quarta-feira, 30 de junho de 2010

Belas Artes - Quarta-feira - HOJE!




Quais dos dois filmes?
Podemos até mesmo assistir aos dois! : )
Vamos?!

Flor do Deserto - filme conta a vida da somali Waris Dirie

Mente Aberta - Época de 27/06/2010
Um pouco mais da África para vocês!

Modelo, ativista, atriz e empresária

A etíope Liya Kebede foi uma da modelos mais bem pagas do mundo em 2007 e hoje tem uma fundação que promove a saúde materna e infantil. Ela protagonizou "Flor do Deserto", sobre a também top Waris Dirie, que sofreu mutilação genital quando tinha cinco anos
LAURA LOPES

A modelo, atriz, empresária e ativista Liya Kebede é a protagonista do filme Flor do Deserto, que estreou nesta sexta (25). Ela faz o papel da somali Waris Dirie, personagem real que também foi modelo e hoje luta por uma nobre causa. Waris ficou conhecida no mundo por ter sofrido mutilação genital feminina (FGM, na sigla em inglês), violência a que 6 mil meninas são submetidas por dia no mundo. Ao ser forçada a se casar com um homem muito mais velho, fugiu de casa aos 13 anos, atravessou o deserto a pé e descalça e foi parar em Londres com a ajuda a avó. Lá, um famoso fotógrafo reconheceu naquela moça que limpava as mesas do Mc Donalds um potencial novo nome para a moda. Foi assim que ela ficou conhecida mundialmente. Depois da fama, Waris contou ao mundo o que sofrera quando criança e foi convidada pela ONU a ser embaixadora contra FGM. ÉPOCA conversou com Liya quando ela esteve no Brasil para a pré-estreia do filme para descobrir o que ela e Waris têm em comum.
ENTREVISTA - Liya Kebede
QUEM É
Liya nasceu na capital da Etiópia, Addis Ababa, em 1978. Sua grande aparição como modelo foi em 2000, quando o estilista Tom Ford ofereceu um contrato exclusivo com a Gucci. Mora em Nova York com o marido e dois filhos e tem uma fundação de promoção à saúde materno-infantil e é atriz.
CARREIRA
Estampou revistas do mundo todo e campanhas de marcas como Marc Jacobs, Gucci, Yves Saint Laurent, Balenciaga e Louis Vuitton. Foi a primeira modelo negra a ser escolhida para representar a Estée Lauder. Em 2007, foi considerada a 11º modelo mais bem paga pela Forbes. Atuou em O Bom Pastor, O Senhor das Armas e Flor do Deserto
ATIVISMO
Pela trabalho de promoção da saúde de mulheres, gestantes e crianças através da Fundação Liya Kebede, a ONU a nomeou embaixadora da Organização Mundial da Saúde em 2005


ÉPOCA – Você é modelo e, assim como Waris, nasceu em um país africano, a Etiópia. Há algo em comum entre a história de vida de vocês quando crianças?
Liya Kebede – Não muito. Não, porque eu cresci em uma cidade grande e ela cresceu no deserto, era de uma família nômade. Eu estudei e terminei a escola (Lycee Guebre Mariam, uma das melhores escolas do continente), e só depois eu me tornei modelo. Nossas semelhanças é que somos do leste da África, nos tornamos modelos e trabalhamos com a ONU. Eu cresci em uma grande cidade, não foi um grande choque quando fui para Nova York, eu já sabia o idioma (inglês). Foi diferente de Waris, que foi para Londres, não sabia o idioma, não conhecia ninguém, tornou-se sem-teto. Ela passou por tudo isso... teve o casamento, os problemas com a Imigração (departamento de imigração)... Foi uma jornada incrível!
ÉPOCA – Você é modelo, atriz, luta por causas e é africana. O que você se considera mais?
Liya – Eu acho que é uma combinação de tudo isso.
ÉPOCA – Você tem uma fundação, que tem uma causa relacionada à causa de Waris. O que significou para você fazer este filme?
Liya – Foi uma incrível oportunidade para mim porque, em primeiro lugar, nós não conseguimos esse tipo de oportunidade sempre... é uma história incrível, uma carreira incrível. Foi um presente que me deram, por eu conseguir ser capaz de contar essa história.
ÉPOCA – E você se tornou amiga de Waris?
Liya – Sim, depois do filme.
ÉPOCA – A produção exibiu o filme em um pequeno vilarejo africano. Como foi essa experiência? Como as pessoas reagiram?
Liya – Foi no vilarejo em que o filme foi gravado e Peter (Herrmann), o produtor, quis exibir lá. Eles trataram a gente com carinho durante as filmagens e, ao mesmo tempo, sofrem de grandes problemas. Nós trabalhamos com mulheres que foram circuncidadas... Era importante para nós ter certeza de que o vídeo fosse visto na África e que ele não fosse esquecido. Da mesma maneira que queríamos que eles assistissem, também queríamos mudar algumas pessoas.
ÉPOCA – E o que eles disseram sobre a mutilação feminina?
Liya – Foi interessante porque alguns ficaram com raiva... O filme mostra uma mulher que, quando era menina e foi circuncidada, e gritou muito... No fim das contas, a discussão sobre isso é importante. Foi impressionante mostrar o filme lá porque as pessoas viram como acontece, e não tem como ficar feliz com o que acontece. É difícil ver uma menininha ser submetida à circuncisão. E não é so a dor, mas também os danos psicológicos. Só por verem isso eu já acho interessante. Eu espero que isso crie alguma coisa.
Liya já representou as maiores marcas da moda, como Gucci, Yves Saint Laurent, Balenciaga, Givenchy, Oscar de la Renta, Dolce & Gabbana e Louis Vuitton.
ÉPOCA – E eles mudaram de posição em relação à circuncisão?
Liya – Eu não sei, é difícil dizer. Acho que não vai acontecer tão rápido. Nós tivemos uma boa conversa e ótimo apoio das autoridades. Então esperamos que sim, e o filme vai mostrar para o mundo todo. Em Addis Ababa, de onde vim, nós passamos o filme e fizemos uma discussão depois da exibição sobre a condição dessas mulheres. Eu acho que é bom porque a discussão não vai parar.
ÉPOCA – A sua fundação luta pela preservação da saúde de mulheres, grávidas e recém-nascidos. Você passará a lutar pelas duas causas?
Liya – Eu acho que é natural lutar pelas duas. Uma mulher circuncisada tem complicações em sua vida e na hora do parto. E se nós ajudamos o bebê, ajudamos a criança. E qualquer coisa que os ajude, qualquer coisa que os promova irá ajudar os dois lados: educação, construir clínicas e hospitais... Tudo isso sempre ajuda a condição das mulheres. Eu acho que é a mesma (luta).
ÉPOCA – Você quer seguir carreira de atriz? Tem mais projetos?
Liya – Eu pretendo continuar atuando. Estou trabalhando em um filme, mas não vou dizer nada sobre ele ainda.
ÉPOCA – Você tem uma marca de roupas, Lemlem.
Liya – Sim, este cachecol que estou vestindo é de lá.
ÉPOCA – Você reverte o dinheiro da marca para a fundação?
Liya – Não, a marca é uma forma de dar assistência. Em vez de fazer doações, eu dou um emprego para as pessoas e, assim, elas ajudam suas famílias e mandam suas crianças para a escola.
ÉPOCA – E a produção é feita na Etiópia?
Liya – Sim, eles são todos artesãos que trabalham em tear. É realmente maravilhoso. As roupas tradicionais da Etiópia são feitas assim, mas como há uma ocidentalização em tudo, eles não vendem mais, então perdem seus empregos. A marca é uma maneira de empregá-los, de eles fazer algo novo, de se desenvolverem. É bem empolgante. Na Etiópia, tecer é um trabalho para os homens. Às vezes as mulheres desfiam o algodão com as mãos, os homens tecem e as mulheres costuram. São cerca de 60 funcionários. Quanto mais nós crescemos, mais as pessoas ganham, porque é tudo artesanal.

