quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A princesa vermelha

Alguém pode me dizer algo sobre este livro? É boa a tradução? Seria um bom livro?


Nascida princesa Sofka Dolgorouki, no nobre círculo da São Petersburgo de 1907, Sofka Skipwith - nome que adotaria ao se tornar cidadã inglesa, no decorrer da Segunda Guerra Mundial - foi uma mulher cuja biografia se misturou à própria história do século XX. Filha de príncipe e condessa russos, Sofka teve sua vida transformada com a Revolução Comunista de 1917, tendo que abandonar seu país rumo ao oeste europeu. Anos mais tarde, sendo já uma mulher sedutora e inteligente de hábitos boêmios, leitora ávida de poesia e esposa apaixonada, Sofka residia na Inglaterra quando a Segunda Guerra Mundial eclodiu. Mais uma vez, viu-se no exílio - distante do marido e dos filhos, confinada em um campo nazista de prisioneiros localizado em território francês, a experiência da guerra reformularia suas visões de mundo e seu engajamento político, influenciando sua decisão de integrar o Partido Comunista Inglês no pós-guerra. Esta obra foi escrita por sua neta, Sofka Zinovieff, que teve como principal inspiração um diário pessoal, iniciado no campo de concentração nazista, dado de presente a ela por sua avó.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O bobo da rainha

Comentário extraído do blog Entre Aspas:
Lyani, parabéns pela síntese. Tenho os 5 livros de Philippa (sei que o 6o. já está nas livrarias) e admiro sua percepção e facilidade em transmitir aos seus seguidores (do blog) sentimentos semelhantes aos meus.

Neste livro fabuloso, Philippa nos presenteia com a história da Rainha Mary, filha de Henrique VIII e Catarina de Aragão. A corajosa, determinada, nobre e generosa Rainha Catarina que foi tirada do trono, trocada por Ana Bolena e esquecida numa casa rural qualquer até a morte, sozinha e sem poder ver sua única filha, em nome de uma paixão que desestruturou a vida do Rei para sempre. As consequencias dessa paixão alcançaram até mesmo Mary, que foi obrigada a se declarar bastarda, negar sua fé verdadeira e cuidar de Elizabeth, filha de Ana Bolena e Henrique, como sua dama mais inferior.
Mary nunca foi feliz. Teve alguns anos de sua infância feliz ao lado de uma mãe extremamente amorosa e um pai orgulhoso que lhe deu algumas regalias exclusivas apenas do Príncipe de Gales (filho do Rei, herdeiro do Trono) apenas até Ana Bolena entrar na vida de Henrique e Elizabeth nascer para lhe trazer um mundo de trevas. Ainda assim, Mary a amou. Amou aquele bebê que lhe trouxe a desgraça e mesmo depois de anos e vários episódios da demonstração clara de que o amor não era recíprico, continuou amando-a como sua verdadeira irmã. Sua única família viva.
O livro na verdade se inicia com o Rei Eduardo ainda vivo, filho de Henrique e sua terceira esposa, Jane Seymour. Eduardo sempre fora uma criança doente e aos 15 anos já estava à beira da morte. Mary era sua verdadeira herdeira, porém o conselheiro de Eduardo consegue coagi-lo a criar um testamento onde a esposa de seu primeiro filho, sobrinha do Rei Henrique, fosse a regente do trono, enquanto Mary e Elizabeth seriam colocadas na Torre e levadas à morte. Assim que descobre a morte de seu irmão, Mary se auto proclama Rainha da Inglaterra e luta por sua herança e a de Elizabeth. E desde então, tudo que faz é lutar pela Inglaterra e por aquilo que lhe pertence assim como a sua irmã, que será sua sucessora.
O caminho de Mary desde cedo traçado pelas sombras, não muda muito. Seu mundo é sempre rodeado por intrigas e conspirações que parecem vir até mesmo de sua querida irmã Elizabeth que quer ascender ao trono. O único momento de todo seu reinado em que Mary parece realmente feliz é quando se casa com o Príncipe Felipe da Espanha, por quem se apaixona perdidamente e por quem seu coração será despedaçado mais uma vez.
Philippa foi simplesmente perfeita no desenrolar dessa história, no período tão curto da ascenção e queda da Rainha Mary. A história é narrada por Hannah, uma garota judia que é levada à corte por um dos que conspiram contra a Rainha Mary para ser o seu Bobo Sagrado. Hannah tinha o que chamavam de A Visão. As vezes previa acontecimentos futuros e prevê diversos fatos importantes da vida da Rainha Mary e da Princesa Elizabeth. Até mesmo a história paralela de Hannah e seu noivo prometido Daniel, é maravilhosamente explorada por Philippa e prende a atenção assim como os demais fatos da história.
Antes de ler esse livro, achava que a história de Catarina de Aragão era a mais trágica e triste de todos os longos anos da corte Tudor no poder, mas me enganei. Mary seguiu o caminho da mãe e teve uma vida solitária, triste, rodeada por inimigos, tendo que lutar dia a dia por seu reino e sua vida. E teve um final tão triste quanto sua mãe: morreu sozinha, abandonada por seu marido numa corte fantasmagórica, esquecida e sem herdeiros.
O que achei interessante é que também fica nítido no texto as divergências em relação à religião. Mary, assim como sua mãe, era extremamente católica. Enquanto Elizabeth, assim como seu pai, era protestante. No fim de seu reinado, enlouquecida pela dor do abandono do marido e das tristezas de uma vida sempre solitária e sempre rodeada de inimigos, Mary decide que a Inglaterra deverá voltar a ser uma terra católica, que tudo o que acontece de ruim em sua vida e na vida da Inglaterra é culpa da nova religão imposta por Ana Bolena a Henrique e então começa a punir os “hereges” com a inquisição, queimando-os em praça pública.
Engraçado que por ter assistido os filmes sobre a Rainha Elizabeth I, eu iniciei essa leitura dando-lhe minha preferência. Ainda não conhecia a história de Mary, mas já admirava Elizabeth. Com o avanço da história, tive dúvidas quanto a minha admiração. Fiquei incrivelmente penalizada pelo sofrimento de Mary e tive raiva de Elizabeth em muitos momentos, mas a dor e o sofrimento não isentam Mary do terror que impôs ao seu povo, queimando inocentes na fogueira. No fim, me peguei sem saber se sequer admirava qualquer uma das duas. Embora Mary tenha me lembrado muito de Catarina e por esta sim, tenho uma admiração profunda.
O livro é simplesmente sensacional. Com certeza irá para a lista de favoritos e Philippa conseguiu se superar nesta narrativa inebriante e impecável.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

domingo, 28 de agosto de 2011

Assalto ao Banco Central

No site Assalto ao Banco Central temos todos os detalhes do filme nacional que é sucesso de bilheteria.
Realmente, gostei demais... A escolha dos atores foi perfeita!

Sinopse:
O filme "Assalto ao Banco Central" é uma obra de ficção, inspirada no maior roubo a banco do século. Envolvendo desde a preparação da quadrilha aos bastidores da investigação da polícia federal.
Em Agosto de 2005 164.7 milhões de reais foram roubados do Banco Central em Fortaleza, Ceará.
Sem dar um único tiro, sem disparar um alarme, os bandidos entraram e saíram por um túnel de 84 metros cavado sob o cofre, carregando 3 toneladas de dinheiro. Foram mais de três meses de operação. Milhares de reais foram gastos no planejamento.
Foi um dos crimes mais sofisticados e bem planejados de que já se teve notícia no Brasil.
Quem eram essas pessoas?
E o que aconteceu com elas depois?
São as perguntas que todo o Brasil se faz desde então.
 
