sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O leitor - o livro e o filme


Bernhard Schlink comenta sua obra 'O leitor' que inspirou o longa-metragem de Stephen Daldry.
No livro, Michael Berg, com 15 anos, descobre o amor com Hanna em tempos de guerra na Alemanha. Anos depois, Berg, estudante de direito, reencontra Hanna como ré num julgamento sobre terríveis crimes contra judeus. Fascínio e repulsa o dominam, numa trama que traz à tona questões de moral e culpa.
Schlink, que não deu entrevistas sobre a adaptação cinematográfica dirigida por Stephen Daldry — concorrente ao Oscar em várias categorias, incluindo melhor filme — só aceitou conversar com a equipe da própria editora, Diogenes Verlag AG Zurich.
A seguir, trechos da conversa.


O filme ficou do jeito que o senhor imaginava?
BERNHARD SCHLINK: Eu não imaginava. Tenho minhas próprias imagens mentais, e o filme não tem como reproduzi-las. Mas um autor que espera que um filme reproduza suas próprias imagens mentais não deve vender os direitos da obra. Ele só pode esperar que um diretor capaz achará novas e adequadas imagens para a história e o tema do livro.


Stephen Daldry foi bem-sucedido nisso?
SCHLINK: Com o roteirista David Hare, ele conseguiu preservar a história e o tema principal do livro. Ele não fez um filme sobre o Holocausto que ele poderia, depois de tudo, ter tentado por meio de flashbacks. Em vez disso, ele retrata como a geração pós-guerra está implicada na culpa da geração da guerra.

E as imagens?
SCHLINK: A atmosfera dos anos 1950, a coexistência da insegurança e a confiança no jovem Michael Berg e de temor, insensibilidade e falta de compreensão em Hanna Schmitz, a intensidade e o silêncio do seu amor, o drama íntimo e exterior do julgamento — Stephen Daldry criou imagens poderosas para expressar tudo isso. E um forte elenco.


Quem você sempre quis ver no papel de Hanna Schmitz?
SCHLINK: Sempre esperei que Kate Winslet pudesse representar Hanna Schmitz. E estou impressionado com o poder expressivo e a urgência com que David Kross atua, assim como Ralph Fiennes, Bruno Ganz e Lena Olin.


Envolveu-se com a filmagem?
SCHLINK: Conversei muito com Stephen Daldry e David Hare, com cada um deles. Às vezes minhas sugestões eram levadas em conta e às vezes, não — é assim que as coisas são. Eram boas conversas.

Considera a adaptação cinematográfica o ponto alto na história de sucesso do seu romance? Ou houve outros momentos, situações e reações que foram mais importantes para você?
SCHLINK: O filme é um ponto alto visível, assim como foi o número um na lista dos best-sellers do “New York Times” há muitos anos. Fico feliz que tenha havido tal interesse no meu livro, o qual ganha relevo dessa forma. É um livro para jovens e mais velhos, mulheres e homens, intelectuais ou não, pessoas com diferentes tipos e níveis de educação de uma ampla gama de países, e é um livro para quem lê muito ou não. Entre os pontos altos também estão as cartas que eu recebo em que alguém me escreve que em geral não lê muito mas que o meu livro foi recomendado por alguém, que começou a ler e não parou mais. Minha mãe, que é suíça e nasceu democrata, me passou a ideia, quando eu era criança, de que se eu quisesse dizer algo numa democracia deveria dizer de um jeito que todos pudessem entender. Hoje eu sei que isso não se aplica à arte. Mas fico feliz de ter escrito um livro democrático do jeito que foi.


Houve um boom por alguns meses de filmes americanos sobre nacional-socialismo ou sobre o Holocausto como “Valquíria”, “O menino do pijama listrado” e “O milagre de St Anna”. Que papel “O leitor” tem nesta leva de filmes?
SCHLINK: Deixe-me enfatizar mais uma vez: “O leitor” não é um livro sobre nacional-socialismo nem sobre o Holocausto. É um livro sobre a relação entre a geração do pós-guerra e a geração da guerra, sobre a implicação da geração pós-guerra na culpa da geração da guerra, e sobre a implicação na culpa em geral. O escritor americano Joyce Hackett achou uma resposta inteligente para a pergunta sobre por que os filmes americano estiveram tão intensamente preocupados com o Terceiro Reich e o Holocausto em tempos recentes: ela argumenta que depois dos anos moralmente ambiguos de Bush, há uma grande demanda por problemas morais com respostas definitivas, por imagens claras e fortes do bem e o mal.


Visto dessa forma, também, “O leitor”, que lida com problemas morais, tensões e conflitos, não se encaixa nessa faixa de filmes americanos. Acha que o filme é bem-sucedido no equilíbrio entre entretenimento e confusão que, depois de tudo, deve provocar no leitor?
SCHLINK: Os espectadores vivem me dizendo que o filme os tocou e os cativou e que isso lhes dá muito alimento para pensamentos — eu diria que isso mostra que o equilíbrio foi bem-sucedido.

