domingo, 31 de julho de 2011

A Caixa Preta

Ivan Sant'Anna reconstitui três desastres que entraram para a história da aviação brasileira

"A aviação é feita de centenas e centenas de horas de pura rotina entremeadas de minutos"de puro terror".
ONZE DE JULHO DE 1973. O Boeing 707 decola do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, para um vôo de 14 horas rumo a Orly, na França. Entre os passageiros, muito famosos, como a socialite Regina Lecléry, o senador Filinto Müller e o cantor Agostinho dos Santos. Esse vôo, no entanto, jamais pousaria em Orly: a menos de um minuto do pouso, mergulha numa plantação de repolhos, tomado pelas chamas.
VINTE E NOVE DE SETEMBRO DE 1988. Mais uma ponte aérea Brasília-Belo Horizonte-Rio na vida do experiente piloto Murilo de Lima e Silva, que naquele dia comandava o VP-375. Para quem pilotara caças militares, o trecho tranqüilo permitia até mesmo que ele e o co-piloto recebessem um amigo no cockpit para um papo. O céu era de brigadeiro até que um dos passageiros, armado, ordena que o avião seja espatifado no Palácio do Planalto. O desejo do seqüestrador era claro: atingir o Presidente da República, José Sarney. Todos a bordo morreriam juntos.
TRÊS DE SETEMBRO DE 1989. Maracanã lotado para assistir ao Brasil X Chile, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 90. Longe dali, em algum ponto a princípio entre Marabá e Belém, Cezar Augusto Garcez comanda um vôo cego. Perdido em pleno ar, tenta se posicionar. Localiza, em vão, uma rádio que transmitia a partida que entraria para a história como "o jogo da fogueteira. Aquele vôo também estaria nos jornais, no dia seguinte: "Avião desaparece na Amazônia", publicou O Globo.
Em CAIXA-PRETA, Ivan Sant`Anna reconstitui a trágica história desses três vôos. Partindo de um amplo trabalho de pesquisa e uma série de entrevistas, faxes, e-mails, telefonemas, cartas, documentos e laudos, o autor reuniu informações inéditas sobre os episódios e traçou, com mestria de ficcionista, os instantes que antecederam os vôos, acompanhando os principais personagens, retratando os momentos de pânico em que cada um viu a própria vida em risco.
No Vôo RG-820, os procedimentos de aterrissagem já haviam sido autorizados quando um incêndio começa a lamber a aeronave. Gases tóxicos e fogo tomam conta do aparelho. Percorridos 99,9 % do percurso, faltando cinco quilômetros e menos de um minuto para que as rodas do avião em chamas tocassem o solo de Orly, o piloto, temendo uma explosão iminente, arrisca um mergulho em meio a uma plantação de repolhos. Dos 17 tripulantes do Boeing, dez se salvaram. Dos 117 passageiros, apenas um sobreviveu. Resto de cigarro, jogado inadvertidamente no recipiente de papéis de um dos banheiros do Boeing, provocara a combustão. Entre os passageiros que desistiram de embarcar no RG-820 estava o futuro presidente da República, José Sarney.
E foi justamente para protestar contra a política econômica do governo José Sarney que o maranhense Raimundo Nonato seqüestrou o VP-375. Nonato pretendia jogar a aeronave sobre o Palácio do Planalto, fez 98 passageiros e 7 tripulantes de reféns e assassinou o co-piloto. Só conseguiu ser preso após uma manobra arrojada do comandante Murilo. Raimundo foi preso após receber três tiros da polícia. Morreu misteriosamente. Laudo do legista Badan Palhares atestou como causa da morte um quadro infeccioso.
Herói e vilão, ao mesmo tempo, o comandante Garcez é a principal personagem do RG-254 que caiu na selva amazônica em 1989. O que deveria ser um vôo rotineiro se transformou numa tragédia. Desorientado, Garcez permaneceu durante três horas em vôo cego. Temendo que o erro fosse descoberto, passou diversas informações truncadas para a base, afirmou estar onde não estava. Sem combustível, arriscou o aparentemente impossível: um pouso na copa das árvores, em plena noite, com visibilidade praticamente nula. Garcez foi acusado de negligenciar rotinas básicas da aviação. Por outro lado, salvou a vida de muitos passageiros ao conseguir aterrissar a aeronave e cuidar dos feridos. Ainda hoje, aguarda julgamento.
Ivan Sant`Anna, 60, é carioca. Formado em Mercado de Capitais pela Universidade de Nova Iorque, trabalhou 37 anos no mercado financeiro. Em 1995, largou tudo para ser escritor. É autor do best-seller Rapina. Apaixonado por aviões, tornou-se piloto amador.

sábado, 30 de julho de 2011

Gol de Placa! Neymar é gênio!!!

Inegável. O jogo da última quarta-feira foi um JOGAÇO!!
Não sou de assistir a jogos de futebol; digo sempre que meu time é Brasil - só assisto jogos da Copa do Mundo.
Porém, foi um FANTÁÁÁSTICO!!! Nunca tinha visto nada igual.
Neymar é um astro, literalmente!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A Outra Rainha


Um romance dramático de paixão, política e traição, da autora de Duas Irmãs. Um Rei. Com a sua característica combinação de magnífica narrativa com um contexto histórico autêntico. Philippa Gregory dá vida a esta época de grandes mudanças, numa fascinante história de traição, lealdade, política e paixão. Maria Stuart, Rainha dos Escoceses, está em prisão domiciliária em casa de Bess de Hardwick, recém-casada com o Conde de Shrewsbury, mas continua a lutar para recuperar o seu reino. Maria é Rainha da Escócia mas foi forçada a abandonar o seu país e a refugiar-se na Inglaterra, governada pela sua prima Isabel. Nesta época, a Inglaterra é um país com um protestantismo mal alicerçado, pressionado pelo poder da Espanha, da França e de Roma, e a presença de uma carismática governante católica pode ser perigosa. Cecil, o conselheiro-mor da Rainha Isabel, concebe então um plano para que Maria viva enclausurada com a sua cúmplice, Bess de Hardwick. Bess é uma mulher empreendedora, uma sobrevivente perspicaz, recém-casada com o Conde de Shrewsbury (o seu quarto marido). Mas que casamento resiste aos encantos de Maria? Ou à ameaça de rebelião que a acompanha a todo o momento? No seu cativeiro privilegiado. Maria tem de aguardar pelo regresso à Escócia e pelo reencontro com o seu filho. Mas esperar não significa nada fazer!
A Outra Rainha - Os Tudors, Livro 6 - Philippa Gregory

