terça-feira, 31 de agosto de 2010

Os livros têm o poder de mudar as mentalidades

"A escravidão de hoje está oculta"

A escritora chilena diz que o drama do Haiti colonial ajuda a entender as situações atuais de opressão
ALEXANDRE MANSUR

O que a saga de uma escrava no Haiti no século XIX tem a ver com os dias de hoje? Para a escritora chilena Isabel Allende, muito. Seu novo livro, A ilha sob o mar, conta a história de Zarité, uma menina vendida a um jovem francês, dono de plantações de cana no Haiti. Em suas aventuras, ela se envolve com um dos líderes da revolta que libertou o país e depois foge para os Estados Unidos. Fruto de quatro anos de pesquisas, a novela ajuda a entender as origens do drama atual do Haiti. Para Isabel, também serve de alerta para a escravidão oculta nos tempos atuais. E para as relações de dominação tirânica, que acontecem em regimes opressores, organizações hierárquicas e até dentro de algumas famílias, como afirma Isabel em entrevista a ÉPOCA.

ENTREVISTA - ISABEL ALLENDE
QUEM É
Escritora chilena, de 68 anos, mora na Califórnia com o marido. É sobrinha de Salvador Allende, presidente do Chile morto no golpe militar de 1973
O QUE PUBLICOU
É uma das autoras mais populares da América Latina, com 15 romances, além de livros de contos e peças de teatro. Ficou famosa com A casa dos espíritos, de 1982. Em 1995, escreveu Paula, sobre a filha, vítima de uma doença neurológica

ÉPOCA – Por que escrever sobre a escravidão hoje?
Isabel Allende – Há 27 milhões de escravos no mundo. Todos os países firmaram acordos para acabar com essa prática. Mas não conseguiram aboli-la. No Paquistão, há 1 milhão de escravos na agricultura. Aldeias inteiras estão escravizadas por servidões de dívida. O camponês se endivida com um negociante e precisa colocar os filhos e netos à disposição para trabalhar até pagar o que deve. Vendem suas filhas como empregadas domésticas ou para os prostíbulos. Em outros países, há a prática de vender as meninas de 9 anos para casar. Isso também é uma forma de escravidão. No Haiti, um país onde os negros escravos lutaram por sua independência, ainda há milhares de crianças em trabalhos domésticos forçados, porque seus pais não podem sustentá-las. No Nepal, meninas de 5 a 7 anos são vendidas por uma quantia equivalente a um par de cabras. A maioria dos casos ocorre no Sudeste Asiático, onde as fronteiras são permeáveis e ninguém controla o tráfico de pessoas.
ÉPOCA – Os movimentos abolicionistas do século XIX fracassaram?
Allende – Conseguiram abolir a escravidão oficialmente no mundo. O drama é que hoje ela está oculta. Antigamente, o escravo era investimento de capital e exigia cuidados para que rendesse com seu trabalho. Hoje, o negócio é clandestino. Os escravos não valem nada. O movimento abolicionista hoje está na internet, com campanhas como Free the Slaves (Soltem os Escravos).
ÉPOCA – Em que essa escravidão é diferente do desrespeito aos direitos humanos?
Allende – Há formas de violação dos direitos humanos que não incluem a escravidão. Ela é muito precisa. O escravo é alguém obrigado a trabalhar contra sua vontade, sob ameaça de violência, sem remuneração.
ÉPOCA – Isso não acabou, pelo menos nos países democráticos?
Allende – Conheci escravos até nos Estados Unidos. Alguns eram imigrantes ilegais que foram praticamente sequestrados. Trabalhavam sob ameaça de violência ou de ser denunciados às autoridades para deportação. Encontrei na Califórnia um garoto negro que tinha acabado de escapar. Aparentemente, uma igreja cristã circulava pelo sul do país com um coro de meninos que se apresentava em eventos públicos. Supostamente para juntar fundos para um orfanato na África. Mas o orfanato não existia, as crianças estavam sequestradas. Eu não estava pensando em nada disso quando comecei o livro. Queria resgatar algo da fascinante história de Nova Orleans. Na pesquisa, eu me dei conta que o sabor francês da cidade vinha do Haiti. Quando houve a revolta dos escravos no final dos anos 1700, cerca de 10 mil colonos franceses fugiram para lá.
ÉPOCA – Por que a escrava Zarité, personagem principal de seu livro, parece ser feliz?
Allende – Ela não é feliz. Mas tem uma grande dignidade. Sua obsessão pela busca da liberdade começa de criança. Por isso, foge várias vezes. Em um momento da novela, ela pode escapar com seu amante. Mas tem de escolher entre seus filhos e a liberdade, e fica com os filhos. Ela é feliz em alguns momentos de amor, mas vive uma situação de opressão.
ÉPOCA – As relações humanas estão mais éticas hoje?
Allende – Acho que não mudaram muito nestes séculos. O que me fascinou nesse livro foi a relação do poder com a impunidade. O amo tinha um poder absoluto, de vida ou morte. Podia violar as mulheres, porque a violência contra uma mulher de cor, escrava ou livre, não era considerada estupro. A lei só defendia as mulheres brancas. Essa relação de poder absoluto não ocorre só na escravidão. Também existe entre os militares. Um oficial graduado pode subjugar os subalternos. Nas prisões, os carcereiros fazem o que querem com os presos. Nas ditaduras, a polícia pode prender, matar e torturar alguém, como ocorreu no Chile. Isso acontece até dentro da família, se o pai psicótico ou alcoólatra abusa dos filhos.
ÉPOCA – Como está o Haiti hoje?
Allende – Numa situação muito triste. Já foi invadido e ocupado várias vezes. Tem um governo quebrado. Vive da caridade. E ainda foi atingido por furacões e um terremoto. O país não consegue ficar de pé. Nem teve oportunidade de avançar sozinho. A ajuda que recebeu não foi muitas vezes benéfica. Tantos países prometeram milhões de dólares. Mas pouco disso realmente foi para lá, e o dinheiro não vai para a reconstrução do país.
ÉPOCA – Que impacto a senhora busca com seus livros?
Allende – Os livros têm o poder de mudar as mentalidades. Mas os escritores não pensam nisso quando os escrevem. Obras como A cabana do Pai Tomás (livro americano que marcou o movimento abolicionista) tiveram impacto, mas a autora não imaginava isso antes. Ninguém pode almejar isso.
A ilha sob o mar (editora Bertrand) conta o drama de escravos no Haiti e na Louisiana.
Preço sugerido: R$ 44

