segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O sári vermelho

Índia, 22 de maio de 1991. Um atentado tira a vida de Rajiv Gandhi e o país perde o seu maior protetor. Mas a morte de Rajiv não é o fim de um amor puro, que sobreviverá no coração de Sonia Ghanhi, uma italiana que abandonou a terra natal para ficar ao lado de seu amor. Agora Sonia precisa ajudar o Índia, seu povo e sua política, a manter os ideais e os sonhos de uma grande nação.
Com verdadeira magia narrativa, Javier Moro relata a grande saga familiar dos Nehru-Ghandi, homens e mulheres presos nas garras do poder, prisioneiros de um destino que não escolheram, o mesmo que levará Sonia a encarnar as esperanças de 1,2 bilhão de pessoas no país de Mahatma Ghandi.
Editora Planeta, tradução de Sandra Martha Dolinsky

São 534 páginas.  20 a 30 devoradas a cada dia no trajeto casa/trabalho e trabalho/casa. Como? 20 páginas? É verdade! É simplesmente fascinante a narrativa do autor Javier Moro (como dito acima: verdadeira magia).
A política vista sob o âmbito familiar - de dentro pra fora!
Sob o prisma feminino, já que conta a história da nora de Indira Ghandi - uma estrangeira que desafiou a Índia por amor...
Da mesma forma que há pessoas magnetizadas por endorfina (alpinistas, amantes da velocidade etc), há outros atraídos pelo poder.
Diante de um mandato de prisão, Indira cria uma manobra e sai como deusa. (pág.249) Sonia estava começando a entender o afã de sua sogra de estar imaculamente vestida. Conseguira se projetar como uma mártir da justiça. Admirava esse afã de luta e, ao mesmo tempo, o desapego de sua sogra pelos benefícios do poder; agora tinha certeza de que Indira voltaria ao topo, nem que fosse só para limpar seu nome e ser de novo o orgulho dos seus, principalmente de seus netos, que adorava. Sonia a entendia porque ambas compartilhavam um senso muito profundo e intenso de família. Porém, não via o  outro lado do caráter de sua sogra porque nunca se sentira atraída pelo poder. Para Indira, era uma espécie de droga. O próprio Kissinger havia dito que o poder era o melhor afrodisíaco que existia. De uma menina feinha e solitária, depois de uma mulher frágil e delicada de saúde, graças ao poder Indira se tornara uma lutadora formidável, dura e tenaz. Tinha o germe dentro de si, e sentia-o agitar-se cada vez a que a possibilidade de chegar ao poder, por mais remota que fosse, despontava ao horizonte.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Lygia Fagundes Telles



São Paulo, 1973, auge da ditadura militar. Num pensionato para moças, as universitárias Lorena, Lia e Ana Clara iniciam a vida adulta num mundo conturbado por rápidas transformações. Lygia Fagundes Telles entrelaça de modo sutil e complexo as trajetórias dessas meninas às voltas com o sexo, as drogas e a repressão política.

Num pensionato de freiras paulistano, em 1973, três jovens universitárias começam sua vida adulta de maneiras bem diversas. A burguesa Lorena, filha de família quatrocentona, nutre veleidades artísticas e literárias. Namora um homem casado, mas permanece virgem. A drogada Ana Clara, linda como uma modelo, divide-se entre o noivo rico e o amante traficante. Lia, por fim, milita num grupo da esquerda armada e sofre pelo namorado preso.
As Meninas colhe essas três criaturas em pleno movimento, num momento de impasse em suas vidas. Transitando com notável desenvoltura da primeira pessoa narrativa para a terceira, assumindo ora o ponto de vista de uma ora de outra das protagonistas, Lygia Fagundes Telles constrói um romance pulsante e polifônico, que capta como poucos o espírito daquela época conturbada e de vertiginosas transformações, sobretudo comportamentais.
Obra de grande coragem na época de seu lançamento (1973), por descrever uma sessão de tortura numa época em que o assunto era rigorosamente proibido, As Meninas acabou por se tornar, ao longo do tempo, um dos livros mais aplaudidos pela crítica e também um dos mais populares entre os leitores da autora.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Sonho Masai

 
Sigo o blog de uma portuguesa e encontro sempre indicações que me convencem...
Inclusive, certifico-me, a cada consulta, de quantas preciosidades não tenho acesso por não dominar a língua inglesa - quantos livros não interessam aos editores brasileiros e não nos são apresentados...
Digo língua inglesa porque é aquela dita como universal.
E, ao perguntar ao Google sobre o autor Justin Cartwright, só encontrei os comentários que a portuguesa Claudia escreveu:

Justin Cartwright nasceu na África do Sul e vive, atualmente, em Londres sendo, já desde o início da sua carreira literária, considerado pela crítica especializada como um dos mais interessantes escritores ingleses contemporâneos.
Em O Sonho Masai, o Autor explora os processos de aculturação sofrida pelos povos daquela região equatorial africana, sob forte influência da cultura britânica manifesta nos hábitos, padrões de cultura e normas de conduta daquele povo emblemático da nação Queniana.
Mas o que torna esta obra realmente interessante, sobretudo para os apaixonados das ciências sociais (com especial destaque para a antropologia e sociologia pela referência constante a nomes como Margaret Mead, Émile Durkheim, Marcel Mauss e Claude Lévi-Strauss) é o fato de este autor ousar estabelecer uma analogia entre os hábitos considerados "selvagens" da cultura da sociedade Masai e os da Europa da Segunda Guerra Mundial.
O conteúdo da obra oscila ao ritmo de duas histórias, contadas em paralelo, situadas em duas épocas diferentes: nos anos 1990 do séc.XX, o escritor Tim Curtiz é encarregado de elaborar um argumento para um filme sobre a etnóloga judia Claude Casson, a qual dedicou a sua vida profissional ao estudo da cultura Masai, nos anos 30, e ao regressar à Europa, durante a 2ª Guerra Mundial, acaba por falecer em Auschwitz, vítima da selvajaria ariana e da cegueira mental da própria família. Tim recolhe elementos da vida de Claude, através do testemunho de personagens suas contemporâneas e recorre, frequentemente, ao uso da analogia. Liga, desta forma, a sua vida pessoal e afetiva à da etnóloga acabando por estabelecer um fio condutor que une o passado ao presente.
Ao longo de todo o desenrolar da narrativa, o leitor tem a sensação de estar a assistir a um documentário da BBC. Pela alternância permanente entre cenas passadas num e noutro ambiente, o leitor mais atento é obrigado a repensar o conceito de "selvagem", pela comparação de comportamentos individuais e colectivos inerentes às duas culturas.
As descrições são pormenorizadas, detalhistas e dotadas de um realismo brutal, assemelhando-se, por vezes, às de Patrick Süskind em O Perfume (como a descrição do ambiente infecto de uma sala de cinema, no 1º capítulo).
Um livro humanista e demolidor no que toca à destruição de estereótipos e preconceitos. Suculento para quem é dono de uma mente aberta, a permitir olhar para as civilizações do ponto de vista do relativismo cultural e do interculturalismo. Ideal para quem gosta de pensar.
Cláudia de Sousa Dias

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Flores para você!


Eu que achava que gostava de fotografar flores...
Vejam as fotos do Lucarol! Simplesmente fantáásticas!




quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Um bom filme estrangeiro

Terrorismo não está entre um dos temas favoritos dos jurados da Academia. Assim, Incêndios, apesar de retratar drama familiar com história regional, certamente não ganhará o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2011.


O filme canadense usa a história familiar como ponto de partida para mostrar as atrocidades cometidas durante conflitos entre facções fundamentalistas rivais.