Rainha Vitória e a nascente do rio Nilo

Aquela que deu nome a um dos Grandes Lagos Africanos - o Lago Vitória ou Victoria Nyanza (em língua suahili) - e, por tradição, consegue manter esse lago como nascente do segundo rio mais extenso do planeta - o Nilo - apesar de não o ser, merece ser objeto de meus estudos, de meus devaneios literários.

O lago foi descoberto pelos europeus em 1858 quando o explorador britânico John Hanning Speke chegou à sua orla meridional com Richard Francis Burton para achar a fonte do Nilo - o novo graal da descoberta internacional - por razões estratégicas da administração colonial britânica. Acreditando que tinha achado a fonte do Nilo ao ver esta expansão de água pela primeira vez, Speke nomeou o lago homenageando a então rainha do Reino Unido, a Rainha Vitória (24/5/1819-22/1/1901). Burton que estava se recuperando de uma enfermidade na ocasião e tinha descansado mais adiante, ao sul, nas orlas de Lago Tanganica, ficou enfurecido com a audácia de Speke de reivindicar somente para ele a descoberta.
O conhecido explorador e missionário britânico David Livingstone falhou na tentativa de verificar a descoberta de Speke, indo muito a oeste. Outra tentativa foi feita pelo explorador americano Henry Morton Stanley que confirmou a verdade da descoberta de Speke circum-navegando o lago e relatando a descoberta da Catarata de Rippon na costa norte.

Speke, Burton, Livingstone e Stanley são os protagonistas do livro No Coração da África - as aventuras épicas de Livingstone & Stanley mencionado no post 

Só agora compreendo o porquê minha amiga Gogóia lia 7 livros ao mesmo tempo... Um complementa outro, há diversificação de pontos de vista; entretenimento e conhecimento, tudo junto!
Afinal, não existem pessoas que acompanham duas ou três novelas ao mesmo tempo?
É possível ir ao teatro, cinema na mesma semana e ainda ter um livro na cabeceira...
Por que não?

Sendo assim, indico o filme A JOVEM RAINHA VITÓRIA vencedor do Oscar de figurino em 2010.
Em função da morte prematura de suas duas primas e posteriormente com o falecimento de seu tio Guilherme IV, até então rei da Inglaterra, a jovem Alexandrina Vitória Regina assumiu, aos 18 anos de idade, o trono britânico.
Durante seus quase 64 anos de reinado, sob a febre expansionista européia, ampliou seus horizontes em todos os continentes, da África à Oceania.
Participou da Guerra dos Bôeres (1899-1902), no sul da África, da Revolta dos Sipaios (1857-1858), na Ásia, e da Guerra do Ópio (1840-1842), na China. Internamente, superou a depressão econômica dos governos de Jorge III e Guilherme IV e fez o país alcançar grande desenvolvimento industrial, elevando a Inglaterra ao posto de maior império do mundo.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Aves de Rapina - Wilbur Smith


Oceano Índico, 1667, em alguma latitude próxima ao cabo de Boa Esperança. Sir Francis Courtney e o filho Hal estão a bordo da caravela Lady Edwina à espera dos galeões holandeses recheados de ouro em regresso do Oriente. Assim começa a grande aventura em busca de tesouros e especiarias, recriada em detalhes por Wilbur Smith, sinônimo de romances históricos.


No litoral africano, precisamente na cidade do Cabo, o cenário é desolador. Um lugar que se resume a algumas fortificações, com ruas imundas e população miserável, administrada a ferro e fogo pelo terrível governador Petrus van de Velden.

No mar, embarcações holandesas enfrentam os ingleses, em uma guerra cruel, na qual sangue e ouro se misturam. Marinheiros são trucidados a golpes de espada e reduzidos a pó sob tiros de canhão.

Em sua embarcação, Sir Francis treina Hal para sucedê-lo como capitão. De forma dramática, acompanhamos a transição forçada do rapaz para a idade adulta, quando é obrigado a assistir a seu pai ser torturado e morto pelas mãos dos holandeses. Entretanto, após uma sangrenta batalha, Hal deve seguir atrás do tesouro escondido pelo pai, ao mesmo tempo que parte no encalço do capitão que traiu Sir Francis.

Aves de Rapina é o resultado de uma pesquisa meticulosa de elementos da época, formando um rico mosaico de paisagens marítimas e batalhas históricas, em ritmo equilibrado de tensão e drama. Uma verdadeira obra-prima de Wilbur Smith, que confirma o autor como um dos maiores nomes do romance histórico.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Fifa Fan Fest - 2010

Sucesso total de organização, de público, de alegria!
E solidariedade!
O FIFA Fan Fest surgiu em 2002, durante a Copa da Coréia do Sul e do Japão. Na época, ele era apenas um evento de apoio, criado para animar os torcedores que não conseguiram lugar nos estádios.

O projeto foi ampliado na Copa da Alemanha e mais de 18 milhões de pessoas se reuniram diante de telões instalados em doze cidades do país para acompanhar os jogos.
A festa agradou tanto que a FIFA decidiu transformar o Fan Fest em um evento mundial. Em 2010, além das nove cidades do país-sede da Copa (Cidade do Cabo, Durban, Mangaung/Bloemfontein, Johannesburgo, Nelson Mandela Bay/Port Elizabeth, Nelspruit, Polokwane, Rustemburgo e Tshwane/Pretória), seis metrópoles mundiais receberam a festa. São elas: o Rio de Janeiro, Roma, Paris, Berlim, Sydney e Cidade do México.

Rio de Janeiro dentre as seis metrópoles mundiais...
E desde o dia 24 de junho, a arena do Fifa Fan Fest, na praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, recebe doações para os desabrigados da chuva nos Estados de Alagoas e Pernambuco. São aceitas doações de alimentos não-perecíveis, cobertores e água, que são entregues em uma tenda montada perto da entrada do evento, na altura da rua Duvivier.


• Um telão de 120 metros quadrados em alta definição exibirá os jogos
• Bares, restaurantes e lanchonetes
• Uma tirolesa com extensão de 90 metros, sustentada por duas garrafas da Coca-Cola com dez metros de altura
• Um painel interativo para o público simular a comemoração de um gol. Nele, são exibidas imagens de jogadores comemorando, mas os rostos são dos consumidores que enviarem fotos por SMS.
• Promotores percorrem o evento com equipamentos com os quais os torcedores podem produzir fotos e transmiti-las em molduras temáticas de Copa do Mundo para amigos, por e-mail.
• Uma tenda com um telão em 3D, para a exibição dos melhores momentos dos jogos e de uma série de conteúdos da Sony.
• Loja Global Brands, que comercializa produtos licenciados pela Fifa.
• O Itaú distribui brindes ao público
• Nos dias dos jogos do Brasil, o público conta com um telão extra de 50m², voltado para o lado de fora da arena.