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Fotos por 200 milhões de dólares

Americano descobre que fotos compradas em pechincha 'valem US$ 200 milhões'
Pintor que comprou negativos por R$ 80 há dez anos alega que imagens são do renomado fotógrafo americano Ansel Adams.
Estadão 28 de julho de 2010

Um apreciador americano de fotografia alega que uma coleção de negativos comprada dez anos atrás pelo equivalente a R$ 80 é do renomado fotógrafo americano Ansel Adams e vale US$ 200 milhões (R$ 360 milhões).

Os 65 negativos em vidro retratam paisagens supostamente do Parque Nacional Yosemite, na Califórnia, onde Adams, que também era ambientalista, fez grande parte das imagens em preto-e-branco que lhe tornaram famoso em meados do século passado.
Usando técnicas na câmara escura, Adams enfatizava as sombras e os contrastes de suas fotos. 
O material vem sendo dado como perdido desde que um incêndio em 1937 atingiu o estúdio do fotógrafo localizado dentro do parque, destruindo cerca de 5 mil placas. Desde então, as fotos de Adams têm sido vendidas por somas astronômicas.

Rick Norsigian, que é pintor profissional e um amador de fotografia, disse que passou os últimos dois anos investigando a origem dos negativos, comprados de um vendedor que improvisara um brechó na própria garagem do ano 2000.
Este, por sua vez, contara que havia adquirido o material de uma oficina de restauração nos anos 1940.
Os negativos ficaram quatro anos guardados em duas caixas na casa de Norsigian em Fresno, na Califórnia, até o pintor se dar conta de que poderiam valer milhões de dólares.

Polêmica
Em uma entrevista coletiva em Berverly Hills na terça-feira, os advogados de Norsigian apresentaram evidências para sustentar a conclusão de que as fotos são de Adams "além de qualquer dúvida razoável".
Segundo os representantes de Norsigian, a investigação envolveu especialistas em arte, fotografia, caligrafia e até meteorologia - esses últimos, para comparar as condições climáticas do parque nacional na época em que as fotos foram tiradas com as condições sob as quais Adams trabalhou.
As conclusões são de que as fotos foram tiradas entre 1919 e o início dos anos 1930, em locações familiares a Adams, como o parque de Yosemite. As evidências foram colocadas em um site.
As fotos começaram a ser expostas em uma mostra itinerante, que vai acompanhada de um documentário retratando o percurso de Norsigian na tentativa de autenticar o material.
O colecionador, que pretende se aposentar nos próximos anos, disse que quer vender impressões feitas a partir de 17 dos negativos com preços que variam de US$ 45 (R$ 80) a US$ 7,5 mil (R$ 13,5 mil).
Os esforços para tentar comprovar que as fotos são de Adams não convenceram a família do renomado fotógrafo, para quem as fotos são "uma fraude infeliz".
Bill Turnage, diretor-gerente da fundação que cuida dos direitos autorais de Adams, disse que está avaliando a possibilidade de processar Norsigian por empregar o nome do artista para uso comercial.
O neto de Adams, Matthew Adams, também afirmou que está "cético".
"Não há evidências concretas", ele afirmou. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

domingo, 29 de agosto de 2010

Cicloviagem Ouro Preto x Parati


Um marco importante na minha vida: Cicloviagem na Estrada Real!
Ouro Preto, Ouro Branco, Itaverava, Santana dos Montes, Cristiano Otoni, Povoado do Arame, Prados, Tiradentes, São João del Rei, São Sebastião da Vitória, Capela do Saco, Carrancas, Minduri, Airuoca, Alagoa, Itamonte, Passo Quatro, Cruzeiro, Cachoeira Paulista, Campos Novos de Cunha, Parati. (*em negrito, locais de parada/hospedagem)
Serra da Mantiqueira e a Serra do Mar (Serra da Bocaina) em 9 dias.
A partir do 3o. dia nenhuma nuvem no céu!
Sol e frio de inverno! Apetite voraz!








sábado, 28 de agosto de 2010

Bichinhos dos Sonhos Bauducco



Pelas sobrinhas e pela neta a gente faz tuudo!! Uma hora no posto de troca e a obrigatoriedade de adquirir 20 produtos sabor C H O C O L A T E ! Bolinhos, wafer e cookeis! Adorei toooodo o processo, inclusive a parte do CHOCOLATE!!

