domingo, 31 de outubro de 2010

Arraial d'Ajuda BA

Generalizar, posso não! Mas posso dizer que muuuuita gente que conheceu esse pedaço de paraíso recorda com saudades momentos mágicos... mesmo em dias chuvosos de novembro!
Óh... mundão! Acaba não!!!!




sábado, 30 de outubro de 2010

Livro de rua

Criada por cariocas em regiões carentes, proposta batizada de Livro de Rua espalha bibliotecas onde não é preciso fazer cadastro nem devolver a obra
Estadão 23 maio 2010

A ideia nasceu de um projeto americano, o Book Crossing. Você deixa um livro em qualquer lugar público: um banco de praça, um café, um cinema. Caso encontre um exemplar, pega, lê e depois passa adiante. E, assim, de mão em mão, o livro vai circulando. O Book Crossing ganhou fôlego em mais de cem países, até no Brasil. Mas um grupo de cariocas decidiu ampliar a corrente e criou o Livro de Rua.

O movimento não só deixa livros em lugares públicos, como também instala as "bibliotecas da liberdade" em lugares carentes. "O Book Crossing é uma ótima ideia, mas os livros acabam só circulando em áreas mais nobres, onde as pessoas têm acesso a livrarias e bibliotecas. Acaba sendo um grande clube do livro", pondera Pedro Gerolimich, de 28 anos, um dos idealizadores do Livro de Rua. "Queremos democratizar o acesso à leitura."

Nas "bibliotecas da liberdade" não há burocracia. Qualquer pessoa pode levar quantos livros quiser. Não precisa mostrar documento de identidade nem fazer cadastro. Ninguém é obrigado a devolver os exemplares. O único compromisso é passar o livro adiante ou deixar em lugar público. O lema do projeto é a "libertação" dos livros. Em Duque de Caixas, foram libertados 500 livros. Em Anchieta e Pavuna, outros 700. Numa tarde de sol no calçadão de Copacabana, ao lado da estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, foram entregues outros mil livros. Todos tinham sido doados pelo site http://www.livroderua.com.br/.

"O livro serve para que as pessoas possam ler e não para ficar em uma estante. Ele tem de circular. Já libertamos 5 mil livros em quase dois anos", diz Gerolimich. A maioria foi parar nas cinco bibliotecas montadas pelo grupo. Três na Baixada Fluminense, um bolsão de miséria no entorno do Rio, duas em Belo Horizonte. E já há planos para chegar também a São Paulo e Brasília. As bibliotecas são instaladas em lugares como lan houses e postos de saúde. "A gente leva o livro onde as pessoas estão por outro motivo. Mas, quando dão de cara com os livros, elas acabam pegando. Queremos que elas adquiram o hábito da leitura."

Filho de um professor de História e de uma advogada, formado em Geografia, acostumado a viver cercado de livros por todos os lados, Gerolimich gosta de repetir uma frase do poeta Mario Quintana para explicar seu entusiasmo com o projeto: "Livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Livros só mudam as pessoas."

Três perguntas para Eliana Yunes, fundadora do Programa Nacional de Leitura, em 1992
1. Qual o tamanho do desafio de se criar um país de leitores?
É um desafio imenso no Brasil. As famílias não têm livros em casa nem leem para os seus filhos, as escolas não estão dotadas de bibliotecas em sala de aula, as bibliotecas escolares são para cumprir tarefas e não para a alegria e o desfrutar das palavras. E tem o problema do poder aquisitivo. O livro é muito caro. (...) Não faltam nos condomínios, por exemplo, quadra poliesportiva e piscina. Contudo, um espaço para leitura não tem. Você não vê um cuidado com essa questão. Tudo afasta o brasileiro de um convívio mais próximo com a linguagem escrita.
2. Só 8% das cidades não têm biblioteca pública. Na parte de governo, qual é a dificuldade?
É preciso ter o acesso ao material, mas sobretudo é preciso que haja política de difusão da literatura no município, nas comunidades próximas, com amparo do Estado. Não adianta ter o livro na biblioteca e o leitor não buscar o livro, nem saber qual a riqueza que se esconde nas estantes.
3. O que é preciso para se fazer um leitor?
São muitos fios, que não se arrumam de um dia para o outro - não se cria um leitor em dois meses, nem em um ano. Essa tessitura envolve revalorização das memórias pessoais, da vivência em família, na coletividade. Quando as pessoas chegam diante do livro e acreditam que tudo aquilo que sabem não tem nenhum valor cultural, não estão preparadas para fazer a troca necessária com a incorporação daquilo que ela desconhecia e o livro traz.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Silêncio


"Tenho andado silenciosa. Certamente, nunca terei sido tão útil."

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Amizade no século XXI

Amizade é... o que não é namoro.
... ser confidente e palpiteiro.

Edição 275
SUPERinteressante
Fevereiro/2010
Comportamento

Namoro ou amizade?
A amizade entre homens e mulheres é rara, difícil e frágil. Ainda assim, tem quem tente. Entenda por que essa relação vai se tornar cada vez mais comum e até necessária
por Veridiana Sedeh

Sérgio e Natália formam um belo casal: são jovens, atraentes, adoram estar juntos. Íntimos, conversam sobre tudo, fazem baladas e viagens e, em 10 anos de relação, nunca se beijaram. Sérgio e Natália são um casal de amigos. Natural para os dois, a relação é vista com ceticismo por quem está em volta - homens, principalmente, custam a acreditar que nunca rolou algo a mais. Sempre que conhecem alguém, a pergunta se repete: "Vocês são só amigos mesmo?"

A frequência da dúvida mostra que nossa sociedade hiperconectada e globalizada ainda é bem conservadora com esse assunto. Em nossa defesa, temos milhares de anos em que simpatia entre sexos era sinônimo de atração sexual e algumas décadas em que pode não ser. É um fenômeno novo, mais recente que a TV em cores. Para ter uma ideia, os primeiros estudos sobre esse tipo de relacionamento são do final do século 20, e ainda não ajudam muito a esclarecer todo o emaranhado de dúvidas - naturais - sobre o assunto. E, se o tema é recém-chegado à ciência, ainda é ignorado pela ficção. Em filmes, seriados e novelas, o casal hetero está sempre destinado à cama ou ao altar.


Mas a amizade entre homens e mulheres existe - e acredite, você ainda vai ter uma.

Um mal degenerador. Até o século 19, assim era encarada a amizade entre homens e mulheres. Segundo Rosana Schwartz, pesquisadora de gênero da PUC-SP, a ciência (influenciada pela moral) da época garantia que as moças, criaturas frágeis, próximas de rapazes tenderiam a histeria ou "desvios de comportamento" - apaixonar-se por um estando prometida para outro, ou, Deus o livre, praticar sexo fora do casamento. O lugar delas era em casa. Para sair, deveriam estar acompanhadas por pais, irmãos ou marido. As que estudavam frequentavam escolas femininas, e as que trabalhavam o faziam separadas dos homens - lavavam, costuravam, cozinhavam. Nesse cenário, além de indesejada, a amizade era quase impossível.


As coisas começaram a mudar nas décadas seguintes, quando homens e mulheres se tornaram colegas de trabalho. "Amizades com pessoas do sexo oposto é um novo fenômeno para adultos. À medida que mulheres e homens alcançam maior paridade de salários, eles estão mais aptos para ser amigos", afirma Geoffrey Greif, professor da Universidade de Maryland e autor do livro Buddy System: Understanding Male Friendships ("Sistema dos Caras: Entendendo a Amizade Masculina", ainda sem edição brasileira). O equilíbrio gerado pela independência feminina vai além do campo profissional - quando os salários emparelham, o respeito chega ao dia a dia.


"Passamos por um século inteiro de transformações para chegar ao ponto em que homem e mulher podem ser amigos", destaca Schwartz. E é aí que as coisas começam a se complicar.


