sexta-feira, 29 de abril de 2011

Didi e Lelena x Gandarela

Obaaaa, que delícia!
Programa imperdível...  muitas coisa boa no mesmo local...

Foto de João Baptista

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Lavras Novas, outra vez!

Lembram quando postei sobre Lavras Novas?!
Falei também que a Serra de Ouro Branco estava entre minhas pretensões...
Vamos unir o útil ao agradável!! Obaaaaa!

terça-feira, 26 de abril de 2011

sábado, 23 de abril de 2011

Copa e Olimpíadas: obras terão licitação mais flexível

Atraso nas providências, nas obras... Leis "desatualizadas" em função da falta de quórum para votações...
Basta, neste caso, um regime especial de licitação! E Medidas Provisórias: o remédio menos democrático do século XXI.
Condições excepcionais a altos custos para recuperar dia tempo perdido.
E nós pagaremos as contas, com certeza!
Daremos um "jeitinho" nos "46 minutos do 2o. tempo" para não sermos um exemplo de vexame internacional.
Será que vai dar tempo?

Mais fotos para guardar....

Inspiração, iluminação, sei lá...
Ainda, as flores...


sexta-feira, 22 de abril de 2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Mininamente feliz

A felicidade é a soma das pequenas felicidades.

Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele momento,
que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar.
Eu já suspeitava que a felicidade com letras maiúsculas não existia,mas dava a ela o benefício da dúvida.

Afinal, desde que nos entendemos por gente
aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo.
Mas ali, vendo aquele outdoor
estrategicamente colocado no meio do meu caminho
(que de certa forma coincidia com o meio da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade,
ao contrário do que nos ensinaram os contos de fadas
e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática,
distribuída em conta-gotas.
Um pôr-de-sol aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado,
um livro que a gente não consegue fechar,
um homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir.

São situações e momentos que vamos empilhando
com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno
e médio porte e até grandes (ainda que fugazes) alegrias.

'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece',
diz Fabiana, também adepta da felicidade homeopática.
'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!)
ou se pego um congestionamento muito menor do que eu esperava,
tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo.

Elis conta que cresceu esperando a felicidade com maiúsculas
e na primeira pessoa do plural:
'Eu me imaginava sempre com um homem lindo do lado,
dizendo que me amava e me levando pra lugares mágicos Agora,
viajando com frequência por causa de seu trabalho,
ela descobriu que dá pra ser feliz no singular:
'Quando estou na estrada dirigindo
e ouvindo as músicas que eu amo,
é um momento de pura felicidade.
Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.

Uma empresária que conheci recentemente
me contou que estava falando e rindo sozinha
quando o marido chegou em casa.
Assustado , ele perguntou com
quem ela estava conversando:
'Comigo mesma', respondeu.
'Adoro conversar com pessoas inteligentes'
Criada para viver grandes momentos,
grandes amores e aquela felicidade dos filmes,
a empresária trocou os roteiros fantasiosos por
prazeres mais simples e aprendeu duas lições básicas:
que podemos viver momentos ótimos
mesmo não estando acompanhadas
e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

Esperar para ser feliz, aliás,
é um esporte que abandonei há tempos.
E faz parte da minha 'dieta de felicidade'
o uso moderadíssimo da palavra 'quando'.
Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega Sena',
'quando eu me casar',
'quando tiver filhos',
'quando meus filhos crescerem',
'quando eu tiver um emprego fabuloso' ou
'quando encontrar um homem que me mereça',
tudo isso serve apenas para nos distrair
e nos fazer esquecer da felicidade de hoje.
Esperar o príncipe encantado, por exemplo,
tem coisa mais sem sentido?
Mesmo porque quase sempre
os súditos são mais interessantes do que os príncipes;
ou você acha que a Camilla Parker-Bowles
está mais bem servida do que a Victoria Beckham?

Como tantos já disseram tantas vezes,
aproveitem o momento, amigos.
E quem for ruim de contas
recorra à calculadora
para ir somando as pequenas felicidades.

Podem até dizer que nos falta ambição,
que essa soma de pequenas
alegrias é uma operação matemática
muito modesta para os nossos tempos. Que digam.
Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia
do que viver eternamente em compasso de espera.

Leila Ferreira
Jornalista, apresentadora de TV e autora do livro
'Mulheres - Por que Será que Elas...', da Editora Globo

quarta-feira, 20 de abril de 2011

terça-feira, 19 de abril de 2011

Uma opinião contra a lei francesa que proíbe o uso da burca

Por que condeno a lei contra a burca
Ruth de Aquino
Época, 14/04/2011

Vi uma mulher de burca pela primeira vez no metrô de Londres, no verão de 1977. Eu tinha 22 anos, e senti pena, repulsa e impotência. Fazia calor nos vagões. Os homens que a acompanhavam falavam alto, ignorando-a. Eu tentava ver os olhos da mulher por trás da tela negra. Seria jovem, idosa? Seu olhar seria resignado ou um pedido mudo de socorro? Conseguiria respirar? Culpei os homens e o fanatismo islâmico. Ali estava uma mulher condenada à ausência de desejos.
Hoje, eu me vejo condenando a nova lei na França. O governo de Nicolas Sarkozy decidiu multar em € 150 toda mulher que, num espaço público, se cobrir com dois tipos de véus muçulmanos: a burca e o niqab, que só insinuam ou mostram os olhos. Dirigir, ir a locais de culto e trabalhar com esses véus pode. Mas caminhar, ir a parques, museus, hospitais etc., não. A lei permite o xador e o hijab, que deixam a face exposta, e não cita o islamismo ou credos religiosos. Proíbe apenas “a dissimulação do rosto”. O slogan é: “A República se vive com o rosto descoberto”.
O que a França consegue com isso? Transformar um símbolo de opressão num símbolo de autodeterminação religiosa e até feminina. Muitos se rebelam contra a arrogância do Estado que decide determinar como a mulher deve se vestir. Chrystelle Khedouche, francesa de 36 anos que se converteu ao islã, disse: “Decidi não usar o véu islâmico... agora, me obrigar a não usar é suprimir minha liberdade”.
Antes que o fundamentalismo católico, ateu ou feminista desabe sobre mim, vamos aos fatos, despidos de preconceitos. Há 5 milhões de muçulmanos na França. Menos de 2 mil mulheres usam burca ou niqab. Em Paris, não passam de 800. Elas se concentram em bairros de imigração árabe. Pela lei, policiais podem pedir que a mulher retire o véu para se identificar, mas não podem forçá-la a nada. Caso ela se recuse, eles a levarão à delegacia, e ela será multada. Essa minoria de muçulmanas já disse não se opor a mostrar o rosto ao pegar filhos na escola, ou à entrada de um banco ou museu. Mas se nega a abrir mão do véu.
Por trás da letra da lei, existe hipocrisia. Sarkozy precisa de medidas populares para melhorar suas chances de reeleição. A maioria dos franceses apoia o veto aos véus. Cita valores laicos e de liberdade da República francesa. São argumentos que soam legítimos. O véu integral, que não é pré-requisito no Alcorão, fere a dignidade da mulher por subtraí-la da sociedade. Muçulmanas obrigadas pelo marido a se cobrir estariam, enfim, livres para mostrar o rosto. É verdade. Mas e as que não abrem mão de se vestir assim? A França estaria violando seus direitos humanos.
Há quem fique chocado com as mulheres nuas de pernas abertas, deitadas ou de quatro, nas bancas de revistas. Ou com as prostitutas semidespidas que se oferecem a clientes nas ruas. Serão todos multados e detidos em nome da República? O que determina a dignidade feminina se elas se despem ou se cobrem por vontade própria, por fé ou dinheiro, e não por submissão?
Um argumento hipócrita é o da segurança. Pessoas só com os olhos de fora podem ser terroristas disfarçados. Como se pessoas bombas, assassinos em série ou mártires fanáticos precisassem de burca para matar e morrer. Quando eu estava em Nova York em meio à nevasca, fui uma involuntária ameaça à segurança. Usava chapéu, sobretudo até os pés e echarpes em torno do pescoço e da face para evitar o vento cortante. Minha visão escapava ao agasalho, mas usei óculos de sol para não lacrimejar. O argumento da segurança não é racional. E os franceses se orgulham de ser racionais.
Motociclistas de capacete, cristãos carnavalescos ou mascarados em procissões religiosas, todos podem ocultar o rosto. Isso leva a nova lei a parecer xenófoba. Sarkozy talvez personifique o sentimento nacional de aversão à imigração e aos diferentes. Alguns franceses dizem: “Quer usar a burca? Então volte para seu país, volte ao lugar de onde veio”. Para muitas delas, esse lugar é a França.
Destesto a burca e o niqab. Mas uma lei que multa e prende só acirra a intolerância. Para usar uma palavra que os franceses adoram, é “ridicule”.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Revolução Gloriosa