Farsa - crônica de Luis Fernando Veríssimo

Quando ouviu o ruído da porta do apartamento sendo aberta, a mulher soergueu-se ligeiro na cama e disse, ela realmente disse:
- Céus, meu marido!
O amante ergueu-se também, espantado, menos com o marido do que com a frase.
- O que foi que você disse?
- Eu disse "Céus, meu marido!"
- Foi o que eu pensei, mas não quis acreditar.
- Ele me disse que ia para São Paulo.
- Talvez não seja ele. Talvez seja um ladrão.
- Seria sorte demais. É ele. E vem vindo para o quarto. Rápido, esconda-se dentro do armário!
- O quê? Não. Tudo menos o armário!
- Então embaixo da cama.
- O armário é melhor.
O amante pulou da cama, pegou sua roupa de cima da cadeira e entrou no armário, pensando "isso não pode estar acontecendo". Começou a rir, descontroladamente. Até se lembrar que tinha deixado seus sapatos ao lado da cama. Ouviu a porta do quarto se abrir. E a voz do marido.
- Com quem é que você estava conversando?
- Eu? Com ninguém. Era a televisão. E você não disse que ia para São Paulo?
- Espere. Aqui no quarto não tem televisão.
- Não mude de assunto. O que é que você está fazendo em casa?
O amante começou a rir. Não podia se conter, mesmo sentindo que assim fazia o armário sacudir. Tapou a boca com a mão. Ouviu o marido perguntar:
- Que barulho é esse?
- Não interessa. Por que você não está em São Paulo?
- Não precisei ir, pronto. Esses sapatos...
O amante gelou. Mas o marido se referia aos próprios sapatos, que estavam apertados. Agora devia estar tirando os sapatos, Silêncio. O ruído da porta do banheiro sendo aberta e depois fechada. Marido no banheiro. O amante ia começar a rir outra vez quando a porta do armário se abriu subitamente e ele quase deu um berro. Era a mulher para lhe entregar seus sapatos. Ela fechou a porta do armário e se atirou de novo na cama antes que ele pudesse avisar que aqueles sapatos não eram os dele, eram os do marido. Loucura!
Porta do banheiro se abrindo. Marido de volta ao quarto. Longo silêncio. Voz do marido:
- Estes sapatos...
- O que é que tem?
- De quem são?
- Como, de quem são? São os seus. Você acabou de tirar.
- Estes sapatos nunca foram meus.
Silêncio. Mulher obviamente examinando os sapatos e dando-se conta de seu erro. O amante, ainda por cima, com falta de ar. Voz da mulher, agressiva:
- Onde foi que você arranjou estes sapatos?
- Estes sapatos não são meus, eu já disse!
- Exatamente. E de quem são? Como é que você sai de casa com um par de sapatos e chega com outro?
- Espera aí...
- Onde foi que você andou? Vamos, responda!
- Eu cheguei em casa com os mesmos sapatos que saí. Estes é que não são os meus sapatos.
- São os sapatos que você tirou. Você mesmo disse que estavam apertados. Logo, não eram os seus. Quero explicações.
- Só um momento. Só um momentinho!
Silêncio. Marido tentando pensar em alguma coisa para dizer. Finalmente, a voz da mulher, triunfante:
- Estou esperando.
Marido reagrupando as suas forças. Passando para o ataque.
- Tenho certeza absoluta – absoluta! – que não entrei neste quarto com estes sapatos. E olhe só, eles não podiam estar apertados porque são maiores do que o meu pé.
Outro silêncio. A mulher, friamente:
- Então, só tem uma explicação.
O marido:
- Qual?
- Eu estava com outro homem aqui dentro quando você chegou. Ele pulou para dentro do armário e esqueceu os sapatos.
Silêncio terrível. O amante prenderia a respiração se não precisasse de ar. A mulher continuou:
- Mas nesse caso onde é que estão os seus sapatos?
O homem, sem muita convicção:
- Você poderia ter entregue os meus sapatos para o homem dentro do armário, por engano.
- Muito bem. Agora, além de adúltera, você está me chamando de burra. Muito obrigada.
- Não sei não, não sei não. E eu ouvi vozes aqui dentro...
- Então faz o seguinte. Vai até o armário e abre a porta.
O  amante sentiu que o armário sacudia. Mas agora não era o seu riso. Era o seu coração. Ouviu os pés descalços do marido aproximando-se do armário. Preparou-se para dar um pulo e sair correndo do quarto e do apartamento antes que o marido se recuperasse. Derrubaria o marido na passagem. Afinal, tinha os pés maiores. Mas a mulher falou:
- Você sabe, é claro, que no momento em que abrir essa porta estará arruinando o nosso casamento. Se não houver ninguém aí dentro, nunca conseguiremos conviver com o fato de que você pensou que havia. Será o fim.
- E se houver alguém?
- Aí será pior. Se houver um amante de cuecas dentro do armário, o nosso casamento se transformará numa farsa de terceira categoria. Em teatro barato. Não poderemos conviver com o ridículo. Também será o fim.
Depois de alguns minutos, o marido disse:
- De qualquer maneira, eu preciso abrir a porta do armário para guardar a minha roupa...
- Abra. Mas pense no que eu disse.
Lentamente, o marido abriu a porta do armário. Marido e amante se encararam. Nenhum dos dois disse nada. Depois de três ou quatro minutos o marido disse: “Com licença” e começou a pendurar sua roupa. O amante saiu lentamente de dentro do armário, também pedindo licença, e se dirigiu para a porta. Parou quando ouviu um “psiu”. Disse:
- É comigo?
- É – disse o marido. – Os meus sapatos.
O amante se lembrou que estava com os sapatos errados na mão, junto com o resto da sua roupa. Colocou os sapatos do marido no chão e pegou os seus. Saiu pela porta e não se falou mais nisso.
Da obra Comédias da Vida Privada - 101 crônicas escolhidas
Luis Fernando Veríssimo

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Sete Anos no Tibet

 Preâmbulo por Dalai Lama

O Prof. Heinrich Harrer é um dos ocidentais que conhecem intimamente o Tibet. 
Seu livro está sendo lançado numa época em que há muitas concepções
errôneas sobre a vida e a cultura do Tibet - e a maioria dos livros disponíveis não ajuda a dissipar esses equívocos.
Sendo forçado a vir ao Tibet por infelizes circunstâncias, ele decidiu viver simples, fazendo muitos amigos e sendo considerado com muita afeição.
Fico  feliz que seu livro Sete Anos o Tibet, que fornece um quadro vívido e verdadeiro do Tibet antes de 1959, esteja sendo relançado quando há um renovado interesse pelo Tibet.
29 janeiro 1982