Sexo entre amigos
As barreiras sociais ficaram no passado e homens e mulheres conseguiram se tornar amigos. Só faltou avisar os hormônios.

A tensão sexual está presente em mais da metade das amizades com o outro sexo, revela um estudo com mais de 150 homens e mulheres conduzido por Linda Sapadin, psicóloga e consultora de relacionamentos. Aliás, 6% das mulheres e 7% dos homens admitiram que essa tensão era do que eles mais gostavam nessa relação. Mais homens admitiram ter levado amigas para a cama: o sexo amigo aconteceu para 66% deles e 46% delas. Porém, tanto homens (74%) quanto mulheres (82%) admitiram que o sexo prejudicou a relação. Na pesquisa, alguns homens relataram que a atração sexual foi a razão para iniciarem a amizade.


Assim também foi com Sérgio e Natália. Ele queria, mas ela, que já havia perdido um amigo por ter misturado as coisas. Até hoje, Natália diz que não arriscaria ficar com ele, para não correr o risco de arruinar uma amizade que ela valoriza tanto. "A gente brinca que, se um dia a gente vier a ficar, tem que ser para casar."


Já os universitários americanos não têm essa frescura. Segundo uma pesquisa que ouviu 315 estudantes, metade das suas amizades com o sexo oposto envolve sexo. Dos que transaram com o amigo ou a amiga, 55% afirmaram que o álcool foi decisivo e 60% nunca o/a tiveram como parceiro exclusivo. E, contrariando os resultados da pesquisa citada na outra página, dois terços disseram que o sexo aprofundou a amizade.


Um primeiro olhar nesses números pode até levar a concluir que não, a amizade não existe - é sempre um romance fracassado ou dormente. Mas especialistas dizem que é justamente por causa dessa atração que a amizade pode surgir. Na verdade, mesmo quando não há envolvimento se-xual, pode haver atração. "Eu diria que, num número muito grande de situações de amizade entre homem e mulher que duram bastante tempo, se você for pesquisar a fundo, vai descobrir que no mínimo um deles gostaria de ter alguma coisa a mais com outro", diz o professor e supervisor da Clínica Psicológica da PUC-SP, Ari Rehfeld. Alguns pesquisadores acreditam que a energia sexual, sem ser levada às vias de fato, pode contribuir para uma maior produtividade, à medida que adiciona energia e interesse ao trabalho. Tudo bem. Agora, vá explicar isso em casa.


Outras alianças
"Amor, vou sair para tomar uma cerveja com um amigo da faculdade" é uma frase que um marido dificilmente vai gostar de ouvir. Com esposas, não é diferente. Por consumirem a maior parte do tempo livre dos envolvidos, relações estáveis e casamento são considerados obstáculos para a manutenção e surgimento de amizades. Também é comum que pessoas comprometidas achem inapropriado ter um amigo próximo do outro sexo. Assim, uma mulher casada que tenha um grande amigo, ou o contrário, tornou-se uma raridade, como comprova um trabalho de Lillian Rubin, autora de Just Friends: The Role of Friendship in Our Lives ("Apenas Amigos: O Papel da Amizade em Nossa Vida", sem publicação no Brasil). Em entrevistas com mais de 300 pessoas, ela descobriu que apenas 16% das casadas e 22% dos casados tinham amizades do outro sexo.


Alguns pesquisadores dizem que, embora haja pessoas casadas que têm amigos do sexo oposto, a relação acontece dentro das restrições do casamento ou do trabalho e costuma envolver interações mais superficiais. O pesquisador Greif, por exemplo, é bem realista. Ele tem suas amigas, mas com moderação: "Elas [amizades] normalmente são feitas por meio do trabalho e não de outras atividades. Eu sou casado há 35 anos e não desejo complicar a minha vida".


Michael Monsour, professor do departamento de comunicação da Univerisidade do Colorado e autor de Women and Men as Friends ("Mulheres e Homens Como Amigos", ainda não publicado no Brasil), acredita que fazer um amigo do outro sexo quando se é casado ou se tem uma relação estável é muito mais difícil do que continuar se relacionando com os antigos amigos. Na prática, essa nova amizade só tem chance de ir para a frente se o outro membro do casal se aproxima da pessoa. Se não, há uma barreira muito grande.


Sérgio conta que sua relação com Natália não costuma lhe causar dor de cabeça. "Deixo claro para as minhas namoradas a minha relação com ela. No começo, sempre rola um estranhamento, mas se resolve quando elas a conhecem", diz. Ele conta que geralmente elas se tornam amigas. Já com os namorados de Natália, é comum haver uma resistência maior e já rolou ciúme.


Amiga é pra essas coisas
Mas nem só de complicações vive a amizade entre homens e mulheres: ela também tem suas vantagens. Os benefícios vão desde evitar a solidão a conseguir dicas para conquistar alguém. No estudo de Linda Sapadin, as mulheres listaram como algumas das principais vantagens de sua amizade com homens ter atividades e discussões "interessantes" e uma outra perspectiva do sexo oposto. Já os homens citaram como pontos positivos poder falar sobre praticamente tudo e ser confortado quando se sentem mal ou solitários. Elas são imbatíveis para dar apoio emocional.
 De acordo com Monsour, uma pesquisa mostrou que 73% dos homens e 82% das mulheres recebem suporte emocional de suas amigas, enquanto apenas 27% delas e 56% deles disseram receber o apoio de seus amigos. "Eu penso que homens estão acostumados a ser cuidados por mulheres, suas mães e professoras, e gostam delas como pessoas com quem possam conversar. Mulheres gostam dos homens como amigos porque eles permitem acesso a diferentes atividades e não existe competição", diz Greif.


O companheirismo entre homens e mulheres solteiros pode muitas vezes assumir contornos de um casamento. "Ela o ajuda a se vestir, a se comportar em determinados lugares ou faz companhia quando ele precisa se apresentar como casal. Ele, por sua vez, conserta o carro dela. Assim, eles vão ocupando papéis que tradicionalmente ou culturalmente são do homem e da mulher, enquanto casal", relata Rehfeld. A ajuda também é muito comum na hora de arrumar um par. Segundo o autor, algumas mulheres relatam que os homens dão conselhos mais objetivos. É o caso de Natália. "É diferente conversar com o Sérgio e com minhas amigas. Ele tem uma visão de homem, mais racional. Mulher é muito sentimental", diz ela. "Acho positivo ter uma amiga, tanto porque ela vai me apresentar para as amigas dela quanto para saber como as mulheres pensam. Acho que vale a pena. Todo cara deveria ter uma amiga", diz Sérgio.


Mais e mais amigos
Se, mesmo com tantas complicações, muitos homens e mulheres já são amigos, tudo leva a crer que mais amizades surgirão. As razões vão do aumento da presença feminina no mercado de trabalho à valorização dos relacionamentos virtuais - pesquisas indicam que as amizades entre homens e mulheres costumam ser mais frequentes na internet do que fora dela.



Os estudos ainda são insuficientes, mas tudo indica que a amizade entre homens e mullheres vai se tornar não só uma possibilidade mas uma necessidade. Em tempos que exigem que os gêneros trabalhem e convivam, aqueles que conseguem entender e se comunicar com o sexo oposto têm uma vantagem competitiva.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Chico Buarque fala da solidão

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.


Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida. .. Isto é um princípio da natureza.

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.


Solidão é muito mais do que isto.


Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....