Relato para niños escrito y narrado por Saramago



A flor mais grande do mundo


A Maior Flor do Mundo, 2001
Ilustração de João Caetano
Editora Caminho

Perguntava José Saramago: “E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?”

domingo, 27 de junho de 2010

Italo Calvino - iniciar uma leitura sem fim

Você vai começar a ler o novo romance de Italo Calvino, Se um viajante numa noite de inverno. Relaxe. Concentre-se. Afaste todos os outros pensamentos. Deixe que o mundo a sua volta se dissolva no indefinido. É melhor fechar a porta; do outro lado há sempre um televisor ligado. Diga logo aos outros: "não, não quero ver televisão!". Se não ouvirem, levante a voz: "Estou lendo! Não quero ser perturbado!".  Com todo aquele barulho, talvez ainda não o tenham ouvido; fale mais alto, grite: "Estou começando a ler o novo romance de Italo Calvino!". Se preferir, não diga nada; tomara que o deixem em paz.
Escolha a posição mais cômoda: sentado, estendido, encolhido, deitado. Deitado de costas, de lado, de bruços, Numa poltrona, num sofá, numa cadeira de balanço, numa espreguiçadeira, num pufe. Numa rede, se tiver uma. Na cama, naturalmente, ou até debaixo das cobertas. Pode também ficar de cabeça para baixo, em posição de ioga. Com o livro virado, é claro.
Com certeza, não é fácil encontrar a posição ideal para ler. Outrora, lia-se em pé, diante de um atril. Era hábito permanecer em pé, parado. Descansava-se assim, quando se estava exausto de andar a cavalo. Ninguém jamais pensou em ler a cavalo; agora, contudo, a idéia de ler na sela, com o livro apoiado na crina do animal, talvez preso às orelhas dele por um arreio especial, parece atraente a você. Com os pés nos estribos, deve-se ficar bastante confortável para ler; manter os pés levantados é condição fundamental para desfrutar a leitura.
[...]

Nesse romance, Calvino consegue uma proeza notável: unir o prazer voraz da leitura às tortuosas questões da vanguarda literária. No centro de sua preocupação está um tema que os teóricos chamam de "crise da representação", ou seja, no mundo capitalista contemporâneo, dividido, múltiplo, alienado, não teriam mais lugar os romances tradicionais, com princípio, meio e fim, que constroem personagens e organizam o mundo, dando um sentido às coisas. O leitor de hoje estaria condenado ou à leitura espinhosa de obras que se debruçam sobre si mesmas e procuram desesperadamente uma saída para a literatura, ou à superficialidade descartável das obras de simples entretenimento. Calvino "socorre" esse leitor que é inquieto e exigente mas que gostaria que os autores escrevessem livros "como uma macieira faz maçãs". Para isso, faz do próprio leitor seu personagem principal, cuja grande missão é ler romances. E tal como você, leitor(a), ele entra numa livraria e compra este livro: Se um viajante numa noite de inverno. É aí que começa a história.

Prêmio Jabuti 1993 de Melhor Produção Editorial de Obra em Coleção
Fonte

A ideia apresentada por Calvino é original. Com estilos literários diferentes ao longo do livro, ele consegue mostrar seu talento e domínio na arte de escrever criando cenários e personagens em histórias que ora não têm começo, meio ou fim...
Simplesmente prende o leitor que busca entretenimento numa boa leitura.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Arte dos quadrinhos

Fondue nos tempos dos romanos

 

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Você não pedala mais?

Esta pergunta me desestruturou hoje...
Por mais que eu tente explicar o por quê, nem eu mesma sei... aí gaguejo...
Como se eu realmente tivesse de explicar...


Ainda vou "virar essa página" e aprender, de vez! que só a mim interessa o que faço para estar bem comigo mesma!
Se pedalando, se escrevendo, se trabalhando, se estudando...
Ou fazendo NAAADA!!
Ou fazendo tudo de uma só vez - tudo 'mais ou menos', rs
Yeeees!

Filme nacional CORAÇÕES SUJOS



Vicente contou com uma equipe de peso para rodar “Corações Sujos”. Os diálogos em japonês foram adaptados por Yuki Ishimaru, responsável pelos diálogos de “Cartas de Iwo Jima”, de Clint Eastwood. A produção do elenco nipônico ficou a cargo de Yutaka Tachibana, que também trabalhou no longa de Eastwood. O casting é liderado por japoneses e o filme será 70% falado neste idioma. Para se comunicar com o elenco, Amorim teve a ajuda da tradutora Nilva Kurotsu.
O protagonista é Takahashi (Tsuyoshi Ihara), fotógrafo imigrante casado com Miyuki (Takako Tokiwa), professora primária que narra o filme. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, ele se junta a um grupo dedicado a pregar a vitória japonesa e aos poucos se transforma no principal matador deste movimento. Com o passar do tempo, ele se arrepende, mas já é tarde demais para reconquistar o amor de Miyuki que, apesar de apaixonada, larga o marido por não reconhecê-lo mais.
Nesta entrevista, Vicente Amorim conta o que o atraiu nesta história, revela como foi o processo de adaptação do roteiro e a busca pela escalação do elenco e diz como se comunicava com os atores.


Você lembra quando leu Corações Sujos? O que te inspirou a torná-lo um filme?
Tinha o livro em casa, comprei logo depois do lançamento. Quando terminei “Caminho das Nuvens”, estava pensando qual seria meu próximo trabalho. Queria que o filme tivesse a ver com identidade e adequação. Peguei o livro para ler e percebi que a história tratava de todos os assuntos que eu queria abordar. O livro fala sobre intolerância, fundamentalismo, racismo e todos esses assuntos caem nos temas principais, que são identidade e adequação. Queria contar uma história de amor como thriller e foi isso que mais me atraiu. São temas relevantes ontem e hoje.


Como foi o processo de adaptação?
Longo. O livro é ótimo, muito bem escrito, mas não é um romance e não é centrado em um personagem. Precisei achar o recorte correto para transformá-lo em um thriller de amor e destacar os personagens principais. Eu e David França Mendes, responsável pelo roteiro, ficamos dois anos pesquisando sobre a guerra. Conversamos com alguns japoneses que estiveram presentes e com muitos descendentes. No meio deste processo precisei deixar o projeto de lado durante três anos para dirigir “Um Homem Bom” e retomei em 2007, quando o David me apresentou um roteiro pronto, sólido, que falava tudo o que eu queria discutir. Depois, mais quatro anos se passaram até o término das filmagens. A gente teve uma preocupação muito grande com esse filme porque trata-se de um tema muito delicado. Nós temos o maior respeito pela colônia japonesa que vive no Brasil.