"No final do século XIX, os olhos da Europa se voltaram para a Ásia. O desafio geográfico da África fora superado nos pontos mais importantes. [...]  Na Ásia, por outro lado, forças impoderáveis e exóticas estavam a caminho.
[...] o Tibet sempre criou as maiores dificuldades para que europeus, e qualquer não-tibetano, colocassem o pé em seu território, mesmo que tivessem credenciais impecáveis.
[...] O viajante europeu está acostumado a ver a Ásia, ou de qualquer forma, a parte selvagem da Ásia, de cima. Com isto quero dizer que, apesar de às vezes sua situação ser precária e seus recursos escassos, o europeu em geral está em melhor posição que o povo primitivo por cujo território ele está passando. Possui coisas que os outros não têm - dinheiro, armas de fogo, sabão e remédios, barracas e abridor de lata. Além disso, em outra parte do planeta, existe um governo que vai tentar tirá-lo de lá, se ele se meter em confusão. [...] Em 1943, quando Herr Harrer fez a terceira e bem-sucedida tentativa de escapar de um campo de prisioneiros em Dehradun e foi rumo ao Tibet, estava olhando a Ásia de baixo. Viajava a pé, levava seus poucos pertences nas costas e dormia no chão, ao ar livre. Era um fugitivo, sem posição ou papéis, e tinha pouquíssimo dinheiro.
Peter Fleming

Sinopse do filme (1997):
Heinrich Harrer (Brad Pitt), o mais famoso alpinista austríaco, tentou algo quase impossível: escalar o Nanga Parbat, o 9º pico mais alto do mundo. Onze pessoas de quatro equipes alemães morreram tentando esta façanha e em virtude disto alcançar o Nanga Parbat se tinha tornado uma obsessão nacional. Heinrich era egocêntrico e, visando somente a glória pessoal, viajou para o outro lado do mundo deixando sua mulher grávida e um casamento em crise. Ele não conseguiu o feito, mas quando a Inglaterra declarou guerra à Alemanha absurdamente foi considerado inimigo, por estar em domínio inglês. Heinrich é feito prisioneiro de guerra, mas fugiu após várias tentativas. Através destes e outros fatos ele e Peter Aufschnaiter (David Thewlis), outro alpinista, se tornaram os únicos estrangeiros na sagrada cidade de Lhasa, Tibet. Lá a vida de Heinrich mudaria radicalmente, pois no tempo em que passou no Tibet se tornou um pessoa generosa além de se tornar confidente do Dalai Lama.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ralph Fiennes em O Morro dos Ventos Uivantes

A versão cinematográfica mais fiel ao texto literário de Emily Brontë que assisti (e foram três) foi aquela de 1992.

O Morro dos Ventos Uivantes
Direção: Peter Kosminsky
Atores: Juliette Binoche, Ralph Fiennes, Janet McTeer, Sophie Ward, Simon Sheperd

Filmes em que Ralph Fiennes atuou:
2010 - Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1)
2010 - Nanny McPhee e as Lições Mágicas (Nanny McPhee and the Big Bang )
2010 - Coriolanus
2010 - Fúria de Titãs (Clash of the Titans)
2009 - Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the alf-Blood Prince)
2009 - Guerra ao Terror (The Hurt Locker)
2008 - O Leitor (The Reader)
2008 - Na Mira do Chefe (In Bruges)
2008 - A Duquesa (The Duchess)
2007 - Harry Potter e a Ordem da Fênix (Harry Potter and the Order of the Phoenix)
2007 - Bernard and Doris
2006 - Terra de Ninguém (Land of the Blind)
2005 - A Condessa Branca (The White Countess)
2005 - Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire)
2005 - Wallace & Gromit - A Batalha dos Vegetais (The Curse of the Were-Rabbit)
2005 - O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener)
2005 - Chromophobia
2005 - Más Companhias (The Chumscrubber)
2003 - Lance de Sorte (The Good Thief)
2002 - Spider - Desafie Sua Mente (Spider)
2002 - Encontro de Amor (Maid in Manhattan)
2002 - Dragão Vermelho (Red Dragon)
2000 - O senhor dos milagres (Miracle maker, The) (TV)
2000 - Sunshine - O despertar de um século (Sunshine)
1999 - Fim de Caso (End of the Affair)
1999 - Paixão Proibida (Onegin)
1998 - O Príncipe do Egito (The Prince of Egypt)
1998 - Os Vingadores (The Avengers)
1997 - Oscar e Lucinda (Oscar and Lucinda)
1996 - O Paciente Inglês (The English Patient)
1995 - Estranhos Prazeres (Strange Days)
1994 - Quiz Show - A Verdade dos Bastidores (Quiz Show)
1993 - A Lista de Schindler (The Schindler's List)
1993 - O Bebê Santo de Macon (The Baby of Mâcon)
1993 - Cormorant, The (TV)
1992 - O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights)
1990 - Um Homem Perigoso (Lawrence After Arabia)
1990 - O Suspeito (Prime Suspect) (TV)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Mulheres chinesas nas fábricas

O olhar feminino sobre a vida operária na China

Livro 'As Garotas da Fábrica'  investiga como as indústrias mudaram a rotina das jovens no país
09 de julho de 2010
Estadão

Uma sátira a um anúncio da Nike que corre na internet mostra uma menininha chinesa de laço no cabelo costurando um tênis. Acima, o slogan da marca: "Just do it" (apenas faça isso). A ilustração alude às denúncias feitas nas últimas décadas contra grandes empresas americanas, acusadas de contratar mão de obra escrava e infantil em países asiáticos. Por curiosidade, a maior fabricante de tênis da Nike, a empresa Yue Yuen, foi a única que aceitou abrir as portas para a jornalista Leslie T. Chang quando ela iniciou as pesquisas para o livro As Garotas da Fábrica (2008), que sai agora aqui pela Intrínseca.


