terça-feira, 30 de março de 2010

Quadrinhos - sempre presentes!


Inicialmente, ganhava nos finais de semana Tio Patinhas e a turma da Mônica. Depois de presentear alguém com todos os exemplares da família, sem mensurar o tesouro do qual me desfazia, passei a ler esporadicamente tirinhas nos jornais - Recruta Zero, dentre outros.



Recentemente, conheci o romance gráfico Maus produzido por Art Spiegelman que narra a luta de seu pai, um judeu polonês, para sobreviver ao Holocausto. Nesta obra retrata diferentes grupos étnicos através das várias espécies de animais: os judeus são os ratos (em alemão: maus), os alemães, gatos, os franceses, sapos, os poloneses, porcos, os americanos, cachorros, os suecos, renas, os ciganos, traças, os ingleses, peixes. O uso de antropomorfismo, uma técnica familiar em desenhos animados e em tiras de quadrinhos, foi uma tirada irônica em relação às imagens propagandistas do nazismo, que mostravam os judeus como ratos e os poloneses como porcos. A publicação na Polônia teve de ser adiada devido a este elemento artístico.

Presentearam-me com Asterix e Obelix - vários exemplares. Uma criação dos franceses Albert Uderzo e René Goscinny para as crianças francesas da época que só liam quadrinhos americanos. Goscinny fez da obra de Asterix um símbolo da resistência cultural francesa. A obra, aliás, pode ser lida como uma metáfora dessa resistência. O império romano é, por diversas vezes, muito semelhante ao atual domínio norte-americano no mundo que tomou conta de tudo.


Personagens: Asterix - Baixinho, loiro e bigodudo, o guerreiro gaulês é bem-humorado, sagas e muito astuto. Anda sempre em companhia de Obelix, seu melhor amigo.
Obelix - Quando era pequeno, o inseparável amigo de Asterix caiu no caldeirão de poção mágica do druida e, por isso, os efeitos da poção nele são permanentes. Além de guerreiro e bom companheiro, é carregador de menires, adora comer javalis assados e não raramente se separa de seu cãozinho, Idéiafix. E acha que os romanos são loucos.
Têm destaque ainda: Panoramix, o druida; o cachorro Idéiafix; o bardo Chatotorix; Abracurcix, o chefe da vila, e sua mulher Naftalina; Veteranix, o guerreiro decano; Ornalfabetix, o peixeiro, e sua mulher, Yellowsubmarina; Automatix, o ferreiro; César, Brutus, Cleópatra e os azarados piratas, entre outros.


Outro presente me trouxe Mafalda.
Mafalda é uma tira de histórias em quadrinhos escritas e desenhadas pelo cartunista argentino Quino. As histórias, apresentando uma menina (Mafalda) preocupada com a Humanidade e a paz mundial que se rebela com o estado atual do mundo.

Características: seus comentários e idéias refletem as preocupações sociais e políticas dos anos 60. Filha de uma típica família da classe média argentina, a Mafalda representa o anticonformismo da humanidade, mas com fé na próxima geração. O que mais odeia é a injustiça, a guerra, as armas nucleares, o racismo, as absurdas convenções dos adultos e, obviamente, a sopa. As suas paixões são os Beatles, a paz, os direitos humanos e a democracia.

A trajetória de Mafalda engloba o período de 1964 a 1973, através de três publicações: "Primeira Plana", "El Mundo" e "Siete Días Ilustrados". Muito antes da despedida oficial da tira, em junho de 1973, Quino, seu criador, já tinha percebido que o repertório tinha se esgotado e que não podia insistir sem se repetir.

segunda-feira, 29 de março de 2010

sexta-feira, 26 de março de 2010

Um sonho fora do controle?!


Quem já não teve um sonho bom? Daqueles que metade de você sabe que está sonhando e a outra metade não tem o controle sobre o desenrolar dos fatos?!
Quando fatos do seu cotidiano se misturam com desejos e aprendizados tão enrustidos quanto descartáveis?!

