quinta-feira, 30 de setembro de 2010

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Eleições 2010

Somos o único país que "bate palmas" para palhaços.
Nesta eleição, a sensação de que estão gozando com a nossa cara está ainda mais perceptível!
Tiririca será o deputado federal mais votado, sob o slogan de campanha: "Você sabe o que faz um deputado federal? Eu não sei, mas vote e mim que eu te conto"; "Vote no Tiririca. Pior que está não fica".
A única forma de mudar/melhorar nosso País é por meio da EDUCAÇÃO.
Concordo com o projeto de lei que obriga os políticos a colocarem seus filhos em escolas públicas. Por que eles estudam no exterior?! Pagamos esses luxos, enquanto continuamos sob o efeito dos votos de eleitores manipulados e ignorantes.

Sergipe


Em 3h e 30' dá pra atravessar o Estado de Sergipe. Isto de ônibus, no sentido leste/noroeste.
A grande atração do Estado é a Usina Hidrelétrica de Xingó/Canindé do São Francisco.
E, sinceramente, in loco, não confere com as fotos dos pacotes turísticos: o local para nadar não é entre os cânions e sim num "cercadinho" onde não tem sol a todo momento......


Falarei, em breve, um pouco mais sobre o menor Estado brasileiro.
Beijocas!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Morte no trânsito

Em negrito, as verdades que envergonham!

A mãe do jovem morto pelo carro de um deputado diz que o júri popular do acusado servirá de exemplo

Ruth de Aquino
Época de 25/09/2010

Na madrugada de 7 de maio do ano passado, três dias antes do Dia das Mães, Christiane Yared recebeu o caixão lacrado com o corpo de seu filho Gilmar Rafael Yared, morto aos 26 anos. Ela não chegou a ver o que restou dele após a brutal colisão, numa avenida de Curitiba, com o carro blindado do deputado Carli Filho, de família de políticos do Paraná. Segundo a acusação, o deputado, da mesma idade da vítima, estava embriagado, corria a 160 quilômetros por hora. Ele perdera a carteira de habilitação devido a dezenas de multas, 23 delas por excesso de velocidade. O carro do deputado cortou o outro pelo meio, degolando o filho de Christiane. Um ano e quatro meses após a tragédia, a promotora Lucia Ignez Giacomitti Andrich determinou que Carli Filho seja levado a júri popular.

A decisão foi comemorada discretamente pela família da vítima como um passo em direção à justiça. Pastora evangélica e dona de uma empresa de bolos e doces em Curitiba, Christiane não desmanchou o quarto do filho até hoje. As roupas dele são usadas pelo pai e pelo irmão. “Para quem acha isso macabro”, disse em entrevista a ÉPOCA, “eu respondo que temos só lembranças boas de Rafael e por isso está tudo do mesmo jeitinho que ele deixou. Meu laptop fica ali. Deito na cama. Faço minhas orações. É o meu momento com Deus e com ele. Sei que consegui fazer meu papel de mãe. Meu filho falava quatro línguas e estava terminando a segunda faculdade. Ele dizia: ‘Eu amadureci cedo’. E se foi cedo demais”.

ÉPOCA – Qual foi sua reação ao saber que o deputado Carli Filho, que provocou a morte de seu filho, irá a júri popular?
Christiane Yared – Eu não consigo trazer meu filho de volta, por isso não posso dizer que estou feliz. Mas eu tenho outros filhos, minha neta. Todos nós dependemos do trânsito. Motoristas, passageiros ou pedestres. Quando recorremos à Justiça, é para os vivos, e não para os mortos. Um jovem deputado riquíssimo, que havia bebido com amigos quatro garrafas de vinho, em alta velocidade, sem carteira, matou meu filho. Isso não é um acidente. Quando rapazes assim se acham semideuses e não são punidos, a população faz uma leitura de impunidade. Mas, se quem é poderoso e rico vai a júri popular, isso faz com que todos pensem melhor antes de matar os outros no trânsito. 
ÉPOCA – O que mudou em sua vida desde a tragédia?
Christiane – Montei um instituto chamado Paz no Trânsito. Atendo famílias que perderam maridos, mulheres, filhos. A perda do filho é sempre mais doída. A gente não sonha o sonho do marido ou do irmão. A gente sonha o sonho do filho. Quando as pessoas dizem que o tempo é remédio, eu respondo: é remédio amargo demais. A mãe fica acabada, sofrida. O tempo só nos ajuda a ter mais paciência.
ÉPOCA – Como a senhora conseguiu um pouco de paz?
Christiane – É como a recuperação de um viciado ou um doente. Um dia por vez. Eu entendi que minha dor só diminui quando eu ajudo alguém. Estendo a mão. Com o instituto, dou apoio psicológico ou espiritual, ajudo a contratar advogado ou um perito. Por enquanto, estou bancando tudo do instituto. Não existe no país nenhum apoio governamental, nem entidades, nem igrejas, nem pastorais que abracem a família que perde seu filho assim. Dividimos nossa dor para entender o que podemos fazer. Eu estou atendendo uma família de milionários. Há quatro anos, o casal perdeu a filha de 14 anos. A menina morreu porque alguém estava alcoolizado no carro.
ÉPOCA – De quem é a culpa?
Christiane – Não é de Deus. Deus não tem nada a ver com isso. Se alguém é culpado, somos nós. Pagamos impostos e vemos esses candidatos vomitando bobagem. Ninguém se queixa. O problema é sempre com o outro. Os jovens não param de morrer: 100 por dia perdem a vida no trânsito, entre 17 e 27 anos. Os cemitérios estão cheios de sonhos. No feriadão de 7 de setembro, morreram 38 pessoas no trânsito só no Paraná. A média diária no país é de 180 mortos. Esses são os que morrem. Fora os amputados, os paraplégicos, os que ficam cegos.
ÉPOCA – Como reduzir esses índices?
Christiane – Só tem uma maneira. São três as linhas de ação: conscientização, fiscalização e punição. Nós vamos aos colégios. Neste mês, planejamos uma passeata com 530 estudantes durante a semana do trânsito. O que nós queremos é que esses assassinos do trânsito, que disputam rachas e bebem, entendam que vão ser punidos e irão para a cadeia. Porque saem dos limites da vida deles para invadir a nossa vida, e é irreparável. Os traumas destroem muitas famílias. Fica um rombo, um buraco, mesmo que aos poucos se acalme esse desespero no coração.
ÉPOCA – O deputado Carli Filho alguma vez lhe pediu perdão?
Christiane – Quando perguntaram isso a ele, respondeu que não adiantava porque ele não traria meu filho de volta. Ele não entende que o perdão seria para ele se sentir melhor. O perdão é para que a mãe não amaldiçoe o matador, para que ele mesmo tenha um pouco de paz e sinta menos culpa. Mas o Carli Filho é um fruto de seu meio. Tem cinco carros na garagem, quatro importados. Ele havia se envolvido num acidente uma semana antes.
ÉPOCA – Houve alguma tentativa de inocentar o atropelador?
Christiane – Aqui em Curitiba correu muito dinheiro. O hospital fechou uma ala inteirinha. Guardaram por nove dias esse exame do sangue do atropelador. Como o sangue foi tirado sem a permissão dele, não foi considerado como prova. O próprio juiz decidiu descartar para não se arriscar a uma anulação do processo, e também porque estava claro que ele estava alcoolizado.
ÉPOCA – A senhora leu sobre o atropelamento do filho da atriz Cissa Guimarães, no Rio de Janeiro?
Christiane – Eu me emocionei muito, fiquei indignada com a propina exigida pelos policiais e com a tentativa do pai de encobrir o acidente. Escrevi uma carta para Cissa. O rapaz tinha o mesmo nome de meu filho, Rafael. Existe um movimento forte hoje das vítimas de trânsito em Minas. Mas precisamos de 1,4 milhão de assinaturas para mudar as leis. Nossa proposta é que seja obrigatória a coleta de sangue. E que todo incidente com mortes envolvendo racha, drogas, alta velocidade e motoristas sem habilitação passe a ser considerado homicídio doloso (com intenção de matar), para punir os assassinos do trânsito. É preciso também incluir nas escolas matérias que abranjam regras de trânsito. Eu tenho falado para jovens, 1.000 jovens às vezes. Todos concordam, e alguns vêm me dizer que, depois do acidente de meu filho, nunca mais dirigiram depois de beber. Eles me dizem: “Foi tão impactante que eu não quero isso para a minha mãe”.
ÉPOCA – A Cissa respondeu?
Christiane – Ela não falou nada, parece que só quer esquecer. É uma pena. Porque, se a Cissa se move, se todos se movem, a gente muda este país. Eu não enterrei, eu plantei meu filho.
ÉPOCA – Ver Carli Filho submetido a júri popular lhe dá esperança na Justiça?
Christiane – Eu ansiava por isso. Ele será condenado. Se vai para a cadeia, aí já não sei, duvido. Talvez a família decida tirá-lo do país. É uma infelicidade ver que ninguém vai preso por esse tipo de crime. Para um assassino, a melhor solução parece ser matar no trânsito, porque não há punição. Nossa legislação equivale a uma licença para matar. É uma vergonha. Espero que não precise morrer um filho de cada família deste país para que algo seja feito e a legislação mude.