Título Original : Incendies
Sinopse : Antes de morrer, uma mãe faz um último desejo ao casal de filhos, os irmãos gêmeos Simon e Jeanne: eles devem reencontrar o pai que há muito tempo imaginavam morto. Para tanto, eles seguem rumo ao oriente médio, numa jornada que também lhes servirá como uma busca às próprias raízes sempre cercadas sob um véu de mistério.
Assista ao trailer.
Elenco : Maxim Gaudette, Mélissa Désormeaux-Poulin, Lubna Azabal, Mohamed Majd, Allen Altman, Abdelghafour Elaaziz, Nabil Sawalha, Rémy Girard, Baya Belal.
Genero : Drama
Ano de Produção : 2010
País de Produção : Canadá
Duração : 130 min
Diretor : Denis Villeneuve
Roteiro : Denis Villeneuve
Fotografia : André Turpin
Distribuidora local : Imovision
Trilha : Grégoire Hetzel
Peça teatral de Wajdi Mouawad - escritor canadense, nascido no Líbano, vencedor do "Prêmio Nestroy" em 2007.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

João Roberto Ripper

Teca, vá por mim, por favor!
Sinta por mim esta emoção!

A Caixa Cultural Curitiba inaugura na próxima terça-feira (22), às 20h, a exposição Imagens Humanas, com obras do fotógrafo João Roberto Ripper. Com curadoria de Dante Gastaldoni, a mostra exibirá 70 ampliações e um mosaico de rostos de brasileiros de diversas regiões, raças e cores. Ripper e Gastaldoni realizam ainda o debate “A fotografia a serviço dos direitos humanos”, também no dia 22 de fevereiro, às 19h. A mostra fica em cartaz de 23 de fevereiro a 20 de março e a entrada é franca.

Ripper possui um arquivo com mais de 150 mil fotos. O fotógrafo, em 35 anos de carreira, alia excelência fotográfica à militância social e, é extremamente voltado para a questão dos direitos humanos e a busca de um mundo socialmente mais justo. Na tentativa de representar uma parcela deste importante trabalho, a exposição foi dividida em cinco módulos temáticos: Amor, Alegria, Dor, Superação e Liberdade. O fotógrafo cobriu o Brasil de norte a sul, com um olhar poético e investigativo, provocou 'furos de reportagem' e ganhou diversos prêmios internacionais com seus projetos artísticos focados nos Direitos Humanos. Ele também está à frente da agência-escola Imagens do Povo, criada em 2004, na Maré, uma das maiores favelas do Rio de Janeiro. Na agência-escola ele ensina jovens fotógrafos e os prepara para o mercado de trabalho.
História - O fotógrafo João Roberto Ripper é formado em jornalismo e já teve seus trabalhos publicados em grandes veículos de comunicação no mundo como Washington Post, New York Times, Le Mond, Herald Tribune. em revistas nacionais, seus trabalhos já foram estampados na Marie Claire, Caros Amigos, Veja, Revista de Domingo do Jornal do Brasil, entre outros.
Já foi premiado nos prêmios Interpresphoto; Waldimir Herzog; Nacional de Fotografia da Fundação Nacional de Arte e do Instituto Nacional de Fotografia; Agenda Latino-americana; João Canuto - Homenagem da organização Humanos Direitos e Marc Ferrez.


Serviço
Exposição: “Imagens Humanas” do fotógrafo João Roberto Ripper
Local: Galeria da Caixa - Rua Conselheiro Laurindo, 280, Centro – Curitiba/PR
Abertura: 22 de fevereiro – Terça 20h
Data: de 23 de fevereiro a 20 de março
Horários: de terça a sábado das 10 às 21h e domingos das 10 às 19h
Entrada Franca



Outras fotos da Travessia Altamira x São José da Serra - CIPÓ



Fotos do Manu e Marçal 


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Vale da Lagoa Dourada

Na travessia Altamira x São José da Serra com o grupo Caminhada Mineira conheci o Vale da Lagoa Dourada.
Como estou feliz!! Por novos amigos, por ter estado no "meio do mato" e recarregado as energias!
Só uma pequena amostra:



E um lembrete importantíssimo: terei de voltar, em breve! Minha câmera (por total culpa e "defeito" da operadora) registrou tudo em miniaturas: apenas 56kb...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Circuito das Estações ADIDAS


ETAPAS EM BH

OUTONO 20.03
INVERNO 12.06
PRIMAVERA 21.08
VERÃO 27.11

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Assim falava Zaratrusta...

Que inspiração! Adoro saber que tenho amigos criativos, inusitados, únicos!
Paulinha nos traz um blog interessantíssimo! Um dia imaginei (ainda, só ainda, não realizei este sonho) pinturas rupestres nos azulejos de minha cozinha -  a intenção é que minha neta use tinta guache e alegria!
Descobri que azulejos podem fazer muuuuito mais: podem conversar!
E Nietzsche é um bom companheiro, não só para mim...
Parabéns, Paulinha! Adoreeei!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Real Gabinete Português de Leitura

Turismo no Rio de Janeiro tem de, no mínimo,
fotografar a Baía de Guanabara;
caminhar na Praia de Copacabana;
visitar a(o):
Theatro Municipal,
Biblioteca Nacional,
Confeitaria Colombo
e Real Gabinete Português de Leitura


O Gabinete de Leitura (depois elevado a Real) foi fundado em 1837 por um grupo de 43 portugueses. A instituição funcionava inicialmente em um sobrado da Rua Direita (atual Primeiro de Março), ocupando depois várias outras sedes. Em 1887 foi inaugurado o edifício próprio, na antiga Rua da Lampadosa (que teve então seu nome mudado para Luís de Camões).

A fachada do prédio, com estilo arquitetônico manuelino, apresenta esculturas de figuras históricas. No interior, a estrutura de ferro é dividida em três níveis de estantes de madeira com entalhes rebuscados. Uma vistosa clarabóia garante a entrada da luz natural. A entrada e a consulta dos livros são gratuitas.
Atualmente, o Real Gabinete possui aproximadamente 350.000 livros, sendo, em todo o mundo, o maior acervo de autores portugueses fora de Portugal, além de contar com diversas publicações de autores africanos e de Macau, possessão lusa até 1999.


Rua Luís de Camões nº 30, no Centro do Rio.
Horário de funcionamento:
de segunda a sexta-feira,
das 9 às 18h.

Curiosidades:
O prédio histórico foi utilizado como locação para filmes, telenovelas e especiais de televisão, tais como:
* O Primo Basílio (1988), de Daniel Filho
* Os Maias (2001), de Luiz Fernando Carvalho
* O Xangô de Baker Street (2001), de Miguel Faria Jr.
* Mad Maria (2005), de Ricardo Waddington
Fonte: Rio & Cultura.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Lucarol, mais uma vez!


Adoro suas fotos! E pensar que neste final de semana vou também colecionar fotos! Vou passear por essa natureza maravilhosa, olhando os insetos, as flores, os morros, as serras... Uma junção de cores que jamais me cansa!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Impunidade para alguns? Para muitos? Ou conivência do Poder Público?

Confesso que chorei! Chorei ao assistir as filmagens oficiais e os vídeos amadores do acidente ocorrido no dia 19 de janeiro no Anel Rodoviário em BH.
O caminhão que atingiu 14 veículos, matou 5 pessoas e feriu outras 13 estava a 115km/h.
Perdeu os freios?! É muuuita cara de pau! Perdeu o controle do caminhão?! Lógico! 37 toneladas de trigo em uma carreta bitrem a uma velocidade acima da permitida em horário de pico...
O motorista foi indiciado por homocídio doloso eventual. Significa que assumiu o risco de matar!
Afinal, anjos da guarda não têm força de Super-heróis! Eles não conseguiriam parar aquela carreta embalada por 6km de descida num ponto em que a entrada da via marginal para a via principal provoca retenção de tráfego, logo depois de uma curva!

Foto: Carlos Rhienck/Futura Press

E o pior é que o motorista do guincho que transportou meu carro na madrugada de domingo, dia 13 (é, meu carro foi arrombado, de novo!) confessou que também dirige à esquerda naquele trecho do Anel - sempre!!
Seus veículos (tem mais de um caminhão guincho plataforma) são considerados INSTRUMENTOS DE PODER!
Poderoso não, lesado é o que ele é!