Caetano (Fabio Lago)
30 anos, cearense, Caetano é um criminoso de segunda, que nunca se envolveu em crimes violentos e foi contratado apenas para ajudar a cavar o túnel. Falador, divertido, acha o máximo participar da operação. Como já esteve preso várias vezes, acha naturalíssima a atração que sente por Devanildo, para ele a mulherzinha do grupo.



sábado, 27 de agosto de 2011

Piso Salarial professores

Do site Consultor Jurídico, 24 ago 2011:
O Supremo Tribunal Federal publicou, nesta quarta-feira (24/8), o acórdão que declarou constitucional a Lei 11.738/08, que cria o piso salarial nacional dos professores da rede pública. O texto foi questionado em Ação Direta de Inconstitucionalidade impetrada pelos governos do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Ceará e Mato Grosso do Sul. O recurso foi negado pelo Supremo no fim de abril deste ano.
A lei estabelece que todos os professores da rede pública de ensino com formação de nível médio devem ter piso salarial de R$ 1.187 e carga horária máxima de 40 horas semanais. Quando a lei foi aprovada, os cinco estados questionaram sua constitucionalidade, além de alegar que as prefeituras não teriam dinheiro para pagar os novos salários.
Levantamento feito pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) aponta que 17 estados não pagam aos professores o mínimo já estabelecido em lei. Estados e municípios podem pedir ao Ministério da Educação empréstimos para completar a verba destinada ao pagamento de professores. Para conseguir, precisam provar que investem 25% de suas receitas em educação. Não há levantamento sobre o pagamento nas redes municipais
O STF, no entanto, afirmou que os novos valores devem ser encarados como vencimento básico, sem gratificações e outros adicionais. Quando a ADI foi impetrada, professores de 21 estados foram às ruas protestar e pedir a aprovação lei.

Publicações
Apesar de a ADI ter sido negada pelo Supremo em 27 de abril, o acórdão só foi publicado nesta quarta. A publicação coincide com a veiculação de uma reportagem da Folha de S. Paulo.
O jornal conta que o ministro da Educação, Fernando Haddad, e o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, se encontraram com o ex-presidente Lula em São Paulo. Diz o texto que Lula convocou os dois ministros a sua ONG, o Instituto Cidadania, para cobrar motivos para que a Lei 11.738, postulada por ele em 2008, ainda não havia entrado em vigor.
Segundo declaração do ministro Haddad à Folha, Lula é constantemente cobrado por entidades sindicais e exigiu explicações sobre o piso nacional do magistério. Com informações da Agência Brasil.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Cacciola solto

Se fosse "ladrão de galinhas", ficaria preso mais 4 anos esquecido pelas leis processuais...

Depois de quatro anos, Cacciola deverá ser solto - Conjur, 24 ago 2011
O ex-banqueiro Salvatore Cacciola deverá ser solto. A juíza Natascha Maculan Adum Dazzi, da Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro, concedeu liberdade condicional a Cacciola, que cumpre pena de 13 anos por gestão fraudulenta e desvio de dinheiro público.
Segundo o advogado Manuel de Jesus Soares, Cacciola já cumpriu quatro anos de sua pena e, desde o início deste ano, está em regime semiaberto no Instituto Penal Plácido Sá Carvalho, em Bangu, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. De acordo com o advogado, apesar de estar em regime semiaberto, Cacciola ainda não deixou a prisão.
Soares explicou que a soltura de Cacciola depende agora de trâmites burocráticos. “Tudo isso agora vai depender de aspectos operacionais, de oficial de Justiça, de Conselho Penitenciário. Tem órgãos policiais envolvidos também, porque ele ainda tem que passar pela Polinter [divisão de polícia interestadual da Polícia Civil], para saber se há algum impedimento. Depois tem que ir ao Conselho Penitenciário. Então, não dá para precisar o horário [em que ele será solto]”, disse.
Cacciola foi preso sob a acusação de ter cometido gestão fraudulenta no Banco Marka. Juntamente com o banco FonteCindam, o Marka sofreu grandes prejuízos com a desvalorização do real ante o dólar em 1999 e recorreu ao Banco Central (BC). A operação de socorro do BC aos dois bancos, no valor de R$ 1,5 bilhão, foi considerada irregular pela Justiça.
Por isso, Cacciola e outros réus foram condenados por gestão fraudulenta e peculato (desvio de dinheiro público). O ex-banqueiro ítalo-brasileiro chegou a ser preso provisoriamente, mas, depois de conseguir um Habeas Corpus do Supremo Tribunal Federal, fugiu do Brasil para a Itália. Em 2007, Cacciola foi preso no Principado de Mônaco e, posteriormente, extraditado para o Brasil.
Além de Cacciola já ter cumprido quatro anos de pena, a Justiça diminuiu sua pena de 13 anos em dois anos e meio. Com informações da Agência Brasil.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

De volta às violetas

Finalmente, elas se adaptaram, rs






Obrigada, Livinha, pelas fotos.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Contrassenso, no mínimo, interessante

Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) está entre as 30 melhores empresas (pequenas e médias) para trabalhar - 2011/2012
Great Place to Work - Edição Especial da Época / agosto/2011
E é acusada de cartelização e até investigação por CPI do Senado Federal.

STJ tem quase três mil processos que envolvem Ecad - Conjur
Criado pela Lei 5.988/73, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) é uma instituição privada com missão tão importante quanto complexa: recolher direitos autorais de execuções musicais e distribuí-los aos seus titulares. A instituição tem passado por diversas polêmicas, como acusações de cartelização e até investigação por Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado Federal. No Superior Tribunal de Justiça (STJ) há quase 3 mil processos envolvendo o escritório, sendo ele próprio o autor de cerca de dois terços dessas ações. Muitas das questões jurídicas sobre direitos autorais causaram polêmica.
O julgamento do Recurso Especial (REsp) 1.117.391gerou divergência na Segunda Seção ao determinar que hotéis que tenham aparelhos de TV ou rádio em seus quartos devem recolher direitos autorais. O Ecad alegou que oferecer a comodidade de TV ou rádio nos quartos ajudaria os hotéis a captar clientes e geraria lucro indireto.
Além disso, os quartos de hotel são locais de frequência coletiva e já seria estabelecido na jurisprudência do STJ que a captação de programação nesses locais deve recolher direitos. O ministro relator da matéria, Sidnei Beneti, considerou que, com a Lei 9.610/98, firmou-se o entendimento de que a cobrança do Ecad sobre o uso dos aparelhos em quartos de hotel seria legal. Seu voto foi acompanhado pela maioria da Seção.
Outra jurisprudência já firmada no STJ refere-se à cobrança de direitos na execução de obras musicais em eventos públicos e gratuitos. Um exemplo desse entendimento é o REsp 996.852, que tratou de um rodeio público no estado de São Paulo. O ministro Luis Felipe Salomão, responsável pelo caso, observou que, antes da Lei 9.610, a existência de lucro era imprescindível à possibilidade de cobrança dos direitos de autor. Depois dela, bastaria o proveito obtido com a música para incidirem os direitos autorais.
Decisão semelhante foi dada no REsp 908.476 pelo ministro aposentado Aldir Passarinho Junior. No caso, o Serviço Social do Comércio (Sesc) promoveu um show com o cantor Zé Renato, sem fins lucrativos e sem cobrança de ingressos. Entretanto, o ministro Passarinho entendeu que, independentemente da cobrança ou não de ingressos, o trabalho artístico deve ser remunerado por quem dele se aproveita.
Essa regra, no entanto, tem exceções, como entendeu o ministro Paulo de Tarso Sanseverino no REsp 964.404. Eventos religiosos e sem fins lucrativos, como o daquele processo, se enquadrariam numa das hipóteses em que se admite a reprodução não autorizada de obras de terceiros.
O ministro Sanseverino apontou que o Acordo OMC/Trips, que regula direitos autorais internacionalmente e do qual o Brasil é signatário, admite a restrição de direitos autorais, desde que não interfira na exploração normal da obra ou prejudique injustificadamente o titular. O ministro asseverou que, naquele caso, deveria prevalecer o direito fundamental à liberdade de culto, frente ao direito do autor.
O advogado Tarley Max da Silva, conselheiro da seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) e especialista nas áreas de propriedade industrial e intelectual, opina que o STJ atua “primorosamente” na pacificação das divergências referentes ao Ecad. Entretanto, Tarley Max crê que a nova legislação que permitiu a cobrança mesmo em eventos sem fins lucrativos não é compatível com os objetivos da entidade. Como exemplo, ele cita os shows beneficentes com a renda voltada para causas sociais.
Transmissões de televisão a cabo também têm gerado discussões no STJ. Um exemplo foi a decisão sobre transmissão de emissoras de TV a cabo em ambientes de frequência coletiva, dada pela Quarta Turma do Tribunal no REsp 742.426. Ficou determinado que essas transmissões devem pagar direitos, mas foi afastada a multa em favor do Ecad, de 20 vezes o valor originalmente devido. A Turma entendeu que, para a aplicação da multa, seria necessário comprovar má-fé e intenção ilícita, o que não foi feito pelo Ecad.
Já o REsp 681.847 envolveu a Music Television (MTV) Brasil e o Ecad, que pretendia cobrar de forma genérica os direitos das obras exibidas pela emissora. Entretanto, o ministro João Otávio de Noronha entendeu que a MTV poderia contratar diretamente com os artistas ou com os seus representantes. Também seria possível que os artistas abrissem mão de seus direitos. O Ecad foi apontado como parte legítima para promover a cobrança de direito dos artistas, mas deve demonstrar a correção e adequação dos valores em cada caso, não bastando apresentar a conta.
A própria maneira de o Ecad cobrar direitos artísticos e aplicar multas por eventuais irregularidades tem sido contestada. O escritório tem seu próprio Regulamento de Arrecadação, mas este não pode ser imposto a quem não tenha contratado com ele, como demonstrou a decisão dada pelo ministro Massami Uyeda no REsp 1.094.279. No caso, o Ecad queria que o uso não autorizado de músicas por empresa de condicionamento físico fosse punido com multas segundo os valores estabelecidos no regulamento. Mas o ministro Uyeda entendeu que o uso não autorizado de obras passa ao largo das relações contratuais e, como o clube não tinha nenhum pacto com a entidade, deveria ser aplicada a legislação civil.
O advogado Tarley Max aponta que muitos desses processos surgem de uma legislação sobre direitos autorais que não reflete mais a complexidade da realidade atual. Ele cita como exemplo a aquisição de músicas e livros pela internet, sem o uso de um meio físico. Ainda não se desenvolveram mecanismos adequados para essa cobrança. O senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), presidente da CPI do Ecad, entretanto, vê problemas mais profundos, chegando a classificar a entidade – em entrevista recente – como “uma caixa preta”.
O senador aponta diversas irregularidades no escritório de arrecadação, como cobranças excessivas, falta de critério nos cálculos e pagamento para pessoas que não teriam direito sobre as músicas. Tarley Max aponta que há várias ações judiciais, em diversas instâncias, sustentando a inadequação da distribuição de direitos, o que acaba por desvirtuar os objetivos do Ecad.
Em nota oficial, o Ecad rebateu as acusações e afirmou que o pagamento dos direitos artísticos ou “distribuição dos lucros” é uma prática comum e legal no país e em todo o mundo. Afirmou que artistas e entidades não são obrigados a se filiar, mas que a maioria dos grandes artistas do Brasil optou pelo sistema do escritório. Também informou que em 2010 foram distribuídos mais de R$ 346 milhões de reais para um universo de 87.500 artistas e outros associados. Concluiu acusando grandes grupos de mídia brasileiros de sonegar o pagamento de legítimos direitos dos artistas. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Fernando Morais - novo livro