Francisco Buarque de Holanda

Apenas mais uma de amor _ Lulu Santos



Ainda brincava de pique quando Lulu Santos começou a compor.
Frequentava a praia de Muriqui no RJ e tinha como vizinho e companheiro de brincadeiras um sósia do Lulu, hehehe

Composição: Lulu Santos / Nelson Motta

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido


Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer

Eu acho tão bonito isso
De ser abstrato baby
A beleza é mesmo tão fugaz

É uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer


Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer


Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer

O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber


Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido


Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer


Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer


Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
E eu vou sobreviver...
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber


Na semana passada a insônia não foi "pank" como nesta noite... Ainda sinto os olhos arderem, a cabeça latejar... Será que foi o café da Kalua?!

domingo, 24 de outubro de 2010

De volta aos estudos!

Para que conviveu com uma pessa estressada, frustrada, agitada, prepare-se para um replay, kkkkk
Adoooooro essa vida!

MBA em Mercado Financeiro com Ênfase em Banking

O curso

O curso foi estruturado de modo a permitir uma formação consistente e focada em temas específicos do setor financeiro, mas não voltada apenas para profissionais que já atuam no setor, mas todos aqueles de alguma forma envolvidos com o tema, como profissionais do mercado de investimento e empresários ou ocupantes de cargos voltados para a gestão financeira de recursos dentro de uma empresa. O foco em Banking surge da carência do mercado em explorar assuntos específicos da área bancária. Além disso, permite que profissionais do mercado financeiro, que hoje buscam cursos preparatórios para exames da ANBID, se preparem para estes exames e ao mesmo tempo obtenham o título de MBA. Este curso visa suprir essa lacuna deixada pelo mercado, capacitando profissionais a atuarem de forma diferenciada no setor Financeiro.

Público-alvo
• Profissionais já atuantes ou que desejam atuar no mercado bancário;
• Profissionais da área que desejam prestar exames de Certificação ANBID e ainda obter título de pós-graduação;
• Profissionais atuantes neste setor e que desejam reciclar o conhecimento e atualizar-se;
• Profissionais atuantes na área financeira de empresas;
• Interessados em prestar concursos na área financeira e que tenham alguma formação prévia nesta área.

Estrutura curricular
Módulo I: Introdução ao Mercado Financeiro
• Seminário de Integração
• Métodos e Técnicas de Pesquisa
• Estatística
• Econometria
• Matemática Aplicada ao Mercado Financeiro
• Microeconomia Aplicada
• Macroeconomia e Finanças Internacionais
• Análise de Cenários Econômicos
• Direito aplicado ao Mercado Financeiro

Módulo II: Mercado Financeiro
• Sistema Financeiro
• COSIF – Contabilidade de Instituições Financeiras
• Produtos Bancários
• Renda Variável
• Renda Fixa
• Gestão de Carteiras
• Gestão de Riscos
• Compliance

Resisti bravamente!


Essas bolinhas deliciosas olharam para mim. Eu olhei para elas e... resisti!!! Não comi, rs
Infelizmente, também excedi na comida fora de hora e não retomei nenhuma atividade física...
Ai, ai, ai...

Simplesmente feliz!

Três amigas reunidas num domingo chuvoso para escolher um filme na videolocadora - drama ou romance. "Prefiro chorar do que rir; comédia não!" Cada uma mais despreocupada que a outra, com a intenção única de passar o tempo...

O filme escolhido foi SIMPLESMENTE FELIZ (2008) do considerado mais triste dos cineatras britânicos - Mike Leigh.

Poppy, professora primária de Londres (simplesmente ultra brega), tem como princípio ver o lado bom de tudo. Os problemas da vida não tiram seu sorriso e bom humor.
Com 30 anos, há 10 morando com uma amiga e confidente, não se deixa vencer pelo modelo que esperam que ela siga. Ao contrário dos outros moradores da cidade, Poppy nunca se deixa subjugar pela frieza que encontra nas pessoas ou pelo pessimismo que impera nas ruas.
Quando tem sua bicicleta roubada, ao invés de ficar chateada, ela decide fazer aulas de direção. Scott, seu instrutor, fica dividido entre o encanto e a irritação com o jeito esfuziante da moça. Já o assistente social Tim se apaixona por ela assim que eles se conhecem. Aos poucos, porém, Scott também começa a sentir algo por sua aluna.

Um filme interessante - dá para refletir, rs


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Mulheres poderosas!

Um homem Inteligente falando das Mulheres
(Dráuzio Varella)

O desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários
seres e entre os mais ameaçados está a fêmea da espécie humana.
Tenho apenas um exemplar em casa, que mantenho com muito zelo e dedicação, mas na verdade acredito que é ela quem me mantém.
Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha 'Salvem as Mulheres!'

Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da feminilidade
a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:

Habitat
Mulher não pode ser mantida em cativeiro.
Se for engaiolada, fugirá ou morrerá por dentro.
Não há corrente que as prenda e as que se submetem à jaula perdem o seu DNA.
Você jamais terá a posse de uma mulher, o que vai prendê-la a você é uma linha frágil
precisa ser reforçada diariamente.

Alimentação correta
Ninguém vive de vento. Mulher vive de carinho.
Dê-lhe em abundância.
É coisa de homem, sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro.
Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã as mantém viçosas e perfumadas durante todo o dia.
Um abraço diário é como a água para as samambaias.
Não a deixe desidratar.
Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial.

Flores
Também fazem parte de seu cardápio – mulher que não recebe flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade.

Respeite a natureza
Você não suporta TPM? Case-se com um homem.
Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia, discutir a relação...
Se quiser viver com uma mulher, prepare-se para isso.

Não tolha a sua vaidade
É da mulher hidratar as mechas, pintar as unhas, passar batom, gastar o dia inteiro no salão de beleza, colecionar brincos, comprar sapatos, ficar horas escolhendo roupas no shopping.

Cérebro feminino não é um mito
Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino.
Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente o aposentaram!).
Então, aguente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração.
Se você se cansou de colecionar bibelôs, tente se relacionar com uma mulher.
Algumas vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você.
Não fuja dessas, aprenda com elas e cresça.
E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com os homens, a inteligência não funciona como repelente para as mulheres.

Não faça sombra sobre ela
Se você quiser ser um grande homem tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás.
Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um bronzeado.
Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pé-no-traseiro.

Aceite: mulheres também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar.
O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios.
Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher,ele estará salvando a si mesmo.

Blogs que sigo!


Encontrei indicação de um livro no blog do português Jaime Bulhosa -
Pó dos Livros...

Pareceu-me bem interessante.

Em 1954, no pavilhão de refeições da serração de um acampamento de lenhadores, no Norte do New Hampshire, um ansioso rapaz de doze anos confunde a namorada do chefe da polícia local com um urso. Tanto o rapaz de doze anos como o pai são forçados a fugir de Coos County para Boston, Vermont e Toronto, perseguidos pelo implacável polícia. O seu único protector é um lenhador libertino, antigo condutor de toros, que se torna amigo deles. Numa história que abrange cinco décadas, A Última Noite em Twisted River retrata o último meio século nos Estados Unidos. Desde a primeira frase do romance até ao último capítulo, A Última Noite em Twisted River foi escrito com autenticidade histórica e emocional. O que mais o distingue é a voz inconfundível do autor - a voz inimitável de um exímio contador de histórias.

edição: Civilização
título: A Última Noite em Twisted River
autor: John Irving
tradução: Fátima Vieira
n.º pág.: 654

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Robson Bento

Sou fã!!! Largou a Educação Física pela fotografia!
Um site e uma coletânea! Que você, Robin, encontre seu lugar ao sol! Boa sorte!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Ken Follett e sua nova trilogia

Época de 18/outubro/2010
Mente Aberta
Luís Antônio Giron

O escritor Ken Follett não gosta de desperdiçar tempo nem de deixar seus leitores sem gancho. Escreve um best-seller atrás do outro, vende direitos para cinema e televisão, dá aulas de redação criativa e até divulga suas músicas. É guitarrista de rock, faz shows vestido de collant estampado com a bandeira americana e acaba de lançar o CD Stranger than fiction (Mais estranho que a ficção), para fins de caridade. De seu site (www.ken-follett.com), atende a pedidos e se coloca à disposição de qualquer coisa que se refira ao que chama de “meu universo criativo”. Esse exuberante galês de 61 anos faz sucesso desde seu romance de espionagem O buraco da agulha, lançado em 1978. Ele se gaba de ter vendido mundialmente 100 milhões de exemplares.