Eis alguns trechos da obra de Lewis Carroll - Aventuras de Alice no país das maravilhas:


“Ou o poço era muito fundo, ou ela caía muito devagar, porque enquanto caía teve tempo de sobra para olhar à sua volta e imaginar o que iria acontecer em seguida. Primeiro, tentou olhar para baixo e ter uma idéia do que a esperava, mas estava escuro demais para se ver alguma coisa; depois olhou para as paredes do poço, e reparou que estavam forradas de guarda-louças e estantes de livros; aqui e ali, viu mapas e figuras pendurados em pregos. Ao passar, tirou um pote de uma das prateleiras; o rótulo dizia ‘GELEIA DE LARANJA’, mas para seu grande desapontamento estava vazio: como não queria soltar o pote por medo de matar alguém, deu um jeito de metê-lo num dos guarda-louças por que passou na queda.”

"Era muito fácil dizer 'Beba-me', mas a ajuizada pequena Alice não iria fazer isso assim às pressas. 'Não, primeiro vou olhar', disse, 'e ver se está escrito veneno ou não'; pois lera muitas historinhas divertidas sobre crianças que tinham ficado queimadas e sido comidas por animais selvagens e outras coisas desagradáveis, tudo porque não se lembravam das regrinhas simples que seus amigos lhes haviam ensinado: que um atiçador em brasa acaba queimando sua mão se você insistir em segurá-lo por muito tempo; quando você corta o dedo muito fundo com uma faca, geralmente sai sangue; e ela nunca esquecera que, se você bebe muito de uma garrafa em que está escrito 'veneno', é quase certo que vai sentir mal, mais cedo ou mais tarde."


Editora Zahar
Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges
Ilustrações de John Tenniel

A arte de ser avó

Quarenta anos, quarenta e cinco. Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem suas alegrias, as sua compensações - todos dizem isso, embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.

Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.

Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas, que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo algum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.

E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção, se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

Sim, tenho a certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.

Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avô, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...

No entanto! Nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do neto. Não importa que ela hipocritamente, ensine a criança a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha" e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante nos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe banho, veste-o, embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso dos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café, mexer na louça, fazer trem com as cadeiras na sala, destruir revistas, derramar água no gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado!

Fazer má-criação aos gritos e em vez de apanhar ir para os braços do avô, e lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...

Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós com seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!

E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz "Vó", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade.

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menino - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beicinho pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.

Autora: Rachel de Queiroz

terça-feira, 23 de março de 2010

Clássicos nas bancas

Em Minas - lançamento em MAIO


Editora: Abril Periodicidade: semanal
Público alvo: homens e mulheres,
classes A e B, a partir de 25 anos
Exposição: no balcão central e no caixa Distribuição: Estado de SP e Estado do RJ (fevereiro) e demais Estados (maio)
Divulgação: comerciais em TV aberta e por assinatura, spots de rádio e anúncios em jornais, revistas e internet
Materiais para PDV: reprints, banners, banners canguru, banners gigantes, displays de gôndola e de balcão, totens, móbiles, faixas de gôndola, faixas de gôndola 3D, placas de vitrine, wobblers e
Últimas Novidades cartaz
Preço: R$ 14,90


Plano da obra
Vol 1) Crime e castigo - vol. I, Fiódor Dostoiévski
Vol 2) Crime e castigo - vol. II, Fiódor Dostoiévski
Vol 3) Madame Bovary, Gustave Flaubert
Vol 4) O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde
Vol 5) Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
Vol 6) A divina comédia - Inferno, Dante Alighieri
Vol 7) Os sofrimentos do jovem Werther, J.W. Goethe
Vol 8) O engenhoso fidalgo D. Quixote da Mancha - vol. I, Miguel de Cervantes
Vol 9) O engenhoso fidalgo D. Quixote da Mancha - vol. II, Miguel de Cervantes
Vol 10) Hamlet, Rei Lear e Macbeth, William Shakespeare
Vol 11) Ilusões perdidas - vol. I, Honoré de Balzac
Vol 12) Ilusões perdidas - vol. II, Honoré de Balzac
Vol 13) Orgulho e preconceito, Jane Austen
Vol 14) O primo Basílio, Eça de Queirós
Vol 15) Moby Dick - vol. I, Herman Melville
Vol 16) Moby Dick - vol. II, Herman Melville
Vol 17) O falecido Mattia Pascal, Luigi Pirandello
Vol 18) O homem que queria ser rei e outras histórias, Rudyard Kipling
Vol 19) Os lusíadas, Luís de Camões
Vol 20) A metamorfose, Franz Kafka
Vol 21) Outra volta do parafuso, Henry James
Vol 22) O assassinato e outras histórias, Antón Tchekhov
Vol 23) O morro dos ventos uivantes, Emily Brontë
Vol 24) Mensagem, Fernando Pessoa
Vol 25) Coração das trevas, Joseph Conrad
Vol 26) O vermelho e o negro, Stendhal
Vol 27) Cândido, Voltaire
Vol 28) Os Malavoglia, Giovanni Verga
Vol 29) Os sertões - vol. I, Euclides da Cunha
Vol 30) Os sertões - vol. II, Euclides da Cunha
Vol 31) Contos de amor, de loucura e de morte, Horacio Quiroga
Vol 32) Infância, Maksim Górki
Vol 33) Grandes esperanças, Charles Dickens
Vol 34) No caminho de Swann, Marcel Proust
Vol 35) Odisseia, Homero