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Circo da China - Sky Mirage II

O espetáculo "Sky Mirage II", do Circo da China chega à São Paulo nesta quarta-feira (20) no início de uma turnê que passa por mais cinco cidades brasileiras: Rio de Janeiro, Natal, Belo Horizonte (de 24 a 28 de agosto, no Chevrolet Hall), Fortaleza, Brasília e Recife.
Horário: 21h
Preço: Setor 1: R$ 100,00 (inteira) / R$ 50,00 (meia-entrada)
Setor 2: R$ 70,00 (inteira) / R$ 35,00 (meia-entrada)
Pista/Arquibancada: R$ 50,00 (inteira) / R$ 25,00 (meia-entrada)
Informações:(31)3209-8989 
Endereço: Av. Nossa Senhora do Carmo, 230 - Savassi - Belo Horizonte
Local: Chevrolet Hall
Vejam as fotos de Flávio Florido.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Espetáculo do grupo Corpo em 2007 - Breu

O Grupo Corpo está há 36 anos na estrada, apresentando-nos espetáculos maravilhosos.
Em 2007 o espetáculo foi “Breu” – o Jornal da Gazeta postou no youTube em 07/08/2007:


Tradução poética da violência e da barbárie dos dias que vivemos, Breu, balé que Grupo Corpo estreou em 2007, é a mais demolidora partitura de movimentos escrita por Rodrigo Pederneiras em 30 anos de atividade como coreógrafo da companhia mineira de dança. Para expressar em movimentos a densa e lancinante trilha sonora criada por Lenine, coreógrafo e bailarinos precisaram deixar de lado a sensualidade, o lirismo, a alegria e a brejeirice que, desde 1992, caracterizam o trabalho do grupo e partir para formulação de novos códigos de movimento. Desta vez, a potência, a angulosidade e a rispidez dão o tom do balé. A brusquidez das quedas e uma penosa morosidade nas subidas parece condenar os corpos a se reter por mais tempo ao rés chão e, desta forma, a mover-se com o auxílio da pélvis, dos pulsos, dos cotovelos, dos joelhos, dos tornozelos, dos calcanhares. Para se manter de pé ou ficar por cima, é preciso ignorar o outro e encará-lo como inimigo. O individualismo, o triunfo a qualquer preço e a disposição para o confronto como estratégia apriorística de sobrevivência parecem reger a movimentação dos bailarinos no decorrer dos quarenta minutos de espetáculo.
A música original Lenine combina uma vasta gama de timbres, samplers, efeitos, citações e estilos, na construção de uma instigante babel sonora, concebida como uma peça única, de oito movimentos, que vão do hard rock à tradição de gêneros populares brasileiros. Paulo Pederneiras emoldura o espaço cênico com grandes placas negras e brilhantes, dispostas lado a lado com precisão geométrica, remetendo à frieza própria das superfícies azulejadas. De malhas inteiriças e todo em preto e branco, os figurinos criados por Freusa Zechmeister dividem ao meio o corpo dos bailarinos: enquanto na região frontal têm preponderância as estampas geométricas variadas, as costas ganham, de alto a baixo, um negro intenso e brilhante. Sob a incidência da luz, o brilho das malhas ressalta as saliências e concavidades das formas, fazendo com que, aqui e ali e por frações de segundo, os bailarinos se misturem ao cenário, emprestando volume e sinuosidade à sua estética retilínea e bidimensional.

terça-feira, 26 de julho de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O andar do bêbado

Não estamos preparados para lidar com o aleatório – e, por isso, não percebemos o quanto o acaso interfere em nossas vidas. Citando exemplos e pesquisas presentes em todos os âmbitos da vida, do mercado financeiro aos esportes, de Hollywood à medicina, Mlodinow apresenta de forma divertida e curiosa as ferramentas necessárias para identificar os indícios do acaso. Como resultado, nos ajuda a fazer escolhas mais acertadas e a conviver melhor com fatores que não podemos controlar. Prepare-se para colocar em xeque algumas certezas sobre o funcionamento do mundo e para perceber que muitas coisas são tão previsíveis quanto o próximo passo de um bêbado depois de uma noitada...
Sugestão estudo de Estatística e Econometria...
Resenha da Livraria Siciliano.
Editora: Jorge Zahar
Autor: LEONARD MLODINOW
Ano: 2009
Número de páginas: 264

domingo, 24 de julho de 2011

Ghost Bike - um cortejo para Rubão


Nessa terça-feira, dia 26 de julho, um cortejo de ciclistas levará uma ghost bike para ser afixada no local da Via Expressa onde o ciclista Rubens Vieira Matos foi atropelado e morto no último dia 17 por um motorista alcoolizado que falava ao celular. A ghost bike, espécie de cruz ciclística, é uma bicicleta branca utilizada em memória de mais uma vítima sobre duas rodas da barbaridade do trânsito brasileiro, e em protesto contra a imprudência, a negligência e a impunidade que fazem com que se percam nas ruas e estradas do país mais de 50 mil vidas todos os anos. O cortejo sairá às 20h da Praça da Liberdade e seguirá pelas Avenidas João Pinheiro, Afonso Pena, Espírito Santo, Andradas, e de lá seguiremos pela Via Expressa, até a altura do número 5.000 dessa última, onde ocorreu o homicídio. Outro grupo sairá da Igrejinha da Pampulha em direção à Via Expressa no mesmo horário. A intenção é fazer a população perceber que essa realidade macabra vai perdurar enquanto o poder público e ela mesma seguirem tratando como "acidentes" e "fatalidades" crimes cometidos ao volante.