Fernando Morais desvendou os segredos da espionagem cubana nos EUA e viveu a mais agitada aventura de sua carreira como escritor
Luís Antônio Giron
Época, 22 agosto 2011

O repórter Espião
Em setembro de 1998, ele estava em um táxi, preso no trânsito de São Paulo, quando ouviu pelo rádio do carro uma notícia que não chamaria a atenção de alguém que não fosse repórter em tempo integral como Fernando Morais. Dez agentes secretos cubanos haviam sido presos em Miami pelo FBI, o Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos. Morais se espantou com a simples existência de espiões da Cuba comunista atuantes em território americano sete anos do fim da União Soviética. “Essa história rende uma grande reportagem”, pensou. Treze anos depois, a história resultou não só em um grande livro – um dos melhores do autor, o mais bem-sucedido jornalista literário do Brasil –, mas em uma aventura de investigação que o levou a fazer viagens internacionais, burlar a imigração americana, negociar com militares, conversar com presos e a descobrir segredos de Estado. Morais lança nesta semana Os últimos soldados da guerra fria (Companhia das Letras, 408 páginas, R$ 42), o décimo livro em 51 anos de carreira. O volume traz o subtítulo: A história dos agentes secretos infiltrados por Cuba em organizações de extrema direita nos Estados Unidos.