Estava preocupado de que o mal-entendido sobre o “boom nazista” poderia interferir na recepção do filme?
SCHLINK: Os mal-entendidos que existem em relação ao livro também existem em relação ao filme, então isso era para se esperar.


“O leitor” é um livro muito alemão. Foi possível para uma equipe americana de Hollywood entendê-lo plenamente para fazer a adaptação cinematográfica?
SCHLINK: Stephen Daldry e David Hare são ingleses, e a equipe era americana, inglesa e alemã e o filme foi rodado na Alemanha. Além disso, o livro é alemão, mas não exclusivamente. Amor, vergonha, mentiras, culpa, implicação, justiça — estes são temas universais.

Houve um motivo particular por que o filme foi vendido para uma empresa americana de cinema? Chegou a considerar a venda para uma produtora alemã e um diretor e um roteirista alemão?
SCHLINK: Quando os direitos do filme foram vendidos há dez anos, o cinema alemão não era o que é hoje. Eu queria um filme que atingisse uma plateia internacional.


Como foi a filmagem? O senhor chegou a aparecer rapidamente numa cena, não?
SCHLINK: Muito rapidamente — eu mesmo mal me reconheço no filme. Eu passei apenas um dia no set — com um grande tempo de espera por lá, muita paciência, a mesma cena de novo e de novo, sutis modificações, um bom ambiente de intensidade e criatividade, do diretor ao motorista. Foi divertido.

Qual sua cena favorita?
SCHLINK: Não tenho cena favorita, pelo menos ainda não. Talvez ache alguma quando for ver o filme novamente.


Poderá escrever um roteiro você mesmo um dia?
SCHLINK: Escrevi um roteiro uma vez para um filme de televisão sobre o 13 de Agosto. Mas depois o diretor com quem eu tinha colaborado foi substituído por outro que queria escrever o roteiro ele mesmo. No momento, estou escrevendo o roteiro para a adaptação de “Homecoming”, com Nico Hofman como produtor e Jan Schütte como diretor. Embora esteja muito satisfeito de sentar na minha mesa sozinho para escrever, eu às vezes gosto de cooperar com outras pessoas — e gosto desta cooperação em particular.


Por algum tempo, Anthony Minghella foi escalado para dirigir o filme e escrever o roteiro. O fato de Stephen Daldry e David Hare fazerem o trabalho mudou significativamente o conceito do filme?
SCHLINK: Até sua triste morte, Anthony Minghella era um dos produtores de “O leitor” e contribuiu com suas ideias conceituais e as discutiu com Stephen Daldry e David Hare.


Como descreveria o conflito que se sente quando se contempla o personagem de Hanna? SCHLINK: Espero que seja o conflito que Michael Berg experimenta com Hanna Schmitz, o conflito que a geração pós-guerra experimento com a geração da guerra: afeição e horror, apoio e condenação.

A situação hoje das gerações jovens é diferente da geração da segunda geração (no pós-guerra)?
SCHLINK: A terceira geração é dificilmente implicada na culpa da geração da guerra e a quarta geração não é implicada em nada. Esta implicação requer que uma pessoa conheça os que estiveram envolvidos nos crimes como agentes, instigadores, ajudantes, espectadores, e que a pessoa experimente diretamente a tensão entre afeição e horror assim como o apoio e a condenação sem ser capaz de reconciliar isso de maneira satisfatória.

Acha que a experiência com a adaptação cinematográfica por influenciar sua escrita?
SCHLINK: Suspeito que tudo que experimento e aprendo me influencia.


Há outros projetos de livro e filme?
SCHLINK: Estou escrevendo conto e trabalhando no roteiro de “Homecoming”. Também estou pensando sobre um romance — se vai se desenvolver em projeto ainda verei.
Eis a fonte.

Trem noturno para Lisboa

Trecho extraído da obra Trem noturno para Lisboa de Pascal Mercier:


Estimado senhor diretor, caro colega Kägi,
O senhor deve ter sido informado de que ontem abandonei a sala de aula sem qualquer explicação e não voltei mais, e o senhor também já deve saber que, de lá para cá, não fui mais encontrado. Estou bem, nada aconteceu comigo. No entanto, ao longo do dia de ontem passei por uma experiência que modificou muita coisa. Ela é por demais pessoal e também ainda muito pouco clara para que eu possa colocar no papel agora. Preciso simplesmente pedir-lhe que aceite o meu ato abrupto e sem explicação. Imagino que me conhece o suficiente para saber que nada disso aconteceu por levindade, falta de responsabilidade ou indiferença. Estou partindo para uma longa viagem e ainda está em aberto quando voltarei e de que forma. Não espero que guarde o meu emprego para mim. A maior parte da minha vida foi intimamente entrelaçada com este liceu, e estou certo de que sentirei falta dele. Mas agora algo me impele a partir, e é bem possível que esse movimento seja definitivo. O senhor e eu somos ambos admiradores de Marco Aurélio, e o senhor haverá de se lembrar deste trecho de seus Pensamentos "Força-te, força-te à vontade e violenta-te, alma minha; mais tarde, porém, já não terás tempo para te assumires e respeitares. Porque de uma vida apenas, uma única, dispõe o homem. E se para ti esta já quase se esgotou, nela não soubeste ter por ti respeito, tendo agido como se a tua felicidade fosse a dos outros... Aqueles, porém, que não atendem com atenção os impulsos da própria alma são necessariamente infelizes."
Agradeço a confiança que sempre me dispensou e a boa coloboração que nos uniu. Tenho certeza de que encontrará a palavras adequadas quando se dirigir aos alunos, palavras que os fará saber o quanto gostei de trabalhar com eles. Antes de partir, observei-os e pensei: Quanto tempo eles ainda têm pela frente!
Na esperança de sua compreensão e os melhores votos para o senhor e seu trabalho sou
Raimund Gregorius
P.S.: Deixei os meus livros sobre a mesa. Poderia, por favor, guardá-los e cuidar para que nada lhes aconteça?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Ainda sobre as mulheres de Henrique


“AS SEIS MULHERES DE HENRIQUE VIII FORMAM UMA MISTURA EXTRAORDINÁRIA. ELAS SÃO, TALVEZ, A PRINCIPAL RAZÃO PELA QUAL A DINASTIA TUDOR NOS FASCINA TANTO”
Época de 15/10/2009
ENTREVISTA - JUSTIN POLLARD

“A corte de Henrique VIII era cheia de tensão sexual”
O consultor da série ""Os Tudors" conta como era a
vida – de fato – dos reis da Inglaterra no século XVI
Paulo Nogueira, de Londres