Sua hiperatividade é tamanha que às vezes comete livros “literários”, apropriados a críticos e intelectuais. Meio sem querer, sua paixão pelas catedrais góticas o levou a publicar em 1989 Os pilares da Terra, um belo e bem pesquisado romance histórico sobre os pedreiros medievais, festejado pelos literatos de todo o mundo, em especial na Alemanha, onde o título constou por seis anos seguidos da lista dos mais vendidos. A pedido dos fãs, lançou em 2007 sua continuação, Mundo sem fim, outro êxito. Os pilares da Terra agora é uma série de TV, com oito horas de duração, produzida por Ridley e Tony Scott (sem data para estrear no Brasil). E, como tinha de ser, faz sucesso, campeã de downloads piratas.

O gosto pela glória artística e pela pesquisa histórica deve afastá-lo por pelo menos quatro anos das histórias de suspense e espionagem. Follett anda fascinado pelo gênero histórico. Prova disso é seu 20o romance, Queda de Gigantes (Sextante, 912 páginas, R$ 59,90, tradução de Fernanda Abreu), lançado mundialmente há três semanas e no Brasil há uma.

O livro dá início à trilogia O século, que pretende narrar a cronologia das turbulências do século XX a partir de cinco núcleos de personagens fictícios e reais, cujos percursos se tocam cedo ou tarde. Ao modo de Guerra e paz (1865-1869), de Lev Tolstói, que abordou as guerras de Napoleão contra a Rússia, Follett abrange 100 anos da história recente a partir da montagem de um mosaico em que a vida cotidiana é o filtro para momentos decisivos para a humanidade. Queda de gigantes abarca o período que vai das causas da Primeira Guerra Mundial até a hiperinflação na Alemanha, passando pela Revolução Bolchevique, pelo Pacto de Varsóvia e pela Lei Seca nos Estados Unidos. O próximo volume, a sair em 2012, vai dar conta da Grande Depressão. Em 2014, será editada a última parte, sobre a Guerra Fria. Terá sido o projeto mais arrojado de um autor mais que ambicioso.

Queda de gigantes, como insinua o título, trata do fim dos impérios prussiano, austro-húngaro e otomano e da decadência do britânico, em face da emergência das potências soviética e americana. Como quase tudo o que o autor produz, é uma história envolvente, com personagens, tramas e subtramas bem urdidas. De quebra, é possível aprender história e geografia. A semelhança com Tolstói não se resume a Guerra e paz. Follett forjou um enredo parecido com outro romance do autor russo, Ressurreição (1899). O centro dramático é, como no penúltimo romance de Tolstói, o caso de amor entre um nobre e uma criada. Mas aquilo que em Tolstói é pretexto para refletir sobre as diferenças de classe e a injustiça social, para Follett vale como início da saga de um século repleto de turbulência, guerras e líderes mundiais duvidosos.


A cena transcorre na zona mineira do País de Gales entre 1911 e 1924, foco dos movimentos operários da Grã-Bretanha. A família Williams vive do trabalho nas minas. David, o pai, é militante sindicalista. O filho mais novo, Billy, é iniciado nos túneis de extração de carvão e se torna marxista. Sua irmã, Ethel, trabalha na mansão Tý Gwyn, propriedade do conde Fitzherbert, dono da área explorada pela companhia Celtic Minerals. Fitz, como é chamado, casa-se com a bela princesa russa Elizaveta. O casal recebe em casa a irmã de Fitz, a rebelde Maud, e seu futuro amante, Walther von Ulrich, adido militar da embaixada alemã em Londres. Também frequenta a mansão o jovem Gus Desar, que em breve se tornará braço direito do presidente americano Woodrow Wilson. Uma visita do rei Jorge V dá oportunidade a que Ethel organize a recepção e o banquete. Logo obtém o cargo de governanta. Valendo-se informalmente de seu “droit du seigneur”, Fitz conquista Ethel. Ela dá à luz um filho, que Fitz não reconhece. Ethel vai se tornar militante feminista e, finalmente, parlamentar. O fato de Fitz ser casado com uma princesa russa (mais um eco de Tolstói) permite ao autor ambientar parte do entrecho em Moscou. Em missão do serviço secreto britânico, o conde espiona a infraestrutura de guerra dos russos. Outra deixa, dessa vez para que os irmãos Grigori e Lev Peshkov sejam apresentados. Grigori abraça o comunismo e vira dirigente soviético e Lev imigra para os Estados Unidos, onde passa a operar no mercado ilegal.

A mansão de Fitzherbert serve, portanto, como foco irradiador de uma trama que levará os heróis, vilões e outras más companhias do Reino Unido a Berlim, Moscou, Paris e Buffallo, nos Estados Unidos. Tudo é contado a seu tempo, no ritmo vertiginoso de uma narrativa cheia de diálogos e cenas legendas, em que os fatos históricos são explicados, para alívio do leitor menos versado em história contemporânea.

O extremo didatismo é um dos muitos traços da ficção de Tolstói que se repetem em Queda de gigantes. Como Follett é um ficcionista atual, esse tipo de artifício soa, apesar de sua utilidade, bastante pueril. Ainda assim, o autor é capaz de dar dinâmica aos acontecimentos, que parecem se desenrolar naturalmente na vida pública e particular dos protagonistas. Há cenas eróticas, diálogos tensos e reviravoltas da trama que não deixam o leitor em paz. Não, Follett não possui a grandeza épica e nem um milésimo da maestria artística de seu antecessor russo. Mas é preciso lembrar que o romance histórico era o gênero mais popular do século XIX – e, graças a autores como Follett, mantém algum gancho com o século XXI. Queda de gigantes atingiu na semana passada o topo da lista de livros mais vendidos do jornal The New York Times e acaba de chegar à lista de ÉPOCA.

domingo, 17 de outubro de 2010

Aprender italiano...

Só porque estão com vontade! Querem falar italiano porque adoram a sensação que o idioma lhes dá!

Leio agora o romance de Elizabeth Gilbert Comer, rezar, amar.  
Ouvi muita gente criticar esta obra como sendo de auto-ajuda (inclusive, classifiquei-a como "só emprestado; não comprarei"). Minha tia Erê me emprestou e, agora, revejo meus conceitos. Porque qualquer texto que me conte um pouco da História (mesmo que sob um ponto de vista isolado), desperta meu interesse... Estou gostando muito do estilo da autora...
Será que será um daqueles livros que, após a leitura, farei questão de tê-lo em meu acervo?!