Concordo com Ruth de Aquino quando anui as palavras de Roberto DaMatta:
“Somos um país de senhoritos, não carregamos nem mala”, diz o antropólogo Roberto DaMatta, autor do livro Fé em Deus e pé na tábua. DaMatta associa a violência no trânsito brasileiro a nossa desigualdade. Usamos o carro como instrumento de poder e dominação social, um símbolo do “sabe com quem você está falando?”.
Ruth nos conta sobre a procuradora do Trabalho Ana Luiza Fabero que, embriagada, atropelou Lucimar e usou (e abusou) de seus privilégios de procuradora: que não pode ser indiciada em inquérito policial, não precisa depor, não pode ser presa em flagrante delito, não tem de pagar fiança.
Também não precisa socorrer a vítima nem soprar o bafômetro.
Não é multada, não sofre repreenda alguma porque se permite tirar "licença prêmio" e ficar incomunicável.
Vive, pois, na certeza da impunidade. E nós continuamos pagando o seu pão de cada dia!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Nem tão silenciosa assim

Em outro post concordei com o ponto de vista de Guilherme Fiúza sobre o silêncio da presidenta Dilma...
E não é que ela falou?!! Fez um pronunciamento nesta quinta-feira, dia 10 de fevereiro, e colocou a educação num patamar tão elevado que chego a acreditar que realmente, desta vez, alguma coisa vai mudar...
Ilusão minha? Pode ser! Afinal, política é um mundo que não me pertence; políticos serão sempre políticos...
Mas, como ser humano e cheia de esperança, vi aí "uma luz no final do túnel"...



Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
Nossos jovens estão de volta às aulas. A abertura do ano escolar é sempre uma festa de alegria, de fé e de esperança. É com esse sentimento que saúdo os estudantes, seus pais e, muito especialmente, todos os professores brasileiros.

Estou aqui para reafirmar o meu compromisso com a melhoria da educação e convocar todos os brasileiros e brasileiras para lutarmos juntos por uma educação de qualidade. Vivemos um momento especial de nossa história. O Brasil se eleva, com vigor, a um novo patamar de nação. Temos, portanto, as condições e uma imensa necessidade de darmos um grande salto na qualidade do nosso ensino. Um desafio que só será vencido se governo e sociedade se unirem de fato nesta luta, com toda a força, coragem e convicção.
Nenhuma área pode unir melhor a sociedade que a Educação. Nenhuma ferramenta é mais decisiva do que ela para superarmos a pobreza e a miséria. Nenhum espaço pode realizar melhor o presente e projetar com mais esperança o futuro do que uma sala de aula bem equipada, onde professores possam ensinar bem, e alunos possam aprender cada vez melhor. É neste caminho que temos que seguir avançando com passos largos.
É hora de investir ainda mais na formação e remuneração de professores, de ampliar o número de creches e pré-escolas em todo o país, de criar condições de estudo e permanência na escola, para superar a evasão e a repetência. E, muito especialmente, acabar com essa trágica ilusão de ver aluno passar de ano sem aprender quase nada.
É hora de fazer mais escolas técnicas, de ampliar os cursos profissionalizantes, de melhorar o ensino médio, as universidades e aprimorar os centros científicos e tecnológicos de nível superior. É hora de acelerar a inclusão digital, pois a juventude brasileira precisa incorporar, ainda mais rapidamente, os novos modos de pensar, informar e produzir que hoje se espalham por todo o Planeta. Em suma, esta é a grande hora da Educação brasileira. Isso só será possível se cada pai, cada aluno, cada professor, cada prefeito, cada governador, cada empresário, cada trabalhador tomar para si a tarefa de acompanhar, discutir, cobrar, propor e construir novos caminhos para a nossa Educação. Como Presidenta, como mãe e avó, darei tudo de mim para liderar esse grande movimento.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
Pouco mais de um mês depois de assumir a Presidência, tenho algumas coisas a anunciar na Educação. Vamos lançar, ainda neste trimestre, o Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica, o Pronatec, que, entre outras vantagens, levará ao ensino técnico a bem-sucedida experiência do ProUni.
Estamos também acelerando a implantação do Plano Nacional de Banda Larga, não só para que todas as escolas públicas tenham acesso à internet como, também, para que, no médio e longo prazos, a população pobre possa ter internet em sua casa ou no seu pequeno negócio a preço compatível com sua renda.
Informo, também, que o governo está tomando medidas para corrigir e evitar falhas no Enem e no Sisu, pois é fundamental aperfeiçoar e aumentar a credibilidade destes instrumentos, que são muito importantes na avaliação do aluno e da escola e, portanto, na melhoria da qualidade do ensino.
Para concluir, reafirmo que a luta mais obstinada do meu governo será o combate à miséria. Isso significa fortalecer a economia, ampliar o emprego e aperfeiçoar as políticas sociais. Isso significa, em especial, melhorar a qualidade do ensino, pois ninguém sai da pobreza se não tiver acesso a uma educação gratuita, contínua e de qualidade. Nenhum país, igualmente, poderá se desenvolver sem educar bem os seus jovens e capacitá-los plenamente para o emprego e para as novas necessidades criadas pela sociedade do conhecimento.
País rico é país sem pobreza. Este será o lema de arrancada do meu governo. Ele está aí para alertar permanentemente a nós, do governo, e a todos os setores da sociedade, que só realizaremos o destino de grandeza do Brasil quando acabarmos com a miséria.
Sem dúvida, essa é uma tarefa para toda uma geração. Mas nós temos determinação para realizar a parte importante que falta, para que a única fome neste país seja a fome do saber, a fome de grandeza, a fome de solidariedade e de igualdade. E para que todos os brasileiros possam fazer da educação a grande ferramenta de construção do seu sonho.
Muito obrigada e boa noite!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Não há força mais poderosa na Terra que a vontade de viver!!



Adrenalina pura!! Eletrizante! Chocante!
É fato: não posso assistir a este filme sozinha...

"127 horas" subverte os clichês, abre mão dos sustos e transforma a aventura de um alpinista em drama psicológico

Danilo Venticinque

Não é preciso assistir a muitas aventuras de alpinismo para entender a fórmula de um filme do gênero. Depois de uma breve introdução, os personagens embarcam em uma escalada difícil. Passam por alguns sustos até que, lá pelos 40 minutos de filme, algum desastre imprevisível os coloca em uma situação-limite, na qual são forçados a tomar decisões de vida ou morte em um ambiente de extrema tensão. 127 horas subverte os clichês, abre mão dos sustos e transforma a aventura em drama psicológico. Talvez por isso seja um dos filmes mais aclamados da história do gênero, com seis indicações ao Oscar (Melhor Filme, Ator, Edição, Canção, Trilha Sonora e Roteiro Adaptado).