Como foi a escolha do elenco japonês e brasileiro?
A escolha do casting foi muito trabalhosa porque precisava de um elenco excelente que falasse japonês perfeitamente. Procurei aqui no Brasil e achei ótimos atores, mas chegamos à conclusão que precisava de atores que viessem do Japão. Yutaka Tachibana, que também trabalhou em “Cartas de Iwo Jima”, foi o responsável por escolher um elenco de estrelas japonesas. Apesar de serem super famosos no país deles, os atores toparam fazer testes para o filme. Precisava ver se eles se adequariam aos personagens. O elenco nissei foi encontrado em diversas colônias japonesas em São Paulo. Alguns deles nem são atores profissionais, mas são pessoas que gostam de atuar. Temos também um elenco brasileiro, do qual fazem parte Eduardo Moscovis e André Frateschi, que fazem os papéis centrais.


Como foi feita a comunicação entre os atores e a produção do filme?
Parece mais complicado do que realmente foi. Quase todos os atores falavam um inglês rudimentar. O que tornou o processo mais simples foi o período de ensaios, que durou 28 dias. Durante esse tempo, discutimos tudo com a ajuda de um intérprete, então no set foi muito mais fácil. Para a minha avaliação sobre a atuação deles, eu não precisava necessariamente saber japonês porque a emoção é universal. É um idioma muito difícil de aprender, mas os diálogos do filme eu sabia. Quando algum ator errava o texto, eu percebia.


O que mantém a contemporaneidade de um filme que se passa no fim da Segunda Guerra Mundial?
O primeiro fator que faz com que qualquer filme seja contemporâneo é a identificação do público com os personagens e a trajetória deles. A segunda questão é a importância de temas como racismo, manipulação da verdade e intolerância, que são assuntos tratados por trás da história principal. Essas questões nunca estiveram tão atuais.


Apesar de contar uma história japonesa, o filme é feito por brasileiros. Como deixá-lo com o nosso jeito?
Conversei com muitos japoneses e nisseis e todos eles disseram que essa história só podia ser contada por uma pessoa que não fosse do Japão, tinha que ter o olhar brasileiro. O livro também foi escrito por um brasileiro. Sou fã do cinema japonês e admiro muito a cultura deles, mas tive uma preocupação grande em não deixar o filme com essa cara. Sem contar os atores, ninguém da equipe é japonês ou descendente. Para contar essa história, era preciso ter certo distanciamento dos fatos.


O fato de ser narrado por uma mulher dá uma condução mais romântica e comovente ao filme?
O principal viés da forma como a história é contada é o da emoção e da observação. A mulher japonesa estava afastada de tudo o que estava acontecendo, mas ao mesmo tempo observava tudo. Essa é uma vantagem para o filme. E como se trata de uma história de amor, a mulher tem o dom de dar um ar mais comovente.


Que locações foram utilizadas no filme?
O filme foi 100% filmado em Paulínia. A guerra aconteceu nas cidades de Bastos, Oswaldo Cruz e Tupã, mas elas evoluíram muito, não têm nada a ver com o que eram. Criamos do zero um set com uma atmosfera de interior, com ruas de terra, casas de madeira, um clima de isolamento.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Dentes superiores antes do inferiores

Encontrei algo sobre o que a mulher que conheci (da Cruz Vermelha, lembra?) contou:
[...]
No sul da Etiópia, muitas tribos acreditam que é mau agouro uma criança nascer deformada, seus dentes superiores eclodirem antes dos inferiores ou nascer fora do casamento. Elas devem ser  sacrificadas antes que o mingi se espalhe.


Explicarei tudinho, em breve... como essa mulher salvou algumas crianças escondendo os dentes superiores antes que se pudesse visualizar os inferiores...
Claudia

Crenças matam crianças na África

Hoje conheci uma pessoa que viveu anos na África trabalhando na Cruz Vermelha. Foram poucos minutos para conseguir "arrancar" dela experiências vividas - inéditas para nós, com certeza...

Ela me contou algo mais ou menos (*) sobre o que diz a seguir (extraído do site):  * não deu para filtrar tudo e consultar outras fontes por falta de tempo.... prometo retomar esse assunto... e contar sobre o nascimento dos dentes...

Muitas crianças continuam a ser abandonadas e a morrer por nascer de um modo diferente do que é tradicional. Várias organizações trabalham para poupar as crianças a este destino e dar-lhes um futuro.

A menos que um bebé nasça com a cabeça primeiro e a face virada para cima, muitas comunidades no norte do Benin acreditam que esta criança é uma bruxa ou um feiticeiro. A tradição manda que esta criança seja morta, as vezes esmagando a sua cabeça contra uma árvore.
Aos olhos dos povos Baatonou, Boko e Peul, uma criança cujo nascimento ou desenvolvimento inicial se desvie das normas aceites está amaldiçoada e tem que ser destruída. Se os pais tiverem compaixão limitam-se a abandonar a criança no bosque, onde acaba por morrer ou é recolhida por uma alma caridosa.
“Os agricultores que vão para os seus campos ou as mulheres a caminho do mercado recolhem bebés abandonados e trazem-nos até nós”, disse Alexis Agbo, do Centro de Recepção e Protecção da Criança (CRPC).
Mas se os pais de um bebé “mal nascido” obedecem à tradição entregam-no a uma pessoa designada que vai, seguindo a tradição, matar a criança.
Não é preciso muito para que um recém-nascido seja condenado à morte. Basta que não nasça de cabeça, ou que a cara esteja virada para o chão. Se a mãe morre durante o parto, não nasce o primeiro dente antes dos oito meses, ou nasce, mas no maxilar superior, é igualmente condenado.
“É um acto horrível que derrama o sangue de recém-nascidos em nome da tradição”, disse Boni Goura, uma antropóloga social e membro do grupo étnico Baatonou, que juntou activistas dos direitos das crianças numa tentativa de abolir o infanticídio no norte do país.
Patrick Sabi Sica, padre católico, também do grupo étnico Baatonou, está também na primeira fila da luta contra o infanticídio. Criou um grupo de apoio chamado Esperança Luta contra o Infanticídio em Benin (ELIB). Este faz campanha para abolir a prática de dar morte aos bebés que nascem de modo menos convencional, ajudando a cuidar as crianças que são abandonadas.
ELIB actualmente cuida de 30 crianças abandonadas pelos pais, e já organizou a adopção de outras tantas. Patrick acredita que facilitar cuidados médicos apropriados às mulheres que dão à luz é parte da solução.
Dá o exemplo da construção de uma clínica maternal na aldeia vizinha há já dois anos. Mais de 300 crianças, que nasceram num modo considerado diferente, foram poupadas. A sua integração não é fácil e a melhor solução aprece ser a adopção.
Sílvio Cabecinhas

