, mas é através dela que se pode silenciar sobre a liberdade com tamanha precisão que, ao se ler, vê-se que se está falando dela. Em 1990, terminou a ditadura na Hungria e a literatura mudou. No início daquela década, eu escrevi artigos políticos que criticavam a linguística. O escritor deve ser político mesmo quando não se pode falar de política.
A sua formação foi em matemática, ciência que exercita o pensamento lógico. Esse tipo de raciocínio o auxiliou na montagem de seus romances?
Formalmente, só poderia responder a essa questão de uma maneira não lógica. A matemática trabalha com as formas e eu penso no livro como um espaço, um território. Nesse espaço, há várias formas, várias relações que interagem entre si. Conclui-se que a literatura e a matemática são parecidas porque são como um jogo, com as suas regras. No futebol, por exemplo, a regra é não colocar a mão na bola, mas isso não vale se você está jogando handebol. Então, cada jogo tem regras específicas. O que aprendi com a matemática foi isso: cada coisa tem as próprias regras.
Apesar de ter se dirigido para a matemática, durante a sua vida você foi um bom leitor?
Sim, um leitor talentoso e perfeito. Um bom leitor não lê de cima para baixo, lê por prazer. O leitor tem tanto prazer em ler que ele perdoa os erros do escritor. O bom leitor lê pela mesma razão que respira.
No romance Harmonias Celestiais, você narra a história da sua família, desde o Império Austro-Húngaro. Escrever esse livro lhe fez pesquisar sobre o seu passado? Terá sido uma forma de, através da literatura, ir em busca de si próprio?
Minha família teve grande importância na história da Europa, então, tudo está bem documentado, não precisei fazer pesquisa. Quanto a mim, não escrevi para me conhecer, mas para conhecer o mundo ao meu redor. Eu não queria saber a verdade sobre a minha família, eu queria recriar uma família e foi essa família ficcional que eu quis conhecer.
Em entrevista sobre o livro A Mulher, você diz que em sua vida foi apaixonado pelo menos por uma mulher e que muitas das suas frases cresceram dessa experiência. Onde entram na sua obra a ficção e o relato autobiográfico?
Para mim, a ficção entra pela mesma porta pela qual entra o relato autobiográfico. Não faço distinção entre uma coisa e outra. Os romances estão sempre brincando de ser relatos autobiográficos. No livro Verbos Auxiliares do Coração, pude pensar sobre a morte de uma mãe. No outro, Nenhuma Arte, o contrário: penso que ela está viva.
O Leste Europeu sempre nutriu a humanidade de grandes romances. Dentre escritores mais recentes, eu gostaria de citar Elias Canetti (Nobel de 1981), Imre Kertész (Nobel de 2002) e Sándor Márai. Qual a importância desses escritores para a literatura europeia?
Eu preferiria falar de Kertész, de seus bons romances. Nele, podemos ver melhor o que se pode criar a partir da experiência de vida do Leste Europeu. Ele consegue, através da literatura, levar essa experiência pesada para um cosmo transcendente.
Lilian Fontes

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Outra tradução de Paulo Schiller

Encontrei no site Mente Cérebro:

Especialistas estimam que um terço das pessoas que apresentam sintomas de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) são crianças e adolescentes. O diagnóstico normalmente é difícil e muitas vezes só é possível quando pais ou professores observam no comportamento do paciente tendência ao perfeccionismo, isolamento e excessiva timidez. É muito comum que as crianças não reconheçam que suas atitudes são exageradas e sem sentido, ou tenham vergonha, preferindo escondê-las dos adultos. O quadro se agrava com a dificuldade dos pais em aceitar que o filho esteja com o distúrbio, por constrangimento diante dos outros. As duas mães de Mila, da escritora francesa Clara Vidal, apresenta a dolorosa história da menina que, dos 9 aos 15 anos, desenvolve rituais obsessivos como defesa para as situações de violência psíquica que enfrenta dentro de casa. O livro faz parte da coleção Estado de alerta, da editora SM, que reúne histórias sobre momentos de crise protagonizados por crianças ou adolescentes.

Leia a seguir trechos do romance e o posfácio do psicanalista Paulo Schiller, tradutor da obra.

As duas mães de Mila

“Mila tem duas mamães. Ela tem certeza disso, desde bem pequena. Desde que viu na TV um desenho animado de duas heroínas que eram gêmeas. Duas menininhas idênticas, mas que tinham personalidades muito diferentes. Uma era doce e delicada, a outra, violenta e malvada. A mãe de Mila é assim. Às vezes rosa e delicada, às vezes cinza e malvada. São com certeza duas pessoas, duas irmãs gêmeas, que dividem a educação de Mila. Ela não se pergunta se o pai sabe disso. E não discrimina qual das duas é a verdadeira mãe. Há dias em que Mila quer que a mãe verdadeira seja a rosa e delicada, pois é muito mais agradável. Mas acontece também de Mila sentir pena da cinza, malvada, raivosa, que vive chorando muito. Quando a mãe cinza diz que está infeliz e doente, Mila tem vontade de fazer tudo para consolá-la e vê-la sorrir.
É assim que Mila vive, entre as duas mães, uma rosa e outra cinza. Não é muito difícil. Quando a mãe está de bom humor, é com certeza a mãe rosa que chegou. Quando ela se transforma numa harpia1, foi a mãe cinza que tomou o seu lugar. O jeito, então, é esperar que a mãe rosa volte.”
(...)
“No auge da preocupação, Mila inventa uma fórmula mágica a fim de transferir para si mesma o mal-estar da mãe: “Mamãe, dê-me a sua doença. Eu te dou a minha saúde”. Ela repete a frase mentalmente até se sentir esgotada, com a sensação de que a saúde da mãe depende dela, de que é responsável por sua cura.
Certa noite, à mesa, depois de uma crise, mamãe está servindo o jantar, ainda muito abatida. Volta-se para Mila e diz:
– Você contou pro seu pai o que me aconteceu?
O pai lança um olhar resignado para a filha. Ele compreende, uma vez mais. Socorre-a:
– Você teve de novo uma das suas indisposições, como de costume?
– Não, justamente, não como de costume. Dessa vez tive de verdade a impressão de que ia acabar. Um dia desses não vou escapar.
– Cale-se. Você sabe muito bem que isso faz mal à menina!
Mila ocupa-se em desenhar “erres” sobre a toalha com o indicador. E, ao lado de cada “r”, ela acrescenta um “s”, de “saúde”, não só para que a mãe volte a sorrir, mas também para que tenha boa saúde. De noite, ao dar as voltas pelo quarto, ela acaba acrescentando também a letra “s” aos seus encantamentos.”