No capítulo 14, ela conta um pouquinho sobre o fascínio do idioma italiano:
[...] há alguns bons motivos para o italiano ser a língua mais bela e sedutora do mundo.
[...] Para entender o porquê, você primeiro precisa entender que a Europa era uma confusão de inúmeros dialetos derivados do latim que aos poucos, ao longo dos séculos, se transformaram em alguns idiomas distintos - francês, português, espanhol, italiano. O que aconteceu na França, em Portugal e na Espanha foi uma evolução orgânica: o dialeto da cidade mais proeminente se tornou, aos pouco, a língua oficial da região toda. Portanto, o que hoje chamamos de francês é na verdade uma versão do parisiense medieval. O português é na verdade o lisboleta. O espanhol é essencialmente o madrilenho. Essas são as vitórias capitalistas; a cidade mais forte acabou determinando o idioma do país inteiro.
Na Itália foi diferente. Uma diferença importante foi que, durante muito tempo, a Itália sequer foi um país. Ela só se unificou bem tarde (1861) e, até então, era uma península de cidades-Estado em guerra entre si, dominadas por orgulhosos príncipes locais ou por outras potências europeias. Partes da Itália pertenciam à França, partes à Espanha, partes à Igreja, e partes a quem quer que conseguisse conquistar a fortaleza ou o palácio local. O povo italiano se mostrava alternativamente humilhado e conformado com toda essa dominação. A maioria não gostava muito de ser colonizada por seus cocidadãos europeus, mas sempre havia aquele bando apático que dizia: "Franza o Spagna, purchè se magna", que, em dialeto, significa: "França ou Espanha, contanto que eu possa comer".
Toda essa divisão interna significa que a Itália nunca se unificou adequadamente, e o mesmo aconteceu com a língua italiana. Assim, não é de espantar que, durante séculos, os italianos tenham escrito e falado dialetos locais incompreensíveis para quem era de outra região. Um cientista florentino mal conseguia se comunicar com um poeta siciliano ou com um comerciante veneziano (exceto em latim, que não chegava a ser considerada a língua nacional). No século XVI, alguns intelectuais italianos se juntaram e decidiram que isso era um absurdo. A península italiana precisava de um idioma italiano, pelo menos na forma escrita, que fosse comum a todos. Então esse grupo de intelectuais fez uma coisa inédita na história da Europa; escolheu a dedo o mais bonito dos dialetos locais e o batizou de italiano.
Para encontrar o dialeto mais bonito, eles precisaram recuar duzentos anos, até a Florença do século XIV. O que esse grupo decidiu é que a partir dali seria considerada a língua italiana correta a linguagem pessoal do grande poeta florentino Dante Alighieri. Ao publicar sua Divina Comédia, em 1321, descrevendo em detalhes uma jornada visionária pelo Inferno, Purgatório e Paraíso, Dante havia chocado o mundo letrado ao não escrever em latim. Considerava o latim um idioma corrupto, etilista, e achava que o seu uso na prosa respeitável havia "prostituído a literatura", transformando a narrativa universal em algo que só podia ser comprado com dinheiro, por meio dos privilégios de uma educação aristocrática. Em vez disso, Dante foi buscar nas ruas o verdadeiro idioma florentino falado pelos moradores da cidade (o que incluía ilustres contemporâneos seus, como Boccaccio e Petrarca), e usou esse idioma para contar sua história.
Ele escreveu sua obra-prima no que chamava de dolce stil nuevo, o "doce estilo novo" do vernáculo, e moldou esse vernáculo ao mesmo tempo que escrevia, atribuindo-lhe uma personalidade de uma forma tão pessoal quanto Shakespeare um dia faria com o inglês elizabetano. O fato de um grupo de intelectuais nacionalista se reunir muito mais tarde e decidir que o italiano de Dante seria, a partir dali, a língua oficial da Itália seria mais ou menos como se um grupo de acadêmicos de Oxford houvesse se reunido um dia no século XIX e decidido que - daquele ponto em diante - todo mundo na Inglaterra iria falar o puro idioma de Shakespeare. E, a manobra realmente funcionou.
O italiano que falamos hoje, portanto, não é o romano ou o veneziano (embora essas cidades fossem poderosas do ponto de vista militar e comercial), e sequer  é inteiramente florentino. O idioma é fundamentalmente dantesco. Nenhum outro idioma europeu tem uma linhagem tão artística.
[...]


Eis o motivo pelo qual a Toscana é tão famosa como centro de estudo do idioma. Existem muitas e excelentes escolas, inclusive especializadas no ensino a estrangeiros. Ali se fala, seguramente, um dos italianos mais lindos e perfeitos do país.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Maysa e a luta contra o alcoolismo

"O assunto hoje é muito sério. Amanhã, 6 de março de 1976, o dr. Gabriel Rodrigues vai me colocar em cima do púbis, subcutaneamente, uma pastilha que me proibirá de beber álcool durante um ano. Acho que isso será uma mudança na minha vida, no sentido geral, pois acho que o que a estraga é nada mais que a bebida. É  ela que me faz maltratar as pessoas a quem mais amo e a mim mesma, além de arruinar minha carreira de cantora e de artista."
[...]
"Coloquei o meu futuro dentro de mim. Um futuro lindo, branco e sem fim, cheio de esperanças e desejos satisfeitos, não só para mim, mas para todos os que me cercam. A pastilha de Antabuse já está dentro do meu ventre, da minha pele, tal qual um filho, uma filha, uma nova Maysa que está sendo parida desde o momento em que acordei e vi o sol brilhar lá fora. Hoje talvez seja o dia mais importante da minha vida. Meu coração transborda de amor e de alegria."
Lima Neto, Maysa só numa multidão de amores.

Antabuse é uma substância química utilizada para o tratamento do alcoolismo crônico. O medicamento inibe a produção de uma das enzimas naturais responsáveis pela metabolização do álcool no organismo do paciente. Não elimina o desejo de beber; assim é preciso alto grau de determinação para largar o vício.
Maysa sabia exatamente o que significava: se insistisse em beber a partir dali, mesmo que em pequenas doses, passaria a sofrer graves consequências físicas que podiam ir da sensação de calor na face, dores de cabeça latejantes, náuseas, vômitos, falta de ar, palpitações e confusões mentais até depressão respiratória, arritmia cardíaca e convulsões.
Em alguns casos, o uso do álcool durante o tratamento com Antabuse pode levar à morte.

Maysa faleceu em decorrência de um acidente de carro na ponte Rio-Niterói em 22 de janeiro de 1977. Estava sóbria.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

domingo, 10 de outubro de 2010

Volei x bike

Hoje tem a final do Mundial de Volei e um rolê de bike com amigos aqui na terrinha natal...
Mesmo horário...


Que sensação maravilhosa estar de férias!!! Posso tuuuuuudo! hehehe

Presentes!

Com a ajuda da tia, habilidade da avó e equipamentos do bisavó, passamos o dia de ontem fazendo brinquedos para Islandia...

sábado, 9 de outubro de 2010

Começamos a inventar porque o mundo não nos parece suficiente

No vôo que me trouxe de volta pra casa, adorei o que li sobre romances...
Por Emilio Fraia
Fotos de Mario Sanchez
Entrevista publicada na revista TAM nas Nuvens