Girassol


Nossos olhos são seletivos, nós "focalizamos" o que queremos ver e deixamos de ver o restante. Escolha focalizar o lado melhor, mais bonito, mais vibrante das coisas, assim como um girassol escolhe sempre estar virado para o sol!
Você já reparou como é fácil ficar baixo astral?
"Estou de baixo astral porque está chovendo, porque tenho uma conta para pagar, porque não tenho exatamente o dinheiro ou aparência que eu gostaria de ter, porque ainda não fui valorizado, porque ainda não encontrei o amor da minha vida, porque a pessoa que quero não me quer, porque...
"É claro que tem hora que a gente não está bem.
Mas a nossa atitude deveria ser a de uma antena que tenta, ao máximo possível, pegar o lado bom da vida. Na natureza, nós temos uma antena que é assim. O girassol.
O girassol se volta para onde o sol estiver.
Mesmo que o sol esteja escondido atrás de uma nuvem.
Nós temos de ser mais assim, aprender a realçar o que de bom recebemos. Aprender a ampliar pequenos gestos positivos e transformá-los em grandes acontecimentos.
Temos de treinar para sermos girassol, que busca o sol, a vitalidade, a força, a beleza.
Por que só nos preparamos para as viagens, e não para a vida, que é uma viagem?
Apreciar o amor profundo que alguém em um determinado momento dirige a você.
Apreciar um sorriso luminoso de alegria de alguém que você gosta.
Apreciar uma palavra amiga, que vem soar reconfortante, reanimadora.
Apreciar a festividade, a alegria, a risada.
E quando estivéssemos voltando a ficar mal humorados, tristonhos, desanimados, revoltados, que pudéssemos nos lembrar de novo se sermos girassóis.
Selecione o melhor deste mundo, valorize tudo o que de bonito e bom que haja nele e retenha isto dentro de você.
É este o segredo de quem consegue manter um alto grau de vitalidade interna!



terça-feira, 22 de junho de 2010

Branco e jovem na África do Sul

Além da culpa pelos crimes de seus pais, a nova geração de sul-africanos de origem europeia se vê diante de uma nova ameaça – a pobreza

André Fontenelle, de Johannesburgo
 
O dia 16 de junho é feriado nacional na África do Sul – o Dia da Juventude, em memória de um menino de 12 anos morto pela polícia do apartheid. Foi em 16 de junho de 1976 que o township de Soweto se levantou contra o ensino obrigatório do africânder, a língua dos brancos. A imagem do menino Hector Pieterson, baleado, nos braços de um colega, despertou a opinião pública mundial para as atrocidades do regime segregacionista. A foto decora o memorial a Pieterson, no local onde ele tombou. Todos os anos, nesse dia, uma cerimônia pública é realizada ali em sua homenagem.

Na quarta-feira, no mesmo instante em que milhares de pessoas assistiam a essa cerimônia, a 40 quilômetros dali um grupo de 50 jovens, repartidos quase meio a meio em brancos e negros, debatia o futuro da África do Sul. Membros de partidos políticos, ONGs e entidades de direitos civis, a maioria na casa dos 20 anos, eles têm pouca ou nenhuma lembrança dos tempos do apartheid – mas suas vidas continuam a ser moldadas diariamente pelo passado que não testemunharam.
“Quem entrou na escola depois de 1994 não deveria estar sujeito à ação afirmativa”, disse um jovem branco, referindo-se à política de cotas implantada depois do apartheid para reduzir a desigualdade entre brancos e negros. “Em um concurso para 50 vagas de piloto de helicóptero na polícia, havia 150 candidatos brancos. Nenhum foi aprovado”, queixou-se outro branco. “Vocês se recusam a nos devolver nossas terras porque dizem que não sabemos cultivá-las”, retrucou um negro. Um debatedor branco decidiu se exprimir em africânder, e não em inglês. “Esse comportamento de perguntar em africânder é intolerável!”, protestou um negro. “É meu direito falar em minha língua”, respondeu outro branco, tomando as dores do colega.
Basta assistir meia hora a semelhante debate para ter uma ideia do abismo que separa os sul-africanos pela cor da pele. O fim relativamente pacífico do apartheid deixou sem solução uma série de questões que caberá à nova geração resolver. Para os negros, o controle da economia continua injustamente na mão dos brancos; estes, por sua vez, se sentem cidadãos de segunda classe num país em que todas as leis parecem favorecer o antigo oprimido.
A minoria caucasiana enfrenta até um problema inédito – a pobreza. “Dos 4 milhões de brancos da África do Sul, 750 mil vivem com menos de 4 mil rands (cerca de R$ 940) por mês”, diz Tiaan Esterhuizen, de 25 anos, dirigente da Helpende Hand, organização dedicada a combater a “pobreza branca”. “Os brancos pobres estão entregues à própria sorte, porque não têm direito à ajuda do governo”, afirma Ernst Roets, advogado de 24 anos e líder do AfriForum, entidade de direitos civis que luta pelos direitos das minorias. Segundo Roets, há 70 favelas de brancos nos arredores de Pretória: “Se alguém fala que é preciso ajudar os brancos, é acusado de racismo”. A nova geração de brancos defende o fim, ou pelo menos a flexibilização, do conjunto de leis que concede aos negros a prioridade no recrutamento das empresas.
É mesmo difícil falar em pobreza branca num país onde a regra ainda é a pobreza negra. Mais de 40% dos sul-africanos vivem com menos de R$ 100 por mês. “Muitos jovens africanos (isto é, negros) ainda veem os brancos como um grupo privilegiado”, diz Leaga Lesufi, de 29 anos, dirigente do Congresso da Juventude Pan-Africanista de Azania, tradicional entidade negra. Uma das principais queixas é relativa à distribuição das terras. “Os brancos detêm quase 85% das terras”, afirma Lesufi. “Em algum momento eles terão de ceder esse controle.” Para reforçar seu argumento, Lesufi ergue a mão direita espalmada e grita: “Izwe lethu!” (“A terra é nossa!”, na tradução do zulu). Ao que os negros a sua volta respondem, como de costume: “I Afrika!” (“África!”).
São diferenças que parecem irreconciliáveis – mas a disposição dos jovens para o debate mostra que existe esperança. Na quarta-feira, John Mabaso, funcionário de uma empresa de transportes, levou a filha, Ayanda, de 3 anos, para conhecer o memorial a Hector Pieterson. “Ela vai aprender sobre isso na escola e eu prometi trazê-la”, diz Mabaso. “A África do Sul tem boas chances de se unir, se as diferentes nações dentro dela se entenderem. Este é um grande, grande país.”
Época, 17/06/2010

E se acontece com você?

O que você guarda no seu criado-mudo?
A quanto tempo não faz uma faxina ali?

CRIADO-MUDO

Mário Prata (do livro "Minhas Tudo")