O filme é baseado na história de Aron Ralston, um alpinista que sofreu um acidente em 2003 durante a descida de um cânion em Utah, nos Estados Unidos. Com o braço direito prensado por uma rocha, Ralston ficou preso no local por cinco dias até conseguir se libertar. Sua experiência foi narrada no livro Between a rock and a hard place (Entre a rocha e um lugar duro), no ano seguinte.
A situação-limite de 127 horas é mostrada logo no início, depois da sequência de créditos. Durante uma hora e meia de filme, o espectador fica preso à rocha junto com Ralston, enquanto o alpinista procura maneiras de soltar seu braço e se manter vivo com os poucos recursos a sua disposição: um canivete, uma lanterna, uma mochila, uma corda e uma garrafa de água. É a premissa para o filme mais claustrofóbico desde Enterrado vivo (2010), drama que se passa dentro de um caixão.
Para evitar a monotonia, o diretor Danny Boyle (vencedor do Oscar por Quem quer ser um milionário?) interpola cenas do confinamento de Ralston com memórias de seu passado recente e sua adolescência. Com o passar dos dias, as memórias dão lugar a delírios e pesadelos. O próprio Ralston colaborou, ao participar da adaptação do roteiro e permitir que detalhes de sua história fossem alterados para que ela funcionasse melhor no cinema. Por fim, ambos contaram com a ajuda do ator James Franco (conhecido pelo papel de Harry Osborn em Homem-Aranha), que convence tanto nas manifestações de desespero do personagem quanto em suas tentativas de manter a calma. Em um filme tão centrado no protagonista, sua boa atuação é fundamental – e a indicação para o Oscar foi merecida.
A história avança e a angústia do personagem aumenta até o momento que justifica o livro e o filme. Sem água, Ralston decide cortar seu braço com um pequeno canivete para se libertar da rocha. A cena não poupa o espectador do sangue nem dos detalhes. Chegou a ser elogiada por médicos americanos por seu realismo: trata-se de um verdadeiro tutorial de como amputar o próprio braço, etapa por etapa – osso, pele, carne e nervos. Outros médicos preferiram advertir os espectadores. Em sessões nos Estados Unidos, a cena teria provocado vômitos, desmaios e ataques de pânico em parte do público. Sem contar os que saíram da sala de exibição por não conseguir vê-la.
Apesar do burburinho provocado pela cena, o que faz de 127 horas um bom filme não é a amputação chocante, mas sua direção e a atuação. Em vez de fazer de Ralston um herói, Boyle e Franco criam um protagonista digno de uma peça do dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989), na definição do ator: o drama de um homem que luta contra a própria paralisia diante de uma situação absurda, em um cenário inóspito. O filme também pode ser visto como uma fábula sobre o valor e os perigos do individualismo. Ao contrário de outros alpinistas, Ralston preferia escalar sozinho e não se preocupava em avisar aonde iria. Por isso, ao sofrer o acidente, contava apenas com os próprios esforços para lutar pela vida. A história de sua sobrevivência carrega uma lição ambígua. A vontade humana é capaz de superar obstáculos aparentemente invencíveis. Mas o preço do individualismo pode ser alto.
Época, 14 de fevereiro de 2011.

Aron Ralston

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Qual prefiro?

A resposta é óbvia demais!!!
Seria o mesmo que me perguntar se caso ou compro uma bicicleta, kkk

Presente: revistas velhas

Adorei meus presentes! Revistas IstoÉ Dinheiro e Exame!
Amigos atenderam minhas súplicas.
Agora leio reportagens sobre finanças e economia e tento me familiarizar com expressões e termos que, por incrível que pareça para uma bancária, não faço a menor ideia do que se trata...
Insisto; afinal, a pós vai começar em breve...

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Fotografar é uma arte!

Robson Bento
  Mais uma vez meu querido Robin...
  Por isso eu digo: faça com amor, qualquer  
  coisa, escolha qualquer profissão!!
  Se fizer com amor, o reconhecimento vem...



Mais um grande fotógrafo apresentado pela nossa querida e parceira Daniela Romanesi , mais um amante dos detalhes na qual fotografa com amor e originalidade.Detalhes que muitas vezes passam despercidos por nós, Robson Bento que construiu uma galeria de incríveis fotografias.
Robson ficou por cinco anos trabalhando como professor de natação, até descobrir seu verdadeiro dom. Descobriu na fotografia a ferramenta perfeita de criação e desenvolvimento de ideias. Acredita que a simplicidade é o caminho para se conseguir fotos autênticas.
Ao longo desse novo caminho, conseguiu importantes clientes como a Brazilian Adventure Society, GNT-Globosat, Casa das Rosas-Estado de São Paulo e importantes eventos como São Paulo Fashion Week, Semana Mesa SP, Adventure Sports Fair, dentre outros.
Agora aprecie um pouco do trabalho deste grande fotógrafo!

Fotografias de:
Robson Bento
www.flickr.com/photos/robbento

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O berço do islã radical

Embora hoje se declare favorável à democracia, a Irmandade Muçulmana pode se tornar o maior obstáculo à abertura no Egito

José Antonio Lima, do Cairo, com Eliseu Barreira Junior
Época, 7 fevereiro 2011
De todas as incertezas e aflições do mundo diante do que ocorre no Egito, a maior delas é o que esperar da Irmandade Muçulmana, o maior movimento político islâmico do mundo árabe, quando chegar ao fim a ditadura de Hosni Mubarak. O maior temor do mundo ocidental – com Estados Unidos e Israel à frente – é que o grupo conduza uma radicalização islâmica no Egito, tal qual os aiatolás iranianos fizeram após a queda do xá Reza Pahlevi, em 1979.

A Irmandade abdicou formalmente da violência em 1970. Mesmo oficialmente banida pelo governo egípcio desde 1954, hoje seus líderes integram a coalizão oposicionista que deverá ocupar o espaço a ser deixado por Mubarak. Mas um olhar sobre a história do movimento justifica a preocupação com uma guinada rumo à teocracia.
A Irmandade Muçulmana foi fundada em 1928 pelo professor egípcio Hassan al-Banna, na cidade de Ismailia, nordeste do país. Seu objetivo declarado era revitalizar os valores islâmicos num momento em que o nacionalismo de esquerda secular então vigente estava desacreditado pelo colonialismo britânico. De uma entidade voltada a missões educacionais e de caridade, a Irmandade evoluiu rapidamente para a ação política. O movimento se alastrou por Síria, Jordânia e Palestina, que o adaptaram a suas realidades.
No Egito, logo surgiu uma pressão interna para que Al-Banna criasse um braço militar para lutar contra os britânicos. Ele cedeu, e a ala armada passou a realizar ataques contra quem via como inimigo. A primeira ação violenta relevante foi o assassinato do primeiro-ministro Nokrashy Pasha, em 1948. Seis anos depois, já sob o Egito independente, membros da Irmandade tentaram matar o presidente Gamal Abdel Nasser. A resposta do governo foi pôr o grupo na ilegalidade e perseguir seus líderes.
Foi nesse período que a Irmandade, já militarizada, ganhou um ideólogo jihadista. Crítico literário e funcionário público, Sayyid Qutb ganhou prestígio dentro do grupo, com sua defesa da lei islâmica (charia) para todo o mundo muçulmano e sua desconfiança dos valores ocidentais. Seu manifesto Ma’alim fi-l-Tariq (algo como Marcos principais), de 1964, é considerado o manual inspirador de grupos radicais. Qutb é uma espécie de “pai espiritual” de vários grupos islâmicos extremistas, do Hamas (uma espécie de braço da Irmandade na Palestina) à Al-Qaeda.
O médico egípcio Ayman al-Zawahiri, o número dois da Al-Qaeda e ideólogo de Osama Bin Laden, começou nas fileiras da Irmandade. Mohammed Atta, o terrorista apontado como piloto de um dos aviões que se chocaram contra as Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001, vivia de perto com membros da Irmandade e seu pai apoiava o movimento. Mesmo sem ter relação direta com o terrorismo islâmico mais recente, a Irmandade sofre com a imagem de uma organização que sempre teve problemas para conter extremistas criados em seu próprio ninho. De dentro da Irmandade, nasceu também a Jihad Islâmica Egípcia, apontada como responsável pelo assassinato do presidente Anwar al-Sadat, em 1981, numa represália ao acordo de paz assinado com Israel dois anos antes.
Parte da apreensão também se deve ao fato de a Irmandade ocupar na sociedade um espaço semelhante ao dos radicais palestinos do Hamas ou dos libaneses do Hezbollah. Todos agem no vácuo estatal, proporcionando benefícios sociais como educação e saúde a populações abandonadas pelo Estado. O Egito, porém, é um país muito mais diversificado social e culturalmente, e há vários gru-pos que bloqueiam a islamização fundamentalista: o Exército, de onde vem Mubarak; os cristãos coptas, cerca de 10% da população, boa parte deles entre os mais ricos do país; e os partidos liberais e os de esquerda, seculares.
A desconfiança do Ocidente incomoda os simpatizantes egípcios da Irmandade. “O Egito não é o Irã. Nós somos moderados. Tudo o que está no Alcorão tem de passar pela vontade do povo”, disse a ÉPOCA o pediatra Abdel Moneim Aboul Fotouh, de 60 anos, secretário-geral da União Árabe de Médicos e voz influente dentro da Irmandade – ele e outros profissionais liberais dão forte sustentação ao grupo na sociedade civil. O grupo de profissionais liberais do qual faz parte Fotouh também prefere a estabilidade de uma democracia com uma cultura muçulmana a uma revolução islâmica. “Para nós, charia significa liberdade, justiça e desenvolvimento, e não cortar as mãos de criminosos e oprimir a mulher”, diz Fotouh.
É bem verdade que o discurso de temor sempre foi conveniente para os interessados em manter Mubarak. “O governo egípcio sempre permitiu à Irmandade certa margem de manobra. É para sustentar a ideia de que um ‘bicho-papão’ islâmico está à espreita”, afirma Rashid Khalidi, professor de estudos árabes da Universidade Colúmbia, de Nova York. Até agora, a Irmandade mostra coerência em sua promessa de moderação. Reconhece que não concorda com os acordos de paz com Israel, vigentes desde 1979, mas garante que não vai descumpri-los, para evitar o caos. O grupo anunciou que não terá candidato à Presidência, mas disputará as cadeiras do Parlamento (em 2005, seus partidários concorreram como independentes e levaram 20% dos assentos). A Irmandade fará inevitavelmente parte de qualquer futuro político do Egito. Se suas declarações de moderação forem confirmadas por meio de atos, o país poderá se tornar uma democracia de fato. Se, ao contrário, a Irmandade reproduzir a história de outros grupos islâmicos extremistas, ela se transformará nomaior obstáculo a que isso aconteça.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Trekking em Altamira