Blog Mountain Bike BH
Ponto de encontro: Praça da Liberdade
Horário do encontro:19h30
Horário de saída: 20h00
Quilometragem pedalada: 11km (ida)

sábado, 23 de julho de 2011

Sem mim - novo espetáculo do Grupo Corpo

Jornal O tempo, 15/07
SORAYA BELUSI
Fotos de Gustavo Andrade
O mar é o sujeito. É ele quem leva o amor que partiu, mas também é por meio dele que nasce a esperança do retorno de quem deixou em sua amada o sentimento de ausência. Nesse universo lírico, nasce o novo espetáculo do Grupo Corpo, com estreia marcada para o dia 4 de agosto, em São Paulo, com temporada em Belo Horizonte de 17 a 21 do mesmo mês.
O Magazine acompanhou com exclusividade o ensaio da companhia mineira na última quarta-feira e conversou com o coreógrafo Rodrigo Pederneiras sobre suas escolhas artísticas para esse novo trabalho, intitulado "Sem Mim".
A primeira constatação: todos os caminhos levam ao mar. A primeira imagem que se vê no palco tomado pelos 20 bailarinos é justamente uma representação do movimento das ondas, com os intérpretes realizando uma espécie de maré de suspensão, com movimentos fluidos, leves e contínuos.
O mar não chegou a Minas por acaso. Como em todo processo de criação da companhia, a primeira fagulha vem sempre pela trilha sonora. Desta vez, a missão ficou a cargo do galego Carlos Nuñez e do brasileiro José Miguel Wisnik, que construíram um diálogo lírico e musical entre a sonoridade galega e a brasileira, tendo como base as canções de amigo atribuídas ao trovador de Martín Codax, escritas no século XIII.
"Eles chamam esses textos de canções de amigo, mas, na verdade, elas falam de amor. Nesse trabalho, a primeira referência é mesmo o mar, aquele que leva o amor e que pode trazê-lo de volta. É ele o ´personagem´ central. Trabalhamos com essa imagem de alguém que espera um outro alguém", conta.

Neste diálogo de tradições, a gaita de fole, tão cara à Galícia, se encontra com a viola, o pandeiro e o lundu. "Com a estrutura criada pela trilha, a gente começa com a sonoridade mais celta e desemboca no Brasil. A trilha vai se soltando", explica Rodrigo, em um bate-papo após o ensaio. "Quando se pensa na gaita de fole, já vem à cabeça das pessoas essa imagem dos filmes medievais. Mas esse instrumento tem uma origem muito mais ampla, inclusive sendo muito tradicional na Galícia. O legal foi perceber como devemos muito a eles cultural e musicalmente", afirma o coreógrafo.
No arranjo criado por Wisnik, essas referências são somadas de forma orgânica, estabelecendo realmente a ideia de que uma coisa é originária da outra. "Em um certo momento, eles (Wisnik e Nuñez) unem uma alvorada em um lundu e que vai desembocar em Bach. Você circunda o planeta com essa música", avalia.
Diretor artístico do grupo, Paulo Pederneiras faria ontem seu primeiro teste de cenário e iluminação para o novo trabalho. Um grande véu preto que pende do teto do local de ensaio já dava sinais do que o artista está criando. Se a luz e a cor foram as grandes "estrelas" de sua mais recente criação ("Ímã", de 2009), a ideia de paisagem é o que inspira em "Sem Mim". É desse tecido (na verdade sacas usadas para cobrir plantações) que surgirá uma série de formas destinadas a propor significados ao público. "Claro que isso não será explícito, mas iremos remeter aos elementos que o mar sugere: mar, montanha, rede de pescar, nuvem, barco...)", antecipa.
A cor aparece, mas sempre sobre a base preta. "Basicamente, estou pensando em branco, âmbar, vermelho e um azul profundo", afirma Paulo.
Rodrigo frisa a amplitude de significados que contém o mar. E é justamente essas várias facetas que nortearam sua composição coreográfica. "O mar é quase uma entidade. Ele é masculino e feminino ao mesmo tempo, e essa separação é muito clara nesse novo balé. É violento e, ao mesmo tempo, delicado. Pode ser calmo ou agitado. Mata, destrói, mas também é um provedor. O mar é síntese da vida. A ideia foi brincar com todos esses lados", adianta.
O vocabulário que é a cara de Rodrigo e, consequentemente, do Grupo Corpo, está presente nesse trabalho: a quebra com a cabeça, a valorização do movimento dos quadris, o jogo dos pés, a utilização da pélvis, os giros e torções. "E o mar chega na coreografia pelos movimentos ondulados, com todas as suas nuances possíveis".

Montanha Cega

“Montanha Cega” conta a história de uma jovem chinesa de nível superior que é enganada, seqüestrada e vendida para ser esposa de um homem ignorante em uma inacreditável sociedade existente no final do Século XX. A tragédia do filho único parece elucidar esta barbaridade...


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Uma senhora toma chá

Uma leitura intrigante do começo ao fim. O autor conta como a estatística transformou radicalmente os métodos de pesquisa na ciência, aumentando a credibilidade da investigação em diversos campos do saber, tais como a medicina, a política e a publicidade. Tudo de forma leve, partindo de quadros biográficos como o que inspirou o título dessa edição. Um grupo de professores ingleses se reuniu no fim de 1920 para tomar chá numa tarde de verão. O assunto se voltou para uma pergunta curiosa: o gosto do chá muda de acordo com a ordem em que as ervas e o leite são colocados? Essa simples questão resultou em um estudo pioneiro na área. Você vai descobrir como a estatística se transformou na maior revolução científica do século XX e perceber como está presente nos mais diferentes campos de nossas vidas. . Prefácio escrito pelo autor especialmente para a edição brasileira, com os desenvolvimentos da estatística no país.