Mario Vargas Llosa acaba de ganhar o prêmio Nobel. Muito justo. Pode ter escrito alguns livros ruins nos últimos anos, mas Os filhotes, A cidade e os cachorros e Tia Julia e o escrevinhador merecem demais. No mês passado, em Madri, fui entrevistar Llosa. Ele mora no terceiro andar de um prédio no centro da cidade. Está com 74 anos e extremamente bem. Acorda cedo, caminha todos os dias, faz musculação e exercícios. É da turma dos escritores bombados, tipo Rubem Fonseca e Bioy Casares. Llosa vive com a mulher e, nas estantes, mesas, emoldurando a imensa biblioteca, dezenas de miniaturas de hipopótamos. Conversou comigo enquanto a neta, Isabela, brincava de montar cubos coloridos no chão da sala. Falou sobre como Paris deixou de ser a capital cultural do mundo, sobre sua experiência no sertão da Bahia e hipopótamos. No fim, me recomendou o melhor lugar de Madri para comer ovo frito com batatas.
Quando seu pai o colocou no Colégio Militar Leoncio Prado, em Lima, 1950, ele esperava que você deixasse de lado o gosto pelos livros. Mas aconteceu o contrário, não?
Nunca li tanto quanto nessa época. A solidão do internato, sobretudo nos fins de semana, teria sido insuportável sem a leitura. Eu tinha 14 anos e ficar internado me causava imensa claustrofobia. A leitura era uma liberação, uma maneira de escapar. Dessa época, lembro de ter lido Os miseráveis, que foi uma experiência muito importante. A lembrança de Victor Hugo está inseparavelmente ligada aos meus dois anos no colégio militar porque, sem dúvida, ele foi, com Alexandre Dumas, o melhor amigo que tive lá dentro. Li toda a série de Dumas, Os três mosqueteiros, tudo. Li muitos romances de aventura e romances franceses. Meu pai me colocou no colégio militar para que os militares me curassem daquilo que ele chamava de enfermidade literária. Mas acabei lendo ainda mais, e ganhei a experiência que me permitiu escrever meu primeiro romance, A cidade e os cachorros. Apesar de não ser autobiográfico, este livro foi feito a partir de muitas imagens de meus dois anos no colégio militar. Também escrevi muito no colégio militar. Lá, era um escritor profissional, escrevia cartas de amor e historinhas pornográficas para meus colegas. Trocava os textos por cigarro e às vezes algum dinheiro.
Dois de seus primeiros livros, Os filhotes e A cidade e os cachorros, tratam da passagem da infância para a vida adulta. Em ambos, esta experiência é marcada por certa violência – o dia-a-dia do colégio militar em A cidade e os cachorros, o acidente que sofre o protagonista de Os filhotes. A transição para a vida adulta é sempre uma experiência de trauma?
Minha entrada no colégio militar foi uma experiência traumática. Ali se vivia uma violência que eu desconhecia. Eu morava num bairro protegido, Miraflores; os meninos de Miraflores não conheciam a violência brutal de outros setores do país. No colégio militar chegavam meninos de todas as classes sociais, era um microcosmo da sociedade peruana. Lá, meninos ricos, pobres e de classe média viviam juntos; brancos, cholos, índios, negros, chineses. O clima era tenso. Havia também o machismo militar que estimulava muito um certo aspecto viril, machista. Esse clima de violência é o que se reflete em A cidade e os cachorros, uma experiência me fez conhecer melhor a realidade peruana. Quanto a Os filhotes, li num jornal que, num povoado da serra, um cão havia mordido e castrado um menino. Lembro que a imagem me impressionou, mas lembro, sobretudo, que acabei pensando que a ferida do menino, ao contrário de outras feridas, em lugar de fechar, com o tempo se abriria ainda mais. Então pensei em escrever uma história na qual um personagem vivesse essa terrível experiência, e investigar o significado disso com o passar dos anos.
No fim dos anos 50, quando você foi a Paris, a cidade era uma espécie de capital cultural do mundo, o lugar para onde iam aqueles que desejavam ser escritores. Paris continua sendo esta cidade?
Não, isso mudou muito. Hoje, há outros centros culturais. Os jovens vão a Nova York, Barcelona, Madri. Também é muito mais difícil se instalar na Europa, há uma espécie de paranoia em relação a imigração. Muitos obstáculos. Quando eu era jovem, Paris se apresentava como a capital da cultura, das artes. Em todo o mundo, jovens que tinham vocação literária ou artística sonhavam ir a Paris. Continua sendo uma cidade bela e importante do ponto de vista cultural, mas não é mais o centro magnético que costumava ser. Hoje, há lugares muito mais atraentes que Paris: Londres, Nova York, Berlim.
No verão de 1959, quando chegou a Paris, a primeira coisa que fez foi, numa livraria do Quartier Latin, comprar um exemplar deMadame Bovary. Passou a noite trancado no quarto, enfeitiçado pelo livro. Acredita que se tivesse comprado algum outro romance, sua história como escritor teria sido diferente?
Certamente. Essa foi uma experiência fundamental para mim. Não só porque os romances de Flaubert me deslumbraram, mas porque me ajudaram a me tornar escritor. A correspondência de Flaubert talvez seja a melhor iniciação que um escritor pode ter. Flaubert foi um escritor que trabalhou seu talento. Não tinha um talento natural. Ele se impôs um sistema de rigor, de exigência, de autocrítica e de imenso trabalho, e isso fez brotar o talento onde não havia. Nesse sentido, Flaubert foi um mestre, me ensinou o tipo de escritor que eu queria ser.
Há 15 anos, vive neste apartamento, em Madri. O que costuma fazer, como é o seu dia-a-dia na cidade?
Tenho uma rotina muito disciplinada. Acordo cedo, perto das seis, caminho uma hora (há um circuito muito bonito, perto da Plaza de Oriente), faço musculação, exercícios. Esse momento é quando preparo o trabalho do dia, crio o clima para começar. Depois, leio os jornais. Sou um grande leitor de jornais, gosto de saber de tudo o que acontece. Então começo a trabalhar. Trabalho até às 14h. À tarde, muitas vezes, vou a alguma biblioteca ou café. As horas mais criativas são sempre as da manhã. À noite, não trabalho, vou ao cinema, ao teatro, a concertos. De segunda a sábado, trabalho no livro que estiver escrevendo, aos domingos escrevo artigos. Viajo muito também, e quando viajo não interrompo esta rotina. Trabalho onde estiver. Há pouco estive de férias com a família, em Mallorca, ficamos uma semana, e trabalhei sempre, da mesma forma. Isso não muda nunca.
Você já morou em Lima, Paris, Londres, Barcelona. Depois de tantos anos na Europa,o seu olhar sobre a América Latina se modificou? Qual a importância de reelaborar um país, uma cultura, em outro país?
Para mim, isso sempre foi fundamental. Porque eu vivi mais tempo fora do Peru do que no Peru. Isso me deu uma perspectiva, uma visão mais, creio, objetiva; me fez conhecer melhor meu próprio país. Conhecemos melhor nosso país quando viajamos ou saímos dele. Quando saímos conseguimos enxergar melhor as distorções que, muitas vezes, o patriotismo produz. É possível julgar melhor seu país quando se conhece outros países. Posso dizer que descobri a América Latina na Europa. Eu não me sentia latinoamericano enquanto vivia no Peru. Na Europa descobri que era um latinoamericano, que participava de uma comunidade, que tinha uma série de denominadores comuns, tradições, problemas, uma missão cultural. Sem Flaubert, Faulkner ou Tolstoi, sem Victor Hugo, nunca teria sido o escritor que sou. Ao mesmo tempo, a experiência de viajar também foi imprescindível. Viajar me salvou de uma certa visão estreita, nacionalista e provinciana.
E o Brasil? Você esteve no país muitas vezes. Qual delas foi a mais marcante?
Sem dúvida foi uma experiência marcante conhecer os lugares onde se passaOs sertões, de Euclides da Cunha. Escrevi um livro, A guerra do fim do mundo, sobre a Guerra de Canudos. Em 1979, durante as pesquisas para este livro, estive nos vinte e cinco povoados do interior da Bahia e de Sergipe por onde Antonio Conselheiro teria passado, ouvindo os filhos e os netos daqueles que o haviam escutado. Talvez uma das maiores emoções que tive na vida foi estar no lugar onde ficava Canudos. E guardo sempre a lembrança de grandes amigos brasileiros, Jorge Amado, Rubem Fonseca. E João Guimarães Rosa, um dos grandes autores latinoamericanosde, de quem sempre fui admirador. Grande Sertão: veredas é uma obra prima, infelizmente um livro muito mal traduzido para o espanhol.
Sua primeira mulher, Julia Urquidi, que inspirou Tia Julia e o escrevinhador, morreu em março. Você se casou com ela aos 19 anos, apesar da oposição familiar (ela era 10 anos mais velha, irmã da mulher de seu tio materno). Qual a importância dela no seu início como escritor?
Eu me casei com Julia muito jovem. Ficamos casados oito anos. Ela me ajudou muito, sobretudo nos primeiros anos, quando era especialmente difícil pensar em ser escritor. Me lembro dela com muito carinho. Há muitos anos não nos víamos, acho que depois que nos separamos nos vimos uma ou duas vezes. Uma época da minha vida ficou profundamente marcada por essa experiência.
Gostaria que comentasse uma passagem do texto que escreveu para a série de livros organizada por Franco Moretti sobre o romance, quando diz que “o mundo sem romances teria como traço principal o conformismo”.
Creio que o romance foi sempre um testemunho rebelde, de insubmissão. Em todas as épocas, os romances flagraram nossas carências, tudo aquilo que a realidade não nos pode dar e que de alguma maneira desejamos. Começamos a inventar porque o mundo não nos parece suficiente. O romance se situa justamente nesta compensação que o ser humano busca quando entende que a realidade não o satisfaz completamente. Por esse motivo, o romance causou sempre desconfiança nos governos, nas instituições que aspiram controlar a vida. As religiões e os regimes autoritários nunca foram simpáticos ao romance. E penso que têm razão: o romance é mesmo um gênero perigoso, porque provoca a imaginação, os desejos, e nos faz sentir que a vida não é o bastante, que ela não consegue aplacar todos os nossos apetites e sonhos. O romance tem a ver com esse espírito rebelde. A invenção de outro mundo, de outra realidade, onde podemos nos refugiar e viver. Escapar através da fantasia. Acredito que essa é a origem de toda ficção.
E como o livro digital pode contribuir para a continuidade desse gênero?
O livro digital vai crescer, se impor. Não tem volta. Mas não acredito que o livro de papel vá desaparecer. Vai seguir existindo, um pouco à margem, mas tudo bem. Haverá uma literatura de entretenimento, para o grande público, que deverá se desenvolver com o livro digital. E haverá uma outra, mais rigorosa, mais exigente, experimental, que ficará com o livro de papel. Mas é apenas uma suposição, ninguém sabe o que realmente vai acontecer.
Seu novo romance, O sonho do celta, é baseado na vida de um diplomata irlandês, Roger Casement (1864-1916). O que chamou sua atenção neste personagem?
Descobri Casement ao ler uma biografia de Joseph Conrad. Casement esteve na África e na Amazônia brasileira e peruana. Foi cônsul britânico no Congo belga e dedicou duas décadas da sua vida a denunciar as atrocidades do regime de Leopoldo II naquele país. Denunciou também as terríveis condições vividas pelos indígenas na Amazônia, o que influenciou de maneira decisiva a opinião pública da Europa e dos EUA. Foi importante para a independência da Irlanda, no fim do seculo XIX. Casement levou uma vida aventureira, foi grande amigo de Conrad. Acompanhou Conrad em sua jornada africana. Conrad escreveu Coração das trevas em grande parte graças a ele.
Falando em África, gostei muito da sua coleção de hipopótamos.
Tudo começou quando uma peça que escrevi, Kathie e o hipopótamo, estreou na Inglaterra e os atores me presentearam com miniaturas do bicho. Tenho muito carinho por esse bicho, é um animal dócil, tem o paladar delicado e uma incrível propensão ao amor. Suas principais ocupações são tomar banho, chafurdar na lama e fazer amor – eles podem passar mais de 12 horas copulando. São feios, dão impressão de brutalidade, mas são delicados. Conseguiram o que os hippies jamais conseguiram, levar a cabo a máxima “paz e amor”. Gostaria de fazer amor como os hipopótamos.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Candidatos a Vice Presidente!!