Justin Pollard, de 41 anos, é um tipo relativamente comum no Reino Unido e absolutamente raro no Brasil: um historiador que escreve com clareza, estilo, vivacidade, sem medo de parecer comercial, frívolo ou superficial. Autor de oito livros de história, egresso da prestigiosa Universidade de Cambridge, que ao lado de Oxford forma os filhos da elite financeira e intelectual da Inglaterra, Pollard é consultor da série Os Tudors, que narra a saga transformadora, sangrenta e fascinante de Henrique VIII. Quintessência do monarca absoluto, ele conseguiu tudo o que quis – exceto, ironicamente, o que foi seu maior desejo, um filho homem que lhe sucedesse e garantisse a continuidade dos Tudors no trono. Pollard é o consultor histórico da série. As queixas de historiadores em relação a certos aspectos de Os Tudors não lhe tiram o sono, mas o bebê que tem em casa sim. Pollard concedeu a seguinte entrevista a ÉPOCA.
QUEM É Historiador e escritor. É consultor histórico da série Os Tudors e colaborador da BBC
O QUE FAZ Dirige a companhia Visual Artefact, especializada em consultoria de história para filmes e programas de televisão
O QUE PUBLICOU Oito livros. O mais recente se chama Secret Britain, com episódios curiosos e virtualmente desconhecidos da história britânica
ÉPOCA – O rei Henrique VIII foi tão bonito quanto ele é retratado na série? Os quadros do século XVI costumam mostrá-lo como um homem gordo e feio. Você poderia explicar isso? Justin Pollard – Henrique VIII foi considerado muito bonito quando era jovem. Ele era um perfeito monarca renascentista: escritor, músico, esportista, caçador, poeta, tudo o que um rei deveria ser. Muito saudável e poderoso também. Os retratos que temos hoje dele são cópias de um mural perdido de Hans Holbein, o Jovem. O mural tinha uma perspectiva distorcida do rei para fazê-lo parecer mais forte e mais imponente. Depois de um acidente numa justa (tradicional esporte medieval, em que dois cavaleiros armados de lanças tentam derrubar um ao outro do cavalo) em 1536, Henrique ficou acima do peso, especialmente pela incapacidade de fazer exercícios. Isso foi acentuado porque ele sofria de gota. Na fase mais gorda, sua cintura media 137 centímetros. Os furúnculos na perna, a gota e a enorme circunferência certamente não tornavam Henrique muito atraente nesse momento.
ÉPOCA – Há muito sexo na série. A aristocracia inglesa era de fato tão promíscua?
Pollard – A promiscuidade na aristocracia é uma história mista. A nobreza tinha a oportunidade de ser promíscua sem que nada de ruim lhe acontecesse. Alguns nobres eram, em consequência, extremamente promíscuos. Já aqueles mais religiosos, nem tanto. Geralmente, os jovens príncipes tinham várias amantes. Henrique não era diferente, apesar de muitos de seus supostos casos nunca terem sido provados. Na verdade, só há provas concretas sobre dois deles, mas é provável que houvesse outros. A corte real era cheia de tensão sexual. As pessoas no poder naquela época eram mais novas que nossos governantes de hoje. Reis podiam ser adolescentes, e o papa mais jovem tinha 18 anos. Portanto, os hormônios desempenhavam um papel importante na vida. Quanto à promiscuidade das pessoas comuns, ninguém sabe ao certo, pois quase não existem registros sobre seus costumes. Como a vida era curta, e aos 40 anos você já era um homem velho, não acredito que o rígido pudor vitoriano pudesse reinar naquele tempo.
ÉPOCA – Qual foi o maior legado de Henrique VIII como rei?
Pollard – Foi a ruptura com Roma em 1533 e 1534, o que oficializou a reforma religiosa inglesa. Henrique tirou a Igreja, suas terras e suas riquezas, que eram imensas, do controle estrangeiro do papado e pôs tudo isso nas próprias mãos. A dissolução dos mosteiros teve um impacto incalculável na vida britânica. A riqueza que isso liberou permitiu a Henrique remunerar seus seguidores e transformar a Grã-Bretanha numa potência europeia, algo que nunca fora anteriormente. A ruptura com a Igreja também mudou a forma física e a crença espiritual na região rural inglesa. Mosteiros foram demolidos e substituídos por casas privadas. O sistema religioso que promovia o bem-estar do povo, no qual os ricos eram encorajados a fazer caridade para salvar sua alma, foi removido, deixando os pobres sem nenhum amparo. Ainda, o calendário de rituais sob o qual as pessoas viveram por séculos, e que era baseado na Igreja Católica, foi rasgado. Nem tudo isso permaneceu intacto depois do fim do reinado de Henrique, mas ele promoveu uma série de mudanças.
ÉPOCA – Li que cerca de 85% da série é verdade. Quais 15% são ficção e por quê?
Pollard – Nós recebemos algumas reclamações de historiadores em relação à precisão de Os Tudors, mas acredito que muitas vezes eles se confundem. Os Tudors não é um documentário, tampouco uma máquina do tempo na qual se pode visitar o passado. É uma série baseada em fatos reais. Pegar a história de Henrique e transformá-la em quatro séries de dez horas requer muita edição. Há vários elementos de sua vida que precisaram ficar de fora. Alguns porque não achamos que seriam atraentes, alguns porque seriam excessivamente caros e alguns porque seriam confusos.
Um exemplo são as irmãs de Henrique. Quando mostramos Henrique com apenas uma irmã na série, alguns historiadores disseram que nós “estupidamente havíamos nos esquecido de que ele tinha duas”. É claro que sabíamos disso, mas em nossa narrativa as irmãs tinham papel secundário. E, como uma delas se chamava Maria Tudor, o mesmo nome de uma das filhas de Henrique, que apareceria com frequência nos episódios posteriores, achamos que seria mais fácil e menos confuso reunir elementos das duas irmãs em apenas uma, a Margarete.
ÉPOCA – Por que, em sua opinião, as pessoas são tão fascinadas pelos Tudors? Não apenas a série, mas a dinastia como um todo?
Pollard – Os Tudors foram os primeiros grandes propagandistas na história da monarquia inglesa. Eles projetaram publicamente a imagem de um reinado que era poderoso e grandioso. O próprio Henrique foi o primeiro dos reis ingleses que exigiram ser chamados de “Vossa Majestade”. Os monarcas Tudors se preocupavam em como sua imagem era apresentada, permitindo que apenas alguns retratos circulassem no mundo. Além disso, controlavam também as mídias populares, como o teatro. Por isso você raramente vê uma pintura de uma Elizabeth velha e debilitada. As peças históricas de Shakespeare promoviam a legitimidade da dinastia Tudor, e ter um escritor como William Shakespeare de seu lado não é nada mau. E há ainda a história pessoal de Henrique. Ele é o tipo de homem poderoso que não poupa esforço para conseguir aquilo que quer. Henrique foi um legítimo herdeiro masculino, e deixou, ao morrer, uma trilha ruinosa nessa questão, para não falar no estrago que ele provocou em suas seis mulheres.
ÉPOCA – Qual das rainhas é sua favorita e por quê? Você poderia dizer algumas palavras sobre cada uma delas?