Editora: Jorge Zahar
Autor: DAVID SALSBURG, & JOSÉ MAURÍCIO GRADEL
Ano: 2008
Número de páginas: 288

terça-feira, 19 de julho de 2011

Circuito Lotus


Data: 31 de julho de 2011
Local: Av. José Maria de Alkimim, próximo ao Ponteio Lar Shopping – Belvedere
Percurso: 5 e 10K
Horário de Largada: 8h00

domingo, 17 de julho de 2011

Só um lembrete

Epitáfio
Titãs
Composição: Sérgio Britto

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger

Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr

Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Rubens Alves

A vida e a Manga
Rubem Alves
O velho caipira, com cara de amigo, que encontrei num Banco, estava esperando para ser atendido. Ele ia abrir uma conta. Começo de um novo ano... Novas perspectivas... E como não podia deixar de ser, também começou ali um daqueles papos de fila de banco. Contas, décimo terceiro que desapareceu, problemas do Brasil, tsunami... Será que vai chover?
Mas em determinado momento a conversa tomou um rumo: " - Qual é então o maior problema do Brasil para ser resolvido? "E aí o representante rural, nosso querido "Mazaropi da modernidade", falou com um tom sério demais para aquele dia:
" - O Maior Problema do Brasil é que sobra muita manga! "
Tentei entender a teoria... Fez-se um silêncio e ele continuou: “- O senhor já viu como sobra manga hoje debaixo das árvores? Já percebeu como se desperdiça manga? "Sim... Creio que todos já percebemos isto... Onde tem pé de manga, tem sobrado manga... E aí ele continuou:
" - Num país onde mendigo passa fome ao lado de um pé de manga... Isso é um absurdo! Num país que sobra manga tem pouca criança. Se tiver pouca criança as casas são vazias... Ou as crianças que tem já foram educadas para acreditar que só "ice cream" e jujuba são sobremesas gostosas. Boa é criança que come manga e deixa escorrer o caldo na roupa... É sinal que a mãe vai lavar, vai dar bronca, vai se preocupar com o filho. Se for filho tem pai...
Se tiver pai e manga de sobremesa é por que a família é pobre... Se for pobre, o pai tem que ser trabalhador... Se for trabalhador tem que ser honesto... Se for honesto, sabe conversar... Se souber conversar, os filhos vão compreender que refeição feliz tem manga que é comida de criança pobre e que brinca e sobe em árvore... Se subir em árvore, é por que tem passarinho que canta e espaço para a árvore crescer e para fazer sombra... Se tiver sombra tem um banco de madeira para o pai chegar do trabalho e descansar...
Quem descansa no banco, depois do trabalho, embaixo da árvore, na sombra, comendo manga é por que toca viola... E com certeza tá com o pé na grama... Quem pisa no chão e toca música tem casa feliz... Quem é feliz e canta com o violeiro, sabe rezar... Quem sabe rezar sabe amar... Quem ama, se dedica... Quem se dedica, ama, reza, canta e come manga, tem coração simples... Quem tem coração assim, louva a Deus.
Quem louva a Deus, não tem medo... Nada faltará porque tem fé... Se tiver fé em Deus, vê na manga a providência divina... Come a manga, faz doce, faz suco e não deixa a manga sobrar... Se não sobra manga, tá todo mundo ocupado, de barriga cheia e feliz. Quem tá feliz... Não reclama da vida em fila do banco... "
Daí fez-se um silêncio...

domingo, 10 de julho de 2011

Descomplicar

Vocabulário feminino

Leila Ferreira

Se eu tivesse que escolher uma palavra - apenas uma - para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje, essa palavra seria um verbo de quatro sílabas: descomplicar. Depois de infinitas (e imensas) conquistas, acho que está passando da hora de aprendermos a viver com mais leveza: exigir menos dos outros e de nós próprias, cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa, olhar menos para o espelho. Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão falada qualidade de vida que queremos - e merecemos - ter.
Mas há outras palavras que não podem faltar no kit existencial da mulher moderna. Amizade, por exemplo. Acostumadas a concentrar nossos sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas, acabamos deixando as amigas em segundo plano. E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para uma mulher quanto a convivência com as amigas. Ir ao cinema com elas (que gostam dos mesmos filmes que a gente), sair sem ter hora para voltar, compartilhar uma caipivodca de morango e repetir as histórias que já nos contamos mil vezes - isso, sim, faz bem para a pele. Para a alma, então, nem se fala. Ao menos uma vez por mês, deixe o marido ou o namorado em casa, prometa-se que não vai ligar para ele nem uma vez (desligue o celular, se for preciso) e desfrute os prazeres que só uma boa amizade consegue proporcionar.
E, já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulário duas palavras que têm estado ausentes do cotidiano feminino: pausa e silêncio. Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos, três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia - não importa - e a ficar em silêncio. Essas pausas silenciosas nos permitem refletir, contar até 100 antes de uma decisão importante, entender melhor os próprios sentimentos, reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso.
Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir. Não há creme anti-idade nem botox que salve a expressão de uma mulher mal-humorada. Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas do nosso dia a dia. Se for preciso, pegue uma comédia na locadora, preste atenção na conversa de duas crianças, marque um encontro com aquela amiga engraçada - faça qualquer coisa, mas ria. O riso nos salva de nós mesmas, cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.
Quanto à palavra dieta, cuidado: mulheres que falam em regime o tempo todo costumam ser péssimas companhias. Deixe para discutir carboidratos e afins no banheiro feminino ou no consultório do endocrinologista. Nas mesas de restaurantes, nem pensar. Se for para ficar contando calorias, descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa do companheiro de mesa com reprovação e inveja, melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface e seu chá verde sozinha.
Uma sugestão? Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que, essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia: gentileza. Ter classe não é usar roupas de grife: é ser delicada. Saber se comportar é infinitamente mais importante do que saber se vestir. Resgate aquele velho exercício que anda esquecido: aprenda a se colocar no lugar do outro, e trate-o como você gostaria de ser tratada, seja no trânsito, na fila do banco, na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado, na academia.
E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser indissociáveis da vida: sonhar e recomeçar. Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana na praia, o curso que você ainda vai fazer, a promoção que vai conquistar um dia, aquele homem que um dia (quem sabe?) ainda vai ser seu, sonhe que está beijando o Richard Gere... sonhar é quase fazer acontecer. Sonhe até que aconteça. E recomece, sempre que for preciso: seja na carreira, na vida amorosa, nos relacionamentos familiares. A vida nos dá um espaço de manobra: use-o para reinventar a si mesma.
E, por último (agora, sim, encerrando), risque do seu Aurélio a palavra perfeição. O dicionário das mulheres interessantes inclui fragilidades, inseguranças, limites. Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita, a dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo, a esposa nota mil. Acima de tudo, elimine de sua vida o desgaste que é tentar ter coxas sem celulite, rosto sem rugas, cabelos que não arrepiam, bumbum que encara qualquer biquíni. Mulheres reais são mulheres imperfeitas. E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres livres. Viver não é (e nunca foi) fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem (e a busca da perfeição pesa toneladas), a tão sonhada felicidade fica muito mais possível.