Pequeno móvel, com o feitio de armário, que se tem rente à cabeceira da cama,
e dentro do qual e sobre o qual se põem objetos utilizáveis durante a noite.
Dentro do qual se põem "coisas"...
 Tudo começou quando resolvi me mudar do décimo para o quarto andar, aqui mesmo, neste edifício da alameda França. Um carrinho de supermercado seria o suficiente. Queria fazer lá embaixo um lar, já que isso aqui virou um vício. E, como todo vício, tesão.
Lá no quarto andar, tem 4 apartamentos.
Eu não conhecia ainda os vizinhos quando o fato se deu. Passei o dia levando coisas lá para baixo. Há dois dias faço isso ajudado pela Cristina.
Uma das últimas viagens e lá ia eu com a Cris ao lado, descendo pelo elevador. Carregávamos o criado-mudo. O criado-mudo tem uma gavetinha.
Quando a porta se abriu, tinham duas famílias esperando. Meus vizinhos. Pai, mãe, crianças e até uma avó. Foi quando eu estendi o braço para me apresentar como o novo vizinho que tudo aconteceu. E foi muito rápido. Muito.
Quando eu tirei a mão do movelzinho para cumprimentar aqueles que agora são meus vizinhos, a gavetinha deslizou. Eu ainda tentei uma gingada com o corpo pra ver se evitava a catástrofe, mas não adiantou. A filha da puta estava indo para o chão, lisa como quiabo. Estava indo para o chão com tudo dentro. E não existe nada mais indiscreto que uma gavetinha de criado-mudo de um homem que mora sozinho. Ou mesmo que não more. Ali você vai jogando coisinhas, papéis. Coisas, enfim. Coisas que só têm um destino na vida: a gavetinha do criado-mudo.
Entre a danada escapar do móvel e esparramar tudo pelo chão, não devem ter sido nem dois segundos. Mas estes dois segundos foram sofridos. Neste pedacinho de tempo tentei, em vão, me lembrar do que era que tinha lá dentro e, conseqüentemente, toda a vizinhança ia ver. Além da Cristina.
Não deu outra. A gaveta caiu de quina e tudo voou. E voou tudo de cabeça prá cima, tudo querendo se mostrar. Ar livre. Há quanto tempo aquilo tudo não via a luz do dia, já que ficavam debaixo do abajur lilás? E não ficou tudo amontoadinho, não. O material se esparramou legal pelo hall. Diante do que vi no primeiro bater de olhos, a ideia foi pular em cima e cobrir tudo com o corpo até todo mundo sumir dali.
Sim, na gavetinha do criado-mudo a gente joga tudo. Pelos meus cálculos, devia ter coisas ali dos últimos cinco anos. Que, é claro, eu não saberia dizer. Eu não tinha ideia do que é que estava indo para o chão e aos olhos da vizinhança estupefata.
Um pedaço da minha vida estava ali, no chão, sujeito à visitação pública. Uma vergonha. E o pior é que não dava para pegar tudo de uma vez. Teve pilha que rolou escada abaixo. Moedinhas rodopiavam sem parar, fazendo aquele barulhinho.
A primeira coisa que a Cristina recolheu foi um par de brincos douradérrimos. Que não eram dela. E eu não ia explicar ali que eu não tinha a menor idéia de quem fossem. Podia estar ali há cinco, seis anos. As crianças olharam para três camisinhas e deram-se sorrisos cúmplices. Não foi bem este o olhar da Cris.
Aquele pequeno despertador quebrou o vidro. Estava parado às 10 e 10 do dia 23, sabe-se lá de que mês ou ano. Três edições da Playboy Velhas. Uma da Tiazinha. Constrangimento. Prá minha sorte, bem ao lado caiu a História da Filosofia, de I.Khlyabich. E o livro daquela jovem namorada do Sallinger, do Apanhador no Campo de Centeio. Amenizou um pouco. Trata-se de um masturbador de campo de pentelhos. E as camisinhas eram de 98, tava escrito lá. Limpou um pouco a barra. Um pouco. Sim, por outro lado, mostrava que desde 98 que eu... deixa prá lá.
Tinha o menu da minha aula de culinária de março. Naquele dia aprendi a fazer crepe de pancetta e brié, com a professora Bia Braga, junto com o Frei Betto, aluno também.
Tinha procurado tanto o Guia de Acesso Rápido do celular. Tava lá. Agora eu ia aprender a apagar os telefones vencidos da caixa.
Meu Deus, o que é aquilo no pé do garoto? Viagra! E o filho da puta pegou e mostrou para o pai que me olhou com pena, com dó: tão jovem e...
Tive que dar explicações: - Hehe, é o Jair, que é do 103, psicanalista, amostra grátis, aí. Tem dois.
Já ia dar uma explicação da experiência que tinha tido com o que não estava mais ali, mas achei que os pais não iriam ouvir de bom grado, diante das crianças. Viagra é a maior sujeira, posso te garantir.
Acho que não convenci ninguém. Cris, com os alheios brincos na mão, escondeu o Viagra. Vexame total. Mas isso era só o começo da minha ida esparramada no chão de mármore.
- a conta da compra do computador que eu dei para a minha irmã;
- duas pilhas Duracell que jamais saberemos se estão boas ou já usadas.
Esse problema de pilhas soltas me enlouquece;
- sabe aquelas moedinhas de orelhão que não funcionam mais? Várias;
- uma foto minha com a atriz Manoella Teixeira, abraçados na porta do Ritz (isso foi há dois anos, fui logo explicando);
- uma cartela de Lexotan, uma de Frontal e uma de Zoloft. Pronto, os vizinhos não teriam mais dúvidas. Um louco deprimido se aproximava;
- quatro canetas BIC que eu duvido que ainda funcionem;

- uma capinha de celular que eu comprei há uns quatro anos e não serviu;
- uma caneta dessas de marcar texto, aquela amarela, sabe? Seca, é claro;
- um tubo de Redoxon, vencido há várias gripes;
- um lápis sem ponta, aliás, dois;
- um papelzinho com um telefone que jamais saberemos de quem é;
- outro papelzinho com um telefone (procurei tanto... Agora não vai mais adiantar);
- um benjamim;
- um tubo (suspeitíssimo) de Hipoglós;
- mais uma cartelinha (quase vazia) de Frontal;
- um disquete de computador sem nada escrito nele. O que pode ter aqui?;
- um par de óculos escuros que nunca foram meus;
umas cinco ou seis chaves que nunca saberei que portas abrir;
- dois tubos de KY, que quem sabe o que é pode imaginar o meu ar de sem jeito. E o cara do 43 levava jeito de saber, pela olhadinha que deu para a esposa que ficou vermelhinha. Ela devia gostar de KY;
- um livrinho mandado (e escrito) por um leitor, com o nome Ser Gay é Ser Alegre. Como
explicar isso de joelhos?;
- e, para encerrar o meu derrame, um papel em branco com um beijo de batom vermelho,
bem no meio. Tentei dizer que era da minha afilhada, Maria Shirts, mas não colou.
- e, já que estou contando tudo, um deschavador cheiroso e duas baganinhas já duras.
Fui recolhendo aquilo tudo, aqueles pedaços da minha vida e colocando de novo dentro da gavetinha. E me levantei.
Entramos em silêncio no apartamento, certo de que ia começar uma nova vida ali. Mas logo cheguei à conclusão de que a gente nunca começa nada, a gente continua. Ia continuar a minha vidinha ali. Com aqueles pedaços do passado, uns vizinhos do presente e uns nacos de futuro.
Ajeitei o criado-mudo ao lado da cama. Fiquei olhando para o indiscreto móvel que eu achava mudo. Mas que, em dez segundos, contara cinco anos da minha vida.
Até gostei de ele ter guardado ali dentro, sempre mudo, tantas coisas que eu fiz e falei.
E preso na junção das madeiras, padecia um torturante bandeide.
Usado, como eu.


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Mário Prata, uma autobiografia diferente

Um acontecimento prosaico na vida de qualquer um de nós pode se transformar numa tragédia, num fato marcante, inédito ou engraçado.
Um objeto esquecido há anos na gaveta, ou dentro de um livro, pode trazer-lhe recordações igualmente drásticas ou cômicas. Ou ainda saudades...