Nos anos 90, operários chineses trabalhavam até mais de 24 horas seguidas e tinham só uma folga por mês. Depois que ativistas dos direitos humanos protestaram contra as condições nas fábricas, as marcas americanas passaram a pressionar fornecedores a melhorá-las. Não chega a ser o paraíso na Terra - a jornada hoje é de 11 horas, com folgas aos domingos, e operários dividem dormitórios com uma dezena de colegas -, mas, na cidade industrial de Dongguan, ao sul do país, muitos consideram Yue Yuen um bom lugar para trabalhar.


Leslie Chang, americana que trabalhou de 1998 a 2005 como correspondente do Wall Street Journal na terra de seus pais, quis contar essa história por um ângulo que os jornais não abordam, o de como a industrialização transformou a trajetória de mulheres que saem das aldeias em busca de projeção na vida. Escolheu a metrópole de Dongguan, que tem algo em torno de 9 milhões de habitantes e cuja origem é indissociável das centenas de fábricas que compõem seu cenário, e ali acompanhou operárias por quatro anos, tempo em que as viu prosperarem, abrirem negócios, fecharem negócios, casarem. Veja a seguir os principais trechos da entrevista que Leslie deu por telefone ao Estado, de Colorado (EUA), onde vive com o marido.

Pelo que você conta no livro, a vida nas fábricas chinesas é melhor hoje do que quando surgiram as primeiras denúncias sobre as condições de trabalho...
Sim. De forma gradual, os pagamentos e as condições vêm melhorando. Se você olha para dez anos atrás, com certeza era tudo pior. Mas acho que, desde o início, as pessoas tiveram uma concepção errada dos trabalhadores migrantes, imaginando-os como escravos, todos oprimidos. Quis fazer o livro para mostrar um retrato mais completo e complexo desse cenário, para saber como essas pessoas veem suas próprias vidas. E não sinto que se vejam como vítimas.


E quanto a casos de fábricas que escravizam trabalhadores?
Bem, há algumas coisas sobre isso. Em primeiro lugar, o jornalismo - e eu fui jornalista por um bom tempo - tende a focar em casos de abuso ou injustiça. Então, o retrato que emerge dos trabalhadores não é o espelho de como é a vida da grande maioria deles. Fui atrás não das manchetes, mas do cotidiano. Outra coisa é que, quando você diz que um trabalhador ganha US$ 100 por mês, isso parece muito pouco, algo quase escravizante. Mas, quando vê o custo de vida dos trabalhadores, percebe que US$ 100 dá para muita coisa. Eles podem fazer todas as refeições pelo mês inteiro por US$ 3 ou US$ 4 e mandar de US$ 60 a US$ 80 para casa todo mês, o que é mais do que os pais deles ganham num ano inteiro. A quantidade de dinheiro que para nós parece pouco para eles é a diferença entre estar na pobreza ou fazer parte da classe média. Um dos pontos do livro é comparar a vida das mulheres com a que levavam nas aldeias de onde saíram. Trabalhar na fábrica não é viver no paraíso, mas é o que elas querem.


É curioso que as mulheres sejam quem mais tem a ganhar com as fábricas, sendo mais contratadas que os homens, por causarem menos problemas.
Antes de começar a escrever, tive contato com a parte rural do país. Aquilo sim é opressivo para jovens mulheres. Não há oportunidades, é uma cultura muito tradicional, sexista. Imaginava que viver na cidade poderia ser positivo para meninas de 18 anos, mas não sabia até que ponto até conversar com elas e ouvir suas histórias. Conheci migrantes mais antigas, que foram para Dongguan no início dos anos 90, e em 10 ou 15 anos elas mudaram para uma classe mais alta. Têm cargos mais altos dentro das fábricas, compraram apartamentos e carros, casaram-se, tiveram filhos. Se você vê só casos isolados, como fazem os jornais, não nota isso.

Sua descrição de Dongguan é a de uma cidade opressiva. Vendo imagens no Google, nem parece tão mal assim...
(Risos) Sim, sim. Quando comecei a escrever sobre a cidade, eu a achava opressiva, difícil, áspera. Ficava cansada só de estar lá. À medida que fui conhecendo as garotas e passando tempo com elas, Dongguan começou a ganhar vida para mim. Comecei a vê-la pelos olhos delas, com os restaurantes e parques que elas frequentavam, e aquilo se tornou um lugar mais humano.

Em que ponto decidiu incluir a história de seus antepassados, também migrantes, no livro?
Nasci e cresci nos EUA, e nunca tinha investigado nada sobre meus antepassados. Quando comecei a pesquisa, pedi licença no jornal e consegui tempo para visitar a aldeia da minha família, onde conheci parentes. Comecei a comparar as vidas deles com as das novas migrantes, e vi na história de meus avós e bisavós paralelos interessantes com as dessas garotas, no sentido de deixar tudo para trás em busca de uma vida melhor.

Alguma autoridade ou fábrica dificultou suas pesquisas?
Não muito. Queria escrever um capítulo sobre a vida dentro da fábrica, então entrei em contato com várias delas, e só Yue Yuen liberou e me deu acesso total a suas instalações. Acabei não tentando entrar em outras. O que acontecia com frequência era ouvir de garotas o pedido de que não as acompanhasse, para não lhes causar problemas.

Nesses dez anos em que viveu na China, o boom econômico foi muito perceptível?
Muito. Você vai a um restaurante e, quando volta, meses depois, toda a vizinhança foi derrubada para a construção de prédios. As cidades mudam mês a mês, e também a vida das pessoas. Em 1998, o governo anunciou um programa para incentivar a compra de apartamentos. Na época, meus amigos jornalistas e eu achávamos que isso não ocorreria, mas cinco anos depois todos tinham seus apartamentos. A mesma coisa com carros. A impressão que tenho é que eles estão se tornando modernos na economia, mas preservam ideias tradicionais. Mesmo as garotas das fábricas. Elas são livres, vivem com namorados, mas, ao mesmo tempo, querem casar cedo e ter filhos. E acham que têm que dar dinheiro aos pais porque devem a eles a educação recebida.