Um pouco mais sobre a Pequena Abelha

O estilo do autor Chris Cleave é o seguinte:
Em cada capítulo é uma personagem conversando com o (a) leitor (a) britânico (a).
Por que britânicos?
A protagonista Pequena Abelha (é o seu nome) é uma refugiada africana na Inglaterra e tenta um diálogo com aqueles que a acolheram (e expulsaram).

Nas pernas escuras da moça havia muitas cicatrizes brancas pequeninas. E pensei: Será que essas cicatrizes estão no seu corpo inteiro, como as luas e estrelas no seu vestido? Achei que isso também seria bonito, e peço-lhe neste instante que faça o favor de concordar comigo que uma cicatriz nunca é feia. Isto é o que aqueles que produzem as cicatrizes querem que pensemos. Mas você e eu temos de fazer um acordo e desafiá-los. Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: "Eu sobrevivi."

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Brasil pós reveillon e pré carnaval

Pode acontecer de tudo! Qualquer Medida Provisória pode ser publicada! Quaisquer aberrações podem chamuscar a tida democracia nacional. Os brasileiros ainda estão ressaquiados pela comilança do final do ano, pelas tragédias das chuvas, aumento das mensalidades escolares, IPTU e IPVA. E (por que não?) pensando na folia do carnaval... Por que se revoltariam com o repeteco da hipocrisia na política?

O silêncio da presidenta
Guilherme Fiuza
Época 7 fevereiro 2011

O Brasil está discutindo o Egito. Isso é normal. Por aqui, tudo terminou bem. Lula foi embora nos braços do povo e deixou a chave com a sucessora. Todos estão felizes. Mesmo os críticos do PT estão adorando a “presidenta”. O elogio corrente é ao silêncio de Dilma Rousseff. Os bem-pensantes estão deslumbrados com tudo o que ela não fala. Diante desse quadro de harmonia plena, as manchetes se voltam para a ditadura egípcia. Os brasileiros não aguentam mais o regime de Hosni Mubarak.
É uma pauta interessante. Chega de discutir política nacional. Do jeito que as coisas vão, se Dilma se internar num spa por uma semana é capaz de ninguém notar. Ou então será mais um pretexto para exaltações ao “estilo” da nova governante (ou o certo será “governanta”?). Em que consistiria o tal estilo? Ainda não há definições precisas. Um de seus traços marcantes, como já observado, é não dizer nada. O estilo aparentemente se completa com outro traço mais ousado: não fazer nada.
Pela primeira vez na história da República um governo novinho em folha sai das manchetes com menos de um mês de vida. E para dar lugar ao Egito. Das duas, uma: ou os problemas brasileiros estão resolvidos ou o novo governo não começou.
Os primeiros meses de um governo são o seu instante decisivo. É quando ele tem potência para emplacar seus grandes projetos – o momento em que a boa vontade per capita está elevada, e as forças da inércia podem ser vencidas pela mudança. Depois tudo se acomoda, o fator novidade se esvai, e o melhor que se pode fazer é administrar satisfatoriamente o botequim. Collor forçou a abertura da economia, Fernando Henrique iniciou as reformas do Estado e consolidou o Real, Lula tentou (em vão) o Fome Zero.
Dilma decidiu, deliberadamente, não tentar nada. Já era possível prever isso antes de sua posse, quando vazava da equipe de transição que a prioridade inicial seria a reforma política – o fetiche dos fetiches. Talvez pudesse ser uma cortina de fumaça para proteger alguma grande iniciativa: uma reforma do estúpido sistema de impostos, um plano de segurança pública decente, um choque de educação para tirar os professores da mendicância. Mas não era nada mesmo.
E lá vão os brasileiros exaltar o silêncio de Dilma. Fica faltando só uma pergunta: quem é Dilma?
Pela primeira vez na história um governo novinho sai das manchetes com menos de um mês de vida
Antes da eleição, ela era a afilhada de Lula, a mãe do PAC, a rainha do pré-sal e todos os slogans inventados para tirá-la do anonimato. Hoje, ela é a presidenta da República, com um ministério meio político, meio xepa do antecessor, liderando a falta de projetos de um governo sem cara alguma. Durma-se com um silêncio desses.
A tragédia das enchentes no Rio de Janeiro já saiu de cena, dando lugar ao Egito. É normal. Ficou tudo resolvido na região serrana do Rio com o Plano Mercadante – uns apontamentos de um seminário de meteorologia que o ministro da Ciência e Tecnologia leu em público para avisar o país que daqui a quatro anos vai morrer menos gente do que morreu agora. Um plano provavelmente irrevogável, como foi o pedido de demissão do próprio Aloizio Mercadante, então senador, da liderança do governo no auge do escândalo Sarney.
Como se sabe, Mercadante acabou ficando onde estava, por força do hábito. Revogou o irrevogável e abriu caminho para que Sarney também ficasse onde estava – a presidência do Senado, onde fora flagrado fazendo tráfico de influência por meio de atos secretos. Foi tudo tão bem feito, e o brasileiro está tão preocupado com o Egito que Sarney está aí de novo – não só livre, leve e solto, como reeleito presidente do Senado Federal.
Eis então uma injustiça na suposição de que Dilma não faz nada: ela trabalhou duro pela reeleição de Sarney.
Cada governo com sua causa, e cada país com o governo que merece. Fora Mubarak!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Não é uma Brastemp


Gostaria muito de saber como a Brastemp está reagindo a esta divulgação...

Refúgio, exílio e imigração

Quem é refugiado no Brasil? Quem é exilado? Quem é imigrante?
Quais os benefícios dados a eles? Qual o amparo legal? Nós, contribuintes, sustentamos quais deles?

A Época desta semana traz a situação do imigrantes do Haiti.
[...]"Não há previsão de refúgio para pessoas que se deslocam por desastres naturais"[...]