Interessante saber que a primeira vez que ouvi esta expressão Revolução Gloriosa foi nos vídeos de Mailson da Nóbrega falando de seu livro O Futuro Chegou.
Agora, com a proximidade do casamento do Príncipe William com a plebeia Kate, num retrospecto dos casamentos na coroa britânica na Época de 18 abril, voltei a "juntar as peças" do trono inglês e a importância histórica desta e de outras grandes potências européias...
Tudo o que me foi "ensinado" na década de 70: decorar datas sem efetivamente compreender o contexto...

Elizabeth I (1533-1603), filha de Ana Bolena e de Henrique VIII não deixou herdeiros.
Antes do reinado de Victoria (1819-1901), período conhecido como Era Vitoriana em que o povo britânico conheceu um longo período de paz e prosperidade, houve a chamada Revolução sem sangue ou Revolução Gloriosa (1688), quando o Parlamento Inglês ofereceu o trono ao Príncipe Guilherme (em inglês, William), de Orange (1650-1702), da Holanda, em troca da assinatura da Declaração de Direitos que, na avaliação de alguns pesquisadores, é considerado o marco do atual sistema capitalista.
Esta Carta de Direitos promoveu profundas transformações institucionais: o poder passa para o Parlamento: o rei perdeu o poder de demitir juízes (o Judiciário ganhou autonomia), também o poder de confiscar bens;  o contrato seria respeitado; direito de propriedade seria preservado (tudo isso trouxe mais segurança). Foi o fim do absolutismo e início da prática de Monarquia Parlamentar.
Houve o fim das dogmas católicos que possibilitou do surgimentos das universidades como a gente conhece hoje (com ambiente da pesquisa, ciência e tecnologia); surgiu Banco da Inglaterra em 1694 (primeiro com características de Banco Central no mundo) que criou condições para surgir o crédito e visiabilizou a Revolução Industria.

Maílson da Nóbrega, ao falar sobre as Perspectivas da Economia Brasileira, enfatiza que democracia consolidada e Judiciário independente são características de países ricos.
Reportemo-nos, neste momento, às revoluções recentes na Tunísia, no Egito e na Líbia que, ainda no século XXI, lutam para extirpar seus governantes ditadores.
Devaneios... sempre devaneios...
E vou juntando as peças do quebra-cabeças...

domingo, 17 de abril de 2011

Isto é o governo brasileiro...

Coluna Só no Brasil
Alexa Salomão
Exame, fev 2011
Santo Antônio Energia e o ataque à Malária

O poder público sempre travou uma guerra inglória contra a malária em Porto Velho, capital de Rondônia. Transmitida por um mosquito, a doença não pode ser erradicada, apenas contida. Após uma epidemia em 2005, o número de doentes não baixava de 32 mil por ano. A doença só começou a ceder depois de 2008, quando a Santo Antônio Energia, empresa responsável pela primeira hidrelétrica do Rio Madeira, propôs e financiou medidas preventivas contra a doença. Uma das mais eficientes foi a distribuição de mosquiteiros impregnados de inseticidas para 3,5 mil famílias.Esse mosquiteiro é indicado pela Unicef há dez anos porque reduz a população de insetos, mas não foi adotado pelos órgãos públicos de saúde no Brasil. A Santo Antônio gastou apenas R$ 350 mil. Desde 2008, houve uma queda de 30% nos casos de malária em Porto Velho. Entre os operários da usina, a incidência é zero.

sábado, 16 de abril de 2011

Fotos na praia

Em breve trarei o resultado de um passeio à praia.  Muuitas fotos!
Será que estas águas claras existem mesmo?! Vou lá confirmar, : )

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Corrida de aventura

A chegada em Porto Seguro estava prevista para ontem à noite, quinta-feira.
Pelo que entendi a Equipe Yaks, da Carol Tibo, não participou desta Ecomotion 2011 - ficou apenas no apoio da Equipe  Unimed-Rio Terra de Gigantes.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Enterro celestial

Já contei sobre o costume tibetano em outro momento...
Agora, transcrevo uma entrevista com Xiran Xue, autora do livro Enterro Celestial (2005).
Também autora dos livros As Boas Mulheres da China (2002), As Filhas sem Nome (2008), Testemunhas da China (2008), O que os Chineses não Comem (2006), Mensagens de uma mãe chinesa desconhecida (2010)...
FEDERICO MENGOZZI

Uma fábula de dois mundos
Em Enterro Celestial, a escritora chinesa Xinran conta sua melhor história e consegue fazer silêncio com palavras
ELIANE BRUM

Enterro Celestial é o nome de um ritual fúnebre do Tibete, em que o morto é esquartejado em pedaços bem pequenos e depois entregue à fome dos abutres para que, assim, seja levado aos céus. Os abutres, nesse enigmático país pelo qual os ocidentais passaram a se interessar a partir dos livros de auto-ajuda do Dalai Lama, são seres nobres. Enterro Celestial é também o nome do mais novo livro de Xinran, a chinesa que encantou - e chocou - os leitores brasileiros com seu As Boas Mulheres da China, por semanas na lista dos mais vendidos em 2003. No livro de estréia, Xinran contava histórias reais de mulheres chinesas ouvidas em seu programa de rádio. Contos ternos e terríveis de uma China feminina e até então calada. Não contou um dos mais impressionantes. Guardou para Enterro Celestial uma história de amor esculpida não pela ficção, mas pela realidade. É a trajetória de Shu Wen, uma mulher que, em 1958, na China de Mao Tsé-tung, parte em busca do marido, um médico do Exército Popular de Libertação que havia desaparecido na ocupação do Tibete menos de cem dias após o casamento. Em 1994, Shu Wen se encontra com Xinran numa casa de chá para contar 30 anos de uma busca amorosa feita mais de silêncios que de sons, um encontro entre dois mundos ainda hoje irreconciliáveis, mas possíveis na síntese da velha mulher com cheiro de esterco diante da escritora. Em busca do marido, Shu Wen consuma com o Tibete o que a China nunca pôde - e, de certa forma, é nessa compreensão que reencontra o homem amado.
Consciente do que tinha nas mãos, Xinran manteve no texto a delicadeza da narrativa de sua personagem. Enterro Celestial é um livro escrito com a ponta dos dedos. De sua casa, em Londres, a escritora deu a seguinte entrevista a ÉPOCA.