A crueldade à espreita
Por Paulo Schiller

Mila não é única. A história de Mila não é incomum como desejaríamos que fosse. Por outro lado, com certeza existem muitas mães melhores que a dela, mais suaves, amorosas e dedicadas. Com diferentes intensidades, a distância e a omissão do pai de Mila também não são raridade nas narrativas escutadas no cotidiano dos consultórios de psicanálise ou de psicoterapia. Para além das famílias mais “saudáveis”, se abre todo um espectro de relações entre pais e filhos que se estende de vínculos simbióticos, quase incestuosos, a situações em que prevalece o desprezo e, às vezes, a maldade.
É sedutor pensar que a maldade depende de um gene extraviado ou que a crueldade nasce de um desarranjo bioquímico em um grupo de células cerebrais.
É confortável nomear sob diagnósticos precisos a anorexia, a depressão e as obsessões. Além da ilusão de conhecimento e de domínio, a nomeação nos autoriza a prescrever drogas discutíveis e de valor efêmero que amortecem a busca pelas causas da melancolia, da tristeza e do mal-estar próprios da natureza humana.
A medicação irresponsável de crianças, novidade incentivada pela indústria farmacêutica, alimentada sem critérios cuidadosos pelos meios de comunicação, se vale da complacência da sociedade, que assim se livra de suas responsabilidades. Mila seria hoje rotulada por alguns como portadora, entre outros males, de um transtorno obsessivo-compulsivo, candidata ao uso da droga do momento. Entretanto, durante a leitura do livro, acompanhamos, impotentes, a lógica impiedosa da montagem que resultou em seus sintomas. Em certo sentido, Mila teve sorte. Ao final, abriu-se para ela a possibilidade de falar, de desmontar e de se libertar não dos seus genes, mas dos seus fantasmas, do seu romance familiar.
A crueldade, também própria do homem, nos espreita.
Quase sempre de longe, nas palavras e ilustrações dos livros de história, nas narrativas de tragédias em terras e tempos remotos. Dizemos, conformados, que as guerras sempre existiram, que a violência é parte da natureza humana. Algumas vezes, a crueldade emerge dos textos e das telas e aparece no presente, viva, próxima, palpável. Irrompe na vizinhança, trai ou atinge um conhecido, denuncia um parente distante, aproxima-se ameaçadora.
Pressentimos, embora de uma forma nebulosa, que a crueldade retratada nos livros de histórias nasce entre as paredes que delimitam a vida familiar.
Toda professora sabe que, para além da inocência, a intriga e a maldade permeiam as relações entre as crianças e desconfiam, acertadamente, que elas reproduzem situações domésticas. Toda babá sabe que a sexualidade nos marca desde os primeiros anos, a despeito do devaneio dos sonhadores que pretendem ver na infância um tempo apenas de alegrias e encantamentos.
Os conflitos retratados na paisagem que se mostra pela janela aberta para o mundo infelizmente demonstram que não existe nenhuma evidência de que os pais fazem, concretamente, o melhor pelos filhos. Apesar das recomendações religiosas, morais e pedagógicas, apesar do conhecimento hoje amplamente disponível, não há pai ou mãe que não tenha sido surpreendido um dia pelo pensamento fugaz, verdadeiro, que revela um momento de negligência ou de descuido. Temos, em um plano mais ou menos superficial, certa consciência das nossas faltas e transgressões. Não somos, talvez sem exceções, ilhas de santidade cercadas de maldade por todos os lados.
© Duetto Editorial. Todos os direitos reservados.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O Rei Branco

Recebi esta indicação de alguém que lê muuuito:
Leia um trecho no site da Veja:

Uma infância no inferno

Um belo romance sobre como é crescer numa sociedade totalitária
O romance O Rei Branco, do jovem autor húngaro György Dragomán (tradução de Paulo Schiller; Intrínseca; 256 páginas; 29,90 reais), é uma obra surpreendentemente madura e realizada sobre uma idade crucial: a passagem da infância à adolescência. Seu protagonista, Dzsáta, é um filho único de cerca de 11 anos, que vive só com a mãe num país do bloco soviético durante os anos 80, pois, pouco antes, seu pai fora preso por motivos políticos e enviado a um campo de trabalhos forçados. (O próprio autor, nascido em 1973, passou seus quinze primeiros anos na Romênia do casal Ceausescu antes de emigrar para a Hungria.) Enquanto espera o regresso não garantido do pai, o menino tenta sobreviver como pode tanto às crises típicas de sua idade, como às de um mundo particularmente impiedoso.

