segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Um pouco mais sobre o Sudão

Um país trágico antes de nascer

Juliano Machado
Aos 30 anos, casado e pai de dois filhos pequenos, o sudanês Justin Kissaya, da tribo negra zande, mistura esperança e preocupação ao dizer o que deseja de seu país. “Quero um lugar democrático, em que minhas crianças e outras consigam chegar a uma universidade e que o índice de pessoas abaixo da linha de pobreza diminua”, afirma, por telefone, a ÉPOCA. Kissaya não se refere ao Sudão, o maior país da África (dez vezes o tamanho do Estado de São Paulo), mas sim à provável mais nova nação do mundo (a 193ª, considerando os países-membros das Nações Unidas). Ele vive no Sudão do Sul. Os moradores dessa região autônoma vão decidir em um referendo, a partir deste domingo, se querem se separar do Norte do país, onde fica a capital, Cartum.

A consulta vai durar uma semana, e a apuração deverá acabar só no fim do mês, mas não há muita dúvida do que sairá das urnas. Os sudaneses do Sul apoiam em massa a separação. Em sua maioria negros e adeptos do cristianismo e de crenças animistas, diferem radicalmente dos habitantes do Norte, árabes e muçulmanos. A disputa pela exploração do petróleo, o motor da economia sudanesa, aumenta o fosso. Desde que o Sudão se tornou independente do Reino Unido, em 1956, o Sul acusa Cartum de descaso com a população local (leia o quadro na página 72). No fim dos anos 90, quando aumentou a exploração das grandes reservas petrolíferas do Sul e boa parte do dinheiro ia para Cartum, esse sentimento ficou ainda mais evidente. Sul e Norte já travaram duas guerras civis, totalizando 33 anos de conflito e cerca de 2 milhões de mortos. Ante isso, o que virá depois da provável independência parece sombrio. Os modestos desejos de Justin Kissaya estão longe da realidade de uma terra devastada pela guerra e pela miséria.
O referendo que deverá levar ao surgimento do Sudão do Sul (ainda não há uma proposta de nome oficial) faz parte do acordo de paz firmado com o Norte em 2005. Ficou estabelecido que o Sul teria um governo autônomo e que uma consulta sobre sua independência ocorreria seis meses antes de 9 de julho de 2011, a data em que o acordo vai expirar.
Chegada a hora, a expectativa nas cidades do Sul era grande na semana passada, sob um clima de aparente tranquilidade. “Registramos alguns casos de vandalismo, mas nada que ameace a realização do referendo”, afirma o capitão brasileiro Emerson Fernandes. Membro da Polícia Militar de Santa Catarina, ele está no Sudão como subcomandante de uma das áreas de atuação da Missão da ONU no Sudão (Unmis, em inglês), estabelecida no país desde 2005 para garantir o respeito ao acordo Sul-Norte. É para a Unmis que Kissaya trabalha, como intérprete. O capitão Fernandes está baseado em Wau, a segunda maior cidade do Sul (só menor que a capital, Juba), onde comanda 120 homens com a missão de treinar a polícia local para fazer a segurança do referendo. Ele afirma que tanto as tropas do governo central quanto as do Sul fizeram deslocamentos “fora da rotina” rumo à fronteira interna, sob a justificativa de prevenção em caso de distúrbios pós-votação.
A estabilidade do futuro país depende bastante de como se comportará Omar al-Bashir, o homem que governa ditatorialmente o Sudão desde 1989. Numa visita a Juba na semana passada, ele demonstrou aparente conformismo com a situação. “Nossa preferência era pela unidade, mas vamos respeitar a escolha dos sulistas.” Mas o passado de Al-Bashir levanta suspeitas. Em 2003, ele passou a financiar milícias árabes (os janjawids) para sufocar rebeldes de Darfur, uma região não árabe do Oeste também historicamente relegada por Cartum. O conflito deixou ao menos 300 mil mortos, e Al-Bashir foi repudiado internacionalmente.
Em março de 2009, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu um mandado de prisão contra Al-Bashir, condenado por crimes de guerra e genocídio. O tom conciliador de agora soa falso. “As palavras dele não deveriam ser levadas tão a sério. Seu objetivo é tirar o Sudão da lista americana de patrocinadores do terrorismo (a inclusão veio depois de o país ter dado abrigo a Osama Bin Laden, nos anos 90) e se livrar da ordem de captura do TPI”, afirma Gill Lusk, jornalista que viveu no Sudão por 12 anos e colaboradora do site britânico Africa Confidential.
Embora pouco confiável, Al-Bashir está sendo mais bem monitorado pelos olhos externos do que na época de Darfur. Há olhos, inclusive, no espaço. Em parceria com a ONU e a Universidade Harvard, o ator americano George Clooney, conhecido por seu ativismo político, arrecadou fundos para alugar satélites privados que desde o início do mês coletam imagens da fronteira entre o Norte e o Sul. O objetivo do Projeto Sentinela é monitorar a movimentação de tropas, deixando eventuais ataques à mostra na internet. Impediria a reação de países como a China, aliada estratégica de Al-Bashir, que nega os abusos pela falta de evidências concretas.
Se a independência já é tratada como um fato, outras questões vão permanecer abertas. A mais importante é a de Abyei, um distrito semiautônomo entre o Norte e o Sul que concentra as principais reservas de petróleo. Outro referendo deveria ocorrer simultaneamente para decidir a qual região a população de Abyei quer pertencer, mas não houve consenso sobre a votação. O acordo de 2005 previa a divisão igualitária das receitas vindas do óleo, mas isso nunca foi respeitado integralmente por Cartum. Agora, o Norte teme uma crise econômica se perder Abyei.
O governo central ameaça anular a cidadania de cerca de 1,5 milhão de sudaneses do Sul que se fixaram no Norte durante as guerras civis. Milhares desses refugiados já começaram a retornar. O cenário não é animador. É assim que o capitão Fernandes descreve a cidade de Wau, de 150 mil habitantes, considerada desenvolvida para os padrões locais: “Só há energia elétrica por algumas horas, e água encanada não existe. A pista do aeroporto é de terra batida, só há 4 quilômetros de asfalto no município inteiro”.
Não bastasse isso, o partido que comanda o governo autônomo do Sul é autoritário, corrupto e não costuma prestar contas à população. “Pelo menos eles conseguiram criar relações bilaterais com muitos países vizinhos e melhoraram sua imagem diante de nações antes hostis, como China, Egito e Líbia. Isso será importante para atrair investimentos para a reconstrução”, diz Douglas Johnson, especialista britânico que assessorou o Sul na demarcação da fronteira de Abyei. Não é fácil um país começar sua história na condição de um dos mais miseráveis do mundo.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Mundo árabe


[...] A revolta popular do Egito é a maior de uma corrente de revoltas que começou na Tunísia. Lá, em 17 de dezembro, o vendedor de verduras Mohamed Bouazizi, de 26 anos, da cidade de Sidi Bouzid, se indignou porque sua mercadoria foi apreendida pela polícia, de modo flagrantemente abusivo. Humilhado, tentou reclamar na prefeitura, que não o atendeu. Bouazizi, então, ateou fogo a si mesmo e morreu em frente ao prédio. Sua imolação foi a fagulha que incendiou os tunisianos contra o presidente Zine El Abidine Ben Ali. Há 23 anos no poder, Ben Ali não resistiu à pressão popular e renunciou no último dia 14, algo inédito no mundo árabe. Depois da Tunísia, o vento de revolta se espalhou. Chegou a Iêmen, Jordânia e Argélia – além do Egito –, sacudidos por manifestações. Em quase todos esses países (a exceção é a Jordânia, uma monarquia), autocratas se perpetuam no poder por meio de eleições fraudulentas, amparados na repressão policial e na corrupção. Em 2010, apenas dois países árabes – Líbano e Iraque – não foram considerados regimes autoritários, segundo o índice de democracia da Unidade de Inteligência da revista Economist. Foi esse o cenário que começou a balançar na semana passada. Estará aberto o caminho para reformas democráticas – ou para outra forma de opressão, a religiosa? [...]
Época, 31 janeiro 2011
Letícia Sorg e Juliano Machado com José Antonio Lima e Eliseu Barreira Júnior

Um trecho de Grandes Esperanças

O livro está ficando cada vez melhor apesar do estilo do autor que esmiuça cada passo dos personagens...

pág.525 - Pip visita Sta. Havisham a pedido dela.