Xinran Xue
Vida pessoal
Nasceu em 1958, casada, um filho. Sem poder publicar seu primeiro livro na China, mudou-se para Londres em 1997
Atividades
É colunista do The Guardian e dirige uma ONG para adoção de meninas chinesas

ÉPOCA - O que você sentiu com Shu Wen?
Xinran - Fiquei fisgada pelo choque de verdade de sua história. Acompanhava suas palavras, a pele trêmula e áspera, os olhos profundos e os silêncios. Não esperava que sua história fosse tão distante do que eu sabia sobre a vida no Tibete.
ÉPOCA - Você faz uma súplica, ao final do livro, para que Shu Wen volte a fazer contato. Continua tentando encontrá-la?
Xinran - Tenho tentado encontrá-la com todas as minhas forças. Tenho centenas de perguntas para fazer a ela após nove anos de pesquisa. Mas ela ainda não apareceu.
ÉPOCA - Como chinesa, imagino que você tinha uma visão bem diferente do Tibete até encontrar Shu Wen. O que aprendeu?
Xinran - A pesquisa sobre a história de Shu Wen foi o segundo grande aprendizado da minha vida. O primeiro foi o mergulho na vida das mulheres chinesas e da própria China. Dessas experiências, aprendi três lições especiais: a primeira foi perceber que, se não compreendemos o suficiente de outras culturas e nações, como podemos nos atrever a dizer que ajam de acordo com nossas idéias? A outra é que o melhor a ser dado ao outro não é necessariamente aquilo que nós achamos ser o melhor para ele. E a última é que é preciso aprender sobre a vida nas ruas e nas estradas, e não apenas com o que aparece nos filmes e livros, repletos de adjetivos. As línguas e as culturas construíram um grande fosso entre as pessoas. Nós temos mídias modernas, mas mesmo elas têm sido contaminadas pela ignorância e por interpretações ideológicas.
ÉPOCA - O que sentiu ao visitar o Tibete?
Xinran - A primeira vez que o visitei foi em 1984, como jornalista. Pela primeira vez na minha vida experimentei o que significava viver em silêncio. Os tibetanos que observei pareciam se comunicar basicamente através da linguagem corporal ou por acordos tácitos. A segunda foi em 1995. Eu estava interessada em conferir de perto o que tinha ouvido de Shu Wen. Presenciar os diálogos entre seres humanos e natureza, entre cores e silêncio, entre iaques e abutres. Foi difícil acreditar na existência de tudo aquilo até que pude conferir com meus olhos. Espero que o maior ensinamento do livro seja a possibilidade de amor entre chineses e tibetanos - e não o ódio.
ÉPOCA - Qual foi a repercussão de Enterro Celestial na China?
Xinran - Eu não entreguei esse livro aos editores chineses. Meu primeiro livro foi reeditado três vezes em meio ano e, de repente, não foi mais reeditado e ninguém me explicou o motivo. É muito difícil para os chineses encararem fatos do passado que nunca foram bem assimilados, do mesmo modo que é difícil para o Japão e para a Alemanha falar sobre a Segunda Guerra Mundial.
ÉPOCA - Você vive em Londres, hoje. Qual é sua visão sobre a China?
Xinran - Não me sinto qualificada para falar sobre a China porque é um país composto de 56 grupos étnicos, com histórias, línguas e culturas totalmente diferentes. Sua área geográfica é 42 vezes maior que a das Ilhas Britânicas. Seus 5 mil anos de História geraram riquezas semelhantes à da Europa ocidental e pobrezas tão severas quanto as do Deserto do Saara. Cerca de 1,4 bilhão de pessoas estão construindo coisas, fazendo comércio e também se amando, em diferentes línguas e sotaques. Estive fora por cinco anos, enquanto mudanças profundas ocorriam diariamente.
ÉPOCA - O que os chineses sabem sobre o mundo?
Xinran - As únicas informações que os chineses podem obter da mídia sempre foram as ordens dos imperadores e depois do partido. Se você nasceu cego, não importa que outras pessoas tentem lhe descrever a beleza das cores, pois lhe faltará a capacidade básica para diferenciar o azul do amarelo.
ÉPOCA - Em As Boas Mulheres da China você conta histórias de uma sexualidade associada ao sofrimento. Como é a relação com o sexo em seu país?
Xinran - Muitos chineses e chinesas não sabem a diferença entre homens e mulheres, ou o que é sexo. Isso não é piada. O aspecto físico de sua natureza humana tem sido destruído pela brutalidade política e pela ignorância social. Rígidos princípios que remontam há milhares de anos de História são como prisão, na qual o amor e a sexualidade dos chineses se encontram trancafiados.
ÉPOCA - Se alguém quiser realmente conhecer a China, o que deve fazer?
Xinran - A maioria de nós compreende a natureza eterna da poesia de Shakespeare quando se apaixona por alguém. Da mesma forma que esquecemos que uma voz ao telefone é mais humana que um e-mail, acredito que é necessário que as pessoas se disponham a conhecer a China mais profundamente antes de querer compreender por que tantos chineses estão em busca da satisfação de seus desejos e por que as reformas políticas e econômicas na China são muito mais difíceis de se realizar que em outros países.
ÉPOCA - Qual é sua pior lembrança e a melhor?
Xinran - A melhor foi a infância do meu filho. A pior, a minha infância.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

terça-feira, 12 de abril de 2011

Capitalismo selvagem abafa os gritos por liberdade!

São questões que muito me interessam: Dilma chegou ontem à China em sua primeira visita oficial ao continente asiático. A partir de hoje, dia 12, até dia 19, data prevista de seu retorno, uma agenda de negociações. Afinal, todos querem negociar com um país apto e ávido a investir.
Somente com relação ao Brasil, os investimentos chineses passaram de 900 milhões de dólares em 2002 para 9,1 bilhões de dólares em 2004 e 36,5 bilhões de dólares em 2007, ou seja, 40 vezes mais em meia década. US$ 56 bilhões em 2010, o que representou crescimento de 52,7% em relação a 2009.

Interessante é que Dilma foi orientada pelo Itamaraty a falar apenas de economia - o tema Direitos Humanos não está na pauta da visita. Nem considerando todo o prestígio e projeção internacionais que tem tido o Brasil emergente nos últimos anos.
Significa que o "lucro capitalista" abafa os gritos por justiça e responsabilidade sociais, sustentabilidade e liberdade de expressão. Leiam abaixo os pontos em evidência...

A invasão chinesa
Exame, 09 fev 2011

Em crise, o bloco europeu precisa de investimentos. E a China tem dinheiro para aplicar no exterior. O resultado? Uma irresistível história de negócios chineses na Europa