Mas há a questão da corrupção em todos os níveis, de que você trata no livro.
Acho que o mais difícil para os migrantes é viver nessa sociedade corrupta não só politicamente, mas também no nível pessoal, na qual todo mundo mente o tempo todo. Saí de Dongguan com a impressão de que essa é a pior coisa para a sociedade chinesa e o sistema político. Os maiores problemas não têm a ver com condições fabris, mas com a falta de saúde moral.

TRECHO
"Quando se encontrava uma garota de fábrica,...
...a primeira coisa era saber as referências.
De que ano você é?, perguntava uma à outra, como se não estivesse falando de um ser humano, mas de fabricação de carros. Quanto por mês? Incluindo quarto e refeições? Quanto pelas horas extras? Podia então perguntar de que província era. Mas nunca perguntava o nome.
Ter uma amiga de verdade dentro da fábrica não era fácil. Dormiam 12 garotas em um quarto, e naquele ambiente claustrofóbico do dormitório era melhor guardar segredo.

Algumas entravam para a fábrica com carteiras de identidade emprestadas e nunca diziam a ninguém os verdadeiros nomes. Outras só conversavam com colegas de sua província de origem, mas isso tinha lá seus riscos: o disse me disse percorria célere o caminho da fábrica até a aldeia, e, quando elas voltavam para casa, as tias e as avós sabiam quanto tinham ganhado, quanto tinham economizado e se saíam com rapazes."


LESLIE T. CHANG é filha de chineses que migraram para os Estados Unidos. Formou-se em história e literatura americana pela Universidade de Harvard. Mudou-se para a China, em 1998, para trabalhar como correspondente do Wall Street Journal em Peguim, função que ocupou até 2005. De 2004 a 2007, fez as pesquisas para As Garotas da Fábrica (2008), seu primeiro livro. Vive hoje nos EUA. 

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Gosto muuuito de livros!!!


Guia turístico

Paul Theroux considera um desperdício omitir momentos de "desespero, medo e luxúria" em livros de viagens. Significa que no lugar do "óbvio", o autor de O grande bazar ferroviário (1975) inova os guias de viagens, transmitindo aos leitores detalhes do mundo bem mais interessantes do que aquilo que os cartões-postais já mostram.

Em 1988, Theroux atravessa a China na precária ferrovia "Galo de Ferro" com um inconveniente acompanhante governamental. Em uma estação ferroviária de Paris, o autor embarca no Expresso do Oriente, cuja rota vai até Istambul; depois passa uma gélida noite de Natal no Expresso Transiberiano. Pelas janelas de outro trem conhece um Vietnã ainda em guerra onde crianças brincam sem o olhar protetor de adultos, porque nenhum sobreviveu. Daí nasce a obra Até o fim do mundo.

Leia a crítica de outra obra sua: O velho expresso da Patagônia.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Literatura policial sueca

Sugestões da revista Época:




domingo, 22 de agosto de 2010

Sr. Heathcliff



O Morro dos Ventos Uivantes, escrito por Emily Brontë, publicado em 1847 sob o pseudônimo de Ellis Bell, é a história inesquecível de um amor que nasceu na infância entre Catherine Earnshaw e Heathcliff, órfão adotado pelo pai da jovem e levado para Wuthering Heights, a propriedade da família. Criados juntos, eles são separados pela morte do pai de Catherine e a crueldade de como Hindley Earnshaw, seu irmão, trata Heathcliff. Quando Heathcliff fica sabendo que ela vai casar com Edgar Linton, um homem rico e gentil, Heathcliff foge para fazer fortuna, ignorando o fato de que Catherine o ama, e não o futuro marido. Dois anos depois, Heathchliff retorna para vingar-se de Hindley e Edgar e do abandono que Catherine lhe infligiu.

Heathcliff, personagem de Emily Brontë é um "ser" doentio...
No trecho transcrito abaixo, Heathcliff retrata sua recém esposa Isabella, irmã de Edgar Linton.
Ela abandonou isso tudo levada por uma ilusão - respondeu o homem. - Fazia de mim um herói de romance e esperava da minha dedicação cavalheiresca uma ilimitada indulgência. Mal a posso considerar como criatura racional, tão obstinada se mostrou em me transformar num indivíduo fantástico, baseando-se em sonhos que inventava. Mas, agora, acho que afinal ela começa a me conhecer; já não vejo os sorrisos idiotas, nem as momices que a princípio me provocaram; nem aquela insensata incapacidade de compreender que eu falava a sério quando lhe dava minha opinião sobre a sua pessoa e os sentimentos por mim. Foi-lhe necessário um tremendo esforço de perspicácia para compreender que eu não a amava. Cheguei a acreditar que não haveria lição capaz de lhe ensinar isso! E assim mesmo não aprendeu direito; pois hoje de manhã me anunciou, como espantosa novidade, que eu afinal conseguira fazer com que ela me odiasse! Trabalho de Hércules, isso eu lhe juro! Se está mesmo realizado, devo receber congratulações. Posso acreditar no que afirmou, Isabella? Tem certeza de que me odeia? Se eu a deixar sozinha meio dia, não me virá receber com suspiros e carinhos? Quero crer que, pelo gosto de minha mulher, eu teria fingido ternura na sua frente, Nelly. Fere-lhe a vaidade ver a verdade posta a nu. Mas não me importo que saibam que a paixão existia de um lado só; nunca lhe menti a esse respeito. Ela não me pode acusar de haver demonstrado o mínimo sinal de afeto enganoso. A primeira coisa que me viu fazer, quando saímos de Therushcross Grange, foi enforcar-lhe a cachorrinha; e quando intercedeu por ela, as primeira palavras que ouviu de minha boca foram estas: "O meu desejo era enforcar também todos os seus, exceto uma única pessoa." Talvez cuidasse ela em aplicar a si essa exceção. Mas não havia, então, brutalidade capaz de a desgostar. Suponho que ela tem uma admiração inata pelo que é brutal, uma vez que a sua preciosa pessoa esteja a salvo. Mas não chega a ser o auge do absurdo, não é sandice legítima esta coitada, sórdida, estúpida criatura cuidar que eu a amasse? Diga a seu amo, Nelly, que nunca em minha vida encontrei coisa tão abjeta quanto a irmã dele. Desonra até o nome de Linton, par que o seu coração de magistrado e de irmão fique à vontade: mantenho-me estritamente dentro dos limites da lei. Até agora tenho evitado dar-lhe o mínimo direito de requerer um divórcio; e o que é mais, ela não pode acusar ninguém de nos separar. Se quiser ir embora, pode ir; o incômodo que me causa sua presença ultrapassa em muito o prazer que eu possa sentir em atormentá-la.
* O MORRO DOS VENTOS UIVANTES já foi adaptado mais de vinte vezes para o cinema, rádio e TV. A versão de William Wyler de 1939, estrelada por Merle Oberon como Cathy e Laurence Olivier como Heathcliff, é considerado um dos grandes clássicos do cinema até os dias de hoje, indicado para sete categorias da mais importante premiação do cinema e vencedora do prêmio por sua fotografia; as versões mais recentes são as de 1992, estrelada por Juliette Binoche e Ralph Fiennes, e uma modernização para os dias de hoje, produzida pela MTV em 2003.