O autor – que anunciou que escreverá a história dos bastidores dos oito anos do governo Lula – diz que nunca havia se envolvido tanto em um caso. Em livros reportagens como Chatô, o rei do Brasil (1994), contratou dezenas de pesquisadores para fazer entrevistas e levantar dados. Ele tornou famoso seu método, que resume em seis princípios (leia ao lado) . “Na verdade, cada livro gera seu método”, diz. “Desta vez não quis delegar o trabalho. Fiz tudo sozinho, porque a história me desafiou.” Não é pouco para um escritor de sucesso, que, segundo a Companhia das Letras, sua editora, vendeu 2 milhões de livros em 41 países. Seu novo título sai com uma tiragem de 30 mil. “Sou apaixonado por reportagem”, afirma. “Pena que chega a hora de escrever, ato que me provoca dor física.”
Para viver sua paixão, Morais se tornou free-lancer, um jornalista sem emprego fixo que trabalha por projetos. Seu último emprego foi em 1978, mas ele reconstruiu em seu escritório, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, um ambiente de redação de jornal da década de 1970. O apartamento é decorado com fotos de Che Guevara, um display de Assis Chateaubriand e lembranças diversas de viagem. Na mesa de trabalho está uma foto sua com a neta Helena, de 2 anos, filha de sua única filha, Rita. Morais mora no apartamento com Marina, com quem vive há 30 anos. Casou-se legalmente no ano passado, numa cerimônia no Jockey Club de São Paulo. “Sou um animal doméstico”, diz. “Mas um repórter selvagem...”
Morais nasceu em Mariana, Minas Gerais, em 1946. Seu pai foi expulso da cidade e excomungado depois de agredir o bispo local. Foi parar com a família em Belo Horizonte, onde fez carreira no Banco da Lavoura. Ali, Morais teve o primeiro emprego, de office boy. Quando começou a trabalhar como jornalista, em São Paulo, ganhou fama de “banqueiro comunista” porque o pai, àquela altura, se tornara vice-presidente do banco. “Adoraria ter sido um jovem jornalista milionário”, diz. “Infelizmente, ralo até hoje.”
À moda antiga, bate-papo enquanto olha nos olhos do interlocutor. Seu jeito é antiquado, mas o smartphone moderníssimo toca sem parar. São amigos que ligam de todas as partes do mundo. Morais se veste informalmente, toma muito café, fuma cigarrilhas e se confessa ativista de esquerda. Como tal, fez amizades com famosos. Criou também laços com Cuba. Em 1975, entrevistou o líder cubano Fidel Castro, algo inédito no período da ditadura, o que lhe rendeu o primeiro best-seller, A ilha, lançado em 1976 e hoje na 46ª edição. Desde então, ele se devota a um gênero tão nobre como de difícil execução: a grande reportagem. “Só trabalho com o que me entusiasma”, afirma, entre baforadas. O livro Os últimos soldados da Guerra Fria guarda ecos de romance de espionagem, com cenas de ação, atentados, atos de heroísmo e viradas sensacionais. Embora o autor prefira não aparecer em suas páginas, precisou se expor e se infiltrar entre os infiltrados para contar sua história.
O enredo parecia simples: no início dos anos 1990, o serviço secreto cubano infiltrou 14 agentes – 12 homens e duas mulheres – na Flórida para espionar as atividades dos 47 grupos anticastristas sediados na região. A Rede Vespa, como foi batizada, tinha a missão de evitar “ataques terroristas” contra Cuba. As operações de grupos de direita, como Hermanos al Rescate, liderado pelo piloto José Basulto, compreendiam voos sobre território cubano, com aviões doados por celebridades da comunidade cubana de Miami – como a cantora Glória Estefan, que presenteou um Cessna aos “combatentes da liberdade”. De 1985 a 1990, esses grupos haviam realizado 127 ataques, entre atentados a hotéis, sequestros de turistas e panfletagem. Para se defender, os irmãos Fidel e Raúl Castro enviaram espiões a Miami. Assim, em 1992, com informes dos espiões, Cuba abateu dois dos três monomotores que invadiram o espaço aéreo da ilha, sob o comando de Basulto. O líder escapou, mas quatro pilotos morreram, o que fez aumentar a velha tensão entre Cuba e os Estados Unidos. O FBI saiu à caça dos espiões e desbaratou a Rede Vespa. Dos dez detidos, cinco se beneficiaram da delação premiada e sumiram. Os restantes foram condenados à prisão perpétua.
Morais queria ir além da notícia. Sua ambição era descobrir como viviam os 007 às avessas, agentes comunistas que não defendiam “o mundo livre” nem viviam num luxo à James Bond. Ao contrário: eram instruídos a morar em quitinetes, arranjar empregos humildes e encontrar mulheres para se integrar à comunidade. O orçamento anual da Rede era de US$ 200 mil – quantia que 007 poderia levar em uma maleta ou gastar em roupas e carros. Mas era o que os comunistas podiam gastar. Desamparada com a dissolução da União Soviética, Cuba sobrevivia miseravelmente do turismo. A economia da ilha era tão precária que centenas de milhares de cubanos escapavam do regime em balsas rumo à Flórida. Morais reconstrói o período para explicar a motivação do regime e de seus agentes.
Depois de dez anos de tratativas, o repórter teve acesso à documentação secreta de Cuba. No inverno de 2008, ele participava da Feira do Livro de Havana, quando o acordo que lhe abriu as portas foi selado. Jantava com um amigo no restaurante La Floridita quando foi avisado que Ricardo Alarcón, presidente do Parlamento cubano, estava a caminho. “Acertamos os detalhes e finalmente me abriram tudo”, diz. Na Vila Marista, sede do serviço secreto cubano, Morais foi orientado por um coronel, que se tornou seu amigo, mas depois desapareceu. Ele lhe mostrou gravações de escutas, fotos e depoimentos. Obteve um encontro em Havana com o piloto Juan Pablo Roque, o “Richard Gere de Cuba”.
Em 1990, Roque havia fugido e se declarado anticomunista. Tratado como herói em Miami, casou-se com Ana Margarita, uma cubana local. Ana só soube que Roque era espião quando ele fugiu de volta à pátria. Nas dezenas de viagens que fez a Cuba, Morais entrevistou também mercenários que fizeram atentados em Havana e estão condenados à prisão perpétua. É o caso de Cruz León, sem ideologia, que soltou uma bomba no bar Bodeguita del Medio.
Como a história não tinha um lado só, ele conseguiu um visto de turismo e negócios junto ao consulado dos Estados Unidos e entrou em Miami para continuar a investigação. “Devia ter entrado com visto de jornalista, mas ninguém me deteve”, diz. Entrevistou os chefes anticastristas, como José Basulto (“Um homem muito cordial”), funcionários do FBI e, por e-mail, os agentes cubanos detidos nos EUA, inclusive o chefe da Rede Vespa, Gerardo Hernández, e seus colaboradores René González e Antonio Guerrero, o Tony. Depois de dois anos e 40 entrevistas, Morais conhecia a intimidade desses personagens. Nos anos finais da Guerra Fria, havia espaço para episódios engraçados. Ele mostra como René, ex-combatente em Angola, roubou um avião de uso agrícola e aterrissou em Miami como dissidente, sem contar à mulher e à filha. Narra a história de Tony, engenheiro aeroespacial que chegou a Key West, paraíso tropical dos gays, disfarçado de professor de salsa, até se casar com uma massagista. Dá um filme. Os direitos do livro já foram vendidos para um investidor, Rodrigo Teixeira, que os está negociando com Hollywood. “Vai ter cara de thriller político”, diz Morais.
O documento que mais o impressionou foi uma carta de Fidel Castro, entregue pelo escritor García Márquez ao presidente Bill Clinton, em abril de 1998. Nela, o ditador denunciava os ataques – e convidava os agentes do FBI para agir em conjunto. Ele afirmava que os americanos tinham como abortar “essa nova forma de terrorismo”. “Não se pode entregar apenas a Cuba a responsabilidade de fazê-lo. Muito em breve qualquer país do mundo poderá ser vítima de tais atos”, escreveu Fidel. Morais concorda. “Não por acaso, os terroristas muçulmanos aprenderam a pilotar lá. A Flórida virou o ninho da serpente do 11 de setembro.” Para ele, a Rede Vespa não espionou os americanos, apenas preveniu atentados: “Seus agentes deveriam ser libertados”, diz. O ativista às vezes fala mais alto que o repórter...

Corações Sujos é outro excelente livro do autor.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Orquídeas do vizinho

É verdade! Quem ganha com orquídeas tão belas sou eu, a vizinha, e não o proprietário.
Sou eu quem tem o privilégio da vista, rs
Em março 2010 registrei a rosa...


Em setembro do mesmo ano registrei as pequenas lilases que se acrescentaram às brancas que floriam há 30 dias...
Agora rosa e brancas juntas, na mesma época!!


Por, no mínimo, quatro meses durante o ano tenho flores na minha janela!

domingo, 21 de agosto de 2011

sábado, 20 de agosto de 2011

Do Bom e do Melhor

Fico feliz por saber que já aprendi a apreciar o bom...

Leila Ferreira é uma jornalista mineira com mestrado em Letras e doutorado em Comunicação que, apesar de doutorada em Londres, optou por viver uma vidinha mais simples em Belo horizonte...
DO BOM E DO MELHOR
(Leila Ferreira)

Estamos obcecados com "o melhor". Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor".
Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.
O bom, não basta.
O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor".
Isso até que outro "melhor" apareça - e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer. Novas marcas surgem a todo instante.
Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.
O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego.
Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos.
Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários. Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis. Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente.
Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência?
Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa?
E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?
O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"?
Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro?
O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?
Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos.
A casa que é pequena, mas nos acolhe.
O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. A TV que está velha, mas nunca deu defeito.
O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos".
As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo.
O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem.
O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.
Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso? Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu?

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Textura para paredes

Há anos adquiri a coleção CURSO DE DESENHO E PINTURA da Editora Globo.
Memorizei um volume em especial: Desenho a lapis. Sei que lá encontraria opções de textura e suas técnicas. Até brinquei, na época da aquisição, de massa corrida em uma das minhas paredes...
Constato, com pesar, que exatamente este volume sumiu, snif, snif..
Sei que estava detonado em função de um empréstimo mal sucedido, mas, tinha a doce ilusão que estava comigo, compondo os 12 volumes integrantes da coleção, snif, snif...
Então, vamos à net, buscas e mais buscas...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Saga brasileira, de Miriam Leitão

Economia é o que acontece na vida da gente. Não é uma coisa que pertence aos economistas, ou aos empresários, ou aos grandes financistas ou aos grandes banqueiros...




terça-feira, 16 de agosto de 2011

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Boas ilustrações


Ilustração da chinesa Lim Heng Swee, postada em Pinzellades al món.