No fim do ano passado, o Coliseu, maior cartão-postal de Roma, ganhou uma decoração pouco usual. Por uma noite, a fachada do monumento foi iluminada de vermelho e trazia, em chinês, os dizeres “amizade sino-italiana”. A ação foi a forma encontrada pelo governo italiano de demonstrar quanto apreciava a visita do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao. Em janeiro, foi a vez de Li Keqiang, vice-primeiro-ministro chinês, receber uma recepção de gala, desta vez na Espanha. A iluminação da praça de Cibeles, em Madri, não foi mudada, mas Li foi recebido por uma comitiva que ia muito além do protocolo. Estavam lá o rei Juan Carlos, o primeiro-ministro José Luis Zapatero, dois ministros e a nata do empresariado espanhol formada pelos presidentes dos 40 grandes grupos empresariais da Espanha, como César Alierta, da Telefónica. Em ambos os casos, a generosa hospitalidade dos anfitriões deixou claro o interesse europeu em receber os investimentos chineses. Nos últimos anos, a Europa vem se convertendo num atraente polo de negócios para a China. Até recentemente, o investimento total dos chineses ainda era baixo, embora a taxa de crescimento já indicasse um expressivo aumento nos negócios — entre 2007 e 2009, o investimento estrangeiro direto da China no Velho Continente dobrou, de 1,5 bilhão para 3,3 bilhões de dólares. Não há ainda estatísticas fechadas para 2010, mas todas as estimativas são de números muito mais parrudos — e de novos saltos daqui para a frente.
O dinheiro chinês tem se destinado a investimentos em áreas estratégicas, como infraestrutura, energia e tecnologia. Na Itália, a Hutchison Whampoa, um conglomerado de Hong Kong com negócios em logística, varejo e telecomunicações, anunciou que aplicará 660 milhões de dólares em melhorias e expansões no porto de Taranto, no sul do país, enquanto a gigante estatal Cosco, da área de transporte marítimo, integra um consórcio que trabalha na expansão do porto de Nápoles. Na Espanha, os iuanes compraram recentemente 40% da unidade brasileira da petrolífera Repsol por 7,1 bilhões de dólares. Em junho do ano passado, a Cosco anunciou um investimento de 4,6 bilhões de dólares para assumir o controle de um dos terminais de carga do porto de Pireu, em Atenas. A estatal chinesa investirá 750 milhões de dólares na construção de um novo terminal, a fim de triplicar o atual volume de cargas do porto. Seu objetivo é fazer do Pireu um concorrente direto do porto de Roterdã, principal terminal europeu em movimento de contêineres. No leste da Europa, a China tem negócios em países como Hungria e Polônia. Em 2009, um consórcio liderado pela China Overseas Engineering Group ganhou um contrato para construir parte de uma estrada que conecta as cidades polonesas de Lodz e Varsóvia.
Não é coincidência que a China esteja investindo em alguns dos países mais atingidos pela crise, como Grécia, Espanha e Itália. É justamente nesses lugares que se encontram algumas das melhores oportunidades devido ao êxodo de parte dos investidores. Do ponto de vista dos europeus, o dinheiro chinês é uma espécie de boia salva-vidas. Em poucas palavras, representa empregos e impostos. Isso sem falar no valor simbólico dos anúncios para o mercado financeiro. Uma das mensagens implícitas é a de que um país que recebe investimentos chineses conta com o apoio irrestrito da potência asiática. E há razões para acreditar nisso. Em janeiro, o banco central chinês confirmou a compra de títulos da dívida pública de Espanha e Portugal, como forma de demonstrar ao mercado financeiro que os países são confiáveis. Não é à toa que o vice-primeiro-ministro Li tenha recebido na Espanha o apelido de “novo Marshall”.
Se os europeus estão em busca de socorro, a China, por sua vez, tem interesses estratégicos na Europa. A União Europeia é hoje seu maior parceiro comercial — um quinto das exportações chinesas se destina ao bloco. Investir em portos, centros de logística e estradas é uma forma de ampliar o acesso a esse valioso mercado consumidor. O bloco europeu também representa um polo de acesso à tecnologia para as empresas chinesas. “São marcas, redes de distribuição, clientes e know-how em áreas como a de engenharia”, afirma Jonathan Laurence, especialista em Europa do centro de estudos Brookings Institution, com sede em Washington. Há ainda outra vantagem para a China, dona de reservas externas avaliadas em 2,8 trilhões de dólares: diversificar seus investimentos, atualmente concentrados em títulos do Tesouro americano.
O avanço dos negócios chineses na Europa, porém, assusta alguns governos da região. Um dos temores é de que os benefícios não sejam tão grandes como o alardeado. Na África, os chineses são acusados de não cumprir todas as suas promessas de geração de emprego. Há também o medo de que os investimentos acabem comprando o silêncio europeu. Afinal, como países como Espanha e Inglaterra deveriam se portar em negociações sobre o clima, um tema em que a posição chinesa é bem mais conservadora do que a da Europa? Ou em casos como o do preso político chinês e ganhador do Nobel da Paz Liu Xiaobo? Como escreveu recentemente o jornal espanhol El País, “que o nosso banqueiro não possa passar no exame elementar de direitos humanos é um problema”. Isso tudo sem falar do temor de que as empresas chinesas eventualmente acabem engolindo as locais. “Cabe à União Europeia impor suas regras no relacionamento com a China”, afirma o espanhol Alfredo Pastor, professor de economia europeia da prestigiada escola de negócios Iese, em Barcelona. Para ele, o risco é o dragão chinês virar um cavalo de Troia.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Manifestantes pró-burca são presos na França

Brazuca News: Manifestantes pró-burca são presos na França: "Hoje o sábado foi marcado por protestos e prisões na França. Tudo porque na próxima segunda-feira (11) entrará em vigor no país a lei que ..."

Lei aprovada há oito meses.

O jardim secreto de cada um

© Letícia Thompson

Há dentro de todos nós essa necessidade de ter em algum lugar nosso jardim secreto, não onde vamos confinar nossos segredos, mas onde podemos ter um encontro real e exclusivo conosco.
Umas pessoas sentem mais essa necessidade que outras, mas estar consigo de vez em quando, interiorizar-se, colocar ordem nos pensamentos ou simplesmente abandonar-se, é vital ao equilíbrio de todos nós.
Em todo relacionamento onde o amor existe, esse espaço deve ser conservado como o limite de cada um. Os relacionamentos fusionais que ultrapassam essas barreiras acabam por destruir-se, pois amar é também respeitar que a outra pessoa tenha seu recanto, seus pensamentos e, por que não, seus próprios amigos, próprias idéias e sonhos.
As pessoas não precisam estar juntas cem por cento do tempo para provarem que se amam. Elas se amam por que se amam e pronto. Dar ao outro um pouco de espaço, um pouco de ar para respirar, é dar-lhe também a oportunidade de sentir falta de estar junto. E isso vale tanto para os amores como para as amizades.
As cobranças intermináveis, resultados de carências afetivas, acabam por sufocar a outra parte e cria na que pede, espera, implora, ansiedades que a tornarão infeliz, pois ela verá como desamor qualquer gesto que não corresponda ao que espera.
Amar é deixar o outro livre para ficar ou para se retirar. É respeitar seu silêncio e seu desejo de solitude. E é deixá-lo livre para ir e voltar quando o coração pedir, que isso seja numa cidade ou dentro de uma casa.
Nada impede que um grande e lindo jardim seja construído juntos e que de mãos dadas se passeie por ele, com o peito cheio de felicidade e a cabeça cheia de sonhos... mas ainda assim, o jardim secreto de cada um deve ser mantido como lugar único e que vai, no fim das contas, enriquecer as relações.

domingo, 10 de abril de 2011

Teorias econômicas que sobrevivem por décadas

Surpreendente, interessante!
A minha "quedinha" por temas econômicos poderia ser em função da minha profissão, mas, creio, de verdade, que é a  "ciência", a dialética.
Seria, então, filosofia a minha "praia"?!

Exame, 11/09/1996
A longo prazo estaremos todos mortos

Keynes pode estar em baixa, mas muito do que escreveu é surpreendentemente atual
Gustavo Camargo

O inglês John Maynard Keynes (1883-1946) está há tempos em baixa em qualquer lista dos economistas mais influentes da praça. Parece que, depois de ter inspirado os "trinta gloriosos" - como ficou conhecido o período de trinta anos pós-Primeira Guerra caracterizados por grande expansão da economia, crescimento da renda e emprego estável -, Keynes sucumbiu ao fim da ordem econômica de Bretton Woods, que ele ajudara a construir.