domingo, 26 de setembro de 2010

Terra Sonâmbula - Mia Couto





"As histórias dele faziam o nosso lugarzinho crescer até ficar maior que o mundo. Nenhuma narração tinha fim, o sono lhe apagava a boca antes do desfecho. Éramos nós que recolhíamos seu corpo dorminhoso. Não lhe deitávamos dentro da casa: ele sempre recusara cama feita. Seu conceito era que a morte nos apanha deitados sobre a meleza de uma esteira." (...)


Uma adega e uma bicicleta...


Uma bicicleta numa adega?!
Adega em forma de bicicleta?!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Blogs e sites de jovens cubanos

Juventude rebelde

Eles têm a idade que os barbudos tinham quando desceram com
Fidel Castro a Sierra Maestra - e a mesma sede de liberdade. São
os jovens cubanos em luta contra a miséria moral e material da
ditadura comunista. Suas armas são blogs, festas punk e hip-hop

As ruas de Havana Velha estão sempre cheias de turistas que, depois de tomar seu mojito na Bodeguita del Medio, vão aos ambulantes comprar camisetas de Che Guevara, charutos desviados das tabacarias estatais e comprimidos clandestinos de PPG, droga derivada da cana-de-açúcar receitada para controlar o colesterol e tida como afrodisíaca. Quem se aventura além dessa vitrine de produtos típicos do socialismo cubano encontra a Cuba real dos cortiços superlotados e caindo aos pedaços. A Cuba das panelas vazias, do medo e da delação. Mas também a Cuba da resistência jovem à ditadura comunista.

Ao cruzar a porta de um desses cortiços, no topo de uma escada íngreme e precária, chega-se à cozinha, onde um jovem tecla em um notebook Compaq cujo peso e tamanho denunciam sua antiguidade tecnológica. Ao lado do computador, colado na mesa, há um adesivo com a bandeira de Cuba, o símbolo da arroba e a expressão "Internet para todos". Na gerontocracia dos irmãos Fidel e Raúl Castro, que governam a ilha há 51 anos, o acesso à web é restrito a certas repartições públicas, hotéis, embaixadas e às casas dos chefões do regime. Fora dos círculos privilegiados da nomenklatura castrista, a internet é, digamos, manual. O velho Compaq está com sua memória cheia de arquivos com reportagens de jornais espanhóis e americanos, músicas de protesto e blogs feitos por cubanos na ilha e no exílio. Essa biblioteca digital, considerada subversiva pela ditadura comunista, é enriquecida semanalmente por pen drives que passam de mão em mão, de porta USB a porta USB, abrindo uma trilha digital de liberdade em meio à selva da opressão comunista.

Dessa maneira, uma única pessoa com acesso esporádico à internet consegue abastecer centenas de amigos com informações sobre o mundo e sobre Cuba. Essa panfletagem pós-moderna conecta milhares de jovens cubanos. A geração que hoje está na faixa dos 20 ou dos 30 anos é a segunda a nascer após a revolução de 1959. Desde pequenos, esses cubanos foram criados para idolatrar Fidel Castro e jamais contestar o sistema socialista. O medo da violência policial, das prisões, da vigilância dos vizinhos colaboracionistas e da perda de emprego, no entanto, já não é o suficiente para calá-los. A juventude cubana está se rebelando.

Prever quando uma ditadura longeva vai se extinguir é impossível. A história mostra, contudo, que a derrocada dos tiranos quase sempre é precedida pelo surgimento de um grupo de pessoas tão saturado da falta de liberdade que já não teme a violência política. Cuba parece estar nesse estágio. Cinco anos atrás, era impensável ter jovens cubanos expondo o rosto e suas opiniões como os que aparecem nesta reportagem. Hoje, eles fazem questão de ser vistos e escutados. Reivindicam liberdade de expressão e o direito de usar a internet, viajar e seguir a profissão de seus sonhos. Raramente fazem parte de um grupo organizado (ainda que clandestino) de oposição, tampouco têm um projeto político. Apesar de não se considerarem dissidentes, são rotulados como tal, o que não é de estranhar em um país onde ou se está com o governo ou contra ele. Diz a blogueira Yoani Sánchez: "Em Cuba, basta respirar para ser dissidente". Que dizer quando se tem a ousadia de escrever frases de protesto nas roupas, de criar blogs para descrever a realidade do país ou de compor músicas denunciando o fracasso da economia planificada. Esses atos aparentemente solitários e quase ingênuos de rebeldia são arriscados. Muitos já foram presos e/ou apanharam da polícia. Desde o mês passado, a penitenciária de Santa Clara mantém o prisioneiro de consciência mais jovem da ilha, Danny Perez Rodriguez, de 18 anos. Seu crime: sair às ruas para gritar "Abaixo Fidel!" em protesto contra o fato de ter perdido o emprego apenas por ser filho de um preso político.

A coragem da juventude rebelde de Cuba deve muito ao exemplo dado pela dissidência pacífica formada nos anos 90, que conseguiu conquistar certa projeção internacional aproveitando-se da abertura ao turismo. A entrada de estrangeiros e de dólares foi a solução paliativa encontrada pelo governo cubano para compensar a perda do financiamento soviético, após a queda do Muro de Berlim, em 1989. O movimento de oposição foi em grande parte abafado em 2003 com a prisão de 75 dissidentes, no que ficou conhecido como a Primavera Negra. O episódio é relembrado todos os domingos pelas mulheres, irmãs e filhas dos presos políticos durante uma passeata pelas ruas de Havana. Vestidas de branco e armadas apenas com uma flor na mão, em referência à primavera, elas são agredidas por agentes do regime e forçadas a voltar para casa. Manifestações de rua são o tipo de protesto mais temido pelos irmãos Castro porque é o mais visível para a população. Por isso, o regime não poupa medidas para intimidar os manifestantes. Em novembro passado, por exemplo, o artista plástico Amaury Pacheco, de 40 anos, organizador de uma passeata em Havana pela não violência, foi preso por policiais e levado para a delegacia. O interrogatório durou três horas, tempo necessário para impedir que Pacheco participasse da passeata. Quando a sessão de tortura psicológica acabou, Pacheco recusou-se a ir embora. "Fiquei para explicar por que sou contra a violência", diz o artista plástico.