A coleção só traz títulos em domínio público, o que obviamente é uma senhora restrição. Mas não dá exatamente para reclamar de uma coleção com curadoria cuidadosa, traduções de primeira, perfis de autores livres de tatibitati, escritos pelo poeta Heitor Ferraz, encadernação em pano cheia de bossa, papel amarelinho-bom-de-ler, tudo isso abaixo de R$ 15, em tiragens enormes – 120 mil exemplares dos primeiros livros.


domingo, 21 de março de 2010

Maternidade - uma pressão econômica?




Corinne Maier
Magali Delporte/Eyevine
VEJA 12 dezembro de 2007
Foto Magali Delporte/Eyevine

A psicanalista suíça Corinne Maier, 44 anos, tem sido alvo de protestos em jornais e programas de televisão europeus depois do lançamento de seu best-seller No Kid — Quarante Raisons de Ne Pas Avoir d’Enfant ("Nada de crianças – Quarenta Razões para Não Ter Filhos", ainda sem tradução). Com uma década de estudos sobre o assunto, ela diz: "A pressão pela maternidade tem resultado em mães infelizes". Casada e (sim) mãe de dois filhos, de 11 e 13 anos, Maier falou ao repórter Marcos Todeschini.

Por que a senhora escreveu um livro tão crítico em relação à maternidade? A intenção foi dar à discussão um tom menos dogmático. As mulheres estão tendo filhos incentivadas por uma visão romanceada e ingênua. O primeiro equívoco é acreditar em algo como o "instinto materno". Os melhores estudos sobre as sociedades primitivas indicam justamente o contrário. Desde a Idade da Pedra, as mulheres sempre tiveram filhos motivadas por razões econômicas. Mais gente numa tribo significava força contra os inimigos e maior capacidade produtiva. Essa idéia persiste em lugares pobres e atrasados. Já em sociedades mais modernas, a pressão pela maternidade é outra. Ela vem da pirâmide demográfica.
Como se manifesta essa pressão? Os países estão envelhecendo e precisam de gente jovem para continuar a crescer. Por isso, o estado começa a dar às mulheres estímulos concretos para terem filhos e, de quebra, ainda contribui para a glamourização extrema da maternidade. Esse é um aspecto normalmente ignorado do problema. Eu sei, com base em minha experiência de consultório, que uma típica mulher européia se vê hoje extremamente pressionada pela nova questão demográfica.
Quais são as conseqüências disso? A pressão social não é apenas em relação a gerar filhos, mas se estende ao próprio exercício da maternidade. Incentivados por uma imagem idílica, pais e mães procuram uma perfeição impossível de atingir. Afinal, eles jamais terão parâmetros objetivos para medir a felicidade de um filho. Dessa eterna incerteza resultam a frustração e a culpa. Os pais de hoje sempre acham que poderiam fazer mais e melhor.
É possível falar numa dose ideal de afeto e atenção? Costumo ser vaiada em público por afirmar que bons pais precisam cultivar uma certa indiferença em relação aos filhos. Não é bom dar amor de menos, tampouco demais. Falo isso porque está claro como o excesso de preocupação e afeto priva a criança da liberdade necessária para o devido crescimento e ainda torna os pais angustiados pela falta de tempo para si próprios.
A senhora consegue manter essa "certa indiferença"em relação a seus dois filhos? Quando fizeram 8 anos, eles passaram a ir para a escola sozinhos. Na adolescência, deixei de ajudar na lição de casa. Ganhei para mim duas horas do dia, eles não sentiram minha falta e continuamos tão próximos quanto antes.
A senhora foi criticada? Sim, como era esperado, mas também fui celebrada. Depois do livro, muitas mulheres me escreveram dizendo se sentir, pela primeira vez, mais livres para expressar raiva, impaciência e contrariedade em relação às atitudes dos filhos. Ainda parece um sacrilégio em sociedades modernas, mas não há nada de errado nisso.
Em sua pesquisa sobre a maternidade nos diversos países, a senhora chegou a alguma conclusão sobre qual deles mais acerta? Há diferenças culturais evidentes. Em países da América Latina, como o Brasil, os pais ainda mantêm uma relação quase primitiva com os filhos. A separação entre eles costuma ser lenta e se dar praticamente por inércia, quando os filhos se casam. Em países europeus, os jovens saem de casa, em média, cinco anos antes. Prefiro esse último modelo ou qualquer outro que, de algum modo, incentive a independência entre pais e filhos. É a base para uma relação mais satisfatória.