Paletó
Mário Prata
Minhas Tudo, 2001

Não sei dizer exatamente há quanto tempo ele está ali no sofá. No sofá aqui do escritório. Jogado. A palavra é esta mesma. Joguei-o ali. E não foi hoje. Tem para mais de 15 dias. A Gorete, quando vem para a limpeza - imagino eu - , dá uma levantadinha nele, ajeita embaixo e coloca no mesmo lugar. Estava olhando para ele agora. Fiquei com dó do coitado. Confesso que já teve dias melhores.
É azul, de linho. Tem um forro de seda branco, com listras vermelhas e pretas. Já teve uma calça como companhia. Mas isso faz tempo. Foi no tempo que ele era um terno. Ou melhor, o terno.
Em 1991, quando cheguei de Lisboa, um amigo, o Walter Arruda - que me conhecia há muito tempo -, foi logo dizendo:
- Portugal é inviável sem um terno. Trouxe terno?
- E eu lá tenho terno, Warte?
Foi quando comprei aquele que está ali, caído.
Comprei na feira de Cascais. E ele estava estendido no chão, aberto. Ia passado com o compadre Sergio Antunes, bati o olho, me lembrei do Walter. Ali, na calçada, em cima de um lençol branco. Meio encardido, devo confessar. O lençol. Fiquei olhando para ele. Tipo amor à primeira vista. Sem encostar, já tinha gostado.
Inexperiente, não sabia como é que se comprava um terno no chão numa feira portuguesa. Fui me aproximando dele, olhando em volta, desconfiado. Passei a mão no cotovelo dele. Senti a textura do linho. E a voz da mulher portuguesa atrás de mim:
- Tem a cara do sinhoire.
Levantei o paletó. Olhei em volta. Experimentei. Mas e a calça? Tinha que experimentar a calça. Como, ali no frente da arena de touros? A mulher me apontou uma kombi. Era lá dentro que experimentava a calça.
Foi um exercício dos mais dignos. Eu, lá dentro, recurvado, com a nuca encostada no teto, vendo os vendedores e os compradores lá fora, de cuecas. Os chamados transeuntes e populares olhando pelas janelinhas. Experimente tirar uma calça e colocar a outra, em pé, na parte de trás de uma kombi. Experimente... Enfiar a calça não foi difícil. Mas o zíper fazia a kombi inteira tremer. Apoiava com uma das mãos, puxava com a outra. E para ver se a barra tava boa? Para isso eu tinha que ficar esticadinho. Mas não dava pra ficar esticadinho. Com as duas mãos em concha, ia esticando o tecido pela coxa, passava pelo joelho e ia até lá embaixo.
Sobrava pano. Comprei. Setecentos e cinquenta escudos. Uns cinquenta dólares. Naquele tempo.
Passou a ser o meu terno em terras nunca dantes navegadas. Fez o social numa boa, por lá. Quantas e quantas pessoas eu não abracei com ele? Todas elas dando tapinha nas minhas costas, nele. Andou abraçado com muita gente. Já guardou ciinzeiro roubado de restaurante sem reclamar. Companheiro justo quando o sábado chegava.
E ele tinha uma primeira finalidade no Estoril. Me acompanhar ao cassino. Diariamente ele, que está agora jogado ali à minha esquerda, recebia as ficha para jogar, no bolso lateral direito. E às que eu ia ganhando oferecia com um sorriso o bolso esquerdo.
Por ali passaram talões de cheques, cartões de crédito, cartões de visita, lenços encharcados de lágrimas, guardanapos com fiapos de carne de borrego.
Com esse paletó fiz algumas palestras além-mar. Tirei fotografias e fui padrinho de três ou quatro casamentos. Ele também tem afilhados de batismo e um de crisma.
Estou aqui olhando de soslaio para ele e sei o que ele está pensando:
- E aquela história da vomitada? Vai contar, não?
Tadinho. E não foi só uma vez, não. Uma vez fui eu, mas teve uma espanhola que regurgitou nas costas dele, me pegando desprevenido.
Mas não vamos falar nisso. Esse não foram os seus grandes momentos. Tem muita vida dentro daquele paletó.


Hoje ele anda meio desmilinguido. O enchimento do lado direito anda meio solto, meio capenga, e não é de hoje. Sei que basta dar um pontinho de linha ali que segura. Mas e o saco para isso? Toda vez que o visto, tenho de ajeitar - com a mão esquerda - o cidadão lá dentro.
Ele já me viu com oitenta e com setenta quilos. Na alta, nunca reclamou de não ser abotoado. Na baixa - como agora, abotoa-se todo.
Mas posso lhe garantir que é um paletó maduro, viajado e, mais do que tudo, cúmplice de bons e maus momentos.
A única coisa que ele reclamava na vida era ser chamado, lá em Portugal, de fato. Em Portugal, terno, de facto, se chama fato.

Mário Prata escreve uma autobiografia com as "coisas" ao seu redor - um divertido inventário íntimo. E você, leitor, vai rir e se emocionar ao acompanhar a trajetória desse cronista contada numa linguagem simples, mas com estilo refinado.

Paletó, criado-mudo, roupão.
Guarda-chuva, binóculo, soluço.
Choro, vírus, joelho, carteira...
Aeromoça, cartório, banheiro, agenda.
Ladrão!
São 61 contos! Divirta-se!

Mario Alberto Campos de Morais Prata nasceu em Uberaba, Minas Gerais, em 1946.
Até o momento, deixa legados na literatura adulta e infanto-juvenil, na televisão, teatro, cinema, jornalismo, vídeo-ficção e produção.  http://www.releituras.com/marioprata_bio.asp

domingo, 20 de junho de 2010

Imigrantes japoneses e os "corações sujos"


Com a rendição do Japão às forças aliadas, em agosto de 1945, a Segunda Guerra Mundial chegava ao fim. Do outro lado o planeta, em São Paulo, nascia uma organização secreta japonesa, a Shindo Rnmei - ou Liga do Caminho dos Súditos. Para seus seguidores, a notícia da rendição era uma fraude, um golpe da propaganda aliada para quebrar o orgulho dos japoneses em todo o mundo. Como aceitar a notícia da derrota, se em 2600 anos o invencível Japão jamais perdera uma guerra? Em poucos meses a colônia nipônica, composta de mais de 200 mil imigrantes, estará irremediavelmente dividida: de um lado ficavam os kachigumi, os "vitoristas" da Shindo Renmei, apoiados por oitenta por cento da comunidade japonesa no Brasil. Do outro, os makegumi, ou "derrotistas", apelidados de "corações sujos" pelos militantes da seita. Militarista e seguidora cega das tradições de seu país, a Shindo Renmei decide fazer uma "limpeza ideológica" na colônia. E declara guerra aos "corações sujos", acusados de traição à pátria pelo crime de acreditar na verdade. De janeiro de 1946 a fevereiro de 1947, batalhões de tokkotai, os matadores da Shindo Renmei, percorrem o estado de São Paulo, realizando atentados que levam à morte 23 imigrantes e deixam cerca de 150 feridos. Em um ano, mais de 30 mil suspeitos dos crimes são presos pelo DOPS e 381 recebem condenações que variam de um a trinta anos de prisão. O presidente da República decreta a deportação para o Japão dos oitenta dirigentes e matadores da Shindo Renmei, sepultando a seita nacionalista que aterrorizou a colônia japonesa no Brasil.