- Tem meu nome na primeira lâmina. Se você um dia puder escrever: "Eu a perdoo" debaixo do meu nome, mesmo que seja muito tempo depois de meu coração partido virar pó... por favor escreva.

- Não fale assim, srta. Havisham, eu vou escrever agora mesmo. Foram muitos os equívocos doloridos, e minha vida tem sido cega e ingrata. Eu mesmo preciso demais de perdão e orientação para ser rigoroso com a senhorita.
Ela, pela primeira vez desde que o afastara, voltou o rosto em minha direção e, para meu espanto - e talvez deva acrescentar: para meu pânico - , atirou-se de joelho aos meus pés; a apontar para mim as mãos entrelaçadas numa maneira que, quando aquele pobre coração ainda era jovem, tenro e íntegro, ela as deve ter apontado aos céus, ao lado da mãe.
[...]
- Como eu pude fazer isso? Como pude?
Eu não sabia o que responder, nem como reconfortá-la. Que ela fizera muito mal em adotar uma criança sensível para moldar à forma daquele seu ressentimento desvairado, seu afeto desdesenhado, seu orgulho ferido, como uma maneia de se vingar, eu sabia muito bem. Mas que, ao bloquear a  luz do dia, ela havia bloqueado infinitamente mais; que, em reclusão, ela se recluíra de mil influências naturais e cicitrizantes; que aquela mente, a remoer solitária, adorecera, como adoecem, têm de adoecer e sempre adoecerão todas as mentes que invertam a ordem concedida pelo Criador; disso tudo eu sabia também. Mas poderia eu olhá-la isento de compaixão, ao ver seu castigo na ruína que era, na profunda indaptação à terra em que fora colocada, na vanglória do desgosto que, para ela, se tornara a obsessão maior, assim como a vanglória da penitência, a vanglória do remorso, a vanglória da indignidade, e outras vanglórias monstruosas que foram as pragas deste mundo?

sábado, 29 de janeiro de 2011

Ganhei de presente!

No dia do meu aniversário: Pequena Abelha!! Da Mari...
Obaaa!!

Lixo Extraordinário

A reciclagem de lixo no Brasil não se deu em função de educação ambiental das pessoas,  e sim em função da exclusão social e desemprego!  Tião Santos



A indicação do filme Lixo Extraordinário ao Oscar 2011 voltou a lançar, por um lado, novo brilho ao cinema nacional. Mas, por outro, reacendeu um debate que já se arrasta há décadas no país: o que fazer com as milhares de toneladas de lixo doméstico produzidas todos os dias no Brasil? Os lixões ainda são o destino dos resíduos sólidos de mais da metade dos municípios brasileiros e apenas um quinto deles trabalha com aterros sanitários. Será que a nova política nacional de resíduos sólidos, sancionada pelo ex-presidente Lula em dezembro de 2010, vai ajudar no manejo do lixo? E os catadores, que faziam dos resíduos o seu sustento, serão beneficiados ou prejudicados pela nova lei? Para debater o assunto, Tonico Ferreira recebeu o presidente da Associação dos Catadores de Gramacho, Tião Santos; a coordenadora do Instituto Pólis, Elizabeth Grimberg; e o presidente da Associação Brasileira de Limpeza Pública, Tadayuki Yoshimura.
Assistam ao programa entre aspas na GloboNews.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Maílson da Nóbrega

A autobiografia de Maílson da Nóbrega: livro bom de conteúdo e de leitura

Coluna de Ricardo Setti - VEJA
12/10/2010Quem, entre milhares de ex-maridos, incluiria a ex-esposa na dedicatória de seu livro de memórias, junto com a atual esposa — e a mãe — como “as três mulheres da minha vida”?

Esta raríssima demonstração de cavalheirismo é do ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, autor do revelador e Além do Feijão com Arroz, escrito com Louise Z. Sottomaior e Josué Leonel, bom de ler e bom de conteúdo.
Oriundo de família modesta dos cafundós de Cruz do Espírito Santo, na Paraíba, mais velho dos dez filhos do alfaiate Wilson com a dona de casa Maria José — cujos nomes, fundidos, deram origem ao seu –, ele começou a trabalhar aos 10 anos de idade como descascador de caju e abriu caminho pela vida para acabar sendo, como é, mais do que apenas um excelente economista, um lúcido pensador do Brasil.
Vale a pena os amigos do blog lerem a excelente resenha escrita sobre o livro de Maílson pelo jornalista Giuliano Guandalini e publicado na edição de VEJA no dia 24 de novembro. (Os intertítulos não constam do original).

MEMÓRIAS DA GUERRA PELA RAZÃO
A autobiografia de Maílson da Nóbrega relata as histórias paralelas do menino pobre da Paraíba que virou ministro e do país cuja economia moderna ele ajudou a plasmar

Acaba de sair a autobiografia do economista Maílson da Nóbrega. Chama-se Além do Feijão com Arroz (Editora Civilização Brasileira; 591 páginas; 59,90 reais). O livro oferece uma leitura agradabilíssima em que a história de uma vida extraordinária se confunde com a trajetória acidentada de um país rumo à maioridade institucional.O texto final é assinado pelos jornalistas Louise Sottomaior e Josué Lionel.
Foram catorze meses de pesquisas e 140 horas de entrevistas com Maílson, mais quarenta horas de conversas com familiares e pessoas próximas ao economista que hoje dirige a consultoria Tendências. A vida de Maílson parece uma seta bem arremessada por experiente arqueiro. Ela descreve uma elegante trajetória ascendente. Mas, abaixo dela, arrasta-se, um passo para a frente, dois para trás, um Brasil do qual a geração atual só conhece os benefícios.

A inflação como consequência da gastança pública
Fala-se aqui da responsabilidade fiscal dos governantes, da política econômica racional e de uma moeda cujas cédulas, caso pernoitem no bolso do terno ou debaixo do colchão, amanhecem no dia seguinte valendo a mesma coisa. Houve um tempo no Brasil em que uma cédula podia começar o dia valendo 100 e, ao cair da noite, ter seu poder de compra reduzido a 98 – ou, no fim do mês, valer só 50.
As bases teóricas, as armas e a convicção necessárias para diagnosticar e combater a inflação começaram a ser gestadas no governo brasileiro em uma equipe dirigida por Maílson da Nóbrega. Como secretário-geral do Ministério da Fazenda, em 1983, ele coordenou a equipe que, contrariando políticos e interesses corporativos, escancarou a verdade que ninguém queria ver: a de que a inflação que castiga o povo é produzida pela gastança incontrolável do governo.