Entre as diferentes formas de protesto que se tornaram corriqueiras em Cuba, a mais extrema é a greve de fome. Em fevereiro passado, o pedreiro Orlando Zapata Tamayo morreu após ficar 85 dias sem comer na prisão. Ele protestava contra as condições degradantes da cadeia. Em seguida, o psicólogo e jornalista Guillermo Fariñas parou de se alimentar e de se hidratar para pedir a libertação de 26 presos políticos que enfrentam problemas de saúde. Na semana passada, a greve de fome de Fariñas completou 47 dias. Ele só permanecia vivo porque, após perder a consciência, foi internado e forçado a receber alimentação parenteral, injetada diretamente na veia do braço. Raúl Castro, que herdou de seu irmão Fidel o posto de ditador, chamou Fariñas de chantagista e o acusou de ser financiado pelos Estados Unidos. "Se alguma vez meu filho foi mercenário, foi quando lutou como soldado cubano na guerra civil de Angola, pago pela União Soviética", diz Alícia Hernandez, de 72 anos, mãe de Fariñas. Ela convidou a reportagem de VEJA para conferir o que preparava no fogão para o jantar. A comida que mal dava para uma pessoa teria de alimentar três: ela, a filha e a neta. Mais do que as acusações do governo cubano, no entanto, o que mais ofendeu Alícia foi o fato de o presidente Lula ter comparado Fariñas aos prisioneiros comuns brasileiros. "Meu filho não matou e não roubou: tudo o que ele faz é pelos outros", diz Alícia.

O sacrifício de Zapata e Fariñas é visto com admiração pela juventude cubana. Mas, ao contrário desses dissidentes, que um dia acreditaram no regime cubano e acabaram se desiludindo, os jovens de hoje nunca abraçaram de fato a ideologia comunista. Eles fazem parte de uma geração consciente de ser fruto de um experimento histórico fracassado que, criado pelas armas e viabilizado pelos pelotões de fuzilamento, se mantém há meio século. A angústia básica dos jovens cubanos é simplesmente não ter futuro. "A história da revolução e os ditames do partido comunista não têm a menor importância para eles", diz o economista Oscar Espinosa Chepe, de Havana. "Eles olham para a frente e querem uma vida melhor, com mais liberdade." O veterano dissidente recorda que, há cinco anos, apenas ele e meia dúzia de pessoas criticavam o castrismo abertamente. Hoje, são milhares. Uma das medidas do vigor desse fenômeno é a debilidade da organização que se propõe a renovar os quadros do partido comunista, a União de Jovens Comunistas (UJC). Na semana passada, havia mais rapazes e moças se prostituindo no centro histórico, nos hotéis e no Malecón, a avenida costeira de Havana, do que discutindo o futuro do comunismo no congresso da UJC. O evento foi presidido por Raúl Castro e José Ramón Machado Ventura, um jovem combativo de 79 anos. A única função dos participantes com menos de duas décadas de vida é balançar bandeirinhas de Cuba, como demonstrou a presença de Elian González, de 16 anos. Em 1999, aos 6 anos, Elian tornou-se o centro de uma disputa entre Cuba e Estados Unidos depois de ser encontrado em uma jangada no litoral da Flórida. Sua mãe e outros refugiados haviam morrido na tentativa de escapar da ilha-prisão. Por decisão da Justiça americana, o garoto foi devolvido ao pai, que vive em Cuba. Elian passou dez anos isolado da realidade cubana e só é convocado em datas comemorativas da Revolução Cubana, para emprestar seu rosto conhecido à propaganda castrista.

A vitalidade da UJC sustentava-se no fato de que fazer parte da organização era o caminho mais curto para conseguir os melhores empregos públicos (em uma economia estatizada como a cubana, praticamente todos) e os mais altos salários. Isso não existe mais. A técnica de contabilidade Claudia Cadelo, de 26 anos, por exemplo, chegou a trabalhar em um salão de beleza do governo onde ganhava o equivalente a 7 dólares por mês – o valor não dá nem para pagar uma hora de acesso à internet em um hotel. Insatisfeita, pediu demissão e foi vender roupas e sorvete nas ruas. Mais tarde, passou a dar aulas particulares de francês. Com isso, multiplicou por cinco sua renda. "Ninguém mais vê vantagem em trabalhar para o governo", diz Claudia, uma das blogueiras mais aguerridas da ilha e, por decisão da repressão castrista, persona non grata em eventos públicos. O esvaziamento dos empregos formais também está registrado na música El Comandante, da banda punk Porno para Ricardo. A letra diz: "Não seja tão estúpido, Coma Andante / Se quer que eu trabalhe / Vai ter de me pagar antes". A banda, que foi proibida de fazer shows em lugares públicos, burla a censura tocando em festas na casa de amigos e em terrenos baldios de Havana.

Os jornais do regime, como o Granma, o Juventud Rebelde e o Trabajadores, os únicos com direito a circular nacionalmente em Cuba, esforçam-se por difamar as vozes dissonantes no país acusando-as de ser financiadas pela CIA, o serviço secreto americano. "A mesma mentira, repetida durante cinco décadas, não se torna uma verdade", diz a blogueira Yoani Sánchez. Ela e outros cubanos críticos ao governo são pobres como quase toda a população e sobrevivem fazendo bicos. Yoani dá aulas de espanhol para estrangeiros e às vezes atua como guia turística informal. Há também os que recebem dinheiro de parentes que vivem no exterior. A dificuldade de conseguir um sustento mínimo é até maior para quem ousa expressar-se livremente ou frequentar shows clandestinos, porque o aparato estatal de repressão faz de tudo para atrapalhar. Os jovens mais ativos, por exemplo, são seguidos na rua por policiais à paisana e hostilizados pelos vizinhos. Seus encontros com estrangeiros são delatados por motoristas de táxi, quase todos ex-agentes do Ministério do Interior. Frequentemente, são detidos por algumas horas e depois liberados. Alguns são encarcerados por tempo indefinido. Nas contas de Elizardo Sánchez, diretor da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, em Havana, três de cada quatro presos em Cuba têm menos de 35 anos. Cerca de 4 000 deles foram detidos com base no artigo de "periculosidade pré-delitiva", um estranho tópico da legislação cubana que permite ao governo prender qualquer indivíduo com base na suspeita de que ele possa, um dia, cometer um crime.
Se ainda há um grande número de jovens ousados fora das cadeias, isso é resultado do uso inteligente que eles fazem da internet. "Se o governo prendesse, hoje, um grupo grande de pessoas, como aconteceu em 2003, a reação interna e externa seria muito maior", diz o dissidente Vladimiro Roca, que foi detido na Primavera Negra e solto depois por razões de saúde. Um exemplo prático desse fenômeno aconteceu em 2008, quando o vocalista da banda Porno para Ricardo, Gorki Águila, foi preso com base na lei de periculosidade pré-delitiva. A pena prevista era de quatro anos de cadeia. A presença de embaixadores, dissidentes, artistas, jornalistas estrangeiros e dezenas de jovens no dia do julgamento inibiu os algozes. Gorki foi liberado. As ditaduras de direita têm data de validade. As de esquerda se presumem eternas. Ambas acabam tendo seu encontro amargo com a história. É esse processo que os jovens cubanos estão apressando com seus blogs, camisetas e seus hinos hip-hop.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Mais um clássico


Em 24/09, A Metamorfose, de Kafka. Coleção Clássicos da Abril.
Kafka é um dos autores mais inquietantes do séc. XX. Nesta novela, o leitor vive a agonia do caixeiro-viajante Gregor Samsa, que, de repente, se vê transformado em um inseto grotesco. Num registro absurdamente realista, o autor evidencia a condição humana numa época de solidão e violência.

Tradução: Lourival Holt Albuquerque

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Mais flores para você!