Botão

Lindíssimo!

Esquimós - tabus x costumes


"...mas o certo era que os tabus haviam sido feitos para serem respeitados, e não para serem comprrendidos."
"...O fruto da caçada era sempre dividido em partes iguais; mas os caçadores que haviam contribuído em menor porção se sentiam mortificados, e comiam sem alegria alguma - a passo que aqueles que mais haviam concorrido para o êxito da caçada ficavam com o semblante como que iluminado e riam à larga; ademais só, a estes últimos é que as mulheres dirigiam olhares."

Trechos extraídos da obra No País da Sombras Longas, de Hans Ruesch.

Dos livros que mais gosto (e este é um deles), memorizo passagens marcantes e acredito que não são inventadas pelo autor (este quis relatar um costume extinto ou não daquela civilização).
Então, digo que os idosos viam o suicídio com naturalidade, ou seja, corriam para a morte ao considerarem que a partir de então seriam um estorvo para os filhos. Corriam pelas geleiras e após transpirarem, sentavam-se para permitir que o suor congelado os matasse de frio. E sabiam que iam ser comidos pelos ursos e o ciclo da vida se completaria - este urso alimentaria, mais tarde, sua família.



sábado, 20 de março de 2010

O mito da perfeição


O mito da perfeição
Betty Milan
Publicado Revista VEJA Ed.2140 / 25 de novembro de 2009

"A psicanálise substituiu o ‘Penso, logo existo’, da filosofia de Descartes, pelo ‘Digo, logo existo’. Com isso, ela enfatizaa importância do discurso para a autopercepção"
Um dos consulentes de minha coluna em VEJA.com conta que se esforçou a vida inteira para ser o melhor dos filhos, o irmão mais querido, o namorado perfeito, o funcionário exemplar, o chefe compreensivo, o amigo de todas as horas – mas que se deu conta de só ter se comportado dessa maneira para satisfazer o desejo do outro e, assim, ser adorado e se sentir superior. Ou seja, por egoísmo.
Como não poderia deixar de ser, o desejo do outro e o dele nem sempre coincidem. Dessa forma, casou-se há oito anos por causa de uma gravidez inesperada e é pai de três filhos. Hoje não tem afinidade nenhuma com a mulher, gostaria de se separar dela e não ousa. Tem pavor de ser reprovado. Quando teve uma amante e quase foi pego em flagrante, chegou a pensar em suicídio. Sabe, contudo, que precisa aprender a decepcionar os outros para viver.
Leon Zernitsky/Stock Ilustration Source/Getty Images
A história tanto surpreende pela clareza do consulente em relação à própria vida quanto pela impossibilidade de mudá-la. Apesar da consciência clara, ele está paralisado pelo medo da reprovação. Para saber o motivo, necessita de uma consciência nova, que só a psicanálise propicia – pois é por meio da fala, e apenas dela, que a pessoa se expõe ao seu próprio inconsciente e àquilo que ele pode revelar.
O consulente mostra quão limitada é a consciência reflexiva do dia a dia quando se trata do conhecimento da própria subjetividade. Precisamente por causa desse limite, a psicanálise substituiu o "Penso, logo existo", da filosofia de Descartes, pelo "Digo, logo existo". Com isso, ela enfatiza a importância do discurso para a autopercepção. Não é fácil aceitar o "Digo, logo existo", porque tanto a palavra nos escapa quanto tentamos fugir dela, fato de que a língua dá conta com vários provérbios. Entre eles, "O silêncio é de ouro" ou "O peixe morre pela boca".
O inconsciente, porém, faz e fala por nós. E, também disso, a língua dá conta com a frase "Ninguém é perfeito". Se atentássemos para o que a língua ensina em alguns de seus clichês, sofreríamos menos porque aceitaríamos a possibilidade de falhar. Em vez disso, como o consulente, nós insistimos no mito da perfeição. Caímos continuamente nessa armadilha do nosso imaginário, ao contrário de Sigmund Freud, o criador da psicanálise. Por ter aceito a imperfeição da condição humana, e ter se debruçado sobre essa realidade, ele abriu um caminho verdadeiramente novo e nos legou a possibilidade de nos curarmos de nós mesmos.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Catibrum Teatro de Bonecos