Como Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios, filme iugoslavo de 1985 de Emir Kusturica, a história é narrada do ponto de vista do garoto, só que sem nenhuma concessão ao lirismo redentor. O autor dá a entender, desde o primeiro capítulo, que o que vai expor poderia ser chamado de Aventuras de Tom Sawyer no Inferno. Conduzido pelo fio tênue do monólogo interior, o romance compõe-se de uma sucessão de quadros que, aparentemente desconexos, terminam por descortinar o panorama de uma sociedade que, condicionada desde cima pela crueldade, multiplica-a em quase todos os encontros interpessoais. Nela, até mesmo uma partida de futebol escolar se transforma em horror porque o treinador é um sádico e o campo foi contaminado pelo acidente nuclear de Chernobyl. Nunca há ninguém a quem recorrer, nenhuma autoridade justa ou bondosa à qual reclamar. O Rei Branco retrata, com riqueza de detalhes, quanto se degrada, num universo totalitário, a vida das pessoas comuns e até que ponto muitas já combinavam em si as características da vítima e do torturador.
Uma das virtudes de Dragomán é ter conseguido capturar com precisão o modo peculiar, às vezes desinformado e imaginativo, às vezes pragmático e perceptivo, como um menino dessa idade vê o mundo em volta. O leitor sente a apreensão do protagonista, adivinha, segundos antes, a desgraça seguinte, mas nem por isso consegue evitar o sobressalto. E é em meio a sustos, trotes, surpresas desagradáveis que Dzsáta vai crescendo, preparando-se para os próximos golpes e se fortalecendo. A tradução de Paulo Schiller, que já verteu para o português muitos dos melhores romances do também húngaro Sándor Márai, preserva o ritmo exato de uma prosa cujas frases sinuosas constroem com cuidado situações elaboradas para levá-las, de forma sempre certeira, a um desfecho inesperado.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Operação Cavalo de Troia

Contem para mim!
Tudo o que leram nestas últimas décadas - afinal, ouço sobre esta obra há pelo menos 20 anos...
Como são os livros do autor J.J.Benitez? A religiosidade se mistura com ficção científica? É interessante? Ou cansativo?
Mauro Amaral nos conta:
Para quem ainda não esbarrou com eles pela internet vai aí o conceito da história toda.
Os livrinhos falam de uma operação secreta da força aérea americana que, ao descobrir um modelo seguro de viagem no tempo, cria, em 1973, uma operação para acompanhar os últimos dias de Jesus Cristo na Terra.
A partir daí um major que adota o codinome de Jasão e um piloto, chamado no diário de Elizeu voltam no tempo até a época de Jesus Cristo e presenciam os fatos mais marcantes da Sua vida. Fornecem, também, dados da sociedade da época: costumes, leis (principalmente as leis do judaismo), crenças (judaicas e pagãs, geografia, ambiente, etc). Um dos grandes baratos dos livros são as notas de rodapé (mais de 14mil segundo os fãs mais dedicados).
Jasão é escolhido para a operação pelo seu ceticismo e imparcialidade, mas quando encontra Jesus– o Mestre – é tocado profundamente por sua mensagem e a narrativa ganha um tom delicado e humano. A diferença entre os acontecimentos presenciados pelo Major e os narrados nos textos sagrados é enorme, mas compreensível.
Segundo as próprias observações da personagem, os evangelistas nem sempre estavam presentes aos acontecimentos que narraram anos depois e, mesmo quando estiveram, sua formação cultural não permitia que compreendessem totalmente os acontecimentos.
Segundo esta obra, a mensagem de Jesus fala de um Deus-pai – sempre bom e generoso. Um Deus que não exige templos nem rituais. Algo que precisa ser vivenciado para ser compreendido, e que não pode ser comprovado, como desejavam os militares (e a ciência).
Mas a pitada final vem na voz do próprio autor. Ele jura de pés juntos que o diário das memórias do Major acabaram em suas mãos através de uma amiga e são reais e estão bem guardados. Narra, inclusive, no primeiro volume seu encontro com Jasão e a luta que foi conseguir os originais do Diário em suas viagens por México e EUA.
(fontes: Wikipedia e Site do Autor)




quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Os Filhos de Húrin

Obra póstuma de criador do "Senhor dos Anéis" foge de heróis e final feliz
REINALDO JOSÉ LOPES
da Folha de S.Paulo


Não há o menor sinal de finais felizes ou hobbits ingênuos e heróicos em "Os Filhos de Húrin", obra póstuma de J.R.R. Tolkien (1892-1973) que acaba de chegar ao Brasil. A "nova" saga tolkieniana se passa 6.500 anos antes de "O Senhor dos Anéis", livro mais famoso do autor, e tem como herói um guerreiro culpado de incesto, traição e assassinato.

Tolkien, filólogo da Universidade de Oxford e especialista nas línguas e literaturas da Europa Medieval, mergulhou no ambiente trágico das sagas escandinavas para escrever o livro. As primeiras versões da trama vieram à tona quando o autor servia o Exército britânico na Primeira Guerra. Após décadas de revisão, o texto (ou melhor, o complexo de textos, já que o filólogo nunca decidiu explicitamente qual era a versão final) continuava engavetado quando o escritor morreu. Coube a Christopher Tolkien, 85, filho caçula e testamenteiro literário do autor, a tarefa de transformar o labirinto de versões numa narrativa coerente.

O resultado funciona, embora quem só conheça "O Senhor dos Anéis" provavelmente sinta a estranheza de um texto que foi deliberadamente construído para não parecer moderno.

"Sem dúvida, O Senhor dos Anéis é mais acessível ao público. E mesmo assim há aqueles que não o compreendem, vêem o livro como um fracasso como romance. Imagine então essas pessoas tendo o primeiro contato tolkieniano com essa obra, cuja complexidade e caráter de não romance são gritantes", diz o tradutor Gabriel Oliva Brum, especialista na obra de Tolkien que verteu as cartas do autor para o português.

Uma das cartas, aliás, explicita os modelos mitológicos que inspiraram a criação de Túrin Turambar, herói da narrativa (e um dos "filhos de Húrin" do título): o grego Édipo, o finlandês Kullervo e o escandinavo Sigurd, um matador de dragões.

A sombra de Morgoth

O trio de personagens inspiradores é, em parte, empurrado pelo destino rumo a um fim trágico, mas também dá uma mãozinha à má sorte ao não controlar seus piores instintos e esse é justamente um dos temas centrais de "Os Filhos de Húrin".