O fim de um truque perverso
A equipe de Maílson mostrou a perversidade de funcionamento de uma máquina de imprimir dinheiro, a “conta movimento”, pela qual os governos podiam gastar à vontade, sem nenhuma repercussão fiscal. Era um truque. Esse truque levou o Brasil ao ambiente de hiperinflação dos anos 80. Maílson e sua equipe estabeleceram, então, a divisão clara entre as atribuições do Banco do Brasil, do Banco Central e do Tesouro Nacional.
Foi o embrião dos avanços definitivos que só seriam concretizados anos depois, em 1994, com o Plano Real. O período em que Maílson ocupou pela primeira vez a secretaria-geral da Fazenda não foi a única vez que seu destino se cruzou com a trajetória cambaleante do país. Eles teriam um encontro ainda mais emocionante, porém mais frustrante, quatro anos depois, quando Maílson foi nomeado ministro da Fazenda. Acompanhe.
Maílson Ferreira da Nóbrega nasceu no dia 14 de maio de 1942, em uma casa às margens do Rio Paraíba, acrescentando sua alma às 2 000 que viviam em Cruz do Espírito Santo, na Zona da Mata paraibana. Primogênito dos que viriam a ser dez irmãos, teve seu nome, como de costume naquela região, montado com a combinação de Ma, da mãe, Maria José, e ílson, do pai, o alfaiate Wilson.
Aos 20 anos, ingressa no BB, e a carreira sobe como balão junino
O primeiro emprego de Maílson foi como descastanhador de caju, na Fábrica de Bebidas Santa Luzia. Ele tinha 10 anos de idade. Nunca mais parou de trabalhar. Foi auxiliar administrativo. Bom aluno, dava aulas particulares nos fins de semana. Foi recenseador no Censo de 1960.
Aos 20 anos, os Ferreira da Nóbrega concretizaram o sonho de quase todas as famílias brasileiras: ter um filho ou filha trabalhando no Banco do Brasil. A carreira no BB era bem paga, sólida, sem percalços e muito promissora para os funcionários sérios, dedicados e inteligentes. Foi talvez a primeira instituição pública brasileira de primeira linha a se gerir pela meritocracia.
Maílson começou na agência do BB em Cajazeiras e subiu como um balão junino. Em poucos anos foi guindado a um cargo de direção no banco, inicialmente no Rio e, mais tarde, na nova capital federal, Brasília. Impulsionado pelos militares no poder, o país vivia um surto modernizante na administração pública.
Abaixo dos generais na hierarquia do regime, figuravam os “tecnocratas”, altos funcionários bem preparados, condicionados a dizer não aos políticos sem medo de perder o emprego. Maílson era um integrante dessa tecnocracia. Com a redemocratização do país, seu talento continuou sendo muito valorizado.

Ministro sem padrinho político e sem Ph. D.
Em 1987, com a crise recrudescida pelo fracasso da mais amadorística e desastrada aventura heterodoxa da história econômica mundial, o Plano Cruzado, abriu-se um vácuo. O Brasil empenhara no Cruzado o que pareciam ser seus mais brilhantes teóricos. Ao governo restava, então, procurar um ministro entre os tecnocratas com larga experiência no funcionamento da máquina.
Maílson era um nome. Convidado pelo presidente José Sarney, ele aceitou e assumiu a Fazenda. Pouco mais de duas décadas depois de pisar na agência de Cajazeiras, tendo antes fugido de casa com Rosinha, o amor da juventude, o escriturário chegara ao topo da burocracia oficial da área econômica. Fora promovido mais uma vez, sem padrinho político nem títulos de Ph.D., guindado por sua inteligência cristalina, curiosidade insaciável, capacidade de trabalho e incapacidade de rejeitar desafios.
Se chegar ao topo deveu-se a uma mistura de talento, trabalho, ambição e sorte, permanecer nele para Maílson constituiu-se uma provação diária. Naqueles tempos trevosos para a economia, a missão precípua de um ministro da Fazenda brasileiro consistia em tentar conter a inflação – o indomável dragão devorador de riqueza, de reputações acadêmicas e de índices de popularidade dos presidentes da República.

Surge a política do “feijão com arroz”
Suas armas eram limitadíssimas. Em centros avançados, como a Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, já se diagnosticara a origem monetária do fenômeno inflacionário – e o Fed, o banco central americano, fechara a torneira, controlando o bicho com sucesso. Por aqui, a ideia mesmo era empurrar com a barriga, confiando-se na “correção monetária”, nos “gatilhos salariais” e no efeito fiscal benéfico, já que a inflação trabalhava para o governo, cujos cofres recebiam sempre à vista e pagavam seus compromissos a prazo longo.
“Eu não nutria esperanças sobre a capacidade do governo de estabilizar a economia e recolocar o país no caminho do desenvolvimento, o que exigia reformas que não estavam ao nosso alcance”, diz Maílson. Seu objetivo era caminhar gradualmente rumo à racionalidade econômica, sem lançar mão de artifícios desmoralizados como o congelamento de preços. Sabia que ajustes mais profundos seriam impossíveis em um governo sem respaldo popular e desgastado no Congresso.
Olyntho Tavares de Campos, chefe de gabinete de Maílson, resumiu a política: “Vamos fazer feijão com o arroz”. O caldo seria cozido brandamente durante os quase três anos de governo que ainda restavam a Sarney. Ao final de sua primeira entrevista coletiva como ministro, Maílson disse: “Vamos fazer o feijão com arroz”. No dia seguinte, a expressão “política do feijão com arroz” era a manchete dos jornais. Ela reaparece agora na capa da autobiografia.
Previsivelmente, o dragão da inflação ignorou Maílson porque os políticos ignoraram seus planos para segurá-lo. O ministro da Fazenda estabeleceu o corte nos gastos públicos como premissa para conter a inflação. Sem isso, nenhuma outra arma teria eficácia. A redemocratização embriagou o país.

Uma terra de direitos sem deveres
Só porque no Palácio do Planalto não estava mais um general, mas um político, os sábios decretaram que o Brasil se tornara um paraíso fiscal, uma terra de direitos sem deveres, um estado com despesas descoladas da arrecadação. Maílson receitou um pouco de sobriedade e logo vieram as reações tontas de sempre: vai acabar com a festa, quer mesmo é tirar o pão da boca do povo, está entregando o país ao FMI…
Quando Sarney terminou seu mandato, em março de 1990, Maílson saiu com ele do governo. A inflação mensal bateu em 80,4%, o maior valor registrado na história do país e um índice raras vezes visto em qualquer nação em tempos de paz.
Alguns poucos desacreditam de Maílson ainda hoje, com o raciocínio torto segundo o qual ele não pode falar de equilíbrio econômico tendo sido o ministro da inflação a 80%.
Tolice. Isso equivale a sustentar que hoje um médico não pode pedir uma tomografia computadorizada de um paciente só porque, antes da existência desse exame de imagem, o profissional se limitava a fazer a percussão e raios X do abdômen – ou não pode receitar um remédio novo e eficaz só porque, quando ele saiu da faculdade, esse medicamento não havia ainda sido sintetizado.

2010 - Maílson da Nóbrega, Louise Z. Sottomaior e Josué Leonel - Além do feijão com arroz – Maílson da Nóbrega – Autobiografia; Editora Civilização Brasileira.

2005 - Maílson da Nóbrega – O futuro chegou: instituições e desenvolvimento no Brasil. O livro discute o papel das transformações institucionais no desenvolvimento de um país. Comparando instituições brasileiras e inglesas, principalmente, Maílson busca mostrar ao leitor que a evolução institucional do Brasil criou as bases para a preservação de duas conquistas essenciais ao desenvolvimento: a democracia e a estabilidade econômica. Editora Globo.

2000 - Maílson da Nóbrega – O Brasil em Transformação é uma coletânea de 100 artigos de Maílson da Nóbrega, complementados por outros três, inéditos até então. Editora Infinito (Gente).
Entrevista na CBN Brasil.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Livraria com Mari

Eu e Mariana juntas numa livraria...
Ai, ai...

No mínimo, selecionamos 10 livros como objetos de consumo ou simples prazer em adquirir!



Quais foram desta vez?