Apontado como uma espécie de preconizador do Estado-interventor, ele não teria mais vez. Apesar disso, muito do que ele escreveu pode ser lido ainda hoje com surpreendente atualidade. É o caso de suas reflexões sobre o aumento da produtividade e o crescimento do desemprego. Ou seu escrito intitulado Conseqüências econômicas de Mr. Churchill, publicado originalmente em jornais na Inglaterra de 1925. Nele, Keynes escreve contra a volta do padrão-ouro, que estava prestes a ser adotada por Winston Churchill, então chanceler do Erário britânico. As críticas não evitaram a adoção do padrão-ouro, mas é bem verdade que ele teve de ser abandonado no início dos anos 30, exatamente pelos motivos que Keynes apontara, e que levaram Churchill a reconhecer aquele como um dos seus "piores erros".

EXAME revisitou alguns desses escritos de Keynes, publicados entre 1925 e o início dos anos 30, e resolveu transcrevê-los na forma de entrevista. Qualquer semelhança com a realidade, naturalmente, é caso de coincidência ou persistência no erro.

EXAME - O senhor se preocupou em achar soluções para o desemprego em sua época. Como analisa esse problema?
KEYNES - Nos últimos anos, os progressos técnicos na indústria e nos transportes têm crescido a uma taxa maior que em qualquer outro momento anterior da história. Existem provas de que as revolucionárias mudanças técnicas, que até agora atingiram principalmente o setor industrial, logo poderão afetar a agricultura. Podemos estar às vésperas de progressos tão grandes na eficiência da produção de alimentos como os que já ocorreram na mineração, na indústria e nos transportes. Em alguns poucos anos - quero dizer, ainda durante a vida da maioria dos seus leitores - poderemos ser capazes de desenvolver todas as funções da agricultura, da mineração e da indústria com um quarto do esforço humano a que nos acostumamos.
EXAME - Insisto: e o desemprego?
KEYNES - Por enquanto, a própria rapidez destas mudanças nos aflige e provoca problemas difíceis de resolver. Aqueles países que não estão na vanguarda do progresso suportam-nas apenas relativamente. Estamos sendo atingidos por uma nova doença, a respeito da qual alguns leitores ainda podem não ter ouvido falar, mas sobre a qual ouvirão muito nos próximos anos - ou seja, o desemprego tecnológico. Isto significa um desemprego causado pela nossa descoberta de meios para economizar o emprego do trabalho, a um ritmo maior do que aquele pelo qual conseguimos encontrar novas utilizações para a força de trabalho. Trata-se, porém, de uma fase temporária de desajustamento. Afinal, tudo isto significa que a humanidade está resolvendo seu problema econômico.
EXAME - Quer dizer que está tudo bem, então?
KEYNES - Não se trata disso. Acho que não existe país e povo capazes de encarar sem temor uma era de lazer e abundância. Isto porque, durante um período demasiado longo, fomos treinados a lutar e não a gozar. Trata-se de um problema temível para a pessoa comum, sem talentos para se ocupar, principalmente se não estiver mais enraizada na terra, nos hábitos, ou nas convenções de uma sociedade tradicional. Talvez seja necessário um esforço para espalhar pouca manteiga no pão, a fim de tornar o trabalho que ainda restar tão partilhado quanto possível. Turnos de três horas ou semanas de quinze horas poderão adiar o problema por algum tempo. Isto porque três horas por dia é o suficiente para satisfazer o velho Adão na maioria de nós.
EXAME - Mudemos de assunto. Na Inglaterra do seu tempo, a indústria também se queixou muito por causa da taxa de câmbio. Afinal, qual o problema?
KEYNES - Veja bem: naquele momento, como agora, o comércio mundial e o consumo no mercado interno eram moderadamente bons. A produção mundial era provavelmente a maior desde o final da primeira guerra. Portanto, os problemas da indústria exportadora não se deviam nem a uma recessão mundial nem à redução do consumo, que voltara a crescer, embora a taxas moderadas. Qual o problema, então? A causa é evidente: se tratava de uma questão de preços relativos, na Inglaterra e fora da Inglaterra. Os preços das exportações eram muito altos no mercado internacional. Sobre isso não existem dúvidas.
EXAME - E por que eram muito altos? A culpa era da indústria, ineficiente?
KEYNES - A resposta ortodoxa consiste em jogar a culpa no trabalhador, que trabalharia muito pouco e ganharia mais do que deveria. Em algumas indústrias e categorias de trabalhadores isso até pode ser verdade. Em outras indústrias, como nas estatais da área ferroviária, há excesso de pessoal. Mas isso já era assim antes, e naquela época as empresas não tinham problemas para exportar. A explicação está em outra direção. Sabemos que, de fato, o valor da moeda no exterior aumentou, em comparação com a taxa de câmbio anterior, enquanto que o seu poder aquisitivo em relação ao que custa o trabalho não mudou. Essa alteração no valor externo da moeda foi um ato deliberado do governo, e as dificuldades das indústrias exportadoras são a conseqüência inevitável e perfeitamente previsível daquela atitude do governo.
EXAME - Como assim?
KEYNES - A política de aumentar o valor da moeda significa que, sempre que os empresários vendam algo ao estrangeiro, haverá duas opções: ou o comprador lá fora aceita pagar 10% mais em sua própria moeda, ou as empresas terão de aceitar 10% menos na sua moeda. Isto é, será necessário reduzir os preços em reais para o petróleo, o aço, os fretes marítimos e outros custos em 10%, a fim de manter as exportações competitivas. A alternativa é que os custos de produção dos mesmos produtos exportados subam no exterior, mas não no país exportador. Assim, a política de valorizar o câmbio em 10% implica uma redução de 10% nas receitas em reais das indústrias de exportação.
EXAME - As empresas não poderiam perfeitamente suportar uma redução de receita? Afinal, elas tiveram ganhos de produtividade enormes nos últimos anos, e suas margens de lucro eram elevadas.
KEYNES - Se essas indústrias vissem que seus gastos em salários, em transportes, juros e quaisquer outros também baixassem uns 10%, poderiam permitir-se reduzir seus preços e não estariam pior do que antes. Mas, fique bem claro, isso não acontece. Dado que as empresas utilizam, e seus empregados consomem, todo tipo de artigos produzidos no país, lhes resulta impossível reduzir os preços em 10%, a menos que os salários e os preços dos produtos das empresas que vendem apenas no mercado interno também baixem 10%.
EXAME - Alguns desses preços que o senhor menciona podem até baixar, depois que for reduzido o custo em moeda nacional. Mas os salários podem, no máximo, deixar de subir, não é mesmo?
KEYNES - Nada pode restabelecer a situação dos exportadores exceto uma queda geral de preços e salários. Isto quer dizer, na prática, que a política do governo de valorizar o câmbio será, cedo ou trade, uma política de redução de todos os salários pagos em moeda local. Aquele que quer os fins quer os meios, e logo o governo se verá diante da difícil tarefa de levar a cabo sua própria, perigosa e desnecessária decisão.
EXAME - Mas, a longo prazo, não se pode contar com uma redução de custos para as empresas?
KEYNES - Esse longo prazo é um guia muito confuso para a conjuntura. A longo prazo estaremos todos mortos. Os economistas se propõem a uma tarefa demasiado fácil, e demasiado inútil, se em cada tormenta o único que nos dizem é que quando passa o temporal o oceano estará outra vez tranquilo.

sábado, 9 de abril de 2011

Papel de parede sem insônia

Há quase um ano sofria de insônia!
Foram meses divagando na madrugada à procura do sono.
E postei um papel de parede! Agora, segue outra opção para fundo de tela do seu computador; porém, desta vez, com a certeza de que a coleguinha Insônia se foi, :))

sexta-feira, 8 de abril de 2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Cinco motivos para sentir vergonha

Nossa Antena Ruth de Aquino
Época, 4 abril 2011

Há um novo nome na lista dos fugitivos mais procurados do Estado de São Paulo: o pedreiro Ananias dos Santos, de 27 anos, principal suspeito de um dos crimes mais tenebrosos de que o país ouviu falar. As vítimas são as irmãs Josely e Juliana, de 16 e 15 anos. No caminho entre o ônibus escolar e a casa, encontraram um monstro. Se tiver sido mesmo Ananias, era um monstro conhecido delas e da polícia. Tinha saído da prisão numa folga de Páscoa, em 2009, e não voltara. Todos sabiam onde morava. Já era foragido antes. Mas ainda não tinha ficado famoso.