Na trama, Húrin, patriarca da malfadada família, é um guerreiro da raça humana que se alia aos monarcas dos elfos na luta contra Morgoth, o Inimigo do Mundo. Morgoth é, literalmente, o Demônio encarnado como imperador na Terra (Tolkien, católico praticante, via sua mitologia como uma recriação das "verdades" teológicas cristãs), e seus exércitos triunfam, capturando Húrin.

O guerreiro se recusa a trair seus aliados élficos, zomba de Morgoth e, por isso, ele e sua família são amaldiçoados.

O interessante, porém, é que Tolkien mantém o tempo todo a ambiguidade sobre as desgraças que dilaceram o clã de Húrin. A maldição pode até ser poderosa, mas a cabeça-dura e o gosto pela violência de Túrin são essenciais para que a profecia de perdição se realize.

A contraparte da maldição, no entanto, é a determinação de resistir, mesmo sem a menor esperança de triunfar, outro tema da mitologia escandinava caro a Tolkien. É que, para os antigos escandinavos, no fim dos tempos as forças das trevas, e não os deuses "do bem", é que iriam triunfar.

Os deuses sabiam disso, mas mesmo assim se preparavam para a batalha final. Tolkien chamava esse conceito de "teoria da coragem do Norte", e o opunha à obsessão pelo realismo político que, para o autor, tinha desembocado nas grandes tragédias do século 20. "Os Filhos de Húrin" talvez seja a expressão definitiva da "teoria da coragem" em sua obra.


OS FILHOS DE HÚRIN
Autor: J.R.R. Tolkien
Tradução: Ronald Eduard Kyrmse
Editora: WMF Martins Fontes
(338 págs.)

sábado, 10 de dezembro de 2011

Decisões Extremas

Assim como Óleo de Lorenzo, este filme me emocionou. A pesquisa científica só tem valor se tiver garantia de lucro, muiiito lucro...

Decisões Extremas acompanha John (Fraser) e Aileen Crowley, um casal com dois filhos que sofrem de uma rara doença congênita. Prestes a desistirem de encontrar uma maneira de salvar suas crianças, John descobre um pesquisador (Ford) que pode conhecer a cura.

Resenha escrita por Michelson:
“Decisões Extremas” surpreende logo no seu início. E não falo de invencionices do roteiro ou qualquer coisa envolvendo a história em si. Surpreendente é ver, pela primeira vez desde Star Wars, Harrison Ford não ser o nome principal a ser creditado. O longa-metragem é produzido pelo ator que, talvez até por isso, tenha se sentido menos tentado a encabeçar o elenco, deixando a função para Brendan Fraser. É no mínimo curioso.
Decisões Extremas tem direção de Tom Vaughan e roteiro assinado por Robert Nelson Jacobs, baseado no livro The Cure, da jornalista vencedora do Pullitzer Geeta Anand que, por sua vez, baseou-se em fatos reais.
Na trama, John Crowley (Fraser) é um homem de família, casado com a bela Aileen (Keri Russell) e pai de três filhos. Os Crowley tentam de todas as formas manter uma rotina normal, mesmo tendo de encarar uma batalha diária: dois de seus três filhos tem a doença de pompe, uma doença degenerativa que afeta os músculos e sistema nervoso. De acordo com as pesquisas de John, as crianças têm expectativa de vida até os 9 anos de idade, o que o deixa desesperado por uma solução para o problema. Ao conhecer as pesquisas do Dr. Robert Stonehill (Ford), Crowley percebe uma luz no fim do túnel, larga seu trabalho e passa a dedicar todo o seu tempo a angariar fundos para a descoberta da cura para a doença. No entanto, Stonehill não é uma figura nada fácil de trabalhar.
Para início de conversa, Brendan Fraser consegue uma atuação – ainda que nada uniforme – bastante comovente, merecendo créditos pela escolha de um papel diferente do habitual. John Crowley é totalmente abnegado aos filhos e não mede esforços para resolver a situação. Homem de negócios, ele é a pessoa perfeita para dar vida às pesquisas de Robert Stonehill, um professor que tem ideias revolucionárias na teoria, mas nunca as coloca em prática. Harrison Ford pratica o seu feijão com arroz para encarar um papel que parece ser escrito sob medida para ele. Portanto, não é de se estranhar que o ator esteja tão à vontade como o doutor. As crianças do elenco, Meredith Droeger, Diego Velazquez e Sam M. Hall, dão conta do recado e têm boas atuações.
Com uma história de superação de adversidades, Decisões Extremas ganha pontos por apresentar ao espectador uma trama que consegue, ao mesmo tempo, apresentar uma doença terrível e seus problemas, mas também mostrar que é possível arregaçar as mangas e trabalhar para se encontrar uma solução.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Aço


Mais uma vez a minha Editora preferida...
Primeiro romance de Silvia Avallone, Aço é considerado pela crítica italiana como o fenômeno literário de 2010. Vencedor do Premio Campiello Opera Prima, o livro esteve na lista de mais vendidos desde seu lançamento e colocou Avallone entre as grandes revelações do ano.
Crítica declarada da política "ultraliberal" de Silvio Berlusconi, a autora procura mostrar neste romance a falta de perspectiva dos jovens da classe operária na Itália atual. Seu livro narra a descoberta do amor e do sexo por duas adolescentes, em meio à violência de uma pequena cidade industrial italiana à beira-mar.
Não é fácil ter catorze anos nos conjuntos habitacionais da via Stalingrado, em Piombino. Não importa se seu pai é um dos inúmeros desempregados ou se trabalha duro na siderúrgica que garante a sobrevivência de quase toda a cidade. O máximo que se pode desejar ali é passar alguns momentos de distração à noite, patinando num rinque ao lado de amigos, ou encontrar seu nome rabiscado num banco do colégio por um admirador desconhecido.
As personagens Anna e Francesca sabem muito bem disso. São amigas inseparáveis que se conheceram entre os prédios da via Stalingrado e nunca mais se separaram. Mas, com a chegada da adolescência, é preciso fazer uma escolha: fugir do assédio e das provocações ou usar a beleza para ser alguém. Elas decidem se lançar nesse ambiente feroz, sem prever as consequências de seus atos. Gradualmente, suas poucas certezas se despedaçam e a amizade ameaça desmoronar.
Aço foi escrito entre maio e setembro de 2001, ano em que Berlusconi retornou ao poder. Na época, como retrata o romance, a existência em Piombino era sórdida. As mulheres tinham as pernas inchadas de varizes, ancas que balançavam sob panos que serviam para enxugar o suor de maridos desleixados enquanto ofereciam as próprias filhas para sexo ao vivo na TV. Nesse mundo de homens brutos, incapazes, mentirosos e drogados, em meio a uma sociedade minada pelo sonho consumista e pelos reality-shows, as duas jovens heroínas de Avallone, cujo reino é a praia da cidade, aparecem como uma ponta de esperança.
Editora Alfaguara