O mestre das iluminuras, Brenda Rickman Vantrease
Os diários secretos de Agatha Christie, John Curran
Depois de ser princesa, Jacqueline Pascarl
A jóia de medina, Sherry Jones
Amor e Exílio, Isaac B. Singer


E diversas obras da Editora Alfaguara
Os espiões, de Luiz Fernando Veríssimo
Fazes-me falta, Inês Pedrosa
Maré voraz, Amitav Ghosh
O legado da perda, Kiran Desai
O segredo de seus olhos, Eduardo Sacheri

O que nos atrai? A história contada nas "orelhas"!!!
Ou uma capa bem elaborada, boa fotografia!
O que constatamos? Que em termos de AUTORES BRASILEIROS, a Leitura do Shopping Cidade está beemmm desorganizada e desfalcada!
Das 10 prateleiras, uma inteirinha com Paulo Coelho  = ((
Nenhuma obra de Moacyr Scliar! Nem Nelson Rodrigues, nem Milton Hatoum...
De Fernando Morais apenas a biografia de quem?!? Paulo Coelho... 

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Oscar 2011

Divulgados os indicados!!!


Melhor filme
Cisne Negro
O Vencedor
A Origem
O Discurso do Rei
A Rede Social
Minhas Mães e meu Pai
Toy Story 3
127 Horas
Bravura Indômita
Inverno da Alma

Hollywood procura contemplar estilos diferentes, mas desta vez se superou: a lista tem filme de época, faroeste, dramas humanos e desenho animado.


Melhor filme em lingua estrangeira
Biutiful
Fora-da-Lei
Dente Canino
Incendies
Em um Mundo Melhor

[...]
Vejam as indicações das outras categorias no site.

= ))

Minisséries da Globo


Em 2011 iniciarei uma nova coleção - DVD de miniesséries:
Mad Maria
Cidade dos Homens
O Tempo e o Vento
Hilda Furacão
Chiquinha Gonzaga
Os Maias
A Casa das Sete Mulheres
Anarquistas Graças à Deus
Anos Dourados
JK
Lampião e Maria Bonita
Marquesa de Santos
Amazônia
A Muralha
Maysa - quando fala o coração
Dalva e Herivelto
Capitu
Queridos Amigos

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Memória afiada

Veja, 1 dez 2010


Quer um cérebro mais jovem?

Então pratique sudoku: o quebra-cabeça de organização numérica, que conquistou adeptos do mundo todo, é considerado pelos médicos um dos jogos mais completos para exercitar as habilidades cognitivas
O que dizem os estudos: praticantes de sudoku e palavras cruzadas podem exercitar o cérebro a ponto de ele se comportar como se tivesse até catorze anos menos. A conclusão é de uma pesquisa feita pelo psicólogo Ian Robertson, professor do Trinity College Dublin, na Irlanda. O estudo envolveu 3000 idosos de 65 a 94 anos.
Por que o sudoku é indicado: exige flexibilidade mental, planejamento, concentração, lógica e atenção. "O sudoku consegue estimular diferentes áreas do cérebro ao mesmo tempo", resume o neurologista Mauro Muszkat, da Universidade Federal de São Paulo
O que dizem os especialistas: apesar de envolver diversas habilidades, o sudoku não trabalha todos os tipos de atenção e memória. Por isso, deve ser combinado a outros passatempos, como palavras cruzadas e jogos de memória.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Snif... snif...

Estou sem câmera digital! Consegue imaginar o que significa isto para mim???
Depois de queda de 10 de janeiro, parou de filmar e perdeu a opção de ver a foto recém-tirada.
Agora, tudo embasado...
Não fotografa mais! Foi-se!! Acabou!!!

Chegou o dia da minha primeira "corrida"!


Organização nota 10!
Belíssima infra-estrutura!
Exatamente às 09:11:21 recebi mensagem no meu celular:
O2 informa: Claudia, parabéns pela participação
no Circuito SOL BH.
Seu tempo líquido foi de: 00:33:22

Próxima etapa: CIRCUITO DAS ESTAÇÕES ADIDAS
Serão outros 5km!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Biutiful (2010) español



Sinopse

Biutiful" narra a história de Uxbal. Pai dedicado. Amante atormentado. Filho desamparado. Intermediário à sombra. Próximo dos desaparecidos. Atirado pelos espectros. Sensível aos espíritos. Sobrevivendo no coração de uma Barcelona invisível. Sentindo que a morte roda, ele tenta encontrar a paz, proteger seus filhos, salvar-se a si próprio. A história de Uxbal é simples e complexa, como a que todos nós vivemos hoje.

Dinossauros da Patagônia

Estarão em BH em ABRIL!


Dinossauros invadem o Ribeirão Shopping em exposição inédita no Brasil

"Dinossauros da Patagônia" traz ao país pela primeira vez réplicas de esqueletos encontrados na região da Patagônia em uma mostra educativa e aberta ao público
Eles são gigantes e viveram há milhões de anos. Mas de 25 de janeiro e 27 de fevereiro, o público de Ribeirão Preto e região poderá conferir de perto toda a grandeza dessas criaturas na exposição "Dinossauros da Patagônia".
A mostra é inédita no Brasil e irá trazer diretamente da Argentina 10 réplicas de dinossauros encontrados na região da Patagônia, que serão instaladas no RibeirãoShopping em vários locais, como Praça Central, no lounge em frente à Paraler Megastore e na Alameda Gourmet.
O RibeirãoShopping será o primeiro empreendimento a receber a exposição "Dinossauros da Patagônia". A partir de março, a mostra percorrerá também outros shoppings da Multiplan como MorumbiShopping, BH Shopping, ParkShopping, BarraShopping e ParkShopping Barigui.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O Tempo e o Vento



Foi a partir 1947 que Érico Veríssimo começou a escrever sua obra-prima, a trilogia O Tempo e o Vento. A ideia inicial do escritor era reunir duzentos anos da história do Rio Grande do Sul (1745 a 1945) em um único volume; todavia, no final, ele escreveu três volumes, totalizando 2,2 mil páginas. O primeiro volume, O Continente, foi publicado em 1949 e marca o momento mais importante da carreira de Veríssimo. De O Continente saíram alguns personagens primordiais e bastante populares entre seus leitores, como Ana Terra e o Capitão Rodrigo Cambará.
Em 1950, na praia de Torres, Érico Veríssimo começou a escrever o segundo volume de O Tempo e o Vento, intitulado O Retrato, publicado no ano seguinte. Foi descrito por Érico como literariamente inferior ao O Continente.
Entre 1952 e 1958, tentou escrever a última parte de O Tempo e o Vento, chamado O Arquipélago, sem sucesso. A entrega para publicação ocorreu em 1962.
Desta forma, temos na wikipédia:
O tempo e o vento (1ª parte) — O continente – 1949
O tempo e o vento (2ª parte) — O retrato – 1951
O tempo e o vento (3ª parte) — O arquipélago – 1961

Outros romances de Érico Veríssimo:

Clarissa – 1933
Caminhos cruzados – 1935
Música ao longe – 1936
Um lugar ao sol – 1936
Olhai os lírios do campo – 1938
Saga – 1940
O resto é silêncio – 1943
O senhor embaixador – 1965
O prisioneiro – 1967
Incidente em Antares – 1971

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Casa do Alemão é parada obrigatória para os mineiros, certo?!

Pois é!
Fico pensando o que eu como por aí...


Casa do Alemão, da Rio-Petrópolis, é autuada pela Decon por alimentos vencidos



Rio - Localizado na Rodovia Washington Luiz, o restaurante Casa do Alemão foi autuado pela comercialização de alimentos fora da validade em uma operação realizada, nesta quarta-feira, por agentes da Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon).
Dentro do estabelecimento, os policiais encontraram várias irregularidades como linguiças, queijos e outros produtos sem a identificação do prazo de validade - 200 pães estavam com a validade vencida.