A delegada Sandra Vergal diz com simplicidade que, “pelos antecedentes dele, Ananias não podia ser contrariado em nada”. Por que nenhuma autoridade policial até agora fez um mea culpa? O preso sai pela porta da frente, não volta para a cela e, por suposta rejeição de uma das meninas, persegue e mata as irmãs a tiros? Dói demais ver as fotos das adolescentes. Além de muito bonitas, eram conhecidas como educadas, estudiosas e apegadas à família. Ananias era fugitivo com endereço certo. Quem afinal matou as meninas da aprazível Cunha, uma localidade pacata e verde, que fez passeata de 3 mil por justiça? Somos ou não também culpados pela negligência de nosso sistema penitenciário?
A semana passada foi pródiga em constrangimentos. Em dezembro, listei nesta coluna dez razões para se indignar. Nos últimos dias, além do crime bárbaro de Cunha, deparei com mais quatro razões para me decepcionar com o ser humano público e privado.
■O vice-presidente José Alencar, herói no combate ao câncer, afetuoso no trato com as pessoas, dizia “não temer a morte, mas a desonra”. E, mesmo assim, foi incapaz de sequer conhecer sua suposta filha com uma enfermeira. Recusou-se a fazer exame de paternidade e chamou publicamente a mãe de Rosemary de Morais de prostituta: “Todo mundo que foi à zona um dia pode ser pai. São milhões de casos”. No caso de Alencar, a atitude não combina com a biografia. Onde estava sua coragem? Encarou o câncer e 17 cirurgias, mas Rosemary não. Ela ganhou na Justiça o sobrenome Alencar.
Além do crime bárbaro de Cunha, a semana ofereceu quatro outros motivos para nosso constrangimento
■A atriz Cibele Dorsa usou sua depressão e seu suicídio para protagonizar um circo deprimente. O Twitter, a carta para a revista Caras, o vídeo montado para homenagear o noivo que também se matara dois meses antes. Nesse inacreditável mundo novo, a regra é se expor e ser seguido por milhares, mesmo no Além. Uma moça bonita, mãe de um casal de filhos, desperdiça a vida e dirige um roteiro multimídia para conseguir finalmente a fama após a morte. O suicídio perde o que lhe restava de privacidade, discrição, gravidade e pudor.
■O deputado Jair Bolsonaro também aproveitou a mídia para ser mais Bolsonaro do que nunca. Ofendeu negros quando só queria, segundo ele, ofender gays. Já falou barbaridades piores. Desta vez, conseguiu a repercussão desejada porque difamou pela televisão uma celebridade, Preta Gil. Reafirmou a uma rádio que Preta “é promíscua” e que o pai da cantora, Gilberto Gil, “é outro que vive dando bitoquinha em homens”. Como Bolsonaro defende sua liberdade de expressão, eu também poderia escrever que ele não passa de um ignorante. Mas, como isso não é novidade, só pergunto como o deputado foi parar na Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
■O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em visita a Buenos Aires, foi condecorado pela Faculdade de Jornalismo de La Plata por sua “defesa da comunicação popular”. Chávez tirou do ar uma TV e várias emissoras de rádio. Aprovou leis que tornaram crime as críticas pesadas ao governo. Perseguiu oposicionistas. E ganhou um prêmio que é homenagem a um jornalista importante da Argentina, assassinado pelos militares, Rodolfo Walsh. O vexame internacional foi ainda maior pela coincidência: a anfitriã, a presidente Cristina Kirchner, é acusada de estar por trás dos sindicalistas que proibiram a circulação do jornal Clarín.
Como jornalista e ser humano, senti vergonha e impotência diante desses episódios e seus personagens. Nessas horas, a palavra não é suficiente.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Trabalho escravo nas confecções da moda

Cerco às senzalas da moda
Época, 04 abril de 2011

As Pernambucanas, uma das maiores varejistas do país, são multadas por ter fornecedores que empregam bolivianos em condições similares à escravidão
Ana Aranha