Pollard – As mulheres de Henrique são uma mistura extraordinária. Elas são uma das principais razões pelas quais a história de Henrique nos fascina tanto hoje em dia. Catarina de Aragão tinha casado com o irmão mais velho de Henrique, que morreu subitamente. O então rei Henrique VII arranjou outro casamento para ela com o novo herdeiro da coroa, Henrique VIII. Nós muitas vezes nos esquecemos de que ela foi rainha da Inglaterra por quase 24 anos e que, depois de sua substituição, Catarina continuou agindo de forma digna apesar de ter sido absurdamente maltratada. Ana Bolena tem um lugar especial entre minhas afeições por ter participado dos dois filmes Elizabeth, em que a estrela é sua filha com Henrique. (Pollard esteve envolvido em ambos os filmes.) Ana Bolena era esperta e sincera, algo que Henrique havia adorado nela quando era sua amante, mas que considerou inapropriado para uma esposa e rainha. Ela foi hostil à influência de Cromwell (principal assessor de Henrique) sobre o rei e ao progresso da dissolução dos mosteiros. Isso foi um dos motivos para ela ter sido afastada e executada, tanto quanto seu fracasso em produzir um herdeiro varão. O julgamento de Ana Bolena foi uma fraude absoluta. Ela era, na verdade, inocente, mas foi condenada, e ainda assim morreu com grande dignidade. Jane Seymour foi a mulher favorita de Henrique, tanto que ele foi enterrado a seu lado. Jane produziu o tão esperado primogênito do rei (Eduardo VI, que reinou mas morreu aos 15 anos, sem se casar). Ela foi, aparentemente, mais discreta que Ana Bolena e menos politizada, mas não podemos afirmar isso com certeza, pois Jane foi rainha por um período curto. Alguns historiadores acreditam que ela teve um papel decisivo na queda de Ana Bolena. Isso, porém, nunca foi provado. A morte de Jane, por complicações pós-parto, foi um grande baque para Henrique. Ana de Cleves durou apenas seis meses como rainha. A razão de Henrique não ter se dado bem com ela é incerta. Talvez ele não a achasse fisicamente atraente. Certamente o casamento nunca foi consumado, e, depois de seis meses, Henrique pediu a anulação, que Ana aceitou. Ela permaneceu na Inglaterra e se comportou com grande decoro. Ana recebeu uma generosa soma de dinheiro e era bem-vinda na corte, onde a chamavam de “Irmã Amada do Rei”.
Catarina Howard ficou casada com Henrique por 16 meses, num momento em que foi, talvez, a crise de meia-idade do rei. Ele estava com quase 50 anos e ela tinha, provavelmente, 19. Catarina Howard era muito indiscreta e admitiu ter tido alguns casos antes de se casar, um fato que invalidaria o matrimônio. Há indícios de que ela manteve amantes, também, durante o casamento. Catarina Howard era jovem e inocente. Tragicamente, acabou pagando por isso com a cabeça. Catarina Parr foi, talvez, a mulher com quem Henrique deveria ter ficado junto desde o começo. Ela era virtuosa, astuta e leal. Catarina Parr usou a inteligência para promover suas crenças, mas sempre lembrando quão perigoso era o mundo em que vivia, e não entrando em conflitos com pessoas poderosas, em especial o próprio rei. Apesar de a história de Ana Bolena ser a mais fascinante, eu diria que Catarina Parr é minha rainha favorita. Ela entendia o jogo que estava jogando.
ÉPOCA – Você esperava que a série fizesse tamanho sucesso?
Pollard – Sempre há a expectativa de que a série de televisão ou o filme em que você trabalha sejam um sucesso. Mas todos nós ficamos surpresos com o tamanho do interesse nos Estados Unidos por um episódio da história inglesa de 500 anos atrás. Se já houve algum período na história europeia capaz de captar a imaginação das pessoas, foi esse. A máquina de propaganda de Henrique funciona tão bem hoje quanto funcionava em seu tempo.
ÉPOCA – Por que, em sua opinião, as pessoas são tão fascinadas pelos Tudors? Não apenas a série, mas a dinastia como um todo?
Pollard – Os Tudors foram os primeiros grandes propagandistas na história da monarquia inglesa. Eles projetaram publicamente a imagem de um reinado que era poderoso e grandioso. O próprio Henrique foi o primeiro dos reis ingleses que exigiram ser chamados de “Vossa Majestade”. Os monarcas Tudors se preocupavam em como sua imagem era apresentada, permitindo que apenas alguns retratos circulassem no mundo. Além disso, controlavam também as mídias populares, como o teatro. Por isso você raramente vê uma pintura de uma Elizabeth velha e debilitada. As peças históricas de Shakespeare promoviam a legitimidade da dinastia Tudor, e ter um escritor como William Shakespeare de seu lado não é nada mau. E há ainda a história pessoal de Henrique. Ele é o tipo de homem poderoso que não poupa esforço para conseguir aquilo que quer. Henrique foi um legítimo herdeiro masculino, e deixou, ao morrer, uma trilha ruinosa nessa questão, para não falar no estrago que ele provocou em suas seis mulheres.
ÉPOCA – Qual das rainhas é sua favorita e por quê? Você poderia dizer algumas palavras sobre cada uma delas?
Pollard – As mulheres de Henrique são uma mistura extraordinária. Elas são uma das principais razões pelas quais a história de Henrique nos fascina tanto hoje em dia. Catarina de Aragão tinha casado com o irmão mais velho de Henrique, que morreu subitamente. O então rei Henrique VII arranjou outro casamento para ela com o novo herdeiro da coroa, Henrique VIII. Nós muitas vezes nos esquecemos de que ela foi rainha da Inglaterra por quase 24 anos e que, depois de sua substituição, Catarina continuou agindo de forma digna apesar de ter sido absurdamente maltratada. Ana Bolena tem um lugar especial entre minhas afeições por ter participado dos dois filmes Elizabeth, em que a estrela é sua filha com Henrique. (Pollard esteve envolvido em ambos os filmes.) Ana Bolena era esperta e sincera, algo que Henrique havia adorado nela quando era sua amante, mas que considerou inapropriado para uma esposa e rainha. Ela foi hostil à influência de Cromwell (principal assessor de Henrique) sobre o rei e ao progresso da dissolução dos mosteiros. Isso foi um dos motivos para ela ter sido afastada e executada, tanto quanto seu fracasso em produzir um herdeiro varão. O julgamento de Ana Bolena foi uma fraude absoluta. Ela era, na verdade, inocente, mas foi condenada, e ainda assim morreu com grande dignidade. Jane Seymour foi a mulher favorita de Henrique, tanto que ele foi enterrado a seu lado. Jane produziu o tão esperado primogênito do rei (Eduardo VI, que reinou mas morreu aos 15 anos, sem se casar). Ela foi, aparentemente, mais discreta que Ana Bolena e menos politizada, mas não podemos afirmar isso com certeza, pois Jane foi rainha por um período curto. Alguns historiadores acreditam que ela teve um papel decisivo na queda de Ana Bolena. Isso, porém, nunca foi provado. A morte de Jane, por complicações pós-parto, foi um grande baque para Henrique. Ana de Cleves durou apenas seis meses como rainha. A razão de Henrique não ter se dado bem com ela é incerta. Talvez ele não a achasse fisicamente atraente. Certamente o casamento nunca foi consumado, e, depois de seis meses, Henrique pediu a anulação, que Ana aceitou. Ela permaneceu na Inglaterra e se comportou com grande decoro. Ana recebeu uma generosa soma de dinheiro e era bem-vinda na corte, onde a chamavam de “Irmã Amada do Rei”.
Catarina Howard ficou casada com Henrique por 16 meses, num momento em que foi, talvez, a crise de meia-idade do rei. Ele estava com quase 50 anos e ela tinha, provavelmente, 19. Catarina Howard era muito indiscreta e admitiu ter tido alguns casos antes de se casar, um fato que invalidaria o matrimônio. Há indícios de que ela manteve amantes, também, durante o casamento. Catarina Howard era jovem e inocente. Tragicamente, acabou pagando por isso com a cabeça. Catarina Parr foi, talvez, a mulher com quem Henrique deveria ter ficado junto desde o começo. Ela era virtuosa, astuta e leal. Catarina Parr usou a inteligência para promover suas crenças, mas sempre lembrando quão perigoso era o mundo em que vivia, e não entrando em conflitos com pessoas poderosas, em especial o próprio rei. Apesar de a história de Ana Bolena ser a mais fascinante, eu diria que Catarina Parr é minha rainha favorita. Ela entendia o jogo que estava jogando.
ÉPOCA – Você esperava que a série fizesse tamanho sucesso?
Pollard – Sempre há a expectativa de que a série de televisão ou o filme em que você trabalha sejam um sucesso. Mas todos nós ficamos surpresos com o tamanho do interesse nos Estados Unidos por um episódio da história inglesa de 500 anos atrás. Se já houve algum período na história europeia capaz de captar a imaginação das pessoas, foi esse. A máquina de propaganda de Henrique funciona tão bem hoje quanto funcionava em seu tempo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Rendição à literatura