Os policiais informaram que o proprietário da casa, Francisco José Alves, será indiciado por comercialização de produtos impróprios para o consumo. Se condenado, ele pode pegar de dois a cinco anos de prisão.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O resgate de Javier Bardem

"Biutiful" salvou a carreira do ator, que andava abusando do charme e da aparência e com pouco a oferecer na interpretação

Época, 14 jan 2011, por Danilo Venticinque


Javier Bardem é um ator tão talentoso que consegue até se passar por canastrão. Para quem o viu atuar em Vicky Cristina Barcelona e Comer, rezar, amar, seria fácil tomá-lo por um galã de telenovela, desses que abusam do charme e da aparência e têm pouco a oferecer na interpretação. Caso sua carreira continuasse nesse caminho, ele corria o risco de entrar na galeria de astros vitimados pelo próprio sucesso, obtido com o Oscar de melhor ator coadjuvante em 2008, por Onde os fracos não têm vez. Sem saber aproveitar seu talento dramático, Hollywood poderia transformar Bardem numa espécie de Antonio Banderas. Os estúdios americanos têm a vocação histórica de engaiolar atores estrangeiros em papéis estereotipados. Contrariando a principal regra das comédias românticas, o príncipe precisava ser resgatado.

A salvação para a carreira de Bardem veio em um convite do premiado diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, de Babel e 21 gramas, para protagonizar o drama Biutiful. O resultado é uma das melhores performances dramáticas dos últimos anos e a reabilitação de Bardem como ator de primeiro escalão.
Em Biutiful, Bardem interpreta Uxbal, um homem que circula pelo submundo de Barcelona para fechar negócios escusos envolvendo trabalho semiescravo de imigrantes. Sua outra fonte de renda é um misterioso dom que permite que ele leia os últimos pensamentos de mortos – uma habilidade recompensada com o dinheiro dos parentes em luto. A rotina de Uxbal muda quando ele recebe um diagnóstico de câncer terminal e a notícia de que tem apenas dois meses de vida.
A descoberta inicia uma desesperada jornada em busca da redenção. Uxbal tenta se reaproximar de seus dois filhos e retomar o relacionamento com a ex-mulher. Ao mesmo tempo, esforça-se para melhorar as condições de trabalho dos imigrantes. Mas as tentativas de redenção enfrentam a resistência das pessoas que o cercam – e a crueldade do acaso. O desespero de Uxbal é acompanhado por sua rápida decadência física. O personagem chega a aparecer usando uma fralda geriátrica, em uma das imagens mais desoladoras de Biutiful – e uma das cenas mais memoráveis do ator. A performance rendeu a Bardem o prêmio de melhor ator em Cannes, e deverá valer uma indicação ao Oscar.
A redenção de Bardem também é uma vitória de Iñárritu. Biutiful é seu primeiro filme sem roteiro de Guillermo Arriaga. A briga de egos entre o diretor e o roteirista, que reivindicava a maior parte do crédito pelo sucesso de Babel e 21 gramas, provocou o fim da parceria. A ausência parece fazer bem a Iñárritu. Nos roteiros de Arriaga, a estrutura excessivamente fragmentada deixa os atores em segundo plano. Iñárritu é mais sóbrio. Não tem medo de deixar Bardem roubar a cena, mas ao mesmo tempo dá à história seu toque característico: o realismo fantástico e a obsessão pela morte, pelo acaso e pelos conflitos culturais. Foi o suficiente para conquistar uma indicação ao Globo de Ouro e fazer de Biutiful um forte candidato ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O sucesso entre os críticos aponta novos caminhos para seus principais astros. Para Iñárritu, o futuro está longe de Arriaga. Para Bardem, longe dos galãs.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

(Ir)responsabilidade dos colonizadores


Há meses ensaiei um post sobre a responsabilidade dos "exploradores" no decorrer dos séculos (imaturidade minha considerar apenas os portugueses e espanhóis do séc. XVI).
É que li na obra Paixão Índia como a Inglaterra pouco se importou quando perdeu a 2a. Guerra Mundial. Aos seus patrocinadores árabes simples disse: - Agora é com vocês! Fui!
E coube aos indianos escolherem a qual nova nação pertenceriam: Índia ou Paquistão...
E iniciou-se a disputa por Caxemira. Os interesses econômicos se subrepuseram à religiosidade dos hindus e mulçumanos... 
Guerras civis sem fim por desrespeito às opções religiosas.
É o que ocorre em toda a África e agora, em pleno século XXI, um referendo deverá dividir o Sudão em dois e dar origem à mais nova nação do mundo. A miséria - e o risco de guerra civil - aguarda sua chegada.

Época, 10 jan 2011
Um país rachado

O referendo que decidirá sobre a separação do Sul é um espelho da divisão que caracteriza o Sudão desde antes de sua independência, em 1956. No período colonial britânico, os investimentos se concentravam na capital, Cartum, e em Gezira, para impulsionar a agricultura. O resultado foi desastroso. O Centro-Norte, de maioria árabe-muçulmana, se desenvolveu, e o resto do país ficou na miséria. As diferenças étnicas, religiosas e de renda geraram graves conflitos, como o de Darfur e o do Sudão do Sul. Se o referendo confirmar a separação, a guerra pode recomeçar.


A cédula de votação do referendo: as mãos simbolizando as opções "unidade" ou "separação" vão permitir o voto dos analfabetos, 85% da população do Sul.

Ainda está em tempo...

Quem não inventa copia...
Também achei lindo, lindo!!!

Alterei pouca coisa para expressar algo que combina mais comigo:

Claro que a vida prega peças. O leite ferve quando não estamos olhando, a gancheira quebra numa competição, o computador resolve ter vida própria, chove demais (perdemos pessoas que amamos)...
Mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar, pelo menos uma vez ao dia?
Tem sentido estragar o dia porque as coisas fugiram ao nosso controle? Porque não depende de nós?
Eu quero viver bem. E você?
Por isso, neste 2011 que se aproxima, peço a Deus que encha os nossos corações de amor. Que o novo ano seja como presente um embrulho maravilhoso recheado de sabedoria para que possamos transformar tudo em experiências positivas.
Afinal de contas, se o nosso desejo não se realizou, beleza... Não estava na hora, não deveria ser a melhor coisa para o momento. Chorar de dor, de solidão, de tristeza faz parte do ser humano... Mas, se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.
Não quero ser cega, burra ou dissimulada. Quero viver bem!
Problemas, desilusões, desencontros, haverão outros e mais!
Às vezes se espera demais das pessoas... As escolhas alheias não são respeitadas...
A grana que não veio, o amigo que decepcionou.
A saudade daquele que se afastou não foi amenizada...
Normal, 2011 não vai ser diferente...
O homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente mais deseja, mas e aí?
Fazer o que? Acabar com seu bom humor? Com nossas esperanças?
Somos fracos, mas podemos melhorar.
Somos egoístas, mas podemos entender o outro.
Somos pequenos, mas juntos podemos ser gigantes.
Desejo que nesse novo Ano, nossos corações
estejam abertos para receber toda paz, bondade, compreensão e serenidade que este momento proporciona (o novo começo é todo dia em que temos a benção de acordar com saúde).
E que estes sentimentos sejam revestidos de sabedoria, vitórias e esperanças para conseguirmos encarar de maneira saudável os obstáculos da nossa caminhada.
Que valorizemos a família, os amigos que estão ao nosso lado, o colega de trabalho que nos compreende e apoia.
Que não deixemos de valorizar a vida como ela é!
FELIZ 2011 !!!!!!!!