A Catibrum Teatro de Bonecos foi fundada em 1991 por Adriana Focas e Lelo Silva, com a proposta de pesquisar as manifestações da cultura popular brasileira e divulgá-las através dos títeres. Com montagens originais, o grupo realiza turnês em Belo Horizonte, onde está localizada a sede da companhia, pelo interior de Minas Gerais e também participa dos principais festivais do gênero no país.
O Dragão Que Queria Ver O Mar" foi o primeiro espetáculo montado, seguido por "Andanças", "O Baile do Menino Deus", "A Volta ao Mundo em Oitenta Dias", "O Cavaleiro da Triste Figura" e "Homem Voa?" (agraciado com os prêmios Myrian Muniz e Estado de Minas Gerais de Artes Cênicas, além de ter sido indicado para o HQMIX, na categoria Melhor Adaptação de Quadrinhos para Outros Veículos). A Catibrum se prepara para estrear em março de 2010 “D. João E A Invenção do Brasil”.
Desde 2000, o grupo realiza o Festival Internacional de Teatro de Bonecos, em Belo Horizonte, com a responsabilidade de apresentar as mais variadas, inovadoras e comoventes técnicas do teatro de animação. Com esta iniciativa, que ultrapassa fronteiras, impulsiona o surgimento de grupos, a formação de jovens artistas e estimula o gosto pela produção de qualidade, com critérios estéticos.
Ao comemorar 10 anos de atividades, a Catibrum transformou-se em Centro de Produção Cultural. Desde esta época, coloca à disposição acervo de livros, vídeos e títeres de vários países, oferece oficinas de confecção e manipulação de bonecos, dispõe de cursos com aulas de teatro, voz e panorama do teatro de formas animadas, além de confecção de bonecos, criação, adaptação de texto, construção de cenários e concepção de espetáculo.
O grupo investe na pesquisa de linguagem, experimentação e criação de novas técnicas e no cuidado para o desenvolvimento de gênero que durante muito tempo foi reduzido a espetáculos de menor relevância. Graças ao prazer de dar vida ao inanimado e ao interesse em revelar a personalidade espirituosa de cada uma de suas criações, a Catibrum cativa público cada vez mais heterogêneo e reconhecimento da crítica. Afinal, vale a pena apostar na arte e no talento de todo novo ator-bonequeiro que defende em cena a missão de encantar.

Moacyr Scliar


Adorei estas duas obras (fotos) que li do autor gaúcho de origem judaica.
 
 




Entre suas obras mais importantes estão: "A História de um Médico em Formação" (1962); "A Guerra do Bom Fim" (1972); "O Exército de um Homem Só" (1973); "Mês de Cães Danados" (1977); "O Centauro no Jardim" (1980); "A Orelha de Van Gogh" (1988); "Olho Enigmático" (1988) e "A Mulher que Escreveu a Bíblia" (1999).
Seus lançamentos mais recentes são Na noite do ventre, o diamante (2005), Vendilhões do templo (2006) e Manual da paixão solitária (2008), com o qual ganhou o Prêmio jabuti 2009.
Autor de contos, romances, ensaios, ficção infanto-juvenil e crônicas.

Um pouco mais de Mia Couto



"As histórias dele faziam o nosso lugarzinho crescer até ficar maior que o mundo. Nenhuma narração tinha fim, o sono lhe apagava a boca antes do desfecho. Éramos nós que recolhíamos seu corpo dorminhoso. Não lhe deitávamos dentro da casa: ele sempre recusara cama feita. Seu conceito era que a morte nos apanha deitados sobre a meleza de uma esteira." (...)
A guerra civil descrita na obra Terra Sonâmbula também pode ser vista no cinema. 