Há exatos 30 dias (20/05), acabaram as filmagens de Corações Sujos, baseado neste livro de Fernando Morais.
Com a direção de Vicente Amorim (O Caminho das Nuvens e Um Homem Bom), a previsão de lançamento nas telonas é para 2011.

As fotos abaixo extraí do blog oficial do filme.
De  Paulo Mussoi


Mário Prata

Autor de Purgatório - a verdadeira história de Dante e Beatriz.
Uma comédia, quase divina...
Para quem leu A Divina Comédia de Dante Alighieri -  e tem, além de admiração pelos clássicos, bom humor, vai rir sozinho com as peripércias de Dante, um bancário de meio idade, que passa pelo Céu e pelo Inferno para ficar ao lado de sua amada Beatriz.

Personagens:
Gemma, esposa de Dante, foi reserva da seleção brasileira de vôlei. Conheceu Dante em 1981, numa churrascaria em Santo André. Hoje usa cabelo curto, tipo escovinha, com laquê, todo espetado, duro mesmo. Numa olimpíada poderia ser confundida com um levantador de pesos. Búlgaro.
Virgílio era vizinho de Dante no interior do estado de São Paulo. Foram com vinte anos para a capital, formaram-se USP em Economia. Subgerente da mesma agência de Dante, também 45 anos. Poeta inédito, leitor compulsivo, intelectual, homossexual. Espírita, metido a ter premonições que nunca davam certo.
Dante, gerente do Banco do Brasil, 45 anos. Quando conheceu Gemma naquele dia, na churrascaria, estava triste porque sua amada, sua paixão havia anos, Beatriz, 18 anos, tinha ganhado uma bolsa para estudar balé em Paris. Prometeu voltar em um ano e durante 25 não deu mais notícias até...

Transcrevo aqui uns trechos:

Já era a segunda vez naquela semana - e estamos na quinta-feira - que Gemma fazia o seu "irresistível" risoto de calabresa.
- Por isos que engorda! Massa, calabresa, gordura - dizia Dante com a cabeça em Beatriz, que ele imaginava ainda magrinha.
- Vai começar de novo, Dante Alberto?
Quando ela chamava Dante de Dante Alberto é porque estava preparada para a briga. Dante calou-se. Começou a comer um pouco, já que Gemma se incumbia do resto, fora a sobremesa, um pudim, que devemos creditar como delicioso. Dante quieto.
- E nem estou tão gorda assim!
Estava, mas Dante não estava  mais ali.
- Amanhã vou ter que acordar cedo. Receber em Congonhas o Bacamarte que chega da Europa.
- O Bacamarte? Não sabia que ele estava na Europa.
- E por que haveria de saber?
Gemma não respondeu. Dieta ela não conseguia mesmo fazer para baixar os quilos a mais dentro dos um metro e oitenta e dois.
- Vou acordar às quatro e meia.
Voltou o silêncio. Não na cabeça dele, que não via a hora de se encontrar com a sua Beatriz.
No mesmo prédio, dois andares acima, Virgílio acabava de comer seu miojo com salsicha, feito um café com açúcar mascavo, escolhido o livro dos contos completos de Machado de Assis. No meio do conto "Uma Senhora", veio de novo a premonição. O avião de Beatriz vai cair. Tenho de ir ao aeroporto com o Dante.

[...]
Uma da tarde (horário de Brasília), no Messenger.
Dante diz:
Desculpe a pergunta, mas todo mundo anda nu no Purgatório?
Beatriz diz:
Sim, também no Céu (viu? hoje estou usando acentos...) e no Inferno, segundo estou informada.
Dante diz:
Mas...
Beatriz diz:
Ah, vocês, pobres mortais... E, para você, eu apareço com a idade que eu tinha quando você me conheceu. E se você ligar o webcam vou te ver como te vi na casa da empregada do Virgílio. Com vinte anos. Ainda com cabelos, rsrsrsrsrsrs
Dante diz:
Sei... Mas o Céu não seria melhor? Foi o que sempre me disseram.
Beatriz diz:
O problema é o cenário e a trilha sonora. Muito azul e branco. Mas tem muita gente boa lá. Pessoas que não abusaram muito aí na terra do prazer sem culpa. Não sei se você me entende... O Pequeno Príncipe está lá. Muito anjo, muita harpa... Anjos com trombetas. Descobri o sexo dos anjos. Depois te conto. Mas cá entre nós, Dante, o que se comenta é que o Céu é um saco! Muita reza, sabe? Música de elevador.
Dante diz:
E aí no Purgatório?
Beatriz diz:
Aqui no Purgatório estão os doidos, entre aspas. Mas ninguém quer sair daqui, não. Não temos as regalias que se tem no céu, mas convivemos com pessoas mais interessantes, mais vividas. Me entende?
Dante diz:
Tá feliz aí?
Beatriz diz:
Muito. E você aí?
Dante diz:
Minha vida é um inferno, Beatriz. Um inferno!!!
Beatriz diz:
Você sabe como é o Inferno? Um galpão imenso com milhares, milhões de sofredores datilografando, um imenso escritório burocrático e um som que vem lá de fora, 24 horas por dia: "Pamonha de Piracicaba! Pamonha de Piracicaba!" Temperatura de cinquenta graus. No inverno. Um suadouro danado de brabo.
Dante diz:
Pois a minha vida está mais ou menos assim. Até a pamonha tem.
Beatriz diz:
Vem pra cá!!!
Dante diz:
Mas pra isso eu tenho que morrer...
Beatriz diz:
... e cometer uns pecadinhos básicos, sem exagerar, é claro. E sem culpa! Terminou meu tempo. A fila tá enorme. Sabe quem está aqui atrás de mim? Martin Luther King.
Foi para a sala. Gemma estava assistindo a Vale a Pena Ver de Novo. Era uma cena com a Natália do Vale e o Osmar Prado. De repente, ele notou que a voz da Natália não era a da atriz, mas a da Beatriz. Encheu um copo de uísque e sentou-se.
- Deu pra ver novela, agora? Mais bebida?
- Psiu!
Natália/Beatriz, falando com o Osmar Prado:
Você vai receber uma carta minha. Eu lhe explico tudo. O uso de computador aqui é muito complicado.

[...]

- Minha vida está um inferno, mamãe. Não bastasse a senhora beber, agora o Dante Alberto deu uma recaída. Está bebendo até de manhã.
- Ele andava mesmo muito chato com aquela sobriedade dele.
Gemma não sabe como falar com a mãe. Dá voltas pela sala. Dona Zizé dá goles de conhaque.
- Fala de uma vez, menina! Você acha que ele voltou a beber por quê?
- É difícil, mãe. Mas... Ele... e o Virgílio...
- Aquela bicha ali de cima?
- É.
- O que têm os dois? São amigos de infância, até onde sei. Me passa a garrafa.
- Pois, Eu estou desconfiada que os dois...
- Gemma Margarida!!!! Parece que bebe!!!
- Chamei a senhora para passar uns tempos aqui com a gente. Se ele tem que beber, que beba com a senhora, e não alguns andares acima da nossa cama.
- Filha, pirou? Imagina, o Dante!!!
- Vamos ficar de olho. Pensando até no divórcio.
- Toma um conhaquinho, toma.
- Sou uma atleta! Não bebo álcool e nem tomo Lexotan!