Indio da Costa x Miguel Temer

Gente, o 2o. turno será em breve... Ponderem sobre os candidatos a vice...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Arquitetura de BsAs me encanta!

 


Arquitetura da capital argentina tem muito o que nos contar!!
Em breve, relatarei tudo o que aprendi! E direi o bairro que mais me fascinou!!!


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Librería El Ateneo

Ontem, saimos para entregar o presente de um amigo em comum a uma baiana que está morando aqui em Buenos Aires desde janeiro. Clicia nos contou que educação [ela veio para estudar medicina], energia, água e livros aqui são muito baratos comparados aos preços no Brasil. Porém...
Adquirí o livro 1810 numa banca na Plaza de Mayo por $44 (quarenta e quatro pesos argentinos, ou seja, R$ 22,00), enquanto na Librería El Ateneo na Rua Florida custava $77.
Diante disso, devo constatar que há grande diferença de preços entre os pontos turísticos e não turísticos...

Uma pena tanta "inflação"... Adoraria passar uma tarde na Avenida Santa Fé - um dos muuitos pontos da El Ateneo e considerada a 2a. livraria mais bela do mundo. [em 2000 foi arrendada por 10 anos; ainda não confirmei se ainda está lá, snif...]
Mira que bélo!!



1810
'La otra historia de nuestra revolución fundadora'...
Autor: Felipe Pigna

"Desde que comenzamos a ir a la escuela, aprendemos a festejar el 25 de Mayo como una fecha patria: el aniversario de la ya bicentenaria Revolución que inició el camino que llevaría a la independencia argentina. Pero ¿en qué consistió esa Revolución? ¿Qué objetivos, ideas y aspiraciones movilizaban a quienes por esos agitados días de 1810 habían comenzado a cambiar una realidad de dominación colonial de siglos?
Esta nueva obra de Felipe Pigna rastrea esos procesos para entender la sociedad de hace 200 años y los combates que iniciaron el fin del régimen colonial en Latinoamérica. La larga tradición de resistencia a la dominación, emprendida por los pueblos originarios desde el inicio mismo de la conquista; las penurias y luchas de los esclavos por su liberación; las complejas relaciones entre las clases y los sectores sociales del régimen colonial; la influencia de las revoluciones en América y Europa y las causas internas y externas de la crisis de la sociedad colonial integran este pormenorizado y apasionante estudio que permite reconstruir un momento esencial de nuestra historia, es decir, de nuestra identidad."

domingo, 3 de outubro de 2010

II Grande Guerra - A sociedade literária e a torta de casca de batata

Juliet, escritora, pede permissão/apoio de seu editor para viajar para Guernsey:

De Juliet para Sidney
3 maio de 1946
Querido Sidney,
[...] Quero ir para Guernsey. Você sabe que me afeiçoei aos meus amigos de Guernsey e estou fascinada pela vida deles durante a Ocupação Alemã... e depois. Visitei o Comitê de Refugiados das Ilhas do Canal e li seus arquivos. Li os relatórios da Cruz Vermelha. Li tudo o que consegui encontrar sobre os trabalhadores escravos Todt [...]

Organização Todt era o grupo de construção e de engenharia durante os anos da Alemanha nazista.

O papel principal do grupo era construir pontes de comunicações e as estruturas defensivas. Quase todas as grandes estruturas militares alemãs durante a Segunda Guerra Mundial foram construídas pelos escravos do grupo, incluindo fábricas de armamentos e campos de concentração.
As Ilhas do Canal foram a única parte do solo britânico ocupada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial.

Este é o assunto da vez: a história romanceada. Como é possível conhecer a História lendo um romance. Sabermos sobre a escravidão durante a II Grande Guerra, dentre outras coisas, porque a personagem, em busca de inspiração para seu novo livro, troca correspondências com alguns habitantes de Guernsey. 
Tudo começou quando Dawsey Adams escreve a Juliet para solicitar-lhe o nome e endereço de uma livraria em Londres para encomendar pelo correio mais textos do autor da obra em que continha na contracapa o nome e endereço da escritora.

De Dawsey Adams, em Guernsey, Ilhas do Canl, para Juliet
12 de janeiro de 1946
[...] Charles Lamb me fez rir durante a Ocupação Alemã, em especial o que escreveu sobre o porco assado.