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domingo, 16 de janeiro de 2011

Aos aniversariantes de JANEIRO




Tá certo! Esta torta foi para o Natal...
Ganhei três comemorações pelo meu aniversário e, consequentemente, três bolos.
Porém, as fotos em que sopro as velinhas (todos tinham, vocês acreditam?!) não ficaram "publicáveis", hehehe
O que interessa é que desejo a cada um dos aniversariantes de janeiro, sob o signo de capricórnio e aquário, MUITA ALEGRIA!
E que o pedido secreto (aquele que fazemos ao soprar as velinhas) se realize!!

Topo do Mundo - São Caetano da Moeda

Fotos do Lucarol:

Tem muita gente que não tem medo de chuva... 29 pessoas
 reunidas por conta da Caminhada Mineira!!




Este foi o momento mais "molhado", hehe
Aí, deu pra estreiar a capa de chuva...



Joana, esta fotos são suas:

Os escravos sofreram, e como sofreram!
Imaginem andar por essas pedras escorregadiças
com peso nas costas sob a ameaça do chicote...


Um bom tropeiro, café na canequinha de lata e
lascas de rapadura de sobremesa...

Imagem da Caminhada deste sábado

A vida se repete

Transcrição da arte A Rainha Estrangulada, tradução de Flávia Nascimento
História do trono francês no século XIV narrada por Maurice Druon

Segunda parte
Capítulo III - O Palacete da Família Valois

"Verdadeira morada de rei, aliás. Nenhuma viga no teto que não fosse esculpido, nenhuma lareira cuja coifa monumental não fosse ornamentada como os escudos da França, de Anjou, de Valois, Perche, Maine ou Romagne, ou mesmo com as armas de Aragão ou os emblemas imperiais de Constantinopla, já que Carlos de Valois ocupara, furtiva e nominalmente, as coroas de Aragão e a do Império latino do Oriente. Em todos os aposentos o chão desaparecida sob as lãs de Esmirna, e as paredes eram cobertas pelos tapetes de Chipre. Os aparadores, as prateleiras sustentavam um faiscamento de ourivesaria, de esmaltes, de cobre cinzenlado.
Mas aquela fachadas de opulência e de prestígio ocultava uma lepra: a falta de dinheiro. Todas aquelas maravilhas estavam em três terços penhoradas a fim de cobrir os fabulosos gastos que se faziam naquela casa. Valois gostava de aparecer. Com menos de sessenta comensais, sua mesa lhe parecia vazia. E com menos de vinte pratos servidos, acreditava que o reduziam a um cardápio de penitente. Do mesmo modo que prodigava títulos e honras, ele também abundava em jóias, roupas, montarias, móveis, louças. Precisava exagerar em tudo para ter o sentimento de possuir o suficiente.
Cada qual aproveitava daquela pompa. Manhaut de Châtillon, a terceira Senhora de Valois, acumulava vestidos e ornamentos vestimentários, e não existia na França sequer uma princesa que se mostrasse de tal maneira coberta de pérolas e gemas. Felipe de Valois, o filho mais velho, cuja mãe era da família Anjou-Sicília, apreciava as armaduras de Pádua, as botas de Córdoba, as lanças de madeira do norte da Europa, as espadas da Alemanha.
Mercador algum que viesse oferecer ali um objeto raro ou suntuoso levava de volta sua mercadoria, caso tivesse habilidade bastante para insinuar que algum outro senhor feudal poderia adquiri-la se o conde de Valois não quisesse comprá-la.
As bordadeiras do palacete, bem como outras, que faziam para o conde trabalhos avulsos, não davam conta de bordar tantas cotas de armas, auriflamas, bacheiros para selas, capas e mantôs do senhor conde e vestidos da condessa.
O copeiro-mor roubava um pouco de vinho, os intendentes das cavalariças roubavam um pouco de ração dos cavalos, os camareiros roubavam velas e o cozinheiro tirava seus bocados das provisões de especiarias. Do mesmo modo que se roubava na lavanderia, desperdiçava-se na cozinha. E esse era o funcionamento ordinário do palacete.
Pois o conde de Valois tinha que enfrentar outras necessidades.
Genitor prolífico, tinhas inúmeras filhas nascidas dos três casamentos. Cada vez que casava uma, Carlos se via na obrigação de endividar-se ainda mais a fim de que o dote e os festejos das bodas estivessem à altura dos tronos de seus genros. Sua fortuna desmanchava-se nessa rede de alianças."

Alguma coisa lhe pareceu familiar?
Você se viu transportado ao tempo presente?
Burgueses? Políticos? Ou simplesmente o ser humano, independente da época, país ou cenário?

sábado, 15 de janeiro de 2011

Caminhada sem chuva

Acabei de chegar da trilha do TOPO DO MUNDO.
Até o sol apareceu! Mais tarde (tomara que só amanhã, já que deixei a coleguinha por lá) postarei as fotos.
Apenas algumas delas - fiquei sem bateria logo na primeira curva, snif...
Fotografei com a câmera de um colega (obrigada pela gentileza, Cris), porém até que nos encontremos para que ele me entregue o CD com as maravilhas que vi, guardem a curiosidade de vocês, : ))

O Homem Trocado

O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso mas não conseguira entrar na faculdade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que minha conta de telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive de pagar mais de Cr$ 30 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegrai, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- E se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?
                                     Luis Fernando Veríssimo
Comédias da Vida Privada

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Rubem Alves

O tempo e as jabuticabas

Contei meus anos e
descobri que terei menos tempo para viver
daqui para frente do que já vivi até agora.

Tenho mais passado do que futuro...
Sinto-me como aquele menino
que ganhou uma bacia de jabuticabas...

As primeiras, ele chupou displicente...
mas percebendo que faltam poucas,
rói o caroço...

Já não tenho tempo
para lidar com mediocridades...

Não quero estar em reuniões
onde desfilam egos inflados.

Inquieto-me com invejosos
tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo
para conversas intermináveis...

Já não tenho tempo para administrar
melindres de pessoas que,
apesar da idade cronológica,
são imaturas...

Detesto fazer acareação de desafetos
que brigaram pelo majestoso
cargo de secretário geral do coral...

As pessoas não debatem conteúdos...
apenas os rótulos...

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos...
quero a essência...
minha alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia,
quero viver ao lado de gente humana, muito humana;
que sabe rir de seus tropeços...
não se encanta com triunfos...
não se considera eleita antes da hora...
não foge de sua mortalidade..

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade...
O essencial faz a vida valer a pena...
e para mim
basta o essencial...

Rubem Alves

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Antônimo de alegre - riqueza da nossa língua

Sorumbático, macambúzio, sombrio, triste, desmotivado, circuncisfláutico, soturno, taciturno, lôbrego, deprimido, abatido, descontente, carrancudo, melancólico, tristonho, aborrecido, casmurro, choroso, deprimente, desanimado, emburrado, infeliz, insatisfeito, jururu, lamentoso, lúgubre, melancólico, merencório, pesaroso, sisudo...

E tem mais...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Chuvas na Região Sudeste



Mais de 200 pessoas morreram nos deslizamentos de terra na Região Serrana do Rio de Janeiro durante a madrugada de terça (11) para quarta-feira (12). Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo foram as cidades mais afetadas.
As três cidades decretaram estado de calamidade pública.

Previsão de mais chuva
A situação na região serrana do Rio pode se agravar. De acordo com a previsão do Instituo Nacional de Meteorologia (Inmet), há condições para chuva ainda hoje no local. O tempo fica de nublado a encoberto, com chuvas e possíveis trovoadas. Na capital fluminense, também há previsão de chuva e tempo nublado. No litoral sul do Rio, na região de Angra dos Reis, há previsão de chuva de intensidade forte a moderada.
Fonte

Mafalda

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

sábado, 8 de janeiro de 2011

O que suas escolhas revelam

Saiba como nossos atos, pensamentos e a realidade estão interligados

O que você realmente quer em sua vida? Temos que ter muito cuidado ao querer alguma coisa ou situação. A vida pode parecer apenas dias corridos, cheios de compromissos e aventuras, mas nos esquecemos com frequência que através de nossos pensamentos e atitudes escolhemos tudo a nossa volta.