 

quinta-feira, 18 de março de 2010

Mia Couto

Na obra Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, do autor moçambicano Mia Couto, encontrei expressões poéticas e marcantes:

- os lugares que aprisionam, são raízes que amarram a vontade da asa;
- engole em seco, deglutinando um deserto;
- não desamarrou suas desconfianças;
- onde a gota engravida (para descrever a nascente de um rio);

" - O rio é como o tempo. Nunca houve princípio. O primeiro dia surgiu quando o tempo já há muito havia estreado. Do mesmo modo, é mentira haver fonte do rio. A nascente é já o vigente rio, a água em fluente exercício. - O rio é uma cobra que tem a boca na chuva e a cauda no mar."

" Ameaçava chover, mas o chuvisco se arrependeu."

" Aquele era um tempo sem guerra, sem morte. A terra estava aberta a futuros, como uma folha branca em mão de criança."

" Rasando o convés do barco, as andorinhas parecem entregar-lhe secretos recados."

Estreou-se com um livro de poemas, "Raiz de Orvalho" (1983), só publicado em Portugal em 1999. Depois, dois livros de contos: "Vozes anoitecidas" (1986) e "Cada Homem é uma Raça" (1990). Em 1992 publicou o seu primeiro romance, "Terra Sonâmbula". A partir de então, apesar de conciliar as profissões de biólogo e professor, nunca mais deixou a escrita e tornou-se um dos nomes moçambicanos mais traduzidos: espanhol, francês, italiano, alemão, sueco, norueguês e holandês são algumas línguas. Outros livros do autor: "Estórias Abensonhadas" (1994); "A Varanda do Frangipani" (1996); "Vinte e Zinco" (1999); "Contos do Nascer da Terra" (1997); "Mar me quer" (2000); "Na Berma de Nenhuma Estrada e outros contos" (2001); "O Gato e o Escuro" (2001); "O Último Voo do Flamingo" (2000); "Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra" (2002). "O Fio das Missangas" (2004) é o seu último livro de contos.
O estilo de Mia Couto foi influenciado por vários autores brasileiros, dentre eles Guimarães Rosa.

terça-feira, 16 de março de 2010

Temporalidade

Com tempo vou contar a vocês tudo o que sei sobre o trabalho abaixo...

No Centro Cultural Pampulha a série de encontros do Senhores e Senhoras do Tempo foi além. Estimulados a aprofundar seus conhecimentos na questão do patrimônio e exercício da memória, os idosos, sob a coordenação da produtora cultural, Míriam de Freitas Barbosa, criaram o grupo PreciosIdade. O grupo leva para fora do Centro Cultural todo o conhecimento adquirido nos encontros semanais. Com cantigas e danças folclóricas, além de muita conversa, o espetáculo “Temporalidade” apresenta ao público um panorama sobre o tempo, a tradição oral e a idade. Em março, o espetáculo pode ser visto no Centro Cultural Alto Vera Cruz, dia 13, às 14h, e no próprio Centro Cultural Pampulha, dia 19, às 19h.

domingo, 7 de março de 2010

Proyecto en curso

Acabé de leer mi primer libro en español!!! Bueno! Muy bueno!
Isabel Allende. Hija de la fortuna.
Me gustaría mucho contar al detalle esa novela.
Pero, tengo muchas dudas para construir frases.
Muchas dudas para escribir, todavía…
Comprender la historia y emocionarme no fue difícil. Llegué al punto de “devorar” las últimas páginas tamaña la curiosidad. Renuncié a mi sueño.

Gracias!

Besos

Claudia

sábado, 6 de março de 2010

Stalin admirado por muitos



















  
PASTICHE
Um sósia de Stálin posa em frente a um monumento na
Geórgia. A terra natal do ditador ainda cultua sua memória