 

Que zoom poderoso tem a minha câmera!! hehe


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Atualidades - trabalho escravo

Nova libertação encontrou 19 pessoas submetidas a condições análogas à escravidão na extração de erva-mate na Fazenda São Manuel, em Palmas (PR). Três adolescentes - de 12, 13 e 15 anos - estavam entre as vítimas


"Banheiro" dos empregados se limitava a cercado feito com pedaços de madeira (Foto: MPT/PR)
Fonte: Repórter Brasil
Por Rodrigo Rocha

Uma operação encontrou 19 trabalhadores em condições análogas à escravidão na extração vegetal de erva-mate na cidade de Palmas (PR), sul do Estado. Três meninos com menos de 18 anos de idade estavam entre as vítimas. Eles tinham respectivamente apenas 12, 13 e 15 anos de idade.
A situação foi flagrada pelo grupo móvel - com participação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Ministério Público do Trabalho do Paraná (MPT-PR) e da Polícia Federal (PF) - em fiscalização realizada no começo de agosto deste ano na área denominada Fazenda São Manuel.
Segundo o procurador do trabalho Gláucio Araujo de Oliveira, que acompanhou a inspeção, os trabalhadores foram contratados por meio da chamada "quarterização". A Ervateira Pagliosa comprou a produção de erva-mate da Fazenda São Manuel e simplesmente "repassou" o que tinha adquirido para a Ervateira Herança Nativa, responsável pela contratação dos trabalhadores. A Fazenda São Manuel passa por processo de inventário e possui mais de 20 proprietários, entre pessoas físicas e jurídicas.
Os trabalhadores estavam alojados em barracos de lona e sem camas. Dormiam em colchões dispostos diretamente sobre chão de terra batida. Além dos empregados submetidos ao trabalho escravo contemporâneo, três famílias dividiam as oito barracas instaladas improvisadamente no meio da mata.
Não havia instalações sanitárias adequadas - o "banheiro" era um cercado de placas de madeira (confira foto abaixo) - e a água utilizada pelos empregados era retirada da mesma fonte na qual os cavalos da fazenda matavam a sede.
Como recebiam por produção, a jornada de trabalho era de domingo a domingo, sem o descanso exigido por lei. Nenhum deles tinha registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). Eles tinham de permanecer à disposição do empregador mesmo quando não trabalhavam nos dias de chuva e ficavam sem remuneração, explica o procurador Gláucio.
Os libertados também não recebiam equipamentos de proteção individual (EPIs). Até mesmo os adolescentes trabalhavam sem luvas. As ferramentas também tinham de ser providenciadas pelos próprios trabalhadores.
A auditora fiscal do trabalho Luize Surkamp Neves, que coordenou a operação, conta que o grupo mais antigo de empregados estava trabalhando na fazenda em condições degradantes ao extremo desde dezembro de 2009. Outros, porém, tinham chegado ao local em julho deste ano. Todos eram de Palmas (PR) e Clevelândia (PR) e voltavam para casa a cada 15 ou 20 dias, quando recebiam o "salário".

Foram lavrados, ao todo, 22 autos de infração aos responsáveis pela situação flagrada na Fazenda São Manuel. As verbas rescisórias chegaram a R$ 46 mil e as indenizações por dano moral individual totalizaram mais de R$ 22 mil. Ambas não foram pagas pelos proprietários e o MPT deve entrar com ação civil pública (ACP) para solicitar o pagamento.
A ervateira Herança Nativa assinou termo de ajustamento de conduta (TAC) junto ao MPT e ainda terá de pagar R$ 50 mil por dano moral coletivo. No caso das outras empresas, ações civis públicas requisitaram o pagamento de multa de R$ 100 mil também por dano moral coletivo.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Larissa Maciel

À você Larissa, os meus sinceros parabéns!!
A arte de interpretar não é para muitos...




domingo, 19 de setembro de 2010

Maysa foi a escolhida!

Este foi o livro escolhido para viajar comigo...

Maysa: Só Numa Multidão de Amores percorre minuciosamente todas as etapas (e traumas) de uma trajetória marcada por amores, viagens, conflitos com a mídia, tentativas de suicídio, crises de alcoolismo e internações em clínicas para desintoxicação. Do convívio com o pai notívago e hedonista ao casamento com o magnata André Matarazzo (que impunha à esposa o recato das tradições familiares), da identificação visceral com a música romântica à assimilação das novidades estéticas trazidas pela Bossa Nova, Lira Neto compõe uma narrativa em que a fidelidade aos fatos e o exaustivo trabalho de prospecção permitem detalhar também o contexto sociocultural em que Maysa se tornou uma personagem tão célebre quanto a atriz Cacilda Becker, a pianista Guiomar Novaes, a tenista Maria Esther Bueno ou a escritora Rachel de Queiroz - todas elas protagonistas de uma sociedade em que a mulher tinha papel coadjuvante.
Autor:
Lira Neto

Realmente, confesso, que música não é o meu forte... [Engraçado ter me relacionado com tantas pessoas que viveram ou vivem de música...]
Só ouvi a música relacionada abaixo em função da circunstância em que a mesma foi composta: quando Maysa se separa de André Matarazzo...

Ouça
Composição: Maysa

Ouça, vá viver
Sua vida com outro bem
Hoje eu já cansei
De pra você não ser ninguém

O passado não foi o bastante
Pra lhe convencer
Que o futuro seria bem grande
Só eu e você

Quando a lembrança
Com você for morar
E bem baixinho
De saudade você chorar

Vai lembrar que um dia existiu
Um alguém que só carinho pediu
E você fez questão de não dar
Fez questão de negar

Quando a lembrança
Com você for morar
E bem baixinho
De saudade você chorar

Vai lembrar que um dia existiu
Um alguém que só carinho pediu
E você fez questão de não dar
Fez questão de negar

sábado, 18 de setembro de 2010

Atualidades - Intolerância religiosa nas escolas

Mônica Sifuentes
Juíza federal em Brasília
20/05/2010

Nunca havia visto uma burca, o chamado véu integral islâmico. Somente soube o que era quando se anunciou, pela televisão, que o governo francês cogitava proibir o uso do véu — ou burca — pelas mulheres muçulmanas nos locais públicos. A intolerância religiosa tem sido tema recorrente na imprensa estrangeira e a questão do uso do véu lá fora mereceu destaque na mídia brasileira. Curioso que não se dê a mesma notoriedade ao crescente número de casos de discriminação religiosa que ocorrem aqui mesmo, neste País multicultural chamado Brasil.

A polêmica em torno do uso do véu muçulmano me veio à lembrança quando ouvi pelo rádio uma entrevista da jornalista Denise Carreira, da Relatoria Nacional do Direito Humano à Educação. A Relatoria, segundo soube, envolve a articulação de 30 organizações e redes nacionais de direitos humanos e conta com o apoio da Unesco. Nessa entrevista, a jornalista descrevia o seu trabalho de investigação a respeito da intolerância religiosa em escolas do Rio de Janeiro. A situação ocorre principalmente em relação aos alunos, familiares e professores adeptos das religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda.
Constatou-se elevado número de casos em que os seguidores ou simpatizantes dessas religiões são vítimas de agressões físicas, como socos, pontapés e até apedrejamento. Outras vezes a agressão é verbal, submetendo-os a constrangimento e vergonha. Há casos de demissão ou afastamento de professores que levaram livros ou material sobre essas religiões para estudo em sala de aula. Outros relatos atestam a omissão de professores e diretores diante da violência praticada contra os alunos por motivos religiosos. Segundo a relatora, essas situações levam os estudantes à repetência, evasão ou solicitação de transferência para outras unidades educacionais, comprometem a autoestima e contribuem para o baixo desempenho escolar.