Seja sincero e avalie sua situação de vida atual e seus pensamentos. O que eles têm em comum?
Os atos, a realidade e os pensamentos estão sempre interligados. Não ache que é por que algo acontece que aí pensamos nisso. É exatamente ao contrario: pensamos e depois acontecem. De alguma forma, lá no fundo, mesmo que as coisas não sejam bem como gostaríamos, estamos compactuando com o que está acontecendo neste momento em nossas vidas. Quando digo compactuar quero dizer, aprovar, acreditar que é possível. Não fique bravo comigo, pois para mim muitas vezes também é bem difícil aceitar que a situação que estou vivendo fui eu que escolhi, ou acreditei nela.
Pense de acordo com o que deseja realizar
A noticia boa é que se escolhermos acreditar em algo positivo para nós isso tem grandes chances de se realizar e aí podemos mudar tudo. Começamos a determinar nossas chances muito antes de começarmos a concretizar, pois nossa mente tem que acreditar na possibilidade, a situação tem que ser conhecida por nós em algum nível de consciência. Pensar de acordo com o que queremos realizar é fundamental. Mas escolher corretamente o que queremos é mais ainda.
Eu insisto para você ir mais profundamente em sua avaliação. Não tenha medo de ver as verdades, pois elas são só suas verdades. Aceite-as, por pior que sejam. Quanto mais rápido e claro isso for feito, mais fáceis e compreensíveis as situações de vida ficarão para você.
Agora vamos falar um pouco sobre a importância da escolha. Muitos de nós temos inúmeras dificuldades para escolher entre uma coisa ou outra. Seguir este caminho ou aquele, ou até mesmo um outro. Na vida atual é imprescindível saber o que se quer. Quando a vida parece escolher sozinha, saiba que é ainda mais perigoso, pois mesmo assim tem sua participação inconsciente. Na maior parte do nosso tempo corrido quem escolhe nossas situações de vida é a parte de nós que esté escondida nas profundezas de nossa mente. O inconsciente recolhe as informações que assimilamos em todos os anos de vida, desde o nosso nascimento e pronto. Está escolhido rumo à materialização.
Experimente fazer diferente
Por esta razão insisto que, por mais difícil que possa ser, entre em contato com o seu interior e se proponha a ver como tem feito as coisas até agora - e se for necessário mude. Comece com os pensamentos, depois com as atitudes, mas simplesmente mude. Experimente fazer diferente e a concretizar coisas novas com a maior consciência possível.
Então, o que você realmente quer realizar? Dedique o tempo necessário para descobrir. "Escute seu coração. Medite, silencie sua mente tagarela para escutar suas respostas, pois elas estão dentro de você." Ninguém as conhece melhor.Veja se seu desejo não atrapalha ninguém. Desta forma, as possibilidades aumentam em direção à felicidade.
Observe suas palavras durante o dia. Principalmente as conversas com os amigos, pois temos uma tendência de falar muito e contra nós mesmos. As palavras têm poder de materialização, tenha cuidado.
Assim que estiver tudo claro, acredite que pode e entregue com o sentimento de já ter conquistado suas alegrias. Não se perca em julgamentos inúteis durante o caminho. Seja co-criador consciente de sua vida!
Simplifique, determine, escolha e jamais desista. Acredite, você pode e deve ser feliz.

Regina Restelli

Terapeuta Energética. Combina técnicas e dinâmicas energéticas com base na Radiestesia e na Radiônica. Mantém no Rio de Janeiro o Sanat Kumara Centro de Terapias Energéticas
Saiba mais

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

As referências para uma criança - Charles Dickens

O autor Charles Dickens, em Grandes Esperanças, traduziu perfeitamente, os sentimentos de uma criança diante de um mundo desconhecido em que clama por orientação e conhecimento.
Ah... se Joe tivesse mais a ensinar, quem Pip teria se tornado?


Pip conta seu encontro com Estela na casa da srta. Havisham:
"- Ele chama o Conde de Valete, este menino...
Estela referiu-se a mim com desprezo, antes de terminar a primeira rodada.
- ... E que mãos rudes tem! E que botas grossas!
[...]
Ao passar por mim, lançou-me um olhar triunfante, como se exultasse com minhas mãos tão rudes e minhas botas tão grossas, abriu o portão e ficou segurando-o. Eu passava, sem olhar para ela, quando me tocou com a mão escarninha.
- Por que você não chora?
- Porque não quero.
- Você quer sim. Você chorou tanto que quase ficou cego, e agora está quase chorando de novo.
Ela riu, com desprezo, empurrou-me para fora e trancou o portão em cima de mim. Fui direto para a casa do sr. Pumblechook, e senti-me aliviado por ele não estar em casa. Assim, deixei recado com o empregado da loja, avisando o dia em que eu era esperado novamente na casa da Srta. Havisham, e lancei-me à caminhada de seis quilômetros rumo à ferraria. Ponderei, durante o caminho, sobre tudo o que vira, remoí, no íntimo, o fato de ser um um artesãozinho vulgar, de minhas mãos serem rudes, de minhas botas serem grossas, de ter adquirido o hábito adjeto de chamar o Conde de Valete, de ser eu muito mais ignorante do que, ontem à noite, imaginara que fosse, e, de modo geral, de viver uma vida hão humilde e ruim.
[...]
Soltei a camisa de Joe, e sentei-me aos pés dele, sobre as cinzas, de cabeça baixa.
- ... mas eu gostaria que você não tivesse me ensinado a chamar o Conde de Valete, Joe, no baralho, e gostaria que minhas botas não fossem tão grossas, e que minhas mãos não fossem tão rudes."

Xô, Coleguinha!

Placebo, remédio de tarja preta, atividade física, leitura, música, administração das atividades de entretenimento,  exclusão de TV e internet à noite, alimentação direcionada, exclusão do álcool/cafeína, adesão à agenda/moleskine/alertas no outlook...
Que mais posso fazer para que a Insônia me esqueça??
Não quero conversar mais! Chega!!
Depois de "explosões" indesejadas no trabalho, PRESTENÇÃO!!
Foi aí que vi os sinais de alerta no meu próprio corpo... espinhas na fase adulta?! falta de apetite?! pô, pára!
Afinal, sempre fui uma capricorniana ansiosa e dormia bem...
Apelei, então, para a retirada de hormônios e, acredito, vai dar certo! Afinal, nosso corpo é perfeito! Se o descanso faz parte da harmonia corporal, ele virá naturalmente...
Venha, soninho, venha!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Extradição de Battisti

Líder de uma organização extremista que fazia oposição ao governo da Itália na década de 70, Battisti foi julgado à revelia e condenado a prisão perpétua por quatro homicídios ocorridos entre 1978 e 1979.
O julgamento terminou em 1993, mas o ex-ativista nunca cumpriu a pena.
Fugiu para a França, onde viveu até 2004, quando o então presidente do país, Jacques Chirac, se colocou favorável à extradição.

Foi preso no Brasil em 2007 pelo crime de falsificação de passaporte. Porém, chegou no Brasil em 2004.
O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão subordinado ao Ministério da Justiça, analisou o pedido de refúgio e decidiu negá-lo por 3 votos a 2, sob o argumento que não é possível comprovar a alegada perseguição política. A decisão do Conare, no entanto, foi revertida pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, que em 13 de janeiro de 2009 concedeu refúgio ao ex-ativista, sob a justificativa de “fundado temor de perseguição”.
Sucessivos movimentos diplomáticos da Itália levaram o STF a revogar a decisão de Genro e autorizar a extradição de Battisti em 19 de novembro de 2009.
Por 5 votos a 4, os ministros do STF entenderam que o refúgio concedido pelo governo brasileiro a Battisti foi irregular. Os magistrados consideraram que Battisti não era um perseguido político e por isso não teria direito ao refúgio. Mas decidiram deixar a palavra final sobre a extradição ao presidente que divulgou sua posição a poucas horas de deixar a Presidência da República, exatamente 11 meses depois.
Lula negou o pedido de extradição e argumentou que o italiano, caso volte ao seu país, poderá sofrer perseguição por “opinião política, condição social ou pessoal”. Deu a ele status de imigrante, e não de refugiado ou asilado.