Eis trecho de uma reportagem da Revista Época (Paulo Nogueira, 17/12/2009) que me induz a novas leituras:
"Se Hitler está consolidado na cultura alemã como um assassino de massa, Stálin ainda exerce um ambíguo fascínio sobre muitos russos mais de meio século depois de sua morte, em 1953. Um programa de televisão destinado a eleger, com o voto popular, “o maior russo de todos os tempos” teve em Stálin um concorrente fortíssimo, provavelmente alijado do título por alguma gambiarra da produção. Nem sequer russo Stálin era. Ele nasceu na república vizinha da Geórgia, em 1879, e acabou se transferindo para a Rússia quando, mal saído da adolescência, se tornou um revolucionário profissional do Partido Bolchevique. Uma pesquisa feita por sociólogos há dois anos, e citada por Medvedev, descobriu que 90% dos jovens russos desconhecem os nomes de vítimas do terror stalinista. Os comunistas de São Petersburgo, a segunda maior cidade russa depois da capital, Moscou, há algum tempo sugeriram à Igreja Ortodoxa a canonização de Stálin."
Equivocados, certamente! O que justifica essa "ignorância" entre os jovens do país é que, ainda que pelas vias erradas, sob o terror de Stálin, a Rússia tornou-se, uma superpotência global. O mundo, depois da derrota nazista de 1945, era apenas União Soviética e Estados Unidos. O mundo em apenas dois grandes blocos! A Rússia é atualmente apenas uma ex-superpotência.
Sugestão de leitura:
Criança 44
Romance de estréia de Tom Rob Smith.
Um inquérito policial verdadeiro adaptado para que o leitor conheça a Rússia opressora de Stalin.
É neste ponto que parabenizo os grandes talentos. Um acontecimento real + cenário + História + personagens psicologicamente descritos + talento de escritor = romance eletrizante, dinâmico e reflexivo.
Jamil Ziyadaliev, sósia de Stálin, com sua
mulher, Fakizar, em sua casa em Adzelo,
na Geórgia, em 18 de setembro.
(Foto: Justyna Mielnikiewicz/The New York Times)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Ditadores são covardes?!

Acredito que as falas "tudo pelo poder", "o homem que domina o homem" justificam muitas das atitudes irracionais do ser humano.
Pesquisei no google os ditadores mais famosos na História. E suas características.
Megalômanos, vingativos e violentos.
Sob seu comando inexiste liberdade pessoal, há controle dos meios de comunicação em massa e inesquecivelmente, atrocidades!

Sargão, imperador da Acádia
Xerxes 1º, o Rei-Deus da Pérsia (519 a.C-465 a.C)
Nero, imperador romano (37-68)
Kublai Khan (1215- 1294) - Mongólia
Luiz 14, rei da França (1638-1715)
Leopoldo II (1835 – 1909) - Bélgica
Imperatriz Cixi (1835 - 1908) - China
Hideki Tojo (1884-1948) - Japão
Josef Stalin, ditador soviético (1879-1953)
Adolf Hitler, ditador da Alemanha (1889-1945)
Francisco Franco, ditador da Espanha (1892-1975)
Mao Tsé-tung (ou Mao Zedong) (1893-1976) - China
Chiang Kai-shek (1887 - 1975) - República da China (Nacionalista) e Taiwan
Josip Broz Tito, ditador iugoslavo (1892-1980)
Pol Pot (1925-1998) - Camboja
Augusto Pinochet, militar e político chileno (1915-2006)
Mobutu, ditador do Zaire, atual República do Congo (1930-1997)
Saddam Hussein, ditador iraquiano (1937-2006)

Sem citar as ditaduras militares no Brasil e outros países da América Latina, gostaria de defender a tese de que todo aquele que luta desesperamente pelo poder (e o impõe) é um covarde.
Da mesma forma que o ciumento e possessivo tem baixa autoestima e é inseguro.
Da mesma forma que a melhor defesa é o ataque!
Sei que a mente humana é muito complexa para afirmações como as que fiz acima, porém são elas que me motivarão a ler mais sobre o assunto. Compreender as entrelinhas do que dizem os historiadores e estudiosos. Entender a psicologia humana.
Segue, pois, a sugestão de um bom filme! O último rei da Escócia.
Fala sobre o ditador Idi Amin Dada, da Uganda.