Não reclame do seu parceiro!

por Bruno J. Gimenes - sintonia@luzdaserra.com.br
O tempo que a mulher gasta para lamentar-se sobre os pontos fracos de sua relação é a própria capacidade que ela tem de destruir a harmonia da vida a dois.
As situações de uma relação são como ondas do mar, que mudam de direção e de força de acordo com os ventos. Quando você se lamenta das atitudes do seu parceiro, você torna o mar ainda mais revolto. Por outro lado, quando você entende que a relação conjugal é um laboratório para a alma, você faz a sua parte para o amor crescer. E o amor cresce quando nos concentramos em querer amar... E querer amar é cuidar, aceitar, compreender e fazer por merecer o retorno.
As cobranças se tornam as raízes das brigas que levam o amor da relação à condição de cinzas ao vento. A paciência, a tolerância e o respeito são os pilares que sustentam uma relação amorosa. Sem essa tríade, não há amor. A paixão não é amor, mas pode tornar-se. Aquele que vive paixões temporárias constantes é porque não sabe aproveitar as oportunidades dadas para construir os alicerces de uma vida a dois. Os erros mais comuns surgem pelo fato de que as críticas aparecem assim que as emoções mundanas brotam na rotina de qualquer casal normal. A convivência é uma droga letal nas mãos dos profanos. O egoísmo é o agente causador da cegueira que gera a crítica, porque a crítica gera a ruína e a ruína vem da ignorância típica da egoísta.
Esse sentimento negativo, que é a causa maior de todas as doenças, sejam dos relacionamentos interpessoais ou da saúde física, converte a mulher em uma pessoa endurecida e alienada de sua responsabilidade de aflorar a sua energia essencial em todas as relações. Seja nas relações conjugais, de trabalho ou familiares, toda mulher deve convocar seu poder clareador de consciências e ativador de corações.
A crítica vem do erro mundano (egóico) de achar que a culpa está no outro. Vem da grave falha de interpretação das emoções produzidas. Do triste hábito da carência em projetar todos os sonhos no homem amado. Você é o seu sonho. Seus atos revelam a sua realidade e seu amor constrói seu paraíso.
Não perceber que o tempo gasto para criticar seu companheiro, é o mesmo que preparar a construção velha para a implosão destrutiva, faz de você infantil. Simplesmente pelo fato de que você nunca deve regar a semente que não quer que germine, e quando a semente da crítica é plantada e regada, a ruptura conjugal será a conseqüência mais natural.
Se está descontente, de mais amor, semeie a virtude do companheirismo.
Se o relacionamento já acabou e não há mais sintonia, então semeia a virtude do perdão, da aceitação e comece de novo com novos hábitos.
Se é o passado que lhe incomoda, então, tenha a certeza que você não é a vítima, não é a culpada e que estamos todos em evolução. Aprenda as lições e ame mais. Ame-se mais também.
Quando você critica seu parceiro, você faz crescer no seu jardim a erva daninha da desilusão, do desespero e da carência. Sempre somos nós os responsáveis pela colheita, sempre. O que você colhe é o que você planta.
A crítica que vem do egoísmo de pensar nos defeitos alheios é a porta de entrada da treva conjugal, o passaporte para uma vida de decepções. Nunca, jamais, critique seu parceiro. Seja você mesma, pondere os fatos, até abandone o barco procurando novas embarcações, mas criticar, nem pensar! No seu jardim, só devem existir lindas flores de amor e virtudes sublimes.
Mensagem de Viana recebida espiritualmente por Bruno J. Gimenes

QUEM É VIANA?
Viana sempre trabalhou na Terra como apoiador da expressão feminina. Em suas experiências de vida, por diversas vezes atuou a frente de projetos para apoiar mulheres no pós-parto, recém separadas, demitidas ou sob forte choque emocional provocado por situações traumáticas.
Seu jeito é tranquilo e centrado. Sua aparência transmite confiança. Levemente calvo, moreno, usa óculos de tamanho pequeno. Ele não se altera por nada, mantém sempre foco no sentimento da pessoa que pede sua ajuda. Ele olha no fundo dos seus olhos sem que você perceba que ele já "entrou na sua alma". Seu espírito é nobre, sincero, respeitoso, tranqüilo e centrado.
Suas palavras são de apoio e confiança. Ele considera o sofrimento normal, mas que seja por curto tempo, porque em excesso ele alerta que é um grave erro.
Ele sempre diz:
"Agora você já pode enxugar as lágrimas, já está bom (refere-se a cessar o sofrimento e começar de novo). Vamos em frente porque tem o Novo chegando diante de você".
Bruno é co-fundador do Luz da Serra, conheça www.luzdaserra.com.br

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Na América

Em 1876, um grupo de poloneses liderado por Maryna Zalezowska - personagem inspirada na atriz Helena Modjeska - emigra para os Estados Unidos e viaja através da Califórnia para fundar uma comunidade nos moldes do socialismo utópico. Considerada a rainha dos palcos, Maryna era também um símbolo do brio de sua nação: destacava-se no movimento de resistência às potências estrangeiras que submetiam a Polônia. Por que uma mulher assim, tão admirada pelos compatriotas, decide que a vida tomará outro rumo?
Maryna tem um filho adolescente, mas não do marido atual, um conde que desconhece as origens do enteado. Ambos viajam com ela, e do grupo de emigrantes também faz parte um jovem escritor que segue a diva com os olhos da paixão.
Valendo-se de um conjunto impressionante de dados históricos, Sontag recria com exuberância a América do final do século XIX e alimenta a narrativa com um retrato vivo dos palcos e dos bastidores do teatro. Fala-nos da busca de uma mulher pela autotransformação, do destino do idealismo, do conflito entre natureza e cultura, de muitos tipos de amor e, não menos importante, de narrativas e seus narradores. Pois este é um livro que talvez não tivesse sido escrito se a autora não fosse primeiro uma leitora apaixonada de romances, se não se entregasse com alegria e destemor ao mundo irresistível da ficção.

A resenha acima foi extraída do site da editora Companhia das Letras.
Confesso que li as "orelhas" do livro esquecido na casa dele e... me policiei severamente para não mergulhar naquelas páginas com vontade.
Afinal, tenho muito o que estudar e um artigo científico para escrever, snif...
Quero (e muuuuito!) saber tudo sobre Helena Modjeska e, desde já, esta obra está na minha lista de 2012...
Boa idéia: elencar uma "pequena" lista que lerei assim que terminar a pós-graduação.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Guerra dos Tronos

Veja, Nana Queiroz
09/05/2011

Dez razões pelas quais 'A Guerra dos Tronos' é (muito) melhor do que 'O Senhor dos Anéis'

Até o lançamento de A Guerra dos Tronos, primeiro volume da série As Crônicas de Gelo e Fogo, muitos poderiam apostar que jamais a fantasia seria tão boa quanto em O Senhor dos Anéis. Mas George R.R. Martin começou a escrever e então... bom, quem ainda não comprovou pode fazê-lo. Há vida – e muita – para além de Frodo e seu anel. Aquele que vencer as tortuosas 60 primeiras páginas de A Guerra dos Tronos terá percorrido um caminho sem volta. Depois disso, o livro obriga o leitor a programar-se para ler, encontrar tempo na agenda ou perder algumas horas de sono, se for preciso. Tudo para avançar um capítulo, outro, e aos poucos descobrir o que se dará com Eddard Stark e sua honra sem medida, com o anão Tyrion Lannister e seu cérebro afiado e com a pequena e destemida Arya. Quase 600 páginas depois – não é pouco – só haverá um veredito: Martin superou J. R. R. Tolkien. Confira os 10 principais argumentos que comprovam a superioridade de As Crônicas sobre O Senhor dos Anéis.