O que fazer com os imigrantes do Haiti?
O Brasil recebe cada vez mais haitianos que fogem da devastação após o terremoto. A lei não permite que eles sejam acolhidos como refugiados
Leonel Rocha e Ana Aranha

Em janeiro de 2010, o maior terremoto do Haiti em dois séculos matou mais de 200 mil pessoas, deixou outras 300 mil gravemente feridas e destruiu parte significativa da infraestrutura do país, um dos mais pobres do continente. Agora, as consequências da tragédia estão provocando um fluxo migratório inédito de haitianos para o Brasil. Eles buscam refúgio, sobrevivência e oportunidades de trabalho.
Estima-se que, em um ano, cerca de 700 haitianos atravessaram a fronteira brasileira empurrados pela catástrofe. Os primeiros registros de chegada de haitianos em fuga são de fevereiro de 2010, um mês após o terremoto. Eles são, em sua maioria, homens entre 20 e 40 anos. Na quinta-feira, chegaram as primeiras três crianças haitianas a Rio Branco, capital do Acre. Junto com os pais e outros parentes, elas foram acomodadas em um alojamento e aguardam a emissão de documento pela Polícia Federal. O grupo estava com passagem comprada até Manaus, no Amazonas. Eles chegaram num ônibus que faz a linha regular Peru-Rio Branco, trecho da principal rota usada pelos haitianos para entrar no Brasil.
A maioria dos haitianos que buscaram abrigo no Brasil entrou no país pela Região Norte e por Mato Grosso do Sul. O primeiro grupo chegou a Tabatinga, município do Amazonas localizado na fronteira com a Colômbia e o Peru. De lá, alguns tentaram entrar na Guiana Francesa, mas foram impedidos pela Polícia de Imigração do Departamento Ultramarino da França.
Em setembro, um grupo apareceu no município de Assis Brasil, na fronteira do Acre com o Peru. Às vésperas do Natal, prolongaram a viagem de ônibus até a vizinha Brasileia. Hoje, há quase 200 haitianos alojados em pousadas e numa quadra esportiva do município. Há ainda uma rota de entrada por Foz do Iguaçu. Pelo menos 18 haitianos fizeram a viagem de ônibus de Buenos Aires a São Paulo passando pela cidade paranaense.
Ao chegar ao Brasil, os haitianos procuram redes de assistência humanitária, como a Caritas, ligada à Igreja Católica, que encaminha solicitação para quem almeja ser recebido como refugiado. Com o protocolo dessa solicitação em mãos, que pode levar até dois meses para ser emitido, os haitianos passam a ter direito de tirar carteira de trabalho e CPF.
O pedido de refúgio é apenas a maneira mais rápida de os haitianos regularizarem a entrada no Brasil. Já se sabe que eles não serão registrados como tal. O status de refugiado só é dado a quem foi obrigado a deixar seu país de origem por perseguição política ou violação maciça de direitos humanos. É isso o que diz os tratados internacionais e a legislação brasileira. No caso da imigração recente de haitianos, a motivação é diferente: “Não há previsão de refúgio para pessoas que se deslocam por desastres naturais”, diz o mexicano Andrés Ramirez, representante do alto comissariado das Nações Unidas para Refugiados no Brasil. “Essa é uma questão que só agora deve começar a ser discutida nos fóruns internacionais, pois cada vez há mais deslocamentos por desastres naturais.”
O governo brasileiro ainda não tem uma solução definitiva para os 700 haitianos hoje no país. A mais provável é que se conceda a eles um visto de residência humanitária, o que lhes dará o direito de morar e trabalhar no Brasil por um tempo, mas não garantirá a rede de assistência a que os refugiados têm direito, com aulas de português, moradia e ajuda para inserção no mercado de trabalho. Há duas semanas, uma reunião com cinco ministros, coordenada pelo chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, decidiu que cabe ao Conselho Nacional de Migração encontrar uma solução para a regularização jurídica dos imigrantes haitianos. O órgão é vinculado ao Ministério do Trabalho.
“Toda semana temos informações da chegada de um grupo novo, e não podemos mandar esse pessoal de volta por uma questão humanitária”, afirma o secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre, Henrique Corinto. Em Brasileia, o governo acriano está fornecendo água e alimentos preparados na cozinha da paróquia da cidade.
A maior parte dos haitianos segue um caminho longo, tortuoso e desgastante até chegar ao Brasil (leia o mapa abaixo). Na primeira etapa da viagem, atravessam a fronteira seca de 300 quilômetros do país com a vizinha República Dominicana, uma área sem policiamento. Em pequenos aviões ou barcos precários, seguem até o Panamá. Por diversos meios, chegam ao Equador, país onde entram com facilidade porque não exige visto de haitianos. No Equador, alguns são abordados por coiotes, criminosos que cobram para ajudar quem quer entrar ilegalmente em outro país.
“Tem muita gente roubando haitiano na fronteira. Alguns pagam até US$ 2 mil para ir do Equador a Tabatinga. Quando chegam e percebem que não era preciso gastar tudo isso, querem matar o coiote”, afirma uma haitiana que está em São Paulo e pede para não ser identificada. Essa haitiana fez a rota do Equador a Tabatinga por conta própria e gastou menos de US$ 200. Como fala espanhol, foi recrutada a trabalhar como intérprete na fronteira e, por dois meses, traduziu as entrevistas dos haitianos que solicitavam refúgio para a Polícia Federal (PF). De Tabatinga, ela foi para Manaus, onde diz ter encontrado “um campo de haitianos”, alguns de retorno da Guiana, outros já empregados na construção civil. Só então partiu para São Paulo, numa viagem de avião financiada por amigos.
Os haitianos não podem ser considerados refugiados porque imigraram devido a um desastre natural
Muitos haitianos que entram pela Região Norte desistem de esperar a resposta sobre o pedido de refúgio e seguem para outras capitais. Em São Paulo, há 40 haitianos aguardando documentação. Pelo menos 18 deles fizeram outro caminho: entraram no país por Foz do Iguaçu. Um deles é Lovensky Barthelemy, de 36 anos, que voou da República Dominicana para Buenos Aires, de onde pegou um ônibus para São Paulo via Foz do Iguaçu.
A motivação de Lovensky em vir para o Brasil é típica dessa nova onda migratória. Depois de perder a casa no terremoto na vila em que morava, perto da capital, Porto Príncipe, ele deixou os três filhos com uma tia, reuniu todas as economias e resolveu partir. Com a ajuda de um amigo que mora nos Estados Unidos, conseguiu US$ 1.237 para a viagem. “Hoje, a maioria das pessoas no Haiti deseja sair de lá e morar em outro lugar, mas elas não têm dinheiro. O Haiti já não era bom antes do terremoto. Depois, acabou qualquer esperança de construir uma vida boa.”
Agora, Lovensky está morando na Casa do Migrante, no centro de São Paulo, com outros haitianos. Lá, dorme e recebe café da manhã e jantar. A Caritas oferece almoço, aulas de português e um kit de higiene pessoal. Ele aguarda o protocolo de solicitação de refúgio para tirar carteira de trabalho e CPF. “No Haiti, era motorista e mecânico. Espero trabalhar com isso aqui. Se não conseguir, faço qualquer coisa.” O plano é juntar dinheiro para trazer os filhos.
A chegada dos haitianos surpreendeu o governo brasileiro. Eles carregam passaportes, alguns com carimbos de vistos dos países por onde passaram. Nas entrevistas, se identificam como pedreiros, mestres de obras, carpinteiros, estudantes, professores universitários e até advogados. Todos falam a língua créole, oficial no Haiti, um pouco de francês e espanhol. Nas entrevistas feitas pelos assistentes sociais, os haitianos revelam um surpreendente conhecimento sobre as chances de emprego no Brasil. Sugerem que sejam transferidos para Rondônia, onde estão sendo construídas duas grandes hidrelétricas – Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira –, para que possam trabalhar na construção das barragens. Ao explicarem por que escolhem o Brasil, citam a convivência há quase sete anos com os soldados do Exército brasileiro que formam a Força de Paz no Haiti.
A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) fez exames nos refugiados, que, apesar de estarem debilitados fisicamente pela longa viagem, não estão com doenças contagiosas. A maior preocupação do governo brasileiro é com o cólera, que se alastra pelo Haiti. A Funasa também aplicou nos imigrantes todas as vacinas oferecidas anualmente pelo governo aos brasileiros. Segundo a haitiana que foi intérprete em Tabatinga, a maior parte dos compatriotas que chegam ao Brasil não sabe se vai ficar. “Eles pedem refúgio para poder entrar no país, mas nenhum deles vem com o sonho de morar no Brasil. Estão buscando um lugar melhor para viver”, diz. “Quero saber o que o governo vai fazer com eles e com os outros que ainda vão chegar.”