Quando os auditores do Ministério do Trabalho entraram na casa de paredes descascadas num bairro residencial da capital paulista, parecia improvável que, dali, sairiam peças costuradas para as Pernambucanas. Não fossem as etiquetas da loja coladas aos casacos, seria difícil acreditar que a empresa, cujo faturamento foi de R$ 4,1 bilhões em 2009, pagava 20 centavos por peça a imigrantes bolivianos que costuravam das 8 da manhã às 10 da noite. Para abastecer a terceira maior rede varejista em vestuário do país, os 16 trabalhadores suavam em dois cômodos sem janelas de 6 metros quadrados cada um. O ar era quente, havia fios elétricos pendurados do teto e sacos de roupa misturados a sacos de batata no chão. Costurando casacos da Argonaut, marca criada pelas Pernambucanas para os jovens, havia dois menores de idade e dois jovens que completaram 18 anos na oficina. Três crianças, filhas dos trabalhadores, circulavam entre as máquinas.
Como consequência dessa operação, as Pernambucanas foram autuadas, na semana passada, pela acusação de explorar, em sua cadeia produtiva, trabalho análogo ao escravo (crime que pode ser punido, segundo o Código Penal, com multa e reclusão de dois a oito anos). A empresa recebeu multa de R$ 2,2 milhões. Por meio de sua assessoria, emitiu uma nota em que afirma: “A Pernambucanas não produz, ela compra produtos no mercado e os revende no varejo”. É verdade que as Pernambucanas não contrataram os bolivianos diretamente. Eles trabalhavam para a Dorbyn, uma confecção intermediária que recebia as encomendas das Pernambucanas e levava as peças-piloto para a oficina. Fábio Khouri, um dos diretores da Dorbyn, disse que desconhecia as condições de trabalho na oficina. Um gerente da confecção, porém, ia à oficina a cada 15 dias. “Pensamos que a produção poderia ser feita apenas por três pessoas”, afirma Khouri.
Na investigação, os auditores tiveram acesso a e-mails de funcionários das Pernambucanas que revelam como a empresa coordena todo o processo de produção. Embora a execução seja terceirizada, é a loja que define o modelo, os tamanhos, as quantidades, o tempo em que devem ser confeccionadas e o preço pela produção de cada peça. “Isso é diferente de terceirizar serviços de apoio, como limpeza ou segurança”, diz o juiz do trabalho Marco Barberino. “A empresa é responsável pela atividade econômica por trás de seu produto final. Se a atividade é produzir e vender roupas, ela é responsável por isso.”
As condições de trabalho análogas à escravidão foram caracterizadas porque, além de 41 infrações às exigências mínimas de saúde e segurança, o grupo de bolivianos era mantido sob o regime da servidão por dívida. Eles chegaram ao Brasil devendo R$ 300 pela passagem e custos da viagem de El Alto, cidade da região metropolitana da capital, La Paz, a São Paulo. No fim do mês, esse valor era descontado do salário, além de diversos adiantamentos para compra de comida, fralda e cartão telefônico (o maior gasto do grupo). Em um caso, o pagamento de R$ 800 caiu para R$ 176. Ganhando 20 centavos por peça, os bolivianos tinham de acelerar o ritmo para não fechar o mês devendo ainda mais. No fim do dia, dividiam um banheiro com água fria e dormiam em quartos apertados e sem ventilação, alguns em colchões colocados diretamente no chão.
ÉPOCA acompanhou a operação dos auditores. Embora a chave da porta estivesse à vista, o clima era de medo em deixar o local. No fim da inspeção, quando os auditores informaram, em espanhol, que eles ganhariam dinheiro pela rescisão do contrato, seguro-desemprego por três meses, carteira de trabalho e um lugar para ficar, o grupo ficou calado. Enquanto os auditores explicavam seus direitos, o boliviano José (nome fictício), gerente da oficina, falava com os trabalhadores em quíchua, dialeto dos países andinos. Depois de ouvi-lo, os trabalhadores ficaram apreensivos. Uma mulher deslizou as costas pela parede, sentou-se no chão e chorou. Em minutos, todos recusaram a oferta do Ministério do Trabalho. Disseram que preferiam ficar no alojamento, mesmo sem poder trabalhar, pois a oficina estava lacrada. “Não há correntes, como se imagina o escravo do século retrasado, mas isso é uma forma de restringir a liberdade pelo medo, pelo assédio”, diz o auditor Luis Alexandre de Faria.
“Estamos com medo, não queremos prejudicar o José (o gerente da oficina)”, disse Consuelo (nome fictício), uma das funcionárias. Ela veio para o Brasil em agosto do ano passado, quando tinha 17 anos. Desempregada em El Alto, vendia produtos na rua quando um homem lhe ofereceu um sonho: ir para o Brasil, com a viagem paga, trabalhar numa oficina de costura onde ganharia “bem”. Depois que os fiscais saíram da oficina, Consuelo e os outros trabalhadores foram mandados para a rua. “Eles (gerentes) disseram para a gente sumir por um tempo”, afirmou. “Passamos a noite andando, sem dinheiro e sem comida. Ficamos assustados. Alguns de nós têm crianças pequenas e não conhecemos ninguém na cidade.”
Os bolivianos temem procurar órgãos públicos, porque têm medo de ser deportados. Eles não sabem que seu país assinou um tratado de livre circulação com o Brasil, pelo Mercosul, segundo o qual bolivianos podem transitar livremente no Brasil, assim como brasileiros na Bolívia. Para trabalhar, basta fazer um registro no consulado. “A falta de informação deixa essas pessoas reféns dos exploradores”, diz Grover Calderón, presidente da Associação de Estrangeiros e Imigrantes no Brasil.
Consuelo e suas colegas ficaram na rua até a noite seguinte, quando foram chamadas de volta por José, o gerente. Ele foi convencido a “liberar” os trabalhadores depois de uma audiência na superintendência do Ministério do Trabalho. O encontro era para discutir os valores da rescisão de contrato. “Você pode trazer os trabalhadores aqui e a gente vai acertar tudo. Dinheiro não é problema”, disse o advogado das Pernambucanas, Daureo Dórea, na reunião.
Dias depois, os 16 bolivianos receberam suas carteiras de trabalho e a verba pela rescisão, que variou entre R$ 1.000 e R$ 5 mil, de acordo com o tempo que estavam na oficina. Os contadores que calcularam esses valores eram das Pernambucanas, mas o pagamento foi acertado em nome da Dorbyn.
A fiscalização do Ministério do Trabalho nessa oficina não ocorreu por acaso. Os fornecedores das Pernambucanas eram investigados desde agosto de 2010 pelo grupo de auditores do Programa de Erradicação do Trabalho Escravo Urbano. Na ocasião, outra operação encontrara etiquetas de uma das marcas das Pernambucanas numa oficina autuada por trabalho escravo. No ano passado, os auditores flagraram o crime em oficinas que produziam para a Marisa e a Collins.
Quando começaram a investigar a cadeia das Pernambucanas, a Dorbyn chamou a atenção entre 557 fornecedores porque entregava 140 mil peças por ano com apenas uma costureira. Descobriram que a Dorbyn terceirizava o trabalho para três empresas e 17 costureiros contratados como pessoa física. O maior fornecedor era José, o gerente da oficina irregular fiscalizada: entregava 50 mil peças por ano. Há dois anos, ele trabalhava com peças da Argonaut, a marca jovem das Pernambucanas. “No começo, fizemos alguns trabalhos para coreanos, mas eles não pagam direito”, diz a mulher de José, que ajuda a gerenciar a oficina. “Com as peças da Argonaut, nós nunca tivemos problema, eles pagam direitinho.”
A auditoria em grandes empresas é uma nova estratégia de combate ao trabalho escravo no Brasil. Até o início ano do passado, os auditores só agiam mediante denúncias. Segundo eles, a estratégia não funciona para trabalhadores estrangeiros, que têm receio de procurar o Estado. Os bolivianos só denunciam quando sofrem agressão física ou abuso sexual. Os chineses que já foram flagrados em situações parecidas pela Polícia Federal nunca fizeram denúncia. “Atender às denúncias é importante, mas não muda o funcionamento da rede porque há centenas de oficinas como essas”, diz a auditora Giuliana Cassiano, coordenadora do programa. Estima-se que existam 8 mil pequenas oficinas como essas em São Paulo, a maior parte composta de bolivianos e paraguaios. “Só as empresas que alimentam a cadeia podem mudar essa lógica”, diz Giuliana. Ao mapear a ligação entre a empresa e uma oficina, o objetivo é fechar a torneira que permite a proliferação desse tipo de exploração. O Ministério do Trabalho não pede que as grandes empresas contratem os costureiros nem que cortem aquele fornecedor. Exige que elas criem mecanismos de controle para que suas peças saiam de oficinas regularizadas.
A pressão para que grandes empresas combatam abusos em sua cadeia produtiva começou no Brasil em 2005. Nesse ano, companhias como Bunge, Cargill, Carrefour, Petrobras, Vale do Rio Doce, Walmart e Pão de Açúcar assinaram um pacto no qual se comprometeram a cortar fornecedores flagrados na exploração da mão de obra. Elas assinaram o pacto depois que foram informadas de que suas marcas seriam vinculadas ao trabalho escravo. “Para essas empresas, não faz sentido deixar que sua imagem seja atrelada à prática da exploração”, diz Leonardo Sakamoto, fundador da ONG Repórter Brasil e um dos articuladores do pacto. “O princípio do pacto é o diálogo com as empresas.”
Foi assim que a comunidade internacional pressionou a Nike. Depois de denúncias, na década de 90, que a ligavam à exploração de mão de obra infantil e trabalho escravo em países da Ásia, a Nike investiu em auditorias internas e tornou transparentes os nomes e endereços de seus fornecedores. “A Nike é uma das mentoras da terceirização do produto final para baratear custos”, diz Renato Bignami, auditor que assumirá nesta semana a coordenação nacional do Grupo Móvel de Fiscalização do Trabalho Escravo. “Mas também está sendo precursora da mudança. Ainda não resolveram tudo, mas avançaram no monitoramento e na transparência.” Questionadas sobre quais seriam as medidas para evitar que suas peças continuem sendo costuradas em oficinas como a de José, as Pernambucanas disseram que a empresa “sempre tomou ações concretas, como o compromisso por contrato de que as fornecedoras respeitem a legislação trabalhista”. Não explicaram, porém, como seus mecanismos falharam. A trilha aberta pela Nike pode ser um caminho a ser seguido pelas empresas brasileiras.