Adorei! Meninas, que dia vamos sair para passear?!

sábado, 9 de julho de 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mielina e o óleo de Lorenzo

A partir da terceira idade ficamos mais inteligentes! É o que a pesquisa que postei no dia 04 de julho diz:
"Os cientistas descobriram que a facilidade para raciocínios complexos pode ser explicada por mudanças físicas no cérebro. A camada de mielina, um tipo de gordura que reveste as células nervosas e faz com que as informações viagem mais rápido, aumenta progressivamente com o passar dos anos e atinge seu pico por volta dos 50 anos."

E por falar em mielina, vamos falar de um filme baseado numa história real: O Óleo de Lourenzo.
A adrenoleucodistrofia, também conhecida pelo acrônimo ALD, é uma doença genética rara, incluída no grupo das leucodistrofias, e que afeta o cromossomo X, sendo uma herança ligada ao sexo de caráter recessivo transmitida por mulheres portadoras e que afeta fundamentalmente homens (cerca de 35% dos portadores da doença são meninos entre 4 e 10 anos).
Aos 5 anos, Lorenzo recebe o diagnóstico - viveria apenas mais 2 anos.
O acúmulo de gorduras saturadas desgasta a mielina presente no neurônio, o que provoca uma incurável degeneração no cérebro.
Os pais de Lorenzo, na luta desesperada para salvar o filho, estudando horas a fio, compreendem o mecanismo bioquímico da mielina e criam o óleo de Lorenzo, a designação de uma mistura, na proporção 4:1, de trioleína e trierucina, os triacilglicerois derivados, respectivamente, dos ácidos oleico e erúcico, preparados a partir dos óleos de oliva e colza.

Lorenzo Odone morreu aos 30 anos, em 30 de maio de 2008, um dia depois de fazer trinta anos, por causa de uma pneumonia. Lorenzo viveu 20 anos a mais que os médicos previram.
 

Tudo esta leitura "técnica" em função de um trabalho na pós-graduação, na disciplina de Métodos e Técnicas de Pesquisa, sobre tema/justificativa/problema/objetivos - pré projeto do TCC.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Laser ajuda a proteger ciclistas

Eduardo Pegurier
21.06.2011

O tipo mais frequente de acidentes envolvendo ciclistas ocorre quando estão em linha reta e um motorista de carro distraído corta a sua trajetória e os atropela. “Mesmo que o ciclista se ilumine como uma árvore de Natal, ainda ficará invisível se estiver no ponto cego de um ônibus”, diz Emily Broke, estudante da Universidade de Brighton, que criou um mecanismo que tenta remediar o problema. Trata-se do Blaze, um pequeno laser que funciona com baterias e projeta uma imagem de bicicleta à frente do ciclista, anunciando a sua chegada.
A luz verde do Blaze pode ser vista de dia ou de noite. O propósito de Emily era “resolver o problema dos ciclistas aumentando sua visibilidade, sua pegada e, em última instância, a percepção dos outros veículos sobre a sua presença”. A inventora, que acabou de terminar a graduação em design de produto, ganhou com o projeto uma bolsa de estudos nos EUA, concedida por um programa de empreendedorismo.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Vanilla Cafè


Mesmo morando na capital, reconheço que existem locais famosos que nunca frequentei, que mal conheço.
Shopping Boulevard foi inaugurado há 8 meses e somente neste final de semana conheci aquele que elegi como um espaço bem aconchegante e recomendável ;))
Será que foi porque cheguei antes da abertura das lojas? E estava tudo calminho, calminho, sem tumultos?!
Pode ser! Mas confesso que, até então, não havia experimentado um capuccino tão gostoso: Vanilla Cafè !!
Meninas, que tal esta franquia?!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Flip - Festa Literária Internacional de Paraty

Acontece de 6 julho, quarta-feira até domingo, dia 10 de julho.

“Tenho sorte com Parati. Estava no Rio de Janeiro, lendo jornais antigos, para escrever a “Nação Crioula”, quando um temporal violento provocou inundações na Biblioteca Nacional. Com a Biblioteca Nacional encerrada fui de ônibus, sozinho, até Parati, e por ali fiquei umas duas semanas, escrevendo as primeiras páginas do romance, em bares, restaurantes, e nos bancos de jardim. Regressei a Parati, convidado pela FLIP, para um debate com Caetano Veloso. Costumo dizer que a minha relação ao Brasil, enquanto escritor, tem dois momentos: AC e DC. Antes de Caetano e Depois de Caetano. Devo a Caetano, e à FLIP, muitos dos meus leitores brasileiros.

Nos últimos anos os livros levaram-me a viajar muito. Escritores transformaram-se numa espécie de caixeiros-viajantes dos seus próprios títulos. Estive em festivais literários um pouco por todo o mundo. Não conheço nenhum com o charme da FLIP. Em primeiro lugar há o cenário. A pequena cidade histórica, com o seu belo casario colonial, e o mar, ao fundo, semeado de ilhas verdes. Depois a simpatia das pessoas, o clima de rave, tudo aquilo que deve ser um encontro à volta do livro – uma enorme festa.
Finalmente nota dez para a organização. Um escritor chega e não se sente perdido, como acontece em muitos dos grandes festivais que visitei.
Espero voltar ainda muitas vezes, como leitor, para viver essa festa e acompanhar conversas à volta dos livros que eu mais gosto, dentro e fora das tendas.”
José Eduardo Agualusa nasceu em Angola e é autor de O Ano em que Zumbi Tomou o Rio, Naçāo Crioula , Barroco Tropical, entre outros.
O Vendedor de Passados e Manual Prático de Levitação são outras dicas de Peregrina Cultural.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Por que os mais velhos são mais inteligentes

É uma reportagem grande, porém, não está disponível para não assinantes e é muitíssimo interessante...
É a ratificação que ainda tenho solução, kkk
Estou perdoada por esquecer palavras e nomes...