1. Os personagens transam, escarram, defecam e ficam de ressaca
Ante de tudo, Crônicas de Gelo e Fogo é uma fábula para adultos. Martin não dá espaço para elfas recatadas como Arwen. No primeiro volume, Guerra dos Tronos, fica estabelecido que todo mundo vai ao banheiro, transa, escarra e fica de ressaca – até as ladies. Enquanto Tolkien parece viver um platonismo cego, Martin leva o realismo às últimas consequências. As páginas transbordam de descrições vívidas de sexo e violência. Nas batalhas, há estupros e infanticídios. Nos castelos, prostitutas luxuriosas e banquetes cheios de gula. “Já era tempo de a fantasia crescer e se tornar adulta”, declarou o autor em entrevista a VEJA. “Sempre soube que um personagem sem dimensão sexual não é completo. O mesmo se dá em relação à violência. As guerras não têm nada de limpo: são feitas de sangue e vísceras expostas. Que credibilidade eu teria se não mostrasse o que ocorre quando a lâmina da espada atinge um pescoço?”.
2. A linha entre bem e mal é muito mais tênue – se é que existe
O antagonismo vilão-mocinho em Crônicas muda diversas vezes em cada livro, ao contrário de O Senhor dos Anéis que, no máximo, permite a Boromir e Faramir um momento de fraqueza cada. As Crônicas provocam uma confusão deliciosa: é possível vibrar para que os dois lados de uma batalha vençam, ou amar a filha do rei deposto e o homem que o depôs na mesma página. Em Tolkien, Frodo nunca se sentaria para dividir um pedaço de lemba e uma caneca de cerveja com orcs. Mas em Crônicas, Jon Snow e Tyrion Lannister, de clãs inimigos, compartilham traumas e conversas regadas a vinho. Enquanto o digno e honrado Aragorn, de Tolkien, luta contra inimigos distantes, os personagens das Crônicas têm, muitas vezes, o pior inimigo morando dentro de casa.
3. Martin não abusa das descrições como Tolkien
A Guerra dos Tronos não agradará aos mais objetivos. Martin, porém, pega mais leve nas descrições do que Tolkien. Claro que o continente Westeros é tão bem imaginado e descrito quanto a Terra Média e o leitor poderá saborear detalhes das capas de cavaleiros e dos bosques sagrados - há até um mapa do território dos Sete Reinos nas primeiras páginas. As descrições de Martin, no entanto, são melhor dissolvidas na narrativa e por isso muito mais dinâmicas. Um capítulo de Crônicas jamais será tão enfadonho e cansativo quanto a passagem sobre Tom Bombadil, o irritante e misterioso personagem cantador de A Sociedade do Anel, ou páginas de descrições dos diminutos detalhes das folhas da floresta de Lothlórien ou Valfenda.
4. Martin não tem nenhum princípio
O autor de Crônicas não está preocupado com leitores de estômago fraco. Tudo que é sujo e já existiu na humanidade está presente na trama: traição, incesto, prostituição, roubo, estupro, violência, crueldade, infanticídio, eutanásia, aborto. Pode pensar no que quiser de sórdido e moralmente questionável, estará lá. Mais uma vez essa característica serve muito bem ao leitor, que tem nas mãos uma obra muito mais verossímil que O Senhor dos Anéis. “Toda fantasia requer um pouco de mágica. Mas o exagero é como errar a mão no sal”, argumenta Martin. “Elfos e duendes ficaram tão batidos que, com toda a razão, hoje muita gente quer esmurrar esses personagens”.
5. O autor de Crônicas não se ofende se você encontrar alegorias nos livros
Em entrevista a VEJA, Martin fez a comparação: “Tolkien odiava quando falavam que seus livros continham alegorias. Não sou tão radical. Espero estar dizendo coisas relevantes dos nossos tempos. O escritor americano William Faulkner dizia que a única coisa a respeito da qual vale a pena escrever é sobre os conflitos do homem consigo próprio. Não tenho a pretensão de passar mensagens, mas acredito que a luta pelo poder é um tema universal”.


6. Ao terminar os capítulos de Crônicas o leitor está sem ar
Um dos defeitos de O Senhor dos Anéis é que em alguns momentos a narrativa torna-se lenta. Isso raramente acontece em Crônicas. O final de cada capítulo é quase sempre surpreendente, chocante ou cheio de suspense. A maioria dos leitores se obriga a começar o capítulo seguinte. É muito mais fácil largar O Senhor dos Anéis para uma pausa do que deixar Crônicas por um momento sequer.
7. Há mais reviravoltas na trama em um livro de Martin do que em todas as obras do Tolkien juntas
Em Tolkien, era previsível imaginar que Aragorn ganharia a guerra no final e que Frodo sairia vivo da jornada. Já Martin não tem nenhum amor exagerado por seus personagens, que são tão mortais quanto qualquer um de nós. Um pequeno erro de estratégia ou um momento de fraqueza e o personagem já era. Morre vítima de um assassinato inesperado, uma traição surpreendente ou um golpe aleatório. Vilões se tornam mocinhos e perdedores campeões. Personagens vêm e vão, se aliam e desaliam a cada capítulo. A trama é imprevisível e por isso tão atraente.
8. O leitor troca de olhos a cada capítulo
Cada capítulo da obra de Martin é narrado sob o ponto de vista de um dos personagens. Ou seja: muito mais difícil falar em mocinhos e bandidos quando você experimenta a cada vinte ou trinta páginas os medos e amores de uma pessoa diferente. O melhor exemplo dos méritos da troca de perspectiva é Tyrion Lannister. O anão é membro do clã mais sórdido dos Sete Reinos e defende a família acima de qualquer pudor. No entanto, quando o leitor mergulha na sua história, suas atitudes ganham explicações e justificativas e ele passa a ser um dos personagens mais cativantes da trama. Uma estratégia muito mais intrigante que a narração onisciente de Tolkien.
9. Há personagens para todos os gostos
É bem difícil que alguém termine de ler Crônicas sem se identificar com um único personagem. Nos quatro livros já escritos – a série prevê sete -, Martin criou mais de mil personalidades distintas e, em algumas dezenas de casos, bastante complexas. Os personagens vivem todo tipo de drama: da deficiência física à paixão incestuosa entre irmãos. Enquanto as criaturas de O Senhor dos Anéis são movidas por honra ou ódio, os moradores de Westeros respondem à chantagem, rancor, paixão, amor, luxúria, fidelidade, ambição e confusão – motivações muito mais próximas da realidade.
10. As Crônicas de Gelo e Fogo duram mais
Só em número de livros já escritos As Crônicas de Gelo e Fogo já superam O Senhor dos Anéis. As páginas também são abundantes: mais de 550 por livro (versões em inglês chegam a 1.000 páginas). E a promessa é que a série some sete títulos. A melhor parte? Martin ainda está vivo, então pode aumentar esse número nos próximos anos – se quiser. Coisa que Tolkien só conseguiria se arrumasse um médium para psicografá-lo...

domingo, 7 de agosto de 2011

Matando um leão por dia!

Um texto interessante...
MATANDO UM LEÃO POR DIA

Pierre Schurmann
Em vez de matar um leão por dia, aprenda a amar o seu.

Outro dia, tive o privilégio de fazer algo que adoro: fui almoçar com um amigo, hoje chegando perto de seus 70 anos. Gosto disso. São raras as chances que temos de escutar suas histórias e absorver um pouco de sabedoria das pessoas que já passaram por grandes experiências nesta vida.
Depois de um almoço longo, no qual falamos bem pouco de negócios mas muito sobre a vida, ele me perguntou sobre meus negócios. Contei um pouco do que estava fazendo e, meio sem querer, disse a ele:
-"Pois é. Empresário, hoje, tem de matar um leão por dia".
Sua resposta, rápida e afiada, foi:
-"Não mate seu leão. Você deveria mesmo era cuidar dele".
Fiquei surpreso com a resposta e ele provavelmente deve ter notado minha surpresa, pois me disse:
- "Deixe-me lhe contar uma história que quero compartilhar com você".
Segue, mais ou menos, o que consegui lembrar da conversa:
"Existe um ditado popular antigo que diz que temos de "matar um leão por dia". E por muitos anos, eu acreditei nisso, e acordava todos os dias querendo encontrar o tal leão.
A vida foi passando e muitas vezes me vi repetindo essa frase.
Quando cheguei aos 50 anos, meus negócios já tinham crescido e precisava trabalhar um pouco menos, mas sempre me lembrava do tal leão. Afinal, quem não se preocupa quando tem de matar um deles por dia?
Pois bem. Cheguei aos meus 60 e decidi que era hora de meus filhos começarem a tocar a firma. Mas qual não foi minha surpresa ao ver que nenhum dos três estava preparado! A cada desafio que enfrentavam, parecia que iam desmoronar emocionalmente. Para minha tristeza, tive de voltar à frente dos negócios, até conseguir contratar alguém, que hoje é nosso diretor-geral.
Este "fracasso" me fez pensar muito. O que fiz de errado no meu plano de sucessão? Hoje, do alto dos meus quase 70 anos, eu tenho uma suspeita: a culpa foi do leão”.
Novamente, eu fiz cara de surpreso. O que o leão tinha a ver com a história? Ele, olhando para o horizonte, como que tentando buscar um passado distante, me disse:
- "É. Pode ser que a culpa não seja cem por cento do leão, mas fica mais fácil justificar dessa forma. Porque, desde quando meus filhos eram pequenos, dei tudo para eles. Uma educação excelente, oportunidade de morar no exterior, estágio em empresas de amigos. Mas, ao dar tudo a eles, esqueci de dar um leão para cada, que era o mais importante. Meu jovem, aprendi que somos o resultado de nossos desafios. Com grandes desafios, nos tornamos grandes. Com pequenos desafios, nos tornamos pequenos. Aprendi que, quanto mais bravo o leão, mais gratos temos de ser. Por isso, aprendi a não só respeitar o leão, mas a admirá-lo e a gostar dele. Que a metáfora é importante, mas errônea: não devemos matar um leão por dia, mas sim cuidar do nosso. Porque o dia em que o leão, em nossas vidas morre, começamos a morrer junto com ele.”
Depois daquele dia, decidi aprender a amar o meu leão. E o que eram desafios se tornaram oportunidades para crescer, ser mais forte, e "me virar" nesta selva em que vivemos.
A capacidade de luta que há em você, precisa de adversidades para revelar-se.
(Pierre Schurmann)

sábado, 6 de agosto de 2011

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Tesouraram a bolsa

Época, 28/07/2011
A CVM investiga se houve manipulação com os papéis da Mundial, a fabricante de tesouras. A ação mais valorizada do ano virou mico
Nelito Fernandes