O Sári Vermelho - alguns trechos da obra

Até hoje a herança de Indira Gandhi como primeira-ministra é controversa. Embora tenha tido forte personalidade, e seu governo tenha sido popular sobretudo nas camadas jovens e mais pobres, é muito discutível sua decisão de declarar o estado de sítio apenas para escapar de ser processada. E até hoje numerosos sikhs ainda se ressentem do que consideram o mais sangrento genocídio da Índia.
Durante o estado de sítio (junho 1975 – março 1977), conhecido como Emergency, seu filho mais novo Sanjav abusou de seu poder e coagiu/torturou/chantageou muitos em nome do progresso da Índia: controle de natalidade como solução para diminuir a pobreza e o número de dependentes da ajuda do Estado.
4 milhões de indianos foram esterilizados à força nos primeiros cinco meses do estado de exceção - a meta seria 23 milhões em três anos.
Porém, para a cultura indiana, os filhos eram um recurso muito valioso, algo assim como "a previdência dos pais", porque desde pequeno trabalhavam nos campos, nas oficinas, nas tecelagens, ou mendigando nas ruas. As famílias eram grandes porque mais filhos significavam mais braços, e, como consequência, mais recursos. Para os pobres camponeses, trabalhadores e mendigos sem lar, a possibilidade de ter filhos representava quase o único ato de liberdade individual de que poderiam desfrutar na vida.  Indira, perde, então, seu eleitorado: os pobres. É reeleita por meio de manobras políticas (atuais e eficazes): ataque aos pontos fracos da oposição!
E um slogan poderoso: "Escolham um governo que funcione", repetido, mais tarde, por sua nora Sonia Gandhi que entrou para a política por amor ao seu falecido marido e pela segurança de seus filhos.

O livro O Sári Vermelho narra a vida de Sonia Gandhi que nascida italiana tornou-se indiana de alma e coração.
Indicada para ocupar o posto de primeira-ministra em 2004, renunciou ao pedido e manteve-se no cargo de presidente do partido Congress.
É um momento histórico: Sonia Gandhi, criada como católica, cede o poder a um primeiro-ministro sique, nascido em 1932 em uma família muito humilde do Punjab ocidental, hoje pertencente ao Paquistão, e conhecido por sua incesurável honestidade. E faz isso na presença de um  presidente da República muçulmano chamado Abdul Kalam, nascido em uma família paupérrima e especialista em física nuclear. Três representantes de religiões minoritárias.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Patagônia Argentina

Um dia falei que postaria fotos dos lugares em que estive, das viagens que fiz...
Realmente, já fiz alguns álbuns entitulados "rotas de fugas" para contar por onde andei...
Mas, faltou contar como foi El Calafate, na Argentina.
No passeio para a Patagônia Argentina só Ushuaia e El Calafate foram as cidades escolhidas; afinal, foi pacote turístico - daqueles que diziam "cuidado, mulheres não podem viajar sozinhas", rs
Creio que El Calafate me encantou pela semelhança com as "montanhas de Minas" - visitamos a Estância Nibero Aike.






domingo, 3 de abril de 2011

Luluzinha (a original) está de volta! Em gibi, mesmo!

Os bons tempos voltaram! Chega às bancas esta semana o número 1 da nova revista da Luluzinha, lançada pela Pixel, selo que pertence à Ediouro. A editora lançou, há dois anos, a revista Luluzinha Teen, totalmente produzida no Brasil e que veio na cola do sucesso da Turma da Mônica Jovem, no mesmo formato e preço semelhante. A revista alcançou relativo sucesso, o que foi suficiente para a Pixel se interessar em lançar a personagem clássica, criada em 1935 pela cartunista Marjorie Henderson Buell, mais conhecida como Marge.
No Brasil, a Luluzinha foi publicada durante muitos anos primeiramente pela editora O Cruzeiro (que pertencia ao grupo Diários Associados do empresário Assis Chateaubriand) e pela Editora Abril. Em 1995 saiu o último número da revista Luluzinha pela Abril e, exceto pela coletânea publicada pela Devir em formato de livro, o público ficou órfão das aventuras desta menininha esquentada e cheia de ideias e da sua turminha formada por personagens tão carismáticos quanto ela: Aninha, a melhor amiga; Careca, irmão dela; Bolinha, o “líder” do clube onde “Menina Não Entra”; Alvinho, sempre com seu boné e imaginação à toda prova; o ricaço Plínio, entre outros.


Os adolescentes de hoje, que foram apresentados diretamente à Lulu Teen, nem fazem ideia do quanto a Luluzinha já fez sucesso no mundo inteiro. Agora, poderão ter acesso a esse material e descobrir o porquê a personagem e sua turma se tornaram tão conhecidos e amados. A edição da Pixel custará apenas R$ 3,10 e virá acompanhado do Almanaque da Luluzinha, uma edição especial em que toda turma será apresentada aos novos leitores pela turma jovem… ops!… teen. A partir daí, mensalmente, os leitores poderão acompanhar as travessuras dessa turminha que lembra, sim, a outra turma da menina de vestidinho vermelho, mas que tem suas próprias características e um carisma todo especial. (fonte)

sábado, 2 de abril de 2011

Truta com molho de laranja?



Tive o prazer de saborear uma truta ao molho de laranja e purê de batata (inglesa) lá  Na Subida do Morro, em Rio Acima. Didi e Lelena são tudodebom.com.br!!! 

Neste final de semana, a truta muda da companhia: molho verde e purê de batata baroa.
Significa que terei de ir lá conferir, hehehe
 
 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Assim como as Vinhas da Ira...

Diários da crise... de 1893
Rodrigo Turrer
Época 22 dez 2008

Em 1893, os Estados Unidos começavam a enfrentar a maior crise financeira de sua história até então. A depressão econômica foi causada pela expansão desordenada das ferrovias pelo território americano. A bolha ferroviária descarrilou 15 mil empresas, 500 bancos e 18% da força de trabalho. Nesse cenário, o jovem Jack London decidiu cair na estrada para fugir do inferno em que a América mergulhara.
Aos 18 anos, pobre e com pouco estudo, acabou nos trilhos da miséria. Pegou carona de trem em trem para sair de São Francisco, na Costa Oeste, e se juntar a um “exército” de desempregados que pretendia protestar contra a crise em Washington. Testemunhou a repressão a milhares de manifestantes famintos e desistiu no meio do caminho. Deslocou-se de trem, barco e a pé antes de parar no outro extremo do país, na Costa Leste. Passou a mendigar e foi preso por vadiagem durante 30 dias.
Leitor compulsivo, London inspirou-se nos relatos de aventuras de Herman Melville e Joseph Conrad para descrever sua travessia. Anotou a lápis, num diário de 83 páginas, suas vivências e impressões da América deprimida. Suas narrativas só chegaram ao público em forma de livro em 1907, quando London já era um sucesso, o primeiro americano a ganhar US$ 1 milhão escrevendo livros. A Estrada (Boitempo, 200 páginas, R$ 38, tradução de Luiz Bernardo Pericás) é para a crise de 1893 o que o romance As Vinhas da Ira, de John Steinbeck, foi para a Depressão de 1929: uma descrição realista e incisiva da situação do país. Sem a compaixão e o romantismo típicos dos best-sellers de London, como Caninos Brancos e O Lobo do Mar.
Mais do que retratar o espírito daqueles dias, com sua viagem London se tornou o primeiro andarilho da literatura americana. Palmilhou a trilha seguida por beats como Jack Kerouac décadas depois. E inaugurou a mística do “hobbo”, o vagabundo errante, que anda na pindaíba de cidade em cidade, tão cara a escritores como Ernest Hemingway e George Orwell em seus aprendizados na indigência.