Perguntas que não querem calar:
Por que após a negativa de asilo político na França, fugiu justamente para o Brasil?
Aqui, a legislação proíbe a extradição de condenados por crimes políticos.
Battisti alega perseguição política.

Por que desde que chegou ao Brasil, em 2004, não pediu asilo político e só o fez quando foi preso por falsificação de passaporte?
...

A legislação brasileira proíbe a extradição de condenados por crimes políticos. Battisti foi condenado por homocídio, ou seja, crime comum.
O fato de ter sido julgado à revelia, dá direito ao Brasil de considerá-lo perseguido político?
Justamente por esta razão, o STF revogou a decisão de Genro em 19 novembro de 2009.

Battisti passou a ser escritor e contou sua história em 3 livros. Contar os pormenores da política na década de 1970 seria o motivo para falar em risco de perseguição?
Leia no site o depoimento de Toni Negri, outro perseguido político.


Há tantas brechas em nossa legislação que permitem inventar outro enquadramento quando não se beneficia quem quer?
Não refugiado, não exilado... então imigrante. Os autos dizem "crime comum / homicídio" - lê-se: "crime político".

O que esta foto lhe parece? Inocente?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Os riscos e as possíveis vantagens de abandonar o tênis de corrida

Foto - Bill Cramer
Reportagem - Francine Lima e Luciana Vicária
Época 03 jan 2010

Desde que o americano Christopher McDougall lançou o livro Nascido para correr (Editora Globo, 2010), a ideia de correr descalço ganhou o mundo. McDougall fisgou seus leitores com bons argumentos sobre os supostos malefícios dos tênis caros – e os benefícios de livrar-se deles. O jornalista garante que correr descalço evita lesões, ao contrário do que a indústria de calçados faz crer.

McDougall colecionou estudos científicos importantes, entrevistou treinadores de corrida e apresentou ao leitor os tarahumaras, indígenas do norte do México que correm supermaratonas em tempo recorde usando sandálias de solas de pneu. Ele experimentou tudo o que descreveu e concluiu que correr errado lhe causava lesões – e que os tênis supertecnológicos não estavam protegendo nada.
A adesão foi forte. Leitores entusiasmados elegeram o autor como guru e saíram para correr de pés no chão – nos Estados Unidos, primeiro, e logo no resto do mundo, inclusive no Brasil. “Eu corro descalço há cinco anos, e a dor que eu tinha na canela desapareceu”, afirma Leonardo Litorati, de 43 anos, que mora em Belo Horizonte. Ele já disputou duas maratonas descalço, com intervalo de três semanas entre elas.
As diferenças entre correr com tênis e correr descalço vêm sendo pesquisadas nas últimas quatro décadas. Já se observou como o solado interfere no movimento da pisada e em que medida o calçado determina qual parte do pé toca primeiro no solo. Uma das constatações dos estudos é simples: com tênis, tendemos a bater os calcanhares no chão, ao passo que, descalços, aterrissamos no solo com a parte da frente do pé, justamente para proteger os calcanhares. É um movimento intuitivo. A pisada frontal é considerada mais eficiente entre os corredores de elite, que, segundo as pesquisas, sofrem menos lesões. Ainda assim especialistas ouvidos por ÉPOCA dizem que os estudos não permitem afirmar categoricamente que a pisada frontal e descalça é melhor para prevenir lesões.
Em janeiro de 2010, a respeitada revista científica Nature publicou um estudo que reforçou a tese de que os tênis de corrida com calcanhar reforçado favorecem a pisada de calcanhar. O antropólogo Daniel Lieberman, da Universidade Harvard, mediu as forças de impacto na corrida de adolescentes quenianos que nunca haviam corrido calçados. Eles pisavam o solo com o chamado antepé, formado por metatarso e dedos. Mas, uma vez calçados com tênis com amortecimento, tendiam a bater os calcanhares no chão. Lieberman não afirma que os tênis favorecem as lesões, mas deixou claro que eles modificaram a técnica de corrida de adolescentes acostumados desde cedo a correr descalços. A indústria tem suas explicações. “O amortecimento ajuda no conforto do atleta e na performance”, afirma Mário Andrada, diretor de comunicação da Nike na América Latina. “Serve para prevenir lesões especialmente em percursos longos e com piso irregular.” ÉPOCA pediu à empresa estudos que mostrassem a eficácia dos tênis de corrida em prevenir lesões, mas a empresa não respondeu. Em seu livro, McDougall diz que esses estudos não existem.
Na visão dos descalços apaixonados (alguns dos quais mantêm blogs sobre o tema), os calçados com amortecimento são muletas que atrofiam a poderosa e complexa musculatura dos pés, desenvolvida em milhões de anos de evolução. Há quem compare correr com calçados de solado grosso a digitar um teclado de computador usando luvas: perde-se inteiramente a sensibilidade. Mas não foi bem isso que o artigo de capa da Nature mostrou. Para os especialistas, ele colocou uma pergunta relevante: correr sem amortecedores seria possível se fôssemos acostumados desde criança a brincar descalços?
Os quenianos do estudo de Lieberman e os índios mexicanos do livro de McDougall têm em comum o fato de viver sem tênis. A maioria dos moradores das cidades não tem esse hábito no currículo. Crescemos acostumados a pisar no chão com uma camada de borracha e tecido macio intermediando o impacto. Para os especialistas em lesões ortopédicas, é o hábito que faz a diferença na capacidade de correr sem se machucar, com ou sem tênis. “É basicamente da adaptação que depende a necessidade que teremos do calçado”, afirma Julio Cerca Serrão, coordenador do Laboratório de Biomecânica da Universidade de São Paulo (USP). “O tênis não é o protagonista da proteção. Quem tem tempo para se adaptar pode se dar bem sem ele.” De olho no crescente interesse por experimentações desse tipo, a indústria de calçados se mobilizou. Os tênis de corrida com solado mais fino e maleável começaram a aparecer nas lojas, prometendo mimetizar a pisada descalça. As “luvas para os pés” da italiana Vibram – sapatilhas esportivas conhecidas como Five Fingers – tornaram-se o produto preferido dos novos corredores descalços. Até as sandálias artesanais dos tarahumaras ganharam destaque, com vídeos na internet ensinando a confeccioná-las (leia o quadro abaixo).
Inspirados por McDougall, muitos resolveram largar os tênis de uma hora para outra, como fez o paulista Joel Leitão. Praticante de corrida há três anos e meio, Leitão conta que, depois de ler o livro, convenceu-se de que poderia correr descalço. Fez o teste no Parque da Aclimação, em São Paulo, começando com um treino de 6 quilômetros, muito mais do que os blogueiros recomendam (não mais que 500 metros no primeiro dia). Uma semana depois, fez 10 quilômetros descalço. A terceira vez foi meia maratona na areia da praia. “Fiz meu melhor tempo nessa distância”, afirma Leitão, que ganhou duas bolhas de sangue nos pés. No balanço da ciência, é impossível concluir se os tênis de corrida são fundamentais, como sugere a indústria, ou se todos ficariam melhor descalços, como dizem os radicais da corrida natural. Mais do que nunca, vale a cautela e a experimentação. A proteção dos pés não é uma questão de moda.