O que mais chama a atenção na entrevista, no entanto, é o alerta sobre a invisibilidade dessa questão no debate educacional, muito embora se registre aumento das denúncias de discriminação e violência contra as pessoas adeptas dos cultos religiosos de raízes africanas. Há um pacto de silêncio a respeito do assunto, o que se nota pelo seu insignificante registro pela imprensa. De fato, o uso do véu muçulmano no exterior tenha talvez tomado mais espaço da mídia e das discussões acadêmicas no Brasil do que a discriminação velada contra aqueles que, em vez da burca, usam as contas, os colares ou os objetos de devoção próprios das religiões afro-brasileiras. É mais fácil discutir os problemas dos outros do que os nossos.
A Constituição brasileira assegura a liberdade de crença e o livre exercício dos cultos religiosos. Ninguém é obrigado a ser católico, evangélico, espírita ou mesmo ateu. A lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece, em complemento, que o ensino religioso é parte integrante da formação básica do cidadão, sendo “assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil” (artigo 33). Desse modo, se por um lado se reconhece a importância da religião como elemento de formação do cidadão, por outro se exige das escolas públicas e particulares o respeito a toda e qualquer forma de crença religiosa, ou até mesmo a ausência dela. Obviamente, desde que essa liberdade de opção ou não opção religiosa ocorra em respeito às leis, aos costumes e aos princípios fundamentais do Estado brasileiro, como a dignidade da pessoa humana.
No tocante à história e cultura afro-brasileira, desde 2003 a matéria foi incluída no currículo oficial da rede de ensino no Brasil (Lei 10.639), devendo ser obrigatoriamente ministrada nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares. O conteúdo programático dessa disciplina inclui o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à história do Brasil. Sob nenhum aspecto, portanto, justifica-se a proibição da leitura em classe das histórias e lendas dos deuses africanos, como ocorreu em escola no Rio de Janeiro. Como também não se justificaria a proibição da leitura e estudo dos deuses e heróis greco-romanos.
As informações colhidas pelos membros da Relatoria Nacional do Direito Humano à Educação, em seu trabalho de pesquisa, tanto no Rio de Janeiro como em outros estados brasileiros, farão parte de relatório que será apresentado ao Congresso Nacional, ao Conselho Nacional de Educação, ao Ministério Público Federal, às autoridades educacionais, aos organismos das Nações Unidas e às instâncias internacionais de direitos humanos. Espera-se que esse importante trabalho resulte, ao menos, em uma campanha de conscientização sobre o respeito à diversidade de religião nas escolas. E que a mídia e as autoridades lhe deem a importância necessária.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Qual será o próximo clássico?

As férias estão chegando...
Farei uma escolha para colocar na mala?
Ou vou adquirir mais livros durante a viagem?! hehehe

Crime e castigo, Fiódor Dostoiévski
Madame Bovary, Gustave Flaubert
O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde
A divina comédia - Inferno, Dante Alighieri
O engenhoso fidalgo D. Quixote da Mancha, Miguel de Cervantes
Hamlet, Rei Lear e Macbeth, William Shakespeare
Ilusões perdidas, Honoré de Balzac
Orgulho e preconceito, Jane Austen
O primo Basílio, Eça de Queirós
Moby Dick, Herman Melville
O homem que queria ser rei e outras histórias, Rudyard Kipling

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Anos 80



Em um "diário de bordo" é importante o registro de tudo o que ocorre ao redor na época dos relatos. Na área dos esportes, política, mundo, moda, música, arte...
Lembro de ter lido em meu diário de adolescente que quando meu irmão nasceu, em 1981, Rita Lee estava no auge das paradas...
Por essa razão, a partir de hoje, alguns de meus posts terão assuntos da "atualidade".

Postarei manchetes, propagandas, artigos e clips.
Pretendo lê-los daqui a 10, 15 anos e identificar meus interesses e desinteresses...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sete Anos no Tibet de Heinrich Harrer

Prefácio
Tradução de Betina Gertum Becker
Editora L& PM Pocket



Todos nossos sonhos começam no juventude. Quando criança, os feitos dos heróis de nossos dias me inspiravam muito mais do que ficar estudando nos livros. Homens que partiam para explorar novas terras ou que, com muito esforço e sacrifício pessoal, treinavam para tornar-se campeões nos esportes, conquistadores das grandes montanhas - imitá-los era o objeto da minha ambição.
Mas faltavam-me o conselho e a orientação de pessoas experientes, por isso desperdicei muitos anos até me dar conta de que não se devem perseguir muitos objetivos ao mesmo tempo. Experimentava diversos tipos de esporte sem alcançar o sucesso que satisfizesse. Então, finalmente, resolvi concentrar-me nos dois esportes que mais amava pela sua íntima associação com a natureza - o esqui e escalada de montanhas.
Passei a maior parte de minha infância nos Alpes, e, durante quase todo o tempo que não estava na escola, escalava montanhas no verão e esquiava no inverno. Minha ambição era estimuladas por pequenos sucessos e, em 1936, depois de muito treinamento, consegui um lugar na equipe olímpica austríaca. Um ano mais tarde, venci a Descida de Montanha no Campeonato Mundial Estudantil.
Nessas competições, experimentei o prazer da velocidade e agloriosa satisfação da vitória na qual investi tudo o que tinha. mas a vitória sobre rivais humanos e o reconhecimento públicodo sucesso não me satisfaziam. Comecei a sentir que a única ambição que valia a pena era medir minhas forças com as montanhas. Então, por meses inteiros, treinei escalada no gelo e na rocha, até tornar-me tão habilidoso que nenhum precipício parecia inexpugnável. Entretanto, tinha de lidar com as minhas próprias dificuldades e tive de pagar pela minha experiência. Certa vez, despenquei 50 metros e só por milagre não perdi a vida - e, obviamente, acidentes menores aconteciam constantemente.
O retorno à vida universitária sempre significava uma grande tristeza. Mas não posso reclamar; tive a oportunidade de estudar topo tipo de livro sobre montanhismo e viagens, e, ao devorar esses livros, crescia em mim, através da reunião de desejos vagos, a ambição de realizar o sonho de todos os montanhistas - participar de uma expedição ao Himalaia.
Mas como um jovem desconhecido como eu ousava brincar com sonhos tão ambiciosos? Para chegar ao Himalaia, era necessário ser muito rico ou pertencer á nação cujos filhos, naquela época, ainda tinham a chance de ser mandados à Índia para o serviço militar. Para quem não era britânico e tampouco rico, havia apenas uma maneira. Era necessário aproveitar uma daquelas raras oportunidades que se abrem até mesmo para estrangeiros e fazer alguma coisa que me tornasse insubstituível. Mas que façanha seria necessária? Todos os grandes picos e paredões rochosos haviam sucumbido à inacreditável habilidade e ousadia dos montanhistas. Mas, um momento! Ainda existia um precipício não conquistado - o maior e mais perigoso de todos - a Face Norte do Eiger.
Este íngreme paredão rochoso de 2.000 metros jamais fora escalado até o topo. Todas as tentativas falharam e muitos homens perderam a vida nessas escaladas. Uma série de feitos legendários foram realizados naquela monstruosas muralha montanhosa até que finalmente o governo suíço proibiu que os alpinistas o escalassem.
Não havia dúvida de que aquela era a aventura que eu estava procurando. Se rompesse as defesas virgens da Face Norte, eu teria o direito legítimo de ser selecionado para a expedição ao Himalaia. Cultivei por muito tempo a ideia de tentar essa façanha quase impossível. Diversos livros descrevem como, em 1938, eu e meus amigos Fritz Kasparek, Anderl Heckmeier e Wiggerl Vörg, conseguimos escalar a temível montanha.
Depois dessa aventura segui, durante o outuno, com a esperança de ser convidado para juntar-me à expedição Nanga Parbat, planejada para o verão de 1939. Pelo visto, eu teria de continuar esperando, pois o inverno chegou e nada aconteceu. Outras pessoas foram selecionadas para explorar a fatídica montanha em Caxemira. Portanto, nada me restou a não ser assinar, desconsolado, um contrato para participar de um filme de esqui.