Época, 04 julho 2011
Como a idade faz nosso cérebro florescer
A ciência conseguiu identificar a base neurológica da sabedoria. A partir da meia-idade as pessoas podem até esquecer nomes, mas tornam-se – acredite – mais inteligentes
Marcela Buscato. Com Bruno Segadilha e Teresa Perosa

A partir de um certo momento da vida, que, para a maioria de nós, começa depois do aniversário de 40 anos, a grande questão neurológica se resume a uma pergunta: aonde diabos foram parar todos os nomes que eu esqueço? No início, desaparece o nome de uma atriz famosa. Depois, some o nome dos filmes que ela fez. Mais adiante, você não consegue achar no mar de neurônios o nome do famoso marido dela, muito menos o do outro ator, manjadíssimo, com quem ela contracenou em seu trabalho mais célebre. A débâcle ocorre no almoço de domingo em que você se percebe, diante da cara divertida de seus filhos, tentando explicar: “Aquele filme, com aquela atriz australiana, casada com aquele outro ator...”.
Essa, você já sabe – ou vai descobrir dentro de algumas décadas –, é a parte chata de um cérebro que bateu na meia-idade. Ela vem junto com muitas piadas e uma dose elevada de ansiedade em relação ao futuro. O que você não sabe, mas vai descobrir nas próximas páginas, é que existe outro lado, inteiramente positivo, das transformações cerebrais trazidas pelo tempo. “Conforme envelhecemos, o cérebro se reorganiza e passa a agir e pensar de maneira diferente. Essa reestruturação nos torna mais inteligentes, calmos e felizes”, diz a americana Barbara Strauch, autora de O melhor cérebro da sua vida. O livro, recém-lançado no Brasil pela editora Zahar, reúne argumentos que fazem a ideia de envelhecer – sobretudo do ponto de vista intelectual – bem menos assustadora do que costuma ser.
Editora de saúde do jornal The New York Times, um dos mais influentes dos Estados Unidos, Barbara resolveu investigar o que estava acontecendo com seu cérebro. Aos 56 anos, estava cansada de passar pela vergonha de encontrar um conhecido, lembrar o que haviam comido na última vez em que jantaram juntos, mas não ter a mínima ideia de como se chamava o cidadão. Queria entender por que se pegava parada em frente a um armário sem saber o que tinha ido buscar. Barbara não entendia como o mesmo cérebro que lhe causava lapsos de memória tão evidentes decidira, nos últimos tempos, presenteá-la com habilidades de raciocínio igualmente surpreendentes. Ela sentia que, simplesmente, “sabia das coisas”, mas, ao mesmo tempo, se exasperava com a quantidade imensa de nomes e referências que pareciam estar sumindo na neblina da memória. Como pode ser?
É provável que essa mesma pergunta já tenha passado pela cabeça de muitos que chegaram aos 40 anos rumo às fronteiras da meia-idade, um período cada vez mais dilatado em que podemos passar um tempo enorme de nossa existência. Com o aumento da expectativa de vida, a fase intermediária da vida, entre os 40 e os 68 anos, tornou-se uma espécie de apogeu. Nesses anos é possível aliar o vigor reminiscente da juventude à sabedoria da velhice que se insinua – desde que se saiba identificar, e abraçar, as mudanças que acometem o cérebro maduro. Ele já não é o mesmo que costumava ser. Mas as mudanças o transformaram num instrumento melhor. “Para o ignorante, a velhice é o inverno; para o sábio, é a estação de colheita”, diz o Talmude.


Fontes: Schaie, K. W. & Zanjani, F. (2006). Intellectual development across adulthood, In c. Hoare (Ed.),
Oxford handbook of adult development and learning. (pp. 99-122) New York: Oxford University Press


A jornalista Marília Gabriela, considerada a melhor entrevistadora do país, é especialista nas delícias e nos suplícios de um cérebro de meia-idade: “Eu não sei se é a idade ou se é o excesso de informações, mas eu esqueço o que as pessoas me dizem”. Aos 63 anos, Gabi, como é mais conhecida, pode até se esquecer de detalhes de conversas, mas mantém o raciocínio afiado para encurralar políticos e celebridades nos três programas apresentados por ela semanalmente. “Hoje, sou capaz de fazer análises rápidas sobre aspectos que as pessoas nem precisam me explicar”, afirma. “Leio nas entrelinhas, pego pelo olhar.”
A nova ciência do envelhecimento, retratada por Barbara em seu livro, conseguiu decifrar o caráter das mudanças por trás dessas percepções aparentemente contraditórias. Os pesquisadores aproveitaram a popularização das técnicas de ressonância magnética – nos últimos 15 anos, o número de estudos aumentou dez vezes – para flagrar o cérebro em pleno funcionamento. Eles descobriram que, sim, há um desgaste natural das células nervosas como se pensava. Mas ele é localizado e circunscrito, assim como seus prejuízos à mente.
Um estudo feito pela equipe do neurocientista americano John Morrison, da Escola de Medicina Monte Sinai, em Nova York, analisou o que acontece com alguns pequenos botões localizados no corpo dos neurônios. Eles ajudam a captar as informações. Os cientistas descobriram que apenas um tipo desses botões sofre com o envelhecimento. São os menores, envolvidos no processamento de novas informações – onde parei o carro, onde estão as chaves ou como chama a nova namorada do meu amigo? Quase 50% desses receptores perdem a atividade. Mas outro tipo, encarregado de lembrar de grandes acontecimentos e de informações enraizadas em nossa mente, como habilidades profissionais, não sofre dano algum.
Se alguns neurônios podem ser danificados pelo tempo, há outros – até mesmo regiões inteiras do cérebro – que passam a funcionar melhor. “O raciocínio complexo, usado para analisar uma situação e encontrar soluções, é aprimorado”, diz o psiquiatra americano Gary Small, diretor do Centro de Envelhecimento da Universidade da Califórnia em Los Angeles.
Aos 49 anos, o artista plástico Vik Muniz está no auge de sua carreira. O sucesso, claro, é consequência da carreira produtiva iniciada aos 20 anos. Mas as habilidades aprimoradas por seu cérebro ao longo dos anos também têm seu quinhão de influência sobre o sucesso recente. Em 2008, foi o primeiro brasileiro a organizar uma mostra no museu de arte moderna de Nova York, o MoMa. Em 2007, começou o projeto Fotografias do Lixo no Jardim Gramacho, uma comunidade de catadores de lixo no Rio de Janeiro. Muniz recriou os personagens que encontrou e produziu algumas de suas mais belas obras. O processo de trabalho foi filmado e virou o documentário Lixo extraordinário, que concorreu ao Oscar da categoria neste ano. “Agora, sou uma pessoa mais focada e objetiva. Vou diretamente aos assuntos, não tenho tempo a perder”, diz Muniz. “Em poucos minutos de conversa já sei, por exemplo, com quem conseguirei desenvolver uma relação mais íntima.”
Um casal de pesquisadores comprovou o que Barbara, Gabi e Muniz sentem na prática. Os psicólogos americanos Warner Schaie e Sherry Willis, professores da Universidade de Washington, criaram em 1956 um projeto de pesquisa para acompanhar o desenvolvimento de 6 mil voluntários durante décadas. Esse tipo de estudo é o mais preciso que existe, uma vez que permite aos cientistas avaliar quanto uma pessoa amadureceu emocionalmente e quais habilidades cognitivas aprimorou.