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Envelhecer

Recebi esta mensagem por email. O Google não me contou quem realmente escreveu... Mas, uma coisa é certa: há grande liberdade com o envelhecimento! E gosto demais de meus amigos....muito mesmo!
Extraí foto e texto do blog de Mariana:


Tô velha, que coisa boa!

Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa. Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítica de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo… Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou pela compra de algo bobo que eu não precisava, como uma escultura de cimento, mas que parece tão “avant garde” no meu pátio. Eu tenho direito de ser desarrumada, de ser extravagante.
Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.
Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia? Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 & 70, e se eu, ao mesmo tempo, desejo chorar por um amor perdido… eu vou.
Vou andar na praia em um maiô excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet set.
Eles, também, vão envelhecer.
Eu sei que eu sou às vezes esquecida. Mas há algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes.
Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.
Eu sou tão abençoada por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.
Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais.
Eu ganhei o direito de estar errado.
Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser velha. A velhice me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).
Que nossa amizade nunca se acabe porque é direto do coração!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O cálice e a espada

Sinopse do site Leitura:
Considerado por Ashley Montagu, antropólogo da Universidade de Princeton, como o livro mais importante desde 'A Origem das Espécies 'de Darwin, 'O Cálice e a Espada' junta descobertas arqueológicas recentes com testemunhos oriundos da arte, da antropologia, da sociologia, da política e da economia para fazer revelações espantosas sobre o passado da humanidade - com implicações que podem revelar-se cruciais para o nosso futuro.


Portal do e-governo:
Nesta seção é tratada a necessidade de evolução política, econômica e social da humanidade. Autora remete ao passado onde por vezes o sistema de dominação quase sofreu uma ruptura, mas perdurou dentro de outro sistema de dominação que brotou dentro da conjuntura apresentada. Ressalta-se que houve pontos de equilíbrio social no qual as parcerias poderiam ser desenvolvidas, mas não conseguiu ter a devida continuidade. Isto porque mudar paradigmas não é tarefa fácil.

É apresentado no livro algumas colocações e percepções e esclarece que futurólogos apontam sobre os gastos com a indústria da guerras. Mencionam as cifras que poderiam ser utilizadas para o bem da humanidade, sendo utilizadas para destruição e dominação da sociedade androcrática. Um dos exemplos mencionados é que um míssil balístico poderia alimentar 50 milhões de crianças.
Para mudar esta visão de mundo pautado na dominação é necessário um sistema de governo que priorize o social gerando tecnologias que privilegiem a vida. A reformulação dos papéis e instituições sociais dentro de uma metamorfose que vise uma nova consciência na qual a competição será equilibrada pela cooperação e pelo” individualismo do amor”. Terá uma ética global baseada em uma maior consciência e identificação com as gerações futuras, que serão moldadas por valores humanos e ajustes sociais dentro de uma nova forma de convivência pacífica. Uma sociedade de menos com mais, pois não haverá desperdícios e a preocupação com as outras pessoas será uma coisa corriqueira.
Nesta nova sociedade, que deve emergir, não haverá como sistemas vigentes nem capitalismo ou socialismo, mas um sistema que aproveite o que de melhor há neles e noutros sistemas. Será um futuro não apenas do HE (homem), mas também do SHE (mulher). Isto devido ao fato de ambos estarem em posição de igualdade social. Ocorrerá uma transformação globalmente econômica e política propiciada pela evolução da mentalidade humana proporcionada pela parceria entre as nações.
A transformação seria a mudança de mentalidade para uma sociedade de parceria e sem dominação. As nações vivendo livre do temor da guerra. Programas de desenvolvimento econômico do terceiro mundo visando a educação, a saúde, a segurança e a tecnologia, elevando o padrão de vida das pessoas. Criando um gradual estreitamento entre os países ricos e pobres. Esquecimento do passado brutal com a implantação de novos valores, mas levando em consideração os erros do passado. Muitos pontos de evolução da sociedade como a redução de doenças ligadas a mente, reformulação na forma de criar os filhos, riqueza material será compartilhada igualitariamente. Ou seja, sistema econômico verdadeiramente solidário e não de “boca para fora”. Respeito às mulheres, crianças e idosos. Sem mutilações e criações severas. Assim, procurar alcançar os mistérios transformadores simbolizados pelo Cálice com novos mitos que farão despertar a gratidão e a celebração a vida. Cuidados de todos com o mais precioso de todos os produtos sociais: a criança. Homens e mulheres terminarão por redescobrir o que pode significar ser humano dentro desta nova forma de viver a vida.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Uma providência especial