Os ensaios já estavam bem adiantados quando fui surpreendido por um telefonema. Finalmente, fora convocado para participar da Expedição Himalaia, que começaria em quatro dias. Não hesitei. Rompi meu contrato, viajei de volta para casa de Graz, passei um dia arrumando minhas coisas e, no dia seguinte, estava a caminho da Antuérpia com Peter Aufschnaiter, líder da expedição alemã Nanga Parbat, Lutz Chicken e Hans Lobenhoffer, os outros membros do grupo.
Até então, tinham sido feitas quatro tentativas de escalar aquela montanha de 7.600 metros. Todas falharam. Custaram muitas vidas e, por isso, decidimos procurar outro caminho para a escalada. Este seria o nosso trabalho, e o ataque ao pico estava planejado para o ano seguinte.
Nessa expedição ao Nanga Parbat, sucumbi à magia do Himalaia. A beleza dessas montanhas gigantescas, a imensidão das terras por sobre as quais se debruçam, a singularidade do povo da Índia - tudo isso me enfeitiçava.
Desde então, muitos anos se passaram, mas nunca pude me desligar da Ásia. Como tudo isso aconteceu e ao que levou eu tentarei narrar neste livro e, como não tenho nenhuma experiência como escritor, me contentarei em descrever os fatos.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Pico das Agulhas Negras

Fiz meu primeiro rapel! Suava frio, literalmente em pânico!
A "tirolesa" da foto nem em sonho!
Neste momento só fotografei bem grudadinha ao chão!
Boas lembranças com amigos incríveis!



segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Laurentino Gomes - a manipulação da história é inevitável

Autor do best-seller "1808", o jornalista Laurentino Gomes fala sobre seu novo livro.
Danilo Venticinque

ÉPOCA – O senhor definiu seu livro como uma reportagem. O que difere o repórter de um historiador?
Laurentino Gomes – O que eu faço não é um trabalho convencional de pesquisa acadêmica na área de história. Isso já tem quem faça, e faça bem. Eu leio muito sobre o assunto, pesquiso documentos, mas principalmente vou aos locais onde as coisas aconteceram há 200, 180 anos, porque esses locais guardam ainda informações muito preciosas para um jornalista que tem um olhar atento. Por exemplo, no primeiro capítulo do livro eu falo do Riacho do Ipiranga e de quanto ele é poluído hoje. É um rio enquadrado, concretado, asfaltado pela metrópole. É um jeito de olhar para o passado com luzes do presente, o que ajuda o entendimento do leitor.
ÉPOCA – Por que os livros escritos por historiadores não fazem tanto sucesso quanto os seus?
Gomes – Geralmente a linguagem acadêmica é mais técnica. Não sou contra isso, não: é uma linguagem que a academia usa para se entender. São especialistas falando com especialistas. Já o jornalista se vale de uma linguagem mais acessível, mais didática, porque ele está se comunicando com um público muito mais amplo do que o público acadêmico. Isso gera alguns mal-entendidos. Tem gente que diz que jornalistas não deveriam escrever sobre história e reclama que os livros de história não vendem. Às vezes não vendem porque a linguagem não é adequada. Você não pode pegar uma tese de doutorado, publicá-la em forma de livro e esperar que seja um best-seller.
ÉPOCA – O senhor chegou a receber críticas de acadêmicos?
Gomes –No começo fui recebido com certa estranheza. Acho natural: era a primeira vez que eu lançava um livro de história do Brasil, e as pessoas queriam saber que nome novo era esse. Mas hoje, entre os bons acadêmicos, o ambiente é de colaboração. Eu tenho como orientador o embaixador Alberto da Costa e Silva, que é um dos maiores intelectuais brasileiros. Não se pode dizer que história é assunto exclusivo de historiadores. O jornalista tem a prerrogativa de entrar em qualquer assunto que seja de interesse público. Não há competição entre jornalistas e historiadores. Há, sim, um trabalho de divulgação da história do Brasil pelos jornalistas. E, quanto mais bem orientado o jornalista estiver, melhor: o risco de escrever besteira cai muito.

ÉPOCA – Qual é a razão de tantas distorções na maneira como a história do Brasil é ensinada nas escolas?
Gomes – Na arena política, a história é manipulada o tempo todo. Ela é alvo de construções tanto da direita quanto da esquerda, tanto do governo quanto da oposição. Por isso há tantos mitos, fantasias, distorções e até versões opostas do mesmo personagem ou acontecimento. É o que eu mostro no capítulo sobre Dom Pedro I. Ele é um herói multiuso da história brasileira. Durante o regime militar, apareceu na pele de Tarcísio Meira, no filme Independência ou morte. Era um grande herói épico nacional. Depois que o Lula assume o poder, Dom Pedro é mostrado na série O quinto dos infernos como um sujeito boêmio, mulherengo, sem eixo na vida. Um é o oposto do outro.
ÉPOCA – É possível escapar dessas distorções?
GomesJá que a manipulação da história é inevitável, a única forma de olhar para ela com senso crítico é pela educação. Quanto mais diversificada for a pesquisa, maior será o senso crítico de quem tiver acesso a informações sobre a história. Fiquei satisfeito com o livro, embora não tenha a ilusão de ter alcançado a verdade histórica. O que procuro fazer é lançar sobre os personagens um olhar equilibrado: mostrar que Dom Pedro era, sim, um farrista, boêmio e aventureiro, mas foi também um jovem príncipe submetido a uma pressão poderosa num dos momentos mais cruciais da história do Brasil e de Portugal. Era uma pessoa de carne e osso, com sofrimentos, angústias e dificuldades para tomar suas decisões. E o Brasil de hoje deve sua existência a esse personagem.
ÉPOCA – Seu próximo livro será sobre 1889. As três datas estavam escolhidas desde o início?
Gomes – É engraçado como a obra se impõe ao autor. Eu quase não fiz 1808: fiquei com preguiça e com medo de expor minha reputação, mas criei coragem e fiz. Aí 1822 se tornou quase obrigatório, porque as pessoas me perguntavam sobre o que ocorreu depois. E, antes mesmo de anunciar 1822, já se falava de 1889. Estou sendo conduzido pelo público. A Proclamação da República é uma ruptura violenta, com consequências enormes na forma como vemos o Brasil. A gente não se reconhece nos heróis nacionais da Monarquia nem nos da República. Isso se reflete num país com baixa autoestima, sem referências históricas. O Brasil desqualifica seu passado com essa imagem de Dom João VI como um comedor de franguinhos, Dom Pedro como um mulherengo e Dom Pedro II como um rei culto, mas incapaz de segurar o rojão. Quero cobrir as três datas ícones da formação do Estado brasileiro. O estudo de 1808, 1822 e 1889 ajuda a entender o Brasil de hoje.

domingo, 12 de setembro de 2010

1822 e a lição de casa

É, muuuita coisa mudou...
Temos hoje a oportunidade de fugir da decoreba e conhecer as entrelinhas da História! Conhecer as meias verdades e as mentiras! Com mini-séries, uma boa literatura, filmes...
Dá pra assimilar as datas e memorizar os nomes daqueles que "fizeram história"!

Papo cabeça? Ideologia? Nostalgia? = )
É que comigo aconteceu exatamente assim: fui considerada uma excelente aluna, com boas notas e medalhas de condecoração, vencedora de concursos literários e ciências exatas... porém, só agora aprendo de verdade! De tudo que decorei naquela época pouca coisa sobrou...



Será essa a razão que me leva a ler tanto?! A assistir tantos filmes?!
Em busca do tempo "perdido", kkkkk

A artista de Xangai

Outra recomendação da Veja:
A artista de Xangai, de Jennifer Cody Epstein

A chinesa Pan Yuliang (1899-1977) ficou órfã na infância e aos 14 anos foi vendida, por um tio viciado em ópio, a um bordel. Foi tirada de lá por um funcionário do governo que a transformou primeiro em concubina e depois em esposa. O marido incentivou seu talento artístico. Pan frequentou uma escola de arte em Xangai e prosseguiu seus estudos em Paris. De volta ao país natal, suas telas "afrancesadas" – as cores lembram Cézanne – causaram escândalo por retratar a nudez feminina, tabu no meio artístico chinês. Em 1937, escapando à invasão japonesa, Pan radicou-se em Paris, onde morreu em 1977. Neste romance biográfico, a jornalista americana Jennifer Cody Epstein reconstitui, com muita vivacidade, a extraordinária vida dessa prostituta que se tornou artista. A descrição da vida no bordel resultou em páginas fortes. Leia trecho.

sábado, 11 de setembro de 2010

Mafalda x Turma da Mônica

Quadrinhos! Também desta arte vou conhecer mais...




sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Amigos!

Amizade: quando o silêncio a dois não se torna incômodo.
Mário Quintana

Amigo amigo é aquele que não cobra presença, que não cobra palavras.
Que está sempre ali, quando você precisar, se precisar!

Quando aceita o não como um não, e não como uma ofensa!
Obrigada, Dária

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Uma nova chance, sempre!!

Esperança! É esse sentimento que diferencia o ser humano do ser vivo!