Flores, mais flores!

Desta vez, presentes da Tia Erê!



sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Spacefox - VW



Com todo esse espaço não precisarei fazer o curso no SENAC - aprender a fazer malas!!!

Crônica de um mineiro

Saudade da coxa de catupiry
Humberto Werneck

Sou do tempo dos salgadinhos reconhecíveis.
Você me entende: do tempo em que, diante da bandeja, a gente não tinha dúvidas — o que ali estava era croquete, coxinha, pastelzinho, empadinha, cigarrete, canapé, barquete ou pastel português. Sem chance de equívoco. Bem diferente, admita, dos dias de hoje, em que é preciso recorrer ao garçom para decifrar enigmas culinários, alguns deles tão complexos e empetecados que você se pergunta se não seriam, em vez de comida, peças decorativas, quem sabe umas ikebanas. Sim, vivemos a era em que salgadinho demanda apresentação. Deveria vir com legenda.
Nada contra a modernização do tira-gosto. Mas me dê um tempo para me adaptar. Outro dia, num casamento, estenderam na minha direção um artefato aparentemente comestível, algo como uma coxinha esférica, acoplada a um talo branco. Era, de fato, uma minicoxinha, creio que de frango — mas e o misterioso talo branco, grosso demais para ser palito? Na roda, um comensal mais ousado se aventurou a mastigá-lo, e aí se deu conta de que, naquele casamento chique, ele tinha na boca um vulgar pedaço de cana. Coxinha com cana — onde vamos parar? E o que fazer com o bagaço? Além de legenda, certos salgadinhos modernos demandam modo de usar.
Muita coisa surgiu na vida de meus maxilares tão fatigados desde a primeira dentição. Na minha infância belo-horizontina não tinha shiitake, rúcula nem kiwi, por exemplo. Se alguém dissesse mamão papaia, daria a impressão de estar se referindo a certa modalidade sexual — tanto quanto a também inexistente quiche correria o risco de soar como interjeição: quiche Maria! Em compensação, tinha Crush, drops Dulcora, açúcar-cândi, que depois sumiram do mapa.
Como sumiu o cajuzinho. Onde foi parar o cajuzinho? Você vai me dizer que não sei onde tem uma “dona” que faz. Coisas de Belo Horizonte: em alguma parte, em geral na periferia, tem sempre uma dona que faz o docinho, o salgadinho que desapareceu das vitrines. Não duvido de que nalgum recanto da capital haja uma dona do cajuzinho. Vai ver que é a mesma do bolinho de feijão.
Este foi outro que sumiu, o bolinho de feijão. O poeta Paulo Mendes Campos contou numa crônica que certa vez trouxe do Rio uma inglesa, exclusivamente para lhe aplicar o bolinho de feijão. Mas no bar de que fora frequentador, na Guajajaras, não havia um sequer. Como o poeta insistisse, o dono pôs um moleque para correr o Centro atrás de bolinho de feijão — e o saldo da expedição foram míseras três unidades, de três procedências. O escritor não estava inteirado da revolução por que passara o universo dos salgadinhos desde que ele deixou Belo Horizonte. Eis um assunto que deveria interessar aos estudiosos.
Não é o meu caso — sou mero (e voraz) consumidor, vivendo fora de Minas faz décadas —, mas arrisco uma hipótese. Houve um momento, ali pelo fim dos anos 70, começo dos 80, em que hordas de salgadinhos modernos fizeram avassaladora entrada, expulsando os tradicionais para a periferia, reduto das donas. O quartel-general da inovação pode ter sido a Torre Eiffel, que existiu na Goitacazes com a Espírito Santo. Ou foi a também extinta Doce Docê, na subida da Afonso Pena? O fato é que a certa altura a paisagem do salgadinho passou a ser dominada pela coxa de catupiry. Lembra? Enorme, obesa! E dava trabalho a quem a abocanhava: era você cravar os dentes e o catupiry derretido pelando vazava queixo abaixo. Valia por um almoço. A versão mais requisitada era a de camarão — e camarão taludo, pois mineiro, privado de mar, vai à forra nesse quesito.
Gente, que fim levou a coxa de catupiry? Tem por aí alguma dona que faz?
Site
Humberto Werneck, mineiro de Belo Horizonte, é jornalista e escritor,

autor de O Espalhador de Passarinhos & Outras Crônicas

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Os órfãos do mal

«Na Alemanha, em 1995, são descobertos no mesmo dia quatro cadáveres com uma ampola de cianto na boca. Nus e com a mão direita cortada. Apenas uma certeza, os quatro homens nasceram todos em Lebessborn, a organização mais secreta dos nazis... uma clínica onde os nazis faziam experiências para nascerem bebés arianos. Em 2005, uma jovem jornalista francesa é contactada por uma estranha personagem e de súbito vê-se envolvida nos segredos da SS.»
Bertrand