No jargão da Bolsa, mico é aquela ação que passa de mão em mão dando saltos enormes até que, de repente, ninguém mais quer. O último fica com o prejuízo. Quem investiu R$ 100 mil em ações preferenciais da Mundial no último dia 19 e manteve os papéis por três dias acordou com R$ 13 mil na conta e um mico na mão. Até então, a Mundial era a estrela do ano, com valorização de 1.652% das preferenciais e 2.800% das ordinárias. Quem aplicou R$ 100 mil poucos dias antes e saiu no dia 19 ficou milionário. O movimento chamou a atenção da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que agora investiga se houve manipulação dos papéis.
A valorização da Mundial estava atraindo tanta gente que a ação dessa pequena e centenária fabricante gaúcha de alicates de unha e tesouras chegou a ser mais negociada do que a da Petrobras. Depois da queda, a CVM recebeu uma denúncia anônima contra três corretoras, um dirigente da Mundial e um operador de Bolsa. De acordo com a denúncia, esse operador teria comprado 10 milhões de ações para seus clientes em março de 2010. Procurou a empresa e apresentou seu plano para inflar os papéis e conseguir vendê-los. Três corretoras teriam então começado a comprar e vender as ações entre si, forçando a alta. A denúncia cita até os telefones supostamente usados no esquema. Um investidor que estava lucrando com as ações da Mundial e diz ter perdido R$ 3 milhões encaminhou a ÉPOCA um e-mail enviado a ele por sua corretora com um pedido atípico. Na véspera da queda, a corretora pediu um depósito de R$ 1 milhão para garantir possíveis perdas. “Não faz sentido pedir garantia quando eu estava com lucro absurdo. Para mim, eles já sabiam que ia cair.”
Até maio, a Mundial era desprezada pelos investidores. Passava dias com pouco mais de 100 negócios. No início de junho, o presidente do conselho da empresa, Michael Ceitlin, começou a dar uma série de entrevistas a veículos especializados com boas notícias. A Mundial estava reestruturada, venderia terrenos para pagar velhas dívidas e se preparava para entrar no Nível 1 de governança da Bovespa, que exige das empresas mais transparência nas informações e nas relações com os pequenos acionistas. Surgiram boatos sobre a venda da empresa. Foi quando o papel começou a disparar. Ceitlin nega a participação de funcionários no suposto esquema. Ele diz que a Mundial está sendo vítima. “Transformaram nossa ação num cassino. Quem entrou no efeito manada perdeu dinheiro e agora quer culpar a companhia pela bobagem que fez.”
“A Mundial realmente tinha algumas notícias boas, mas não eram suficientes para essa alta toda”, diz o analista Anderson Lueders. Quando estava cotada a R$ 0,60, ele divulgou uma análise afirmando que o risco era “bastante significativo”. Para o consultor Maurício Bastter Hissa, o desfecho era inevitável. “Nenhuma empresa melhora assim do dia para a noite”, diz. Para evitar cair no canto da sereia, Lueders aconselha conferir o histórico da empresa. “Veja se é lucrativa nos últimos cinco anos. Quando as pessoas vão comprar um carro, elas leem tudo, pesquisam até o seguro.” Na Bolsa, nem todos fazem assim.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Mundial na Bolsa de Valores

Acompanhemos a notícia...
A bolha do alicate, 22/07/2011
As ações da Mundial, tradicional fabricante de alicates, tiveram uma valorização de 1.400% em 2011 — e ninguém consegue explicar o que está acontecendo
Thiago Bronzatto, da EXAME
São Paulo - Na história das bolhas financeiras, já houve de tudo um pouco. Tulipas, ferrovias, empresas de internet, casas: de tempos em tempos, uma modalidade de investimento fica tão na moda que os preços começam a disparar e se afastar da realidade — e a volta à normalidade costuma ser traumática. Pois o Brasil está dando, em 2011, sua contribuição à história das manias financeiras.

Inaugurou-se, na Bolsa de Valores de São Paulo, a bolha do alicate: esse é o produto mais tradicional da companhia gaúcha Mundial, que fabrica também produtos de beleza, talheres e válvulas hidráulicas. As ações da Mundial valorizaram em 2011 quase 1.400% na bolsa.
O número de zeros não está errado: o valor de mercado da companhia passou de 77 milhões para 1,4 bilhão de reais neste ano. Isso num ano em que o Índice Bovespa acumula queda de 15%. A euforia é tamanha que a ação da Mundial, até o fim do ano passado ignorada pelos grandes investidores, acabou se tornando uma das cinco mais negociadas do pregão — em alguns dias, superando até mesmo a Petrobras.
A bolha do alicate é, atualmente, o maior mistério da bolsa brasileira. O que está acontecendo? Há razões concretas para essa paixonite aguda dos investidores pela Mundial? A bolha do alicate explodirá? Desde que as ações começaram a subir, em abril, surgiram rumores de que a empresa estaria prestes a ser vendida.
A boataria foi seguidamente negada pela empresa até que, no dia 18 de julho, surgiu algo de mais concreto no horizonte. O fundo americano Yorkville Advisors, de Nova Jersey, anunciou que investirá 50 milhões de dólares na Mundial. Para quem esperava a concretização de um negócio bilionário, o diminuto investimento americano foi uma decepção.

Mas o mercado não estava nem aí para decepções. As ações da Mundial subiram 11% no dia do anúncio do negócio. O Ibovespa, no mesmo dia, atingiu sua mínima do ano.

Se não é a expectativa de aquisição o motivo para o fenômeno Mundial, como explicá-lo? Há, de acordo com a diretoria da empresa, uma origem mais prosaica. Pela versão oficial da companhia, a valorização das ações se deve a uma série de visitas que seus diretores fizeram a fundos e corretoras.
Em conferências, os executivos prometeram que a atual dívida de cerca de 400 milhões de reais da empresa seria quitada com a venda de cinco terrenos e com a emissão de títulos no valor de 100 milhões de dólares. Além disso, foi anunciada a intenção de aderir ao Novo Mercado, nível máximo de governança corporativa da BM&F Bovespa.
Logo no primeiro dia da apresentação de seus planos para 37 pessoas, em 6 de abril, às 11 horas, na corretora Souza Barros, em São Paulo, as ações preferenciais da empresa subiram 13%. Se a origem do fenômeno Mundial foi essa mesmo, trata-se, sem dúvida, do PowerPoint mais lucrativo da história do sistema financeiro.
Seja qual for a qualidade do ar que infla a bolha do alicate, a Mundial entrou de vez no radar dos investidores brasileiros. Um relatório do banco Santander prevê que a Mundial entrará no grupo de grandes empresas que compõem o Índice Bovespa (mesmo tendo faturado 365 milhões de reais em 2010, aproximadamente um terço das receitas de outras possíveis estreantes, como a varejista Hering e a rede de laboratórios Dasa).