Vida de refugiada

Se este assunto já chamou minha atenção na obra Infiel: história de uma mulher que desafiou o Islã, com a questão Battisti, o tema volta à tona...
E o livro escolhido para ser o livro da vez conta a história de uma refugiada nigeriana no Reino Unido.

Palavras da protagonista do livro Pequena Abelha, de Chris Cleave:
Só estou viva porque aprendi a falar o Inglês da Rainha, o Queen’s English. Talvez você pense que, afinal, não é tão difícil assim. O inglês é o idioma oficial de meu país, a Nigéria. De fato, mas o problema é que na minha terra falamos inglês muito melhor do que vocês. Para falar o Inglês da Rainha, tive de esquecer todos os melhores truques da minha língua natal. Por exemplo, a rainha jamais diria: Foi uma encrenca danada, aquela garota se rebolou para agarrar meu filho mais velho, e dava para qualquer um adivinhar que ela ia se dar mal. Não, a rainha teria falado assim: Minha falecida nora usou seus encantos femininos para ficar noiva de meu herdeiro, e era de se prever que isso não acabaria bem. É meio triste, não acha? Aprender o Inglês da Rainha é como tirar o esmalte vermelhão das unhas dos pés na manhã seguinte a um baile. Leva um tempo enorme, sempre fica um pouco nos cantos e, quando a unha cresce, a mancha vermelha faz lembrar como a gente se divertiu naquela noite. Portanto, você pode deduzir que demorei um bocado para aprender. Por outro lado, tive tempo de sobra. Aprendi sua língua num centro de detenção de imigrantes em Essex, no sudoeste do Reino Unido. Fiquei trancada lá dois anos. Tempo era tudo o que eu tinha.

A Grã-Bretanha orgulha-se de sua tradição de proporcionar um abrigo seguro para pessoas que fogem de perseguições e conflitos.
De Vida no Reino Unido: uma jornada para a cidadania
(Ministério do Interior, Reino Unido, 2005)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Antônimo de alegre II

Realmente nossa língua é rica!!
Continuando:
[...] jururu, pesaroso, sisudo, abichornado, meditabundo...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O Futuro Chegou - livro


O futuro chegou é um ensaio de fôlego, que se propõe a difícil tarefa de debater com uma ampla tradição de interpretações do Brasil para responder à pergunta: para onde estamos indo? No panorama de crise configurado neste momento, em que uma sucessão de denúncias e investigações evidenciam práticas políticas extremamente negativas e profundamente danosas para o país, toda reflexão que nos proponha uma visão de conjunto sobre o Brasil é muito bem-vinda. Ainda mais quando é fruto de uma prolongada reflexão e de cuidadoso estudo. Escrito em meio à crise política atual - mas paulatinamente projetado ao longo dos últimos 20 anos - o livro O futuro chegou, do ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, proporciona esse tipo de reflexão. Na busca de uma resposta, Maílson recorre, em primeiro lugar, à história. Remontando, na primeira parte do livro, às origens do capitalismo, ele se debruça sobre alguns momentos cruciais da história do Ocidente, como as revoluções Gloriosa e Industrial, entre outros, para entender a formação do mundo contemporâneo. Sua análise é arguta, recorrendo a diversos autores e interpretações. Seu interesse, porém, não é entender o passado, mas juntar elementos que lhe permitam entender como funciona o nosso mundo e, especificamente, como o Brasil se encaixa nele. Ao longo da narrativa histórica, Maílson vai discutindo processos, analisando modelos de desenvolvimento, expondo teorias, em suma, "acumulando capital" histórico e teórico para introduzir o leitor à grande tese do livro. Essa tese está profundamente associada à chamada Nova Teoria Institucional, que Maílson abraça - sempre de forma crítica. De acordo com essa perspectiva, o desenvolvimento não é fruto de políticas econômicas milagrosas, mas da existência e da consolidação de instituições fortes que permitam tanto o crescimento sustentado - e não os surtos ocasionais propiciados pelas conjunturas específicas - quanto a distribuição da riqueza - pois, como Maílson não deixa de nos lembrar ao longo de toda a sua obra, crescimento e desenvolvimento são termos distintos, o primeiro não implicando necessariamente o segundo, na ausência de mecanismos que transformem a riqueza em bem-estar para o conjunto da população. É a partir dessa perspectiva que Maílson aborda, na segunda parte de sua obra, a história do Brasil, delineando, aos poucos, um modelo muito claro, absolutamente dominante até os meados da década de 1980, em que o patrimonialismo e o personalismo dominavam a vida nacional e impediam a formação de instituições sólidas que pudessem embasar um modelo seguro de desenvolvimento.

Site Americanas.com

Assista aos trechos da palestra que Maílson da Nóbrega por ocasião do 14o. ENACOR sob o tema Perspectivas da Economia Brasileira.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Poema - Fanatismo

Fanatismo
Florbela Espanca

Minhálma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és se quer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."

Renato recita este poema para Marcela na novela TiTiTi - ela ficou muuuito emociada (e eu também!).
Só porque este poema tem Fagner como intérprete, deixei de gostar... Pode?! Preciso rever meus conceitos...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Embalagem Tetra Pak é 100% reciclável

A reciclagem é umas das alternativas para o tratamento do lixo urbano e contribui diretamente para a conservação do meio ambiente. Ela trata o lixo como matéria-prima que é reaproveitada para fazer novos produtos e traz benefícios para todos, como a diminuição da quantidade de lixo enviada para aterros sanitários, a diminuição da extração de recursos naturais, a melhoria da limpeza da cidade e o aumento da conscientização dos cidadãos a respeito do destino do lixo.
Existem diversas tecnologias disponíveis para a reciclagem das embalagens da Tetra Pak. A reciclagem das fibras e do plástico/alumínio que compõem a embalagem começa nas fábricas de papel, em um equipamento chamado "hidrapulper", semelhante a um liquidificador gigante.
Durante a agitação do material com água e sem produtos químicos, as fibras são hidratadas, separando-se das camadas de plástico/alumínio. Em seguida, essas fibras são lavadas e purificadas e podem ser usadas para a produção de papel utilizado na confecção de caixas de papelão, tubetes ou na produção de material gráfico, como os folhetos distribuídos pela Tetra Pak.
O material composto de plástico/alumínio é destinado para fábricas de processamento de plásticos, onde é reciclado por meio de processos de secagem, trituração, extrusão e injeção. Ao final, esse material é usado para produzir peças plásticas como cabos de pá, vassouras, coletores e outros.
Outro processo de reciclagem permite que o plástico com alumínio seja triturado e prensado a quente, transformando-se em uma chapa semelhante ao compensado de madeira que pode ser usada na fabricação de divisórias, móveis, pequenas peças decorativas e telhas. Esses materiais têm grande aplicação na indústria de construção civil.
Outra tecnologia, esta nova e inédita, desenvolvida localmente no Brasil, trabalha com o processamento do composto de plástico/alumínio em um forno de plasma. O sistema aquece a mistura de plástico e alumínio a altíssimas temperaturas em uma atmosfera sem oxigênio (que preserva a qualidade do alumínio). Neste processo, o plástico se quebra em moléculas, transformando-se em parafina e o alumínio se funde, tornando-se matéria-prima pura novamente, que pode voltar a ser folha para uso em embalagens longa vida. Uma planta industrial com esta tecnologia começa a operar em 2005 por meio de uma parceria da Tetra Pak, Klabin, Alcoa e TSL.

Confira no siteTetra Pak: eu reciclo, eu transformo!
Confira também a rota da reciclagem - qual o ponto mais próximo de sua residência.

Não custa tanto levar o seu lixo ao ponto de coleta mais próximo...


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Bolha imobiliária no Brasil


Primeiro, os preços subiram, subiram, subiram. Depois, a alta perdeu força. E agora? É hora de comprar? De vender?