RECOMEÇAR...
Carlos Drumond de Andrade

" Não importa onde você parou.
Em que momento da vida você cansou
O que importa é que sempre é possível e necessário "recomeçar"
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo.

É renovar as esperanças em si mesmo e, o mais importante.
Acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado.
Chorou muito?
Foi limpeza da alma.
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia.
Sentiu-se só por diversas vezes?
É porque fechastes a porta até para os anjos.
Acreditou em tudo que estava perdido?
Era o início de tua melhora.
Onde você quer chegar?
Ir alto?
Sonhe alto.
Queira o melhor do melhor.
Se pensarmos pequeno.
Coisas pequenas teremos.
Mas se desejarmos fortemente o melhor e
Principalmente lutarmos pelo melhor.
O melhor vai se instalar em nossa vida.
Porque sou do tamanho daquilo que vejo,
E não do tamanho da minha altura."

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A Duquesa - o filme e o livro

A Duquesa (em inglês The Duchess) é um filme britânico de 2008 do gênero drama, vencedor do Óscar, baseado no livro de Amanda Foreman, um best-selling sobre a vida da aristocrata inglesa do século XVIII Georgiana Cavendish, Duquesa de Devonshire.
Georgiana Spencer (Keira Knightley) casou-se aos 18 anos com o Duque de Devonshire (Ralph Fiennes), que queria a todo custo ter um filho. Possuindo o título de Duquesa de Devonshire, logo Georgiana demonstrou sua inteligência e perspicácia perante a corte inglesa. Entretanto ela não conseguia dar ao duque um filho, com todas as suas tentativas de ficar grávida resultando em abortos ou em filhas. Isto faz com que o relacionamento entre eles se deteriore com o tempo.



Na foto temos a cena do filme em que o Duque de Devonshire demonstra pela primeira vez alguma consideração (com um gesto de carinho) à sua esposa. Pede a ela que compareça a uma festa para abafar os boatos de infidelidade e infelicidade (de ambos) - ela veria seu amado sob os olhares de toda a corte inglesa e "manteria a pose".
O drama retrata bem as pressões impostas pela posição social e o objetivo único de uma união "conveniente" (sem amor): um herdeiro!



E por quantas vezes mais eu assistir a esta cena, vou chorar...


A Duquesa (2008) - ganhor do prêmio MELHOR FIGURINO Óscar 2009.
Elenco:
Keira Knightley… Georgiana Cavendish, Duquesa de Devonshire
Ralph Fiennes… William Cavendish, 5.° Duque de Devonshire
Hayley Atwell… Elizabeth "Bess" Foster
Charlotte Rampling… Margaret Georgiana Poyntz, mãe de Georgiana
Dominic Cooper… Charles Grey, 2.° Conde Grey
Aidan McArdle… Richard Brinsley Sheridan
Simon McBurney… Charles James Fox
Alistair Petrie… Heaton

Não encontrei a tradução do livro GEORGIANA, DUQUESA DE DEVONSHIRE em português. Somente em espanhol.
Então, lerei em espanhol...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A verdadeira insônia

Hoje confesso as razões que me fizeram recordar um diário perdido ...
Confissões ocultas! Verdadeiros desabafos! Disse: "prefiro a dor da ausência do que a dor da urgência!"
São frases que só terão sentido para mim...
"Faltaram algumas fases!"
Menina-moça, pãe (pai/mãe), filha, adolescente, avó.

domingo, 5 de setembro de 2010

Devaneio

Muitas vezes pesquiso no google um tema, uma foto.
Aí, encontro blogs fantáásticos!
Infelizmente, muitas vezes, pertencem a blogueiros desistentes. Isso, blogs abandonados, sem postagens há anos...
E só lamento! Pois possuíam a mesma linha de raciocínio que uso atualmente - encaixar as histórias, juntando os elos... e gostaria de "viajar" com eles...
Assim como a Copa me levou à África de Mandela. As guerras civis e a infância roubada.
O livro A Cidade do Sol me trouxe de volta A Terceira Xícara de Chá - as promessas e fascínio dos alpinistas e a religião dos muçulmanos. As invasões territoriais e imposição de novas culturas. O Tibet de Dalai Lama.
Como O Morro dos Ventos Uivantes me remeteu ao trabalho do ator Ralph Fiennes e O Jardineiro Fiel me trouxe a arte de John Le Carré e Fernando Meirelles.
Sempre a arte! Arte da literatura, do cinema e da história!! Não só os livros... também a psicologia, a diversão e viagens... geografia e política!
E acumulo conhecimento... Quem sabe encontro respostas?! Um projeto?!

sábado, 4 de setembro de 2010

Talibã no Afeganistão

pág. 244-245 A cidade do sol, de Khaled Hosseini
Editora Nova Fronteira
Setembro de 1996
[...] Nosso watan chama-se agora Emirado Islâmico do Afeganistão. Eis as leis que começam a vigorar e às quais todos devem obedecer:
Todos os cidadãos devem rezar cinco vezes ao dia. Quem for apanhado fazendo outra coisa nas horas de oração será espancado.
Todos os homens deverão deixar crescer a barba.* O comprimento correto é pelo menos um punho fechado abaixo do queixo. Quem não cumprir essa determinação será espancado.
Todos os meninos devem usar turbante. Os estudantes da primeira à sexta série usarão turbantes negros, os alunos das séries superiores usarão turbantes brancos. Todos deverão usar trajes islâmicos. O colarinho das camisas deve se abotoado.
É proibido cantar.
É proibido dançar.
É proibido jogar cartas, jogar xadrez, fazer apostas e soltar pipas.*
É proibido escrever livros, ver filmes e pintar quadros.
Quem possuir periquitos será espancado, e os pássaros, mortos.
Quem roubar terá a mão direita cortada na altura do pulso. Quem voltar a roubar terá um pé decepado.
Quem não é muçulmano não pode realizar seu culto em lugar onde possa ser visto por muçulmanos. Quem fizer isso será espancado e detido. Quem for apanhado tentando converter um muçulmano à sua fé será executado.
Atenção mulheres:
vocês deverão permanecer em casa. Não é adequado uma mulher circular pelas ruas sem estar indo a um local determinado. Quem sair de casa deverá se fazer acompanhar de um mahram, um parente de sexo masculino. A mulher que for apanhada sozinha na rua será espancada e mandada de volta para casa. 
Vocês não deverão mostrar o rosto em circunstância alguma. Sempre que sairem à rua, deverão usar a burqa. A mulher que não fizer isso será severamente espancada.
Estão proibidos os cosméticos.
Estão proibidos as jóias.
Vocês não deverão usar roupas atraentes.
Só deverão falar quando alguém lhes dirigir a palavra.
Não deverão olhar um homem nos olhos.
Não deverão rir em público. A mulher que fizer isso será espancada.
As meninas estão proibidas de frequentar a escola. Todas as escolas femininas serão imediatamente fechadas.**
As mulheres estão proibidas de trabalhar.
A mulher que for culpada de adultério será apedrejada até a morte.
Ouçam. Ouçam bem. Odedeçam. Allah-u-akbar.

* não podiam, então, participar de torneios internacionais, onde as regras exigem que o atleta esteja completamente barbeado.
* considerado perda de tempo, além de serem usadas em rituais hindus.
** na obra A Terceira Xícara de Chá, temos a história de Greg Mortenson que cumpriu a promessa de voltar ao Paquistão e ajudar aquele povo necessitado: construiu várias escolas naquele país e no Afeganistão.














sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ralph Fiennes em O Jardineiro Fiel

O Jardineiro Fiel é obra do escritor inglês John le Carré.
Recordo-me de ter comprado este livro simplesmente pela capa - a foto do "tiijolo" me conquistou, rs
Foi um daqueles que adquiri porque ele me dizia: " - me leva pra sua casa; sou seu!"
Dos 30 livros que compro anualmente, este é um daqueles que ainda não li - deixei para depois, para depois e...
Assisti ao filme e me encantei pela fotografia...
Foi em uma época, no mínimo, peculiar...