Para quem quer entrar na festa agora, há de se perguntar se esse fascínio todo tem futuro ou está prestes a se esgotar. A relação entre preço e lucro (o conhecido índice P/L) é um bom indício de que toda essa euforia tem grande risco de não acabar bem. Esse é o índice mais usado para concluir se uma ação está cara ou barata — quanto maior, mais cara.
No caso da Mundial, o P/L é 128. E no caso, por exemplo, da Apple de Steve Jobs, o P/L não passa de 14,4 — isso para uma empresa que praticamente dobra de tamanho a cada dois anos. No primeiro trimestre deste ano, a Mundial teve um prejuízo de 6,2 milhões de reais. O que só torna a bolha do alicate ainda mais intrigante.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Etapa Primavera - ADIDAS

Etapa Primavera:

 





Porto Alegre – 28/8/11
Rio de Janeiro – 09/10/11
Belo Horizonte – 21/8/11
São Paulo – 25/9/11
Brasília – 11/9/11
Curitiba – 04/9/11
Salvador – 18/9/11



terça-feira, 2 de agosto de 2011

Mundial de Natação 2011

Proibido o uso dos supermaiôs apenas dois novos recordes foram batidos no Mundial em Xangai que terminou neste último domingo, dia 31/07.
Há dois anos, em Roma, 43 recordes foram quebrados.
Poucos nadadores haviam chegado perto das marcas desde então, e até os próprios detentores dos recordes tinham dificuldade de chegar perto de suas marcas. O alemão Paul Biedermann, que marcou 1min42s e venceu os 200 m livre em Roma, foi quase três segundos mais lento na final em Xangai e levou o bronze com 1min44s88. (notícias UOL).
Cielo conquistou 02 medalhas de ouro -50m borboleta e 50m livre. Nesta última prova se consagrou bicampeão mundial.


Foto de Satiro Sodré:
Felipe França conquista ouro nos 50m peito

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Romance histórico

Mais um ponto de vista sobre a história de Henrique VIII.
Além do livro A Outra Rainha comprarei livros da autora HILARY MANTEL.
Da revista Época, de Luís Antônio Giron:
Uma romancista em busca da verdade histórica

A escritora britânica Hilary Mantel ganhou em 2009 o Man Booker Prize – o prêmio literário mais importante do Reino Unido – com um romance que aparentemente não se adequaria aos critérios da alta literatura tão prezados pelo júri. Wolf Hall (Record, 586 páginas, R$ 59, tradução de Heloísa Mourão) aborda um dos assuntos mais explorados pelas artes: a história do rei inglês Henrique VIII e sua procura por uma esposa que lhe desse um herdeiro varão, o que o levou a romper com o papa Clemente VII e se tornar líder da Igreja Anglicana.
Alguns jurados tentaram desqualificar o livro, alegando tratar-se de mais uma deturpação da história. Talvez não tenham lido a obra com atenção, pois Hilary Mantel, de 59 anos, não tem nada a ver com aquelas especialistas em romances históricos que enchem as estantes das livrarias com narrativas feitas de pimenta e açúcar. Esses best-sellers tratam do comportamento sexual dos reis ingleses e viram filmes e séries, como o romance A outra, de Philippa Gregory (adaptado para o cinema em 2008, com Natalie Portman no papel de Ana Bolena), ou As seis mulheres de Henrique VIII, de Antonia Fraser – consultora da famosa série de televisão The Tudors (2007-2010). Em 26 anos de carreira, Hilary Mantel perseguiu os temas do mal e do acaso. Encontrou um tesouro no passado. Em seu 11º romance, procurou revolver fatos históricos para recobrar dignidade de um gênero que já nasceu mais fantástico do que fiel às fontes. Essa forma tem na saga dos Tudors, de que Henrique VIII faz parte, seu campo de especulação mais rico.
A dinastia Tudor reinou na Inglaterra de 1485 a 1603. Foram 118 anos de disputas dinásticas, guerras, decapitações e sexo que forneceram assunto para entreter o público nos 400 anos seguintes. Os artistas adaptaram a história às necessidades de suas peças de teatro, livros, filmes e séries de televisão. Surgiram inúmeras e improváveis variações sobre os mesmos temas. E a história se rendeu à fantasia. Logo após a morte da última representante da linhagem, Elizabeth I, os teatros londrinos apresentaram dramas que exaltavam o caráter e a grandeza dos Tudors – prova da complacência do novo monarca, Jaime I, filho de Maria Stuart, decapitada por Elizabeth I. Uma das primeiras tentativas de lidar com os Tudors se deu em 1613. O dramaturgo John Fletcher e seu provável parceiro William Shakespeare levaram à cena o drama Henrique VIII no Globe Theatre. A peça versava sobre seu reinado, de 1509 a 1547. A dupla incorreu em erros para criar uma imagem positiva do protagonista. A trama ignora, por exemplo, a decapitação da segunda mulher de Henrique VIII, Ana Bolena. Ela é mostrada dançando com o rei em uma mascarada e dando à luz Elizabeth I. Os autores também erraram ao caracterizar Thomas Cromwell, ministro do rei, como o vilão que perdeu a cabeça por ordem real.
Foi o começo de uma série de deturpações que chegaram aos dias de hoje com foro de verdade inquestionável. Em 1960, o drama O homem que não vendeu sua alma, de Robert Bolt, consagrou a imagem de Cromwell como o maligno rival de sir Thomas More (1478-1535), mais tarde santificado pelo papa. A peça fez tamanho sucesso que virou filme em 1966. More (Paul Scofield) figura ali como o campeão da moralidade, ao condenar que Henrique VIII se divorciasse de Catarina de Aragão – e se afastasse do papa. Cromwell assumiu a posição contrária. Ajudou o rei a desmontar os mosteiros católicos e o aconselhou a executar More como colaborador papista.
Wolf Hall dá uma resposta à demonização de Cromwell. A autora se interessa menos pela vida sexual do rei do que pela carreira de seu ministro, cuja imagem pretende reabilitar. “Eu me espantei com a figura de Cromwell e quis entendê-la”, afirmou Hilary Mantel a ÉPOCA. “Sua vida combina com a forma do romance: seus dias de dificuldade e obscuridade, sua escalada à riqueza e ao poder e sua queda repentina.” Por trás do rei que colecionava mulheres, havia, segundo a autora, uma raposa política que pretendia fortalecer o trono e libertar os ingleses do jugo da Igreja Católica. Isso não faz de Cromwell um santo aos olhos da autora. Ele se valeu de inteligência e maquiavelismo para cumprir seu projeto de poder. Filho de um ferreiro que o maltratava, o jovem Tom aprende a se virar sozinho. De peripécia em peripécia, ele entra para a Igreja e se torna assessor do cardeal Thomas Wolsey, conselheiro do rei. Henrique VIII quer o divórcio de Catarina de Aragão depois de 20 anos de casamento e várias tentativas frustradas de gerar um filho. Wolsey não convence o papa e é deposto. Cromwell assume seu lugar, ajuda o rei a se casar com Ana Bolena e a decapitá-la por adultério.
O enredo do romance conta como Cromwell escapa das conspirações palacianas e manipula o governo. Para isso, usa a energia sexual do rei como combustível para o processo de independência religiosa da Inglaterra. Perseguindo seus interesses, os personagens parecem voltar à vida: o rei, religioso e com dom artístico, é assombrado por dilemas morais; Catarina, bela e enérgica, não se dobra ao marido; Ana Bolena aparece não muito bonita, explosiva, vítima dos interesses da coroa; e Thomas More atua menos como mártir do que um agente do papa. O título do livro é uma referência à propriedade da família de Jane Seymour, a terceira mulher do rei, mais uma aposta no jogo de Cromwell.
Para entrelaçar tantos episódios turbulentos, a autora se vale de três ferramentas: a pesquisa nos arquivos britânicos, a técnica narrativa moderna e a devoção ao tema da crueldade. Não assume o tom solene que alguns autores usam para abordar o passado, muito menos adota o estilo alcoviteiro dos “romances para moças”. Os diálogos de Wolf Hall soam atuais e se cruzam com a rapidez da ação. A combinação proporciona uma leitura irresistível. Hilary Mantel refundou um tipo esquecido de ficção histórica, aquele que paradoxalmente procura ser fiel à história.