Depois de assistir à peça teatral NOVAS DIRETRIZES EM TEMPOS DE PAZ - texto de Bosco Brasil, direção de Fernando Couto - na Campanha de Popularização Teatro e Dança, ganhei de presente um exemplar de Ítalo Calvino.
O conto UM GENERAL NA BIBLIOTECA ratifica o espírito da peça: a rendição à literatura.
Uma comissão de inquérito comandada por um general foi designada para censurar todos os livros da maior biblioteca da Panduria, nação ilustre, que denegrissem o prestígio militar.
[...]
Pois é! Rendi-me ao autor após oratórias convincentes de Vivizão Paparazzi!
Tive motivos para abandonar os títulos atuais da minha cabeceira – MUNDO SEM FIM de Ken Follet e O TOTEM DO LOBO de Jiang Rong – e degustar Calvino.
Afinal, para incluir um “novo” autor no seu acervo literário ou mesmo na sua lista de pretensões é preciso motivação.
O que me levou a interrompeu minhas leituras para conhecer Calvino?
Primeiramente, a intenção de imitá-lo: ser mais leve, rápida e exata... : )
Imagine escrever em um blog repetida e imprecisamente! Dando voltas e voltas! Seria uma aberração!
E na obra SEIS PROPOSTAS PARA O PROXIMO MILENIO, Calvino identifica as seis qualidades que apenas a literatura pode salvar - leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade, consistência -, virtudes a nortear não apenas a atividade dos escritores mas cada um dos gestos de nossa existência.