Publicado no Brasil pela primeira vez, Uma providência especial é o segundo romance de Richard Yates. Lançado originalmente em 1969, oito anos depois de Foi apenas um sonho (Rua da Revolução), trata-se de um livro emblemático, que mostra por que Yates é considerado hoje um dos grandes autores norte-americanos da segunda metade do século XX.
Robert Prentice tem apenas 18 anos quando é enviado à Europa para combater na Segunda Guerra Mundial. Ele é um jovem em busca de afirmação, com sonhos de grandeza, mas desembarca nos últimos dias da ofensiva americana e pouco participa dos confrontos. Quando o faz, revela-se um soldado atrapalhado, mais propenso a problemas com os companheiros do que com o inimigo.
Em paralelo, o leitor acompanha a vida de Alice, mãe de Robert, uma mulher independente que sonha em ser uma artista de sucesso, mas que tem de aprender a lidar com as frustrações da carreira profissional e das relações amorosas. Ao traçar esses dois retratos, Yates constrói um romance sobre os dilemas de uma família americana em pedaços.
Editora: Alfaguara

Autor: RICHARD YATES
Ano: 2011
Número de páginas: 304

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Filme - Chicago

Assitam!!! Grande elenco... musical contagiante!
Cinco estatuetas em 2003: Melhor Filme; Melhor Direção de Arte; Melhor Figurino; Som; Montagem.
Baseado numa peça musical da Broadway galardoada com diversos Tonys e de autoria de Bob Fosse, este filme, realizado em 2002, por Rob Marshall, relata o ambiente da época que ficou conhecida por "loucos anos 20". A protagonista é Roxie Hart (Renée Zellwegger), uma dona de casa casada com Amos (John C. Reilly), um mecânico que tem por ela uma devoção canina. Roxie aspira a tornar-se uma estrela do vaudeville e torna-se amante de Fred Cassely (Dominic West), que promete arranjar-lhe uma oportunidade para trabalhar no mundo do espetáculo. Roxie assiste ao número musical de Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones) na noite em que esta é presa por ter assassinado o seu marido e a sua irmã a quem surpreendera a manter relações sexuais. Na mesma noite, Roxie alveja e mata Fred por ter descoberto que este havia mentido na sua pretensão em fazer dela uma estrela. Amos inicialmente assume as culpas do homicídio, mas quando descobre que a sua mulher lhe havia sido infiel, denuncia a esposa à Polícia. Na prisão é colocada na "ala das assassinas" e conhece Velma, que vive rodeada da atenção da imprensa, muito devido à ação do seu advogado, considerado o melhor causídico de Chicago: Billy Flynn (Richard Gere). Roxie trava amizade com a carcereira Mama Morton (Queen Latifah) que em troca de um pagamento lhe arranja um encontro com Flynn. Este aceita defendê-la e transforma o seu processo num caso mediático, chamando a atenção dos tabloides de escândalos que aos poucos constroem uma aura de inocência em relação à figura de Roxie, atribuindo o homicídio de Fred a uma situação de legítima defesa. A popularidade de Roxie aumenta quando esta, para sensibilizar a opinião pública, inventa uma falsa gravidez. O seu julgamento acaba por ser uma feira de vaidades quando Flynn decide utilizar métodos pouco ortodoxos para provar a inocência de Roxie. Depois de obter a liberdade, Roxie descobre que a fama é algo efémero e que as portas do mundo do espetáculo se lhe fecham continuamente, situação que se modifica quando Velma a convida para fazer um dueto. Este foi o primeiro filme de Rob Marshall enquanto realizador, embora tenha tido uma larga experiência como coreógrafo. Não obstante, Chicago foi um sucesso à escala mundial, tal como O Brother Where Art Thou? (Irmão, Onde Estás?, 2000) e Moulin Rouge (2001), filmes que vieram ressuscitar um género de filme musical que entrara em declínio nas décadas de 80 e de 90. Os pontos mais altos do filme são sem dúvida as canções, todas elas interpretadas pelos atores (sem dobragens ou sobreposições de voz).

Neste campo, Catherine Zeta-Jones rouba as atenções com canções como "All That Jazz" (com uma coreografia magnífica) e "Cell Block Tango", mas Gere e Zellwegger também deslumbram em "We Both Reached for the Gun", bem como o inusitado número de sapateado protagonizado por Gere. John C. Reilly também se mostrou seguro em "Mister Cellophane". Todas estas músicas foram compostas por John Kander, colaborador próximo de Bob Fosse em Cabaret (1972). Chicago foi o grande vencedor da noite dos Óscares. Nomeado para treze galardões, venceu em seis categorias: Melhor Filme, Montagem, Som, atriz Secundária (Catherine Zeta-Jones), Guarda-Roupa e Direção Artística. (Infopédia)

domingo, 4 de dezembro de 2011

Por dentro do cérebro

Entrevista com o neurocirurgião Dr. Paulo Niemeyer Filho - Revista Eletrônica Poder


Revista PODER: O que fazer para melhorar o cérebro ?