De Amélia para Juliet
10 de abril de 1946
Minha querida Juliet,
[...] você sabia que Hitler mandou mais de dezesseis mil deles para cá, para as Ilhas do Canal?
Hitler era fanático em defender estas ilhas - a Inglaterra jamais poderia recuperá-las! Seus generais chamaram isso de Mania de Ilha. Ele ordenou plataformas para armas pesadas, barreiras antitanque nas praias, centenas de bunkers e baterias, depósitos de armas e bombas, quilômetros e quilômetros de túneis subterrâneos, um enorme hospital subterrâneo e uma estrada de ferro cruzando a ilha para carregar material. As fortificações costeiras eram absurdas - as Ilhas do Canal foram mais fortificadas do que o Muro do Atlântico construído para impedir uma invasão dos Aliados. As instalações se projetavam sobre cada baía. O Terceiro Reich era para durar mil anos - em concreto.

Então, é claro, ele precisava de milhares de trabalhadores escravos; homens e meninos foram recrutados, alguns estavam presos e outros foram simplesmente apanhados nas ruas - em filas de cinema, em cafés, nas estradas e nos campos de qualquer território ocupado pelos alemães. Havia até prisioneiros políticos da Guerra Civil Espanhola.
[...] A maioria desses trabalhadores escravos veio para as ilhas em 1942. Eles eram alojados em galpões abertos, túneis, atrás de cercas nas praças, alguns em casas. Marchavam por toda a ilha, em direção aos seus locais de trabalho: esqueléticos, usando calças rasgadas, geralmente sem casacos para protegê-los do frio. Sem sapatos nem botas, os pés amarrados em trapos sujos de sangue. Rapazes jovens, de quinze e dezesseis anos, tão cansados e famintos que mal conseguiam ficar em pé.

sábado, 2 de outubro de 2010

Pequena Abelha

Um romance sobre o dilema da caridade
Rafael Pereira - Época 23/09/2010

O romance Pequena Abelha (Intrínseca, 272 páginas, R$ 29,90, tradução de Maria Luiza Newlands), do britânico Chris Cleave, de 37 anos, é desses com grande potencial para se tornar o “livro preferido” de muita gente. Publicado em 2008 na Inglaterra e no ano passado nos Estados Unidos, está há 30 semanas nos primeiros lugares da lista de best-sellers do jornal The New York Times. Essas listas, aqui ou lá fora, são normalmente divididas entre os bons livros e os livros ruins. Popularidade e qualidade nem sempre andam juntas. No livro de Cleave, o segundo de sua curta carreira, sim. Ele consegue associar pontos altos nas vendas e nas críticas.
O título singelo disfarça uma história pungente e agitada, que traria discussões mesmo que o livro fosse mal escrito. Duas mulheres completamente diferentes, uma inglesa, editora em uma revista feminina, e uma jovem de um vilarejo da Nigéria, expulsa de sua terra por causa da disputa pelo petróleo em seu país, têm um encontro inusitado e apavorante, em uma praia da costa nigeriana. A vida de Pequena Abelha, a jovem nigeriana, e a de sua irmã mais velha dependem de uma decisão rápida e traumática de Sarah, a inglesa, e seu marido. A história é contada em primeira pessoa pelas duas mulheres, alguns anos depois disso, às vésperas de um reencontro, desta vez no país de Sarah. Ela e o marido tocam suas vidas enquanto a menina nigeriana está detida em uma prisão para refugiados.
“A discussão central é o eterno dilema da caridade: quanto devemos abrir mão de nossa vida confortável para ajudar seres humanos que não têm nada?”, diz Cleave, em entrevista a ÉPOCA. “A vida nos apresenta essa questão de diversas maneiras, e nossa resposta a ela é o que nos define como frios ou calorosos, egoístas ou generosos, maus ou bons.” A inspiração de Cleave surgiu no período que passou como voluntário em um centro de detenção para refugiados na Inglaterra, como o que abriga sua protagonista no início do romance. Segundo o autor, Pequena Abelha saiu completamente de sua cabeça, mas a motivação para escrever partiu da necessidade de denunciar o que viu. “Trabalhei apenas três dias lá, foi só o que consegui suportar”, afirma Cleave. “É um lugar horrível, e escrevi a respeito na esperança de alertar para o que passam os refugiados em meu país.”
Assim como aconteceu com o primeiro livro de Chris Cleave, Incendiário (publicado no Brasil pela Nova Fronteira), Pequena Abelha vai virar filme em Hollywood. Já está em fase de produção e será estrelado pela atriz Nicole Kidman, fã declarada do romance. Seu próximo livro, prestes a ser publicado, será a história de quatro atletas profissionais. “Tem uma intensidade emocional que eu nunca tinha alcançado antes”, afirma o autor sobre a publicação vindoura. Ao que parece, Chris Cleave está seguindo a trilha de ouro dos best-sellers. A receita, segundo ele, é simples: “Acho que todo livro escrito com o coração, que faça o leitor perceber que o escritor se entregou totalmente àquilo, é um bom livro”, afirma. “E se o livro é escrito com algo de charme e respeito pela inteligência do leitor, ainda melhor. Esses são os livros que as pessoas realmente amam.”

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O rei branco

Eis mais um título na minha lista de pretensões:

Veja, 09 set 2009
O romance O Rei Branco, do jovem autor húngaro György Dragomán (tradução de Paulo Schiller; Intrínseca; 256 páginas; 29,90 reais), é uma obra surpreendentemente madura e realizada sobre uma idade crucial: a passagem da infância à adolescência. Seu protagonista, Dzsáta, é um filho único de cerca de 11 anos, que vive só com a mãe num país do bloco soviético durante os anos 80, pois, pouco antes, seu pai fora preso por motivos políticos e enviado a um campo de trabalhos forçados. (O próprio autor, nascido em 1973, passou seus quinze primeiros anos na Romênia do casal Ceausescu antes de emigrar para a Hungria.) Enquanto espera o regresso não garantido do pai, o menino tenta sobreviver como pode tanto às crises típicas de sua idade, como às de um mundo particularmente impiedoso.

Como Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios, filme iugoslavo de 1985 de Emir Kusturica, a história é narrada do ponto de vista do garoto, só que sem nenhuma concessão ao lirismo redentor. O autor dá a entender, desde o primeiro capítulo, que o que vai expor poderia ser chamado de Aventuras de Tom Sawyer no Inferno. Conduzido pelo fio tênue do monólogo interior, o romance compõe-se de uma sucessão de quadros que, aparentemente desconexos, terminam por descortinar o panorama de uma sociedade que, condicionada desde cima pela crueldade, multiplica-a em quase todos os encontros interpessoais. Nela, até mesmo uma partida de futebol escolar se transforma em horror porque o treinador é um sádico e o campo foi contaminado pelo acidente nuclear de Chernobyl. Nunca há ninguém a quem recorrer, nenhuma autoridade justa ou bondosa à qual reclamar. O Rei Branco retrata, com riqueza de detalhes, quanto se degrada, num universo totalitário, a vida das pessoas comuns e até que ponto muitas já combinavam em si as características da vítima e do torturador.

Uma das virtudes de Dragomán é ter conseguido capturar com precisão o modo peculiar, às vezes desinformado e imaginativo, às vezes pragmático e perceptivo, como um menino dessa idade vê o mundo em volta. O leitor sente a apreensão do protagonista, adivinha, segundos antes, a desgraça seguinte, mas nem por isso consegue evitar o sobressalto. E é em meio a sustos, trotes, surpresas desagradáveis que Dzsáta vai crescendo, preparando-se para os próximos golpes e se fortalecendo. A tradução de Paulo Schiller, que já verteu para o português muitos dos melhores romances do também húngaro Sándor Márai, preserva o ritmo exato de uma prosa cujas frases sinuosas constroem com cuidado situações elaboradas para levá-las, de forma sempre certeira, a um desfecho inesperado.
Um belo romance sobre como é crescer numa sociedade totalitária