E, também, porque o escritor italiano tem um extraordinário talento para escrever com ironia, fantasia e LEVEZA!
Em resumo, deixei cinco novas dicas de leitura para vocês!

50 livros em 2010!



















Quando estive no auge, ou seja, super empolgada, li 30 livros num ano. Se empolgada ou "em fuga", ainda não concluí.
Sei que foi muito bom. Aprendi um pouco sobre mim, enriqueci meu vocabulário e viajei por culturas diversas: indianos, chineses, muçulmanos, iranianos e esquimós.
Um pouco de Portugal, Espanha, Itália, Moçambique, Serra Leoa, Somália, Arábia Saudita, Iraque.
Também conheci a Inglaterra medieval e os tuaregues.
Bolívia, Peru, Chile.
Ler é uma viagem! Barata e sem volta! Confesso que chorei, gritei, estive ora alegre, ora apreensiva, ora muda...
Muda só por algumas horas - até assimilar. Conversava com o google e com o youtube, completando a compreensão das mensagens com filmes e resenhas. E saía a falar, falar... contar para os amigos como as letras enriquecem!
Com o hábito da leitura fiquei ainda mais faladeira, rs

Seguem algumas sugestões:
Tuareg
A Princesa
Travessuras da Menina Má
A Distância entre Nós
Paixão Índia
Muito Longe de Casa – Memórias de um Menino Soldado
Zorro – Começa a Lenda
A Boa Terra
Infiel – a história de uma mulher que desafiou o Islã
No País das Sombras Longas
La Botega
A Irmã de Ana Bolena
Os Fios da Fortuna
O Amante da Virgem
Cinderela Chinesa
Inez da minha Alma
Mayada, a Filha do Iraque
Casa Rossa
Adeus, China – o último bailarino de Mao
A Herança de Ana Bolena
Amor em Terra de Chamas
A doçura do mundo
Rio das Flores
A Catedral do Mar
Os Pilares da Terra

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

As mulheres de Henrique

Catarina de Aragão, Maria, Ana Bolena, Jane Seymour, Ana de Claves, Catarina Howard, Catarina Parr. Seis esposas e uma amante.
Henrique VIII, monarca, Inglaterra do séc. XVI.
Maria, irmã de Ana Bolena, foi apenas a amante. Mas, uma mulher marcante aos olhos da escritora Philippa Gergory.
Existe algumas divergências entre historiadores/pesquisadores sobre os filhos bastardos.
Mesmo na série da TV "Os Tudor", a filha de Maria é omitida.
Independente disso, é gostooooso demais saber que somos mulheres brasileiras do século XX e não precisamos nos sujeitar a tanta ... (curiosidade é uma motivação, rs)
A editora Record publicou recentemente o 5o. volume* desta série histórica!!
Eis a sequência:
A Princesa Leal
A irmã da Ana Bolena (filme A outra)
A herança de Ana Bolena
O bobo da Rainha *
O amante da virgem (filme Elisabeth)
Receio "atropelar" todos com tanto que tenho a dizer sobre esta parte da História, esta autora e, com mérito, a tradutora.
Dá pra "engolir" a média de 520 páginas de cada volume em dias, poucos dias.
Postarei em outra oportunidade a transcrição de momentos/características de cada uma das mulheres de Henrique.

Fotografia




Tenho um carinho muito especial por estas duas fotos. Digamos que estava com o equipamento certo, no momento exato para o registro de algo tão “banal”.
Bom dia!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Tao Chi'en - costumes da China de 1800

Personagem da obra de Isabel Allende - Filha da Fortuna -, Tao Chi'en nasceu na China contemporânea de 1823.
Até os onze anos era conhecido apenas como o Quarto Filho. Seus pais eram demasiadamente pobres para ocupar-se de detalhes como esse: um nome.
O detalhe da vida de Tao Chi'en que quero contar-lhes é sobre o seu sonho de casar-se com uma mulher de pés pequenos.
Encontrou, apaixonou-se por Lin que lhe daria uma filha.
Porém, os pés pequenos fizeram de Lin uma moça frágil. Ao andar, insuportáveis eram as dores. O peso da gravidez deixou-a acamada e seus pulmões ainda mais doentes. Tao Chi'en desejou, mais tarde, que ela tivesse os pés grandes e pudesse caminhar sem dores. Teria fortalecido os pulmões e sobrevivido... *
Ele não é o protagonista desta obra de Allende.
Eis a sinopse: Eliza Sommers é uma jovem chilena que vive em Valparaíso em 1849, ano em que se descobre ouro na Califórnia. O seu amante, Joaquín Andieta, a abandona, e parte para o Norte decidido a fazer fortuna e ela decide procurá-lo. A viagem infernal, escondida no porão de um veleiro, e a convivência numa terra onde só há homens e prostitutas atraídos pela febre do ouro, transformam a jovem inocente numa mulher fora do comum. Entretanto, toda essa transformação é feita com a ajuda e o afeto de Tao Chi'en, um médico chinês que a protege ao longo de uma viagem inesquecível pelos mistérios e contradições da condição humana. Filha da Fortuna é o retrato palpitante de uma época marcada pela violência e pela cobiça, onde cada protagonista redescobre o amor, a amizade, a compaixão e a coragem. Neste livro, considerado o seu mais ambicioso romance, Isabel Allende descreve um universo fascinante, povoado de estranhas personagens que, como tantas outras da autora, ficarão para sempre na memória e no coração de seus leitores. (Publishers Weekly).
* a correção sobre a morte de Lin deu-se em razão da má tradução - é o primeiro romance que leio em espanhol.