Idi Amin Dada Oumee foi um militar e ditador de Uganda de 1971 a 1979.
Da etnia kakwa, sua ditadura foi caracterizada por genocídios e requintes de crueldade utilizados nas execuções, daí as alcunhas de "o talhante (açougueiro) de Kampala" e "senhor do horror", atribuídas a ele pelo povo ugandense. Idi Amin assumiu o governo de Uganda quando era comandante-chefe das Forças Armadas, destituindo o antigo governo civil. Era defensor de Adolf Hitler e favorável à extinção do Estado de Israel. O seu governo terminou em 1979, quando as tropas da Tanzânia, que nunca reconheceram o seu governo, o destituíram sob o apoio dos ugandenses.
Idi Amin Dada nasceu numa pequena tribo de camponeses muçulmanos de Kakwa nas margens do rio Nilo, num dos distritos mais remotos de Uganda.
Alistado no Exército britânico, foi inicialmente ajudante de cozinha do regimento britânico King's African Rifles. Impressionou com seu 1,90 metro de altura, e os seus 110 quilos bem como a sua habilidade pugilística, que o converteram num campeão de boxe na categoria de pesos-pesados do seu país (1951-1960). Após a independência do país (1962) tornou-se chefe do Exército (1966) do presidente Milton Obote. Após o golpe de estado, depois de alguns meses de moderação, iniciou rapidamente a arbitrariedade como estilo de seu governo, que durou oito anos (1971-1979), foi um regime brutal que deixou um país arruinado e 300 mil pessoas assassinadas.

terça-feira, 2 de março de 2010

Um conto

QUESTÃO DE INTERPRETAÇÃO

Eu fiz questão de contar, uma a uma...
Foram 122. Isto significa 61 pares de meias.
Aqui em casa, lavar as meias sempre foi um dilema. A gente olha nas gavetas: tem pouca, pensamos: “às compras, vamos comprar mais meias”.
Só que chega uma hora em que a consciência pesa e... Dá pra imaginar quantas meias estão sujas relembrando as vezes que fomos à rua, “às compras”.
O dia de sábado amanheceu ensolarado e resolvemos as três, juntas, dar um jeito nas meias...
Pensando no lema “a união faz a força”, juntamos as três num único tanque. Uma molhava, outra passava sabão e outra esfregava. Revezávamos, ainda, de outra maneira: uma enxaguando, colocando no amaciante, outra na máquina para centrifugar e outra no varal para secar.
E o melhor de tudo foi o papo que rolou...
“Pelo menos, ficamos fortinhas...”
“Que ótimo exercício para o peitoral...”
“É, a gente não devia deixar acumular, não dá pra ver o fundo do tanque...”
“Perceberam, crianças, como minhas meias são limpinhas? Eu não ando pelo carpete de meias.”
“É, mãe. Tem razão. Está precisando lavar o carpete.”
13.10.2000

segunda-feira, 1 de março de 2010

Ciência Política

Sempre que leio uma reportagem, anseio ter uma opinião formada sobre o assunto, ou seja, gostaria de contestar em parte o que foi dito. Não sair entre amigos repassando o que li e sim o que compreendi!
Discutir o assunto, sustentando um ponto de vista. Não de maneira impositiva, inflexível, porém com propriedade.
Muitas vezes são estas reportagens que direcionam minhas leituras.
A morte de Orlando Zapata Tamayo é o assunto da vez. Após 83 dias de protesto - greve de fome -, morre o cubano de 42 anos.
Por que o caso representa mais um embaraço para Lula?!
Zapata decidiu parar de se alimentar como forma para protestar contra as más condições de tratamento na prisão em que estava, na cidade de Camagüey. Acusado pelo governo de "desacato", "desobediência" e "desordem pública", estava preso de 2003.
Um preso político! Em Cuba, atualmente, são cerca de 200 presos políticos.
Lula chegou a Havana poucas horas depois de Zapata definhar até a morte na cama de um hospital, quando o clima entre os dissidentes e o governo já era de tensão. A finalidade da viagem era fechar um contrato para a reforma do Porto de Mariel, perto de Havana, com financiamento brasileiro.
Em uma carta assinada por 50 prisioneiros cubanos, Lula é chamado de "magnífico interlocutor" e a ele foi pedido que intercedesse pela libertação deles ante Raúl e Fidel.
Se a carta foi recebida ou não na Embaixada, a questão que me "motiva" a ler sobre Cuba, ditadura e política é o HOMEM e sua luta pelo PODER! Quando é conveniente lutar pelos direitos humanos e quando é conveniente fechar contratos economicamente vantajosos.

Decisões políticas me remetem à obra INFIEL, autobiografia de Ayaan Hirsi .
Ayaan foi infiel aos muçulmanos ao criticar o fundamentalismo e se tornar uma defensora dos direitos humanos na Holanda. Uma vez que não encontrava respostas na religião, estudou Ciência Política e tornou-se deputada na Holanda. [...]