Mário "Fanaticc" Abbade
13 de Outubro de 2005
Ralph Fiennes (pronuncia-se ráf fines) veio ao Brasil para promover O jardineiro fiel (2005). Na entrevista coletiva, ele falou de como foi trabalhar com o brasileiro, a forma como escolhe seus papéis e até mesmo do fraco Os vingadores, que ele estrelou ao lado de Uma Thurman.

Omelete - Dizem que foi você que escolheu o diretor para o filme. Isso é verdade?
Ralph Fiennes - Eu já tinha visto Cidade de Deus e na época nós tínhamos um diretor [Mike Newell] que havia abandonado o projeto. O produtor do filme comentou que Fernando estaria interessado e eu fiquei bastante empolgado, pois parecia certo que ele abraçaria o projeto.
Omelete - A câmera de Fernando Meireles está sempre em movimento, do ponto de vista do ator, esse estilo de filmagem traz algum tipo de energia diferente ao set de filmagens?
Fiennes - Sim, eu acho impressionante seu movimento com a câmera, ela está sempre em movimento, em todas as cenas. Eu gosto muito do jeito que Fernando utiliza a câmera porque isso acaba adicionando mais intensidade e novos elementos à história. No seu processo de filmagem, podemos interpretar cenas de forma contínua, sem ter que parar para cenas de close. Ele nos deixou atuar de maneira bem livre.
Omelete - O que te atrai no personagem que você interpreta?
Fiennes - Justin tem uma belíssima jornada. Ele começa como uma pessoa gentil e passiva, que não costuma se confrontar com nada. De repente, com a morte de sua esposa, a força ou até mesmo a determinação, se você preferir, começa a brotar de dentro dele. O que eu adoro é a transição por que passa esse homem. Ele não é fraco, simplesmente gentil, faz o seu trabalho e é apaixonado pelo seu jardim, que se transforma ao passar por essa odisséia.
Omelete - No filme, seu personagem cultiva um amor especial pelo seu jardim. Você sabe como cuidar de plantas?
Fiennes - Meu pai era um grande jardineiro e eu cresci vendo ele cuidar das plantas lá de casa, que eram poucas, pois morávamos em Londres e não tínhamos muito espaço.
Omelete - Como foi desenvolver o papel de um diplomata? Você teve contato com algum para poder usar como base?
Fiennes - Nós conhecemos alguns diplomatas em Nairobi e conheci outros que trabalhavam na embaixada no Quênia. É uma profissão entediante, porém interessante. Passei algum um tempo com um deles que pode até não concordar, mas usei um pouco da sua personalidade para compor Justin. Essa parte foi a mais interessante que aconteceu no início das filmagens.
Omelete - Você acha que filmes que tratam de um assunto como este serão produzidos em números tão grandes quanto os que tratam do holocausto?
Fiennes - Eu recebi dois roteiros recentemente que tratam das questões africanas. Acredito que seja uma tendência, pois cada vez mais as pessoas têm contato com as histórias que ocorrem lá. Nesse ano inclusive, houve o filme Hotel Ruanda, que fala sobre o massacre entre tribos. Sim, eu acho que a tendência é que se aumente o número de filmes feitos com essa temática.
Omelete - Nesse ano você está presente em dois filmes que estão sendo muito esperados pela crítica: O Jardineiro Fiel e The White Countess, inclusive os críticos americanos já cogitam a sua indicação como certa para o Oscar. Do que se trata esse último filme e como foi trabalhar com James Ivory?
Fiennes - A história de The White Countess é sobre o amor entre um diplomata americano com uma aristocrata russa. James Ivory é um diretor meticuloso, que se preocupa com os pequenos detalhes, ele passa bastante tempo trabalhando com os figurantes, e eu gosto muito da atenção que ele dá para os detalhes. Quanto ao Oscar, qualquer um que é indicado ou cogitado à indicação traz benefícios para seus filmes, mas não tem nada a ver com ser ou não, pois é como uma loteria (risos). Mas é claro que se fosse indicado, ficaria lisonjeado e teria Fernando ao meu lado.
Omelete - Na questão da problemática social, você acha que pode fazer a diferença apenas com seus filmes ou precisa de algo mais?
Fiennes - Eu acho que qualquer um pode fazer a diferença, independentemente da sua área de atuação. Você pode fazer a diferença como jornalista, artistas podem fazer a diferença ao criarem suas obras. Até mesmo um ator, quando escolhe e faz um filme, pode criar algum tipo de questionamento. E é nisso que eu gosto de botar a minha energia.
Omelete - Tem uma foto no press book em que você aparece segurando uma câmera. Por acaso pretende mudar de profissão?
Fiennes - Foi uma brincadeira que acabou se tornando parte do filme. Em uma das cenas, Fernando quer captar com a câmera o que eu estou olhando, enquanto caminho pelo mercado. Como não podia precisar, pedi a ele a chance de filmar essa parte por onde o meu olhar passa. Nós tentamos e deu certo, então Fernando resolveu colocar no filme e ainda tem o meu nome nos créditos, como assistente de câmera. Mas eu não acho que tenho futuro nessa profissão (risos).
Omelete - Como foi trabalhar com Fernando Meireles?
Fiennes - Eu acho que nunca trabalhei com um diretor tão generoso e calmo. Ele tem um espírito generoso que me encantou muito. Ele é bastante flexível no seu modo de trabalhar. Ele nos encorajava a improvisar e eu adorei.
Omelete - Você é um ator bastante talentoso que tem muita técnica. Você prefere atuar no cinema ou no teatro?
Fiennes - O teatro é um pouco arriscado e alguns atores preferem não correr esse risco. Eu adoro o público e não tenho o menor receio de atuar em peças. Trabalhar em filmes é muito bom, porém tem muita pressão, você deve estar preparado para agir nesse curto espaço de tempo, para desenvolver emoções ou interagir com outro ator. Mas eu acho que nos dois, apesar de diferentes, pode-se perceber a essência do ator. Através dos olhos você pode ver a alma da pessoa e pode se perceber isso no cinema. No teatro, é possível perceber a energia do ator. Eu gosto dos dois.
Omelete - Você é um ator bastante respeitado e também muito famoso. Como você consegue equilibrar essas duas características ao escolher seus papéis? 
Fiennes - Eu tento seguir o meu instinto em relação ao que devo fazer. Na hora de escolher um projeto, faço aquilo que gosto. Eu não sei como posso dizer o que me faz escolher algo ou não. É mais por instinto.
Omelete - Você gostaria de dirigir um filme algum dia?
Fiennes - Sim, eu gostaria de dirigir e com o passar dos anos eu fico mais interessado nesse ramo.
Omelete - Em Vingadores seu papel foi cômico. Você gostaria de fazer novamente esse tipo de filme, um misto de aventura e comédia?
Fiennes - Sim, eu gostaria. Mas eu tenho que dizer que não me sinto tão seguro. A reação foi tão negativa que fiquei ressentido. Mas eu gosto do personagem, desse tipo de humor, desse charme, dessa violência irreal, é tão fantasiosa. Eu gosto da série de TV, um pouco de loucura com bobeira, me faz rir.
Omelete - Você faz filmes que te obrigam a viajar bastante. Você gosta de viajar? E quando viaja curte o local?
Fiennes - Eu adoro viajar. Eu gosto de sair do local das filmagens e conhecer um pouco do lugar e das pessoas, ver coisas diferentes. É muito bacana você ir a certos lugares e poder entrar num bar e puxar assunto com um estranho sem ele imaginar quem você é. Essa troca é a base da humanidade.

Em outro site encontrei outros detalhes sobre a obra/filme:
A filmagem tinha um barril de pólvora. "O livro tinha sido censurado e proibido no Quênia por ter sido escrito durante o governo Moi. No livro todos os quenianos são muito corruptos. Quando fomos filmar, eles foram sábios e viram que seria filmado de qualquer jeito. Se não fosse lá, teria sido na África do Sul. Então eles deram permissão e contribuiram para o estímulo da indústria de cinema local", revelou Meirelles.