Época, 31 de janeiro de 2011
José Fucs


 

[...] HÁ UMA BOLHA IMOBILIÁRIA?
Não. Entre os profissionais que atuam na área, a visão predominante é que o mercado brasileiro vive um ciclo virtuoso, capaz de se prolongar por muitos anos. A desaceleração recente seria passageira. Como num jogral bem ensaiado, a maioria rejeita qualquer insinuação de que, no Brasil, exista uma bolha imobiliária similar à que ocorreu nos EUA e em outros países. O estudo coordenado pelo economista Mendonça de Barros também sustenta enfaticamente a tese de que não há uma bolha imobiliária em formação no país. Aqui estaria havendo um processo saudável de crescimento do setor, que ficou estagnado por muito tempo. Lá fora, a valorização era turbinada pelo crédito fácil e pela expectativa irreal de que os preços subiriam sem parar. No Brasil, ela estaria baseada numa demanda sólida e em critérios rígidos para a concessão de financiamentos. Nos EUA, o crédito chegava a 110% do valor do imóvel, sem comprovação de renda. Aqui, os bancos financiam, no máximo, 80% do total. “O cenário é espetacular”, diz Nigri, da Tecnisa. “A sensação é que estamos no começo da festa, não no fim.”
No Brasil, os preços dos imóveis também não se descolaram dos outros ativos, como no exterior. A valorização estaria apenas compensando o período em que eles subiram menos que as demais aplicações, nos anos 90 e na primeira metade dos anos 2000. Num período de dez anos, os imóveis ainda ofereceram um ganho menor que a Bolsa e outras aplicações. “Fazia tempo que os preços não se moviam, até por causa dos juros altos”, diz José Roberto Machado, diretor de crédito imobiliário do banco Santander.
O setor imobiliário também deverá ser beneficiado pela demografia, de acordo com um estudo das consultorias Ernst & Young e FGV Projetos. A população brasileira, hoje na faixa de 190 milhões, deverá chegar a 234 milhões em 2030. O número de famílias deverá passar de 60 milhões para 95,5 milhões – 1,8 milhão a mais por ano. E a idade média da população, hoje de 29 anos, vai subir para 36. A faixa de 25 anos ou mais, onde se concentram os compradores de imóveis, aumentará de 36% para 42% do total.
Não é de estranhar, portanto, o otimismo de quem trabalha no setor. “Eu achava que não veria isso acontecer – e tinha dúvidas se meus filhos veriam”, afirma Ubirajara Spessotto, de 50 anos, diretor-geral da Cyrela, outro gigante dos imóveis no país. “Estou há 33 anos no mercado imobiliário e nunca tinha visto nada igual. Nos anos 80, todo mundo corria para os imóveis para se proteger da inflação. Agora, o mercado está subindo com lógica e consistência”, diz Nigri, da Tecnisa.

HÁ RISCO DE QUE SE FORME UMA BOLHA IMOBILIÁRIA?
Sim. Embora concorde que não há uma bolha em formação no país, o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida diz que o governo deve ficar atento para evitar que o atual boom imobiliário se transforme numa bolha. Ele afirma que, com a perspectiva de novas quedas dos juros nos próximos anos, poderá haver uma nova valorização dos imóveis. “Há a impressão de que um crescimento rápido do setor só tem pontos positivos – e não é verdade. Uma bolha entorpece a visão, como um lança-perfume. Mas, na hora da verdade, não pede licença para entrar.”
Em sua opinião, o Brasil é propenso à formação de uma bolha imobiliária porque o brasileiro em geral é consumista, o sistema bancário é ágil e as construtoras são capazes. Para ele, os políticos tendem a resistir à adoção de medidas que afetem o crescimento de um setor que gera empregos e tem forte impacto na economia. “Todo mundo pode achar que a valorização dos imóveis é insustentável, mas os políticos podem não querer interrompê-la porque é fonte de voto, os sindicatos também não, porque é fonte de emprego, e as empresas e os bancos também não, porque é fonte de lucro.”
Nos EUA, foi a política populista oficial, centrada na ideia de que a casa própria deve ser acessível a todos, que inflou a bolha imobiliária que jogou o país (e o mundo) na maior crise econômica desde a depressão dos anos 1930. Uma série de medidas adotadas pelo governo americano, com o apoio do Congresso, estimulou o crédito a um número cada vez maior de compradores, mesmo a quem não tinha como comprovar renda para pagar as prestações. As agências financeiras Fannie Mae e Freddie Mac, subsidiadas pelo governo, receberam incentivos para comprar dos bancos um volume cada vez maior de financiamentos para as faixas de menor renda. Isso levou os bancos a mudar o perfil dos mutuários para conseguir repassar suas carteiras às duas agências. Resultado: a demanda por imóveis explodiu, os preços subiram – e muitos mutuários se deram conta de que não poderiam honrar as prestações.
A inadimplência aumentou. A retomada de imóveis por falta de pagamento também. Ao mesmo tempo, a demanda perdeu força. Os preços, que haviam quadruplicado em dez anos, começaram a cair, afetando o valor das garantias bancárias. Ficou complicado para os bancos rolar no mercado a papelada lastreada nas hipotecas. As agências Fannie Mae e Freddie Mac só não quebraram porque sofreram intervenção do governo. Calcula-se que, no total, as duas instituições custarão US$ 400 bilhões em dinheiro dos contribuintes. “O maior engano é achar que a crise no mercado imobiliário aconteceu por falta de regulação”, diz o economista Thomas Sowell, da Universidade Stanford, autor do livro The housing boom and bust (O boom da casa própria e a crise). “Foi justamente a ação do governo que levou ao relaxamento dos padrões de avaliação de risco dos bancos e à venda de casas para muita gente que não podia pagar.”
Guardadas as proporções, esse é o risco que ronda o programa Minha Casa Minha Vida, lançado pelo governo federal em 2009. Restrito a bancos oficiais, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, ele oferece subsídio para a casa própria de famílias com renda de até dez salários mínimos. Também prevê a redução de impostos para a produção de imóveis destinados às faixas de menor renda. Quem ganha até três salários mínimos deve pagar uma prestação a partir de R$ 50 e de, no máximo, até 10% da renda familiar, por um prazo de dez anos.
Por trás da causa nobre, os problemas que aconteceram nos EUA já começaram a se repetir por aqui. Em Feira de Santana, na Bahia, no primeiro empreendimento do Minha Casa Minha Vida à população, a inadimplência está alta, pois boa parte dos moradores ganha apenas o benefício do Bolsa Família. O calote preocupa o governo. Há o receio de que isso se repita em outros locais. No conjunto habitacional de Feira, que recebeu duas visitas do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi apresentado como modelo no programa de TV da presidenta Dilma Rousseff na campanha eleitoral, houve a venda ilegal de dezenas de unidades pelos moradores originais. “Todos os apartamentos irregularmente vendidos serão retomados, como prevê o contrato”, diz uma nota conjunta divulgada pela Caixa e pelos ministérios do Planejamento e das Cidades, responsáveis pela execução e fiscalização do programa.

Talvez o maior problema do Minha Casa Minha Vida tenha sido o impacto perverso que ele teve nos preços dos terrenos nas periferias das grandes cidades. Já ficou difícil produzir unidades para baixa renda dentro do limite do programa, de até R$ 130 mil. O mercado já reivindica um aumento para “destravar” a produção. A presidenta Dilma anunciou que atenderá ao pleito. Espera-se que o reajuste eleve o teto para algo entre R$ 150 mil e R$ 170 mil – um aumento de 15% a 30% em apenas dois anos. “O próprio governo está estimulando a alta no preço dos terrenos com os subsídios do Minha Casa Minha Vida”, diz Viana Neto, do Creci.
Segundo o economista Gomes de Almeida, o governo deveria criar, desde já, mecanismos para restringir o crédito imobiliário e conter a demanda, caso a valorização continue em ritmo acelerado. Uma opção seria aumentar a exigência de capital para os bancos fazerem empréstimos na área. Outras seriam aumentar o valor mínimo da entrada ou reduzir os prazos de financiamento. “O importante é ter cartas na manga para poder virar o jogo.” Na China, onde é maior o temor de bolha imobiliária, os preços subiram bem menos que no Brasil nos últimos anos. Isso não impediu as autoridades de tomar medidas para conter o crédito, como a adoção de restrições para uma segunda hipoteca. [...]