Anaïs, jovem jornalista francesa, é contactada por um colecionador norueguês que investiga os Lebensborn, campos de procriação alemães. O que aconteceu a essas crianças? Em que homens e mulheres se tornaram? Quando quatro pessoas, sem nada em comum a não ser o terem sido criados num desses viveiros humanos, aparecem mortas a polícia tenta abafar o caso. Anaïs decide ir mais longe. Arrisca-se a penetrar num dos mais negros segredos da História, mas talvez seja tarde demais para recuar...
«Uma primeira incursão no género do thriller pelo jornalista Nicolas d'Estienne d'Orves, ele próprio jornalista, a compor uma intriga ambiciosa e apaixonante.»

Vidkun, coleccionador norueguês, recebe uma macabra encomenda: uma mala com quatro mãos mumificadas. Desconfia do que se trata, mas para poder chegar à verdade sabe que precisa da ajuda de alguém que possa investigar os Lebensborn sem levantar suspeitas. Criados em 1935 por Himmler, os Lebensborn eram campos de crianças consideradas de raça pura. Tendo surgido rumores, depois do fim da guerra, de que se tratavam no fundo de campos de procriação entre oficiais alemães e mulheres dos países ocupados consideradas “apuradas” o suficiente para serem germanizadas. Nunca provada essa teoria, é um fato que muitas mulheres, as que correspondiam aos ideais de raça nazi, foram raptadas e forçadas a permanecer nos Lebensborn...
Regressando a um dos mais negros segredos da História, o jornalista e ficcionista Nicolas d’Orves, escreve um perturbante thriller histórico. Partindo de fatos e de alguma investigação sobre o tema, cria uma sinuosa intriga de investigação, mentiras e revelações.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Bienal do Livro em São Paulo

Começou na última quinta-feira, dia 12 de agosto a 21a. Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Será que curtiria um evento assim como curto uma boa livraria/cafeteria?
Encontraria o mesmo sossego?!



terça-feira, 17 de agosto de 2010

Várias histórias ao mesmo tempo

Resolvi ler vários livros de uma vez. Assim como a gente acompanha novelas - várias -, por que não misturar as personagens de clássicos, histórias romanceadas, biografias e ficção?!

Leio (e estou adorando a tradução de Raquel de Queiroz) O Morro dos Ventos Uivantes logo após assistir à versão da MTV 2003.


Também continuo com a série Os Reis Malditos e Sete Anos no Tibet  (quem sabe Brad Pitt não me convence que a descrição cansativa de Heinrich Harrer ainda pode me emocionar mais vezes?!).
Assisti ao filme A cor púrpura (o livro li duas vezes há anos).

Também revi o filme A Duquesa e passei o domingo (4 horas) assistindo a verão cinematográfica de As Brumas de Avalon até descobrir que não tinha a versão completa (hoje capturo a 3a. e última parte pela internet).

Quando a vista se diz extremamente cansada, ouço o audiolivro d'Os Reis Malditos em espanhol...

Falta ainda um bom livro de contos...
Ítalo Calvino tá emprestado...
Mário Prata também...
Que tal um livro infanto juvenil?! kkkk

As tirinhas "Peanuts"

Os personagens
Surgiram em 1950 pelas mãos de Charles M. Schulz

Charlie Brown – o protagonista das tirinhas é um perfeito anti-herói. Sempre que ele tenta fazer alguma coisa, fracassa. Seja quando quer conversar com a garotinha ruiva ou para chutar a bola de futebol americano. É conhecido pelo bordão "que puxa!".


Snoopy – o beagle de Charlie Brown é extremamente inteligente. Apesar de não falar, de vez em quando externaliza seus pensamentos para os leitores. Se tornou o personagem mais famoso das tirinhas.


Sally – a caçula de Charlie Brown é o oposto do irmão.
Sempre alegre,
ela tem uma atitude positiva perante a vida.
Preguiçosa, está sempre tentando fazer o menor
esforço possível.
Lucy – a garota é mandona e egoísta demais. Vive tirando sarro da cara de Charlie Brown e tem uma paixão não-correspondida por Shchroeder.

Patty Pimentinha – é uma das personagens mais engraçadas das tiras. Ela não tem o mínimo de senso-comum, vive fazendo confusões e não sabe que Snoopy é um cachorro – ela se refere ao cãozinho como "aquele garoto com um nariz estranho". É apaixonada por Charlie Brown.

Marcie – é a personagem mais "nerd" das tiras.
Amiga de Patty Pimentinha, a quem chama de "senhor",
tem uma quedinha por Charlie Brown.

Schroeder – o menino é exímio pianista e
fã de Bethoven. Ele até tem uma estátua do compositor em cima de seu pianinho. Vive fugindo de Lucy.




 

Linus – o irmão mais novo de Lucy é o intelectual da história.
Está sempre filosofando sobre a vida. Não larga o cobertorzinho azul.


Chiqueirinho – o menino que está sempre sujo, nem tem um
nome de verdade. A graça é que de vez em quando ele
tenta se limpar, mas não consegue.

Woodstock – é o melhor amigo de Snoopy e o cãozinho
 é o único que consegue entendê-lo. Usa a casa de Snoopy
para dormir, jogar cartas e tudo mais que se possa imaginar.