Resposta:
Paulo Niemeyer Filho: Você tem de tratar do espírito. Precisa estar feliz, de bem com a vida, fazer exercício. Se está deprimido, reclamando de tudo, com a autoestima baixa, a primeira coisa que acontece é a memória ir embora; 90% das queixas de falta de memória são por depressão, desencanto, desestímulo. Para o cérebro funcionar melhor, você tem de ter alegria. Acordar de manhã e ter desejo de fazer alguma coisa, ter prazer no que está fazendo e ter a autoestima no ponto.
Revista PODER: Cabeça tem a ver com alma?
Paulo Niemeyer Filho: Eu acredito que a alma está na cabeça. Quando um doente está com morte cerebral, você tem a impressão de que ele já está sem alma... Isso não dá para explicar, o coração está batendo, mas ele não está mais vivo. Isto comprova que os sentimentos se originam no cérebro e não no coração.
Revista PODER: O que se pode fazer para se prevenir de doenças neurológicas?
Paulo Niemeyer Filho: Todo adulto deve incluir no check-up uma investigação cerebral. Vou dar um exemplo: os aneurismas cerebrais têm uma mortalidade de 50% quando rompem, não importa o tratamento. Dos 50% que não morrem, 30% vão ter uma sequela grave: ficar sem falar ou ter uma paralisia. Só 20% ficam bem. Agora, se você encontra o aneurisma num checkup, antes dele sangrar, tem o risco do tratamento, que é de 2%, 3%. É uma doença muito grave, que pode ser prevenida com um check-up.
Revista PODER: Você acha que a vida moderna atrapalha?
Paulo Niemeyer Filho: Não, eu acho a vida moderna uma maravilha. A vida na Idade Média era um horror. As pessoas morriam de doenças que hoje são banais de ser tratadas. O sofrimento era muito maior. As pessoas morriam em casa e com dor. Hoje existem remédios fortíssimos, ninguém mais tem dor.
Revista PODER: Existe algum inimigo do bom funcionamento do cérebro?
Paulo Niemeyer Filho: Todo exagero. Na bebida, nas drogas, na comida, no mau humor, nas reclamações da vida, nos sonhos, na arrogância,etc. O cérebro tem de ser bem tratado como o corpo. Uma coisa depende da outra. É muito difícil um cérebro muito bom num corpo muito maltratado, e vice-versa.
Revista PODER: Qual a evolução que você imagina para a neurocirurgia?
Paulo Niemeyer Filho: Até agora a gente trata das deformidades que a doença causa, mas acho que vamos entrar numa fase de reparação do funcionamento cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgias com introdução de cateter, colocação de partículas de nanotecnologia, em que você vai entrar na célula, com partículas que carregam dentro delas um remédio que vai matar aquela célula doente que te faz infeliz. Daqui a 50 anos ninguém mais vai precisar abrir a cabeça.
Revista PODER: Você acha que nós somos a última geração que vai envelhecer?
Paulo Niemeyer Filho: Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer menos. As pessoas irão bem até morrer. É isso que a gente espera. Ninguém quer a decadência da velhice. Se você puder ir bem mentalmente, com saúde, e bom aspecto, até o dia da morte, será uma maravilha.
Revista PODER: Hoje a gente lida com o tempo de uma forma completamente diferente. Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das pessoas?
Paulo Niemeyer Filho: O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe e às necessidades. Você vê pais reclamando que os filhos não saem da internet, mas eles têm de fazer isso porque o cérebro hoje vai funcionar nessa rapidez. Ele tem de entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás. Isso faz parte do mundo em que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando.
Revista PODER: Você acredita em Deus?
Paulo Niemeyer Filho: Geralmente depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda, quando acabamos de operar, vai até a família e diz:
"Ele está salvo".
Aí, a família olha pra você e diz:
“Graças a Deus!”.
Então, a gente acredita que não fomos apenas nós que fizemos a cirurgia.
Fica a certeza que existe algo mais.
Independente de qualquer que seja a sua religião
Fica a certeza que Deus realmente existe.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Edição de Bolso

Se a desculpa é o preço dos livros, acabou!
Com a Best Bolso o acesso à excelentes tíulos é possível.












A BestBolso é um selo da Editora Best Seller, que faz parte do Grupo Record. Eles publicam textos integrais em versões menores, menor qualidade, porém, o preço também é menor, bem menor!



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Breve história do comunismo

O extermínio de inocentes, o culto à personalidade, a perseguição aos inimigos do regime e um sistema econômico cruel e absurdo – eis o legado comunista
JOSÉ FUCS