China

A China foi uma das minhas primeiras paixões. A obra Cisnes Selvagens - três filhas da China, escrita por Jung Chang foi a primeira a me descompensar!
Queria memorizar toda aquela história para contar ao resto do mundo! Ia transcrevendo trechos do livro para melhor assimilar as barbaridades de Mao.
A Revolução Cultural, o Grande Salto para a Frente e os costumes da época.
No caso de Cisnes Selvagens, a autora conta a vida de sua mãe e sua avó, como também a sua (1909 a 1978).
Jung Chang fez parte da Guarda Vermelha, ou seja, foi uma das adolescentes defensoras do comunismo de Mao Tsé-Tung.
Uma das características da China de Mao era o sentimento de "autocrítica" - seguir a doutrina tornariam as pessoas novas e melhores. A crítica deveria ser sempre para si mesmo, nunca para atos do governo.
Ao sentir seu regime ameaçado, Mao "afastou" os intelectuais - os inimigos de classe. A arma utilizada foram os fanáticos adolescentes doutrinados por ele – aqueles que cresceram sob o domínio do ditador, acreditando que o mundo capitalista era o inferno e a China o paraíso. Sem ordens diretas, os guardas vermelhos saqueavam, destruíam e matavam.
Tudo aquilo que lembrasse a cultura iluminista foi exterminado. Foi chamada de Revolução Cultural. Um povo sem idéias próprias foi o propósito conseguido por Mao.
Adolescentes como Jung desconheciam a fome gerada pelo Grande Salto para a Frente - quando todos deixaram de plantar para produzir aço. Ocorreu, inclusive, nesta época, o canibalismo.
Foi em 1958, quando Jung contava com 6 anos. Mao idealizou uma potência moderna de primeira classe – grande produtora de aço. Não houve expansão da indústria siderúrgica com trabalhadores qualificados e sim toda a população passou a produzir aço, mantendo os fornos funcionando 24 horas por dia: velhos, crianças, professores, médicos, agricultores, todos, enfim.
Houve, na verdade, escassez de alimentos e morte por inanição. Também morte por acidentes – crianças sonolentas ajudavam os pais a alimentar os fornos.
Para finalizar esta degustação sobre a China do século XX, falaremos sobre o comprimento máximo dos pés das chinesas – oito centímetros. Oito centímetros! Costume abolido na China somente em 1917, pés pequenos era símbolo de beleza, feminilidade e fragilidade. Elas deveriam andar parecendo “um tenro broto de salgueiro na brisa da primavera”, imagem considerada afrodisíaca ao olhar masculino. Para alcançá-la, as mães tomavam as filhas aos dois anos de idade e cumpriam um ritual que consistia em dobrar os dedos sob a sola dos pés, menos o dedo grande, e os enrolar com longas faixas de pano branco. Sobre os pés depositavam uma pesada pedra, até quebrar seu arco. Apesar das dores contínuas e lancinantes, esse enfaixamento era mantido para impedir que os dedos e as articulações se recompusessem. Somente à noite as faixas eram ligeiramente afrouxadas. Resultado: uma enorme deformidade e uma atrofia muscular permanente. Quanto menores os pés, maior o sinal de nobreza, riqueza e melhores possibilidades de um bom casamento.


Outras obras com as quais me deliciei:
As boas mulheres da China, de Xinran
Adeus, China – o último bailarino de Mao, biografia de Li Cunxin


Boa leitura!

Por que este título para meu blog?

Olá!!
Pensei em descascar-me como cebola. Cebola chamada Claudinha... Diante da dificuldade de desassociar o descascar das lágrimas, a cebola foi descartada.
Minha vida em versão comédia é a real intenção deste blog.
E me desnudar aos poucos... aos pedaços.
Aí, a grande motivação dos amigos: - Conte sobre os livros que lê! Conte-nos detalhes!
Então... pedaços/cascas/letras...
Creio que ficou bom, rs