domingo, 28 de agosto de 2016

E a história se repete...

Sim. Constatei.
O autor Pat Conroy repete não apenas o cenário (Carolina do Sul, onde viveu).
Repete dramas (vergonha, ódio, tristeza, perdão), personagens (filhos menosprezados, solitários, violentados; pais traumatizados, severos), e psicoses (demência, esquizofrenia, depressão, alcoolismo).
Porém, ele atingiu o objetivo para mim importante neste momento: foi meu remédio, meu placebo.

Jaime Bulhosa definiu bem como pode ser a leitura para cada um: pode mudar sua vida ou simplesmente ser uma distração...


Trechos do livro O Príncipe das Marés:

Neste primeiro trecho me identifiquei como "boa cidadã, pagadora de impostos e omissa em causas grandiosas e humanitárias, ou mesmo em conscientização política".
- (...) Invejei nele a liberdade de se deixar levar pela fúria de suas crenças, armado com uma emoção que jamais vou conhecer ou sentir. Tenho inveja do fato de Luke alarmar todo o país com o frio arrebatamento que coloca em sua maldita fé. O motivo  pelo qual preciso detê-lo, Savannah, é porque, no mais profundo do meu ser, acredito na integridade de sua guerra particular contra o mundo. Por acreditar tão profundamente nela, o compromisso dele é um constante lembrete de tudo o que já cedi. Fui domado por hipotecas, prestações de automóveis, planos de aulas, crianças e uma esposa com sonhos muito mais ambiciosos que os meus. Estou vivendo numa comunidade, assistindo ao noticiário das sete e fazendo as palavras cruzadas do jornal, enquanto meu irmão come peixe cru e trava uma guerra contra um exército de ocupação que roubou o único lar que  tivemos. Não sou um fanático ou um sabotador, sou um bom cidadão. É isso que digo a mim mesmo. Tenho deveres e responsabilidades. Mas Luke me provou alguma coisa. Mostrou que não sou um homem de princípios, de fé ou mesmo de ação. Tenho a alma de um colaborador.  Tornei-me exatamente o tipo que mais odeio no mundo. Tenho um belo gramado e nunca recebi uma multa por excesso de velocidade.

 
 
Neste segundo trecho, me identifiquei com a depressão, com o isolamento preferido por aqueles ditos, de alguma forma, psicóticos.  
(...)  Seu espírito fora alienado para fora da carne. Havia uma imobilidade mineral em sua calma, uma qualidade imaculada no conjunto tenebroso de sua catatonia. O catatônico sempre me pareceu o mais santo dos psicóticos. Há integridade em seu voto de silêncio e algo de sagrado em sua renúncia aos movimentos. É o drama mais silencioso de uma alma inacabada, o próprio ensaio geral para a morte. Eu já vira minha irmã não se mexer anteriormente e a encarei desta vez como um veterano de sua incurável quietude. Na primeira vez, eu me desfiz e escondi o rosto entre as mãos. Agora, recordava algo que ela me dissera: que, bem lá no fundo de sua imobilidade e solidão, seu espírito estava cicatrizando-se nos lugares mais inatingíveis, minerando as riquezas e os minérios escondidos nas galerias mais inacessíveis de sua mente. 
 










































































































































































































































































 

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Javier Moro

Das muitas obras de Javier Moro, já li (e me deliciei):
O Sári Vermelho
Paixão Índia
O Império é Você
O Pé de Jaipur

Agora, minha tia adquiriu Flor da Pele...

Estamos no início do século XIX, e a varíola, também conhecida como “flor negra” pelas marcas que deixa na pele daqueles que são infectados, é a doença mais temida do mundo. Não há rico ou pobre, criança ou velho, que esteja a salvo. Ao menos até pesquisadores começarem a testar um método ousado, porém eficaz, que consiste em provocar infecções atenuadas em pessoas saudáveis, tornando seus organismos resistentes ao mal. É nesse momento que uma jovem mãe solteira, Isabel Zendal, torna-se a primeira enfermeira da história numa missão internacional. Acompanhada por vinte e duas crianças com idades entre três e nove anos, ela parte rumo aos territórios espanhóis no além-mar para levar a recém-descoberta vacina da varíola à populações pobres. A expedição é liderada pelo médico Francisco Xavier Balmis e por seu ajudante, Josep Salvany, que enfrentarão a oposição do clero e a corrupção de autoridades locais – e também disputarão o amor de Isabel. A história real de amor e coragem de Isabel Zendal, à qual o best-seller Javier Moro teve acesso após ampla pesquisa, é retratada neste romance com a mesma riqueza de detalhes e delicadeza de outros sucessos do autor, como Paixão índia e O sári vermelho.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Editora Alfaguara

“Um livro tanto para o leitor novo quanto para o que já conhece sua obra. (...) ele revela uma outra faceta de Murakami.” — Patti Smith, The New York Times

“Melódico e cativante.” — Newsweek

Haruki Murakami é um fenômeno. Com mais de 1 milhão de exemplares vendidos no Japão na semana em que foi lançado, e atingindo o primeiro lugar das listas de mais vendidos ao redor do mundo, seu novo livro o coloca entre os grandes autores da atualidade.

Tsukuru Tazaki é um homem solitário, perseguido pelo passado. Na época da escola, morava com a família em Nagoya e tinha quatro amigos inseparáveis. Agora, vive em Tóquio, onde trabalha no projeto e na construção de estações de trem e namora uma mulher dois anos mais velha. Mas não se esquece de um trauma sofrido dezesseis anos antes: inexplicavelmente, foi expulso do grupo de amigos, e nunca mais os viu. Agora, ele decide revisitar o passado e reencontrá-los, para saber um pouco mais de cada um — e de si mesmo. Sua jornada o levará a locais distantes, numa transformação espiritual na busca pela verdade.

O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação é um livro emocionante sobre a busca de identidade. É uma história sobre pessoas perdidas, que lutam para lidar com o desconhecido e aceitá-lo de algum modo. Como cada um de nós.

sábado, 20 de agosto de 2016

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Trilogia e outros...

Se você pode ler uma trilogia "devorando-a" pode também ler três obras do mesmo autor uma após a outra, "sem respirar".
Depois de A Mansão do Rio, li O Príncipe das Marés e agora leio Canção do Mar.
Pat Conroy me conquistou!
Seus personagens são (repito) envolventes e marcantes.
 
                                                  Piazza Farnese - local onde morou Jack McCall
 
"Eu sussurrava a Leah que o sentido do olfato era melhor que um anuário para imprimir na memória o delicado grafite do tempo. E compreendi que a menina tinha desenvolvido extraordinariamente o seu quando, na metade de nosso segundo ano na Itália, ao passarmos pelo alimentari dos irmãos Ruggeri, ela me deteve e disse 'as trufas chegaram, papai, estão aqui', e eu senti aquele cheiro inconfundível de terra." (...) pág 12 da obra Canção do Mar, de Pat Conroy, Círculo do Livro.
 
Olfato para imprimir na memória o delicado grafite do tempo...
Fico a imaginar se, algum dia, meu vocabulário conseguirá dizer tanto com tão poucas palavras.
As letras me encantam, assim como o céu...
E o céu me encanta, não somente pelo esplender de um pôr do sol, mas pelos desenhos das nuvens em função da temperatura e do vento.
Posso dizer, então, que o vento quente (ou frio) desenha o céu com lápis branco?!
São palavras reclamando palavras...