O regime comunista na Rússia, o núcleo da extinta União Soviética, durou 74 anos e marcou a fundo a história do século XX. Ele começou com a Revolução de Outubro de 1917, sob o comando de Vladimir Illitch Ulianov, ou Lênin, o maior líder dos bolcheviques, como eram chamados os comunistas russos na época. Terminou de forma patética com a renúncia de Mikhail Gorbatchev, o último líder da União Soviética, por meio de um discurso na televisão, em 25 de dezembro de 1991.
Os bolcheviques se consideravam os “legítimos representantes” da classe operária russa e proclamavam atuar como seu braço revolucionário. Inspiravam-se nas ideias do filósofo alemão Karl Marx (1818-1883), que pregava a união dos operários do mundo para criar uma nova sociedade, sem Estado e sem classes, com base na propriedade coletiva dos meios de produção. Incorporaram também as ideias de Lênin, que defendia a criação de um “partido de vanguarda” (o comunista), para, depois de tomar o poder, liderar a revolução proletária e governar o país em nome dos trabalhadores, num “estágio de transição” entre capitalismo e comunismo.
Os revolucionários tomaram o poder por meio de uma revolta armada que derrubou o governo provisório instalado após a queda, em março de 1917, do czar Nicolau II, o último imperador da Rússia. Para se consolidar no comando, enfrentaram uma sangrenta guerra civil que durou até dezembro de 1922 e deu origem à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). O país, formado inicialmente por Rússia, Ucrânia, Bielorrússia, Geórgia, Armênia e Azerbaijão, chegou a reunir 15 repúblicas, antes de se desintegrar. Para não deixar rastros do passado, os bolcheviques executaram o czar Nicolau II, sua mulher, seu filho, suas quatro filhas, o médico da família imperial, um servo pessoal, a camareira da imperatriz e o cozinheiro da família, na cidade de Iekaterinburgo, no sudoeste da Rússia, em 18 de julho de 1918.
Logo depois, eles decretaram “a propriedade privada da terra abolida para sempre” e determinaram que toda a terra dos aristocratas deveria ser transferida aos comitês de camponeses sem nenhuma compensação. Determinaram também que os operários assumissem o controle das fábricas. Um ambiente de insegurança e terror se instaurou na sociedade. Por acreditar que a religião era, nas palavras de Marx, o “ópio do povo”, pregavam o ateísmo. Diversos templos foram destruídos. As propriedades religiosas, confiscadas.
As primeiras medidas dos revolucionários derrubaram a produção no país. Para estimular a economia, o novo regime decidiu pôr em ação em 1921 a Nova Política Econômica, ou NEP. Idealizada pelo próprio Lênin, ela restabelecia algumas práticas capitalistas. Permitiu a existência de pequenos negócios privados e suspendeu confiscos de produtos agrícolas e matérias-primas, embora o Estado mantivesse o controle de bancos, grandes indústrias e do comércio exterior. Segundo Lênin, a NEP representava apenas um recuo tático – um “passo atrás”, para dar “dois à frente” depois.
Com a morte de Lênin, em 1924, por razões até hoje não esclarecidas, Josef Stálin, então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e do Comitê Central, assumiu a liderança dos bolcheviques e abandonou a NEP em 1928. Stálin venceu a disputa pelo comando dos bolcheviques com Leon Trótski, fundador e o primeiro líder militar dos revolucionários, assassinado em seu exílio no México, em 1940.
Stálin permaneceu no poder até sua morte, em 1953. Foi o mais longo de todos os governos soviéticos. Ele renacionalizou quase toda a economia e implementou uma política de rápida industrialização do país. Stálin foi um tirano cruel e sanguinário. Exterminou milhões de camponeses russos para forçar a coletivização da agricultura. Centralizou o comando da economia e adotou os primeiros planos quinquenais, que se tornariam uma marca da URSS.
Ele montou um aparato de segurança sem precedentes para vigiar os cidadãos e identificar possíveis atos “contrarrevolucionários”, liderado pela NKVD (futura KGB), a polícia secreta soviética. Perseguiu de forma implacável seus opositores. Em 1937 e 1938, realizou um “grande expurgo” para eliminar ex-opositores do regime, potenciais rivais no partido e outros inimigos. Numa série de julgamentos de fachada, conhecidos como Julgamentos de Moscou, ele acusou também os velhos bolcheviques que ainda estavam vivos, inclusive Trótski. Justificava-os por meio de confissões forçadas, tortura e ameaça às famílias.
Calcula-se que, ao todo, cerca de 700 mil pessoas, a maior parte cidadãos comuns, foram executadas nesse período. Milhões foram confinados em gulags, os campos de trabalhos forçados na Sibéria. Ao mesmo tempo, Stálin s promoveu o culto a sua personalidade. Diversas vilas e cidades receberam seu nome. Aceitava títulos grandiloquentes, como Pai das Nações, Gênio Brilhante da Humanidade, Grande Arquiteto do Comunismo e Jardineiro da Felicidade Humana. Ele ajudou a reescrever a história para lhe atribuir um papel mais relevante na Revolução de 1917.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Stálin se uniu aos aliados depois que o ditador nazista Adolf Hitler traiu o pacto de não agressão firmado com ele em 1939. A guerra foi decisiva para a derrota de Hitler e abriu o caminho para que a URSS passasse a controlar a metade oriental da Alemanha e o Leste Europeu, emergindo como grande potência mundial. No auge, o império soviético comandava 40 países no mundo.
Com a morte de Stálin, o clamor por reformas na URSS aumentou e seus crimes vieram à tona. Sob a liderança de Nikita Kruschev, que assumiu o comando do Partido em 1958, as execuções em massa foram reveladas e milhares de dissidentes libertados. Mas Kruschev endureceu o jogo no front externo, com a instalação de mísseis em Cuba voltados para os Estados Unidos e o recrudescimento da Guerra Fria com os americanos. Kruschev acabou caindo em desgraça e deixou o posto em 1964. Quando morreu, em 1971, não mereceu sequer um lugar junto ao mausoléu de Lênin, na Praça Vermelha, em Moscou, onde está enterrada a maior parte dos líderes soviéticos, inclusive Stálin.
Com a queda de Kruschev, a linha dura voltou ao Kremlin com Leonid Brejnev. Ele fez pesados investimentos em armamentos e apoiou regimes de esquerda em todo o planeta. Foi só com a ascensão de Gorbatchev em 1985 que finalmente as negociações para a redução de armamentos de longo alcance entre EUA e União Soviética ganharam força. Durante sua gestão, os países satélites da Rússia no Leste Europeu começaram a se desgarrar. Em 1990, com a queda do Muro de Berlim, o principal símbolo da Guerra Fria, o império soviético se desintegrou. No campo interno, Gorbatchev implementou também a perestroika (abertura política) e a glasnost (abertura econômica), traçando o caminho para o fim do comunismo e da URSS.
Época, 18/11/11

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Férias - viagem cultural


As propriedades rejuvenescedoras da lama e das águas do mar morto deram
 origem a uma próspera indústria de cosméticos, como Dead Sea,
 Ein Gedi e Sea of Spa. (Foto: Superstock/Glow Images

Sagrada para as três grandes religiões monoteístas mundiais (judaísmo, cristianismo e islamismo), Jerusalém é uma cidade banhada pela história. Uma única construção abriga o suposto túmulo do rei Davi e o cenáculo, onde Jesus e seus apóstolos teriam feito a última ceia. Essa construção já foi uma mesquita. A 100 quilômetros, o hotel Ein Gedi Spa (www.ein-gedi.co.il), à beira do Mar Morto, é destino certo para os adeptos do bem-estar. É o spa de mais baixa altitude do mundo, 100 metros abaixo do nível do mar. A concentração de sal no Mar Morto é dez vezes maior que a normal. É essa salinidade extrema que faz com que os turistas flutuem nas águas do mar, sem afundar. A lama espessa do lugar é rica em minerais, como cálcio, magnésio, potássio e sódio. Seu uso elimina toxinas e é indicado para o combate à hipertensão. O hotel tem fontes termominerais, cujas águas sulfurosas, na temperatura constante de 38 graus, têm qualidades terapêuticas. Além de uma infinidade de tratamentos e massagens.

Preço: (*) R$ 7.600
(*) estimativa. Inclui passagem aérea, estadia, alimentação e passeios para 7 dias.
Época 18/11/2011