A cada sete anos, Warner e Sherry submetiam os voluntários a uma bateria de testes de inteligência. Eles tinham de responder a questões que mediam a habilidade verbal (encontrar sinônimos para uma palavra), a memória verbal (lembrar palavras lidas em uma lista), a orientação espacial (virar símbolos e objetos), a capacidade de resolver problemas (completar sequências lógicas) e a habilidade numérica (problemas de adição e subtração).
A compilação de anos de estudo mostrou que os voluntários tiveram melhor desempenho em três habilidades – verbal, espacial e resolução de problemas – entre os 1940 anos e 1960 anos. Após esse período, havia um declínio nítido na pontuação dos voluntários. Mas cada pessoa apresentava um declínio maior em uma ou duas habilidades, nunca em todas as cinco.
As transformações do cérebro que explicam a melhora das habilidades cognitivas durante a meia-idade estão entre as descobertas mais interessantes da ciência nos últimos tempos. Elas revelam as origens biológicas da sabedoria trazida pela maturidade. Os cientistas descobriram que a facilidade para raciocínios complexos pode ser explicada por mudanças físicas no cérebro. A camada de mielina, um tipo de gordura que reveste as células nervosas e faz com que as informações viagem mais rápido, aumenta progressivamente com o passar dos anos e atinge seu pico por volta dos 50 anos. “No começo da vida, os circuitos motores e os encarregados pela fala recebem a maior parte da mielina”, diz o neurologista George Bartzokis, pesquisador da Universidade da Califórnia, responsável pela descoberta. “À medida que envelhecemos, os circuitos que permitem analisar contextos e que nos fazem ficar mais espertos são os que recebem mais mielina.”
Os pesquisadores também descobriram que, conforme envelhecemos, mudamos o padrão de ativação cerebral. Isso significa que acionamos áreas diferentes das usadas anteriormente para fazer as mesmas tarefas. A região frontal do cérebro, encarregada da racionalidade, passa a concentrar a maior parte das atividades. A área posterior da cabeça, onde estão algumas das estruturas ligadas a nossas respostas emocionais, é acionada com menos frequência. Outra mudança significativa: para realizar a mesma tarefa de adultos jovens (de até 30 anos), os mais velhos usam mais áreas do cérebro. Em vez de usar regiões de apenas uma metade do cérebro, passam a usar as duas. Os cientistas ainda não estão certos sobre o que essas mudanças representam. Há duas possibilidades. A primeira, menos agradável, é que o cérebro esteja ficando velho a ponto de não reconhecer mais as áreas encarregadas de cada atividade. A segunda hipótese é mais reconfortante: o cérebro pode, sim, estar ficando velho. Mas, ao redirecionar funções para áreas diferentes e para mais regiões, dá mostras de que é capaz de se adaptar e manter seu bom funcionamento.
“Não sabemos qual das duas hipóteses é verdadeira”, diz a neurocientista Cheryl Grady, pesquisadora da Universidade de Toronto, no Canadá, e uma das primeiras a notar mudanças no padrão de ativação. “Provavelmente, as duas estão certas. Para algumas tarefas, o cérebro pode perder a precisão. Para outras, pode usar mecanismos compensatórios.”
É irresistível pensar que, talvez, a superativação do cérebro, representada pelo uso simultâneo de várias áreas, possa estar por trás das melhoras de raciocínio relatadas por quem está na meia-idade – e comprovadas pelos pesquisadores. Os cientistas descobriram que um sistema muito especial do cérebro, formado por circuitos localizados em camadas profundas do órgão, está constantemente ativado nos adultos de meia-idade. O sistema, chamado de modo- padrão, é usado nos momentos de reflexão, quando pensamos sobre o que aconteceu recentemente, fazemos balanços e traçamos planos para nós mesmos. Os pesquisadores concluíram que os adultos simplesmente não conseguem desligar o modo-padrão, algo que os jovens fazem quando estão envolvidos em uma tarefa. Os adultos, mesmo quando estão concentrados, continuam o bate-papo interno com eles mesmos.
“O modo-padrão do cérebro ainda é um completo mistério”, diz a neurocientista Patricia Reuter-Lorenz, pesquisadora da Universidade de Michigan. Estar em constante reflexão pode nos tornar distraídos, mas também pode ajudar a ter boas ideias. Isso explicaria por que adultos de meia-idade têm o raciocínio afiado, embora não lembrem onde puseram a carteira.
O cérebro de meia-idade pode ganhar habilidades surpreendentes conforme envelhecemos, mas isso não acontece com todos. Os cientistas perceberam que só os adultos que sempre tiveram hábitos saudáveis e vida intelectual ativa apresentaram a superativação. Há indícios de que a prática frequente de exercícios físicos promove o nascimento de novos neurônios em uma região do cérebro associada à memória. E atividades que desafiam o cérebro, como aprender uma nova língua ou até mesmo exercícios de memória, evitam que áreas do cérebro “enferrugem”. É como se essas atividades criassem uma reserva de neurônios que pode ser usada pelo cérebro quando ele entra em declínio. “Se a pessoa conseguiu criar uma boa reserva, é provável que tenha mais mecanismos para suprir deficiências causadas pelo envelhecimento”, diz o neurologista Ivan Okamoto, pesquisador do Instituto da Memória da Universidade Federal de São Paulo.
Há poucos anos, a meia-idade costumava ser considerada uma fase de crises, desencadeadas pela percepção dos primeiros lapsos de memória. Eles seriam sinal inequívoco da aproximação da velhice e, consequentemente, da morte. A percepção da brevidade da vida despertaria um conjunto de comportamentos chamado pelo psicólogo canadense Elliott Jaques de crise da meia-idade – sim, a famosa. Entre os sintomas descritos por Jaques no artigo de 1965 que deu origem ao termo estão “preocupação doentia com a saúde e a aparência”, “promiscuidade sexual” e “ausência de verdadeiro prazer em viver”. Esse tipo de comportamento pode ser facilmente encontrado entre pessoas de meia-idade, mas o conceito não tem base científica.
Jaques propôs sua teoria ao analisar casos de artistas que teriam mudado o estilo de suas obras após os 40 anos – um grupo pequeno e específico demais. Um dos estudos mais abrangentes a averiguar o nível de bem-estar nessa fase da vida mostrou que a maioria das pessoas se diz mais feliz do que antes. Segundo levantamento com 8 mil americanos da Fundação MacArthur, instituição privada de fomento à pesquisa nos Estados Unidos, apenas 5% dos entrevistados apresentavam reclamações. E, mesmo entre esses, a maioria já enfrentara problemas semelhantes em outras épocas – o que isentaria a culpa da meia-idade.
Aos 52 anos, o físico Marcelo Gleiser, professor do Dartmouth College, nos Estados Unidos, diz ter encontrado serenidade, e não angústia. “Quando você fica mais velho, torna-se mais calmo e seguro”, afirma. Ele diz ser capaz de escolher desafios com mais critério, para concentrar tempo e energia em problemas que possa resolver. “Conhecer os próprios limites dá paz de espírito.” Os estudos de neurociência sugerem que essa pacificação interior também está relacionada a alterações do cérebro. A equipe da psicóloga Mara Mather, da Universidade do Sul da Califórnia, mostrou imagens tristes e repulsivas a voluntários maduros e a jovens. Concluiu que nos mais velhos a área do cérebro responsável pelas emoções reagia menos às figuras negativas. Concluiu que era um sistema de proteção. O cérebro parecia escolher dar menos atenção ao lado ruim da vida. Há nisso mais inteligência e sabedoria do que um cérebro jovem talvez seja capaz de perceber.

domingo, 3 de julho de 2011

Abate humanitário

Paraná adere a programa de abate humanitário de animais

Médicos veterinários da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) estão sendo capacitados para assegurar o respeito, no Estado, às normas do abate humanitário de bovinos, suínos e aves

A fiscalização do abate segundo essas normas será incorporada a partir deste ano à rotina do Serviço de Inspeção do Paraná (SIP) do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis). A previsão é que até o primeiro quadrimestre de 2012 todos os frigoríficos paranaenses já tenham aderido ao abate humanitário de animais de produção.
Curso - Esta semana, veterinários da Seab estão fazendo um curso de três dias, ministrado por dirigentes da Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA) - uma organização não-governamental que firmou parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O curso começou em Curitiba na terça-feira (14/06) e será encerrado nesta quinta-feira (16/06). Além da capacitação, o curso visa a conscientização das estruturas de governo e dos frigoríficos para a importância do tema.
Multiplicadores - Participam cerca de 48 profissionais, entre dirigentes e fiscais do serviço de inspeção estadual e federal. Ao longo do ano serão ministrados mais 50 cursos em todo o Estado. Eles serão levados a todas as regiões com concentração de frigoríficos e dirigidos aos funcionários desses estabelecimentos. Os participantes dos cursos regionais deverão ser multiplicadores das boas práticas de abate de animais para outros funcionários.
Orientações - As orientações são passadas por meio de vídeos e manuais. Segundo a médica veterinária Charli Ludtke, coordenadora do Programa Nacional de Abate Humanitário e gerente de animais de produção da WSPA, o objetivo do material é conscientizar sobre a melhor forma de manejo e cuidados que se deve ter com os animais antes do abate.
Comprometimento - "O que queremos é comprometer as pessoas envolvidas com o manejo dos animais em ambiente calmo e tranquilo, melhorando também as condições de trabalho das pessoas que trabalham no abate", disse Charli. Ele ressalta que toda a atividade precisa ser planejada e organizada, o que é bom também para a produtividade. "Animais mais calmos têm menor risco de lesões e, assim, de causar perdas econômicas significativas para os produtores e agroindústrias", acrescentou. Segundo Charli, a interação do homem com os animais e a condução dos animais nas instalações tem de ser harmoniosa. E isso deve iniciar na propriedade, durante a criação, e persistit até o transporte e frigorífico.
Princípios - Entre os princípios básicos que devem ser observados estão os métodos de manejo e instalações que diminuem o estresse e o sofrimento dos animais; emprego de pessoal competente, bem treinado, atento e cuidadoso; equipamento apropriado que seja ajustado ao propósito; insensibilização eficaz durante o abate, induzindo os animais à imediata perda da consciência e insensibilidade à dor; e garantia de que o animal não retorne àa consciência até ocorrer a morte.
Existente - Para o chefe do Serviço de Inspeção do Paraná (SIP), Horácio Slongo, o abate humanitário já existe no Paraná, com o banimento em muitos frigoríficos de técnicas arcaicas como a marretada ou excesso de choque nos animais. "O papel do médico veterinário é cuidar para que os animais sofram o menos possível no momento do abate", disse.
Consequências econômicas - A coordenadora da WSPA ressalta que o abate humanitário também tem consequências econômicas, já que o animal que sofre menos estresse na hora do abate gera carne de melhor qualidade. "Um bovino estressado no momento do abate pode produzir uma carne mais escura e endurecida", afirma. No caso de suínos, a carne pode ficar mais pálida, mole e liberar muita água.
Instrução Normativa - A implantação do programa de capacitação sobre o abate humanitário atende à Instrução Normativa 3 do Ministério da Agricultura e Abastecimento, de 2008, que determina as boas práticas em todo o País. Em função da parceria entre o ministério e a WSPA, a capacitação da fiscalização está sendo levada aos estados e municípios brasileiros para que o serviço seja adotado e os treinamentos virem rotina nos frigoríficos. Portal do Agronegócio, 17/06/2011

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Código Brasileiro de Trânsito

LEI Nº 9.503, DE 23 DE SETEMBRO DE 1997.

CAPÍTULO XV
DAS INFRAÇÕES
Art. 201. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta:
Infração - média;
Penalidade - multa.